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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20230038</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memória e reconstruções sociais: Memória social e Comissões da Verdade: o caso das Universidades Públicas no Ceará]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Mem&oacute;ria e reconstru&ccedil;&otilde;es sociais. Mem&oacute;ria social e Comiss&otilde;es da Verdade: o caso das Universidades P&uacute;blicas no Cear&aacute;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>C&eacute;sar Barreira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Professor em Sociologia do Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia da Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC). &Eacute; pesquisador do CNPq (n&iacute;vel I-A), fundador do Laborat&oacute;rio de Estudos da Viol&ecirc;ncia da UFC e l&iacute;der do Grupo de Pesquisa em Poder, Viol&ecirc;ncia e Cidadania do CNPq</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este estudo trabalha a rela&ccedil;&atilde;o entre a mem&oacute;ria social e os trabalhos das comiss&otilde;es da verdade nas Universidades p&uacute;blicas. Em busca de encontrar um caminho para esse desafio, o presente artigo divide-se em dois momentos. No primeiro, o tema ser&aacute; problematizado com base em algumas reflex&otilde;es de estudiosos que se debru&ccedil;aram sobre a mat&eacute;ria. Maurice Halbwachs, pioneiro no estudo da mem&oacute;ria, acentua seu car&aacute;ter social relacionado &agrave; estrutura material de grupos e popula&ccedil;&otilde;es. Outro autor de destaque nessa reflex&atilde;o &eacute; Michael Pollak, cujo interesse acad&ecirc;mico esteve direcionado, de in&iacute;cio, para as rela&ccedil;&otilde;es entre Pol&iacute;tica e Ci&ecirc;ncias Sociais. A refer&ecirc;ncia a esses supostos est&aacute; longe de esgotar o tema, destacando-se, no caso deste artigo, duas quest&otilde;es. A primeira destaca a ideia da mem&oacute;ria como fato social, e a segunda refere-se &agrave; vig&ecirc;ncia pol&iacute;tica da mem&oacute;ria que se pluraliza e op&otilde;e a mem&oacute;ria oficial e a mem&oacute;ria de coletivos dominados em v&aacute;rios momentos da hist&oacute;ria. O segundo momento aborda os trabalhos da Comiss&atilde;o &ldquo;<i>Mem&oacute;ria e Verdade das Universidades P&uacute;blicas do Estado do Cear&aacute;</i>&rdquo;. A pesquisa teve como foco a mem&oacute;ria e a constitui&ccedil;&atilde;o da verdade, principalmente com amparo nos depoimentos de ex-estudantes ou ex-professores, classificados como militantes pol&iacute;ticos, que sofreram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, no &acirc;mbito das Universidades, por parte dos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o do regime militar implantado no Brasil, em 1964.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Mem&oacute;ria; Verdade; Direitos humanos; Universidade; Ditadura.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Reportar-se &agrave; mem&oacute;ria &eacute; adentrar em uma tem&aacute;tica com v&aacute;rias possibilidades de an&aacute;lises. Em busca de encontrar um caminho para esse desafio, o presente artigo divide-se em dois momentos. No primeiro, o tema ser&aacute; problematizado com base em algumas reflex&otilde;es de estudiosos que se debru&ccedil;aram sobre a mat&eacute;ria. O segundo momento aborda os trabalhos da Comiss&atilde;o &ldquo;<i>Mem&oacute;ria e Verdade das Universidades P&uacute;blicas do Estado do Cear&aacute;</i>&rdquo;, constitu&iacute;do a partir do depoimento de antigos militantes pol&iacute;ticos ligados a essas institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Maurice Halbwachs, pioneiro no estudo da mem&oacute;ria, acentua seu car&aacute;ter social relacionado &agrave; estrutura material de grupos e popula&ccedil;&otilde;es. O autor fez parte de uma gera&ccedil;&atilde;o de intelectuais que procurava desenvolver uma ci&ecirc;ncia aplicada &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais. O conceito de mem&oacute;ria social trabalhado pelo autor foi desenvolvido sobretudo na obra &ldquo;<i>Os quadros sociais da Mem&oacute;ria</i>&rdquo; (1952), apontando delinea&ccedil;&otilde;es claras sobre o que seria uma sociologia baseada no tema da rememora&ccedil;&atilde;o. Nela, Halbwachs dialogou com a Psicologia (Freud) e com a Filosofia (Bergson), elaborando uma abordagem alicer&ccedil;ada na Sociologia de &Eacute;mile Durkheim. Concluiu serem as lembran&ccedil;as frutos de quadros socialmente adquiridos, n&atilde;o havendo cria&ccedil;&atilde;o ou inspira&ccedil;&atilde;o no ato