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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Buracos Negros Supermassivos: qual é a importância deles no Universo? Os buracos negros estão entre os mais eficientes geradores de energia do Universo e podem ter impactado até a nossa própria existência]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cosmologia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Buracos Negros Supermassivos: qual &eacute; a import&acirc;ncia deles no Universo? Os buracos negros est&atilde;o entre os mais eficientes geradores de energia do Universo e podem ter impactado at&eacute; a nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Thaisa Storchi Bergmann</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Orientadora da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e fundadora do grupo de pesquisa AGNIFS - AGN Integral Field Spectroscopy. &Eacute; pesquisadora 1A do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias ABC e da Academia Mundial de Ci&ecirc;ncias TWAS. Ganhadora do pr&ecirc;mio internacional L'Oreal/UNESCO Para Mulheres na Ci&ecirc;ncia (2015) e da Medalha Nacional do M&eacute;rito Cient&iacute;fico (2018), tem participado de comit&ecirc;s da UNESCO de apoio &agrave; ci&ecirc;ncia. &Eacute; revisora dos principais peri&oacute;dicos internacionais de astrof&iacute;sica e tem sido membro de comit&ecirc;s de aloca&ccedil;&atilde;o de tempo em v&aacute;rios telesc&oacute;pios internacionais, inclusive dos telesc&oacute;pios espaciais Hubble e James Webb</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buracos Negros Supermassivos (<i>Supermassive Black Holes </i>- SMBH) s&atilde;o verdadeiros "monstros" que chegam a ter mais de um bilh&atilde;o de massas solares e dos quais nada escapa, nem mesmo a luz. Eles habitam o n&uacute;cleo das gal&aacute;xias massivas e t&ecirc;m um papel fundamental em sua evolu&ccedil;&atilde;o. Se n&atilde;o fosse por eles, poder&iacute;amos nem estar aqui. &Eacute; que os SMBHs est&atilde;o entre os mais eficientes geradores de energia do Universo - energia que acaba por ser depositada na gal&aacute;xia ao seu redor, moldando a sua evolu&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; discutido neste artigo por meio da observa&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o e retroalimenta&ccedil;&atilde;o dos SMBHs em gal&aacute;xias que abrigam n&uacute;cleos ativos (<i>Active Galactic Nucleus </i>- AGNs). Para mapear e quantificar esses fen&ocirc;menos, bem como a energia depositada nas gal&aacute;xias, temos observado: (1) o <i>inflow</i> do g&aacute;s em diferentes escalas, "engatilhado" pela intera&ccedil;&atilde;o entre gal&aacute;xias nos AGNs mais luminosos, fazendo o g&aacute;s migrar at&eacute; o centro atrav&eacute;s de espirais nucleares at&eacute; a "<i>broad line region</i>" (BLR) e o disco de acre&ccedil;&atilde;o que alimenta o SMBH; (2) a emiss&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o, jatos e ventos origin&aacute;rios do disco de acre&ccedil;&atilde;o que interagem com o meio circundante na gal&aacute;xia, aquecendo-o e produzindo <i>outflows</i> que regulam a evolu&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria gal&aacute;xia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Buracos Negros; Gal&aacute;xias; Universo; Evolu&ccedil;&atilde;o; Sgr. A*; Cosmologia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, apresento os Buracos Negros Supermassivos (<i>Supermassive Black Holes</i> - SMBH) e discuto meu trabalho sobre seus processos de alimenta&ccedil;&atilde;o e de retroalimenta&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia desses processos para a evolu&ccedil;&atilde;o do Universo. A retroalimenta&ccedil;&atilde;o dos SMBHs nas gal&aacute;xias pode cessar a forma&ccedil;&atilde;o das estrelas ao longo de sua evolu&ccedil;&atilde;o e, por isso, o SMBH da nossa gal&aacute;xia, Sagittarius A* (Sgr A*), pode ter impactado at&eacute; a nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. Para uma discuss&atilde;o mais aprofundada sobre esse &uacute;ltimo aspecto, bem como a poss&iacute;vel influ&ecirc;ncia de buracos negros estelares para a vida na Terra, recomendo a leitura do livro que finalizei recentemente, intitulado "My News Explica Buracos Negros" &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste texto, apresento os resultados obtidos a partir de minhas observa&ccedil;&otilde;es e de meu grupo de pesquisa. Colaboradores nos meus projetos sem os quais eles n&atilde;o seriam poss&iacute;veis, incluem, em particular, Rogemar Riffel, Bruno Dall'Agnol de Oliveira, Rog&eacute;rio Riffel, J&aacute;derson Schimoia, Sandro Rembold e Rodrigo Nemmen, entre muitos outros, com quem publiquei mais de 250 artigos cient&iacute;ficos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O que &eacute; um Buraco Negro?