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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As abelhas "sem-ferrão" dos biomas brasileiros: O Brasil possui a maior biodiversidade de abelhas "sem-ferrão" do planeta, essenciais para o funcionamento dos ecossistemas e com grande potencial econômico]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fitofisionomia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As abelhas "sem-ferr&atilde;o" dos biomas brasileiros: o Brasil possui a maior biodiversidade de abelhas "sem-ferr&atilde;o" do planeta, essenciais para o funcionamento dos ecossistemas e com grande potencial econ&ocirc;mico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>David Silva Nogueira<sup>I</sup>; Ayrton Vollet Neto<sup>II</sup>; Mariana Pupo Cassinelli<sup>III</sup>; Jos&eacute; Augusto dos Santos-Silva<sup>IV</sup>; F&aacute;bio Santos do Nascimento<sup>V</sup>; Ana Ligia Leandrini de Oliveira<sup>VI</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor pesquisador do Instituto Federal de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Amazonas, S&atilde;o Gabriel da Cachoeira, Amazonas (IFAM)    <br>   <sup>II</sup>Egresso do Programa de Entomologia da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP)    <br>   <sup>III</sup>P&oacute;s-graduanda do Programa de Entomologia da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP)    <br>   <sup>IV</sup>Egresso do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Entomologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (INPA)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>V</sup>Professor pesquisador do Programa de Entomologia da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFCLRP-USP)    <br>   <sup>VI</sup>Professora pesquisadora da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Farmac&ecirc;uticas da Universidade Federal do Amazonas (FCF - UFAM)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As abelhas "sem-ferr&atilde;o", tamb&eacute;m conhecidas como abelhas nativas ou melipon&iacute;neos, est&atilde;o distribu&iacute;das em grande parte das regi&otilde;es de clima tropical do planeta e em menor abund&acirc;ncia em regi&otilde;es de clima subtropical. Apesar de n&atilde;o serem as abelhas mais utilizadas para a produ&ccedil;&atilde;o de mel nos dias de hoje, o manejo de algumas esp&eacute;cies de melipon&iacute;neos e o uso de seus produtos j&aacute; eram realizados no Brasil por povos e comunidades tradicionais, muito antes da chegada da esp&eacute;cie Apis mel&iacute;fera, no s&eacute;culo XIX. Ao contr&aacute;rio das abelhas mel&iacute;feras (tribo Apini), que se dividem em apenas oito esp&eacute;cies e um &uacute;nico g&ecirc;nero (Apis), as abelhas "sem-ferr&atilde;o" (tribo Meliponini) possuem dezenas de g&ecirc;neros e pouco mais de 250 esp&eacute;cies somente em territ&oacute;rio brasileiro. Neste artigo, abordamos alguns aspectos da diversidade de esp&eacute;cies abelhas "sem-ferr&atilde;o" nos diferentes biomas brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave: </b>Abelhas nativas; Meliponicultura; Fitofisionomia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conhecida pela produ&ccedil;&atilde;o de mel e lembrada pela ferroada dolorida, a abelha mais popular em nosso pa&iacute;s &eacute; a abelha africanizada (<i>Apis mellifera </i>L.), um h&iacute;brido de variedades europeias e africanas, introduzidas no Brasil a partir de 1839 e em 1956, respectivamente. O que muitos desconhecem &eacute; que esta trata-se apenas de uma das mais de 2.500 esp&eacute;cies de abelhas estimadas em nosso territ&oacute;rio, das