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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ciência básica, combate à fome e a nova equação alimentar: apesar de ser uma potência agrícola global, o Brasil convive com 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, combate &agrave; fome e a nova equa&ccedil;&atilde;o alimentar: apesar de ser uma pot&ecirc;ncia agr&iacute;cola global, o Brasil  convive com 33 milh&otilde;es de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Niederle</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde coordena o Grupo de Pesquisa em Sociologia das Pr&aacute;ticas Alimentares (Sopas). Atualmente, &eacute; coordenador da &aacute;rea de Sociologia da Capes</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final de 2021, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) proclamou 2022 o Ano Internacional das Ci&ecirc;ncias B&aacute;sicas para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel. A partir disso, uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es foram colocadas em marcha visando sensibilizar os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos, bem como a sociedade em geral, sobre a import&acirc;ncia da pesquisa b&aacute;sica para o cumprimento da Agenda 2030. Dentre os m&uacute;ltiplos desafios, est&aacute; a supera&ccedil;&atilde;o da fome, um problema para o qual as respostas convencionais t&ecirc;m sido ineficazes e, al&eacute;m disso, repercutido em eros&atilde;o da biodiversidade, acelera&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e prolifera&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as associadas ao consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, por exemplo. A articula&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica desses e outros problemas sugere a emerg&ecirc;ncia de uma nova "equa&ccedil;&atilde;o alimentar" &#91;1,2&#93; que exige respostas inovadoras, que conciliem o combate &agrave; fome com a promo&ccedil;&atilde;o de sistemas alimentares sustent&aacute;veis, saud&aacute;veis e justos. Por sua vez, esse desafio tem implica&ccedil;&otilde;es sobre quais pesquisas b&aacute;sicas e aplicadas dever&atilde;o ser estimuladas no futuro pr&oacute;ximo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Armas, germes e soja</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2018, a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) publicou seu <i>Projeto de Ci&ecirc;ncia para o Brasil </i>&#91;3&#93;, um compilado de documentos anal&iacute;ticos e propositivos que resultou do trabalho de quase duas    dezenas de renomados cientistas brasileiros. O primeiro cap&iacute;tulo &eacute; dedicado &agrave; ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, considerada a raiz que "alimenta e nutre a pesquisa aplicada". Dentre as principais contribui&ccedil;&otilde;es brasileiras para a pesquisa b&aacute;sica, o documento destaca que o pa&iacute;s "&eacute; um dos principais produtores de conhecimento em ci&ecirc;ncias agr&iacute;colas e ci&ecirc;ncias de plantas e animais, respondendo por 8,8% e 6,6% da produ&ccedil;&atilde;o mundial nessas &aacute;reas" &#91;3&#93;. Por sua vez, entre os casos citados para ilustrar tal contribui&ccedil;&atilde;o, o primeiro refere-se &agrave; descoberta, em 1957, pela agr&ocirc;noma Johanna D&ouml;bereiner, das bact&eacute;rias fixadoras de nitrog&ecirc;nio. Esse feito foi respons&aacute;vel por transformar "o Brasil no segundo maior produtor mundial de soja".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ano ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de soja, mas essa n&atilde;o &eacute; a quest&atilde;o mais relevante. O que nos interessa nessa discuss&atilde;o &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica para o &ecirc;xito da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s &#91;4&#93;. Os exemplos nessa dire&ccedil;&atilde;o v&atilde;o muito al&eacute;m das bact&eacute;rias. Em 1962, antes mesmo do governo militar colocar em marcha as pol&iacute;ticas de moderniza&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria da agricultura brasileira, Rachel Carson j&aacute; havia demonstrado que a mesma qu&iacute;mica b&aacute;sica que produziu as armas da Segunda Guerra Mundial estava presente nos agrot&oacute;xicos sint&eacute;ticos que, de uma forma bem menos louv&aacute;vel, tamb&eacute;m foram respons&aacute;veis pelo