de rememorar. Nesse sentido, o que existe &eacute; uma complexa combina&ccedil;&atilde;o de variados quadros adquiridos socialmente no percurso dos indiv&iacute;duos, sendo os atos de lembrar e esquecer associados &agrave; vida social. No intercurso das ideias, a mem&oacute;ria, at&eacute; ent&atilde;o, amplamente reconhecida como determinada por aspectos subjetivos, passou a ser objeto de estudo como fato social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Outro autor digno de destaque nessa reflex&atilde;o &eacute; Michael Pollak, cujo interesse acad&ecirc;mico esteve direcionado, de in&iacute;cio, para as rela&ccedil;&otilde;es entre Pol&iacute;tica e Ci&ecirc;ncias Sociais, tema de sua tese de doutorado orientada por Pierre Bourdieu e defendida na <i>&Eacute;cole Pratique des Hautes &Eacute;tudes</i>, em 1975. Na ocasi&atilde;o, os diversos ambientes investigativos conflu&iacute;am para uma reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre o problema da identidade social em situa&ccedil;&otilde;es-limite. A primeira proposi&ccedil;&atilde;o expressa por v&aacute;rios estudiosos dessa &aacute;rea do conhecimento repousa na ideia de que o conceito de mem&oacute;ria social &eacute; transdisciplinar, n&atilde;o pertencendo a qualquer disciplina espec&iacute;fica (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Eacute; importante evidenciar que os textos sobre Memória Social, de Pollak, quase sempre iniciam perguntando: O que &eacute; memória social?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A liga&ccedil;&atilde;o entre mem&oacute;ria e identidade social, especificamente, no &acirc;mbito das hist&oacute;rias de vida, &eacute; para o soci&oacute;logo vian&ecirc;s uma tentativa de encontrar uma metodologia para apreender, nos vest&iacute;gios da mem&oacute;ria, aquilo que &eacute; apto a relacion&aacute;-los, a exemplo da mem&oacute;ria pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O ponto de relevo est&aacute; no fato de que, para Michael Pollak, se for levado em conta certo n&uacute;mero de conceitos usados frequentemente na Hist&oacute;ria, principalmente da Fran&ccedil;a, h&aacute; algumas designa&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das a determinados per&iacute;odos, que aludem diretamente a fatos de mem&oacute;ria, muito mais do que a acontecimentos ou eventos hist&oacute;ricos n&atilde;o trabalhados por mem&oacute;rias. Por exemplo, quando se fala nos &ldquo;anos sombrios&rdquo; para designar a &eacute;poca do Estado Franc&ecirc;s de Vichy &ndash; a conhecida <i>Rep&uacute;blica-Fantoche</i> &ndash; sob o marechal Henri Philippe P&eacute;tain, ou se a fala nos reporta aos &ldquo;trinta gloriosos&rdquo;, que s&atilde;o os 30 anos posteriores a 1945, essas express&otilde;es remetem mais a no&ccedil;&otilde;es de mem&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em termos metodol&oacute;gicos, Pollak analisa elementos constitutivos da mem&oacute;ria, individual ou coletiva. Considera que em primeiro lugar est&atilde;o os acontecimentos vividos pessoalmente. Depois, as ocorr&ecirc;ncias &ldquo;vividas por tabela&rdquo;, ou seja, experimentadas pelo grupo ou coletividade &agrave; qual a pessoa se sente pertencer. S&atilde;o acontecimentos dos quais ela nem sempre participou, mas que, no imagin&aacute;rio, tomaram tamanho relevo que, no fim das contas, &eacute; quase imposs&iacute;vel que ela consiga saber se fez parte deles.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os acontecimentos vividos por tabela v&ecirc;m se juntar a todos os eventos n&atilde;o situados no &acirc;mbito do espa&ccedil;o-tempo de uma pessoa ou de um grupo. &Eacute; perfeitamente poss&iacute;vel que, por meio da socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ou da socializa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, ocorra um fen&ocirc;meno de proje&ccedil;&atilde;o ou de identifica&ccedil;&atilde;o com determinado passado, t&atilde;o robusto ao ponto de ser suscet&iacute;vel de se referir a uma mem&oacute;ria quase que herdada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Al&eacute;m dos acontecimentos e das pessoas, Pollak arrola os lugares. Existem <i>loci</i> da mem&oacute;ria, particularmente ligados a uma lembran&ccedil;a pessoal, mas tamb&eacute;m desprovida de apoio no tempo cronol&oacute;gico. Exemplificando, um lugar de f&eacute;rias na inf&acirc;ncia, que permaneceu muito intenso na mem&oacute;ria da pessoa, independentemente da data real em que a viv&ecirc;ncia sucedeu. Na mem&oacute;ria mais p&uacute;blica, &eacute; prov&aacute;vel haver lugares de apoio referentes