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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Globalização das ciências sociais e sua vocação pública: conceitos, teorias e descobertas das ciências humanas contribuem para a formulação de políticas públicas voltadas a enfrentar os desafios das sociedades]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aceleradas mudanças nas sociedades contemporâneas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Globalização das ciências sociais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Relevâncias cognitiva das ciências sociais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Papel público das ciências sociais na contemporaneidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Globaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais e sua voca&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica: conceitos, teorias e descobertas das ci&ecirc;ncias humanas contribuem para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas a enfrentar os desafios das sociedades</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Benedito de Campos Martins</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras&iacute;lia. Foi Visiting Scholar da Universidade Columbia (EUA), Universidade Oxford (Inglaterra), Universidade Livre de Berlim (Alemanha), Universidade de Hong Kong (China), Universidade Nacional de Singapura (Singapura) e University London College (Inglaterra). &Eacute; autor dos livros "O que &eacute; sociologia?" (Editora Brasiliense)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo aborda o processo de expans&atilde;o e globaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais, sua inser&ccedil;&atilde;o em uma estrutura de poder acad&ecirc;mico assim&eacute;trica em fun&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o desigual de recursos materiais, humanos e simb&oacute;licos das universidades e de seus pa&iacute;ses. Tamb&eacute;m procura ressaltar a presen&ccedil;a ativa das ci&ecirc;ncias sociais diante de quest&otilde;es centrais da contemporaneidade, tanto no contexto internacional quanto no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Aceleradas mudan&ccedil;as nas sociedades contempor&acirc;neas; Globaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais; Relev&acirc;ncias cognitiva das ci&ecirc;ncias sociais; Papel p&uacute;blico das ci&ecirc;ncias sociais na contemporaneidade.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As ci&ecirc;ncias sociais, compreendidas neste texto como a sociologia, antropologia e ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, tornaram-se um ator de fundamental import&acirc;ncia na din&acirc;mica das sociedades contempor&acirc;neas, na medida em que as produ&ccedil;&otilde;es de seus conhecimentos permitem analisar e compreender as aceleradas mudan&ccedil;as em diferentes esferas da vida social que est&atilde;o ocorrendo nos n&iacute;veis locais, nacionais e global. Suas an&aacute;lises recentes t&ecirc;m nos apresentado um mundo que est&aacute; ganhando novos contornos por meio do surgimento de fen&ocirc;menos recentes, tais como: ascens&atilde;o de um capitalismo global, desregula&ccedil;&atilde;o do mercado financeiro, complexas estruturas de poder global, prolifera&ccedil;&atilde;o de incessantes inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura de massa em &acirc;mbito mundial, emerg&ecirc;ncia de riscos ecol&oacute;gicos, sociais e pessoais. Simultaneamente, tem destacada a relativa perda de influ&ecirc;ncia de determinadas institui&ccedil;&otilde;es como classe social, fam&iacute;lia, partidos pol&iacute;ticos, na orienta&ccedil;&atilde;o da conduta dos atores, assim como a emerg&ecirc;ncia da centralidade da quest&atilde;o de g&ecirc;nero, eclos&atilde;o de novos arranjos afetivos e de sexualidade e afirma&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias identit&aacute;rias &#91;1-4&#93;. Ao mesmo tempo, os conhecimentos produzidos por elas extrapolam o meio acad&ecirc;mico no qual foram elaborados e tendem a se inserir de forma crescente na vida cotidiana das diversas sociedades nacionais, possibilitando os indiv&iacute;duos compreenderem e refletirem sobre essas complexas mudan&ccedil;as que est&atilde;o ocorrendo em ritmo acelerado e os poss&iacute;veis impactos em suas vidas privadas &#91;5,6&#93;. Em fun&ccedil;&atilde;o de sua centralidade explicativa, as ci&ecirc;ncias