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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20230036</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma proposição para a integração econômica da América do Sul: o caso da UNASUL. Integração econômica da América do Sul deve assegurar estabilidade econômica e social]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Economia e Relações Internacionais ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Uma proposi&ccedil;&atilde;o para a integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Am&eacute;rica do Sul: o caso da UNASUL. Integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Am&eacute;rica do Sul deve assegurar estabilidade econ&ocirc;mica e social</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Fernando Ferrari Filho</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Professor titular aposentado do Departamento de Economia e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O artigo, partindo da iniciativa do governo Lula da Silva III de que o processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Am&eacute;rica do Sul (AS) deve ser resgatado e tendo como refer&ecirc;ncia a UNASUL, criada em 2007, prop&otilde;e uma agenda propositiva para a integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS que seja capaz de assegurar a estabilidade macroecon&ocirc;mica e o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social de seus pa&iacute;ses-membros. A proposi&ccedil;&atilde;o tem como base a an&aacute;lise revolucion&aacute;ria de Keynes apresentada em sua Proposals for an International Clearing Union (Keynes, 1980), que, diga-se de passagem, subsidiou os argumentos brit&acirc;nicos quando da realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Bretton Woods, em 1944, que foi respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o e vig&ecirc;ncia do Sistema Monet&aacute;rio Internacional de Bretton Woods, no per&iacute;odo 1946-1971.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Am&eacute;rica do Sul; UNASUL; Keynes.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No in&iacute;cio de seu terceiro mandato presidencial, Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva, por meio de suas viagens internacionais e participa&ccedil;&otilde;es em f&oacute;runs econ&ocirc;micos globais, tem procurado fazer com que o Brasil volte a ser um dos protagonistas no cen&aacute;rio pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico mundial. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, o presidente prop&otilde;e o resgate do processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Uni&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es Sul-Americanas (UNASUL), criada em 2007, que foi, por quest&otilde;es pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas, completamente abandonado durante o per&iacute;odo 2016-2022 (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com a proposi&ccedil;&atilde;o de se resgatar a UNASUL, a ideia &eacute; que seja consolidado um processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica na Am&eacute;rica do Sul (AS), seja na esfera de coopera&ccedil;&atilde;o comercial, monet&aacute;ria e financeira, seja na dinamiza&ccedil;&atilde;o da infraestrutura produtiva (tais como estradas, transportes, telecomunica&ccedil;&otilde;es e gera&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de energia), para viabilizar a estabilidade macroecon&ocirc;mica &ndash; entendida como infla&ccedil;&atilde;o sob controle, crescimento econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel e equil&iacute;brios fiscal e de balan&ccedil;o de pagamentos &ndash; e o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, tanto de seus pa&iacute;ses-membros, quanto do bloco regional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Diante desse contexto, surge a seguinte pergunta: ser&aacute; o atual arranjo institucional da UNASUL vi&aacute;vel para integrar economicamente a AS de maneira que sejam poss&iacute;veis a estabilidade macroecon&ocirc;mica e o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social da Regi&atilde;o?