aqueles de comemora&ccedil;&atilde;o; locais muito long&iacute;nquos, fora do espa&ccedil;o-tempo da vida de uma personagem, s&atilde;o constitutivos de ambientes importantes para a mem&oacute;ria do grupo e, por conseguinte, da pr&oacute;pria pessoa, seja por tabela, seja por perten&ccedil;a a esse grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Al&eacute;m de diversas proje&ccedil;&otilde;es que, recorrentemente, sucedem em rela&ccedil;&atilde;o a eventos, lugares e personagens, h&aacute; tamb&eacute;m o problema dos vest&iacute;gios datados da mem&oacute;ria, ou seja, aquilo que resta gravado como data precisa de um acontecimento, revelando seletividade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As pesquisas de Pollak, ao privilegiarem a an&aacute;lise dos exclu&iacute;dos, marginalizados e minorias, ressaltaram, na hist&oacute;ria oral, a import&acirc;ncia de mem&oacute;rias subterr&acirc;neas que se op&otilde;em &agrave; &ldquo;mem&oacute;ria oficial&rdquo;, no caso, a mem&oacute;ria nacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A refer&ecirc;ncia a esses supostos est&atilde;o longe de esgotar o tema, destacando-se no caso desse artigo duas quest&otilde;es. A primeira destaca a ideia da mem&oacute;ria como fato social e a segunda refere-se &agrave; vig&ecirc;ncia pol&iacute;tica da mem&oacute;ria que se pluraliza e op&otilde;e a mem&oacute;ria oficial e a mem&oacute;ria de coletivos dominados em v&aacute;rios momentos da hist&oacute;ria. Tomo esta &uacute;ltima elabora&ccedil;&atilde;o de Pollak para pensar a oposi&ccedil;&atilde;o entre mem&oacute;ria e verdade, que deu subs&iacute;dio ao investimento narrado a seguir, referente ao estudo sobre a Comiss&atilde;o da Verdade das Universidades P&uacute;blicas do Cear&aacute;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;Com implanta&ccedil;&atilde;o do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, foi configurado um novo momento no plano da repress&atilde;o, instaurando-se um clima de terror nas universidades, ocorrendo v&aacute;rias pris&otilde;es e expuls&otilde;es de estudantes, for&ccedil;ando que uma boa parcela deles entrasse na clandestinidade.&rdquo;</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Mem&oacute;ria e verdade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A pesquisa teve como foco a mem&oacute;ria e a constitui&ccedil;&atilde;o da verdade, principalmente, com amparo nos depoimentos de ex-estudantes ou ex-professores, classificados como militantes pol&iacute;ticos, que sofreram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, no &acirc;mbito das Universidades p&uacute;blicas, por parte dos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o do regime militar implantado no Brasil, em 1964.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 2013, foi criada, em comum acordo entre os reitores da Universidade Estadual do Cear&aacute; (UECE) e da Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), uma &ldquo;Comiss&atilde;o da Verdade das Universidades do Estado do Cear&aacute;&rdquo;. Esta foi destinada a examinar e esclarecer as graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, praticadas durante a ditadura militar, com apoio de setores civis, que vigorou no Pa&iacute;s de 31 de mar&ccedil;o de 1964 a 15 de mar&ccedil;o de 1985, contra docentes, alunos e funcion&aacute;rios n&atilde;o docentes das duas academias. As contribui&ccedil;&otilde;es dessa Comiss&atilde;o serviram de subs&iacute;dios para a Comiss&atilde;o Nacional da Verdade, no que se referem, fundamentalmente, &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e a informa&ccedil;&otilde;es sobre professores, alunos e funcion&aacute;rios presos e que sofreram torturas, desapareceram ou foram mortos, bem como os docentes banidos e os alunos impedidos de frequentar as universidades. A Comiss&atilde;o das Universidades do Estado do Cear&aacute; trabalhou, principalmente, como fonte de dados, os depoimentos prestados &agrave; Comiss&atilde;o por professores, estudantes e funcion&aacute;rios v&iacute;timas dos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p><b></b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os depoimentos de pessoas que passaram por viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos ocupam lugar central nas configura&ccedil;&otilde;es de reconstitui&ccedil;&otilde;es da mem&oacute;ria de uma verdade, ainda em grande parte desconhecida. Os depoentes foram escolhidos ou selecionados com amparo em uma pesquisa explorat&oacute;ria, com pessoas que vivenciaram os momentos mais intensos de repress&atilde;o nas