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um BH (do ingl&ecirc;s <i>Black Hole</i>) &eacute; uma consequ&ecirc;ncia da gravidade: se houver condi&ccedil;&otilde;es de se concentrar mat&eacute;ria em um raio pequeno o suficiente para que sua velocidade de escape seja igual &agrave; velocidade da luz, temos a forma&ccedil;&atilde;o de um deles. Seu campo gravitacional &eacute; t&atilde;o intenso que nada dele escapa, nem mesmo a luz (ou qualquer radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica). A viagem para dentro de um BH &eacute; uma viagem sem volta: se voc&ecirc; dentro dele cair, nunca mais vai sair!</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Karl Schwarzschild, em 1916, foi o primeiro a obter a solu&ccedil;&atilde;o das equa&ccedil;&otilde;es de campo de Albert Einstein para um BH sem rota&ccedil;&atilde;o, e derivou o "raio de Schwarzschild", que define o "Horizonte de Eventos", a partir do qual nada escapa, como ilustrado na <a href="#fig1">Figura 1</a>. A gravidade &eacute; t&atilde;o grande que a curvatura do espa&ccedil;o-tempo torna-se infinita e, por isso, surge um buraco ali. Para se ter uma ideia do extremo da situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; s&oacute; calcular o RS para a Terra: 9mm. Para transformar nosso planeta num buraco negro, ter&iacute;amos que concentrar todo o nosso planeta em uma "bolinha" com esse raio.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria dos BHs apresenta rota&ccedil;&atilde;o, e sua solu&ccedil;&atilde;o a partir das equa&ccedil;&otilde;es da relatividade geral foi derivada somente mais tarde, em 1963, por Roy Kerr.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Buracos Negros Estelares</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; a primeira metade do s&eacute;culo XX, os cientistas em geral, inclusive o pr&oacute;prio Einstein, acreditavam que os BHs eram uma previs&atilde;o te&oacute;rica e que n&atilde;o existiriam na natureza. Entretanto, na d&eacute;cada de 1970, descobriu-se a estrela Cygnus X-1 (primeira fonte de raios-X na constela&ccedil;&atilde;o do Cisne) que se move em torno de um ponto escuro que, pelas velocidades observadas, tem massa de ~10 massas solares. A &uacute;nica conclus&atilde;o poss&iacute;vel foi de que era um sistema duplo, em que a estrela escura seria um BH estelar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje sabemos que os BHs estelares s&atilde;o o n&uacute;cleo colapsado que resulta da explos&atilde;o de uma estrela Supernova. Todas as estrelas que se formam com massa maior do que ~10-15 massas solares v&atilde;o acabar como supernovas. As mais massivas v&atilde;o gerar BHs e, assim, pode-se estimar a exist&ecirc;ncia de ~100 milh&otilde;es de BHs estelares em gal&aacute;xias como a nossa, a Via L&aacute;ctea.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a maioria das gal&aacute;xias abriga tamb&eacute;m no seu centro um SMBH, com massa entre 1 milh&atilde;o e 10 bilh&otilde;es de massas solares, os quais acredita que tenham se formado com as gal&aacute;xias, no primeiro bilh&atilde;o de anos do Universo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Buracos Negros Supermassivos (SMBHs)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Quasars</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exist&ecirc;ncia de SMBHs no Universo come&ccedil;ou a ganhar apoio quando os astrof&iacute;sicos descobriram os <i>quasars </i>(do ingl&ecirc;s <i>Quasi-Stellar Radio Sources</i>). Primeiramente observados na d&eacute;cada de 1950 em levantamentos do c&eacute;u em radiofrequ&ecirc;ncia, receberam esse nome porque, nos telesc&oacute;pios &oacute;ticos, tinham apar&ecirc;ncia estelar. Em 1963, Maarten Schmidt descobriu, no