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A presente contribui&ccedil;&atilde;o visa responder &agrave; referida pergunta e, para tanto, se concentra nos seguintes objetivos: primeiro, &eacute; argumentado que a UNASUL, a partir da proposi&ccedil;&atilde;o de um conjunto de institucionalidades, pode ser um relevante projeto de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica que evite situa&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas disruptivas no bloco econ&ocirc;mico e assegure a estabilidade macroecon&ocirc;mica e o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social dos seus pa&iacute;ses-membros. Em segundo lugar, &eacute; proposto, tendo como refer&ecirc;ncia a an&aacute;lise revolucion&aacute;ria de Keynes (1980) &#91;1&#93;, apresentada em sua <i>Proposals for an International Clearing Union (ICU)</i> &ndash; que, diga-se de passagem, subsidiou os argumentos brit&acirc;nicos quando da realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Bretton Woods, em 1944 &ndash;, um arranjo institucional para a UNASUL que seja capaz de possibilitar a estabilidade macroecon&ocirc;mica e o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social dos pa&iacute;ses da Regi&atilde;o e do pr&oacute;prio bloco econ&ocirc;mico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Al&eacute;m dessa Introdu&ccedil;&atilde;o, o artigo conta com mais tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es. A segunda se&ccedil;&atilde;o apresenta uma breve an&aacute;lise hist&oacute;rica da integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS. A terceira se&ccedil;&atilde;o, baseada em Keynes (1980) &#91;1&#93;, prop&otilde;e um arranjo institucional para a UNASUL. A &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o traz as considera&ccedil;&otilde;es finais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Um breve hist&oacute;rico do processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Historicamente, a ideia de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica na AS inicia-se em 1960, quando alguns acordos comerciais foram assinados no &acirc;mbito da Associa&ccedil;&atilde;o de Livre-Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica Latina (ALALC). A ALALC foi uma tentativa malsucedida de se criar uma &aacute;rea de livre-com&eacute;rcio na Am&eacute;rica Latina (AL). Os pa&iacute;ses-membros eram Argentina, Brasil, Chile, M&eacute;xico, Paraguai, Peru e Uruguai. Em 1970, Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Equador e Venezuela tornaram-se pa&iacute;ses-membros da ALALC. Em 1980, a ALALC foi substitu&iacute;da pela Associa&ccedil;&atilde;o Latino-Americana para o Desenvolvimento Integrado (ALADI). Naquela ocasi&atilde;o, Cuba tamb&eacute;m se tornou um pa&iacute;s-membro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Concomitantemente &agrave; proposta de uma integra&ccedil;&atilde;o regional mais ampla da AL, como a ALADI, em 1969, e em 1991 dois blocos sub-regionais foram criados: a Comunidade Andina de Na&ccedil;&otilde;es (CAN) e o Mercosul.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A CAN tinha como objetivo estabilizar economicamente e desenvolver socialmente a regi&atilde;o andina, cujos pa&iacute;ses-membros originais eram Bol&iacute;via, Chile, Col&ocirc;mbia, Equador, Peru e Venezuela. Em 1977, por motivos pol&iacute;ticos, o Chile decidiu deixar a CAN e, em 2006, a Venezuela tamb&eacute;m a deixou.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"> O Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, assinado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, criou o Mercosul. Esse bloco econ&ocirc;mico tinha como objetivo assegurar a estabilidade econ&ocirc;mica e promover acordos de livre-com&eacute;rcio entre os pa&iacute;ses-membros, bem como preservar a normalidade democr&aacute;tica das na&ccedil;&otilde;es. Em 2012, a Venezuela tornou-se um pa&iacute;s-membro, mas, em 2016, sua participa&ccedil;&atilde;o no bloco econ&ocirc;mico foi suspensa. Em termos econ&ocirc;micos, o principal avan&ccedil;o foi a ado&ccedil;&atilde;o de uma Tarifa Externa Comum, que consiste no imposto padronizado de importa&ccedil;&atilde;o cobrado dos pa&iacute;ses que n&atilde;o pertencem ao Mercosul (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos anos 