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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20230012</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Novas cores e contornos na Universidade - o perfil do estudante universitário brasileiro: país avança na inclusão de estudantes no ensino superior, mas políticas públicas precisam de aperfeiçoamentos, especialmente as de permanência]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Novas cores e contornos na Universidade - o perfil do estudante universit&aacute;rio brasileiro: pa&iacute;s avan&ccedil;a na inclus&atilde;o de estudantes no ensino superior, mas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas precisam de aperfei&ccedil;oamentos, especialmente as de perman&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Divulgadora de ci&ecirc;ncia, editora do Jornal da Unicamp</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12,6 milh&otilde;es. Esse &eacute; o n&uacute;mero de alunos vinculados a cursos nas Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior (IES) no Brasil, de acordo com o Censo da Educa&ccedil;&atilde;o Superior 2021 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira (Inep) &#91;1&#93;. A maioria dos estudantes &eacute; branca, do sexo feminino, com idade entre 19 e 24 anos e frequenta cursos noturnos em institui&ccedil;&otilde;es privadas. Direito, administra&ccedil;&atilde;o, enfermagem e engenharia civil est&atilde;o entre os cursos mais procurados na rede privada. J&aacute; na rede p&uacute;blica aparecem tamb&eacute;m os cursos de medicina e agronomia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a V Pesquisa Nacional do Perfil Socioecon&ocirc;mico e Cultural dos(as) Graduandos(as) das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (IFES) (2021) &#91;2&#93;, elaborada pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Dirigentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino Superior (ANDIFES), a superioridade do sexo feminino no ensino superior est&aacute; relacionada ao fato de que elas j&aacute; s&atilde;o maioria no ensino m&eacute;dio e que estudantes do sexo masculino (egressos ou evadidos) t&ecirc;m, por sua vez, entrada precoce no mercado de trabalho. Na distribui&ccedil;&atilde;o percentual dos concluintes de gradua&ccedil;&atilde;o por sexo, segundo a &aacute;rea geral dos cursos, as mulheres s&atilde;o maioria em todos os cursos, exceto engenharia, produ&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o, e nos cursos ligados &agrave;s Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TIC).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quem &eacute; esse aluno</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda de acordo com o &uacute;ltimo levantamento da ANDIFES, a despeito dos avan&ccedil;os em termos de inclus&atilde;o de estudantes com menor renda, o universit&aacute;rio brasileiro n&atilde;o faz parte da camada mais pobre da popula&ccedil;&atilde;o. Os setores mais pobres e miser&aacute;veis nem mesmo chegam a concluir o ensino m&eacute;dio, principal fator de exclus&atilde;o ao ensino superior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme aponta o professor em&eacute;rito do Departamento de L&iacute;ngua e Literatura Estrangeiras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dilvo Ristoff, os campi s&atilde;o mais ricos do que a sociedade em geral. No entanto, o pa&iacute;s esbo&ccedil;a um movimento em dire&ccedil;&atilde;o a um sistema mais excludente. "Em todos os cursos tem ca&iacute;do o n&uacute;mero de estudantes ricos, mesmo nos de alta demanda, e embora o n&uacute;mero de alunos no ensino superior n&atilde;o seja um reflexo do n&uacute;mero de matriculados no ensino m&eacute;dio, esse n&uacute;mero tem aumentado", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas institui&ccedil;&otilde;es federais, j&aacute; h&aacute; algum tempo, quase dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o discente &eacute; proveniente de escolas p&uacute;blicas. Em 2014, o percentual de estudantes que havia cursado integralmente, ou na maior parte do tempo, escolas p&uacute;blicas de ensino m&eacute;dio, era de 64%. Em 2018, estudantes que cursaram ensino m&eacute;dio em escolas p&uacute;blicas eram maioria absoluta (64,7%) - praticamente o mesmo percentual encontrado na pesquisa de 2014. Estudaram em escolas particulares 35,3%.