espectro &oacute;tico, linhas de emiss&atilde;o de Hidrog&ecirc;nio com um alto <i>redshift</i>, que coloca esses objetos a dist&acirc;ncias muito grandes. A partir do brilho aparente e da dist&acirc;ncia, concluiu-se que a luminosidade dos <i>quasars</i> chegava a ~100 vezes a da Via L&aacute;ctea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fonte de energia dos <i>quasars</i></b><i></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de serem os objetos mais luminosos do Universo, os <i>quasars</i> apresentam variabilidade, revelando que sua radia&ccedil;&atilde;o prov&eacute;m de uma regi&atilde;o do tamanho aproximado do Sistema Solar (dias a semanas-luz). Como uma regi&atilde;o t&atilde;o pequena pode gerar pot&ecirc;ncia 100 vezes maior do que de todas suas estrelas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A conclus&atilde;o foi de que h&aacute; outra fonte de energia, mais eficiente do que a nuclear (que &eacute; a fonte de energia do Sol e demais estrelas) no centro das gal&aacute;xias: a captura de mat&eacute;ria por um SMBH. A energia potencial gravitacional da captura de mat&eacute;ria se transforma em energia radiativa e cin&eacute;tica de ventos e jatos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos fazer uma analogia com uma Hidroel&eacute;trica: a queda da &aacute;gua (energia gravitacional) move uma turbina que alimenta um gerador de energia el&eacute;trica. A diferen&ccedil;a &eacute; que a queda num SMBH &eacute; muito maior: podemos dizer que seu po&ccedil;o de potencial gravitacional &eacute; o mais profundo que existe! E quanto maior a taxa de mat&eacute;ria que cai no SMBH, maior &eacute; a taxa de energia liberada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje sabemos que os <i>quasars</i> s&atilde;o n&uacute;cleos de gal&aacute;xias distantes que abrigam um SMBH no seu n&uacute;cleo capturando mat&eacute;ria a uma taxa muito alta. Observa&ccedil;&otilde;es com o Telesc&oacute;pio Hubble na d&eacute;cada de 1990, com qualidade de imagem ~400 vezes melhor do que dos telesc&oacute;pios terrestres, permitiram observar a gal&aacute;xia no entorno do <i>quasar</i>. As mais distantes dessas gal&aacute;xias se formaram no primeiro bilh&atilde;o de anos do Universo (que tem hoje 13,7 bilh&otilde;es de anos), o que indica que os SMBHs se formaram nessa &eacute;poca, junto com as gal&aacute;xias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O disco de acre&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O SMBH n&atilde;o emite radia&ccedil;&atilde;o (a menos da radia&ccedil;&atilde;o de Hawking, desprez&iacute;vel para BHs estelares e supermassivos). Ent&atilde;o, de onde sai a luminosidade observada? Ela sai de um disco de plasma (g&aacute;s totalmente ionizado) em rota&ccedil;&atilde;o, chamado de disco de acre&ccedil;&atilde;o. A <a href="#fig2">Figura 2</a> mostra uma concep&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica deste disco, que se forma por conserva&ccedil;&atilde;o de momentum angular da mat&eacute;ria que &eacute; capturada. A viscosidade do disco produz seu aquecimento e perda do momentum angular, fazendo com que a mat&eacute;ria espirale para o centro at&eacute; cair no SMBH. No processo, o disco se aquece e irradia, com as partes centrais emitindo raios-X e ultravioleta. Campos magn&eacute;ticos s&atilde;o amplificados no centro do disco, colimando jatos de part&iacute;culas ali gerados. Voltando &agrave; analogia com a hidroel&eacute;trica, o disco de acre&ccedil;&atilde;o seria equivalente ao conjunto turbina + gerador da hidroel&eacute;trica.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a05fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SMBHs no n&uacute;cleo de todas as gal&aacute;xias massivas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um resultado que se consolidou na d&eacute;cada de 1990, gra&ccedil;as ao Telesc&oacute;pio Espacial Hubble, &eacute; que os SMBHs encontram-se no n&uacute;cleo de praticamente todas as gal&aacute;xias massivas pr&oacute;ximas com bojo estelar - a concentra&ccedil;&atilde;o central de estrelas presentes nas gal&aacute;xias el&iacute;pticas e espirais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gal&aacute;xias ativas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem gal&aacute;xias