2000, o processo de integra&ccedil;&atilde;o sul-americano tornou-se mais din&acirc;mico &agrave; medida que um conjunto de institucionalidades foi criado para impulsionar as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e financeiras da AS. Entres as institucionalidades criadas, destacam-se:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(i) Fundo de Converg&ecirc;ncia Estrutural do Mercosul (FOCEM), criado em 2004 e implementado em 2005, que visa &agrave; transfer&ecirc;ncia de recursos financeiros para os pa&iacute;ses menos desenvolvidos do bloco econ&ocirc;mico para que haja a redu&ccedil;&atilde;o das disparidades estrutural-produtivas existentes entre os pa&iacute;ses-membros do Mercosul;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(ii) Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SPML), implementado em outubro de 2008, no qual Argentina e Brasil facilitam, por meio de suas pr&oacute;prias moedas, o sistema de pagamentos para opera&ccedil;&otilde;es comerciais bilaterais entre ambos os pa&iacute;ses. Em outras palavras, o SPML visa eliminar o d&oacute;lar norte-americano como intermedi&aacute;rio das rela&ccedil;&otilde;es comerciais entre os dois pa&iacute;ses;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(iii) Sistema &Uacute;nico de Compensa&ccedil;&atilde;o Regional de Pagamentos (SUCRE), criado, em 2009, pelos governos da Alian&ccedil;a Bolivariana para os Povos da Am&eacute;rica (ALBA) &ndash; Ant&iacute;gua e Barbados, Bol&iacute;via, Cuba, Dom&iacute;nica, Equador, Granadinas, Nicar&aacute;gua, S&atilde;o Vicente e Venezuela &ndash; objetivou adotar uma moeda de compensa&ccedil;&atilde;o, denominada SUCRE, para facilitar os pagamentos das rela&ccedil;&otilde;es comerciais e dinamizar os cr&eacute;ditos rec&iacute;procos dos pa&iacute;ses da ALBA.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por fim, quando CAN e Mercosul enfrentaram adversidades econ&ocirc;micas, devido &agrave;s recorrentes crises financeiras e cambiais em n&iacute;veis internacional e regional, e  instabilidades pol&iacute;ticas, visando evitar &agrave; ruptura desses blocos econ&ocirc;micos, foi criado, em 2007, a UNASUL, a partir de um tratado assinado entre os pa&iacute;ses-membros da CAN e do Mercosul. Na ocasi&atilde;o, os principais objetivos da UNASUL eram: a coordena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, a articula&ccedil;&atilde;o de acordos de livre-com&eacute;rcio, a dinamiza&ccedil;&atilde;o da infraestrutura regional &ndash; especialmente, em termos de energia e comunica&ccedil;&otilde;es &ndash; a integra&ccedil;&atilde;o financeira, as coopera&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gica, educacional e cultural, a integra&ccedil;&atilde;o entre empresas e sociedade civil e o desenvolvimento regional, entre outros.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;Histórica e analiticamente, o processo de integra&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica do Sul tornou-se uma realidade. No entanto, ainda existem problemas econ&ocirc;micos a serem superados, principalmente os relacionados às desigualdades e assimetrias econ&ocirc;micas dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com a UNASUL, outra institucionalidade foi criada para financiar e integrar os pa&iacute;ses-membros: o Banco do Sul. O principal objetivo do Banco consiste em emprestar dinheiro aos pa&iacute;ses-membros da UNASUL para projetos em programas sociais e de infraestrutura. Em suma, a ideia &eacute; que o Banco do Sul seja uma alternativa aos recursos comumente disponibilizados pelo Banco Mundial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Atualmente, todos os pa&iacute;ses da AS s&atilde;o membros permanentes da UNASUL: Argentina, Bol&iacute;via, Brasil, Col&ocirc;mbia, Chile, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Em 2020, a popula&ccedil;&atilde;o total dos pa&iacute;ses da UNASUL era de aproximadamente 432 milh&otilde;es de pessoas (UNDP, 2023) &#91;2&#93;, ao passo que o Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB per capita, ambos em paridade do poder de compra, eram, ao final de 2022, respectivamente, ao redor de US$ 9,2 trilh&otilde;es e US$ 20.900,00 (IMF, 2023) &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Se a UNASUL passou a ser uma das prioridades do governo Lula da Silva III no que diz respeito ao processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS, o que fazer para que a UNASUL seja, efetivamente, uma alternativa econ&ocirc;mica vi&aacute;vel para que os pa&iacute;ses sul-americanos, ao se integrarem regionalmente, tenham estabilidade macroecon&ocirc;mica e desenvolvimento econ&ocirc;mico e social?