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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Direitos humanos na América Latina: lutas sociais e desafios em uma região marcada por desigualdades]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Direitos humanos na Am&eacute;rica Latina: lutas sociais e desafios em uma regi&atilde;o marcada por desigualdades</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priscylla Almeida<sup>I</sup>; Jo&atilde;o Nogueira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Jornalista e produtora de conte&uacute;do para &aacute;reas de sa&uacute;de e ci&ecirc;ncia, marketing e publicidade. Apaixonada por filmes, gatinhos e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o traz: o contato com gente, a curiosidade de assuntos diversos, a troca    <br>   <sup>II</sup>Desenvolvedor de software, professor e pesquisador. Transita por diversos temas, das ci&ecirc;ncias humanas &agrave;s exatas, sempre estudando algo novo. Adora jogar videogame quando n&atilde;o est&aacute; viajando</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos (DUDH) completa 75 anos, em 2023, desde que foi elaborada por representantes de v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo na Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em 1948. Para al&eacute;m dela, os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina t&ecirc;m &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o instrumentos regionais, conven&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os encarregados de lidar com o cumprimento dos compromissos assumidos. Em teoria, o amplo tema dos direitos humanos abrange o cuidado e a prote&ccedil;&atilde;o da vida de qualquer pessoa, atribuindo oportunidades igualit&aacute;rias &agrave;s diferen&ccedil;as. Ou seja, falar dos direitos humanos &eacute; algo incontorn&aacute;vel no projeto de uma sociedade melhor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo do tempo, a constru&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos na regi&atilde;o apresenta diversos avan&ccedil;os em processos hist&oacute;ricos, pol&iacute;ticos e sociais, como &eacute; o caso de redemocratiza&ccedil;&otilde;es, reformas de base e a descoloniza&ccedil;&atilde;o de uma Am&eacute;rica Latina marcada pelo per&iacute;odo colonial. A pr&oacute;pria transposi&ccedil;&atilde;o das ideias da DUDH, discutidas e criadas em um contexto europeu p&oacute;s-guerras, &eacute; carregada de contradi&ccedil;&otilde;es. Na pr&aacute;tica, &eacute; poss&iacute;vel observar uma distor&ccedil;&atilde;o do significado e da amplitude do tema, cujo retrocesso de liberdades fundamentais, viol&ecirc;ncias, impunidades e crises humanit&aacute;rias apontam para uma alarmante discuss&atilde;o e defesa de espa&ccedil;os democr&aacute;ticos que pareciam j&aacute; consolidados. &ldquo;N&oacute;s temos desafios imensos, visto que os direitos humanos na Am&eacute;rica Latina t&ecirc;m uma pauta de implementa&ccedil;&atilde;o muito ligada aos direitos pol&iacute;ticos de ditaduras que nos impulsionaram para um ajuste de contas, mas que foi tardio em termos de direitos humanos&rdquo;, pontua Silene Freire, professora da Faculdade de Servi&ccedil;o Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenadora do Programa de Estudos de Am&eacute;rica Latina e Caribe (PROEALC) e do Observat&oacute;rio de Direitos Humanos da Am&eacute;rica Latina (ODHAL).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;Retrocesso de liberdades fundamentais, viol&ecirc;ncias, impunidades e crises humanit&aacute;rias apontam para uma alarmante discuss&atilde;o e defesa de espa&ccedil;os democr&aacute;ticos que pareciam j&aacute; consolidados.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Atuais amea&ccedil;as e retrocessos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre as principais amea&ccedil;as aos direitos humanos, a viol&ecirc;ncia relacionada ao crime organizado arru&iacute;na a estabilidade social e coloca em risco a vida das pessoas. Com isso, a Am&eacute;rica Latina enfrenta atualmente um dos seus mais graves desafios em d&eacute;cadas: nove em cada dez assassinatos de ativistas registrados, em 2022, ocorreram na regi&atilde;o, com mais de um ter&ccedil;o de todos os ataques ocasionados na Col&ocirc;mbia, mais do que em qualquer outro pa&iacute;s no mundo, segundo o recente relat&oacute;rio da <i>Global Witness</i>, publicado em setembro de 2023. A pr&oacute;pria entidade j&aacute; havia classificado a Am&eacute;rica Latina como a mais afetada pela viol&ecirc;ncia, desde que iniciou a publica&ccedil;&atilde;o de seus dados, em 2012.