universidades e que conheciam professores, estudantes e funcion&aacute;rios que haviam sido expulsos da vida acad&ecirc;mica, presos ou submetidos &agrave; vida clandestina. Preparada uma lista inicial de nomes, esta foi sendo acrescida de outras indica&ccedil;&otilde;es. O rol dos depoentes convidados foi elaborado da maneira mais ampla poss&iacute;vel, buscando cobrir um conjunto plenamente representativo em termos de momentos hist&oacute;ricos vividos, inser&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e gravidades das viola&ccedil;&otilde;es sofridas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;Um dos aspectos que demarcaram os preju&iacute;zos na universidade, resultante do golpe de 1964, &eacute; o tempo que alguns estudantes levaram para a conclus&atilde;o dos seus cursos, provocados por pris&otilde;es, afastamentos ou expuls&otilde;es e a vida clandestina.&rdquo;</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Analisar a documenta&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; ditadura militar no &acirc;mbito das universidades p&uacute;blicas do Estado do Cear&aacute;, no per&iacute;odo de 1964 a 1985, implicou adentrar o terreno de uma viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica cometida contra a comunidade acad&ecirc;mica dessas institui&ccedil;&otilde;es e abordar as pr&aacute;ticas adotadas pelos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o do Estado brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Praticamente a totalidade dos depoentes vitimados pela repress&atilde;o foi detida e presa ilegalmente, com encarceramentos de variadas dura&ccedil;&otilde;es, mas que, na totalidade, nunca obedeciam a qualquer norma legal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um aspecto importante, ressaltado nos depoimentos, &eacute; que, do mesmo modo como os aparelhos ideol&oacute;gicos da repress&atilde;o contavam com todo um aparato para que suas a&ccedil;&otilde;es fossem concretizadas, ganhando destaque pessoas infiltradas irregularmente nas Universidades, alguns professores, funcion&aacute;rios ou estudantes que exerciam o papel de colaboradores, o movimento estudantil tamb&eacute;m se organizou como podia. Nessa perspectiva, estruturaram suas redes sociais informais a fim de que suas a&ccedil;&otilde;es fossem concretizadas. Assim, tinham sua rede sintagm&aacute;tica e paradigm&aacute;tica para divulgar suas a&ccedil;&otilde;es e se protegerem dos organismos repressores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O desmantelamento ou a &ldquo;opera&ccedil;&atilde;o-limpeza&rdquo; nas universidades, como relatado nos depoimentos, ocorreu, clara e principalmente, pela expuls&atilde;o de alguns professores e na interven&ccedil;&atilde;o das entidades estudantis. Se esse processo, no primeiro momento, levou a um recuo dos movimentos de contesta&ccedil;&atilde;o no interior das universidades, logo em seguida, ressurgiram as contesta&ccedil;&otilde;es, principalmente por parte do movimento estudantil. Com a implanta&ccedil;&atilde;o do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, foi configurado um novo momento no plano da repress&atilde;o, instaurando-se um clima de terror nas universidades, ocorrendo v&aacute;rias pris&otilde;es e expuls&otilde;es de estudantes, for&ccedil;ando que uma boa parcela deles entrasse na clandestinidade.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;As pr&aacute;ticas ditatoriais no Estado castraram e alijaram, em boa parte da vida pol&iacute;tica brasileira, toda uma gera&ccedil;&atilde;o que estava sendo formada e gestada na pr&aacute;tica pol&iacute;tica estudantil; uma lideran&ccedil;a que vivenciava pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas, em um clima pol&iacute;tico de compartilhamento.&rdquo;</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A ilegalidade, como ressaltado, marcou profundamente as pris&otilde;es, tendo como aspectos delineadores a aus&ecirc;ncia de processos judiciais e o uso da for&ccedil;a e da viol&ecirc;ncia. As pris&otilde;es ocorriam, na sua maioria, nas resid&ecirc;ncias dos pais dos estudantes, sendo sequenciadas por torturas f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As ilegalidades e n&atilde;o transpar&ecirc;ncias marcaram os processos de expuls&atilde;o. Em alguns casos, o Decreto-Lei 477 era acionado e, em sua maioria, decorriam de um ato administrativo da dire&ccedil;&atilde;o da universidade, constando afirma&ccedil;&otilde;es como: &ldquo;suspensa matr&iacute;cula por ordem superior&rdquo;. Um dos aspectos que demarcaram os preju&iacute;zos na universidade, resultante do golpe de 1964, &eacute; o tempo que alguns estudantes levaram para a conclus&atilde;o dos seus cursos, provocados por pris&otilde;es, afastamentos ou expuls&otilde;es e a vida clandestina.