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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias: um modelo para a refundação das universidades brasileiras]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cotas étnico-raciais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Cotas Epistêmicas]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Universidade Pluriepistêmica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias: um modelo para a refunda&ccedil;&atilde;o das universidades brasileiras</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jos&eacute; Jorge de Carvalho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor no Departamento de Antropologia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), pesquisador 1-A do CNPq e Coordenador do Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCT) de Inclus&atilde;o no Ensino Superior e na Pesquisa, do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCTI) e do CNPq</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo apresenta os resultados de um intenso movimento pol&iacute;tico-acad&ecirc;mico ocorrido nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas - cotas &eacute;tnico-raciais e Encontro de Saberes - que se configura como uma proposta de transformar o atual modelo de universidade em uma universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias.     <br>   Durante todo o s&eacute;culo XX, as popula&ccedil;&otilde;es negras, ind&iacute;genas e dos demais povos tradicionais, assim como as suas ricas tradi&ccedil;&otilde;es de conhecimento, foram todas exclu&iacute;das do ensino superior. Junto com elas, os mestres e as mestras dessas tradi&ccedil;&otilde;es foram igualmente silenciados. Por esse motivo, nosso ensino superior foi constru&iacute;do sob o signo de uma dupla exclus&atilde;o: exclus&atilde;o &eacute;tnico-racial e exclus&atilde;o epist&ecirc;mica. Articulando cotas &eacute;tnico-raciais, cotas epist&ecirc;micas, Encontro de Saberes, Not&oacute;rio Saber, polimatia e transdisciplinaridade, podemos agora formular um modelo de refunda&ccedil;&atilde;o completa do modelo euroc&ecirc;ntrico e branco de universidade brasileira.     <br>   Uma universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias deve passar, necessariamente, por um rearranjo radical do seu modelo vigente, que pode ser descrito como monoepist&ecirc;mico, monocultural, monol&iacute;ngue, mono&eacute;tnico e monorracial. Com base no Encontro de Saberes, apresentamos a proposta dos Tr&ecirc;s Troncos Epist&ecirc;micos - ocidentais, ind&iacute;genas e afro-diasp&oacute;ricos - e com eles podemos finalmente formular um modelo pr&oacute;prio e original de universidade brasileira: multicultural, plurilingue, multi&eacute;tnica, multirracial, omni-inclusiva, transdisciplinar e pluriepist&ecirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Cotas &eacute;tnico-raciais; Cotas Epist&ecirc;micas; Encontro de Saberes; Universidade Pluriepist&ecirc;mica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apresento de forma sint&eacute;tica e program&aacute;tica os resultados de um intenso movimento pol&iacute;tico-acad&ecirc;mico surgido nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas - as cotas &eacute;tnico-raciais e o Encontro de Saberes - que se configura como uma proposta sistem&aacute;tica de transformar o atual modelo de universidade estabelecido no Brasil em uma universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As universidades brasileiras foram fundadas no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, anos depois da funda&ccedil;&atilde;o das primeiras universidades de muitos pa&iacute;ses hispano-americanos. Al&eacute;m de tardias, reproduziram integralmente o modelo humboldtiano de universidade moderna concebida para sociedades europeias brancas e transplantada para uma sociedade brasileira multi&eacute;tnica e multirracial, por&eacute;m profundamente marcada pela desigualdade socioecon&ocirc;mica e pelo racismo. Durante todo s&eacute;culo XX, as popula&ccedil;&otilde;es