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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Biomas brasileiros e as mudanças climáticas: Políticas de adaptação ao novo clima, consequentes e baseadas em ciência, são necessárias e urgentes]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Biomas brasileiros e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: pol&iacute;ticas de adapta&ccedil;&atilde;o ao novo clima, consequentes e baseadas em ci&ecirc;ncia, s&atilde;o necess&aacute;rias e urgentes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Artaxo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor do Departamento de F&iacute;sica Aplicada do Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). &Eacute; membro titular da Academia Mundial de Ci&ecirc;ncias (TWAS), do INCT Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) e vice-presidente da SBPC. &Eacute; coordenador do Centro de Estudos Amaz&ocirc;nia Sustent&aacute;vel da Universidade de S&atilde;o Paulo (CEAS-USP)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&atilde;o afetando significantemente todos os biomas brasileiros. De maneira diferenciada, todos os nossos biomas, como Amaz&ocirc;nia, Cerrado, Pantanal, Pampas e Caatinga, est&atilde;o sendo impactados, tanto pela a&ccedil;&atilde;o humana de mudan&ccedil;a do uso do solo, quanto pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. A resili&ecirc;ncia de cada um de nossos biomas est&aacute; sendo afetada, pois eles evolu&iacute;ram ao longo de milhares de anos com um clima razoavelmente est&aacute;vel ao longo do Holoceno. O Homem mudou isso. O desmatamento no Cerrado e na Amaz&ocirc;nia alteraram por&ccedil;&otilde;es significativas da &aacute;rea desses biomas. O aumento de temperatura e mudan&ccedil;as no regime de precipita&ccedil;&atilde;o, com o aumento dos eventos clim&aacute;ticos extremos, est&atilde;o alterando as fun&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas que sustentam o funcionamento de nossos ecossistemas. No caso da Amaz&ocirc;nia, que teve 19% de sua &aacute;rea desmatada, a degrada&ccedil;&atilde;o florestal associada ao aumento de temperatura (que em algumas regi&otilde;es j&aacute; atingem 2.2 &ordm;C) e a redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o (em algumas regi&otilde;es de 10 a 15%) trazem stress h&iacute;drico &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o e alteram a evapotranspira&ccedil;&atilde;o e aloca&ccedil;&atilde;o de carbono no ecossistema. Nosso Cerrado, conta com alta taxa de convers&atilde;o &agrave; agricultura, e com fortes altera&ccedil;&otilde;es no regime hidrol&oacute;gico. O Pantanal tem sofrido, nos &uacute;ltimos cinco anos, com queimadas intensas que impactam a fauna e a flora de modo significativo. Por outro lado, o Pampa est&aacute; sofrendo inunda&ccedil;&otilde;es recorrentes e nossa caatinga est&aacute; mais seca e mais quente. Essas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas est&atilde;o acentuando a perda de biodiversidade, significativa em todos os biomas, embora dif&iacute;cil de quantificar precisamente. Temos tarefas urgentes, como implementar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, bem como cumprir com nossos compromissos associados ao Acordo de Paris. Precisamos zerar o desmatamento da Amaz&ocirc;nia at&eacute; 2030 e implementar planos de prote&ccedil;&atilde;o ao Cerrado e demais biomas. Em paralelo, temos tamb&eacute;m de reduzir nossas imensas desigualdades sociais e edificar um desenvolvimento que seja realmente sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>Biomas brasileiros; Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; Amaz&ocirc;nia; Cerrado; Pantanal; Caatinga.