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um aspecto importante na conforma&ccedil;&atilde;o do movimento estudantil &eacute; configurado nas perdas pol&iacute;ticas e de cidadania sofridas &agrave; extens&atilde;o do tempo. Os espa&ccedil;os pol&iacute;ticos e culturais ent&atilde;o utilizados pelo Diret&oacute;rio Central dos Estudantes e pelos centros acad&ecirc;micos s&atilde;o praticamente irrecuper&aacute;veis. Esses ocupavam uma pauta acad&ecirc;mica, pol&iacute;tica e cultural antes de 1964 e totalmente cerceada em 1968.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Segundo os depoimentos, as pr&aacute;ticas ditatoriais no Estado castraram e alijaram, em boa parte da vida pol&iacute;tica brasileira, toda uma gera&ccedil;&atilde;o que estava sendo formada e gestada na pr&aacute;tica pol&iacute;tica estudantil; uma lideran&ccedil;a que vivenciava pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas, em um clima pol&iacute;tico de compartilhamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os depoimentos, colhidos pela Comiss&atilde;o da Verdade das Universidades P&uacute;blicas do Cear&aacute;, podem ser nomeados como uma tentativa de resgatar as hist&oacute;rias de vida de militantes pol&iacute;ticos que foram v&iacute;timas do regime, a partir do golpe militar de 1964.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Durante os depoimentos, ficou muito presente a discuss&atilde;o que Halbwachs fez sobre os atos de lembrar e esquecer, associados com a vida social. Os militantes pol&iacute;ticos utilizaram imagens do passado, nos seus depoimentos, como participantes de comunidades afetivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A transdisciplinariedade da mem&oacute;ria social, enfatizada por Pollak, evidenciou-se no fato de tratar a mem&oacute;ria como n&atilde;o pertencente a qualquer disciplina espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um aspecto tamb&eacute;m presente na constru&ccedil;&atilde;o dos relatos das hist&oacute;rias de vida configurou um fen&ocirc;meno de proje&ccedil;&atilde;o ou de identifica&ccedil;&atilde;o com determinados fatos do passado dos &ldquo;anos sombrios&rdquo;. Os depoimentos, seguindo a perspectiva de Pollak, indicaram fatores de proje&ccedil;&atilde;o e de socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica associados ao sofrimento, ao risco de vida e &agrave; dificuldade posterior de recomposi&ccedil;&atilde;o de caminhos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. BARREIRA, C.; BAIMA, E.; PINTO, V. B. A repress&atilde;o ap&oacute;s o Golpe Militar de 1964 e a resist&ecirc;ncia universit&aacute;ria: as graves viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. <i>In</i>: DI&Oacute;GENES, O. M.; GON&Ccedil;ALVES, D.; MARQUES, P. R. E. O. <i>Ainda 1964: hist&oacute;ria, pol&iacute;tica e sensibilidade</i>. Fortaleza: Edi&ccedil;&otilde;es INESP, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. BARROS, J. D. Hist&oacute;ria e mem&oacute;ria: uma rela&ccedil;&atilde;o na conflu&ecirc;ncia entre tempo e espa&ccedil;o. <i>Mousein</i>, S&atilde;o Paulo, v. 3, n. 5, jan./jul. 2009.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. GONDAR, J. Mem&oacute;ria, poder e resist&ecirc;ncia. <i>In</i>: GONDAR, J.; BORRENCHER, M. <i>Trilhas do contempor&acirc;neo</i>. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. HALBWACHS, M. <i>A mem&oacute;ria coletiva</i>. S&atilde;o Paulo: Centauro, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. HALBWACHS, M. <i>Morfologia social</i>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. HALBWACHS, M. <i>Los marcos sociales de la mem&oacute;ria</i>. Barcelona: Antropos, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. NORA, P. Entre mem&oacute;ria e hist&oacute;ria: a problem&aacute;tica dos lugares. <i>Projeto Hist&oacute;ria: Revista do Programa de Estudos P&oacute;s-Graduados de Hist&oacute;ria PUC-SP</i>, S&atilde;o Paulo, v. 10, 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. POLLAK, M. Mem&oacute;ria, esquecimento, sil&ecirc;ncio. <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, 1989.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. POLLAK, M. Mem&oacute;ria e identidade social. <i>Estudos Hist&oacute;ricos</i>, Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, 1992.    </font></p>      ]]></body><back>
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