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Expans&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dos anos 1990, h&aacute; uma forte expans&atilde;o do ensino superior no Brasil, alimentada pela cria&ccedil;&atilde;o de universidades e dos institutos federais, o que aumentou a oferta de vagas. "Partimos de 2,18 milh&otilde;es de ingressantes em 2010 para 3,76 milh&otilde;es em 2020 - um aumento de 72,5% no fluxo de alunos que entraram no sistema em apenas um dec&ecirc;nio", afirma Adriano Senkevics &#91;3&#93;, chefe do N&uacute;cleo de Assessoramento aos Estudos Educacionais do Inep.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, h&aacute; tamb&eacute;m um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o no acesso &agrave;s universidades, alicer&ccedil;ado em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para inclus&atilde;o de alunos vindos da escola p&uacute;blica, de negros e pardos. Isso modifica o perfil dos estudantes que habitualmente frequentavam o ensino superior no Brasil. Se no in&iacute;cio dos anos 1990, oito entre 10 alunos eram brancos, hoje, essa propor&ccedil;&atilde;o caiu para seis entre 10 estudantes. "As universidades mudaram de cor, ganharam contornos reais, do dia a dia, com alunos chegando de &ocirc;nibus, ampliando as filas nos pontos, aumentando as demandas nos restaurantes universit&aacute;rios, nos espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia, nas bibliotecas, nas vagas por resid&ecirc;ncias estudantis e nos editais de bolsas e aux&iacute;lios", apontou Marcele Regina Nogueira Pereira, vice-presidente da ANDIFES &#91;2&#93; (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o "Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022", elaborado pelo Instituto Semesp &#91;4&#93;, como resultado direto da "Lei de Cotas", de 2013 para 2020 aumentou o n&uacute;mero de alunos negros nas universidades. A rede privada registrou um aumento de 1,4 ponto percentual e na rede p&uacute;blica esse crescimento foi um pouco maior: 2,3 pontos percentuais (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a12tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "A partir dos anos 1990, h&aacute; uma forte expans&atilde;o do ensino superior no Brasil, alimentada pela cria&ccedil;&atilde;o de universidades e dos institutos federais, o que aumentou a oferta de vagas."</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso pode ser ilustrado pelo caso da Faculdade de Direito da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Na turma 191, que ingressou em 2018 e se formou em 31 de janeiro deste ano, dos 315 formandos, 75 ingressaram via Sistema de Sele&ccedil;&atilde;o Unificada (SISU) e 35 pela reserva para pretos, pardos ou ind&iacute;genas (PPIs). A escola do Largo de S&atilde;o Francisco &eacute; um exemplo de que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de inclus&atilde;o social t&ecirc;m tido efeito positivo na transforma&ccedil;&atilde;o do perfil do aluno do ensino superior no Brasil. "O campus brasileiro torna-se a cada ano menos branco; o percentual de pretos come&ccedil;a a se aproximar mais dos percentuais da sociedade; mais pardos frequentam os cursos universit&aacute;rios; e mais pessoas de baixa renda conseguem chegar &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior", aponta Ristoff.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diversidade e inclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil tem dois momentos, cujas caracter&iacute;sticas distintas influenciam no perfil dos estudantes. "H&aacute; uma diferen&ccedil;a significativa entre a expans&atilde;o observada at&eacute; os anos 1990 e a observada a partir de 2003, nos governos Lula e Dilma", explica Ristoff. Enquanto a expans&atilde;o dos anos 1990 buscou dar uma resposta &agrave;s demandas por educa&ccedil;&atilde;o superior das classes m&eacute;dia e alta, a partir de 2003, o objetivo foi trazer para a educa&ccedil;&atilde;o superior os grupos historicamente exclu&iacute;dos: pobres, pretos, pardos, ind&iacute;genas, filhos de pais sem escolaridade e estudantes das escolas p&uacute;blicas. Segundo o pesquisador, por terem objetivos distintos, esses dois momentos da expans&atilde;o fizeram uso de estrat&eacute;gias e pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas. "O primeiro, nos anos 1990, buscou expandir o setor privado, para atender especialmente aqueles filhos das classes m&eacute;dia e alta que n&atilde;o conseguiam ingressar nas boas universidades p&uacute;blicas do pa&iacute;s e que queriam continuar estudando. A ideia era criar condi&ccedil;&otilde;es para que o setor privado pudesse atender a essa demanda, sem a necessidade de onerar o setor p&uacute;blico. Em