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas certamente s&atilde;o uma das maiores amea&ccedil;as &agrave; nossa sociedade e ao planeta &#91;1&#93;, com importantes impactos em todos os ecossistemas brasileiros. As atividades econ&ocirc;micas (principalmente produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e desmatamento de florestas tropicais) s&atilde;o respons&aacute;veis pela emiss&atilde;o anual de 62 bilh&otilde;es de toneladas de gases de efeito estufa anualmente. Essas emiss&otilde;es t&ecirc;m crescido, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a taxas anuais da ordem de 2% a 4% &#91;2&#93;. Esse aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de gases de efeito estufa &eacute; o respons&aacute;vel pela maior reten&ccedil;&atilde;o de energia na atmosfera, o que eleva a temperatura planet&aacute;ria. At&eacute; o momento, j&aacute; temos um aumento m&eacute;dio de temperatura de 1.2 &ordm;C ao longo dos &uacute;ltimos 100 anos. Esse aumento de temperatura n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;neo, com algumas regi&otilde;es, como o vale do Rio S&atilde;o Francisco e a regi&atilde;o Leste da Amaz&ocirc;nia, j&aacute; se aquecendo em cerca de 2.3 &ordm;C. Tamb&eacute;m estamos observando fortes altera&ccedil;&otilde;es no regime de chuvas, com redu&ccedil;&atilde;o na precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da ordem de 20% no Nordeste brasileiro, e de cerca de 15% na regi&atilde;o Leste da Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Globalmente, o n&iacute;vel do mar j&aacute; subiu 24 cm nos &uacute;ltimos 100 anos, mas com variabilidades regionais importantes, com o Nordeste brasileiro sendo uma regi&atilde;o muito vulner&aacute;vel ao aumento do n&iacute;vel do mar. Uma das faces mais vis&iacute;veis das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; o aumento da frequ&ecirc;ncia e da intensidade dos chamados eventos clim&aacute;ticos extremos, como chuvas muito fortes, ondas de calor e secas prolongadas. No in&iacute;cio de 2023, observamos chuvas intensas atingirem o litoral do estado de S&atilde;o Paulo, causando destrui&ccedil;&atilde;o e mortes, particularmente para a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel. Em 2022, vimos tamb&eacute;m fortes cheias na Bahia e em Minas Gerais. E uma seca muito forte e prolongada no Brasil Central afetou a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade, em 2021 e 2022. Uma estiagem forte no Rio Grande do Sul, em 2022, tamb&eacute;m prejudicou a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos no estado, seguida de alagamentos importantes, em 2023.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"J&aacute; temos um aumento m&eacute;dio de temperatura de 1.2 &ordm;C ao longo dos &uacute;ltimos 100 anos."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis (gasolina, diesel, carv&atilde;o, g&aacute;s natural etc.) &eacute; respons&aacute;vel por 80% das emiss&otilde;es globais de gases de efeito estufa, enquanto o desmatamento de florestas tropicais, como a Amaz&ocirc;nia, &eacute; respons&aacute;vel por cerca de 20% das emiss&otilde;es globais. Se continuarem as atuais emiss&otilde;es, a temperatura m&eacute;dia do planeta pode aumentar em cerca de 3 &ordm;C ao longo deste s&eacute;culo. Nas regi&otilde;es continentais, como o Brasil, esse aumento m&eacute;dio de 3 &ordm;C se converte em aumento regional de 4 a 4.5 &ordm;C. A Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial (OMM), o Sistema Copernicus da Comunidade Europeia e a ag&ecirc;ncia atmosf&eacute;rica dos Estados Unidos (NOAA) declararam que 2023 &eacute; o ano mais quente dos &uacute;ltimos 125.000 anos. Tal aumento intenso e r&aacute;pido de temperatura tem forte impacto no funcionamento de todos os ecossistemas terrestres e marinhos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Uma das faces mais vis&iacute;veis das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; o aumento da frequ&ecirc;ncia e da intensidade dos chamados eventos clim&aacute;ticos extremos, como chuvas muito fores, ondas de calor e secas prolongadas."</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com cen&aacute;rios diferentes de emiss&otilde;es ao longo das pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, o Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) do ONU faz previs&otilde;es de aumento m&eacute;dio de temperatura do planeta de 2.8 a 4.3 &ordm;C (<a href="#fig1">Figura 1</a>) &#91;2&#93;. O cen&aacute;rio mais favor&aacute;vel (SSP2-4.5) implica no atingimento das metas do Acordo de Paris por todos os pa&iacute;ses. O cen&aacute;rio de altas emiss&otilde;es (SSP5-8.5) implica a continuidade das emiss&otilde;es atuais, sem fortes pol&iacute;ticas de redu&ccedil;&otilde;es de emiss&otilde;es.