pr&oacute;ximas com emiss&atilde;o nuclear semelhante &agrave; dos <i>quasars</i>, mas com luminosidade mais baixa. S&atilde;o as chamadas gal&aacute;xias ativas, que tamb&eacute;m t&ecirc;m um SMBH no seu centro capturando mat&eacute;ria atrav&eacute;s de um disco de acre&ccedil;&atilde;o. Diz-se que elas t&ecirc;m um n&uacute;cleo ativo (<i>Active Galactic Nucleus</i> - AGN). Os <i>quasars</i> s&atilde;o tamb&eacute;m AGNs, os mais luminosos que existem. Podemos dizer que os mais distantes e luminosos eram onde os SMBHs estavam se formando, e agora "crescidos" habitam o n&uacute;cleo das gal&aacute;xias massivas; quando capturam mat&eacute;ria, "acendem" de novo seus AGNs.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O AGN</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O AGN &eacute; formado pelo conjunto SMBH, disco de acre&ccedil;&atilde;o e de nuvens circundantes que configuram a chamada regi&atilde;o de linhas largas (<i>Broad Line Region</i> -    BLR). Mais para fora, &agrave; medida que a temperatura diminui, temos nuvens mais frias, com g&aacute;s molecular ou poeira, na forma de um toroide que circunda o disco e a BLR. Parte das nuvens da BLR alimenta o disco de acre&ccedil;&atilde;o e parte delas s&atilde;o ejetadas por ventos resultantes de instabilidades da sua press&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o. Jatos de part&iacute;culas relativ&iacute;sticas tamb&eacute;m podem surgir a partir da concentra&ccedil;&atilde;o de campos magn&eacute;ticos na parte central do disco.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Observando a alimenta&ccedil;&atilde;o de um Buraco Negro Supermassivo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Discos de acre&ccedil;&atilde;o e seu entorno</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os discos de acre&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m dimens&otilde;es t&iacute;picas de dias-luz. S&atilde;o formados por plasma - g&aacute;s completamente ionizado, com temperatura central entre 100.000 K e 1.000.000 K, que decresce a 10.000 K na sua borda exterior. A essa temperatura, come&ccedil;a a haver recombina&ccedil;&atilde;o de &aacute;tomos de Hidrog&ecirc;nio na borda do disco e ali come&ccedil;a a BLR. As nuvens da BLR orbitam o SMBH a velocidades de milhares de km/s e emitem linhas espectrais, de Hidrog&ecirc;nio, H&eacute;lio e outros elementos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A raz&atilde;o entre o raio de uma gal&aacute;xia e o do disco de acre&ccedil;&atilde;o &eacute; da ordem de 1.000.000, como ilustrado na <a href="#fig2">Figura 2</a>. Como esses discos est&atilde;o muito distantes, no centro das gal&aacute;xias, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel resolv&ecirc;-los espacialmente (ou seja, obter uma imagem como a da <a href="#fig2">Figura 2</a>) para a maioria das gal&aacute;xias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Primeiras imagens de discos de acre&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2019, foi divulgada a primeira imagem da parte interna do disco de acre&ccedil;&atilde;o da gal&aacute;xia el&iacute;ptica M87 contendo a sombra do horizonte de eventos (HE), atrav&eacute;s do <i>Event Horizon Telescope</i> (EHT): oito r&aacute;dio-observat&oacute;rios observando na faixa milim&eacute;trica do espectro eletromagn&eacute;tico, atrav&eacute;s da t&eacute;cnica de interferometria intercontinental, simulando abertura do tamanho da Terra. Isso foi necess&aacute;rio para resolver o di&acirc;metro angular do HE, equivalente a observar uma laranja na Lua. Em maio de 2022, o EHT divulgou a segunda imagem de um HE: o de Sgr A*, o SMBH da nossa gal&aacute;xia, a Via L&aacute;ctea (figura de capa), ~1500 vezes menor que o de M87, mas com um tamanho angular no c&eacute;u semelhante, pois est&aacute; ~2.000 vezes mais pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Minha descoberta!