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Um arranjo institucional para a UNASUL</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Hist&oacute;rica e analiticamente, o processo de integra&ccedil;&atilde;o na AS tornou-se uma realidade. No entanto, ainda existem problemas econ&ocirc;micos a serem superados, principalmente os relacionados &agrave;s desigualdades e assimetrias econ&ocirc;micas dos pa&iacute;ses da Regi&atilde;o, que acabam trazendo consequ&ecirc;ncias perversas para os pa&iacute;ses menos desenvolvidos, tais como baixa produtividade da m&atilde;o de obra, pouco influxo de capitais, integra&ccedil;&atilde;o financeira incipiente, depend&ecirc;ncia do interc&acirc;mbio intrarregional e exporta&ccedil;&otilde;es concentradas em <i>commodities</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Supondo que uma efetiva integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS possa ser consolidada por meio da UNASUL, a presente se&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e um arranjo institucional, baseado em um <i>Regional Market Maker</i>, que seja capaz de: (i) dinamizar as rela&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras, (ii) disciplinar e padronizar as pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas, (iii) mitigar as assimetrias econ&ocirc;mico-estruturais e (iv) prevenir quaisquer situa&ccedil;&otilde;es disruptivas decorrentes de crises financeiras e cambiais dos pa&iacute;ses-membros do bloco econ&ocirc;mico. Para tanto, a refer&ecirc;ncia ser&aacute; a an&aacute;lise revolucion&aacute;ria de Keynes (1980) &#91;1&#93; apresentada em sua <i>ICU</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Uma s&iacute;ntese da proposi&ccedil;&atilde;o de Keynes para a ordem econ&ocirc;mica mundial</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos anos 1940, as aten&ccedil;&otilde;es de Keynes estavam voltadas, por um lado, para os problemas de financiamento dos gastos de guerra da Inglaterra com a Segunda Guerra Mundial (SGM) e, por outro lado, para as discuss&otilde;es e proposi&ccedil;&otilde;es sobre a reorganiza&ccedil;&atilde;o da ordem econ&ocirc;mica mundial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No que diz respeito &agrave;s aten&ccedil;&otilde;es de Keynes sobre a necessidade de se reorganizar a ordem econ&ocirc;mica mundial, suas ideias e proposi&ccedil;&otilde;es se encontram na <i>ICU</i> (Keynes, 1980, p. 168-195) &#91;1&#93;. Segundo Keynes, a reorganiza&ccedil;&atilde;o da ordem econ&ocirc;mica mundial ap&oacute;s a SGM deveria estar centrada em cinco pontos gerais: a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>International Market Maker</i>, respons&aacute;vel por uma moeda de compensa&ccedil;&otilde;es; os regimes monet&aacute;rio e cambial; os mecanismos de pol&iacute;tica comercial; a organiza&ccedil;&atilde;o dos mercados de bens e servi&ccedil;os, em termos tanto de produ&ccedil;&atilde;o, quanto de distribui&ccedil;&atilde;o; e a regula&ccedil;&atilde;o dos fluxos de capital, tanto de risco (investimentos produtivos), quanto de <i>portf&oacute;lio</i> (especulativos).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tendo como refer&ecirc;ncia esses cinco pontos, Keynes prop&ocirc;s os seguintes princ&iacute;pios para a <i>ICU</i>:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(1) Cria&ccedil;&atilde;o de uma autoridade monet&aacute;ria internacional, <i>ICU</i>, respons&aacute;vel pela administra&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o da moeda de compensa&ccedil;&otilde;es (denominada <i>bancor</i>), cuja liquidez estaria associada &agrave; din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras entre os pa&iacute;ses-membros (Keynes, 1980, p. 170) &#91;1&#93;. A <i>ICU</i> deveria ser fundamental para expandir a demanda efetiva global e estabilizar os pre&ccedil;os mundiais;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(2) O <i>bancor</i> seria uma moeda de reserva internacional, criada pela <i>ICU</i>, que t&atilde;o somente compensaria as transa&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras entre os pa&iacute;ses e, portanto, n&atilde;o seria pass&iacute;vel de entesouramento por parte dos agentes econ&ocirc;micos (Keynes, 1980, p. 171) &#91;1&#93;.