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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[América Latina: integração e democracia. A estratégia de integração econômica deve estar aliada a mecanismos de salvaguarda da democracia]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Am&eacute;rica Latina: integra&ccedil;&atilde;o e democracia. A estrat&eacute;gia de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica deve estar aliada a mecanismos de salvaguarda da democracia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ben&iacute;cio Viero Schmidt</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e professor aposentado da Universidade de Bras&iacute;lia (UNB). Foi diretor de coopera&ccedil;&atilde;o internacional da Capes (2004-2006)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina aqui &eacute; examinada da perspectiva econ&ocirc;mica, particularmente sob o ponto de vista da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias e do com&eacute;rcio intrarregional, a partir dos dados da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina (CEPAL). A integra&ccedil;&atilde;o &eacute; uma etapa de agrega&ccedil;&atilde;o de interesses que leva &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de &ldquo;blocos econ&ocirc;micos&rdquo; que, por sua vez, v&atilde;o de zona de livre com&eacute;rcio &agrave; uni&atilde;o aduaneira, ao mercado comum e, finalmente, &agrave; uni&atilde;o econ&ocirc;mica e monet&aacute;ria. Nesse sentido, o Mercosul &eacute; um processo, por exemplo. Outrossim, a estrat&eacute;gia de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica deve estar aliada a mecanismos de realiza&ccedil;&atilde;o da democracia, para gerar uma sociedade pluralista e participante. Aqui s&atilde;o avaliadas as condi&ccedil;&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o de ambas as dimens&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Am&eacute;rica Latina; Integra&ccedil;&atilde;o; Democracia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A utopia de integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina vem do s&eacute;culo XIX, ap&oacute;s o &ecirc;xito dos movimentos independentistas, com a proclama&ccedil;&atilde;o de rep&uacute;blicas soberanas, com exce&ccedil;&atilde;o do Brasil imperial. Conflitos internos e externos t&ecirc;m impedido essa movimenta&ccedil;&atilde;o integracionista desde ent&atilde;o. Aqui retomamos o caminho contempor&acirc;neo da integra&ccedil;&atilde;o, a partir das estrat&eacute;gias econ&ocirc;micas propostas pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina (CEPAL) &#91;1&#93;. Depois, analisaremos as perspectivas pol&iacute;ticas e democr&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entre 1995 e 2021, o valor das exporta&ccedil;&otilde;es regionais de manufaturas foi quintuplicado &#91;1&#93;, passando para cerca de 800 milh&otilde;es de d&oacute;lares e totalizando 5% das exporta&ccedil;&otilde;es mundiais, em 2021. As exporta&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o cresceram mais do que o n&iacute;vel mundial devido ao papel do M&eacute;xico, em franca integra&ccedil;&atilde;o com os Estados Unidos, no &acirc;mbito do Tratado de Livre Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica do Norte (NAFTA). Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, esse dinamismo n&atilde;o foi mantido, havendo um d&eacute;ficit no com&eacute;rcio exterior de manufaturas, alcan&ccedil;ando 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da regi&atilde;o, em 2021. As exporta&ccedil;&otilde;es (2021)<sup></sup> de manufaturas da regi&atilde;o correspondem a 66% do total exportado, mas que sem o M&eacute;xico caem para 41%. As exporta&ccedil;&otilde;es de manufaturas est&atilde;o concentradas no M&eacute;xico e no Brasil; havendo sali&ecirc;ncia dessas exporta&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m na Am&eacute;rica