sucesso do agroneg&oacute;cio brasileiro &#91;5&#93;. H&aacute; ainda os exemplos relativos &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria b&eacute;lica para o desenvolvimento da mecaniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua vez, as ci&ecirc;ncias sociais e humanas ofereceram suas contribui&ccedil;&otilde;es para explicar como o destino da "sociedade do agro" foi tra&ccedil;ado pelos formuladores dessas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em parceria com os <i>experts</i> das organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais e com o apoio de corpora&ccedil;&otilde;es transnacionais. Nos &uacute;ltimos anos, essas disciplinas t&ecirc;m sido novamente convocadas a explicar por que, ainda hoje, essa pot&ecirc;ncia agr&iacute;cola global convive com 33 milh&otilde;es de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar grave, ou seja, fome &#91;6&#93;. Afinal, como pode o terceiro maior produtor de alimentos do mundo (atr&aacute;s apenas de Estados Unidos e China), segundo maior exportador em volume total, que comercializa para 180 pa&iacute;ses, e diz ser respons&aacute;vel por alimentar 1 bilh&atilde;o de pessoas no mundo, estar de volta ao Mapa da Fome das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (<a href="#fig1">Figura 1</a>)?</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a15fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Similares a quase tudo que envolve as ci&ecirc;ncias sociais, as respostas para essa quest&atilde;o s&atilde;o variadas. H&aacute; quem insista, por exemplo, que o pa&iacute;s est&aacute; acometido por uma variante mais resistente da "Doen&ccedil;a Holandesa" &#91;7&#93;, o que pressup&otilde;em a exist&ecirc;ncia de um problema estrutural de longo prazo. Outros preferem destacar os efeitos contextuais da crise econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e sanit&aacute;ria (Covid-19), o que geralmente implica em uma vis&atilde;o mais otimista sobre o futuro &#91;8&#93;. Sem desconsiderar ambas as possibilidades, interessa neste artigo ressaltar o fato de que as institui&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m projetado solu&ccedil;&otilde;es ineficazes para o problema da fome tamb&eacute;m ditam os rumos da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica e seus usos para fins tecnol&oacute;gicos (tornando-a "aplicada"). Por institui&ccedil;&otilde;es, compreendemos o conjunto de regras, valores e conven&ccedil;&otilde;es que organizam e d&atilde;o sentido &agrave;s pr&aacute;ticas dos atores e organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Dentre essas institui&ccedil;&otilde;es, est&aacute; a pr&oacute;pria imagem do "agro" como um projeto para as sociedades latino-americanas &#91;9&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Como pode o terceiro maior produtor de alimentos do mundo (atr&aacute;s apenas de Estados Unidos e China), segundo maior exportador em volume total, que comercializa para 180 pa&iacute;ses, e diz ser respons&aacute;vel por alimentar um bilh&atilde;o de pessoas no mundo, estar de volta ao Mapa da Fome das Na&ccedil;&otilde;es Unidas?"</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desvirtua&ccedil;&atilde;o ou escolhas institucionais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; comum nos depararmos com a ideia de que a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica sofre pela desvirtua&ccedil;&atilde;o dos seus objetivos iniciais. Tal ideia pode ser inclusive conveniente para muitos cientistas que n&atilde;o ter&atilde;o a mesma oportunidade que teve Robert Oppenheimer para pronunciar suas mais c&eacute;lebres palavras: <i>"We knew the world would not be the same. A few people laughed, a few people cried, most people were silent. &#91;...