</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas demais gal&aacute;xias, com os recursos instrumentais atuais, observamos o disco de acre&ccedil;&atilde;o, bem como a BLR, como um "ponto" no centro da gal&aacute;xia. Mas podemos observar seu espectro: a radia&ccedil;&atilde;o emitida em fun&ccedil;&atilde;o do comprimento de onda, ilustrado na <a href="#fig3">Figura 3</a> para a gal&aacute;xia NGC1097. Ao observar seu n&uacute;cleo, descobri uma estrutura inesperada no perfil da linha H</font>&#945;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, emitida pelo &aacute;tomo de Hidrog&ecirc;nio quando ele &eacute; ionizado. A base da linha tem perfil largo com dois picos, um desviado para o azul (em rela&ccedil;&atilde;o ao centro da linha) e outro desviado para o vermelho. Modelos te&oacute;ricos mostram que ele &eacute; gerado em um anel de g&aacute;s que circunda o disco de acre&ccedil;&atilde;o, na parte mais interna da BLR, com velocidade &gt; 5.000 km/s. Como o disco est&aacute; inclinado em rela&ccedil;&atilde;o ao plano do c&eacute;u, atrav&eacute;s do efeito Doppler da luz, observamos a radia&ccedil;&atilde;o do lado que se aproxima desviada para o azul e a do lado que se afasta desviada para o vermelho e, por isso, aparecem os dois picos. Ap&oacute;s essa descoberta, observamos que sua emiss&atilde;o varia devido &agrave; varia&ccedil;&atilde;o da fonte de ilumina&ccedil;&atilde;o, a parte mais interna do disco. Depois demonstramos que esse anel apresenta instabilidades na forma de bra&ccedil;os espirais e parece estar presente na maioria dos N&uacute;cleos Ativos &#91;3&#93;.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a05fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Abastecendo o disco de acre&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, por meio da colabora&ccedil;&atilde;o AGNIFS - AGN <i>Integral Field Spectroscopy</i> (IFS, em portugu&ecirc;s, Espectroscopia de Campo Integral), envolvendo pesquisadores do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IF-UFRGS) e do Departamento de F&iacute;sica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), estudamos como o g&aacute;s chega at&eacute; a regi&atilde;o central para alimentar o disco de acre&ccedil;&atilde;o em gal&aacute;xias ativas pr&oacute;ximas. A IFS permite mapear tanto a distribui&ccedil;&atilde;o espacial do g&aacute;s como tamb&eacute;m o seu movimento. A <a href="#fig4">Figura 4</a> mostra isso nos ~2.000 anos-luz centrais da gal&aacute;xia ativa NGC7213: as estrelas est&atilde;o em rota&ccedil;&atilde;o, com uma amplitude da sua velocidade de 50 km/s, enquanto o g&aacute;s, tamb&eacute;m em rota&ccedil;&atilde;o, tem uma velocidade bem mais alta, de 200 km/s, em um padr&atilde;o "distorcido", que parece se correlacionar com a distribui&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s e poeira revelada no painel da direita da <a href="#fig4">Figura 4</a>. Como a gal&aacute;xia est&aacute; inclinada em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s, com o lado noroeste mais pr&oacute;ximo, o afastamento no lado pr&oacute;ximo e aproxima&ccedil;&atilde;o no lado distante podem ser interpretados como movimento do g&aacute;s para o centro da gal&aacute;xia atrav&eacute;s de bra&ccedil;os espirais nucleares, ou <i>inflows</i>. Estes bra&ccedil;os devem alimentar o disco de acre&ccedil;&atilde;o que, por sua vez, alimenta o BNS. Resultados semelhantes t&ecirc;m sido encontrados para outras gal&aacute;xias ativas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a05fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Storchi-Bergmann &amp; Schnorr-M&uuml;ller (2019) &#91;5&#93;, fizemos um compilado destes <i>inflows</i> nos ~2.000 anos-luz centrais para v&aacute;rias gal&aacute;xias ativas, onde tamb&eacute;m discutimos como o g&aacute;s chega a esta regi&atilde;o. Al&eacute;m dos movimentos internos do g&aacute;s dentro das gal&aacute;xias ativas, essa compila&ccedil;&atilde;o e trabalhos nossos posteriores mostram que o g&aacute;s que alimenta o AGN se origina de intera&ccedil;&otilde;es com gal&aacute;xias vizinhas, como acontece com o <i>quasar</i> da <a href="#fig5">Figura 5</a>.</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a05fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>E as estrelas?