sociais est&atilde;o intensamente vinculadas com o advento e os caminhos da modernidade nos dias correntes, tal como ocorre com a presen&ccedil;a e atua&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias naturais na din&acirc;mica da sociedade contempor&acirc;nea (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a02fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se por uma parte, as nomeadas ci&ecirc;ncias "<i>hard"</i> t&ecirc;m propiciado fundamentos cient&iacute;ficos para a produ&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias que v&ecirc;m transformando constantemente o mundo da natureza e a pr&oacute;pria vida humana, os conceitos, teorias e descobertas das ci&ecirc;ncias humanas t&ecirc;m permitido tamb&eacute;m sua interven&ccedil;&atilde;o na vida social, expressa por meio de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, voltadas para enfrentar desafios prementes de diversas sociedades nacionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um primeiro momento, este artigo, apresenta de forma abreviada o impacto do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o na din&acirc;mica das ci&ecirc;ncias sociais nos dias correntes e na parte final, tamb&eacute;m de forma sucinta, aborda a expans&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais no Brasil e sua inser&ccedil;&atilde;o na sociedade brasileira. Em ambas partes, o artigo procura ressaltar a presen&ccedil;a ativa das ci&ecirc;ncias sociais diante de quest&otilde;es centrais da contemporaneidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora o pensamento social esteja presente em todas as sociedades ao longo da hist&oacute;ria humana, as ci&ecirc;ncias sociais realizadas no interior de institui&ccedil;&otilde;es especializadas, como universidades ou institutos de pesquisa, tiveram o in&iacute;cio de sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o em determinadas sociedades europeias e no contexto norte-americano, entre o final do s&eacute;culo XIX e o in&iacute;cio do XX. A forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das ci&ecirc;ncias sociais nessas regi&otilde;es estiveram relacionadas com seus respectivos processos de forma&ccedil;&atilde;o do estado-na&ccedil;&atilde;o, bem como por meio de empreendimentos colonialistas. A organiza&ccedil;&atilde;o de seus sistemas nacionais de ensino superior e de suas universidades propiciaram um suporte para o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o nessas regi&otilde;es. Gradativamente, as ci&ecirc;ncias sociais foram surgindo e se institucionalizando em diferentes pa&iacute;ses por meio das atividades de ensino e pesquisa e em fun&ccedil;&atilde;o dos distintos contextos hist&oacute;rico-sociais em que emergiram. Assim, assumiram percursos espec&iacute;ficos no processo de forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento e revelaram diferentes configura&ccedil;&otilde;es e tradi&ccedil;&otilde;es intelectuais. A "nacionaliza&ccedil;&atilde;o" das ci&ecirc;ncias sociais, ou seja, seu surgimento e vincula&ccedil;&atilde;o com tradi&ccedil;&otilde;es sociais, culturais, pol&iacute;ticas e acad&ecirc;micas de seus pa&iacute;ses, combinadas com a explora&ccedil;&atilde;o de temas de pesquisas pertinentes aos seus contextos nacionais, resultou em uma configura&ccedil;&atilde;o pluralista no contexto acad&ecirc;mico internacional dessas disciplinas, em termos de uma diversidade de objetos e esquemas explicativos. Essa "nacionaliza&ccedil;&atilde;o" das ci&ecirc;ncias sociais constituiu a base a partir da qual, paulatinamente, ocorreu, em um momento posterior, um extenso processo de intera&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica entrela&ccedil;ando v&aacute;rios pa&iacute;ses por meio do interc&acirc;mbio de ideias, resultados de suas pesquisas e de seus praticantes. Diante da presen&ccedil;a das ci&ecirc;ncias sociais em v&aacute;rias partes do mundo nos dias atuais, torna-se oportuno interrogar se elas estariam se internacionalizando, ou movendo-se em dire&ccedil;&atilde;o a uma esfera global, em termos de produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de conhecimento &#91;7-9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo parte do pressuposto que o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, compreendido como intensifica&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e culturais que conectam de forma