Central e no M&eacute;xico, mais do que na Am&eacute;rica do Sul. Esta tem se especializado em mat&eacute;rias-primas, impulsionada pela demanda chinesa. A participa&ccedil;&atilde;o do Brasil nas manufaturas decresceu de 75% para 48%, no per&iacute;odo de 2019-2021 (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As rela&ccedil;&otilde;es da Am&eacute;rica do Sul t&ecirc;m no Mercado Comum do Sul (Mercosul, 1991) &ndash; composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com Venezuela suspensa desde 2017 &ndash; uma inst&acirc;ncia estrat&eacute;gica, pondo em a&ccedil;&atilde;o um projeto de <i>zona de livre com&eacute;rcio</i>, a primeira etapa das diferentes formas de integra&ccedil;&atilde;o entre dois ou mais pa&iacute;ses, compreendendo uma pol&iacute;tica comercial conjunta e uma tarifa externa comum (TEC), conformando assim uma <i>uni&atilde;o aduaneira</i>. Todavia, mesmo no &acirc;mbito do Mercosul, as assimetrias entre os pa&iacute;ses s&atilde;o enormes e diferenciadas. O Brasil tem na regi&atilde;o 14,1% de suas importa&ccedil;&otilde;es, principalmente da Argentina; enquanto 14,2% de suas exporta&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m por destino a regi&atilde;o. A Argentina importa 34,1% da regi&atilde;o e exporta 31,6% de sua produ&ccedil;&atilde;o aos pares latino-americanos. J&aacute; o Paraguai exporta 74,3% para a regi&atilde;o, dela importando 58,9%. E, em um caso extremo, a Bol&iacute;via importa 46,6% e exporta 74,3% de sua produ&ccedil;&atilde;o para a regi&atilde;o, principalmente para o Brasil (g&aacute;s).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em contraste com a Am&eacute;rica do Sul, o peso das manufaturas exportadas por Guatemala, Honduras e Nicar&aacute;gua cresceu em fun&ccedil;&atilde;o de maior integra&ccedil;&atilde;o centro-americana, por meio do Tratado de Livre Com&eacute;rcio entre Centro Am&eacute;rica, Rep&uacute;blica Dominicana e Estados Unidos. Insumos m&eacute;dicos e t&ecirc;xteis foram os produtos privilegiados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quanto ao M&eacute;xico, seu segmento exportador &eacute; o de manufaturas de tecnologia m&eacute;dia, destacando-se ve&iacute;culos e seus componentes, representando quase a metade do valor total das exporta&ccedil;&otilde;es mexicanas. Outrossim, h&aacute; uma grande heterogeneidade nos padr&otilde;es exportadores na regi&atilde;o: as exporta&ccedil;&otilde;es de alta e mediana tecnologia alcan&ccedil;am o n&iacute;vel m&aacute;ximo com 80% para o M&eacute;xico, indo para 40% para seis pa&iacute;ses e alcan&ccedil;ando 10% em 11. A regi&atilde;o s&oacute; alcan&ccedil;a super&aacute;vits significativos em alimentos, bebidas, tabaco e automotores. Os d&eacute;ficits em qu&iacute;mica, farm&aacute;cia, m&aacute;quinas e aparelhos eletr&ocirc;nicos s&atilde;o not&aacute;veis nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O destino das exporta&ccedil;&otilde;es regionais varia: incluindo M&eacute;xico, 57% se destinam aos Estados Unidos, tendo a pr&oacute;pria regi&atilde;o como o segundo mercado com 15%, seguindo a Uni&atilde;o Europeia e Reino Unido com 7%. As exporta&ccedil;&otilde;es manufatureiras do M&eacute;xico (84%) seguem para os Estados Unidos. A pr&oacute;pria regi&atilde;o &eacute; o seu principal mercado das manufaturas. A China e os outros mercados asi&aacute;ticos absorvem poucas manufaturas da regi&atilde;o coberta pela CEPAL (3% e 4%, respectivamente), ainda que no caso da Am&eacute;rica do Sul a China alcance 10%.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A capacidade exportadora da regi&atilde;o, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s manufaturas, varia muito dependendo do setor. O M&eacute;xico representa quase 90% das remessas totais dos dois principais setores exportadores: automotor e eletr&ocirc;nica.  