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#fig2">Figura 2</a> apresenta a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica do aumento de temperatura desde 1750, para um aquecimento m&eacute;dio de 4 &ordm;C no planeta como um todo &#91;2&#93;. Observamos uma forte variabilidade espacial, com os continentes se aquecendo 1 a 1.5 &ordm;C a mais que a m&eacute;dia global. O Brasil, em particular, pode se aquecer de 5 a 5.5 &ordm;C, dependendo da regi&atilde;o, o que trar&aacute; enorme impacto no funcionamento dos ecossistemas.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra mudan&ccedil;a importante no clima refere-se &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o, em que o Brasil Central, a Amaz&ocirc;nia e o Nordeste poder&atilde;o ter redu&ccedil;&atilde;o importante de chuva, enquanto o sul do Brasil e o norte da Argentina podem ter aumento de precipita&ccedil;&atilde;o. Precipita&ccedil;&atilde;o &eacute; a chave para o funcionamento dos ecossistemas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Integrando a prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade &agrave; mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estamos em plena era do Antropoceno, na qual o homem &eacute; um dos principais agentes transformadores &#91;3&#93;. O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o humana mundial, que poder&aacute; alcan&ccedil;ar cerca de 10 bilh&otilde;es de habitantes em 2050, nos coloca frente a um dos maiores desafios do s&eacute;culo XXI: manter a provis&atilde;o da qualidade ambiental e possibilitar acesso justo a recursos b&aacute;sicos, como &aacute;gua, alimentos e energia, garantindo a seguran&ccedil;a e a equidade em um cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e desigualdades sociais. Essa quest&atilde;o &eacute; bem trabalhada no &uacute;ltimo relat&oacute;rio do <i>Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services</i> (IPBES) &#91;4&#93; que coloca o colapso dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos na agenda ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos englobam todos os materiais que consumimos providos pelos ecossistemas, sejam alimentos (frutos, ra&iacute;zes, animais, mel, vegetais), mat&eacute;rias-primas para constru&ccedil;&atilde;o e combust&iacute;vel (madeira, biomassa, &oacute;leos de plantas), &aacute;gua pot&aacute;vel (qualidade e quantidade) e recursos gen&eacute;ticos, entre outros. A resili&ecirc;ncia dos ecossistemas e sua capacidade de reagir a mudan&ccedil;as est&atilde;o sujeitos, em grande parte, &agrave; sua biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As altera&ccedil;&otilde;es observadas na temperatura e na chuva j&aacute; est&atilde;o impactando o funcionamento dos ecossistemas em praticamente todas as regi&otilde;es do nosso planeta. Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem, por exemplo, levar a desencontros entre a &eacute;poca da flora&ccedil;&atilde;o e a atividade dos polinizadores, afetando a produtividade de culturas e de ecossistemas naturais, com consequ&ecirc;ncias ainda imprevistas para a manuten&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Tamb&eacute;m perturbam os padr&otilde;es ecossist&ecirc;micos da fotoss&iacute;ntese e da produtividade, podendo modificar os ciclos hidrol&oacute;gicos e a din&acirc;mica do ciclo do carbono.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os efeitos sin&eacute;rgicos da mudan&ccedil;a do uso da terra, incluindo a fragmenta&ccedil;&atilde;o e a redu&ccedil;&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e mudan&ccedil;as do clima podem aumentar a a&ccedil;&atilde;o de pragas, reduzindo os polinizadores e exigindo medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o para garantir a produtividade de muitas culturas alimentares no Brasil e ao redor do mundo. A vulnerabilidade da nossa biota e ecossistemas aumenta significativamente e, consequentemente, reduz a biodiversidade e os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos associados, vitais para nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Amaz&ocirc;nia, o aumento da produ&ccedil;&atilde;o de biomassa, a acelera&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida das &aacute;rvores, as altera&ccedil;&otilde;es na distribui&ccedil;&atilde;o e a abund&acirc;ncia de esp&eacute;cies est&atilde;o entre as mudan&ccedil;as relacionadas ao efeito fisiol&oacute;gico da eleva&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub> atmosf&eacute;rico, que s&atilde;o tamb&eacute;m influenciadas pela disponibilidade de nutrientes nos solos, em particular, o f&oacute;sforo. Em nossa vasta plataforma continental oce&acirc;nica, nosso conhecimento &eacute; ainda mais restrito em decorr&ecirc;ncia da falta de programas de monitoramento e das especificidades dos estudos nesse ambiente. No ambiente marinho, o aquecimento dos oceanos (que atingiu em m&eacute;dia 1 &ordm;C) tem promovido a migra&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies e estoques pesqueiros para maiores latitudes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para melhorar a detec&ccedil;&atilde;o e atribui&ccedil;&atilde;o dos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade e ecossistemas brasileiros, &eacute; fundamental melhorar nosso entendimento dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos relacionados e analisar poss&iacute;veis respostas a cen&aacute;rios futuros de aquecimento, prevendo e sugerindo medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o e procedimentos de remedia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mudan&ccedil;as de uso do solo e impactos nos ecossistemas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por uma s&eacute;rie de raz&otilde;es, a Amaz&ocirc;nia &eacute; uma regi&atilde;o estrat&eacute;gica para o planeta e para o Brasil &#91;3, 5&#93;. Contempla a maior floresta tropical do mundo, com uma &aacute;rea aproximada de 6,7 milh&otilde;es de km<sup>2</sup>, dos quais 5.5 milh&otilde;es de km<sup>2</sup> est&atilde;o em territ&oacute;rio brasileiro; sua bacia hidrogr&aacute;fica &eacute; o maior sistema fluvial do planeta, e a floresta est&aacute; distribu&iacute;da entre nove pa&iacute;ses (Brasil, Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela). A Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m hospeda uma gigantesca e complexa biodiversidade. Desenha papel fundamental na provis&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os ambientais, no ciclo do carbono e na regula&ccedil;&atilde;o do clima. &Eacute; o maior reservat&oacute;rio de carbono em regi&otilde;es continentais, contendo cerca de 120 bilh&otilde;es de toneladas de carbono, ou o equivalente a 10 anos de toda a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Presta servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos essenciais para a sociedade e para a economia brasileira. Tem uma vasta popula&ccedil;&atilde;o tradicional e ind&iacute;gena, detentora de ativos de valores inestim&aacute;veis, como conhecimento, l&iacute;nguas e cultura &#91;6&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o do desmatamento da Amaz&ocirc;nia, seus impactos em praticamente todo o territ&oacute;rio brasileiro e sua liga&ccedil;&atilde;o com a expans&atilde;o da agropecu&aacute;ria s&atilde;o quest&otilde;es centrais para o Brasil. A <a href="#fig3">Figura 3</a> apresenta as taxas anuais de desmatamento da floresta amaz&ocirc;nica, produzidas pelo sistema de monitoramento PRODES (Programa de Desmatamento) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no per&iacute;odo de 1977 a 2023. Observamos a forte redu&ccedil;&atilde;o na taxa de desmatamento de 2003 a 2011, na &eacute;poca de grande expans&atilde;o da atividade agropecu&aacute;ria, mostrando que as duas quest&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o diretamente interligadas.