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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Integração latino-americana e democracia: a união da América Latina em um momento de turbulências e crises é um desafio, mas também uma solução]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Integra&ccedil;&atilde;o latino-americana e democracia: a uni&atilde;o da Am&eacute;rica Latina em um momento de turbul&ecirc;ncias e crises &eacute; um desafio, mas tamb&eacute;m uma solu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Jos&eacute; Vicente Tavares-dos-Santos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Professor do Departamento de Sociologia, aposentado; professor dos Programas de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Seguran&ccedil;a Cidad&atilde;, Sociologia e de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas da UFRGS, pesquisador do CNPq e editor deste n&uacute;mero da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A abordagem do tema &ldquo;Integra&ccedil;&atilde;o Latino-Americana e Democracia&rdquo; ser&aacute; realizada de um modo multidisciplinar, envolvendo as dimens&otilde;es ecol&oacute;gicas, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas, cient&iacute;ficas e culturais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Poder&iacute;amos denominar nosso tempo de &ldquo;A Era da Mundializa&ccedil;&atilde;o de Conflitualidades&rdquo;, marcada pelo crescimento da produ&ccedil;&atilde;o industrial, o avan&ccedil;o do capital financeiro, o aumento das migra&ccedil;&otilde;es internacionais, a p&oacute;s-modernidade como forma cultural, a revolu&ccedil;&atilde;o das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, a crise do meio ambiente e a crise social mundial. Desde os anos de 1990, novos dilemas e problemas sociais emergem no horizonte planet&aacute;rio, configurando novas quest&otilde;es sociais mundiais que se manifestam, de forma articulada e an&aacute;loga, mas com distintas especificidades, nas diferentes sociedades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A l&oacute;gica cultural dessa era de modernidade tardia, marcada pela inseguran&ccedil;a, rep&otilde;e a alteridade cultural, pois o culto da liberdade individual e o desdobramento da personalidade passam ao centro das preocupa&ccedil;&otilde;es. Entretanto, rompe-se a consci&ecirc;ncia coletiva da integra&ccedil;&atilde;o social. Vivemos uma situa&ccedil;&atilde;o de incerteza fabricada, na qual h&aacute; uma press&atilde;o cont&iacute;nua para desmantelar as garantias socialmente constru&iacute;das. Trata-se de uma ruptura do contrato social e dos la&ccedil;os sociais, provocando fen&ocirc;menos de desfilia&ccedil;&atilde;o e de ruptura nas rela&ccedil;&otilde;es de alteridade, dilacerando o v&iacute;nculo entre o eu e o outro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Partimos de um contexto de incerteza mundial, em sistemas pol&iacute;ticos complexos. Destaca Alfredo Pe&ntilde;a-Vega (EHESS, Paris), em &ldquo;<i>Welcome</i> &agrave; era da incerteza: uma reflex&atilde;o antropol&iacute;tica sobre um futuro global&rdquo;:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;Encontramo-nos num ponto de viragem decisivo na forma como entendemos e concebemos o nosso destino comum. As policrises globais est&atilde;o a convergir, mas a sua simultaneidade n&atilde;o &eacute; o resultado de uma infeliz coincid&ecirc;ncia. S&atilde;o semelhantes a todas as outras que marcaram a história. Mas h&aacute; uma diferen&ccedil;a, na medida em que esta &eacute; a primeira policrise verdadeiramente global do nosso s&eacute;culo. A hipótese central deste artigo &eacute; que as incertezas que surgiram na sequ&ecirc;ncia da convuls&atilde;o planet&aacute;ria da pandemia, da escalada da crise clim&aacute;tica e do ressurgimento da guerra no cora&ccedil;&atilde;o da Europa s&atilde;o extremamente abrangentes, mas ao mesmo tempo inesperadas e prescientes. Inesperado, porque, por um lado, revela a necessidade de integrar a d&uacute;vida e o erro e a multidimensionalidade dos fenómenos no nosso modo de pensar, que deve ser o sino quo non da investiga&ccedil;&atilde;o, do exame e da reflex&atilde;o&quot;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Iniciamos pela an&aacute;lise da integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina em uma perspectiva econ&ocirc;mica. Seria a UNASUL, desde 2007, &ldquo;uma alternativa econ&ocirc;mica vi&aacute;vel para que os pa&iacute;ses sul-americanos, ao se integrarem regionalmente, tenham estabilidade macroecon&ocirc;mica e desenvolvimento econ&ocirc;mico e social?