Este pa&iacute;s inclui tamb&eacute;m tr&ecirc;s quartos das exporta&ccedil;&otilde;es de maquinaria e equipamentos n&atilde;o el&eacute;tricos, seguido do Brasil, com quase 20%. A origem das exporta&ccedil;&otilde;es &eacute; mais diversa nos alimentos, bebidas, tabaco, qu&iacute;mica e farm&aacute;cia, confec&ccedil;&otilde;es e cal&ccedil;ados. O primeiro setor se deve aos recursos abundantes, especialmente na Am&eacute;rica do Sul. No caso de t&ecirc;xteis e cal&ccedil;ados, aos pa&iacute;ses centro-americanos e caribenhos cujas exporta&ccedil;&otilde;es se d&atilde;o sob regime de <i>maquila</i> e se orientam principalmente ao mercado norte-americano.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por meio de m&uacute;ltiplos tratados e acordos &#91;2&#93;, a Am&eacute;rica Latina e o Caribe t&ecirc;m aumentado seus raios de a&ccedil;&atilde;o. A conjuntura aponta para uma recupera&ccedil;&atilde;o de certos setores, como o turismo e os servi&ccedil;os em geral, mas ainda n&atilde;o indicam solidez nas rela&ccedil;&otilde;es intrarregionais, com carente integra&ccedil;&atilde;o do bloco, ao contr&aacute;rio dos pa&iacute;ses da &Aacute;sia-Pac&iacute;fico. A crise dos mercados e a Covid-19 t&ecirc;m favorecido uma estrat&eacute;gia que desafia a globaliza&ccedil;&atilde;o com as pol&iacute;ticas de blocos regionais. Isso funciona como uma forma de defesa, favorecida pela contiguidade dos pa&iacute;ses envolvidos, superando em termos a tens&atilde;o entre os conceitos de regionalismo aberto versus fechado, ao longo dos embates entre a CEPAL e os governos neoliberais da Am&eacute;rica Latina e do Caribe, sobre o papel do Estado na pol&iacute;tica protecionista ancorada no desenvolvimentismo latino-americano &#91;3&#93;. Lembrando que o Chile experimentou a primeira real experi&ecirc;ncia neoliberal ortodoxa mundial durante o regime Pinochet (1973-1990), com contradit&oacute;rios resultados da inser&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s no mercado internacional &#91;4&#93;. Tamb&eacute;m &eacute; claro o crescente papel da China como exportadora e importadora de produtos na regi&atilde;o, onde, de modo particular, rebaixa o papel do Brasil e da Argentina, por exemplo, como associados ao destino do bloco latino-americano. Ambos os pa&iacute;ses t&ecirc;m perdido mercados na regi&atilde;o para os chineses de modo crescente. Todavia, paradoxalmente, a China poder&aacute; beneficiar a integra&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o por seus investimentos em infraestrutura (energia e transportes), no &acirc;mbito da pol&iacute;tica do <i>silk road</i> (rota da seda).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Esse quadro indica enorme fragilidade da integra&ccedil;&atilde;o latino-americana no contexto econ&ocirc;mico internacional. O com&eacute;rcio de bens e servi&ccedil;os entre os pares da Am&eacute;rica Latina e do Caribe aponta para uma crescente presen&ccedil;a da China e igualmente para crescente integra&ccedil;&atilde;o do M&eacute;xico e da Am&eacute;rica Central com a zona de influ&ecirc;ncia dos Estados Unidos; bem como pela falta de complementariedade geral entre as economias nacionais. Isso se deve a v&aacute;rios fatores, indo do tamanho desigual dos mercados, territ&oacute;rios e popula&ccedil;&otilde;es at&eacute; o fato da industrializa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o estar baseada nas estrat&eacute;gias pr&oacute;prias das empresas multinacionais, que obedecem &agrave;s decis&otilde;es de suas matrizes, sem maiores considera&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter macroecon&ocirc;mico. Fatores que est&atilde;o longe de serem substitu&iacute;dos pelos requisitos das teorias cepalinas, ainda com for&ccedil;a ret&oacute;rica nas disputas pol&iacute;ticas regionais. As condi&ccedil;&otilde;es para um <i>regionalismo fechado</i>, com pretens&otilde;es autonomistas e protecionistas est&atilde;o longe de alcan&ccedil;&aacute;veis. Agora a hegemonia