&#93; Now, I am become Death, the destroyer of worlds"</i> ("N&oacute;s sab&iacute;amos que o mundo n&atilde;o seria o mesmo. Algumas pessoas riram, outras pessoas choraram, a maioria ficou em sil&ecirc;ncio. &#91;. . . &#93; Agora, eu me tornei a morte, o destruidor de mundos"). Mas ela n&atilde;o se sustenta quando, por exemplo, lembramos que o objetivo inicial do 2,4-D, um herbicida altamente t&oacute;xico e de amplo uso na produ&ccedil;&atilde;o de soja, era servir de arma qu&iacute;mica (o famoso Agente Laranja) na Guerra do Vietn&atilde;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quase um s&eacute;culo depois do Projeto Manhattan mudar dramaticamente o curso da hist&oacute;ria, o Ano Internacional das Ci&ecirc;ncias B&aacute;sicas para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel pretende ser "um momento chave de mobiliza&ccedil;&atilde;o para convencer os l&iacute;deres econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos, bem como todos os cidad&atilde;os, da import&acirc;ncia de levar em conta e dominar as ci&ecirc;ncias b&aacute;sicas para garantir um desenvolvimento equilibrado, sustent&aacute;vel e inclusivo do planeta". &Eacute; importante notar que este des&iacute;gnio estabelece uma nova rota: ao inv&eacute;s da guerra, os Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) que, conjuntamente, tornaram-se a principal orienta&ccedil;&atilde;o institucional para a a&ccedil;&atilde;o de governos, empresas, movimentos sociais e qui&ccedil;&aacute; tamb&eacute;m dos cientistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o, no entanto, &eacute; como articular a pesquisa b&aacute;sica aos 17 objetivos e 169 metas globais da Agenda 2030. Em primeiro lugar, &eacute; preciso ter em mente a imprescind&iacute;vel integra&ccedil;&atilde;o desses objetivos e metas, de tal modo que as a&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o de um(a) n&atilde;o incorram no comprometimento de outros(as). E aqui reside um dos principais dilemas na nova equa&ccedil;&atilde;o alimentar: a ci&ecirc;ncia (b&aacute;sica ou aplicada) precisar&aacute; contribuir n&atilde;o apenas para suplantar o esc&aacute;rnio da fome, mas tamb&eacute;m para que isso se d&ecirc; a partir da promo&ccedil;&atilde;o de sistemas alimentares sustent&aacute;veis, saud&aacute;veis e justos. Com isso, as antigas respostas concebidas pela Revolu&ccedil;&atilde;o Verde j&aacute; n&atilde;o podem ser repetidas, seja porque elas agravaram a crise ecol&oacute;gica (eros&atilde;o da biodiversidade, por exemplo) &#91;10&#93;, seja porque elas promoveram problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica que, em alguns contextos, tornaram-se mais mortais do que a pr&oacute;pria fome &#91;11&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A sindemia global</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2019, antes da maioria de n&oacute;s ouvirmos a express&atilde;o pandemia pela primeira vez, a Comiss&atilde;o Lancet publicou um importante relat&oacute;rio sobre a gravidade de uma "sindemia global" que associa subnutri&ccedil;&atilde;o, obesidade e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &#91;11&#93;. Essa crise tem revelado efeitos devastadores, especialmente nos pa&iacute;ses mais pobres. Em 2015, o excesso de peso corporal afetava mais de dois bilh&otilde;es de pessoas no mundo e era respons&aacute;vel por, aproximadamente, quatro milh&otilde;es de mortes por ano. Os custos econ&ocirc;micos da obesidade representavam aproximadamente 2,8% do PIB mundial &#91;11&#93;. Uma das estimativas mais conservadoras, publicadas no Atlas Global da Obesidade de 2022 sugere que, em 2030, um bilh&atilde;o de pessoas estar&aacute; com obesidade, o que implica que o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos nessa condi&ccedil;&atilde;o duplicar&aacute; em 20 anos. Segundo esse estudo, enquanto nas Am&eacute;ricas a taxa de expans&atilde;o deve ser de 1,5, entre 2010 e 2030, na &Aacute;frica o n&uacute;mero deve triplicar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bilh&otilde;es de d&oacute;lares t&ecirc;m sido gastos anualmente para financiar pesquisas que pretendem provar que as mortes ocasionadas por doen&ccedil;as cardiovasculares, diabetes tipo 2 e certos c&acirc;nceres n&atilde;o est&atilde;o associadas &agrave; dieta alimentar, ao uso de agrot&oacute;xicos ou ao consumo de alimentos ultraprocessados, mas ao estilo de vida sedent&aacute;rio dos consumidores &#91;12&#93;. Com um <i>modus operandi</i> similar aos negacionismos que marcaram as narrativas contra a Covid-19, a a&ccedil;&atilde;o desses "mercadores da d&uacute;vida" na guerra contra a regulamenta&ccedil;&atilde;o de determinados mercados (alimentos, tabaco, bebidas, agrot&oacute;xicos) tem sido um dos principais problemas para avan&ccedil;ar em pol&iacute;ticas alimentares que promovam sa&uacute;de, sustentabilidade e justi&ccedil;a alimentar.