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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20230056</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Como a Arte construiu o Brasil e a diversidade de biomas, povos e regiões: Obras celebram natureza brasileira e convidam à preservação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como a Arte construiu o Brasil e a diversidade de biomas, povos e regi&otilde;es: obras celebram natureza brasileira e convidam &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Laila Salmen Espindola</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora titular da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), coordenadora do Laborat&oacute;rio de Farmacognosia - UnB. Tamb&eacute;m coordena o grupo de pesquisa CNPq - Biof&aacute;rmacos, desde 2002, com Acesso legal ao Patrim&ocirc;nio Gen&eacute;tico. &Eacute; conselheira da SBPC no Conselho de Gest&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Gen&eacute;tico (CGen) e diretora da SBPC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sagrado s&atilde;o as &aacute;guas do rio e o fogo que acende a vela do batismo da crian&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As &aacute;guas do rio que correm nas veias dos povos tradicionais - "O rio &eacute; nosso sangue". N&atilde;o &eacute; a mesma &aacute;gua com lama derramada pelos criminosos da minera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fogo que aquece, que permite preparar o alimento, coletar o mel, se comunicar ou ro&ccedil;ar o terreno. N&atilde;o &eacute; o mesmo fogo comumente usado hoje para incendiar nossas florestas, desmatar, desertificar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como a Arte construiu o Brasil e a diversidade de biomas, povos e regi&otilde;es. Passado e presente - herdeiros ascendentes ou descendentes com a otimista incumb&ecirc;ncia de assegurar a continuidade da vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Amaz&ocirc;nia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O compositor paraibano Vital Farias, antes de iniciar a cantoria de seu protesto musical - "Saga da Amaz&ocirc;nia" - obra vision&aacute;ria escrita entre 1979 e 1982, declama um "resumo" da can&ccedil;&atilde;o, utilizando as palavras do poeta potiguar Fran&ccedil;ois Silvestre: "S&oacute; &eacute; cantador quem traz no peito o cheiro e a cor da sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos".</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Era uma vez na Amaz&ocirc;nia a    <br>     mais bonita floresta    <br>     Mata verde, c&eacute;u azul, a    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     mais imensa floresta    <br>     No fundo d&rsquo;&aacute;gua as Iaras,    <br>     caboclo lendas e m&aacute;goas    <br>     E os rios puxando as &aacute;guas</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Papagaios, periquitos,    <br>     cuidavam das suas cores    <br>     Os peixes singrando os    <br>     rios, curumins cheios de    <br>     amores    <br>     Sorria o jurupari, uirapuru,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     seu porvir    <br>     Era fauna, flora, frutos e    <br>     flores</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Toda mata tem caipora    <br>     para a mata vigiar    <br>     Veio caipora de fora para a    <br>     mata definhar    <br>     E trouxe drag&atilde;o-de-ferro,    <br>     pra comer muita madeira    <br>     E trouxe em estilo gigante,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     pra acabar com a capoeira</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Fizeram logo o projeto sem    <br>     ningu&eacute;m testemunhar    <br>     Pra o drag&atilde;o cortar    <br>     madeira e toda mata    <br>     derrubar    <br>     Se a floresta meu amigo,    <br>     tivesse p&eacute; pra andar</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eu garanto, meu amigo,    <br>     que o perigo n&atilde;o tinha    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     ficado l&aacute;</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O que se corta em    <br>     segundos gasta tempo pra    <br>     vingar    <br>     E o fruto que d&aacute; no cacho    <br>     pra gente se alimentar?    <br>     Depois tem o passarinho,    <br>     tem o ninho, tem o ar    <br>     Igarap&eacute;, rio abaixo, tem    <br>     riacho e esse rio que &eacute; um     mar</i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Mas o drag&atilde;o continua na    <br>     floresta a devorar    <br>     E quem habita essa mata,    <br>     pra onde vai se mudar?    <br>     Corre &iacute;ndio, seringueiro,    <br>     pregui&ccedil;a, tamandu&aacute;    <br>     Tartaruga, p&eacute; ligeiro, corre,    <br>     corre tribo dos Kamaiur&aacute;</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Mas o drag&atilde;o continua na    <br>     floresta a devorar    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     E quem habita essa mata,    <br>     pra onde vai se mudar?    <br>     Corre &iacute;ndio, seringueiro,    <br>     pregui&ccedil;a, tamandu&aacute;    <br>     Tartaruga, p&eacute; ligeiro, corre,    <br>     corre tribo dos Kamaiur&aacute;</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>No lugar que havia mata,    <br>     hoje h&aacute; persegui&ccedil;&atilde;o    <br>     Grileiro mata posseiro s&oacute;    <br>     pra lhe roubar seu ch&atilde;o    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Castanheiro, seringueiro j&aacute;    <br>     viraram at&eacute; pe&atilde;o    <br>     Afora os que j&aacute; morreram    <br>     como ave-de-arriba&ccedil;&atilde;o    <br>     Z&eacute; de Nana t&aacute; de prova,    <br>     naquele lugar tem cova    <br>     Gente enterrada no ch&atilde;o</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Pois mataram &iacute;ndio que    <br>     matou grileiro que matou    <br>     posseiro    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Disse um castanheiro para    <br>     um seringueiro que um    <br>     estrangeiro    <br>     Roubou seu lugar</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Pois mataram &iacute;ndio que    <br>     matou grileiro que matou    <br>     posseiro    <br>     Disse um castanheiro para    <br>     um seringueiro que um    <br>     estrangeiro    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Roubou seu lugar    <br>     Foi ent&atilde;o que um violeiro    <br>     chegando na regi&atilde;o    <br>     Ficou t&atilde;o penalizado e    <br>     escreveu essa can&ccedil;&atilde;o    <br>     E talvez desesperado com    <br>     tanta devasta&ccedil;&atilde;o    <br>     Pegou a primeira estrada,    <br>     sem rumo, sem dire&ccedil;&atilde;o    <br>     Os olhos cheios de &aacute;gua,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     sumiu levando essa m&aacute;goa    <br>     Dentro do seu cora&ccedil;&atilde;o</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Foi ent&atilde;o que um violeiro    <br>     chegando na regi&atilde;o    <br>     Ficou t&atilde;o penalizado que    <br>     escreveu essa can&ccedil;&atilde;o    <br>     E talvez desesperado com    <br>     tanta devasta&ccedil;&atilde;o    <br>     Pegou a primeira estrada,    <br>     sem rumo, sem dire&ccedil;&atilde;o    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Os olhos cheios de &aacute;gua,    <br>     sumiu levando essa m&aacute;goa    <br>     Dentro do seu cora&ccedil;&atilde;o</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Aqui termina essa hist&oacute;ria    <br>     para gente de valor    <br>     Pra gente que tem    <br>     mem&oacute;ria, muita cren&ccedil;a,    <br>     muito amor    <br>     Pra defender o que ainda    <br>     resta, sem rodeio, sem    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     aresta    <br>     Era uma vez uma floresta    <br>     na linha do Equador</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O poema-musical escrito h&aacute; mais de 41 anos protesta em nome das pessoas que l&aacute; restaram e ainda lutam pela preserva&ccedil;&atilde;o da floresta, lembrando suas belezas e o perigo de seu fim. O "drag&atilde;o de ferro" - ferrovia constru&iacute;da no "corredor Caraj&aacute;s" - conecta a destrui&ccedil;&atilde;o da mata com as lendas e mitos - Iara (M&atilde;e d'&Aacute;gua) e a Caipora (M&atilde;e do Mato), vigiando e outro vindo de fora, para a "mata definhar".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje n&atilde;o s&atilde;o os mesmos, os forasteiros interessados apenas em fins lucrativos... e a saga continua... "Era uma vez na Amaz&ocirc;nia, a mais bonita floresta".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais recentemente, a"Can&ccedil;&atilde;o pra Amaz&ocirc;nia"<i>, </i>outro manifesto musical escrito por Carlos Renn&oacute;, com melodia de Nando Reis, e em canto reunido por v&aacute;rias vozes de m&uacute;sicos influentes, atualiza as escolhas dos forasteiros de hoje e as consequ&ecirc;ncias para seus povos e a floresta - garimpo ilegal; terror que assombra com a matan&ccedil;a para dizimar povos, como as crian&ccedil;as Yanomami; madeira ilegal; inc&ecirc;ndios; a desertifica&ccedil;&atilde;o; "as boiadas" e as mudan&ccedil;as no clima... "Amaz&ocirc;nia &eacute; sem igual, sem plano B".