negras, ind&iacute;genas e dos demais povos tradicionais foram totalmente exclu&iacute;das do ensino superior p&uacute;blico. Al&eacute;m disso, as tradi&ccedil;&otilde;es de conhecimento, em todas as &aacute;reas - cient&iacute;ficas, tecnol&oacute;gicas, human&iacute;sticas, art&iacute;sticas e espirituais - preservadas e atualizadas pelas comunidades ind&iacute;genas e afro-brasileiras n&atilde;o foram inclu&iacute;das como refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas ou metodol&oacute;gicas nos curr&iacute;culos dos cursos. E os mestres e as mestras dessas tradi&ccedil;&otilde;es foram igualmente ignorados. Por esse motivo, nosso ensino superior foi constru&iacute;do sob o signo de uma dupla exclus&atilde;o: exclus&atilde;o &eacute;tnico-racial e exclus&atilde;o epist&ecirc;mica. Com a virada do mil&ecirc;nio, felizmente, come&ccedil;amos a dar passos concretos para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma proposta integrada de refunda&ccedil;&atilde;o completa do modelo euroc&ecirc;ntrico e branco de universidade brasileira. Podemos construir agora um cen&aacute;rio em que ela seja capaz de incluir todos os grupos exclu&iacute;dos e, com eles, todos os seus saberes exclu&iacute;dos. Com essa transforma&ccedil;&atilde;o, o novo modelo de universidade brasileira poder&aacute; colocar-se, finalmente, a servi&ccedil;o n&atilde;o apenas de uma elite social branca, mas de toda a sociedade brasileira, refletindo a ampla diversidade dos seus povos, classes e comunidades, e as suas respectivas tradi&ccedil;&otilde;es de conhecimento em toda a sua riqueza e complexidade (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a02fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cotas &eacute;tnico-raciais</b></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As tradi&ccedil;&otilde;es de conhecimento, em todas as &aacute;reas - cient&iacute;ficas, tecnol&oacute;gicas, human&iacute;sticas, art&iacute;sticas e espirituais - preservadas e atualizadas pelas comunidades ind&iacute;genas e afro-brasileiras n&atilde;o foram inclu&iacute;das nos curr&iacute;culos dos cursos. "</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dois movimentos de descoloniza&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o acad&ecirc;mico surgiram na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), desde o in&iacute;cio do mil&ecirc;nio, e da&iacute; se estenderam para as demais universidades brasileiras. O primeiro deles foi a luta pelas cotas para negros e ind&iacute;genas, cujo debate iniciou-se em 1999 e sua aprova&ccedil;&atilde;o em 2003. Ap&oacute;s uma d&eacute;cada de expans&atilde;o das cotas por decis&atilde;o aut&ocirc;noma das universidades, em 2012, foi sancionada a Lei 12.711 que tornou obrigat&oacute;rias as cotas para negros e ind&iacute;genas em todas as universidades federais <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>. Iniciou-se, ent&atilde;o, um processo de dessegrega&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica e racial sem precedentes no nosso mundo acad&ecirc;mico, com reflexos imediatos no combate ao racismo institucional e na demanda por cotas na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (um movimento em plena ebuli&ccedil;&atilde;o) e na doc&ecirc;ncia, campanha que se encontra ainda no in&iacute;cio &#91;1, 2, 3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o plano de Metas para a Igualdade &Eacute;tnica e Racial aprovado na UnB, em 2003, concentrava-se nas cotas na gradua&ccedil;&atilde;o, necessitamos agora de um novo Plano de Metas que dever&aacute; incluir um conjunto mais completo poss&iacute;vel de a&ccedil;&otilde;es afirmativas simult&acirc;neas e articuladas. Por um lado, h&aacute; que garantir a efetiva implementa&ccedil;&atilde;o de cotas em todos os n&iacute;veis: na gradua&ccedil;&atilde;o, na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, na doc&ecirc;ncia e na pesquisa; na perman&ecirc;ncia qualificada (material e simb&oacute;lica), incluindo apoio psicopedag&oacute;gico para os estudantes cotistas; nos