<sup></sup> Por sua vez, no que diz respeito &agrave; taxa de c&acirc;mbio, essa deveria ser fixa, por&eacute;m ajust&aacute;vel (Keynes, 1980, p. 185) &#91;1&#93;. Em outras palavras, o regime cambial deveria ser operacionalizado <i>&agrave; la</i> um <i>dirty floating system</i>;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(3) As rela&ccedil;&otilde;es comerciais em n&iacute;vel internacional n&atilde;o poderiam prescindir de &ldquo;acordos bilaterais &#91;...&#93; subs&iacute;dios &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es &#91;...&#93; e tarifas moderadas (principalmente para setores de industrializa&ccedil;&atilde;o incipiente)&rdquo; (Keynes, 1980, p. 188, tradu&ccedil;&atilde;o nossa) &#91;1&#93;. Em suma, Keynes, apesar de ser um defensor das pol&iacute;ticas de livre-com&eacute;rcio, entendia que pol&iacute;ticas comerciais protecionistas deveriam fazer parte da ordem econ&ocirc;mica mundial p&oacute;s-SGM, pois o sistema capitalista dos anos 1940 n&atilde;o tinha como fundamento o <i>laissez-faire</i>;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(4) A <i>ICU</i> deveria criar &ldquo;conselhos reguladores&rdquo; para n&atilde;o somente controlar os ciclos econ&ocirc;micos, mas, tamb&eacute;m, estabilizar os pre&ccedil;os internacionais, principalmente aqueles que n&atilde;o eram determinados pelas for&ccedil;as de mercado;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(5) Objetivando a expans&atilde;o da demanda efetiva global, &ldquo;&#91;...&#93; movimentos de controle de capitais, tanto de entrada, quanto de sa&iacute;da, deveriam ser permanentes &#91;...&#93;&rdquo; (Keynes, 1980, p. 185, tradu&ccedil;&atilde;o nossa) &#91;1&#93;. Ademais, a ordem econ&ocirc;mica mundial deveria &ldquo;facilitar a restaura&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito internacional para &#91;...&#93; a gera&ccedil;&atilde;o de novos investimentos&rdquo; (Keynes, 1980, p. 186, tradu&ccedil;&atilde;o nossa) &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em s&iacute;ntese, a proposta de Keynes para a reforma da ordem econ&ocirc;mica mundial, apesar de n&atilde;o ter sido vitoriosa na Confer&ecirc;ncia de Bretton Woods, foi importante para a articula&ccedil;&atilde;o do sistema monet&aacute;rio internacional, que vigorou entre 1946 e 1971, e foi, inclusive, um dos respons&aacute;veis pelo longo ciclo de prosperidade da economia mundial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As institucionalidades para a UNASUL</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tendo como refer&ecirc;ncia os princ&iacute;pios da <i>ICU</i> para a ordem econ&ocirc;mica mundial, esta subse&ccedil;&atilde;o apresenta um arranjo econ&ocirc;mico regional para a UNASUL.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A ideia &eacute; propor a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>Regional Market Maker</i>, denominado Conselho Regional da UNASUL (CRU), com poderes para: (i) coordenar as pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas, (ii) arbitrar os instrumentos de pol&iacute;tica comercial, (iii) incentivar a utiliza&ccedil;&atilde;o de um SPML para as transa&ccedil;&otilde;es comerciais e, ao mesmo tempo, criar um meio de pagamento regional, denominado Unidade Monet&aacute;ria Regional de Compensa&ccedil;&atilde;o (UMRC), cuja liquidez total deve ser determinada pela participa&ccedil;&atilde;o percentual de cada pa&iacute;s no volume total do com&eacute;rcio intrarregional da UNASUL, (iv) estabilizar o regime cambial, (v) mitigar ou eliminar os desequil&iacute;brios de balan&ccedil;o de pagamentos, (vi) restringir os movimentos de capitais de <i>portf&oacute;lio</i>, (vii) estimular as transfer&ecirc;ncias fiscais para reduzir as disparidades econ&ocirc;micas entre os pa&iacute;ses e (viii) atuar de forma contra c&iacute;clica para reduzir ou prevenir o impacto de choques econ&ocirc;micos ex&oacute;genos e disruptivos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;A cria&ccedil;&atilde;o das institucionalidades estimula a demanda efetiva regional, mitiga as disparidades estrutural-produtivas regionais e preserva a economia regional dos impactos de crises externas.