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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por onde anda a integração latino-americana pela educação?: Pensadores de diversas correntes e visões apresentam críticas e sugestões para um desafio que atravessa cinco séculos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Por onde anda a integra&ccedil;&atilde;o latino-americana pela educa&ccedil;&atilde;o? Pensadores de diversas correntes e vis&otilde;es apresentam cr&iacute;ticas e sugest&otilde;es para um desafio que atravessa cinco s&eacute;culos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Bruno Cesar Dias</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Jornalista e doutorando em Sa&uacute;de P&uacute;blica pela ENSP/Fiocruz</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Expectativa: uma Am&eacute;rica unida e soberana, pavimentada pelas riquezas naturais e pela educa&ccedil;&atilde;o. Realidade: um continente extremamente desigual, com sistemas educacionais de grande incompatibilidade, com barreiras lingu&iacute;sticas e pol&iacute;ticas, dependente e tutelado pelas ag&ecirc;ncias econ&ocirc;micas e internacionais para efetivar sua inser&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio global. O sonho de lideran&ccedil;as hist&oacute;ricas e intelectuais, como Sim&oacute;n Bol&iacute;var (Venezuela), Jos&eacute; Mart&iacute; (Cuba) e Darcy Ribeiro (Brasil), de uma integra&ccedil;&atilde;o latino-americana pela educa&ccedil;&atilde;o, patina diante de um mundo que atravessa a quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial, o dom&iacute;nio da financeiriza&ccedil;&atilde;o e as emerg&ecirc;ncias clim&aacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os caminhos a serem trilhados &ndash; mobilidade, integra&ccedil;&atilde;o curricular e pol&iacute;ticas de coopera&ccedil;&atilde;o &ndash; s&atilde;o sabidos, por&eacute;m, t&iacute;midos, isolados e distantes de serem implementados enquanto uma pol&iacute;tica p&uacute;blica continental. Entretanto, a valoriza&ccedil;&atilde;o de uma identidade latino-americana decolonial e interseccional, tendo a diversidade como seu maior ativo educacional, talvez seja o farol necess&aacute;rio para iluminar essa estrada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As marcas da origem colonial que ainda nos constitui</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nossas veias abertas ainda carregam e exp&otilde;em marcas de mais de 500 anos de coloniza&ccedil;&atilde;o. Na educa&ccedil;&atilde;o isso n&atilde;o seria diferente. A primeira universidade no continente foi a <i>Universidad Aut&oacute;noma de Santo Domingo</i>, na Rep&uacute;blica Dominicana, criada por meio da <i>Bula In Apostolatus Culmine</i>, emitida em 28 de outubro de 1538, pelo Papa Paulo III, que elevou o Col&eacute;gio de Estudo Geral que os Dominicanos dirigiam na sede do primeiro vice-reinado espanhol instalado nas Am&eacute;ricas (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O modelo das universidades confessionais imperou na Am&eacute;rica Espanhola. &Agrave; medida que os vice-reinados foram constituindo suas rep&uacute;blicas, arranjos independentes foram organizados. O Brasil s&oacute; come&ccedil;aria a ter suas institui&ccedil;&otilde;es de ensino a partir do s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Essa heran&ccedil;a e os modelos decorrentes adotados pelos pa&iacute;ses est&atilde;o entre as primeiras dificuldades para uma efetiva integra&ccedil;&atilde;o latino-americana. Helena Sampaio, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e secret&aacute;ria de regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), identifica nas reformas educacionais da d&eacute;cada de 1970 um dos momentos recentes no qual a distin&ccedil;&atilde;o desses caminhos foi aprofundada. &ldquo;Foram desenvolvimentos muito diferentes. M&eacute;xico e Argentina fizeram uma expans&atilde;o da universidade p&uacute;blica nos anos 1970, criando megauniversidades nacionais, como a <i>Universidad Nacional de M&eacute;xico</i> e a <i>Universidad de Buenos Aires</i>. S&atilde;o pa&iacute;ses com acesso universal &agrave; forma&ccedil;&atilde;o superior. A nossa reforma universit&aacute;ria, de 1968, foi no sentido de criar uma universidade de pesquisa, um modelo menor, mais caro e descentralizado, com uma abertura j&aacute; bastante consider&aacute;vel, desde ent&atilde;o, para a massifica&ccedil;&atilde;o de vagas pelo setor privado. J&aacute; Chile, Col&ocirc;mbia e Peru mantiveram uma forte tradi&ccedil;&atilde;o de universidades confessionais. S&atilde;o sistemas muito heterog&ecirc;neos, com modelos pr&oacute;prios e diferen&ccedil;as muito grandes, o que impede uma maior mobilidade e acredita&ccedil;&atilde;o das forma&ccedil;&otilde;es&rdquo;, destaca a pesquisadora, respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o do primeiro n&uacute;cleo de pesquisas dedicado ao tema, o N&uacute;cleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da Universidade de S&atilde;o Paulo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;A valoriza&ccedil;&atilde;o de uma identidade latino-americana decolonial e interseccional, tendo a diversidade como seu maior ativo educacional, talvez seja o farol necess&aacute;rio para iluminar essa estrada.