rec&iacute;proca os n&iacute;veis locais, nacionais e global, presentes na sociedade contempor&acirc;nea, encontra-se reverberando tamb&eacute;m na din&acirc;mica das ci&ecirc;ncias sociais &#91;10-14&#93;. Nos dias correntes, as ci&ecirc;ncias sociais operam simultaneamente, tanto no interior de diversos pa&iacute;ses quanto em um plano transnacional. Se por uma parte, elas t&ecirc;m realizado produ&ccedil;&otilde;es significativas sobre o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o em suas dimens&otilde;es econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e cultural, constata-se que apenas recentemente surgiram trabalhos a respeito da globaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais &#91;15-19&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"As ci&ecirc;ncias sociais est&atilde;o intensamente vinculadas com o advento e os caminhos da modernidade nos dias correntes, tal como ocorre com a presen&ccedil;a e atua&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias naturais na din&acirc;mica da sociedade contempor&acirc;nea. "</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma sint&eacute;tica, pode-se distinguir duas fases no processo de intera&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica internacional nas ci&ecirc;ncias sociais. A primeira compreende o per&iacute;odo que se estende da metade do s&eacute;culo XIX at&eacute; o momento entre as duas guerras mundiais. O interc&acirc;mbio acad&ecirc;mico internacional ocorria, basicamente, por meio de confer&ecirc;ncias internacionais e da forma&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais, duas modalidades de pr&aacute;ticas acad&ecirc;micas at&eacute; ent&atilde;o inexistentes. &Aacute;reas do conhecimento como estat&iacute;stica, antropologia, sociologia e hist&oacute;ria passaram a organizar encontros internacionais e criar suas respectivas associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais. O Congresso Internacional de Estat&iacute;stica, organizado entre 1853 e 1876 pelo astr&ocirc;nomo e estat&iacute;stico Adolphe Qu&eacute;telet, de certa forma, antecipou os primeiros encontros internacionais em ci&ecirc;ncias sociais. As reuni&otilde;es desse congresso ocorreram regularmente, em um intervalo de dois ou tr&ecirc;s anos, propiciando o surgimento do Instituto Internacional de Estat&iacute;stica, em 1883. Na &aacute;rea de antropologia f&iacute;sica e social, os congressos internacionais come&ccedil;aram a ocorrer a partir de 1865, impulsionando a cria&ccedil;&atilde;o do <i>International Congress of Anthropological and Etnological Sciences</i>, em 1934.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas iniciativas contribu&iacute;ram para a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Antropologia, ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e da psicologia seguiu, <i>mutatis mutandis</i>, a mesma rota e cronologia da antropologia. Em 1893, em Paris, Ren&eacute; Worms criou o <i>Institut Internacional de Sociologie</i> e, no mesmo per&iacute;odo, passou a editar a <i>"Revue Internationale de Sociologie"</i>. A publica&ccedil;&atilde;o da <i>"Encyclopedia of Social Science"</i>, obra de 15 volumes produzida entre 1930 e 1935, editada pelos economistas americanos Edwin Seligman e Alvin Johnson e financiada pela Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller, representou uma iniciativa marcante no processo de intera&ccedil;&atilde;o internacional nessa primeira fase. No entanto, esse empreendimento contou com uma participa&ccedil;&atilde;o internacional restrita de acad&ecirc;micos, envolvendo basicamente diversas sociedades cient&iacute;ficas norte-americanas e europeias nas &aacute;reas de antropologia, economia, hist&oacute;ria, ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, psicologia, estat&iacute;stica e educa&ccedil;&atilde;o &#91;20&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a02fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo per&iacute;odo no processo de interc&acirc;mbio internacional das ci&ecirc;ncias sociais iniciou-se ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial. A Unesco, criada no final de 1946, desempenhou papel importante no incremento dessa intera&ccedil;&atilde;o, tendo como alvo a cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura de paz e de di&aacute;logo entre as na&ccedil;&otilde;es. Sob o ausp&iacute;cio da Unesco, foram criadas