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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Universidade do futuro no Brasil: a universidade &eacute; central na defini&ccedil;&atilde;o de novos rumos para a sociedade contempor&acirc;nea</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Soraya S. Smaili<sup>I</sup>; Naomar de Almeida Filho<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp) e coordenadora do Centro de Estudos Sociedade Universidade e Ci&ecirc;ncia (SoU_Ci&ecirc;ncia). Coordena o projeto Ci&ecirc;ncia na Sa&uacute;de junto ao Grupo Mulheres do Brasil. &Eacute; editora desta edi&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura    <br>   <sup>II</sup>Professor do Instituto de Sa&uacute;de Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde atua como Coordenador do INCTI Inova&ccedil;&atilde;o, Tecnologia e Equidade em Sa&uacute;de (INTEQ-Sau&#769;de) e professor visitante no Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), onde ocupa a C&aacute;tedra Alfredo Bosi de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, desenvolvendo estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre universidade, educa&ccedil;&atilde;o, hist&oacute;ria e sociedade. &Eacute; editor desta edi&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; s&eacute;culos, em todo o mundo, a universidade tem sido reconhecida como a fonte das ci&ecirc;ncias, a casa das palavras, o espa&ccedil;o das culturas e o lugar do pensamento. O pensamento define a universidade. Pensar, repensar, pensar-se. Pensar a universidade, por dentro de si e para si mesma, &eacute; fundamental, por&eacute;m pensar a universidade para e no contexto planet&aacute;rio &eacute; urgente. Ao faz&ecirc;-lo, temos uma oportunidade de dialogar com os governantes e com a sociedade. Nada mais apropriado do que apresentar ideias, propostas, solu&ccedil;&otilde;es e caminhos para as universidades brasileiras neste momento de nosso pa&iacute;s. Ao pensar suas ra&iacute;zes hist&oacute;ricas, ao pensar mais amplamente, ao pensar &agrave; frente do tempo, a universidade se faz decisiva para o futuro da na&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) prop&otilde;e, para o primeiro n&uacute;mero da revista <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> de 2023, uma edi&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica sobre a "Universidade do Futuro". Esta edi&ccedil;&atilde;o est&aacute; composta por uma s&eacute;rie de artigos que abordar&atilde;o diversos aspectos do tema em profundidade; al&eacute;m de v&iacute;deos e podcasts com foco em quest&otilde;es atuais sobre o tema central; entrevistas com cientistas e pesquisadores, testemunhas e protagonistas desse momento; bem como reportagens e textos de opini&atilde;o, elaborados por especialistas a partir de textos escritos por jornalistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos, a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a ci&ecirc;ncia e a pesquisa brasileiras sofreram agress&otilde;es intensas e cont&iacute;nuas, patrocinadas principalmente pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Muitas formas de ataque foram utilizadas, desde campanhas difamat&oacute;rias, inger&ecirc;ncia na escolha de dirigentes, persegui&ccedil;&atilde;o de docentes, al&eacute;m da profunda e arrasadora asfixia financeira. Dif&iacute;cil imaginarmos como, diante desse cen&aacute;rio, foi poss&iacute;vel sobreviver, resistir e ainda realizar grandes feitos durante essa pandemia que foi a maior crise sanit&aacute;ria de nossas gera&ccedil;&otilde;es. Apesar da pandemia da COVID-19 parecer distante agora, seus efeitos se encontram mais pr&oacute;ximos do que imaginamos, com as amea&ccedil;as advindas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Nesse contexto, as universidades, especialmente aquelas do setor p&uacute;blico, trouxeram contribui&ccedil;&otilde;es centrais para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e para a prote&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. Enfim, &eacute; preciso jogar luz nos legados da pandemia, a partir do esfor&ccedil;o das universidades que, inovadoras nas respostas e emancipat&oacute;rias nas conquistas sociais, certamente continuar&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico crucial para o enfrentamento de novos desafios de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivemos na universidade uma pandemia, ao mesmo tempo em que sofremos uma enorme restri&ccedil;&atilde;o de recursos. A