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para Marcelo Knobel, professor do Instituto de F&iacute;sica &ldquo;Gleb Wataghin&rdquo; e ex-reitor da Unicamp, a marca colonial ainda orienta os nossos olhares e anseios para o norte global, mantendo-nos de costas para os pa&iacute;ses vizinhos. &ldquo;Carregamos da nossa hist&oacute;ria colonial a vis&atilde;o de que o que vem do Norte global e pa&iacute;ses desenvolvidos &eacute; melhor. Nossas universidades acabam contribuindo e colaborando com institui&ccedil;&otilde;es l&aacute; longe e nem sequer conversam com uma universidade instalada na sua mesma cidade, quanto menos com universidades da Am&eacute;rica Latina&rdquo;, refor&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Experi&ecirc;ncias pontuais evidenciam baixo compromisso institucional</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Contudo, existem, sim, experi&ecirc;ncias exitosas. H&aacute; 13 anos, o doutorado latino-americano em educa&ccedil;&atilde;o forma professores para educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica interessados no debate e em uma maior mobilidade entre os pa&iacute;ses latino-americanos. Entre as 11 institui&ccedil;&otilde;es integrantes, a Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) &eacute; uma das sedes do Programa e conta com mais de 50 teses defendidas. &ldquo;Orientamos estudantes de v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, do M&eacute;xico, de Cuba, da Argentina, Chile e Col&ocirc;mbia, que &eacute; o pa&iacute;s que mais envia estudantes&rdquo;, explica Dalila Andrade, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da UFMG e diretora de coopera&ccedil;&atilde;o institucional e inova&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq). Ela destaca que o Programa Institucional de Internacionaliza&ccedil;&atilde;o (PrInt) da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) tem sido mais aberto &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es fora do Norte Global. Por parte do CNPq, a pesquisadora ressalta uma nova coordena&ccedil;&atilde;o de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, que tem constru&iacute;do acordos bilaterais e por grupos de pa&iacute;s, como com os BRICs, em processos cofinanciados e/ou com demandas espec&iacute;ficas. Atualmente, n&atilde;o h&aacute; nenhuma linha espec&iacute;fica para a Am&eacute;rica do Sul ou Am&eacute;rica Latina, mas &eacute; poss&iacute;vel projetos e candidaturas individuais tamb&eacute;m para bolsas no exterior, desde que j&aacute; com algum grau de interlocu&ccedil;&atilde;o com a institui&ccedil;&atilde;o parceira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">De todas as iniciativas em ensino superior, a grande aposta brasileira &eacute; a Universidade Federal da Integra&ccedil;&atilde;o Latino-Americana (Unila). Criada no movimento de amplia&ccedil;&atilde;o dos cursos superiores, conhecido como o Programa de Apoio a Planos de Reestrutura&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o das Universidades Federais (Reuni), a proposta foi apresentada pelo governo federal, em 2007, e aprovada por unanimidade em todas as comiss&otilde;es, tanto na C&acirc;mara dos Deputados, sendo sancionada (Lei n&ordm; 12.189) em 12 de janeiro de 2010. Atualmente, a universidade conta com 29 cursos e recebe estudantes de 10 diferentes nacionalidades.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>&ldquo;A marca colonial ainda orienta os nossos olhares e anseios para o norte global, mantendo-nos de costas para os pa&iacute;ses vizinhos.