associa&ccedil;&otilde;es disciplinares internacionais, como a <i>Internacional Sociological Association</i> e a <i>International Political Science Association </i>&#91;21&#93;. Seguindo o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o da ONU, de privilegiar as representa&ccedil;&otilde;es nacionais, essas associa&ccedil;&otilde;es internacionais foram constitu&iacute;das a partir de um pequeno n&uacute;mero de associa&ccedil;&otilde;es nacionais que estavam concentradas em alguns pa&iacute;ses europeus e na Am&eacute;rica do Norte. A partir do final dos anos 1960, essas associa&ccedil;&otilde;es permitiram a entrada e participa&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos em suas atividades, aumentando seu escopo de recrutamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o que ocorreu por volta dessa &eacute;poca, as na&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-coloniais tamb&eacute;m passaram a integrar essas associa&ccedil;&otilde;es, bem como pa&iacute;ses comunistas do leste europeu. De tal forma que, a partir dos anos 1970, ocorreu um processo inicial de uma transnacionaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais, por meio de uma amplia&ccedil;&atilde;o da base geogr&aacute;fica de suas associa&ccedil;&otilde;es internacionais. Essa abertura para participa&ccedil;&atilde;o de cientistas sociais oriundos de diferentes partes do mundo, pouco a pouco, repercutiu nas discuss&otilde;es tem&aacute;tica, te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas em seu interior, propiciando o surgimento de novos conceitos e abordagens que passaram a questionar tradi&ccedil;&otilde;es explicativas correntes, ensejando o aparecimento de novos movimentos acad&ecirc;micos e &aacute;reas de estudos, como <i>black studies, postcolonial studies, subaltern studies </i>etc. que tiveram uma ampla circula&ccedil;&atilde;o nos departamentos de ci&ecirc;ncias existentes em uma ampla gama de pa&iacute;ses &#91;22&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, uma constela&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos ocorridos em distintos planos da sociedade contribu&iacute;ram para a constitui&ccedil;&atilde;o progressiva de um espa&ccedil;o global de produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de conhecimentos das ci&ecirc;ncias sociais. Nesse sentido, vale destacar determinados fen&ocirc;menos, como: (i) colapso dos regimes comunistas no leste europeu; (ii) surgimento de novos centros econ&ocirc;micos e acad&ecirc;micos din&acirc;micos na &Aacute;sia e em outras regi&otilde;es do hemisf&eacute;rio sul; (iii) desenvolvimento de novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o que conectam pesquisadores situados em diversos continentes; (iv) forte expans&atilde;o mundial do ensino superior; (v) incremento da mobilidade acad&ecirc;mica internacional de docentes e de estudantes (vi) realiza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de Congressos, Semin&aacute;rios, Col&oacute;quios internacionais sobre temas pertinentes dessas disciplinas. Esses eventos e outros similares, como a constitui&ccedil;&atilde;o de redes transfronteiri&ccedil;as de pesquisadores, impulsionaram de forma vertiginosa o interc&acirc;mbio de conhecimentos das ci&ecirc;ncias sociais, em um patamar diferenciado com rela&ccedil;&atilde;o ao seu passado hist&oacute;rico e distinto de um per&iacute;odo recente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa din&acirc;mica, ocorreu a constitui&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es nacionais e regionais de ci&ecirc;ncias sociais em pa&iacute;ses que ocupam posi&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas e semiperif&eacute;ricas no espa&ccedil;o global dessas disciplinas, como: <i>Arab Council for the Social Sciences, Association of Asian Social Science Research Councils, Council for the Development of Social Science Research in Africa, Latin America Council of Social Sciences</i>, entre outras. Cada vez mais se observa a forma&ccedil;&atilde;o de equipes de pesquisadores oriundos de diferentes pa&iacute;ses, que trabalham conjuntamente, por um determinado per&iacute;odo, em um mesmo objeto, compartilhando fundamentos te&oacute;ricos e procedimentos metodol&oacute;gicos que tendem a extravasar suas tradi&ccedil;&otilde;es culturais e acad&ecirc;micas nacionais. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, compartilham ideias comuns, tendem a se reportar &agrave;s obras que possuem aproxima&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas, consultam revistas cient&iacute;ficas similares, de tal forma que o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica vem reverberando e intensificando-se no campo das ci&ecirc;ncias sociais &#91;23&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o surgimento desse espa&ccedil;o global apresenta uma estrutura de poder acad&ecirc;mico assim&eacute;trica em fun&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o desigual de recursos materiais, humanos e simb&oacute;licos das universidades e de seus pa&iacute;ses. Nesse sentido, ocorre uma n&iacute;tida domina&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, de autores, editoras e de revistas internacionais localizadas em determinados pa&iacute;ses do Ocidente. Persiste uma acentuada desigualdade na din&acirc;mica de tradu&ccedil;&atilde;o de trabalhos nesta &aacute;rea, uma vez que predomina a tradu&ccedil;&atilde;o de livros publicados em ingl&ecirc;s para as l&iacute;nguas vern&aacute;culas dos diferentes pa&iacute;ses. No entanto, s&atilde;o raramente traduzidos para o ingl&ecirc;s produ&ccedil;&otilde;es de cientistas sociais localizados em pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e semiperif&eacute;ricos &#91;24&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dessas disparidades, o documento <i>World Social Science Report</i> (2010) &#91;23&#93;<sup> </sup>indica que as ci&ecirc;ncias sociais nos dias atuais est&atilde;o presentes em todas as regi&otilde;es do mundo, nas quais existem sistemas de ensino superior, apresentados tra&ccedil;os acad&ecirc;micos espec&iacute;ficos. Como foi assinalado no in&iacute;cio deste artigo, as ci&ecirc;ncias sociais tendem a desempenhar um papel relevante no espa&ccedil;o p&uacute;blico na maioria dos pa&iacute;ses em que est&atilde;o presentes ao abordar temas como desigualdades de classe, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e etnia, ao analisar as modalidades macro e micro de poder e domina&ccedil;&atilde;o, ao enfocar as novas formas de amea&ccedil;as a democracia, ao tratar de quest&otilde;es do meio ambiente, de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o, conflitos e imigra&ccedil;&otilde;es internacionais e temas correlatos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao mesmo tempo, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos cientistas sociais os t&ecirc;m conduzidos a atuar em diferentes espa&ccedil;os no interior de suas sociedades nacionais, como universidades, institutos de pesquisa, &oacute;rg&atilde;os de governos, institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, e tamb&eacute;m em diversos organismos internacionais. Os trabalhos te&oacute;ricos e de interven&ccedil;&otilde;es praticas dos cientistas sociais em quest&otilde;es relevantes da sociedade contempor&acirc;nea tendem a ressaltar que diversos aspectos relativos &agrave; natureza e &agrave; sociedade nos dias atuais n&atilde;o devem ser consideradas e analisadas como fen&ocirc;menos pertencendo a compartimentos separados. Suas contribui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m colocado em relevo que as esferas da natureza, cultura, pol&iacute;tica, sociedade, economia, religi&atilde;o e outros fen&ocirc;menos correlatos s&atilde;o atravessados por l&oacute;gicas comuns e constituem partes integrantes da sociedade em sua totalidade &#91;25&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"As ci&ecirc;ncias sociais tendem a desempenhar um papel relevante no espa&ccedil;o p&uacute;blico ao abordar temas como desigualdades de classe, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e etnia, ao analisar as modalidades macro e micro de poder e domina&ccedil;&atilde;o, ao enfocar as novas formas de amea&ccedil;as a democracia, ao tratar de quest&otilde;es do meio ambiente, de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o, conflitos e imigra&ccedil;&otilde;es internacionais e temas correlatos. "</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As ci&ecirc;ncias sociais n&atilde;o apenas se encontram presentes no Brasil, mas efetivamente, ocupam uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque tanto no campo cientifico nacional quanto um papel proeminente diante das quest&otilde;es p&uacute;blicas do pa&iacute;s. Durante a primeira d&eacute;cada