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A ci&ecirc;ncia (b&aacute;sica ou aplicada) precisar&aacute; contribuir n&atilde;o apenas para suplantar o esc&aacute;rnio da fome, mas tamb&eacute;m para que isso se d&ecirc; a partir da promo&ccedil;&atilde;o de sistemas alimentares sustent&aacute;veis, saud&aacute;veis e justos."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos focos de embate s&atilde;o os Guias Alimentares, documentos que orientam a a&ccedil;&atilde;o do Estado na regula&ccedil;&atilde;o do setor e na execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Nos Estados Unidos, em 2019, 933 relat&oacute;rios foram produzidos para embasar o <i>lobby</i> da ind&uacute;stria alimentar. Em 2015, quando o Departamento de Agricultura (USDA) estava discutindo o Guia Alimentar 2015-2020, 1.176 relat&oacute;rios foram financiados por empresas como PepsiCo, Coca-Cola, Monsanto, Nestle e McDonald's &#91;13&#93;. O modo como o dinheiro, o poder e a pol&iacute;tica influenciam o debate americano se revela em um Guia Alimentar que, por exemplo, condena o consumo excessivo de a&ccedil;&uacute;cares e s&oacute;dio, mas n&atilde;o faz qualquer refer&ecirc;ncia ao tipo de alimento que &eacute; a principal fonte desses ingredientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, as corpora&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m buscaram desacreditar o Guia Alimentar atacando principalmente o conceito de alimento ultraprocessado &#91;14&#93;. Em 2020, tal ofensiva ganhou o Minist&eacute;rio da Agricultura como um aliado de primeira ordem, notadamente quando o Departamento de An&aacute;lises Econ&ocirc;micas e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (DAEP) publicou a Nota T&eacute;cnica n. 42, questionando a legitimidade do Guia, afirmando que ele &eacute; confuso e incoerente, a tal ponto de defini-lo como "um dos piores do mundo". Essa posi&ccedil;&atilde;o foi prontamente recha&ccedil;ada pelos pesquisadores que participaram da constru&ccedil;&atilde;o do Guia. Desde ent&atilde;o, in&uacute;meros estudos t&ecirc;m ratificado os efeitos prejudiciais &agrave; sa&uacute;de das dietas baseadas em alimentos ultraprocessados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrat&eacute;gia de curto prazo das corpora&ccedil;&otilde;es agroalimentares j&aacute; est&aacute; desenhada. Al&eacute;m de contratar estudos que usam metodologias question&aacute;veis para tentar desacreditar as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas &#91;15&#93;, elas t&ecirc;m se engajado no financiamento de congressos acad&ecirc;micos e importantes f&oacute;runs internacionais, tais como a Confer&ecirc;ncia do Clima (COP 27), realizada em 2022, e a C&uacute;pula dos Sistemas Alimentares das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em 2021. Nesse caso, ao inv&eacute;s do negacionismo que questiona as pesquisas e a comunidade internacional, o objetivo &eacute; assegurar que o referencial utilizado para tratar dos problemas alimentares (e clim&aacute;ticos) seja compat&iacute;vel com suas estrat&eacute;gias comerciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No longo prazo, por sua vez, as estrat&eacute;gias corporativas voltam-se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de tecnologias que prometem revolucionar o modo como nos alimentamos. A produ&ccedil;&atilde;o de carnes sint&eacute;ticas talvez seja a principal express&atilde;o de como grandes corpora&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria alimentar concebem solu&ccedil;&otilde;es para a sindemia global &#91;16&#93;. Em tese, tais produtos seriam capazes de reduzir drasticamente o desmatamento e a emiss&atilde;o de gases de efeito estufa, melhorar o padr&atilde;o nutricional das dietas e acabar com a subnutri&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de garantir o bem-estar animal, uma agenda que vem ganhando for&ccedil;a nos debates alimentares em virtude da a&ccedil;&atilde;o de movimentos antiespecistas. Essa imagem projetada sobre o futuro (um componente central das institui&ccedil;&otilde;es) est&aacute; no centro da disputa sobre a pr&oacute;pria ideia do que &eacute; um sistema alimentar saud&aacute;vel e sustent&aacute;vel (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a15fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contra essa imagem, em outro lugar do espectro pol&iacute;tico desse embate, movimentos sociais que se articulam, por exemplo, em torno dos princ&iacute;pios