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a06fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; consenso, para a ci&ecirc;ncia, que a preserva&ccedil;&atilde;o da floresta &eacute; fundamental para a sustentabilidade do planeta &#91;7&#93;. O bioma amaz&ocirc;nico &eacute; rico em diversidade cultural, lingu&iacute;stica, biol&oacute;gica e geol&oacute;gica, e investimentos em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, em pesquisas b&aacute;sicas e aplicadas, s&atilde;o estrat&eacute;gicos para a sua compreens&atilde;o e sustentabilidade. No entanto, apesar de ser caracterizada como a regi&atilde;o que hospeda a maior biodiversidade natural do pa&iacute;s, o seu desenvolvimento socioecon&ocirc;mico em torno de atividades relacionadas &agrave; floresta ainda n&atilde;o alcan&ccedil;ou escala de proje&ccedil;&atilde;o em todo o seu potencial. H&aacute; um gigantesco desafio no &acirc;mbito da regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, e faltam planos concretos de crescimento econ&ocirc;mico inclusivo e sustent&aacute;vel. O sistema <i>MapBiomas</i> de mapeamento da cobertura do solo de nosso pa&iacute;s &eacute; um excelente exemplo de esfor&ccedil;os em tornar transparente e com f&aacute;cil acesso &agrave; sociedade o impacto das mudan&ccedil;as do uso do solo para todo o territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A adapta&ccedil;&atilde;o do Brasil ao novo clima</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A localiza&ccedil;&atilde;o tropical, a estrutura socioecon&ocirc;mica fortemente dependente do regime de chuvas, as inadequa&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas e enormes desigualdades sociais fazem do Brasil um pa&iacute;s singular, ambientalmente falando. No contexto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, esfor&ccedil;os de adapta&ccedil;&atilde;o podem gerar v&aacute;rios benef&iacute;cios adicionais, como melhoria da produtividade agr&iacute;cola, inova&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e bem-estar, seguran&ccedil;a alimentar, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, bem como redu&ccedil;&atilde;o de riscos e danos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"No contexto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, esfor&ccedil;os de adapta&ccedil;&atilde;o podem gerar v&aacute;rios benef&iacute;cios adicionais, como melhoria da produtividade agr&iacute;cola, inova&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e bem-estar, seguran&ccedil;a alimentar, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, bem como redu&ccedil;&atilde;o de riscos e danos."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica - compreendida como processos de ajustamentos para antecipar impactos adversos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que resultam na redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade - tendem a ser mais facilmente implementadas e organizadas quando buscam sinergias com pol&iacute;ticas, recursos e outras medidas j&aacute; existentes, incluindo a&ccedil;&otilde;es visando &agrave; sustentabilidade, qualidade de vida e melhoria de infraestrutura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil tem um plano de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica (PNA), lan&ccedil;ado em 2016, que visa orientar iniciativas para gest&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o dos riscos provenientes dos efeitos adversos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, no m&eacute;dio e no longo prazo e nas dimens&otilde;es social, econ&ocirc;mica e ambiental. Todavia, at&eacute; o momento, um planejamento de longo prazo voltado &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica ainda n&atilde;o ganhou proje&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s como um todo. Entre as raz&otilde;es para esse atraso est&atilde;o a pr&oacute;pria complexidade envolvida na adapta&ccedil;&atilde;o, as limita&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, institucionais e pol&iacute;ticas e, em particular, nas cidades, as rela&ccedil;&otilde;es de interdepend&ecirc;ncia entre mudan&ccedil;as do clima, din&acirc;micas do planejamento urbano e quest&otilde;es pol&iacute;ticas. Recentemente, o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&otilde;es (MCTI) e o INPE lan&ccedil;aram a plataforma Adapta Brasil, que sugere uma s&eacute;rie de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas a serem implementadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora melhorias nos n&iacute;veis de renda, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e outros indicadores socioecon&ocirc;micos sejam importantes para reduzir a vulnerabilidade &agrave;s mudan&ccedil;as do clima em geral, considerando o conjunto