quais somente cerca de 10% s&atilde;o sociais e uma porcentagem ainda menor produz mel. Entre as abelhas sociais, o grupo mais diverso &eacute; o dos melipon&iacute;neos (fam&iacute;lia Apidae, tribo Meliponini), que somam mais de 250 esp&eacute;cies descritas no pa&iacute;s &#91;1&#93;. Os melipon&iacute;neos, ou abelhas "sem-ferr&atilde;o", assim chamadas por terem perdido o ferr&atilde;o funcional ao longo do processo evolutivo, est&atilde;o distribu&iacute;dos nos diferentes dom&iacute;nios fitogeogr&aacute;ficos brasileiros, uns mais e outros menos restritos a determinadas condi&ccedil;&otilde;es morfoclim&aacute;ticas e a paisagens vegetais espec&iacute;ficas para a constru&ccedil;&atilde;o de seus ninhos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descrever, ou ainda estimar, a distribui&ccedil;&atilde;o dessas esp&eacute;cies de abelhas em cada bioma pode ser uma tarefa mais desafiadora do que se apresenta em um primeiro momento. Isso porque os dom&iacute;nios fitogeogr&aacute;ficos n&atilde;o podem ser compreendidos como entidades homog&ecirc;neas em toda sua extens&atilde;o, muito menos com limites claramente definidos, existindo &aacute;reas nucleares (<i>core</i>) que apresentam algumas vezes &aacute;reas de inser&ccedil;&atilde;o de outros dom&iacute;nios, e faixas de transi&ccedil;&atilde;o entre os dom&iacute;nios cont&iacute;guos. Al&eacute;m disso, alguns dos relatos de ocorr&ecirc;ncia das esp&eacute;cies - in&uacute;meros realizados em &aacute;reas de transi&ccedil;&atilde;o dos biomas - carecem de informa&ccedil;&otilde;es detalhadas sobre as caracter&iacute;sticas ambientais do local de coleta. Por sua vez, os registros de ocorr&ecirc;ncia em apenas uma localidade podem n&atilde;o ser o reflexo de uma &aacute;rea de distribui&ccedil;&atilde;o exclusiva, mas sim resultado do reduzido n&uacute;mero de &aacute;reas amostradas. Ainda assim, na perspectiva de lan&ccedil;ar luz sobre a diversidade de abelhas nativas nos biomas brasileiros, ousamos aqui abordar este tema a partir de uma an&aacute;lise, ainda que limitada, fundamentada no levantamento recente de Nogueira &#91;1&#93; e nos registros de ocorr&ecirc;ncia de Camargo e colaboradores &#91;2&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A Amaz&ocirc;nia det&eacute;m a maior diversidade de abelhas "sem-ferr&atilde;o" do pa&iacute;s, uma vez que possui registros de aproximadamente 200 esp&eacute;cies, sendo mais de 100 esp&eacute;cies de ocorr&ecirc;ncia exclusiva."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Amaz&ocirc;nia, maior bioma brasileiro que cobre quase metade do territ&oacute;rio, &eacute; tamb&eacute;m o bioma que det&eacute;m a maior diversidade de abelhas "sem-ferr&atilde;o" do pa&iacute;s, uma vez que possui registros de aproximadamente 200 esp&eacute;cies, sendo mais de 100 esp&eacute;cies de ocorr&ecirc;ncia exclusiva. Al&eacute;m disso, nesse bioma, h&aacute; uma grande abund&acirc;ncia de ninhos e muitos locais com potencial para constru&ccedil;&atilde;o de novos ninhos. No entanto, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para quem caminha por esse ambiente avist&aacute;-las - em geral, as abelhas forrageiam em busca de alimento que muitas vezes s&oacute; est&aacute; dispon&iacute;vel nos doss&eacute;is das &aacute;rvores gigantescas e seus ninhos podem tamb&eacute;m se encontrar alguns metros acima do n&iacute;vel do ch&atilde;o. A Amaz&ocirc;nia, ao contr&aacute;rio do imagin&aacute;rio popular de um oceano verde homog&ecirc;neo, &eacute; constitu&iacute;da de uma s&eacute;rie de fitofisionomias bastante diversas (como matas de Igap&oacute; e