da agroecologia e da seguran&ccedil;a e soberania alimentar e nutricional oferecem outra perspectiva de saudabilidade e sustentabilidade. Esses movimentos t&ecirc;m pressionado de maneira contundente para que as pol&iacute;ticas alimentares respondam de maneira sist&ecirc;mica &agrave; sindemia global. Al&eacute;m disso, eles tamb&eacute;m s&atilde;o os principais respons&aacute;veis por incorporar uma dimens&atilde;o de justi&ccedil;a alimentar, denunciando que a crise tem origem n&atilde;o apenas nas escolhas alimentares dos consumidores, mas nos fatores estruturais que reproduzem m&uacute;ltiplas desigualdades no acesso a alimentos saud&aacute;veis e sustent&aacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, ci&ecirc;ncia b&aacute;sica e pol&iacute;tica cient&iacute;fica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o de sistemas alimentares sustent&aacute;veis, saud&aacute;veis e justos depende, embora n&atilde;o exclusivamente, de pol&iacute;ticas que induzam uma grande variedade de atores a se engajarem na constru&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas. Mudan&ccedil;as na regulamenta&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria alimentar, na estrutura de incentivos fiscais para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, e na legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista que, atualmente, favorece o trabalho precarizado no segmento de <i>deliveries</i>, s&atilde;o algumas das in&uacute;meras medidas j&aacute; sugeridas &#91;17&#93;. Mesmo assim, transforma&ccedil;&otilde;es mais substanciais <i>"to fix a broken food system"</i> &#91;18&#93;<sup> </sup>tamb&eacute;m depender&atilde;o da indu&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas adequadas aos objetivos do desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa quest&atilde;o tem sido objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o dos formuladores de pol&iacute;ticas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas, os quais, em geral, tendem a favorecer a pesquisa aplicada. Por mais que, como destacado anteriormente, esta dependa da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, os editais de apoio &agrave; pesquisa recorrentemente reproduzem a cis&atilde;o. Pressionados por eleitores, acionistas ou militantes, governos, empresas ou movimentos sociais refor&ccedil;am a cobran&ccedil;a pela aplicabilidade direta do conhecimento. Assim, em um contexto de crise econ&ocirc;mica, os parcos recursos para a pesquisa tendem a se voltar para os projetos que prometem resultados imediatos (vide os formul&aacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o utilizados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico &#91;CNPq&#93; nos &uacute;ltimos anos), ainda que eles geralmente ofere&ccedil;am respostas insuficientes para a complexidade da nova equa&ccedil;&atilde;o alimentar. O problema &eacute; que, sem o potencial disruptivo das descobertas geradas pela ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, a pesquisa aplicada tende a reproduzir respostas com varia&ccedil;&otilde;es incrementais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No setor alimentar, um n&uacute;mero reduzido de grandes empreendimentos cient&iacute;ficos, capitaneados por conglomerados transnacionais com ou sem apoio dos governos de pa&iacute;ses ricos, tem estado &agrave; frente das inova&ccedil;&otilde;es que prometem revolucionar o sistema. Esse &eacute; o caso dos investimentos no desenvolvimento de prote&iacute;nas alternativas &#91;16,19&#93;. Em junho de 2023, a JBS, maior produtora de carne do mundo, anunciou a constru&ccedil;&atilde;o da primeira f&aacute;brica em escala comercial de carne cultivada, na qual pretende produzir anualmente mais de mil toneladas. A tecnologia utilizada foi gerada pela <i>BioTech Foods</i>, uma empresa espanhola que tem entre os fundadores a PhD em f&iacute;sica de materiais Mercedes Vila Ju&aacute;rez, uma das maiores especialistas em materiais para biomedicina e vencedora, em 2010, do pr&ecirc;mio L'Or&eacute;al-Unesco para Mulheres na Ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em face das in&uacute;meras d&uacute;vidas e questionamentos acerca da viabilidade e dos efeitos dessa tecnologia, ainda &eacute; cedo para afirmar se ela trar&aacute; uma resposta efetiva para a sindemia global. No entanto, tendo em vista os atores