&rdquo;, indaga Fernando Ferrari Filho (UFRGS):</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;A integra&ccedil;&atilde;o &eacute; uma etapa de agrega&ccedil;&atilde;o de interesses que leva à forma&ccedil;&atilde;o de ‘blocos econ&ocirc;micos’, que, por sua vez, v&atilde;o de zona de livre com&eacute;rcio à uni&atilde;o aduaneira, ao mercado comum e, finalmente, à uni&atilde;o econ&ocirc;mica e monet&aacute;ria. Neste sentido, o Mercosul &eacute; um processo, por exemplo. Outrossim, a estrat&eacute;gia de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica deve estar aliada a mecanismos de realiza&ccedil;&atilde;o da democracia, para gerar uma sociedade pluralista e participante. Do ponto de vista pol&iacute;tico, a regi&atilde;o convive entre formalismos eleitorais e profundas clivagens ideológicas, que provocam uma consistente m&aacute; qualidade da democracia.&quot;</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Permanecem, entretanto, os dilemas do espa&ccedil;o pol&iacute;tico na Am&eacute;rica Latina, salienta Ben&iacute;cio Schmidt (UnB), em seu texto &ldquo;Am&eacute;rica Latina: integra&ccedil;&atilde;o e democracia&rdquo;:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;A legitima&ccedil;&atilde;o dos regimes democr&aacute;ticos tamb&eacute;m abarca a exist&ecirc;ncia necess&aacute;ria de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de prote&ccedil;&atilde;o social, de formas previstas de participa&ccedil;&atilde;o popular para garantir a cidadania, e assim por diante. Tudo isso exige a conformidade com a contemporaneidade mundial, que tem destacado a emerg&ecirc;ncia de novos processos de forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, com os usos de redes sociais, campanhas pol&iacute;ticas com apelo à psicologia comportamental, uso de intelig&ecirc;ncia artificial partindo de dados publicamente dispon&iacute;veis sobre perfis dos cidad&atilde;os e de grupos, e outros recursos dispon&iacute;veis pelo acervo das ci&ecirc;ncias sociais contempor&acirc;neas&quot;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Lembra o autor que, em um contexto marcado tamb&eacute;m pelo ressurgimento de ideologias caracterizadas por ades&atilde;o &agrave; xenofobia, misoginia e outras virtualidades, realizar a democracia em conson&acirc;ncia com pol&iacute;ticas de desenvolvimento econ&ocirc;mico continua sendo um desafio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A coopera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regional ressurge na reportagem de Bianca Bosso, pois mesmo com o avan&ccedil;o de regimes democr&aacute;ticos na Am&eacute;rica-Latina, a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos pa&iacute;ses ainda se mostra como um dos dilemas a serem superados. Acresce-se a quest&atilde;o crucial do desenvolvimento sustent&aacute;vel, explica a mat&eacute;ria de Mariana Hafiz: a necessidade de implementar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para seguran&ccedil;a alimentar e nutricional, o combate ao desmatamento ilegal e a conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico da floresta. Tamb&eacute;m se destacou a import&acirc;ncia de incluir os povos origin&aacute;rios em todos os debates, envolvendo o desenvolvimento sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia nos pr&oacute;ximos anos, incluindo mulheres e amaz&ocirc;nidas urbanos. Cita o projeto de Alfredo Wagner (UFMA) que trata de garantir o desenvolvimento sustent&aacute;vel e levantar a&ccedil;&otilde;es para combater mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, criando condi&ccedil;&otilde;es para os povos que habitam a regi&atilde;o promoverem as suas pr&oacute;prias formas de prote&ccedil;&atilde;o e defesa dos territ&oacute;rios, e de &aacute;reas preservadas, incluindo as terras e os rios da regi&atilde;o.&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;Vivemos uma situa&ccedil;&atilde;o de incerteza fabricada, na qual h&aacute; uma press&atilde;o cont&iacute;nua para desmantelar as garantias socialmente constru&iacute;das.