V&aacute;rzea, Campina, Campinarana e Lavrado) e que carregam biodiversidades pr&oacute;prias, fatores que tornam dif&iacute;cil a tarefa de eleger esp&eacute;cies representativas do bioma todo. O g&ecirc;nero <i>Melipona</i> Illiger &eacute; talvez um dos grandes destaques, j&aacute; que possui 20 esp&eacute;cies exclusivas do bioma e, entre os meliponicultores, &eacute; o mais procurado pela mansid&atilde;o das abelhas, do mel frequentemente apreciado e da capacidade de aceita&ccedil;&atilde;o &agrave; vida em caixas para cria&ccedil;&atilde;o. Dentre as esp&eacute;cies desse g&ecirc;nero, a uru&ccedil;u boca-de-renda (<i>M. seminigra </i>Friese) &eacute; uma das mais amplamente distribu&iacute;das nesse bioma e que marca presen&ccedil;a em melipon&aacute;rios na por&ccedil;&atilde;o mais ocidental da Amaz&ocirc;nia. Na por&ccedil;&atilde;o mais oriental, se destacam a uru&ccedil;u amarela (<i>M. flavolineata </i>Friese) e a uru&ccedil;u cinzenta, tamb&eacute;m conhecida como ti&uacute;ba (<i>M. fasciculata </i>Smith), essa &uacute;ltima presente tamb&eacute;m na regi&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o com o Cerrado. &Eacute; tamb&eacute;m not&aacute;vel, e talvez mais f&aacute;cil de enxergar na imensid&atilde;o da floresta Amaz&ocirc;nica, a grande quantidade de ninhos externos das esp&eacute;cies de <i>Trigona </i>Jurine, a grande diversidade de esp&eacute;cies e entradas das <i>Partamona </i>Schwarz, que mais parecem adornos de catedrais g&oacute;ticas, al&eacute;m das entradas de <i>Melipona lateralis</i> Erichison, conhecidas como uru&ccedil;u-canudo (<a href="#fig1">Figuras 1</a> e <a href="#fig2">2</a>), que se assemelham ao nariz de uma anta (<a href="#fig2">Figura 2</a>). &Eacute; na Amaz&ocirc;nia que fica clara a &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o dos melipon&iacute;neos com os povos nativos do Brasil, j&aacute; que h&aacute; registros de cria&ccedil;&atilde;o desses animais de forma racional por diferentes etnias ind&iacute;genas, cada uma com suas pr&oacute;prias esp&eacute;cies e com sua pr&oacute;pria maneira de manejar.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a09fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A meliponicultura pode ser promovida como uma atividade de conserva&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies nativas."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Cerrado &eacute; o segundo maior bioma brasileiro, que corta o Brasil central quase que de norte a sul. Tamanha extens&atilde;o passa por uma grande diversidade de composi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e clim&aacute;ticas que reflete em uma grande biodiversidade de forma geral. Os caracter&iacute;sticos troncos retorcidos de &aacute;rvores de casca grossa abrigam a segunda maior diversidade de abelhas sem-ferr&atilde;o entre os biomas, tendo sido descrito um n&uacute;mero de esp&eacute;cies aproximadamente duas vezes menor que na Amaz&ocirc;nia. Assim como a Mata Atl&acirc;ntica, esse bioma vem sofrendo uma extensa e r&aacute;pida perda de &aacute;rea para pastagens e planta&ccedil;&otilde;es de soja, colocando uma s&eacute;rie de esp&eacute;cies em risco de extin&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o caso da uru&ccedil;u amarela do cerrado <i>(Melipona rufiventris </i>Lepeletier), uma abelha que apesar de bastante criada por meliponicultores, se encontra na situa&ccedil;&atilde;o de perigo de extin&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o nativas de Cerrado. A abelha mandaguari &#91;<i>Scaptotrigona postica </i>(Latreille)&#93; &eacute; tamb&eacute;m