de 1930, surgiram determinados trabalhos voltados para a interpreta&ccedil;&atilde;o do Brasil que se tornaram cl&aacute;ssicos do pensamento social brasileiro. Apesar de sua import&acirc;ncia e contribui&ccedil;&atilde;o intelectual, boa parte deles foram escritos por autores que n&atilde;o possu&iacute;am treinamento em ci&ecirc;ncias sociais. O surgimento das primeiras institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa voltadas para as ci&ecirc;ncias sociais foi um acontecimento tardio, na medida em que surgiram apenas na d&eacute;cada de 1930, tais como a Escola Livre de Sociologia e Pol&iacute;tica, (1933), em S&atilde;o Paulo, a Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras da Universidade de S&atilde;o Paulo (1934), a Universidade do Distrito Federal (1935), a Faculdade de Filosofia do Brasil (1939), localizadas no Rio de Janeiro. Essas institui&ccedil;&otilde;es forneceram gradativamente uma base institucional para o desenvolvimento das ci&ecirc;ncias sociais no pa&iacute;s &#91;26-28&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante as tr&ecirc;s d&eacute;cadas subsequentes, a cria&ccedil;&atilde;o dessa base institucional propiciou a uma gera&ccedil;&atilde;o pioneira de cientistas sociais produzir um conjunto expressivo de trabalhos voltados para a an&aacute;lise da acelerada mudan&ccedil;a social que estava ocorrendo na sociedade brasileira, abordando temas pertinentes que favoreceram a constru&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica do pa&iacute;s, tais como rela&ccedil;&otilde;es raciais, desagrega&ccedil;&atilde;o e crise do mundo rural, processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o do proletariado urbano e da burguesia nacional, constitui&ccedil;&atilde;o das camadas m&eacute;dias, pol&iacute;tica e desenvolvimento em sociedades perif&eacute;ricas, educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento socioecon&ocirc;mico etc. Quando caminhava para um processo de matura&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, as ci&ecirc;ncias sociais sofreram uma brutal repress&atilde;o de suas atividades praticadas pela ditadura militar. Nesse contexto, ocorreram aposentadorias compuls&oacute;rias de professores em v&aacute;rias universidades p&uacute;blicas, forte controle de liberdade de express&atilde;o nas universidades exercido por meio de &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a, localizados no interior das universidades p&uacute;blicas, persegui&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas amparadas em legisla&ccedil;&atilde;o que previa a puni&ccedil;&atilde;o de docentes, discentes e funcion&aacute;rios que desenvolvessem atos considerados contr&aacute;rios ao regime, tal como o decreto 477/69 &#91;29&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a mobiliza&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica nacional conduzida pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), assim como a participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadores e discentes em ci&ecirc;ncias sociais e de outras &aacute;reas do conhecimento, resistiram &agrave;s intemp&eacute;ries repressivas. Na verdade, as ci&ecirc;ncias sociais sa&iacute;ram fortalecidas institucionalmente do regime autorit&aacute;rio, na medida em que na d&eacute;cada de 1970 ocorreu o processo inicial da forma&ccedil;&atilde;o do sistema nacional de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. A constru&ccedil;&atilde;o do sistema de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o derivou de um complexo empreendimento coletivo que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de atores do Estado, de organismos representativos da comunidade cient&iacute;fica, do corpo docente das institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa envolvidas com esse n&iacute;vel de ensino. De certa forma, a emerg&ecirc;ncia da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o foi o resultado de uma longa luta desencadeada por esses atores, visando &agrave; supera&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior no pa&iacute;s que historicamente se constituiu por meio de escolas isoladas e que tinha como alvo a constru&ccedil;&atilde;o de um sistema universit&aacute;rio capaz de integrar as atividades de ensino e pesquisa &#91;30&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no espa&ccedil;o global das ci&ecirc;ncias sociais