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Era da Mundializa&ccedil;&atilde;o de Conflitualidades e das incertezas rep&otilde;e a literatura e a arte como reflex&otilde;es sobre a sociedade, a ci&ecirc;ncia e a pol&iacute;tica. Na Am&eacute;rica Latina, desde o s&eacute;culo XVI, sucederam-se tr&ecirc;s modos de representa&ccedil;&atilde;o: o discurso da abund&acirc;ncia, o discurso da car&ecirc;ncia e da viol&ecirc;ncia e o discurso do futuro virtual &#91;1&#93;. Neste s&eacute;culo XXI, ainda que os outros persistam, assoma-se a forma da viol&ecirc;ncia &#91;2&#93;: as metamorfoses do romance hist&oacute;rico, do romance testemunho, do romance policial ou do romance da viol&ecirc;ncia v&ecirc;m a expressar tais figura&ccedil;&otilde;es e hibridismos &#91;3&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;Em um contexto marcado tamb&eacute;m pelo ressurgimento de ideologias caracterizadas por ades&atilde;o à xenofobia, misoginia e outras virtualidades, realizar a democracia em conson&acirc;ncia com pol&iacute;ticas de desenvolvimento econ&ocirc;mico continua sendo um desafio.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Escreve Enio Passiani (UFRGS), em &ldquo;Mem&oacute;ria, trauma e ditadura no Brasil: a literatura testemunhal de Renato Tapaj&oacute;s&rdquo;, que a viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica exige a restaura&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria contra a indiferen&ccedil;a:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;Tal pol&iacute;tica da memória, por conseguinte, mant&eacute;m abertas feridas traum&aacute;ticas e instala um luto insuper&aacute;vel, contribuindo para que o passado n&atilde;o passe, comprometendo o nosso futuro, mesmo quando essa pol&iacute;tica &eacute; invocada em nome da concilia&ccedil;&atilde;o e da supera&ccedil;&atilde;o em prol da transi&ccedil;&atilde;o (supostamente) harm&ocirc;nica e saud&aacute;vel dos regimes autorit&aacute;rios para os democr&aacute;ticos&quot;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Precisa o objeto de seu estudo:</font> </p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;O romance testemunhal, como &eacute; o caso do livro de Renato Tapajós, n&atilde;o deixa de representar uma esp&eacute;cie de trabalho coletivo de elabora&ccedil;&atilde;o do passado traum&aacute;tico uma vez que permite e amplia a circula&ccedil;&atilde;o social de um conjunto de experi&ecirc;ncia dolorosas vividas individualmente, mas que s&atilde;o o produto de condi&ccedil;&otilde;es sociais e históricas que ressoam coletivamente, possibilitando o reconhecimento da dor alheia&quot;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tamb&eacute;m o estudo das mem&oacute;rias e das trajet&oacute;rias de mulheres exiladas da Am&eacute;rica Latina e do Cone Sul, no per&iacute;odo ditatorial das d&eacute;cadas de 1970 e 1980, exige uma abordagem das pr&aacute;ticas repressivas estatais e paraestatais, bem como recordar as trajet&oacute;rias ideol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O texto de N&iacute;lia Viscardi (UDELAR, Uruguay), em &ldquo;<i><b>Exilios y resistencias de militantes uruguayas: arte, cuerpo y g&eacute;nero a 50 a&ntilde;os del golpe de estado</b></i>&rdquo; evoca a mem&oacute;ria de uma dan&ccedil;arina, Ema Haberli, expressando uma combinat&oacute;ria corpo-solidariedade-trabalho-dan&ccedil;a contempor&acirc;nea e milit&acirc;ncia ecol&oacute;gica:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;A revis&atilde;o das biografias de mulheres no ex&iacute;lio centra-se nas diferen&ccedil;as a partir de uma perspectiva de g&ecirc;nero para compreender a memória e reconstruir a própria história oral. A forma como o ex&iacute;lio &eacute; percebido e como se d&aacute; a resposta às situa&ccedil;&otilde;es de vida que nele surgem mostram diferen&ccedil;as entre homens e mulheres expressas nos problemas de vida que s&atilde;o abordados nas biografias&quot;.