ideol&oacute;gica e program&aacute;tica &eacute; na dire&ccedil;&atilde;o de um <i>regionalismo aberto</i>, com crescente ades&atilde;o dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o &agrave;s estrat&eacute;gias mundiais geradoras de valor, estejam onde estiverem. Por enquanto, isso leva a maior presen&ccedil;a dos pa&iacute;ses do Leste Asi&aacute;tico, que juntamente com a Uni&atilde;o Europeia e os Estados Unidos, catalisam a importa&ccedil;&atilde;o dos bens e dos servi&ccedil;os latino-americanos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Enquanto assim se configura a integra&ccedil;&atilde;o do ponto de vista econ&ocirc;mico, resta a explora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico ocupado pela regi&atilde;o, no que concerne &agrave; solidifica&ccedil;&atilde;o da democracia. Realizar a democracia como ideia-for&ccedil;a exige esclarecer procedimentos e pol&iacute;ticas. No sentido comum, a formaliza&ccedil;&atilde;o de procedimentos t&iacute;picos ao conceito de democracia, como a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas, poderia ser suficiente. Todavia, na verdade, o conceito democr&aacute;tico exige condi&ccedil;&otilde;es que ultrapassam essa dimens&atilde;o, pois a legitima&ccedil;&atilde;o dos regimes democr&aacute;ticos tamb&eacute;m abarca a exist&ecirc;ncia necess&aacute;ria de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de prote&ccedil;&atilde;o social, de formas previstas de participa&ccedil;&atilde;o popular para garantir a cidadania, e assim por diante. Tudo isso exige a conformidade com a contemporaneidade mundial, que tem destacado a emerg&ecirc;ncia de novos processos de forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, com o uso de redes sociais, campanhas pol&iacute;ticas com apelo &agrave; psicologia comportamental, uso de intelig&ecirc;ncia artificial partindo de dados publicamente dispon&iacute;veis sobre perfis dos cidad&atilde;os e de grupos, al&eacute;m de outros recursos dispon&iacute;veis pelo acervo das ci&ecirc;ncias sociais contempor&acirc;neas &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Al&eacute;m disso, o contexto &eacute; marcado pelo ressurgimento, ap&oacute;s a terceira onda de democratiza&ccedil;&atilde;o e do p&oacute;s-fascismo europeu e ditaduras na Am&eacute;rica Latina, de ideologias caracterizadas por ades&atilde;o &agrave; xenofobia, misoginia e outras virtualidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Essas caracter&iacute;sticas a&ccedil;ulam sentimentos at&aacute;vicos de busca de identidade e de participa&ccedil;&atilde;o social efetiva em um quadro de instabilidade criado pelas dimens&otilde;es de inseguran&ccedil;a econ&ocirc;mica (infla&ccedil;&atilde;o, crises c&iacute;clicas, mudan&ccedil;a de moedas etc.), incertezas sociais valorativas diante de novos padr&otilde;es civilizat&oacute;rios, quebra dos caminhos tradicionais de mobilidade social por meio de gera&ccedil;&otilde;es, e assim por diante.  Trata-se de um conjunto de novos ingredientes nas conjunturas conhecidas p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial: a revivesc&ecirc;ncia de movimentos integristas oriundos do pensamento cat&oacute;lico tradicional, cruzados com ondas do novo evangelismo e, curiosamente, tamb&eacute;m ancorados em formas perversas de realiza&ccedil;&atilde;o socialista (Venezuela e Nicar&aacute;gua). Afinal, um corpo ideol&oacute;gico antiliberal que desafia at&eacute; mesmo as m&iacute;nimas formalidades dos procedimentos democr&aacute;ticos, como a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas. Por enquanto, elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o toler&aacute;veis, mas seus resultados estar&atilde;o sempre sob suspei&ccedil;&atilde;o, independentemente das circunst&acirc;ncias, como ocorre no Brasil p&oacute;s-Bolsonaro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No caso latino-americano, um caminho interessante a ser explorado est&aacute; nas rela&ccedil;&otilde;es entre um lento e acidentado processo de solidifica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tico &ndash; sempre sob contesta&ccedil;&atilde;o &ndash; e suas rela&ccedil;&otilde;es com um h&iacute;brido sistema produtivo, em que o Estado e as empresas privadas, com forte presen&ccedil;a de multinacionais, compartilham a hegemonia econ&ocirc;mica.  