cargos da gest&atilde;o superior (diretores e pr&oacute;-reitores) das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (IFES); nos pareceristas, nas bolsas de pesquisa, nos Conselhos da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e das Funda&ccedil;&otilde;es de Apoio; nos projetos de Extens&atilde;o; nos editais, incluindo temas direcionados para as comunidades ind&iacute;genas e afro-brasileiras. Ou seja, negros, ind&iacute;genas, quilombolas e pessoas das classes populares devem ocupar todos os espa&ccedil;os acad&ecirc;micos, e n&atilde;o apenas as aulas da gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"N&atilde;o seria satisfat&oacute;rio implementar a&ccedil;&otilde;es afirmativas para a inclus&atilde;o de jovens negros e ind&iacute;genas sem, paralelamente, mudar o curr&iacute;culo euroc&ecirc;ntrico que se generalizou em todos os cursos e carreiras acad&ecirc;micas. "</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Encontro de Saberes e cotas epist&ecirc;micas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o das cotas &eacute;tnico-raciais logo suscitou o debate acerca de uma segunda demanda. Constatou-se que n&atilde;o seria satisfat&oacute;rio implementar a&ccedil;&otilde;es afirmativas para a inclus&atilde;o de jovens negros e ind&iacute;genas sem, paralelamente, mudar o curr&iacute;culo euroc&ecirc;ntrico que se generalizou em todos os cursos e carreiras acad&ecirc;micas. Podemos denominar, ent&atilde;o, de cotas epist&ecirc;micas o atual movimento do Encontro de Saberes, que promove a inclus&atilde;o dos mestres e das mestras dos nossos povos tradicionais - ind&iacute;genas, quilombolas, as comunidades afro-brasileiras e as culturas populares tradicionais - como professores das universidades em mat&eacute;rias regulares, com a mesma dignidade dos docentes doutores. As cotas epist&ecirc;micas s&atilde;o um correlato, no campo do saber diverso e plural, da luta pelas cotas &eacute;tnico-raciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a consolida&ccedil;&atilde;o do Encontro de Saberes, passamos a operar com uma dupla inclus&atilde;o: a dos jovens negros, ind&iacute;genas e quilombolas para que tenham o direito &agrave;s vagas no ensino superior p&uacute;blico; e a inclus&atilde;o dos mestres e mestras das comunidades dos cotistas - negros, ind&iacute;genas, quilombolas - para que tenham o direito de ensinar os seus saberes tradicionais a todos os estudantes universit&aacute;rios. Ambos movimentos de inclus&atilde;o configuram uma experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica espec&iacute;fica da academia no Brasil e s&atilde;o, a partir deles (entre outras a&ccedil;&otilde;es e iniciativas, obviamente), que podemos dialogar com movimentos e projetos descolonizadores desenvolvidos em outros pa&iacute;ses e continentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da experi&ecirc;ncia inicial na UnB, em 2010, o movimento do Encontro de Saberes j&aacute; est&aacute; presente em 18 universidades brasileiras com disciplinas oferecidas. Al&eacute;m da UnB, est&atilde;o a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Estadual do Cear&aacute; (UECE), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade da Integra&ccedil;&atilde;o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Fora do Brasil, o projeto j&aacute; foi instalado na Pontif&iacute;cia Universidade Javeriana de Bogot&aacute; e na Universidade da M&uacute;sica de Viena. At&eacute; agora j&aacute; foram convidados mais de 220 mestres e mestras para atuar como docentes universit&aacute;rios, em parceria com 120 professores e professoras, cobrindo in&uacute;meras &aacute;reas de saberes tradicionais (em geral marcados pela polimatia) em di&aacute;logo com os saberes acad&ecirc;micos, estes marcadamente disciplinares <a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m do quadro amplo da diversidade das express&otilde;es culturais tradicionais, desde a primeira edi&ccedil;&atilde;o do Encontro de Saberes, trouxemos mestres de arquitetura e engenharia