de riscos espec&iacute;ficos que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas representam para as cidades (por exemplo, inunda&ccedil;&otilde;es, secas, aumento do n&iacute;vel do mar, ilhas de calor), h&aacute; tamb&eacute;m uma necessidade urgente de considerar as capacidades espec&iacute;ficas necess&aacute;rias para superar e se recuperar desses estressores, incluindo, por exemplo, mapeamentos de &aacute;reas de risco, sistemas de alerta precoce e planejamento de enfrentamento a desastres naturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A falta de dados e de informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis e utiliz&aacute;veis, que possam ser mobilizadas para subsidiar gest&atilde;o, planejamento e governan&ccedil;a, &eacute; frequentemente identificada como uma das principais barreiras para o avan&ccedil;o da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, traduzindo-se em paralisia e ina&ccedil;&atilde;o por parte dos tomadores de decis&atilde;o. Nesse contexto, t&atilde;o importante quanto a capacidade de produzir informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica que seja facilmente convertida em estrat&eacute;gias, pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o, &eacute; promover maior envolvimento dos usu&aacute;rios da informa&ccedil;&atilde;o (os atores institucionais, por exemplo) na produ&ccedil;&atilde;o e na circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento. A produ&ccedil;&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o desses dados, que incluam m&eacute;tricas robustas e possam ser atualizados periodicamente e que estejam conectados &agrave;s especificidades da realidade brasileira, considerando um conjunto de vari&aacute;veis que refletem na capacidade adaptativa, podem impulsionar a&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de adapta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse cen&aacute;rio, as pesquisas tamb&eacute;m devem buscar compreender melhor as respostas sociais e individuais &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, levando em conta que os governos, embora cumpram papel importante no planejamento efetivo de adapta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o capazes, sozinhos, de resolver a crise clim&aacute;tica dada sua complexidade e multidimensionalidade &#91;8, 9&#93;. Ademais, &eacute; preciso entender que adapta&ccedil;&atilde;o requer parcerias, alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas e outras formas de colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes setores e organiza&ccedil;&otilde;es. Pesquisas sobre as melhores estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o essenciais, pois essas, em geral, envolvem solu&ccedil;&otilde;es locais ou regionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; poss&iacute;vel reverter os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nos ecossistemas brasileiros? Infelizmente, a resposta para esta importante pergunta &eacute; n&atilde;o. Com as atuais emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, o planeta est&aacute; em uma trajet&oacute;ria de aumento m&eacute;dio de temperatura de 3 &ordm;C. Nos &uacute;ltimos 100 anos, j&aacute; observamos um aumento de 1.2 &ordm;C, e devemos atingir 1.5 &ordm;C nesta d&eacute;cada, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial (OMM). Portanto, nossa sociedade vai viver um aumento importante de temperatura, conjugado com aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade dos eventos clim&aacute;ticos extremos e de altera&ccedil;&otilde;es fortes no padr&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o na maior parte do pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Precisamos urgentemente de pol&iacute;ticas de adapta&ccedil;&atilde;o ao novo clima que sejam consequ&ecirc;ncias e baseadas em Ci&ecirc;ncia. &Eacute; importante sempre salientar que a popula&ccedil;&atilde;o de mais baixa renda &eacute; a que mais sofre os impactos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, seja nos eventos clim&aacute;ticos extremos, no aumento dos pre&ccedil;os dos alimentos, nas dificuldades de acesso &agrave; &aacute;gua, e outros impactos importantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do