capitaneando tais iniciativas, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil imaginar que elas ter&atilde;o um resultado limitado em termos de justi&ccedil;a alimentar. Seus principais propagadores, a exemplo do <i>Good Food Institute</i> no caso da carne cultivada, asseguram que tal justi&ccedil;a ser&aacute; alcan&ccedil;ada &agrave; medida que os avan&ccedil;os cient&iacute;ficos permitirem cultivo em larga escala e pre&ccedil;os competitivos. No entanto, esse argumento apenas reproduz a mesma ladainha que h&aacute; d&eacute;cadas sustenta as j&aacute; senis pol&iacute;ticas de moderniza&ccedil;&atilde;o da agricultura, as mesmas que tornaram o Brasil o maior produtor mundial de soja, mantendo-o no Mapa da Fome. Sem uma nova governan&ccedil;a democr&aacute;tica do sistema alimentar, o controle oligopolista dessas inova&ccedil;&otilde;es provavelmente acentuar&aacute; a depend&ecirc;ncia das na&ccedil;&otilde;es, a inseguran&ccedil;a alimentar das popula&ccedil;&otilde;es e os conflitos geopol&iacute;ticos globais.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"O direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada &eacute; demasiadamente importante para deix&aacute;lo nas m&atilde;os de algumas poucas corpora&ccedil;&otilde;es privadas, financiadas por capitais financeiros e atuando com inova&ccedil;&otilde;es de alto risco."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ademais, caso n&atilde;o se confirmem os futuros imaginados por novos empreendimentos, quais op&ccedil;&otilde;es ainda estar&atilde;o na mesa dos governos, empresas, agricultores e consumidores? O direito humano &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o adequada &eacute; demasiadamente importante para deix&aacute;-lo nas m&atilde;os de algumas poucas corpora&ccedil;&otilde;es privadas, financiadas por capitais financeiros e atuando com inova&ccedil;&otilde;es de alto risco. Em face disso, al&eacute;m de reconhecer a import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, &eacute; urgente criar mecanismos institucionais (fundos p&uacute;blicos e privados, centros interdisciplinares, parcerias interinstitucionais, coopera&ccedil;&otilde;es internacionais) que viabilizem pesquisas com potencial disruptivo e orientadas para os desafios do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Governos e sociedades ter&atilde;o de decidir, por exemplo, se continuar&atilde;o com suas pol&iacute;ticas de benef&iacute;cios fiscais para a venda de agrot&oacute;xicos e refrigerantes, ou se v&atilde;o taxar esses produtos para desincentivar o consumo e angariar recursos para promover uma efetiva transi&ccedil;&atilde;o para a sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, permanece aberta a quest&atilde;o de como orientar a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica para determinados objetivos. Em geral, os cientistas s&atilde;o c&eacute;ticos com a ideia de que o governo definir&aacute; o escopo das suas pesquisas - e a hist&oacute;ria de Robert Oppenheimer sugere que eles t&ecirc;m toda raz&atilde;o para s&ecirc;-lo. Por isso, tamb&eacute;m &eacute; fundamental fortalecer as inst&acirc;ncias colegiadas e interinstitucionais que deliberam sobre os rumos da pesquisa. O que n&atilde;o pode &eacute; um pa&iacute;s como o Brasil estar desde 2020 sem um Plano Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o que oriente a pesquisa e a forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores. Uma das quest&otilde;es que precisa ser contemplada por esse tipo de plano diz respeito &agrave; interlocu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas entre diferentes &aacute;reas do conhecimento, mas entre ci&ecirc;ncias b&aacute;sicas e aplicadas. Ao inv&eacute;s de refor&ccedil;ar uma cis&atilde;o, os exemplos mencionados acima sugerem que o potencial transformativo das inova&ccedil;&otilde;es pode ser maior quando os/as cientistas articulam pesquisas b&aacute;sicas e aplicadas. Para os mais jovens, que talvez n&atilde;o tenham conhecido o Projeto Manhattan, a quest&atilde;o &eacute; sobre a possibilidade de fazer Sheldon Cooper e Howard Wolowitz trabalharem no mesmo projeto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. MELLOR, J. W.; JOHNSTON, B. F. The world food equation: interrelations among development, employment, and food consumption. <i>Journal of Economic Literature</i>, v. 22, n. 2, 1984.