muito comum nesse bioma, talvez por ser mais resistente aos impactos ambientais causados pela atividade humana e por responder bem ao manejo em caixas, &eacute; bastante encontrada tanto em melipon&aacute;rios quanto em fragmentos de cerrado. Em rela&ccedil;&atilde;o a esp&eacute;cies de ocorr&ecirc;ncia restrita a esse bioma, encontra-se apenas a <i>Schwarziana chapadensis </i>Melo, que possui amplo espa&ccedil;o malar (espa&ccedil;o entre a mand&iacute;bula e o olho composto), o que confere um aspecto comprido para a cabe&ccedil;a. Essa esp&eacute;cie possui registros apenas para a Chapada dos Veadeiros, no estado de Goi&aacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &aacute;rida paisagem da Caatinga, dom&iacute;nio fitogeogr&aacute;fico considerado exclusivamente brasileiro de clima semi&aacute;rido e baixa pluviosidade anual, a diversidade de esp&eacute;cies de abelhas pode ser menos aparente. No entanto, no sert&atilde;o nordestino, os ocos dos troncos retorcidos das umburanas, catingueiras e cumarus h&aacute; chances de que estejam recheados de janda&iacute;ras (<i>Melipona subnitida</i> Ducke). Al&eacute;m de ser uma das esp&eacute;cies respons&aacute;veis pela poliniza&ccedil;&atilde;o de grande parte da flora silvestre desta &aacute;rea, a janda&iacute;ra &eacute;, sem d&uacute;vidas, a abelha mais popular nos melipon&aacute;rios da regi&atilde;o e entre os criadores de abelhas, destacando-se por sua import&acirc;ncia econ&ocirc;mica para a popula&ccedil;&atilde;o local. End&ecirc;mica do Nordeste, esta esp&eacute;cie possui ampla distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica na Caatinga, mas ocorre tamb&eacute;m nas matas de restinga ao longo da costa atl&acirc;ntica.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Os esfor&ccedil;os de coleta e estudos de taxonomia nesse grupo com tamanha diversidade ainda n&atilde;o s&atilde;o suficientes para trazer um entendimento sobre quais fatores determinam a distribui&ccedil;&atilde;o das abelhas 'sem-ferr&atilde;o'."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por sua vez, margeando o "Velho Chico", depara-se mais ami&uacute;de com a <i>Melipona mandacaia</i> Smith, uma das esp&eacute;cies popularmente conhecidas como manda&ccedil;aia. Distribu&iacute;da ao longo do Rio S&atilde;o Francisco e nos estados da Bahia, Cear&aacute;, Para&iacute;ba, Pernambuco e Piau&iacute;, esta &eacute; a esp&eacute;cie predominante em algumas fitofisionomias da Caatinga, n&atilde;o sobrepondo sua distribui&ccedil;&atilde;o com sua vizinha janda&iacute;ra (<i>M. subnitida</i>). Entre outras esp&eacute;cies que se destacam na paisagem est&atilde;o a pequena "mosquito" (<i>Plebeia flavocincta </i>Cockerell) e a mo&ccedil;a-branca da regi&atilde;o (<i>Frieseomelitta doederleini </i>Friese). A Caatinga, apesar do estigma de ambiente des&eacute;rtico com pouca diversidade, &eacute; rico em configura&ccedil;&otilde;es paisag&iacute;sticas e flor&iacute;sticas, o que s&atilde;o fatores muito importantes para a distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies que ocorrem nestes ambientes. Por exemplo, entre "as caatingas", h&aacute; configura&ccedil;&otilde;es arb&oacute;rea e subarb&oacute;rea de pequeno porte com alta densidade de troncos lenhosos e finos, mencionadas na literatura como Matas de Carrasco ou Catanduvas. Ainda existem os chamados brejos de altitude ou florestas serranas, com caracter&iacute;sticas e condi&ccedil;&otilde;es de florestas de Mata Atl&acirc;ntica, que favorecem a ocorr&ecirc;ncia de esp&eacute;cies diferentes das encontradas em ambientes mais &aacute;ridos, sendo