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para tanto, o CRU deve ter as seguintes institucionalidades:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(1) <b>Comit&ecirc; de Coordena&ccedil;&atilde;o Macroecon&ocirc;mica</b> para operacionalizar, contraciclicamente, as pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas (fiscal, monet&aacute;ria e cambial). Em outras palavras: a pol&iacute;tica fiscal, sem negligenciar a necessidade de equilibrar intertemporalmente o or&ccedil;amento p&uacute;blico e estabilizar e/ou reduzir a d&iacute;vida p&uacute;blica, deve ser expansionista em per&iacute;odos de crise e neutra em momentos de prosperidade; pol&iacute;tica monet&aacute;ria operacionalizada discricionariamente, seja para manter a infla&ccedil;&atilde;o sob controle, seja, principalmente, para estimular os n&iacute;veis de investimento e, por conseguinte, a demanda efetiva; e sistema cambial relativamente est&aacute;vel, <i>&agrave; la crawling-peg</i>, para que a taxa c&acirc;mbio real-efetiva seja competitiva e impe&ccedil;a as opera&ccedil;&otilde;es de <i>carry trade</i> dos fluxos de capitais especulativos;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(2) <b>FOCEM Regional</b> para mitigar e/ou eliminar as disparidades estrutural-produtivas do sistema econ&ocirc;mico;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(3) <b>Bancos Centrais Prestamistas de &Uacute;ltima Inst&acirc;ncia</b> para evitar o colapso do sistema financeiro e, por conseguinte, o cont&aacute;gio disruptivo na atividade econ&ocirc;mica;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(4) <b>UMRC</b> para prover cr&eacute;ditos, tanto de curto prazo com finalidades emergenciais, tais como cobrir os desequil&iacute;brios de balan&ccedil;o de pagamentos, quanto de longo prazo para gerar investimentos na atividade econ&ocirc;mica e em programas sociais;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(5) <b>Uni&atilde;o Aduaneira</b> e, por conseguinte, <b>Tarifa Externa Comum</b> para estabelecerem procedimentos, regras e direitos tarif&aacute;rios para os produtos comercializados internacionalmente;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">(6) <b>SMPL</b> para impulsionar as rela&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras entre os pa&iacute;ses-membros da AS.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;Em um mundo globalizado financeiramente e com significativas desigualdades econ&ocirc;mico-sociais entre os pa&iacute;ses desenvolvidos, emergentes e n&atilde;o desenvolvidos, as rela&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras Sul-Sul devem ser estimuladas.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Agrave; guisa de conclus&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o das institucionalidades acima propostas, em nosso ponto de vista, estimula a demanda efetiva regional, mitiga as disparidades estrutural-produtivas regionais, preserva a economia regional dos impactos de crises externas, padroniza os impostos - e, portanto, os pre&ccedil;os finais - que incidem sobre os produtos exportados e importados, cria um fundo de reservas internacionais para ser disponibilizado em situa&ccedil;&otilde;es de crises de balan&ccedil;o de pagamentos dos pa&iacute;ses-membros e propicia, por meio do SPML, a expans&atilde;o do com&eacute;rcio, principalmente das micro e pequenas empresas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos governos Lula da Silva I e II, per&iacute;odo 2003-2010, as rela&ccedil;&otilde;es comerciais (exporta&ccedil;&otilde;es e importa&ccedil;&otilde;es) do Brasil com o resto do mundo foram diversificadas, tanto em termos de produtos exportados e importados, quanto no que diz respeito aos seus parceiros comerciais, cuja