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. MORGAN, K.; SONNINO, R. The urban foodscape: world cities and the new food equation. <i>Cambridge Journal of Regions, Economy and Society</i>, v. 3, n. 2, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. SILVA, J. L.; TUNDISI, J. G. <i>Projeto de Ci&ecirc;ncia para o Brasil</i>. Rio de Janeiro (RJ): Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. PATEL, R. The long Green Revolution. <i>Journal of Peasant Studies</i>, v. 40, n. 1, 2013.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. CARSON, R. <i>Silent spring</i>. Boston (MA): Houghton Mifflin, 1962.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. REDE PENSSAN. <i>II Inqu&eacute;rito Nacional sobre Inseguran&ccedil;a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert/Rede Penssan, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. BRESSER-PEREIRA, L. C. Tarifas de importa&ccedil;&atilde;o: o argumento da neutraliza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a holandesa. <i>Brazilian Journal of Political Economy</i>, v. 43, n. 1, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. S&Aacute;, C. D.; SOENDERGAARD<i>, </i>N.; TRIGO, J. S.; JANK, M. S. <i>Impactos da Covid-19 no agroneg&oacute;cio e o papel do Brasil. </i> S&atilde;o Paulo (SP): Insper, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. GERHARDT, C. Da Sociedade do Agroneg&oacute;cio &agrave; Cosmologia Agro: subjetiva&ccedil;&atilde;o e conquista de novos territ&oacute;rios. <i>Contempor&acirc;nea</i>, v. 11, n. 3, 2021.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. WAGNER, D. L.; GRAMES, E. M.; FORISTER, M. L.; BERENBAUM, M. R.; STOPAK, D. Insect decline in the Anthropocene: death by a thousand cuts. <i>Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America</i>, v. 118, n. 2, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. SWINBURN, B. A.; KRAAK, V. I.; ALLENDER, S.; ATKINS, V. J.; BAKER, P. I.; BOGARD, J. R. <i>et al. </i> The global syndemic of obesity, undernutrition, and climate change: the Lancet Commission report. <i>The Lancet</i>, v. 393, n. 10173, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. BARLOW, P.; SER&Ocirc;DIO, P.; RUSKIN, G.; MCKEE, M.; STUCKLER, D. Science organisations and Coca-Cola's 'war' with the public health community: insights from an internal industry document. <i>Journal of Epidemiology and Community Health</i>, v. 72, n. 9, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. KARLAN-MASON, G.; SHI, R. The food pyramid &amp; how money influences USDA Dietary Guidelines. <i>The Green Choice</i>, 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.greenchoicenow.com/v/food-pyramid-usda-dietary-guidelines" target="_blank">https://www.greenchoicenow.com/v/food-pyramid-usda-dietary-guidelines</a>. Acesso em: 7 jan. 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. LOUZADA, M. L. C.; CRUZ, G. L.; SILVA, K. A. A. N.; GRASSI, A. G. F.; ANDRADE, G. C.; RAUBER, F. <i>et al</i>. Consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil: distribui&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o temporal 2008-2018. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>, S&atilde;o Paulo, v. 57, 2023.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. BES-RASTROLLO, M.; SCHULZE, M. B.; RUIZ-CANELA, M.; MARTINEZ-GONZALEZ, M. A. Financial Conflicts of Interest and Reporting Bias Regarding the Association between Sugar-Sweetened Beverages and Weight Gain: A Systematic Review of Systematic Reviews. <i>PLOS Medicine</i>, v. 10, n. 12, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. WILKINSON, J. <i>O mundo dos alimentos em transforma&ccedil;&atilde;o</i>. Curitiba (PR): Appris, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. NIEDERLE, P. <i>Pol&iacute;ticas alimentares integradas e a constru&ccedil;&atilde;o de sistemas alimentares saud&aacute;veis, sustent&aacute;veis e justos. </i> Porto Alegre (RS): Sopas/Ibirapitanga, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. SCHMIDT-TRAUB, G.; OBERSTEINER, M.; MOSNIER, A. Fix the broken food system in three steps. <i>Nature</i>, v. 569, n. 7755, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. ABRAMOVAY, R. Desafios para o sistema alimentar global. <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 73, n. 1, 2021.    </font></p>     ]]></body>
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