&rdquo;</i></b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&quot;Embora a Unila seja um projeto de integra&ccedil;&atilde;o latino-americana, ela ainda &eacute; uma iniciativa nascente, e que n&atilde;o conta com apoio financeiro de nenhum outro pa&iacute;s. No momento, ainda funciona mais como um espa&ccedil;o de integra&ccedil;&atilde;o&quot;, avalia Erico Massoli Pereira, secret&aacute;rio do Programa de Pós-Gradua&ccedil;&atilde;o em Integra&ccedil;&atilde;o Contempor&acirc;nea Latino-Americana (PPGICAL/Unila). Doutor em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, em sua tese de doutorado, Erico Pereira estudou a fundo as institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pela produ&ccedil;&atilde;o de discursos e olhares sobre a Am&eacute;rica Latina em diversos momentos – com destaque para a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (CEPAL), o Programa de Pós-Gradua&ccedil;&atilde;o Interunidades em Integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina (PROLAM/USP), o Itamaraty, o Conselho Latino-americano de Ci&ecirc;ncias Sociais (CLACSO) e, mais recentes, como o Foro de S&atilde;o Paulo. &quot;Na pesquisa na &aacute;rea em regionalismo e integra&ccedil;&atilde;o, as perspectivas econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e comercial se imp&otilde;em. Na d&eacute;cada de 1970, por exemplo, houve um certo momento que a CEPAL era a grande refer&ecirc;ncia. Contudo, a sequ&ecirc;ncia de golpes de Estado por que passou o continente a esvaziou, ainda que ela seja uma grande refer&ecirc;ncia hoje. A educa&ccedil;&atilde;o e a cultura, infelizmente, ficam para tr&aacute;s. Pensando na educa&ccedil;&atilde;o superior, diria ent&atilde;o que &eacute; um tema bastante pantanoso dadas circunst&acirc;ncias t&atilde;o diversas e plurais em que a gente vive&quot;, detalha o pesquisador.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, l&iacute;ngua ainda &eacute; uma barreira, aprofundada por mecanismos de avalia&ccedil;&atilde;o sob organismos internacionais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Se no cen&aacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o superior a for&ccedil;a dos modelos hist&oacute;ricos e econ&ocirc;micos dificulta um processo mais aut&ocirc;nomo, na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica a principal barreira ainda &eacute; a lingu&iacute;stica. E se os organismos internacionais deveriam fazer press&atilde;o para uma melhor integra&ccedil;&atilde;o e supera&ccedil;&atilde;o dessa barreira, suas escolhas por modelos avaliativos refor&ccedil;am e aprofundam as dificuldades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A baixa ou quase nula exist&ecirc;ncia de disciplinas de l&iacute;ngua espanhola ficou ainda mais precarizada com as novas mudan&ccedil;as da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que n&atilde;o mais prev&ecirc; o ensino de espanhol como obrigat&oacute;rio, mas somente nos itiner&aacute;rios formativos e de acordo com a decis&atilde;o e o desejo da escola e da comunidade. A exce&ccedil;&atilde;o s&atilde;o algumas escolas de fronteira, que adotam o modelo bil&iacute;ngue.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O novo ensino m&eacute;dio, segundo os especialistas, dificultou ainda mais a possibilidade de uma integra&ccedil;&atilde;o na fase de forma&ccedil;&atilde;o que, para muitos, seria a essencial.  &ldquo;Vemos uma l&oacute;gica de revis&otilde;es curriculares e de flexibiliza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos feitas na base da press&atilde;o que visa acelerar a forma&ccedil;&atilde;o, tanto na gradua&ccedil;&atilde;o como no ensino m&eacute;dio, com menos gastos e com menos custos. &Eacute; um modelo dr&aacute;stico, impositivo e retr&oacute;grado, que ao aliar itiner&aacute;rios formativos com educa&ccedil;&atilde;o integral leva a uma expuls&atilde;o dos jovens pobres da escola&rdquo;, aponta Eblin Farage, professora da Escola de Servi&ccedil;o Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-presidente do Sindicato Nacional de docentes do Ensino Superior (ANDES-SN) (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para a pesquisadora, que trabalha com quest&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o em comunidades perif&eacute;ricas no Rio de Janeiro, o modelo dos itiner&aacute;rios, al&eacute;m de limitar a forma&ccedil;&atilde;o, leva a preju&iacute;zos econ&ocirc;micos. &ldquo;Nesse modelo, se 30 jovens saem de uma escola de um ano para o outro, essas vagas ficam ociosas porque s&oacute; poderiam ser aproveitadas por jovens que tivessem feito o mesmo itiner&aacute;rio no primeiro ano. Ent&atilde;o, come&ccedil;a-se o ensino m&eacute;dio com um determinado n&uacute;mero de alunos e se formam muito menos. Isso &eacute; gasto p&uacute;blico, e &eacute; ainda mais aprofundado com os exames de avalia&ccedil;&atilde;o ditados pelos organismos internacionais&rdquo;, alerta Eblin Farage.