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso grupo AGNIFS tem tamb&eacute;m estudado a popula&ccedil;&atilde;o de estrelas na regi&atilde;o central das gal&aacute;xias ativas. Encontramos um excesso de estrelas jovens no entorno dos AGNs mais luminosos, o que interpretamos como sendo porque o AGN precisa de g&aacute;s para se alimentar e este g&aacute;s, ao se deslocar em dire&ccedil;&atilde;o ao centro, existindo em quantidade necess&aacute;ria, forma estrelas no seu caminho, nas regi&otilde;es circumnucleares (~1.000-3.000 anos-luz centrais) &#91;6&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A retroalimenta&ccedil;&atilde;o dos SMBHs</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A radia&ccedil;&atilde;o, ventos e jatos dos AGNs acabam por influenciar a evolu&ccedil;&atilde;o das gal&aacute;xias em que est&atilde;o, pois aquecem, agitam e empurram o g&aacute;s ao seu redor - a partir do qual novas estrelas se formariam, impedindo que isso aconte&ccedil;a e, portanto, regulando o pr&oacute;prio crescimento da gal&aacute;xia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>G&aacute;s ionizado</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossos estudos do movimento do g&aacute;s em AGNs revelam, al&eacute;m dos <i>inflows</i>, <i>outflows </i>(fluxos de g&aacute;s para fora<i>). </i>&Eacute; que a radia&ccedil;&atilde;o bem como as instabilidades no disco de acre&ccedil;&atilde;o empurram o g&aacute;s circum-nuclear da gal&aacute;xia e s&atilde;o observadas como "cones de ioniza&ccedil;&atilde;o", estruturas bipolares nas imagens que mostram a distribui&ccedil;&atilde;o do fluxo em linhas de emiss&atilde;o de g&aacute;s ionizado, como a do &#91;OIII&#93;5007A, ilustrado na <a href="#fig5">Figura 5</a>, para o <i>quasar</i> J135251.21+654113.2 (que chamaremos de J13+65<i>)</i>. Essa figura mostra imagens do Hubble: (1) do cont&iacute;nuo, revelando a distribui&ccedil;&atilde;o das estrelas da gal&aacute;xia hospedeira (contornos em branco); (2) em um filtro de banda estreita centrado em 5007A que isola a emiss&atilde;o do g&aacute;s &#91;OIII&#93; ionizado pela radia&ccedil;&atilde;o do <i>quasar</i> (em laranja e violeta). Esse g&aacute;s se estende para al&eacute;m da componente estelar da gal&aacute;xia, no caso revelando o <i>feedback</i> radiativo do AGN. Al&eacute;m disso, em Dall'Agnol de Oliveira (2021) &#91;8&#93;, pudemos mapear a cinem&aacute;tica do g&aacute;s ionizado, que revelou a presen&ccedil;a de <i>outflows</i> coespaciais com a emiss&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A radia&ccedil;&atilde;o, ventos e jatos dos AGNs influenciam a evolu&ccedil;&atilde;o das gal&aacute;xias em que est&atilde;o, pois aquecem, agitam e empurram o g&aacute;s ao seu redor, impedindo a forma&ccedil;&atilde;o de novas estrelas e portanto regulando o pr&oacute;prio crescimento da gal&aacute;xia."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#fig5">Figura 5</a> tamb&eacute;m mostra que, no caso do <i>quasar</i>, h&aacute; uma forte intera&ccedil;&atilde;o com uma gal&aacute;xia companheira, que deve ter sido a respons&aacute;vel por enviar g&aacute;s para o centro e provocar o surgimento do AGN.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>G&aacute;s molecular</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O feedback do AGN n&atilde;o ocorre somente no g&aacute;s ionizado; observa&ccedil;&otilde;es recentes no infravermelho pr&oacute;ximo, que mapeiam o g&aacute;s molecular H<sub>2</sub> quente (~2000K) &#91;9&#93; e na faixa milim&eacute;trica do espectro, com o <i>Atacama Large Milimetric Array </i>(ALMA), que mapeiam o g&aacute;s molecular frio da mol&eacute;cula de CO, indicador da mol&eacute;cula de H<sub>2</sub>, t&ecirc;m revelado <i>outflows</i> tamb&eacute;m nessas fases do g&aacute;s, em geral, mais massivos do que os observados no g&aacute;s ionizado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Modelos de evolu&ccedil;&atilde;o do Universo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Modelos cosmol&oacute;gicos de evolu&ccedil;&atilde;o do Universo t&ecirc;m demonstrado que, sem levar em conta os efeitos de retroalimenta&ccedil;&atilde;o da fase ativa das gal&aacute;xias, as mesmas resultam muito mais massivas do que se observa hoje em dia. &Eacute;, portanto, fundamental mapear e quantificar esses processos de retroalimenta&ccedil;&atilde;o como fizemos em J13+65 para fornecer v&iacute;nculos para modelos de evolu&ccedil;&atilde;o das gal&aacute;xias. Uma simula&ccedil;&atilde;o recente que leva em conta a retroalimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; a chamada "Ilustris-TNG", desenvolvida por pesquisadores do <i>Center for Astrophysics </i>(<a href="https://www.tng-project.org/" target="_blank">https://www.tng-project.org/</a>), de Harvard (EUA), e seus colaboradores.