Sociedade Brasileira respondeu com uma in&eacute;dita "onda pr&oacute;-ci&ecirc;ncia", com o reconhecimento de boa parte da popula&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia que salvou vidas. Al&eacute;m disso, assistimos &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o do conhecimento baseado em evid&ecirc;ncias hist&oacute;ricas e cient&iacute;ficas, posto que parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o brasileira se recusou a aderir &agrave;s <i>fake news</i> e ao negacionismo cient&iacute;fico. Nesse momento, as universidades ganharam grande destaque e popularidade. Por&eacute;m, a partir da ampla vacina&ccedil;&atilde;o e do arrefecimento da pandemia, al&eacute;m de superadas as quest&otilde;es eleitorais de 2022, vemos agora que movimentos obscurantistas anti-ci&ecirc;ncia parecem ganhar novos contornos, espa&ccedil;os e adeptos, com investidas cada vez mais sofisticadas e elaboradas, aumentando muito o desafio das universidades e aos formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ano de 2023 surge com a esperan&ccedil;a de reconstru&ccedil;&atilde;o nacional, a partir da uni&atilde;o de esfor&ccedil;os e da condu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o retorno dos processos democr&aacute;ticos. O momento agora &eacute; de redesenhar os sistemas de educa&ccedil;&atilde;o, e de pesquisa e desenvolvimento, retomar sua expans&atilde;o e colaborar decisivamente no sentido de reconstruir e, tamb&eacute;m, de reinventar o Brasil, depois dos tr&aacute;gicos anos que vivemos. Sabemos que, para isso, precisaremos garantir processos pol&iacute;ticos estruturais, al&eacute;m de retomar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que contemplem a educa&ccedil;&atilde;o e a ci&ecirc;ncia como &aacute;reas estrat&eacute;gicas para o Estado. Neste momento crucial, entra em cena a Universidade, inst&acirc;ncia formuladora de princ&iacute;pios, defensora de valores e pensadora de futuros e, por tudo isso, central na defini&ccedil;&atilde;o de novos rumos para a sociedade contempor&acirc;nea. Ao pensar no futuro, pensamos no "aqui-agora", no que temos efetivamente na universidade brasileira, uma capacidade instalada que est&aacute; latente e que &eacute; capaz de gerar o novo e dialogar com saberes transformadores do mundo.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As universidades, especialmente aquelas do setor p&uacute;blico, trouxeram contribui&ccedil;&otilde;es centrais para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e para a prote&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. "</b></styled-content>   </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Neste momento crucial, entra em cena a Universidade, inst&acirc;ncia formuladora de princ&iacute;pios, defensora de valores e pensadora de futuros e, por tudo isso, central na defini&ccedil;&atilde;o de novos rumos para a sociedade contempor&acirc;nea. "</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir deste 2023, ano de reconquista e reconstru&ccedil;&atilde;o, poderemos resgatar e retomar o trabalho valioso de Darcy Ribeiro e de An&iacute;sio Teixeira, que continuam atuais e, em muitos sentidos, orientadores e inspiradores. Para Darcy Ribeiro, o papel social da universidade se cumpriria quando ela sa&iacute;sse de dentro dos seus muros, amplificasse a conex&atilde;o com a sociedade e contasse com instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o de massa: r&aacute;dio, TV, setor editorial, imprensa e cinema (e hoje, certamente ele incluiria as diversas modalidades digitais). Ser&aacute; que esse momento &eacute; agora? Ou teremos que persistir lutando para construir um novo momento no futuro?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por tudo isso, ao pensarmos o tema dessa primeira <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> de 2023 e tamb&eacute;m a Universidade do Futuro no Brasil, precisamos falar mais da "universidade necess&aacute;ria", em di&aacute;logo permanente com a sociedade, com os movimentos que dela prov&eacute;m, bem como com os desafios do "tempo presente". A Universidade ser&aacute; estrat&eacute;gica para a composi&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa, solid&aacute;ria e sustent&aacute;vel, que ter&aacute; como base o conhecimento cient&iacute;fico e que enfrentar&aacute; os desafios para a reconstru&ccedil;&atilde;o de nossa na&ccedil;&atilde;o.</font></p>      ]]></body>

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