ind&iacute;gena, mestres especialistas em reflorestamento, mestras da &aacute;rea da sa&uacute;de como especialistas em plantas medicinais. Logo outras mestrias que extravasam as express&otilde;es culturais come&ccedil;aram a aparecer, como mateiros, marisqueiros, agroec&oacute;logos, mestres de pesca artesanal, de constru&ccedil;&atilde;o de barcos, artes&atilde;os do barro, da madeira, da palha, das sementes, outros materiais etc. Para o Encontro de Saberes, portanto, o conceito de mestre e mestra abarca os especialistas em toda a gama de saberes consolidados de todos os povos tradicionais (afro-brasileiros, ind&iacute;genas e quilombolas) e de todas as agrupa&ccedil;&otilde;es das culturas populares tradicionais. Podemos dizer, com razo&aacute;vel seguran&ccedil;a, que o di&aacute;logo interepist&ecirc;mico &eacute; pass&iacute;vel de ser iniciado na maioria das &aacute;reas de conhecimento acad&ecirc;mico estabelecido, como: ci&ecirc;ncias, tecnologias, sa&uacute;de e cura, cosmologias, oralitura, artes e espiritualidade &#91;4-13&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a02fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Not&oacute;rio Saber</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma vez iniciada a revolu&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica com a chegada dos mestres e das mestras ind&iacute;genas e afro-brasileiros para ensinar nas universidades, faz-se necess&aacute;rio mudan&ccedil;as institucionais para legitimar plenamente seu estatuto docente, visto que a maioria deles possui apenas a escola b&aacute;sica ou, em muitos casos, nenhum letramento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos meios mais eficazes e efetivos de reconhecimento e contrata&ccedil;&atilde;o daqueles que n&atilde;o s&atilde;o portadores de diploma de mestrado e doutorado &eacute; a outorga do t&iacute;tulo de Not&oacute;rio Saber, quando um Conselho Universit&aacute;rio admite como docentes aqueles mestres tradicionais cujo saber seja equivalente ao de um doutor. Essa equival&ecirc;ncia &eacute; atribu&iacute;da ap&oacute;s a avalia&ccedil;&atilde;o de candidaturas, apresenta&ccedil;&atilde;o de um memorial, an&aacute;logo ao que os professores apresentam em concursos de titularidade <a name="3a"></a><sup>&#91;<a href="#3b">iii</a>&#93;</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2016, a UECE concedeu o t&iacute;tulo de Not&oacute;rio Saber a 58 mestres; em 2022, a UFMG concedeu outorga de Not&oacute;rio Saber a 12 mestres; e outras universidades, como a UFRGS, a UFRJ, a UNILAB, a UFSB, a UNILA, a UFPB e a UNIFESP j&aacute; realizaram mudan&ccedil;as regimentais para titular os mestres dos seus cursos de Encontro de Saberes. O que est&aacute; em marcha, com a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do Not&oacute;rio Saber para mestres e mestras, &eacute; uma ruptura profunda e definitiva com o modelo colonial de legitima&ccedil;&atilde;o do saber acad&ecirc;mico &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de ministrarem disciplinas, cada vez mais vemos mestres e mestras atuando em grupos de pesquisa, participando de bancas, palestras, semin&aacute;rios e coorienta&ccedil;&otilde;es. A proposta do projeto &eacute; baseada na constru&ccedil;&atilde;o de perspectivas transdisciplinares, o que n&atilde;o &eacute; corrente nas grades curriculares e nos procedimentos dos diversos cursos das nossas universidades euroc&ecirc;ntricas e de formato humboldtiano. A constru&ccedil;&atilde;o de cada encontro, em cada disciplina e atividade acad&ecirc;mica, demanda um esfor&ccedil;o do professor em romper com as suas fronteiras disciplinares, de modo a construir uma interlocu&ccedil;&atilde;o produtiva com o mestre como seu parceiro de curso e com os estudantes. Os mestres e as mestras que participam do projeto s&atilde;o, em geral, pol&iacute;matos - det&ecirc;m conhecimentos em diferentes &aacute;reas do saber - e atuam junto com professores parceiros que em geral det&ecirc;m conhecimentos acad&ecirc;micos especializados em &aacute;reas com fronteiras