parte, a estrat&eacute;gia deu certo, mas sem provocar mudan&ccedil;as profundas no perfil dos estudantes universit&aacute;rios. J&aacute; a expans&atilde;o dos anos Lula e Dilma foi voltada &agrave; inclus&atilde;o dos exclu&iacute;dos", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, foram empregadas duas estrat&eacute;gias b&aacute;sicas: uso diferenciado da expans&atilde;o no setor privado, buscando criar pol&iacute;ticas inclusivas e amplia&ccedil;&atilde;o da oferta de vagas no setor p&uacute;blico. Para tornar o setor privado mais inclusivo, foram criados programas como o Portal &Uacute;nico de Acesso ao Ensino Superior (PROUNI) &#91;5&#93;, o Programa de Est&iacute;mulo &agrave; Reestrutura&ccedil;&atilde;o e ao Fortalecimento das Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior (PROIES) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), este com juros altamente subsidiados. No setor p&uacute;blico, foram desenvolvidas iniciativas como o Programa de Apoio a Planos de Reestrutura&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o das Universidades Federais (REUNI), um programa de recupera&ccedil;&atilde;o e interioriza&ccedil;&atilde;o das universidades federais existentes que resultou em 270 novos campi em cidades do interior. E, tamb&eacute;m o SISU, que criou rotas de acesso para estudantes pobres, pretos, pardos e ind&iacute;genas, oriundos das escolas p&uacute;blicas, como os que entraram em 2018 na Faculdade de Direito da USP. "A Universidade recebeu mais pessoas de diferentes origens sociais, tornou-se mais plural, diversa e inclusiva. Foi um movimento que ajudou a expandir horizontes de milhares de jovens que puderam se reconhecer tamb&eacute;m como parte dela, contribuindo com suas preocupa&ccedil;&otilde;es e pautas na constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico", destaca Pereira.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "A partir de 2003, o objetivo foi trazer para a educa&ccedil;&atilde;o superior os grupos historicamente exclu&iacute;dos: pobres, pretos, pardos, ind&iacute;genas, filhos de pais sem escolaridade e estudantes das escolas p&uacute;blicas."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m foram criados os Institutos Federais, com cerca de 660 campi espalhados pelo interior do pa&iacute;s e ainda v&aacute;rios programas de bolsas, como o Plano Nacional de Assist&ecirc;ncia Estudantil (PNAES) e o Programa Nacional de Assist&ecirc;ncia Estudantil para as Institui&ccedil;&otilde;es de Educa&ccedil;&atilde;o Superior P&uacute;blicas Estaduais (PNAEST). "Tudo isso fez com que o perfil do campus brasileiro, p&uacute;blico e privado, come&ccedil;asse a sofrer profunda mudan&ccedil;a, gradualmente abandonando o elitismo que lhe era caracter&iacute;stico", afirma Ristoff, que teve passagens pelo Inep, pela Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e pela Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Superior do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o pesquisador, o n&uacute;mero de estudantes na educa&ccedil;&atilde;o superior oriundos da escola p&uacute;blica cresce anualmente. "Na quase totalidade dos cursos, aumenta a presen&ccedil;a de estudantes filhos de fam&iacute;lias de mais baixa renda, diminuindo a dist&acirc;ncia entre os percentuais do campus e da sociedade como um todo. Mesmo assim, quando comparamos o campus universit&aacute;rio com a sociedade, percebemos que ele continua sendo bem mais branco, mais rico e onde os pardos, na maioria dos cursos, permanecem com percentuais muito distantes de sua representa&ccedil;&atilde;o na popula&ccedil;&atilde;o", aponta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lei de Cotas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o no ensino superior, a "Lei de Cotas" certamente foi a que teve um dos maiores impactos na mudan&ccedil;a do perfil do estudante j&aacute; em seu primeiro ano de implanta&ccedil;&atilde;o, em 2013. "Sem d&uacute;vida, essa lei abriu caminho para uma representa&ccedil;&atilde;o parit&aacute;ria de estudantes de diferentes cores e origem familiar, social e escolar", aponta Ristoff. V&aacute;rias universidades, como a Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), j&aacute; vinham adotando pol&iacute;ticas de cotas diferenciadas antes de 2013. Por&eacute;m, a lei n&atilde;o s&oacute; definiu com mais clareza a pol&iacute;tica nacional de inclus&atilde;o, como passou a exigir a sua implementa&ccedil;&atilde;o em todas as universidades e institutos federais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rapidamente