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Os AGNs t&ecirc;m um papel importante na forma&ccedil;&atilde;o das estrelas de suas gal&aacute;xias, ou seja, as gal&aacute;xias seriam bem diferentes, possivelmente bem maiores, se n&atilde;o fosse o feedback de seu SMBH."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O futuro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso grupo AGNIFS, em uma proposta liderada por Rogemar Riffel, conseguiu tempo de observa&ccedil;&atilde;o no Telesc&oacute;pio Espacial James Webb (JWST), para observar a cinem&aacute;tica de mais uma fase do g&aacute;s molecular: o H<sub>2</sub><sub> </sub>"morno", que emite no infravermelho m&eacute;dio. Somente com o JWST est&aacute; sendo poss&iacute;vel observar diretamente <i>outflows</i> (e eventualmente <i>inflows</i>) nessa fase em alta resolu&ccedil;&atilde;o, o que ser&aacute; fundamental para poder avaliar o feedback dos AGNs em todas as fases do g&aacute;s. Tamb&eacute;m vamos participar do <i>Legacy Survey of Space and Time </i>(LSST), que ser&aacute; realizado no Observat&oacute;rio Vera Rubin, vizinho ao Gemini Sul e SOAR no Cerro Pach&oacute;n, Chile, que entrar&aacute; em opera&ccedil;&atilde;o em 2024. Este projeto vai permitir o mapeamento do disco de acre&ccedil;&atilde;o via a t&eacute;cnica de "<i>Reverberation Mapping</i>" (<a href="https://agn.science.lsst.org/" target="_blank">https://agn.science.lsst.org/</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os SMBHs est&atilde;o no centro de todas as gal&aacute;xias com bojo estelar - gal&aacute;xias el&iacute;pticas e espirais. Nos primeiros bilh&otilde;es de anos do Universo, a alta taxa de acre&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria aos SMBHs gerou os <i>quasars,</i> os AGNs mais luminosos que existem. No Universo atual, a maioria dos SMBHs est&aacute; quiescente, sendo ativados quando capturam mat&eacute;ria; a gal&aacute;xia fica ativa, com um AGN no seu centro. Meu trabalho e de meus colaboradores tem se concentrado nos processos de alimenta&ccedil;&atilde;o (<i>feeding</i>) e retroalimenta&ccedil;&atilde;o (<i>feedback</i>) em AGNs.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quanto ao <i>feeding</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em grandes escalas, a ativa&ccedil;&atilde;o do AGN parece ser devida a intera&ccedil;&otilde;es entre gal&aacute;xias: quanto mais forte a intera&ccedil;&atilde;o, mais luminoso &eacute; o AGN. Em escalas de ~2.000 anos-luz, observamos escoamento do g&aacute;s (velocidades de ~100-200 km/s) em estruturas espirais (taxas ~0.1-1 massa solar/ano). Tamb&eacute;m estudamos a popula&ccedil;&atilde;o estelar nesta regi&atilde;o e encontramos um excesso de estrelas jovens, que interpretamos como sendo devido ao excesso de g&aacute;s na regi&atilde;o: o mesmo g&aacute;s que alimenta o AGN, no seu caminho para a regi&atilde;o central da gal&aacute;xia, d&aacute; origem &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de novas estrelas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro dos ~3 anos-luz centrais, observamos os perfis das linhas de emiss&atilde;o que mostram nuvens em &oacute;rbita do SMBH com velocidades de ~5.000 km/s, onde, em alguns casos, observamos tamb&eacute;m estruturas espirais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quanto ao <i>feedback</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mapeamos as eje&ccedil;&otilde;es de g&aacute;s em grande escala a sua maioria bipolares e c&ocirc;nicas em g&aacute;s ionizado que se estendem a mais de 10.000 anos-luz do n&uacute;cleo, com velocidades de at&eacute; 1.000 km/s e taxas de eje&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria de algumas massas solares por ano. Nos AGNs mais luminosos se estendem al&eacute;m dos limites da gal&aacute;xia favorecendo escape da radia&ccedil;&atilde;o de AGNs luminosos ao meio intergal&aacute;ctico. Temos mapeado tamb&eacute;m o g&aacute;s molecular quente (&gt; 2.000K), frio (&lt;100K) e com o JWST vamos mapear o morno. O mapeamento dessas eje&ccedil;&otilde;es e a luminosidade do disco permitem calcular os efeitos de "retroalimenta&ccedil;&atilde;o" dos SMBHs, que regulam o crescimento das gal&aacute;xias, fornecendo os v&iacute;nculos necess&aacute;rios a modelos cosmol&oacute;gicos do Universo.