foi impulsionada pela constru&ccedil;&atilde;o do sistema nacional de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Na esteira do desenvolvimento desse sistema surgiu, em 1977, a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais (Anpocs), que desempenhou um papel relevante na organiza&ccedil;&atilde;o do campo das ci&ecirc;ncias sociais no pa&iacute;s. Os Encontros Anuais da Anpocs, marcados por uma perspectiva interdisciplinar, desempenharam um papel estrat&eacute;gico no processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais no pa&iacute;s e um importante vetor de intera&ccedil;&atilde;o dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o com centros internacionais dessas disciplinas. Ao lado da Anpocs, deve-se destacar tamb&eacute;m as atividades das associa&ccedil;&otilde;es cientificas das tr&ecirc;s &aacute;reas - Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia (ABA), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (ABCP) - que veem trabalhando de forma recorrente, visando &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o de ensino e pesquisa em suas respectivas &aacute;reas. Ao mesmo tempo, t&ecirc;m se posicionado de forma cr&iacute;tica diante de quest&otilde;es p&uacute;blicas e assumindo posi&ccedil;&otilde;es contra a injusti&ccedil;a social e pela defesa intransigente dos direitos humanos e da democracia. O documento elaborado pelo Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos, denominado <i>"Diagn&oacute;stico das Ci&ecirc;ncias Humanas, Sociais Aplicadas, Lingu&iacute;stica, Letras e Artes no Brasil"</i> (2020) &#91;31&#93; demonstra - por meio de um levantamento exaustivo de dados - que a sociologia, antropologia e ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica v&ecirc;m realizando trabalhos sobre quest&otilde;es fundamentais da sociedade brasileira contempor&acirc;nea (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a02fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Nos dias correntes, as ci&ecirc;ncias sociais no Brasil continuam atuantes em prol de uma sociedade democr&aacute;tica e mais igualit&aacute;ria e, ao mesmo tempo, atenta &agrave;s suas conex&otilde;es com o campo global dessas disciplinas. "</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#tab1">Tabela 1</a> mostra a presen&ccedil;a das ci&ecirc;ncias sociais no Brasil que mobiliza um n&uacute;mero consider&aacute;vel de pesquisadores docentes e discentes (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a02tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de estar sintonizada com uma agenda de quest&otilde;es p&uacute;blicas relevantes para a sociedade brasileira, cumpre destacar que as ci&ecirc;ncias sociais atuaram de forma firme diante do cen&aacute;rio de ruptura democr&aacute;tica representado pelo &uacute;ltimo governo. Como se sabe, durante aquele per&iacute;odo, o contexto acad&ecirc;mico foi impactado n&atilde;o apenas pelos dr&aacute;sticos cortes or&ccedil;ament&aacute;rios, mas tamb&eacute;m por iniciativas governamentais visando cercear a liberdade de ensinar, pesquisar, acolhendo favoravelmente iniciativas inibidoras de livre manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento provenientes por parte de segmentos conservadores da sociedade civil e de membros do poder legislativo. Nesse cen&aacute;rio adverso, durante a realiza&ccedil;&atilde;o do <i>"38º Encontro da Anpocs" </i>em 2018, as tr&ecirc;s associa&ccedil;&otilde;es cientificas da &aacute;rea passaram a atuar conjuntamente em defesa da democracia, liberdade acad&ecirc;mica e autonomia universit&aacute;ria, estabelecendo contatos peri&oacute;dicos com membros do poder judici&aacute;rio e legislativo. Nos dias correntes, as ci&ecirc;ncias sociais no Brasil continuam atuantes em prol de uma sociedade democr&aacute;tica e mais igualit&aacute;ria e, ao mesmo tempo, atenta &agrave;s suas conex&otilde;es com o campo global dessas disciplinas. T&ecirc;m diante de si o desafio de manter seu espa&ccedil;o intelectual e sua relev&acirc;ncia p&uacute;blica na sociedade brasileira e manter um di&aacute;logo com outras &aacute;reas de conhecimento. Tamb&eacute;m possuem o desafio de preservar sua independ&ecirc;ncia cient&iacute;fica diante de movimentos sociais e interesses partid&aacute;rios, pois sua capacidade de intervir no mundo social repousa na sua compet&ecirc;ncia em oferecer explica&ccedil;&otilde;es sobre a vida