essas institui&ccedil;&otilde;es se adaptaram &agrave;s novas demandas, sendo necess&aacute;rio consolidar o que foi criado, aproveitando a oportunidade para pequenos ajustes, especialmente nas medidas para perman&ecirc;ncia. "S&atilde;o muitos os alunos que j&aacute; tiveram que trancar suas matr&iacute;culas pela necessidade de trabalhar. Muitas m&atilde;es precisam deixar os estudos, muitos jovens n&atilde;o conseguem recursos para se alimentar e para comprar seus livros e materiais. O refor&ccedil;o em estrat&eacute;gias que permitam diminuir as dificuldades sociais impostas diariamente a cada vez mais brasileiras e brasileiros &eacute; fundamental. Este cen&aacute;rio &eacute; real, e lidamos com ele diariamente", conta Pereira. Para ela, duas medidas podem contribuir de modo mais imediato para a perman&ecirc;ncia de alunos nas universidades federais: transformar o PNAES em lei (hoje as a&ccedil;&otilde;es ligadas a essa pol&iacute;tica s&atilde;o baseadas em um decreto) e a recomposi&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria para essas pol&iacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao analisar os impactos da pandemia no acesso de jovens &agrave; gradua&ccedil;&atilde;o, Senkevics &#91;3&#93; mostrou que, a partir de 2015 - ou seja, antes da pandemia - uma crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, com estagna&ccedil;&atilde;o financeira e forte queda no PIB, provocou a redu&ccedil;&atilde;o dos principais programas federais de bolsas e financiamento estudantil. A pandemia agravou ainda mais uma situa&ccedil;&atilde;o de deteriora&ccedil;&atilde;o da economia, com forte impacto na popula&ccedil;&atilde;o de origem social menos privilegiada. Al&eacute;m disso, um dos principais mecanismos de acesso ao ensino superior no Brasil, o Enem, se tornou menos popular. Isso porque, conforme explica o pesquisador, as escolas p&uacute;blicas dispuseram menos alternativas para viabilizar estrat&eacute;gias de ensino-aprendizagem durante o per&iacute;odo de suspens&atilde;o das atividades presenciais. Somado a isso, esses alunos dispunham de menos acesso a celulares, internet e computadores em casa - recursos que se mostraram fundamentais no desempenho da prova. "Esse per&iacute;odo singular vivenciado no Brasil e no mundo pode ter aprofundado desigualdades preexistentes e intensificado as dificuldades dos mais pobres prosseguirem com sucesso no ingresso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior", destaca Senkevics &#91;3&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com rela&ccedil;&atilde;o aos alunos j&aacute; vinculados, segundo a pesquisa do Instituto Semesp, houve um salto no n&uacute;mero de trancamentos de 2019 para 2020, principalmente na rede p&uacute;blica e em cursos presenciais.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Uma crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, com estagna&ccedil;&atilde;o financeira e forte queda no PIB, provocou a redu&ccedil;&atilde;o dos principais programas federais de bolsas e financiamento estudantil."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O que eles estudam e onde?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rede privada de ensino superior no Brasil conta com mais de 6,9 milh&otilde;es de alunos, garantindo uma participa&ccedil;&atilde;o de quase 77% do total. Isso se deve porque o processo de expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior no pa&iacute;s que se iniciou no final dos anos 1990 encontrou na rede privada o seu principal motor. Enquanto, no ensino p&uacute;blico, a pol&iacute;tica de cotas &eacute; respons&aacute;vel por aumentar a diversidade dos estudantes, na rede privada, programas de financiamento como o Fies s&atilde;o respons&aacute;veis por ampliar o acesso de alunos mais vulner&aacute;veis no ensino superior privado. Cortes recentes no or&ccedil;amento para esse tipo de financiamento representam uma amea&ccedil;a &agrave; continuidade desse processo de inclus&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pandemia acelerou uma tend&ecirc;ncia que j&aacute; vinha sendo observada na educa&ccedil;&atilde;o brasileira, a da amplia&ccedil;&atilde;o das modalidades remotas de ensino. "Depois de forte per&iacute;odo de expans&atilde;o no n&uacute;mero de vagas, h&aacute; uma estagna&ccedil;&atilde;o do segmento p&uacute;blico e o deslocamento, no interior do segmento privado, da oferta de cursos presenciais para cursos &agrave; dist&acirc;ncia", afirma Senkevics &#91;3&#93;, que