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Afinal, trata-se de reconhecer heran&ccedil;as, sofridas e afetuosas, a palmar o futuro, nos versos da cientista poeta &Acirc;ngela Wyse, neurocientista (UFRGS):</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>&quot;Ou&ccedil;o algu&eacute;m pisando o ch&atilde;o</i></font></p>       <p><i><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Vejo marcas positivas deixadas no</font></i></p>       <p><i><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Caminho de quem muito andou</font></i></p>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i>E passos na terra deixada por quem plantou&quot;</i> &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No plano das virtualidades futuras, as lutas sociais, os sindicatos e os movimentos sociais tra&ccedil;am, juntamente com segmentos da intelectualidade universit&aacute;ria, uma agenda pol&iacute;tica para o aprofundamento da democracia na Am&eacute;rica Latina.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As for&ccedil;as democr&aacute;ticas defendem o papel central das universidades na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, ci&ecirc;ncia e tecnologia, seja nos processos de fabrica&ccedil;&atilde;o ou nas tecnologias sociais e, em particular, na constru&ccedil;&atilde;o da cidadania. Inclusive, ressaltam o papel fundamental das associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas &ndash; como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) &ndash; nessa empreitada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Da mesma forma, h&aacute; necessidade de se garantir o financiamento adequado das universidades p&uacute;blicas e dos sistemas de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, inclusive para propiciar aos jovens uma presen&ccedil;a relevante no futuro da sociedade. Acelera-se, ainda, a combina&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de democracia representativa com a democracia participativa (e o or&ccedil;amento participativo), assim como a democracia deliberativa (em conselhos, por exemplo) &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Foi poss&iacute;vel, ent&atilde;o, formular uma agenda para a democratiza&ccedil;&atilde;o profunda das sociedades da Am&eacute;rica Latina, para al&eacute;m das especificidades nacionais &#91;6&#93;:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;H&aacute; necessidade de se garantir o financiamento adequado das universidades p&uacute;blicas e dos sistemas de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, inclusive para propiciar aos jovens uma presen&ccedil;a relevante no futuro da sociedade.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Implementar um marco legal para a ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Revitalizar o ensino secund&aacute;rio, combinando a cultura humanista com a educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Garantir o papel central das universidades na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, ci&ecirc;ncias, produ&ccedil;&atilde;o e tecnologias; em particular, na constru&ccedil;&atilde;o da cidadania. Portanto, o retomar do financiamento adequado das universidades p&uacute;blicas e dos sistemas de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, inclusive para proporcionar aos jovens papel relevante no futuro da sociedade;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Efetivar uma s&eacute;rie de medidas contra a exclus&atilde;o social e o desemprego, com a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e o aumento real dos sal&aacute;rios-m&iacute;nimos, acentuando a expans&atilde;o do empreendedorismo, a participa&ccedil;&atilde;o da mulher e a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda, a fim de ampliar a inclus&atilde;o social;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Disseminar a inclus&atilde;o digital em todos os espa&ccedil;os sociais;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Garantir do Estado Democr&aacute;tico de Direito;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Combinar as formas da democracia representativa com as formas da democracia participativa e deliberativa;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Retomar o crescimento econ&oacute;mico, com a afirma&ccedil;&atilde;o da Quarta Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, a economia digital, o fortalecimento da produ&ccedil;&atilde;o industrial e do setor dos servi&ccedil;os, e a expans&atilde;o das micro e m&eacute;dias