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A impunidade tamb&eacute;m &eacute; um problema persistente que mina a confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es, visto que, por muitas vezes, os respons&aacute;veis por viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos n&atilde;o s&atilde;o levados &agrave; justi&ccedil;a, o que perpetua um ciclo de abusos cont&iacute;nuos de corrup&ccedil;&atilde;o, enfraquecendo o estado de direito e as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. No Brasil, a pol&iacute;cia matou 6.400 pessoas, em 2020, sendo que cerca de 80% das v&iacute;timas eram negras, segundo o &ldquo;Relat&oacute;rio Mundial 2022&rdquo; da <i>Human Rights Watch</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda a viol&ecirc;ncia, fundamentada em fatores discriminat&oacute;rios como g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual, ocasiona uma s&eacute;ria viola&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos, tendo a Am&eacute;rica Latina e o Caribe enfrentado n&iacute;veis elevados de persegui&ccedil;&otilde;es direcionadas &agrave;s pessoas LGBTQIA+. Pa&iacute;ses como Guiana, Jamaica, Ant&iacute;gua e Barbuda, Barbados, dentre outros, mant&ecirc;m leis que criminalizam as sexualidades e as identidades de g&ecirc;nero que n&atilde;o se conformam com as normas estabelecidas, de acordo com informa&ccedil;&otilde;es fornecidas pela <i>International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association</i> (ILGA), em 2020. J&aacute; o Brasil &eacute; o pa&iacute;s que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, liderando o <i>ranking</i> por 14 anos consecutivos, segundo o dossi&ecirc; &ldquo;Assassinatos e Viol&ecirc;ncias contra Travestis e Transexuais Brasileiras&rdquo; da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). M&eacute;xico e Estados Unidos aparecem em segundo e terceiro lugares, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro fator comum &eacute; a migra&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada resultante de conflitos internos, como &eacute; o caso de pa&iacute;ses como Nicar&aacute;gua, Haiti e Venezuela, resultando em xenofobias, abusos, persegui&ccedil;&otilde;es e falta de oportunidades econ&ocirc;micas e migrat&oacute;rias, cuja realidade coloca em risco os direitos das pessoas em deslocamento. &ldquo;&Oacute;rg&atilde;os internacionais, como a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es (OIM) e a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (CEPAL), s&atilde;o fundamentais para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos dos migrantes na Am&eacute;rica Latina. Eles trabalham para estabelecer padr&otilde;es internacionais de direitos, monitorar a situa&ccedil;&atilde;o das pessoas migrantes e fornecer orienta&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica aos governos&rdquo;, afirma Marta Rangel, consultora da CEPAL e especialista em pesquisa, an&aacute;lise social e diagn&oacute;stico sobre a situa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es afrodescendentes e em recomenda&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas para a inclus&atilde;o e a promo&ccedil;&atilde;o de seus direitos. &ldquo;Entidades assim trabalham na implementa&ccedil;&atilde;o de medidas para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o dos grupos mais vulner&aacute;veis e na promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o regional, em diversas &aacute;reas que possam contribuir para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos&rdquo;, ressalta (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aumento da repress&atilde;o pol&iacute;tica enfrentada por pa&iacute;ses latinos s&atilde;o verdadeiros retrocessos de direitos humanos nos &uacute;ltimos anos, com pris&otilde;es arbitr&aacute;rias de opositores pol&iacute;ticos e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de express&atilde;o. Na Venezuela, a popula&ccedil;&atilde;o tem enfrentado uma crise pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e humanit&aacute;ria. Conforme o relat&oacute;rio publicado pela Miss&atilde;o Internacional Independente de Investiga&ccedil;&atilde;o dos Fatos sobre a Venezuela, designada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 2020, as viola&ccedil;&otilde;es dos Direitos Humanos ocorridas no pa&iacute;s denunciam de maneira minuciosa os abusos e crimes cometidos por &oacute;rg&atilde;os policiais e de &ldquo;seguran&ccedil;a do Estado&rdquo;, incluindo execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais, desaparecimentos for&ccedil;ados, deten&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias e torturas, dentre outros. Em pa&iacute;ses como Col&ocirc;mbia, Chile, Equador e Peru, as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a cometeram graves abusos contra manifestantes nos &uacute;ltimos anos. No Brasil, foram 2.507 agricultores e ind&iacute;genas assassinados por motivo de conflitos de terra, entre 1964 e 2016, de acordo com dados do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;O aumento da repress&atilde;o pol&iacute;tica enfrentada por pa&iacute;ses latinos s&atilde;o verdadeiros retrocessos de direitos humanos nos &uacute;ltimos anos, com pris&otilde;es arbitr&aacute;rias de opositores pol&iacute;ticos e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de express&atilde;o.