mesmo modo, &eacute; importante enfatizar que o IPCC coloca que temos todas as tecnologias necess&aacute;rias para reduzir pela metade as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa. O custo da produ&ccedil;&atilde;o de energia por meio de energia solar e e&oacute;lica &eacute; menor hoje do que queimar petr&oacute;leo, g&aacute;s natural ou carv&atilde;o. E por que a transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica n&atilde;o ocorre? Os governos dos 196 pa&iacute;ses da ONU s&atilde;o essencialmente controlados pela ind&uacute;stria de energia, do petr&oacute;leo e atividades relacionadas, tais como produ&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis, infraestrutura industrial etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; essencial que o Brasil aproveite suas vantagens estrat&eacute;gicas na quest&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Cerca de 50% de nossas emiss&otilde;es de gases de efeito estufa est&atilde;o associadas ao desmatamento da Amaz&ocirc;nia. Nenhum outro pa&iacute;s de nosso planeta pode reduzir suas emiss&otilde;es em 50% muito rapidamente e com pouqu&iacute;ssimo custo, al&eacute;m de receber com isso muitos cobenef&iacute;cios ambientais e econ&ocirc;micos. O Brasil tem o maior programa de biocombust&iacute;veis do mundo. Temos tamb&eacute;m o maior potencial mundial de gera&ccedil;&atilde;o solar e e&oacute;lica do planeta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, o Brasil tamb&eacute;m tem suas vulnerabilidades. Temos uma economia baseada no agroneg&oacute;cio, que &eacute; sens&iacute;vel &agrave; chuva e ao clima. Nossa gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade depende da chuva. O Nordeste brasileiro est&aacute; em processo de desertifica&ccedil;&atilde;o e pode ser uma regi&atilde;o onde atividades econ&ocirc;micas sejam dif&iacute;ceis daqui a algumas d&eacute;cadas. Tamb&eacute;m temos 8.500 km de &aacute;reas costeiras que s&atilde;o vulner&aacute;veis ao aumento do n&iacute;vel do mar, e muitas cidades na costa que podem sofrer impactos significativos enquanto o mar avan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que j&aacute; ocorreram s&atilde;o irrevers&iacute;veis em escala de tempo de alguns milhares de anos, pois o tempo de perman&ecirc;ncia na atmosfera dos gases de efeito estufa pode ser medidos em s&eacute;culos ou mil&ecirc;nios. O &uacute;nico processo conhecido de remover di&oacute;xido de carbono da atmosfera na escala necess&aacute;ria &eacute; a fotoss&iacute;ntese. Mas, plantar &aacute;rvores na escala necess&aacute;ria para reverter as emiss&otilde;es j&aacute; feitas n&atilde;o &eacute; algo vi&aacute;vel ou poss&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aumentar a resili&ecirc;ncia socioambiental &eacute; muito importante. Para al&eacute;m do potencial impacto nos ecossistemas e em nossa sociedade, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem ser vistas como uma oportunidade para transforma&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas significativas e para agilizar o desenvolvimento em diversos setores, incluindo ind&uacute;stria, agroneg&oacute;cio, sistemas de energia, transportes etc., buscando a transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade mais sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as do clima j&aacute; est&atilde;o causando impactos significativos em todos os cantos do globo, mas s&atilde;o a oportunidade de refazer a estrutura socioecon&ocirc;mica de nosso planeta. &Eacute; claro que o atual modelo de desenvolvimento socioecon&ocirc;mico que temos &eacute; insustent&aacute;vel. As desigualdades socioecon&ocirc;micas e o modelo de explora&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria da natureza associada ao nosso sistema est&atilde;o levando a destrui&ccedil;&atilde;o de nossa sociedade. Vamos trabalhar para que os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;veis (ODS) (<a href="#fig4">Figura 4</a>) sejam o guia para a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade, com menos desigualdades sociais e mais sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a06fig04.