bem demarcadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a expans&atilde;o do movimento, cada edi&ccedil;&atilde;o do Encontro de Saberes coloca para os professores parceiros o desafio de construir a interface dos saberes tradicionais com algumas &aacute;reas dos conhecimentos acad&ecirc;micos. E o desafio posto &agrave; academia &eacute; superar o n&iacute;vel disciplinar e alcan&ccedil;ar ou, ao menos, vislumbrar a perspectiva inter/transdisciplinar e pol&iacute;mata do mestre, que mesmo na condi&ccedil;&atilde;o de professor substituto ou visitante - portanto, tempor&aacute;rio - coloca-se como refer&ecirc;ncia para um rearranjo epist&ecirc;mico do funcionamento do nosso ensino superior &#91;6&#93;. A polimatia dos mestres produzida pelo Encontro de Saberes pode ser um modelo para a consolida&ccedil;&atilde;o de um paradigma transdisciplinar pr&oacute;prio das universidades brasileiras <a name="4a"></a><sup>&#91;<a href="#4b">iv</a>&#93;</sup> &#91;5&#93; (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a02fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por exemplo, um mestre como Maniwa Kamayur&aacute;, que participou das primeiras edi&ccedil;&otilde;es do projeto na UnB, transita por diversas &aacute;reas do saber de um modo cont&iacute;nuo e integrado. Ele &eacute; um not&oacute;rio conhecedor do modo de constru&ccedil;&atilde;o das casas tradicionais xinguanas, mas n&atilde;o &eacute; apenas o que chamamos de arquiteto, pois al&eacute;m de projet&aacute;-la, ele constr&oacute;i a maloca, sendo, portanto, tamb&eacute;m um engenheiro. Quando ensinou na UnB, o seu professor parceiro foi da &aacute;rea de Arquitetura, mas poderia ter sido um professor da &aacute;rea de Engenharia. O mestre narra mitos que vinculam as casas xinguanas &agrave; cosmologia dos povos do Xingu - e, assim, seu m&oacute;dulo poderia ser desenvolvido com um professor parceiro da Literatura. Ele tamb&eacute;m desenha, tendo um inquestion&aacute;vel v&iacute;nculo com as nossas Artes Visuais. Al&eacute;m disso, Maniwa &eacute; um reconhecido paj&eacute;, conhecedor de plantas e pr&aacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e cura, o que o colocaria como docente da Faculdade de Sa&uacute;de e ou do Departamento de Bot&acirc;nica. E ainda mais &eacute; um m&uacute;sico, com pleno dom&iacute;nio das flautas xinguanas. Sua polimatia se baseia no poder de dialogar com as diferentes &aacute;reas do nosso estilo fragmentado de conhecimento cient&iacute;fico e art&iacute;stico cultivado nas universidades; e desafia-nos concretamente ao exerc&iacute;cio da reintegra&ccedil;&atilde;o ou religa&ccedil;&atilde;o dos saberes em uma perspectiva transdisciplinar. Articulando cotas &eacute;tnico-raciais, cotas epist&ecirc;micas, Encontro de Saberes, Not&oacute;rio Saber, polimatia e transdisciplinaridade, podemos agora formular um modelo de refunda&ccedil;&atilde;o da universidade brasileira (<a href="#fig4">Figura 4</a>).</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a02fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rearranjos institucionais para o novo modelo de universidade </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma universidade aberta a novos saberes, sujeitos e epistemologias deve passar, necessariamente, por um rearranjo radical do modelo humboldtiano vigente, o qual &eacute; funcional apenas para a reprodu&ccedil;&atilde;o do mesmo tipo de saber euroc&ecirc;ntrico, da mesma epistemologia de base cartesiana-galileana-newtoniana ainda predominante; e vocacionada para receber e formar apenas os mesmos sujeitos brancos de classe m&eacute;dia ou alta a quem serviu durante todo o s&eacute;culo passado. Colocado em termos descolonizadores gerais, esse modelo vigente pode ser descrito como monoepist&ecirc;mico, monocultural, monol&iacute;ngue e monorracial. Com a refunda&ccedil;&atilde;o institucional baseada na dupla inclus&atilde;o (&eacute;tnico-racial e epist&ecirc;mica), poderemos chegar a um modelo original de universidade brasileira: multicultural, plurilingue, multi&eacute;tnica, multirracial, omni-inclusiva, transdisciplinar e pluriepist&ecirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eis algumas das transforma&ccedil;&otilde;es institucionais, pol&iacute;ticas e epist&ecirc;micas necess&aacute;rias para essa refunda&ccedil;&atilde;o geral:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Multilinguismo. O ensino deve superar o monolinguismo secular do portugu&ecirc;s como &uacute;nica l&iacute;ngua acad&ecirc;mica e incluir as l&iacute;nguas ind&iacute;genas. A universidade deve refletir, baseada nas especificidades &eacute;tnicas de cada regi&atilde;o, a diversidade lingu&iacute;stica do pa&iacute;s e assumir-se como poliglota nacional, e n&atilde;o apenas internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Letramento e oralitura. O ensino deve alternar ou combinar conte&uacute;dos, abordagens, m&eacute;todos e teorias advindas da tradi&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica letrada com os seus equivalentes das tradi&ccedil;&otilde;es orais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Os estudantes devem ser negros, brancos, ind&iacute;genas e pertencentes &agrave;s demais minorias e povos tradicionais, com todos os grupos representados na mesma propor&ccedil;&atilde;o de sua presen&ccedil;a demogr&aacute;fica no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Os protocolos pedag&oacute;gicos devem ser variados e sempre sens&iacute;veis &agrave; realidade de cada disciplina ou campo do saber. O Encontro de Saberes promove uma diversidade de novas pedagogias, baseadas na transmiss&atilde;o oral, por&eacute;m distintas de acordo com os mestres e as mestras. A diversidade pedag&oacute;gica combinada com a diversidade epist&ecirc;mica (ambas influenciadas pela diversidade lingu&iacute;stica) exigir&aacute; novos procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o ser&atilde;o mais homog&ecirc;neos nem unificados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Os professores devem ser de dois tipos:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) os portadores de diploma de doutorado que realizaram estudos formais em universidades ocidentalizadas - incluindo doutores negros e ind&iacute;genas que se formaram segundo o padr&atilde;o euroc&ecirc;ntrico estabelecido nos Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b) os mestres e as mestras dos povos tradicionais, mesmo que n&atilde;o tenham diploma de ensino superior ou de qualquer n&iacute;vel escolar. Assim, a doc&ecirc;ncia tamb&eacute;m deve refletir (como a disc&ecirc;ncia) a diversidade &eacute;tnica, racial e epist&ecirc;mica da sociedade brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. N&atilde;o deve haver exclus&atilde;o nem hierarquia pr&eacute;via entre os saberes ensinados e pesquisados, seja por suas origens epist&ecirc;micas, &eacute;tnicas, raciais, geogr&aacute;ficas, por seu suporte oral ou escrito, ou por qualquer outra diferen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. O curr&iacute;culo deve refletir a diversidade epist&ecirc;mica completa da sociedade, em geral sens&iacute;vel &agrave; diversidade epist&ecirc;mica da regi&atilde;o onde a universidade est&aacute; instalada. Em outros termos, a pretens&atilde;o de conhecimento universal passa necessariamente pelo enraizamento desse conhecimento na regi&atilde;o onde a universidade se encontra instalada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. A autoridade relativa de cada saber ser&aacute; constru&iacute;da como resultado dos di&aacute;logos interepist&ecirc;micos constru&iacute;dos nesse ambiente radicalmente plural. O Encontro de Saberes se apresenta como uma refer&ecirc;ncia para esses di&aacute;logos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A passagem de um padr&atilde;o curricular monoepist&ecirc;mico para um curr&iacute;culo pluriepist&ecirc;mico ser&aacute; um processo a ser constru&iacute;do coletivamente por representantes de toda a diversidade &eacute;tnico-racial e epist&ecirc;mica do pa&iacute;s. Cada curso, faculdade, instituto