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impactos da pandemia de Covid-19 e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m das crises econ&ocirc;micas, a pandemia de Covid-19 trouxe &agrave; tona as disparidades e desigualdades sociais que afetam as popula&ccedil;&otilde;es e os grupos mais vulner&aacute;veis na Am&eacute;rica Latina. Em abril de 2020, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Brasil revelou que um em cada tr&ecirc;s &oacute;bitos por Covid-19 ocorreu entre pessoas negras. &ldquo;Nesse contexto de desigualdades m&uacute;ltiplas e exacerbadas, a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos das mulheres e das pessoas afrodescendentes se apresentou como um grande desafio, considerando as v&aacute;rias dimens&otilde;es da crise&rdquo;, declara Marta Rangel. &ldquo;Isso porque a pandemia revelou de forma contundente as desigualdades estruturais que afetam essas popula&ccedil;&otilde;es, principalmente as mulheres afrodescendentes, incluindo o acesso desigual a servi&ccedil;os de infraestrutura b&aacute;sica, como &aacute;gua pot&aacute;vel, esgoto, eletricidade e internet, assim como servi&ccedil;os de sa&uacute;de&rdquo; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a10fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;A pandemia revelou de forma contundente as desigualdades estruturais que afetam essas popula&ccedil;&otilde;es, principalmente as mulheres afrodescendentes, incluindo o acesso desigual a servi&ccedil;os de infraestrutura b&aacute;sica, como &aacute;gua pot&aacute;vel, esgoto, eletricidade e internet, assim como servi&ccedil;os de sa&uacute;de.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Situa&ccedil;&otilde;es em que as mulheres precisaram conviver por prolongados per&iacute;odos com seus parceiros, frequentemente sujeitas a agress&otilde;es verbais, sexuais e psicol&oacute;gicas atreladas &agrave; crescente crise financeira (j&aacute; que o setor de servi&ccedil;os dom&eacute;sticos foi um dos mais afetados), resultaram no alarmante aumento da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica contra as mulheres durante a pandemia, levando a ONU a criar uma p&aacute;gina e central de ajuda dedicadas especificamente ao tema da Covid-19 e mulheres. &ldquo;A pandemia foi uma verdadeira trag&eacute;dia na Am&eacute;rica Latina, com v&aacute;rias experi&ecirc;ncias de genoc&iacute;dios e de aus&ecirc;ncia do estado, deixando marcas profundas&rdquo;, declara Silene Freire.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro agravamento se d&aacute; por conta de quest&otilde;es clim&aacute;ticas. No Haiti, fatores como a pandemia, associada a um terremoto de magnitude 7,2 na escala Richter mais o assassinato do presidente Jovenel Mo&iuml;se, resultaram em uma grande instabilidade pol&iacute;tica e humanit&aacute;ria. No Brasil, a recente onda de calor ocasionou mortes em v&aacute;rios estados, al&eacute;m de desastres ambientais, como inunda&ccedil;&otilde;es e desabamentos. Diante desse cen&aacute;rio, o presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Federico Villegas, ressalta a import&acirc;ncia de olhar os temas ambientais com uma &ldquo;perspectiva humana&rdquo;, declarando que &ldquo;os temas ambientais n&atilde;o s&atilde;o temas sociais, econ&ocirc;micos, cient&iacute;ficos, s&atilde;o temas de direitos humanos&rdquo; (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a10fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Avan&ccedil;os na garantia dos direitos humanos</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na contram&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio destacar os avan&ccedil;os frente a uma Am&eacute;rica Latina marcada por um conservadorismo herdado do per&iacute;odo colonial: &ldquo;como &eacute; o caso das mudan&ccedil;as em alguns pa&iacute;ses da regi&atilde;o que apontam para um caminho de busca e manuten&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e sua promo&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&rdquo;, analisa Ana Carolina Delgado, professora de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade Federal da Integra&ccedil;&atilde;o Latino-Americana (Unila) e presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (ABRI).