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos como tarefa auxiliar o pa&iacute;s a desenvolver estrat&eacute;gias baseadas em ci&ecirc;ncia para que o Brasil cumpra suas obriga&ccedil;&otilde;es internacionais (as <i>National Determined Contribution</i> - NDC) associadas ao Acordo de Paris. O aux&iacute;lio na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas baseadas em ci&ecirc;ncia em todos os n&iacute;veis (municipal, estadual, nacional e global) &eacute; tarefa fundamental. Essas atividades exigir&atilde;o grande esfor&ccedil;o cient&iacute;fico da academia em parceria com os v&aacute;rios setores da sociedade. A adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nas diversas regi&otilde;es do nosso pa&iacute;s tamb&eacute;m requerer&aacute; o desenvolvimento de ci&ecirc;ncia olhando para as necessidades da sociedade. Os desafios envolvidos na redu&ccedil;&atilde;o do impacto das a&ccedil;&otilde;es humanas no ambiente, alinhados &agrave; necessidade do desenvolvimento sustent&aacute;vel e redu&ccedil;&atilde;o de desigualdades sociais, passam pelo desenvolvimento de s&oacute;lidos resultados cient&iacute;ficos &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Levando em conta as quest&otilde;es cient&iacute;ficas, de governan&ccedil;a, finan&ccedil;as e novas tecnologias, poderemos construir um futuro mais resiliente, sustent&aacute;vel e justo, preservando os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, por meio de estrat&eacute;gias adequadas de adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es &#91;8&#93;. Este processo est&aacute; associado aos ODS, j&aacute; que temos de atender &agrave;s necessidades b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o (educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, igualdade de g&ecirc;nero, erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, fome zero, &aacute;gua limpa e outros) e, ao mesmo tempo, respeitar os limites da disponibilidade dos recursos naturais de nosso planeta. Essas s&atilde;o somente algumas das importantes quest&otilde;es que o Brasil ter&aacute; de enfrentar, e solu&ccedil;&otilde;es baseadas em ci&ecirc;ncia s&oacute;lida certamente t&ecirc;m mais chances de garantir uma trajet&oacute;ria sustent&aacute;vel ao nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;1&#93; ARTAXO, P. As tr&ecirc;s emerg&ecirc;ncias que nossa sociedade enfrenta: sa&uacute;de, biodiversidade e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, S&atilde;o Paulo, v. 34, n. 100, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;2&#93; MASSON-DELMOTTE, V.; ZHAI, P.; PIRANI, A.; CONNORS, S. L.; P&Eacute;AN, C.; CHEN, Y.; GOLDFARB, L.; <i>et al. IPCC 2021</i>: Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;3&#93; ARTAXO, P. Uma nova era geol&oacute;gica em nosso planeta: o Antropoceno? <i>Revista USP</i>, S&atilde;o Paulo, v. 103, p. 8-12, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;4&#93; IPBES 2019 - Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services. <i>Global assessment report of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services</i>. Bonn: IPBES, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;5&#93; ARTAXO, P.; HANSSON, H. C.; MACHADO, L. A. T.; RIZZO, L. V. Tropical forests are crucial in regulating the climate on Earth. <i>PLOS Climate</i>, v. 1, n. 8, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;6&#93; ARTAXO, P.; HANSSON, H. C.; ANDREAE, M. O.; B&Auml;CK, J.; ALVES, E. G.; BARBOSA, H. M. J. <i>et al</i>. Tropical and Boreal Forest - Atmosphere Interactions: a review. <i>Tellus B</i>: Chemical and Physical Meteorology, v. 74, p. 24-163, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;7&#93; NOBRE, C.; ENCALADA, A.; ANDERSON, E.; NEVES, E. G. <i>Science panel for the Amazon</i>: Amazon Assessment Report 2021 - executive summary. New York: Science panel for the Amazon, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;8&#93; ARTAXO, P. Break down boundaries in climate research. <i>World View Section</i>, v. 481, n. 239, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;9&#93; ARTAXO, P. Working together for Amazonia. <i>Editorial Science Magazine</i>, v. 363, n. 6425, 2019.    </font></p>      ]]></body><back>
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