e centro acad&ecirc;mico organizar&aacute; o novo curr&iacute;culo, articulando de um modo vi&aacute;vel e consistente os tr&ecirc;s troncos epist&ecirc;micos fundantes: o ocidental, o ind&iacute;gena e o afro-diasp&oacute;rico. Por exemplo, a Faculdade de Arquitetura dever&aacute; compor um novo curr&iacute;culo que integre Arquitetura Ocidental, Arquitetura Ind&iacute;gena e Arquitetura Afro-Brasileira. A Faculdade de Sa&uacute;de dever&aacute; integrar Sa&uacute;de Ocidental, Sa&uacute;de Ind&iacute;gena e Sa&uacute;de Afro-Brasileira; e num grau mais abstrato de integra&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica, essa unidade acad&ecirc;mica de Sa&uacute;de deve integrar a fragmenta&ccedil;&atilde;o atual entre Medicina (ou Sa&uacute;de), Psicologia e Bot&acirc;nica (para incorporar a ci&ecirc;ncia das plantas medicinais). Se a meta da universidade &eacute; colocar os saberes da sa&uacute;de a servi&ccedil;o da sociedade, n&atilde;o faz sentido separar a busca do equil&iacute;brio f&iacute;sico do equil&iacute;brio ps&iacute;quico e do equil&iacute;brio espiritual (<a href="#fig5">Figura 5</a>).</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a02fig05.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A passagem de um padr&atilde;o curricular monoepist&ecirc;mico para um curr&iacute;culo pluriepist&ecirc;mico ser&aacute; um processo a ser constru&iacute;do coletivamente por representantes de toda a diversidade &eacute;tnico-racial e epist&ecirc;mica do pa&iacute;s. "</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ilustramos brevemente esse novo modelo de uma universidade pluriepist&ecirc;mica e transdisciplinar. Os tr&ecirc;s troncos s&atilde;o apresentados de uma forma esquem&aacute;tica, resumida e simplificada. Os diferentes espa&ccedil;os no interior do n&oacute; borromeano refletir&atilde;o os novos arranjos transdisciplinares pr&oacute;prios de cada reformula&ccedil;&atilde;o curricular. A episteme goetheana, por exemplo, variante das epistemologias do cosmos vivo, poder&aacute; localizar-se na intersec&ccedil;&atilde;o central dos tr&ecirc;s troncos <a name="5a"></a><sup>&#91;<a href="#5b">v</a>&#93;</sup> &#91;4, 7&#93;. Por outro lado, os troncos ind&iacute;genas e os troncos afro-diasp&oacute;ricos ainda carecem de uma distin&ccedil;&atilde;o mais precisa, e parte da tarefa da refunda&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mapear com precis&atilde;o a diversidade epist&ecirc;mica ind&iacute;gena e afro-diasp&oacute;rica no Brasil &#91;7&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; Para um panorama geral das cotas, ver Carvalho (2006 e 2016) &#91;1, 2&#93; ; e para uma conceitua&ccedil;&atilde;o atual, ver Carvalho (2022) &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; Para a teoria e o m&eacute;todo do Encontro de Saberes, ver Carvalho (2018, 2019, 2020, 2020, 2021, 2022, 2022 e 2023) &#91;4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11&#93; e Carvalho e &Aacute;guas (2015) &#91;12&#93;. Para uma s&iacute;ntese dos dez primeiros anos do projeto, ver Carvalho e Vianna (2020) &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3b"></a>&#91;<a href="#3a">iii</a>&#93; Sobre o Not&oacute;rio Saber para os mestres, ver Carvalho (2022) &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4b"></a>&#91;<a href="#4a">iv</a>&#93; Sobre a dimens&atilde;o constitutivamente transdisciplinar do Encontro de Saberes, ver Carvalho (2020) &#91;6&#93;, e sobre a dimens&atilde;o transcultural gerada por uma academia pluriepist&ecirc;mica atualmente em forma&ccedil;&atilde;o no Brasil, ver Carvalho (2019) &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="5b"></a>&#91;<a href="#5a">v</a>&#93; Para um di&aacute;logo da espistemologia goetheana com as ci&ecirc;ncias e as artes ind&iacute;genas e afro-brasileiras, ver Carvalho (2018 e 2020) &#91;4, 7&#93; ; para as epistemologias do cosmos vivo, ver Carvalho (2020) &#91;7&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. CARVALHO, J. J. de. <i>Inclus&atilde;o &eacute;tnica e racial no Brasil</i>. 