empresas;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Expandir a Reforma Agr&aacute;ria ampla e geral e assegurar um papel relevante aos produtores familiares;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Afirmar o modo de produ&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a cidad&atilde;, como possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o das viol&ecirc;ncias e da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Garantir os territ&oacute;rios, a economia e a cultura dos povos origin&aacute;rios;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Preservar o meio ambiente e o desenvolvimento sustent&aacute;vel;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Assegurar a produ&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural, da democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e da valoriza&ccedil;&atilde;o da multiplicidade de conhecimentos, em um di&aacute;logo cr&iacute;tico entre o senso comum, os pontos de vista tradicionais e o conhecimento cient&iacute;fico, reafirmando o hibridismo como contribui&ccedil;&atilde;o universal;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Reconhecer a diferen&ccedil;a, afirmando os direitos humanos coletivos, garantindo os direitos das mulheres, reconhecendo a juventude, e promovendo a diversidade &eacute;tnica e as a&ccedil;&otilde;es afirmativas;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Renovar o multilateralismo nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, afirmando as interfaces Sul-Norte e Sul-Sul, e propondo o desenvolvimento sustent&aacute;vel, em um novo horizonte de coopera&ccedil;&atilde;o latino-americana;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#149; Afirmar a paz como direito universal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este n&uacute;mero da <b>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</b> insere-se em um contexto de imagina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica, cient&iacute;fica e cultural, vislumbrando virtualidades para a Am&eacute;rica Latina do futuro. Pois, segundo o antrop&oacute;logo Caleb Alves (UFRGS):</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&quot;A leitura invade as linhas da m&atilde;o e procura na indiferen&ccedil;a dos pares qual destino ainda tem for&ccedil;as para resgatar tua humanidade.&quot;</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. ORTEGA, J. <i>El sujeto dial&oacute;gico</i>: negociaciones de la modernidad conflictiva. M&eacute;xico: FCE, 2010.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. ADORNO, S. Pr&eacute;face de la violence dans l&rsquo;imaginaire latino-am&eacute;ricain. <i>In</i>: CORTEN, A.; C&Ocirc;T&Eacute;, A. E. <i>La violence dans l&rsquo;imaginaire latino-am&eacute;ricain</i>. Qu&eacute;bec: Presses de l&rsquo;Universit&eacute; du Qu&eacute;bec, 2008.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. TAVARES-DOS-SANTOS, J. V. Figuraciones de la violencia (sociolog&iacute;a de novelas latinoamericanas). Buenos Aires: Teseo, 2022.    <!-- ref --> / TAVARES-DOS-SANTOS, J. V. <i>O romance da viol&ecirc;ncia</i>: sociologia das metamorfoses do romance policial. Porto Alegre: Tomo, 2020.    <!-- ref --> / TAVARES-DOS-SANTOS, J. V.; VISCARDI, N. Apresenta&ccedil;&atilde;o. <i>In</i>: TAVARES-DOS-SANTOS, J. V.; VISCARDI, N. <i>O p&uacute;blico e o privado - literatura, sociedade e viol&ecirc;ncia</i>: um estudo em sociologia da conflitualidade. Fortaleza, CE: EdUECE, v. 21, n. 44, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. WYSE, A. <i>Neuropoesia</i>. Porto Alegre: Tomo, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. FEDOZZI, L. <i>Or&ccedil;amento participativo</i>: reflex&otilde;es sobre a experi&ecirc;ncia de Porto Alegre. Porto Alegre: Tomo, 2001.    <!-- ref --> / SINTOMER, Y. <i>O poder ao povo</i>: j&uacute;ris de cidad&atilde;os, sorteio e democracia participativa. Belo Horizonte: UFMG, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. TAVARES-DOS-SANTOS, J. V. Autoritarismo y crisis de la democracia: el neoliberalismo dependente conservador en Brasil. <i>In</i>: TORRES-RU&Iacute;Z, R.; SALINAS, D. <i>Crisis pol&iacute;tica, autoritarismo y democracia</i>. M&eacute;xico: Siglo XXI, 2022.    </font></p>      ]]></body><back>
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