tamb&eacute;m &eacute; professor-colaborador da UnB. "Os estudantes dos cursos na modalidade EAD tendem a ser mais velhos do que os do ensino presencial e, consequentemente, o perfil et&aacute;rio dos ingressantes da educa&ccedil;&atilde;o superior vem transformando-se. Resta saber se o futuro indicar&aacute; um rejuvenescimento do p&uacute;blico da EAD, de modo a consolid&aacute;-la tamb&eacute;m entre os jovens", questiona em artigo publicado em 2022, nos Cadernos de Estudos e Pesquisas em Pol&iacute;ticas Educacionais &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, a pandemia refor&ccedil;ou uma tend&ecirc;ncia de queda no n&uacute;mero de matr&iacute;culas presenciais que, em 2020, foi de 9,4%. Conforme aponta o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022 &#91;4&#93;, a modalidade EAD j&aacute; vinha registrando uma tend&ecirc;ncia de crescimento nos &uacute;ltimos anos (<a href="/img/revistas/cic/v75n1/a12tab02.jpg">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No primeiro ano da pandemia houve um pequeno decr&eacute;scimo no n&uacute;mero de institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, de 5,8%, e que foi um pouco maior na rede privada (de 6,6%). Mesmo assim, 87,6% das IES brasileiras s&atilde;o privadas, concentrando 77,5% das matr&iacute;culas de gradua&ccedil;&atilde;o. A maioria dos estudantes universit&aacute;rios brasileiros est&aacute; na Regi&atilde;o Sudeste, mas o maior percentual de estudantes que frequentam o ensino presencial est&aacute; no Nordeste.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O "Censo do Inep" tamb&eacute;m detectou um dado preocupante: a queda no n&uacute;mero de jovens ingressando no ensino superior, isto &eacute;, em geral, os estudantes ingressam mais tarde no ensino superior &#91;1&#93;. Em 2020, 17,8% dos alunos tinham entre 18 e 24 anos. Em 2020, a taxa de escolariza&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida (que mede a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas de 18 a 24 anos que frequentam o ensino superior em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o dessa faixa et&aacute;ria) registrou uma queda de 0,3 pontos percentuais e chegou aos 17,8%. "Com o EAD ainda atraindo um p&uacute;blico mais velho, entre 29 e 44 anos, que j&aacute; est&aacute; inserido no mercado de trabalho, os mais jovens seguem exclu&iacute;dos da educa&ccedil;&atilde;o superior. Sem atrairmos os jovens para o ensino superior, estamos n&atilde;o apenas nos afastando da meta do Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, que estabelece uma taxa de escolariza&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida para o ensino superior de 33% em 2024, mas tamb&eacute;m comprometendo o pr&oacute;prio desenvolvimento do pa&iacute;s a m&eacute;dio e longo prazo", aponta o estudo do Semesp &#91;4&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BRASIL. MINIST&Eacute;RIO DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira (Inep). <i>Censo da educa&ccedil;&atilde;o superior - 2021 - Divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados. </i> Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2021.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O NACIONAL DOS DIRIGENTES DAS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR (ANDIFES). Observat&oacute;rio do F&oacute;rum Nacional de Pr&oacute;-Reitores de Assuntos Estudantis (FONAPRACE). <i>V Pesquisa Nacional de Perfil Socioecon&ocirc;mico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das IFES - 2018. </i>Bras&iacute;lia (DF): ANDIFES, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. SENKEVICS, A. S.; BASSO, F. V.; CASEIRO, L. C. Z. Impactos da pandemia no acesso &agrave; gradua&ccedil;&atilde;o desigualdades de participa&ccedil;&atilde;o e desempenho no Enem 2019-2021. <i>Cadernos de Estudos e Pesquisas em Pol&iacute;ticas Educacionais</i>, v. 7, p.1-38, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. INSTITUTO SEMESP. <i>Mapa do Ensino Superior</i>. 12&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: SEMESP, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. BRASIL. MINIST&Eacute;RIO DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O. <i>Portal &Uacute;nico de Acesso ao Ensino Superior</i>. Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2021.    </font></p>      ]]></body><back>
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<collab>BRASIL^dMINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO</collab>
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