2. ed. S&atilde;o Paulo (SP): Attar Editorial, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. CARVALHO, J. J. de. <i> A pol&iacute;tica de cotas no ensino superior: </i>ensaio descritivo e anal&iacute;tico do mapa das a&ccedil;&otilde;es afirmativas no Brasil. Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o/Instituto de Inclus&atilde;o no Ensino Superior e na Pesquisa, 2016. 120 p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. CARVALHO, J. J. de. Cotas &eacute;tnico-raciais e cotas epist&ecirc;micas: bases para uma antropologia antirracista e descolonizadora. <i>Mana</i>, Rio de Janeiro, v. 28, n. 3, p. 1-36, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. CARVALHO, J. J. de. Encontro de saberes e descoloniza&ccedil;&atilde;o: para uma refunda&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica, racial e epist&ecirc;mica das universidades brasileiras. <i>In:</i> COSTA, J. B. <i>et al</i>. (org. ). <i>Decolonialidade e pensamento afrodiasp&oacute;rico</i>. Belo Horizonte (MG): Aut&ecirc;ntica, 2018. p. 79-106.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. CARVALHO, J. J. de. Transculturality and the meeting of knowledges. <i>In:</i> HEMETEK, U. <i>et al</i>. (org. ). <i>Transkulturelle Erkundungen: </i>Wissenschaftlich-k&uuml;nstleriche Perspektiven. Viena (AT): B&ouml;hlau Verlag, 2019. p. 79-94.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. CARVALHO, J. J. de. Encontro de Saberes, descoloniza&ccedil;&atilde;o e transdisciplinaridade: tr&ecirc;s confer&ecirc;ncias introdut&oacute;rias. <i>In</i>: TUGNY, R. P. <i>et al</i>. (org. ). <i>Universidade popular e encontro de saberes</i>. Salvador (BA): EDUFBA, 2020. p. 13-56.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. CARVALHO, J. J. de. O encontro de saberes nas artes e as epistemologias do cosmos vivo. <i>In</i>: TUGNY, R. P. <i>et al</i>. (org. ). <i>Universidade popular e encontro de saberes</i>. Salvador (BA): EDUFBA, 2020. p. 13-56.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. CARVALHO, J. J. de. Encontro de saberes e filosofia intercultural. Tradi&ccedil;&otilde;es de pensamento ocidentais, asi&aacute;ticas e ind&iacute;genas em di&aacute;logo. <i>Modernos &amp; Contempor&acirc;neos</i>, Campinas,<i> </i>v. 5, n. 13, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. CARVALHO, J. J. de. Not&oacute;rio saber para os mestres e mestras dos povos e comunidades tradicionais. <i>In</i>: RIBEIRO, M. M. <i>et al</i>. (org. ). <i>Mundos poss&iacute;veis: </i>culturas em pensamento. Belo Horizonte (MG): Incipit, 2022. p. 69-101.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. CARVALHO, J. J. de. De la epistemolog&iacute;a occidental a las epistemolog&iacute;as del cosmos vivo. <i>In:</i> TOBAR, J. (org. ). <i>Virus, revueltas y crisis: </i>lecturas de la pandemia COVID-19 desde las epistemolog&iacute;as del cosmos vivo. Buenos Aires (AR): CLACSO/Popay&aacute;n/Universidad del Cauca, 2022. p. 21-77.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. CARVALHO, J. J. de. The meeting of knowledges in the universities: a movement to decolonise the eurocentric academic curriculum in Latin America. <i>In</i>: HARRISS, H. <i>et al. Routledge companion to architectural pedagogies of the Global South</i>. New York (US): Routledge, 2023. p. 69-78.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. CARVALHO, J. J. de; &Aacute;GUAS, C. Encontro de saberes: um desafio te&oacute;rico, pol&iacute;tico e epistemol&oacute;gico. <i>In</i>: SANTOS, B. de S. <i>et al</i>. (org. ). <i>Col&oacute;quio Internacional Epistemologias do Sul: </i>democratizar a democracia. Coimbra (PT): Universidade Coimbra/Centro de Estudos Sociais, 2015. v. 1. p. 1017-1027.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. CARVALHO, J. J. de; VIANNA, L. O encontro de saberes nas universidades: uma s&iacute;ntese dos dez primeiros anos. <i>Revista Munda&uacute;</i>, Macei&oacute;, n. 9, p. 23-49, 2020.    </font></p>      ]]></body><back>
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