verdadeiros "santu&aacute;rios" da vida silvestre dentro do semi&aacute;rido nordestino. De fato, as caatingas s&atilde;o muito diferentes entre si, e o que sabemos &eacute; que as esp&eacute;cies de melipon&iacute;neos que habitam esses locais s&atilde;o resilientes e bem adaptadas as suas pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es morfoclim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Mata Atl&acirc;ntica possui grande extens&atilde;o de &aacute;rea mesclada com outras fitofisionomias, uma vez que muito da sua &aacute;rea original j&aacute; foi desmatada. Apesar de ser um ambiente bastante modificado, a Mata Atl&acirc;ntica ainda abriga diversas esp&eacute;cies que s&atilde;o &uacute;nicas desse bioma, como &eacute; o caso da <i>Melipona capixaba </i>Moure &amp; Camargo, <i>Friesella schrottkyi</i> Friese e algumas esp&eacute;cies de <i>Plebeia</i> Schwarz &#91;por exemplo, <i>P. grapiuna </i>Melo &amp; Costa, <i>P. julianii </i>Moure, <i>P. lucii </i>Moure, <i>P. meridionalis </i>(Ducke), <i>P. mosquito </i>(Smith), entre outras&#93;. Entre as esp&eacute;cies mais criadas, destacam-se a guaraipo &#91;<i>Melipona bicolor </i>(Fabricius)&#93;, a bugia (<i>Melipona mondury </i>Smith) e a uru&ccedil;u nordestina (<i>Melipona scutellaris </i>Latreille), abelhas que produzem um mel altamente apreciado, resistem bem ao manejo e &agrave;s altas umidades, e no caso da guaraipo tamb&eacute;m resiste &agrave;s baixas temperaturas da por&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica mais ao sul do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outras esp&eacute;cies apreciadas pelos criadores e grande produtoras de mel s&atilde;o a <i>Scaptotrigona xanthotricha </i>Moure, conhecida como mandaguari amarela, e a <i>S. depilis </i>Moure, conhecida como canudo. N&atilde;o h&aacute; muitos registros de extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de abelhas "sem-ferr&atilde;o" nesse bioma, por&eacute;m, uma esp&eacute;cie que foi registrada e descrita como nova na Serra da Bocaina, em S&atilde;o Paulo (<i>Schwarziana bocainensis </i>Melo), n&atilde;o foi novamente encontrada. H&aacute; apenas o registro de seis abelhas coletadas na d&eacute;cada de 1960, apesar de j&aacute; ter havido tentativas sem sucesso para procur&aacute;-la nessa mesma &aacute;rea posteriormente &#91;3&#93;. A uru&ccedil;u nordestina (<i>M. scutellaris</i>), apesar de ser uma das esp&eacute;cies mais importantes para a meliponicultura na Mata Atl&acirc;ntica, tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; considerada extinta do ambiente natural. Este fato refor&ccedil;a que a meliponicultura pode ser promovida como uma atividade de conserva&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies nativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Pantanal &eacute; um bioma pequeno em &aacute;rea e considerado relativamente novo, j&aacute; que o leito do rio Paran&aacute; ainda est&aacute; em forma&ccedil;&atilde;o. Destaca-se por possuir algumas caracter&iacute;sticas &uacute;nicas, como de ser inundado quase o ano inteiro. Dessa forma, v&aacute;rias esp&eacute;cies de fauna e flora precisaram se adaptar ao longo do tempo para resistir a essas press&otilde;es ambientais. Nesse contexto, os registros de ocorr&ecirc;ncia de abelhas "sem-ferr&atilde;o" para esse bioma s&atilde;o escassos. Dentre as esp&eacute;cies que nele ocorrem, apenas <i>Plebeia catamarcensis</i> (Holmberg) &eacute; &uacute;nica dessa regi&atilde;o, n&atilde;o possuindo registros catalogados para outras &aacute;reas at&eacute; o momento. Entre os criadores, a esp&eacute;cie que se destaca &eacute; a <i>Melipona orbignyi </i>(Gu&eacute;rin), conhecida como manda&ccedil;aia do Pantanal. Outras esp&eacute;cies comuns aos meliponicultores s&atilde;o a <i>Scaptotrigona postica </i>(Latreille), conhecida como mandaguari preta, e a <i>S. depilis, </i>conhecida como canudo.