As rela&ccedil;&otilde;es entre o capitalismo peculiar latino-americano e a democracia liberal que tenta se impor devem ser vistos em suas imbrica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas.</font></p>     <p align="center"><b><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10">&quot;A legitima&ccedil;&atilde;o dos regimes democr&aacute;ticos tamb&eacute;m abarca a exist&ecirc;ncia necess&aacute;ria de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de prote&ccedil;&atilde;o social, de formas previstas de participa&ccedil;&atilde;o popular para garantir a cidadania, e assim por diante.&quot;</styled-content> </font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse sentido, Brasil e Chile oferecem exemplos de rela&ccedil;&otilde;es estreitas entre autoritarismo e projetos econ&ocirc;micos, gerando resultados de largo alcance. O Brasil com o regime militar (1964-85) estabelecendo novos padr&otilde;es de ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do territ&oacute;rio (Itaipu, regi&otilde;es metropolitanas como eixos de desenvolvimento urbano, energia nuclear, energia de fontes alternativas etc.), levando o pa&iacute;s a altos n&iacute;veis de crescimento, com altas taxas de repress&atilde;o e controle pol&iacute;tico. Um caso de estreita rela&ccedil;&atilde;o entre ditadura e economia. J&aacute; o Chile de Pinochet (1973-1990) foi o primeiro experimento mundial de pol&iacute;tica neoliberal na conforma&ccedil;&atilde;o de um novo Estado privatizador e altamente repressivo. Pinochet, com os <i>Chicago Boys</i>, antecedeu Margaret Thatcher (Reino Unido, 1979-1990) &#91;6&#93; e Ronald Reagan (Estados Unidos, 1981-1989) na aplica&ccedil;&atilde;o do receitu&aacute;rio neoliberal, sob a &eacute;gide do Consenso de Washington. Em ambos os casos, Brasil e Chile s&atilde;o exemplos em que as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas repressivas funcionam como o suporte institucional para revers&otilde;es de pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas. Sem as respectivas ditaduras, mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas n&atilde;o poderiam ser realizadas &ndash; pelo menos no curto per&iacute;odo de implanta&ccedil;&atilde;o em que ocorreram. O custo de transa&ccedil;&atilde;o foi alto, com viol&ecirc;ncia institucional disseminada, nos dois casos exemplares. Realizar a democracia em conson&acirc;ncia com pol&iacute;ticas de desenvolvimento econ&ocirc;mico aceleradas &eacute; sempre um desafio herc&uacute;leo. A solu&ccedil;&atilde;o latino-americana foi conseguida por meio de sistemas ditatoriais, com persegui&ccedil;&atilde;o aos movimentos sociais organizados, aos sindicatos e com variados graus de desnacionaliza&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por outro lado, em geral, as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas oferecidas pela Am&eacute;rica Latina, ap&oacute;s um per&iacute;odo de normalidade e de paz relativa (anos 1980), n&atilde;o s&atilde;o as melhores. H&aacute; uma instabilidade econ&ocirc;mica evidente devido &agrave; infla&ccedil;&atilde;o alta (Argentina), dolariza&ccedil;&atilde;o (Equador) e <i>bitcoin</i> (El Salvador), fraturas entre as elites (Peru), dificuldades no &acirc;mbito das coaliz&otilde;es vencedoras para estabelecer prioridades (Col&ocirc;mbia e Chile) e &ndash; em quase todos os casos &ndash; crescente presen&ccedil;a do narcotr&aacute;fico em eventos eleitorais, como tem sido o caso do Equador, com assassinatos de candidato a presidente e outros militantes, e assim por diante.