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Uruguai e a Argentina foram os pa&iacute;ses pioneiros na aprova&ccedil;&atilde;o de lei que garante o aborto seguro, um grande avan&ccedil;o para os direitos reprodutivos das mulheres &ndash; segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), 25 milh&otilde;es de interrup&ccedil;&otilde;es inseguras s&atilde;o feitas anualmente no mundo, o que resulta em uma taxa de mortalidade que varia de 4,17% a 13,8%. No M&eacute;xico, a Suprema Corte emitiu uma decis&atilde;o que descriminaliza o aborto, removendo puni&ccedil;&otilde;es para mulheres que realizam abortos no primeiro trimestre da gravidez.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Col&ocirc;mbia, que j&aacute; havia legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2016, fez hist&oacute;ria ao permitir que uma crian&ccedil;a tivesse legalmente tr&ecirc;s pais. Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu que os ataques homof&oacute;bicos passassem a ser criminalizados, classificando-os como equivalentes aos crimes de racismo. Outro avan&ccedil;o significativo na atualidade foi a extens&atilde;o da aplica&ccedil;&atilde;o da Lei Maria da Penha no Brasil, para abordar a viol&ecirc;ncia contra mulheres trans.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&quot;A regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina tem caminhado para avan&ccedil;os históricos, na medida em que tais camadas marginalizadas organizam-se para lutar por seus direitos e, paralelamente, a uma s&eacute;rie de iniciativas&quot; enfatiza Ana Carolina Delgado. Contudo, ainda h&aacute; um grande caminho a percorrer para que tais leis possam ser efetivas na pr&aacute;tica. &quot;Embora atualmente muito se tenha avan&ccedil;ado com o reconhecimento de direitos humanos n&atilde;o apenas nas constitui&ccedil;&otilde;es como tamb&eacute;m na internaliza&ccedil;&atilde;o de normativas internacionais, h&aacute; uma diferen&ccedil;a entre o reconhecimento de fato e a efetiva&ccedil;&atilde;o da garantia desses direitos&quot;, ressalta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Integra&ccedil;&atilde;o regional para a uma efetiva defesa dos direitos humanos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para garantir os direitos das minorias, a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre quest&otilde;es de g&ecirc;nero, racismo e discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental, j&aacute; que a mudan&ccedil;a de atitudes e comportamentos fortalecem leis e regulamenta&ccedil;&otilde;es que protegem os seus direitos, bem como suas efetivas aplica&ccedil;&otilde;es. Se por um lado, a partir de 2023, temos a retomada do protagonismo do Brasil na intermedia&ccedil;&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o entre os governos da regi&atilde;o, por outro, a unifica&ccedil;&atilde;o das pautas dos movimentos sociais e estruturais faz frente aos retrocessos experienciados nos &uacute;ltimos anos. &ldquo;Todo esse contexto deve ser decifrado e deve estar nas esferas da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma Silene Freire, ao defender a unifica&ccedil;&atilde;o de pautas para uma luta de direitos humanos mais pluralizada. &ldquo;As minorias, n&atilde;o por acaso, comp&otilde;em as classes trabalhadoras subalternizadas pelo capitalismo. Ou seja, sem que haja essa unifica&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia, n&oacute;s n&atilde;o vamos superar esses desafios. &Eacute; preciso denunciar, resistir, mas, acima de tudo, &eacute; preciso lutar para superar&rdquo;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, &eacute; importante ressaltar o papel dos Estados e das organiza&ccedil;&otilde;es no estabelecimento de padr&otilde;es e espa&ccedil;os de discuss&atilde;o para a contribui&ccedil;&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o regional: &ldquo;a efic&aacute;cia dos acordos de coopera&ccedil;&atilde;o pode variar segundo a vontade pol&iacute;tica dos governos e sua capacidade de implementar as medidas acordadas&rdquo;, destaca Marta Rangel. A integra&ccedil;&atilde;o regional e o compromisso cont&iacute;nuo com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas inclusivas s&atilde;o passos fundamentais para alcan&ccedil;ar uma Am&eacute;rica Latina mais justa e igualit&aacute;ria. &ldquo;Somente com a defesa dos direitos humanos seremos capazes de fortalecer a&ccedil;&otilde;es de den&uacute;ncia e afirmar a import&acirc;ncia da resist&ecirc;ncia em face do avan&ccedil;o nas diversas formas de desumaniza&ccedil;&atilde;o que assistimos na Am&eacute;rica Latina&rdquo;, complementa Silene Freire.</font></p>      ]]></body>
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