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a09fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Pampa configura-se como o &uacute;nico bioma contido em apenas um estado brasileiro, e possui clima subtropical e temperado, com as esta&ccedil;&otilde;es do ano bem definidas. O Pampa e o Pantanal possuem as menores extens&otilde;es de territ&oacute;rio entre os biomas, e tamb&eacute;m a menor riqueza em n&uacute;mero de esp&eacute;cies de abelhas "sem-ferr&atilde;o". No Pampa, n&atilde;o s&atilde;o encontradas esp&eacute;cies de ocorr&ecirc;ncia exclusiva, j&aacute; que todas elas tamb&eacute;m ocorrem em outros biomas. Uma das esp&eacute;cies mais conhecidas da regi&atilde;o talvez seja a <i>Mourella caerulea </i>(Friese), que possui tra&ccedil;os met&aacute;licos em seu tegumento e constr&oacute;i seus ninhos sob o solo, uma condi&ccedil;&atilde;o importante para abelhas que vivem nos Pampas, j&aacute; que esse bioma n&atilde;o possui muitas esp&eacute;cies de &aacute;rvores com troncos que poderiam abrigar abelhas "sem-ferr&atilde;o". Essa esp&eacute;cie est&aacute; sofrendo press&atilde;o antr&oacute;pica, uma vez que nessa regi&atilde;o h&aacute; muitas &aacute;reas agricult&aacute;veis, que praticam o revolvimento do solo para a planta&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;tica que pode danificar ou mesmo destruir seus ninhos. Outras esp&eacute;cies tamb&eacute;m conhecidas s&atilde;o as <i>Plebeia nigriceps </i>(Friese), <i>P. julianii </i>e<i> P. wittmanni </i>Moure &amp; Camargo.  Enquanto <i>P. nigriceps</i> e <i>P. julianii</i> nidificam em paredes de alvenaria ou cavidades em madeira,<i> P. wittmanni</i> utiliza fendas de rochas de granito &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem tamb&eacute;m esp&eacute;cies de abelhas "sem-ferr&atilde;o" que est&atilde;o praticamente em todos os biomas do Brasil, como a famosa jata&iacute; (<i>Tetragonisca angustula </i>Latreille), muitas vezes confundida com um mosquitinho, &eacute; um s&iacute;mbolo dos melipon&iacute;neos n&atilde;o s&oacute; no Brasil, mas em praticamente toda a Am&eacute;rica do Sul. Outra abelha bastante conhecida no Brasil todo &eacute; a arapu&aacute; ou abelha-cachorro (<i>Trigona spinipes </i>Fabricius), famosa principalmente pelo comportamento defensivo de suas oper&aacute;rias, que "enrolam" nos cabelos e d&atilde;o pequenas mordiscadas na pele de desavisados que passam pelos arredores de seus ninhos externos. A bor&aacute; &#91;<i>Tetragona clavipes </i>(Fabricius)&#93; &eacute; outra abelha que ocorre praticamente no Brasil inteiro, talvez menos conhecida que as anteriores, dona de um mel com sabor peculiar e bastante inusitado.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a09fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os esfor&ccedil;os de coleta e estudos de taxonomia nesse grupo com tamanha diversidade ainda n&atilde;o s&atilde;o suficientes para trazer um entendimento sobre quais fatores determinam a distribui&ccedil;&atilde;o das abelhas "sem-ferr&atilde;o". H&aacute; esp&eacute;cies que parecem estar marcadamente em dois biomas, como a manda&ccedil;aia (<i>Melipona quadrifasciata </i>Lepeletier), que ocorre na &aacute;rea de transi&ccedil;&atilde;o dos biomas Cerrado e Mata Atl&acirc;ntica na regi&atilde;o Sudeste do Brasil, e a