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Parte das causas dessa situa&ccedil;&atilde;o recorrente tem sido posta &agrave; luz pela crescente globaliza&ccedil;&atilde;o da economia, com seus efeitos pertinentes na regi&atilde;o &#91;7&#93;. Tem havido crescente desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do parque produtivo latino-americano, alta concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e aumento das d&iacute;vidas p&uacute;blicas frente ao PIB regional. Situa&ccedil;&atilde;o que convive com press&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais que desembocam em violentos eventos eleitorais em todo o territ&oacute;rio &#91;8&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;Tem havido crescente desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do parque produtivo latino-americano, alta concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e aumento das d&iacute;vidas p&uacute;blicas frente ao PIB regional. Situa&ccedil;&atilde;o que convive com press&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais que desembocam em violentos eventos eleitorais em todo o territ&oacute;rio.&quot;</b></styled-content></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As condi&ccedil;&otilde;es atuais de integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem mais ser satisfeitas pela mera contiguidade territorial entre pa&iacute;ses. Hoje a conforma&ccedil;&atilde;o de blocos econ&ocirc;micos &ndash; uma forma superior de integra&ccedil;&atilde;o &ndash; &eacute; bastante fr&aacute;gil ainda na Am&eacute;rica Latina, agravada pela maci&ccedil;a presen&ccedil;a chinesa como importadora de <i>commodities</i> e exportadora de bens manufaturados, bem como gigantescos investimentos em infraestrutura (comunica&ccedil;&otilde;es e energia principalmente), em preju&iacute;zo do maior com&eacute;rcio intrarregional. Do ponto de vista pol&iacute;tico, a regi&atilde;o convive entre formalismos eleitorais e profundas clivagens ideol&oacute;gicas, que provocam uma consistente m&aacute; qualidade da democracia &#91;9&#93;. Estamos longe da integra&ccedil;&atilde;o e da democracia desejadas na Am&eacute;rica Latina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. COMISI&Oacute;N ECON&Oacute;MICA PARA AM&Eacute;RICA LATINA Y EL CARIBE (CEPAL). <i>Perspectivas del Comercio Internacional de Am&eacute;rica Latina y el Caribe 2022</i>. Santiago: CEPAL, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. ALMEIDA, P. R. <i>Integra&ccedil;&atilde;o regional</i>. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2013.    <!-- ref --> / GARCIA, E. V. <i>Cronologia das rela&ccedil;&otilde;es internacionais do Brasil</i>. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. LOVE, J. <i>A constru&ccedil;&atilde;o do Terceiro Mundo</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. EDWARDS, S. <i>The Chile project</i>. Princeton: Princeton University Press, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. HELD, D. <i>La democracia y el orden mundial</i>. Barcelona: Paid&oacute;s, 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. KISSINGER, H. <i>Lideran&ccedil;a</i>: seis estudos sobre estrat&eacute;gia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. BELLUZZO, L. G.; GAL&Iacute;POLO, G. <i>A escassez na abund&acirc;ncia capitalista.</i> S&atilde;o Paulo: Contracorrente, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. CORPORACI&Oacute;N LATINOBAR&Oacute;METRO. <i>Informe 2023</i>. Santiago: Latinobar&oacute;metro, 2023.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. SCHMIDT, B. V.; MACHADO, L. Z. Desafios &agrave; democracia no Brasil. <i>In</i>: XAVIER, L.; AVILA, C. F. D.; FONSECA, V. <i>A qualidade da democracia no Brasil</i>. Curitiba: CRV, 2019.    </font></p>      ]]></body><back>
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