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para Luis Bonilla, professor visitante do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Unesco cedeu &agrave;s press&otilde;es dos organismos econ&ocirc;micos e, a partir da d&eacute;cada de 1970, vem fazendo um movimento de facilitar e validar modelos internacionais que visam somente &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra internacional. &ldquo;A padroniza&ccedil;&atilde;o representa um problema para o sistema mundial do capital e a sua din&acirc;mica &eacute; t&iacute;pica da reprodu&ccedil;&atilde;o biopol&iacute;tica que domestica corpos e mentes. O atual sistema capitalista, no quadro da transi&ccedil;&atilde;o para a quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial, est&aacute; a gerar um novo regime de reprodu&ccedil;&atilde;o de dados e informa&ccedil;&otilde;es, que exige a liberta&ccedil;&atilde;o dos corpos e das mentes (dentro dos par&acirc;metros da aliena&ccedil;&atilde;o) para que gerem os mais elevados n&iacute;veis de dados que permite a proje&ccedil;&atilde;o e a sofistica&ccedil;&atilde;o do controle social. Esse &eacute; o problema do modelo curricular prescrito, das avalia&ccedil;&otilde;es padronizadas que hoje n&atilde;o servem nem a um projeto emancipat&oacute;rio, nem &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o capitalista&rdquo;, completa.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;Uma integra&ccedil;&atilde;o pela educa&ccedil;&atilde;o passa centralmente por uma cr&iacute;tica contundente aos modelos atuais e um aumento substancial em investimentos.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Alternativas para uma identidade latino-americana na educa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Diante de tantas dificuldades apontadas, seria poss&iacute;vel, ent&atilde;o, pensar em uma real integra&ccedil;&atilde;o latino-americana pela educa&ccedil;&atilde;o? Para Marcelo Knobel e Helena Sampaio, o modelo de cons&oacute;rcios que tem sido empregado pela Uni&atilde;o Europeia &eacute; uma possibilidade para a Am&eacute;rica Latina, mas que passa, necessariamente, por uma melhoria na compreens&atilde;o dos sistemas de acredita&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos. &ldquo;Precisamos de uma moderniza&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o do sistema de educa&ccedil;&atilde;o superior latino-americano que permita realmente essa integra&ccedil;&atilde;o, tanto na &aacute;rea do ensino como na &aacute;rea de pesquisa e extens&atilde;o&rdquo;, ressalta Marcelo Knobel. &ldquo;Precisamos de uma equival&ecirc;ncia de cr&eacute;ditos de forma autom&aacute;tica, pensada por &aacute;reas do conhecimento, e que atendam &aacute;reas de desenvolvimento estrat&eacute;gico para Am&eacute;rica Latina&rdquo;, refor&ccedil;a Helena Sampaio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A partir de outras perspectivas, Eblin Farage e Luis Bonilla acreditam que uma integra&ccedil;&atilde;o pela educa&ccedil;&atilde;o passa centralmente por uma cr&iacute;tica contundente aos modelos atuais e um aumento substancial em investimentos. &ldquo;Vivemos um modelo adoecido de competi&ccedil;&atilde;o entre docentes, entre programas, entre estados e, logicamente, entre pa&iacute;ses. &Eacute; preciso haver uma press&atilde;o sobre as ag&ecirc;ncias fomentadoras e grandes organismos internacionais, que n&atilde;o pode ser somente do movimento sindical; precisa ser abra&ccedil;ado pelas sociedades cient&iacute;ficas, pelas associa&ccedil;&otilde;es docentes. Todos precisam questionar a regra, pois a regra est&aacute; errada, vivemos um modelo absolutamente enlouquecedor&rdquo;, destaca Farage.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&quot;O investimento em ci&ecirc;ncia na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o ultrapassa 2% e quem mais contribui s&atilde;o M&eacute;xico, Brasil e Argentina. O investimento na ci&ecirc;ncia, que ainda &eacute; muito baixo, &eacute; complementado pelos esfor&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o nos BRICs ou de liga&ccedil;&atilde;o a processos de an&aacute;lise educacional levada a cabo pelo G20. As elites dominantes da maioria dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o. Apesar disso, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tem crescido no seio das pessoas um esp&iacute;rito de integra&ccedil;&atilde;o e de compromisso comum que permite construir aquele <i>ethos</i> continental, que supera as a&ccedil;&otilde;es dos blocos econ&ocirc;micos de integra&ccedil;&atilde;o. A constru&ccedil;&atilde;o dessa identidade comum tem um cap&iacute;tulo importante na educa&ccedil;&atilde;o, um espa&ccedil;o que deve permitir-nos conhecer e reconhecer-nos como parte de um território e destino comum. Portanto, a urg&ecirc;ncia de retomar os estudos de história da nossa Am&eacute;rica rebelde, desde a escola prim&aacute;ria at&eacute; universidade, onde o sujeito da mudan&ccedil;a se manifesta em todas as suas m&uacute;ltiplas express&otilde;es e nos permite construir um horizonte comum&quot;, conclui Bonilla.</font></p>      ]]></body>
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