uru&ccedil;u nordestina (<i>Melipona scutellaris </i>Latreille), que ocorre tanto na Caatinga quanto na Mata Atl&acirc;ntica do Nordeste brasileiro. &Eacute; certo que em um ou mais biomas existem &aacute;reas onde certos fatores clim&aacute;ticos, geogr&aacute;ficos e biol&oacute;gicos, ainda invis&iacute;veis para os nossos olhos, de fato limitem a distribui&ccedil;&atilde;o de certas esp&eacute;cies e que talvez o que se entende hoje pelas fronteiras dos biomas n&atilde;o seja o principal fator afetando a distribui&ccedil;&atilde;o. No entanto, certamente a ocorr&ecirc;ncia de algumas esp&eacute;cies est&aacute; mais alinhada com os limites dos dom&iacute;nios fitogeogr&aacute;ficos do que com os limites pol&iacute;ticos dos estados brasileiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;1&#93; NOGUEIRA, D. S. Overview of Stingless Bees in Brazil (Hymenoptera: Apidae: Meliponini). <i>EntomoBrasilis</i>, &#91;S. l.&#93;, v. 16, p. e1041, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;2&#93; CAMARGO, J. M. F.; PEDRO, S. R. M.; MELO, G. A. R. Meliponini Lepeletier, 1836. <i>In:</i> MOURE, J. S., URBAN, D.; MELO, G. A. R. <i>Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region</i>. Curitiba: Sociedade Brasileira de Entomologia, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;3&#93; MELO, G. A. R. New species of the stingless bee genus <i>Schwarziana</i> (Hymenoptera, Apidae). <i>Revista Brasileira de Entomologia</i>, Curitiba, v. 59, p. 290-293, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;4&#93; WITTER, S.; BLOCHTEIN, B.; ANDRADE, F.; WOLF, L. F.; IMPERATRIZ-FONSECA, V. L. Meliponicultura no Rio Grande do Sul: contribui&ccedil;&atilde;o sobre a biologia e conserva&ccedil;&atilde;o de <i>Plebeia nigriceps</i> (Friese, 1901) (Apidae, Meliponini). <i>Bioscience Journal</i>, v. 23, n. 1, p. 134-140, 2007.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abelhas sociais s&atilde;o aquelas que se organizam em grupos de v&aacute;rios indiv&iacute;duos, denominados col&ocirc;nias ou sociedades, que s&atilde;o divididos de acordo com suas fun&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo, a rainha e as oper&aacute;rias. A rainha &eacute; respons&aacute;vel apenas pela reprodu&ccedil;&atilde;o e &eacute; a &uacute;nica f&ecirc;mea capaz de realizar a postura dos ovos que originam novas rainhas, machos e f&ecirc;meas oper&aacute;rias. As oper&aacute;rias, por sua vez, s&atilde;o subdivididas em tarefas de manuten&ccedil;&atilde;o do ninho - como alimenta&ccedil;&atilde;o das larvas, defesa, coleta de alimento e constru&ccedil;&atilde;o da col&ocirc;nia (<a href="#fig3">Figura 3</a>).    <br>   Meliponicultor &eacute; a pessoa que pratica a cria&ccedil;&atilde;o de abelhas "sem-ferr&atilde;o" em caixas dispostas em espa&ccedil;os conhecidos como melipon&aacute;rios. A meliponicultura visa &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de produtos derivados de abelhas nativas, como o mel, pr&oacute;polis, resina e p&oacute;len. A meliponicultura &eacute; fundamental para promover a sustentabilidade e incentivar pr&aacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o das abelhas nativas. Muitas fam&iacute;lias ainda utilizam a meliponicultura como uma importante fonte de renda. Al&eacute;m disso, seus produtos podem ser utilizados na alimenta&ccedil;&atilde;o, por possu&iacute;rem alto valor nutritivo, e na sa&uacute;de, uma vez que possuem propriedades cicatrizantes, hidratantes e anti-inflamat&oacute;rias (<a href="#fig4">Figura 4</a>).</font></p>      ]]></body><back>
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