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Nosso SMBH deve ter tido um papel importante no passado, quando era mais ativo, influenciando inclusive o nosso destino: se a nossa gal&aacute;xia fosse maior e mais massiva, talvez nem houvesse as condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias para o surgimento do Sol aqui no nosso cantinho."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse <i>feedback</i> mostra que os AGNs t&ecirc;m um papel importante na forma&ccedil;&atilde;o das estrelas de suas gal&aacute;xias, ou seja, as gal&aacute;xias seriam bem diferentes, possivelmente bem maiores, se n&atilde;o fosse o feedback de seu SMBH. Esse <i>feedback</i> evita que a gal&aacute;xia forme estrelas "demais". O Sgr A*, nosso SMBH, deve ter tido um papel importante no passado, quando era mais ativo, influenciando inclusive o nosso destino: se a nossa gal&aacute;xia fosse maior e mais massiva, talvez nem houvesse as condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias para o surgimento do Sol aqui no nosso cantinho, a 27 mil anos-luz do centro da Via L&aacute;ctea &#91;10&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. STORCHI-BERGMANN, T. <i>Mynews Explica Buracos Negros</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Almedina, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. SCHIMOIA, J. S.; STORCHI-BERGMANN, T.; NEMMEN, R. S.; WINGE, C.; ERACLEOUS, M. Short Timescale Variations of the Halpha Double-peaked Profile of the Nucleus of NGC 1097. <i>The Astrophysical Journal</i>, v. 748, n. 2, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. STORCHI-BERGMANN, T.; SCHIMOIA, J. S.; PETERSON, B. M.; ELVIS, M.; DENNEY, K. D.; ERACLEOUS, M. <i>et al</i>. Double-Peaked Profiles: Ubiquitous Signatures of Disks in the Broad Emission Lines of Active Galactic Nuclei. <i>The Astrophysical Journal</i>, v. 835, n. 2, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. SCHNORR-M&Uuml;LLER, A.; STORCHI-BERGMANN, T.; NAGAR, N. M.; FERRARI, F. Gas inflows towards the nucleus of the active galaxy NGC7213. <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society</i>, v. 438, n. 4, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. STORCHI-BERGMANN, T.;    SCHNORR-M&Uuml;LLER, A. Observational constraints on the feeding of supermassive black holes. <i>Nature Astronomy</i>, v. 3, p. 48-61, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. RIFFEL, R.; DAHMER-HAHN, L. G.; RIFFEL, R. A.; STORCHI-BERGMANN, T.; DAMETTO, N. Z.; DAVIES, R. <i>et al</i>. Gemini NIFS survey of feeding and feedback processes in nearby active galaxies - VI. Stellar populations. <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society</i>, v. 512, n. 3, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. STORCHI-BERGMANN, T.; OLIVEIRA, B. D.; MICCHI, L. F. L.; SCHMITT, H. R. , FISCHER, T. C.; KRAEMER, S. <i>et al</i>. Bipolar Ionization Cones in the Extended Narrow-line Region of Nearby QSO2s. <i>The Astrophysical Journal</i>, v. 868, n. 1, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. OLIVEIRA, B. D.; STORCHI-BERGMANN, T.; KRAEMER, S. B.; VILLAR MART&Iacute;N, M.; SCHNORR-M&Uuml;LLER, A.; SCHMITT, H. R. <i>et al</i>. Gauging the effect of supermassive black holes feedback on quasar host galaxies. <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society</i>, v. 504, n. 3, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. RIFFEL, R. A.; STORCHI-BERGMANN, T.; RIFFEL, R.; BIANCHIN M.; ZAKAMSKA, N. L.; RUSCHEL-DUTRA D. <i>et al</i>. The AGNIFS survey: spatially resolved observations of hot molecular and ionized outflows in nearby active galaxies. <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society</i>, v. 521, n. 2, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. STORCHI-BERGMANN, T.; NEMMEN, R. S.; ERACLEOUS, M.; HALPERN, J. P.; WILSON, A. S.; FILIPPENKO, A. V. <i>et al</i>. Evolution of the Nuclear Accretion Disk Emission in NGC 1097: Getting Closer to the Black Hole. <i>The Astrophysical Journal</i>, v. 598, n. 2, 2003.    </font></p>      ]]></body><back>
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