consequ&ecirc;ncia foi uma expressiva eleva&ccedil;&atilde;o da <i>performance</i> da balan&ccedil;a comercial: conjuntamente as exporta&ccedil;&otilde;es e as importa&ccedil;&otilde;es aumentaram de US$ 107,6 bilh&otilde;es, em 2002, para US$ 383,5 bilh&otilde;es, em 2010 (IPEA, 2023) &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por sua vez, o com&eacute;rcio intrarregional da AS, no mesmo per&iacute;odo, tamb&eacute;m cresceu substancialmente: o total das exporta&ccedil;&otilde;es e importa&ccedil;&otilde;es entre os pa&iacute;ses da Regi&atilde;o se elevou de US$ 73,1 bilh&otilde;es para US$ 201,8 bilh&otilde;es, um aumento de 176,1% (CEPAL, 2023) &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Diante desses n&uacute;meros, faz sentido o presidente Lula da Silva, em seu terceiro mandato, n&atilde;o somente buscar inserir, novamente, o Brasil no cen&aacute;rio pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico internacional &ndash; diga-se de passagem, n&atilde;o &eacute; demais ressaltar, mais uma vez, que o Brasil perdeu espa&ccedil;o no referido cen&aacute;rio principalmente durante o governo Jair Bolsonaro &ndash;, mas, tamb&eacute;m, resgatar o processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS, a partir da UNASUL.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entendendo que a UNASUL &eacute; um relevante processo de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica na AS e ciente de que, em um mundo globalizado financeiramente e com significativas desigualdades econ&ocirc;mico-sociais entre os pa&iacute;ses desenvolvidos, emergentes e n&atilde;o desenvolvidos, as rela&ccedil;&otilde;es comerciais e financeiras Sul-Sul devem ser estimuladas e as integra&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas regionais (blocos econ&ocirc;micos) s&atilde;o, na impossibilidade de se ter uma nova ordem econ&ocirc;mica mundial, o <i>second best</i>, o artigo prop&ocirc;s um arranjo institucional para a UNASUL.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse particular, a partir da ICU de Keynes, foi proposta a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>Regional Market Maker</i>, CRU, alicer&ccedil;ado em alguns princ&iacute;pios e institucionalidades, alguns  atualmente existentes e outros a serem criados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"> Finalizando, uma reflex&atilde;o. Se, economicamente, a cria&ccedil;&atilde;o da CRU parece ser vi&aacute;vel, talvez as dificuldades para a sua execu&ccedil;&atilde;o sejam, entre outras, as seguintes: por um lado, Chile, Col&ocirc;mbia e Peru participam da Alian&ccedil;a do Pac&iacute;fico, que tem por objetivo estabelecer o livre-com&eacute;rcio no bloco econ&ocirc;mico, e Mercosul e Uni&atilde;o Europeia buscam fechar um acordo com v&aacute;rios protocolos de livre-com&eacute;rcio; e, por outro lado, alguns pa&iacute;ses da UNASUL se op&otilde;em, por quest&otilde;es pol&iacute;ticas, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da Venezuela em quaisquer projetos de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da AS.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Enfim, se a CRU &eacute; fact&iacute;vel, a sua implementa&ccedil;&atilde;o ser&aacute;, parafraseando Lennon &amp; McCartney, um &ldquo;<i>long and winding road</i>&rdquo;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. KEYNES, J. M. <i>XXV Activities 1940-44</i>: Shaping the Post-War World Clearing Union. London: Palgrave Macmillan, 1980.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME (UNDP). <i>Human Development Reports</i>. New York: UNDP, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. INTERNATIONAL MONETARY FUND (IMF). <i>Data and statistics</i>. Washington: IMF, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. INSTITUTO DE PESQUISA ECON&Ocirc;MICA APLICADA (IPEA). <i>Ipeadata</i>: S&eacute;ries Hist&oacute;ricas. Bras&iacute;lia: IPEA, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. COMISI&Oacute;N ECON&Oacute;MICA PARA AM&Eacute;RICA LATINA Y EL CARIBE (CEPAL). <i>Fuentes de informaci&oacute;n estad&iacute;stica</i>. Santiago de Chile: CEPAL, 2023.    </font></p>      ]]></body><back>
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