social, alicer&ccedil;adas em s&oacute;lidos fundamentos l&oacute;gicos, te&oacute;ricos, conceituais e emp&iacute;ricos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BECK, U. <i>The metamorphosis of the world</i>: how climate change is transforming our concept of the world. Malden (MA): Polity Press, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. BECK, U. How not to be a museum piece. <i>The British Journal of Sociology</i>, v. 56, n. 3, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. BECK, U. <i>The risk society</i>: towards a new modernity. London: Sage, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. APPADURAI, A. <i>Modernity at large</i>: cultural dimensions of globalization. Minneapolis (MN): University of Minnesota Press, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. ELLIOT, A.; LEMERT, C. <i>The new individualism</i>: the emotional costs of globalization. London: Routledge, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. BAUMAN, Z. <i>Globalization</i>: the human consequences. Cambridge: Polity Press, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. HEILBRON, J. The social sciences as an emerged global field. <i>Current Sociology</i>, v. 62, n. 5, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. HEILBRON, J. <i>et al</i>. Internationalisation des sciences sociales: les le&ccedil;ons d'une histoire transnationale. <i>In</i>: SAPIRO, G. <i>L'espace intellectuel en Europe</i>: de la formation des &Eacute;tas-nations &agrave; la mondialisation XIX-XX si&egrave;cles. Paris: La D&eacute;couverte, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. DUFOIX, S.; CAILLE, A. <i>Le tournant global des sciences sociales</i>. Paris: La D&eacute;couverte, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. KN&Ouml;BL, W. Reconfigura&ccedil;&otilde;es da Teoria Social ap&oacute;s a hegemonia ocidental. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, S&atilde;o Paulo, v. 30, n. 87, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. RAY, L. <i>Globalization and everyday life</i>. London: Routledge, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. HSU, E. Social Theory and Globalization. <i>In</i>: ELLITOT, A. <i>The Routledge Companion to Social Theory</i>. London: Routledge, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. O'BYRNE, D.; HENSBY, A. <i>Theorizing global studies</i>. New York (NY): Palgrave, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. TURNER, B.; KHONDKER, H. <i>Globalization</i>: east and west. 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Paris: Unesco, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. GINGRAS, Y.; MOSBAH-NATANSON, S. Where are social sciences produced? <i>In:</i> International Social Science Council. <i>World social science report, 2010</i>: knowledge divides. Paris: Unesco, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. KENNEDY, M. <i>Globalizing knowledge, universities, intellectuals and public in transformation</i>. Stanford (CA): Stanford University, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. BOAS, G. <i>A voca&ccedil;&atilde;o das Ci&ecirc;ncias Sociais no Brasil (1945-1966)</i>. Rio de Janeiro (RJ): Funda&ccedil;&atilde;o Biblioteca Nacional, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. MICELI, S. <i>Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias Sociais no Brasil</i>. v. 1. S&atilde;o Paulo (SP): Editora Revista dos Tribunais Ltda. , 1989.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. MICELI, S. <i>Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias Sociais no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Editora Sumar&eacute;, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. MOTTA, R. <i>As universidades e o regime militar</i>: 50 anos depois. Rio de Janeiro (RJ): Zahar, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. MARTINS, C. B. As origens da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o nacional (1960-1980). <i>Revista Brasileira de Sociologia</i>, Bras&iacute;lia, v. 6, n. 13, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31. CENTRO DE GEST&Atilde;O E ESTUDOS ESTRATEGICOS (CGEE). <i>Diagn&oacute;stico das Ci&ecirc;ncias Humanas, Sociais Aplicadas, Lingu&iacute;stica, Letras e Artes no Brasil. </i> Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es, 2020.    </font></p>      ]]></body><back>
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