</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Amaz&ocirc;nia    <br>     &Eacute; sem igual, sem plano B    <br>     nem clone a    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Amaz&ocirc;nia</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Dos povos da floresta sob    <br>     press&atilde;o    <br>     O ind&iacute;gena, seu grande    <br>     guardi&atilde;o    <br>     Em comunh&atilde;o com ela h&aacute;    <br>     mil&ecirc;nios    <br>     Nos &uacute;ltimos e tr&aacute;gicos    <br>     dec&ecirc;nios</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eles n&atilde;o pensam no    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     amanh&atilde; nem do planeta    <br>     nem dos pr&oacute;prios filhos</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O que o &iacute;ndio viu, previu,    <br>     falou    <br>     Tamb&eacute;m o cientista    <br>     comprovou    <br>     Desmate aumenta, o clima    <br>     seco aquece    <br>     A mata, o c&eacute;u e a Terra,    <br>     que estarrece    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Esse &eacute; o recado deles, l&aacute; no    <br>     fundo    <br>     Salve-se a selva ou n&atilde;o se    <br>     salva o mundo    <br>     Pra n&atilde;o torn&aacute;-los um    <br>     inferno, um forno</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Salve a Amaz&ocirc;nia do ponto    <br>     sem retorno    <br>     Ser&aacute; que ainda t&aacute; em    <br>     tempo ou o timing disso j&aacute;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     perdemos?    <br>     Pois, evitemos pelo menos    <br>     os eventos mais extremos</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A"Can&ccedil;&atilde;o pra Amaz&ocirc;nia"foi escrita ao final de 2019/in&iacute;cio 2020 e gravada somente em 2021, devido &agrave; pandemia causada pelo SARS-CoV-2 - o v&iacute;rus soberano que iniciou seu comando sobre o mundo no in&iacute;cio 2020 - certamente resultado das transforma&ccedil;&otilde;es do meio ambiente, que fazem a ponte epidemiol&oacute;gica entre n&oacute;s e os pat&oacute;genos, em constante evolu&ccedil;&atilde;o. Ali&aacute;s, esse v&iacute;rus ainda continua fazendo suas muta&ccedil;&otilde;es e adoecendo as pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No auge da pandemia, a revolu&ccedil;&atilde;o que Steve Jobs fez no mundo - com certeza gra&ccedil;as &agrave; sua inquieta&ccedil;&atilde;o, curiosidade, sensibilidade e prazer em conhecer o desconhecido - nos permitiram guardar a calma e a f&eacute; na vida para vermos al&eacute;m do sofrimento, continuarmos exercendo nossas atividades, auxiliados pelos seus feitos vision&aacute;rios. Os cientistas - "os Leonardos da Vinci" - da vida, como her&oacute;is aben&ccedil;oados, lutaram contra o tempo, o cansa&ccedil;o f&iacute;sico e mental, e trouxeram ao mundo a vacina. Vacina que transcreveu beleza particular - a intelig&ecirc;ncia, a genialidade, o encanto da curiosidade, o conhecer o desconhecido, o respeito &agrave; sociedade e a esperan&ccedil;a de vida. E assim, a cara de quem acreditava na ci&ecirc;ncia foi pura esperan&ccedil;a (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cerrado</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por aqui, na pandemia da Universidade de Bras&iacute;lia...</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A &aacute;rvore do Cerrado    <br>     Estava em flores    <br>     Quanta delicadeza!</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Era na &uacute;ltima seca    <br>     Em setembro de 2020</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Hoje, esse templo de    <br>     ora&ccedil;&atilde;o    <br>     Nas horas do Anjo da for&ccedil;a,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     am&eacute;m    <br>     Que fica quase em frente    <br>     ao nosso Hospital    <br>     Universit&aacute;rio    <br>     Com seu tronco retorcido    <br>     suas cascas grossas    <br>     Folhas bem verdes e fortes    <br>     Nos lembra</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Que apesar de termos p&eacute;    <br>     Pr&aacute; andar    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Hoje somos como ela    <br>     N&atilde;o temos como sair    <br>     correndo    <br>     Quem &eacute; vivo    <br>     Corre perigo</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Mas ela tamb&eacute;m    <br>     nos mostra    <br>     que apesar de vivermos um    <br>     tempo    <br>     que nos testa    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     a resist&ecirc;ncia e a paci&ecirc;ncia</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acreditar    <br>     que apesar da devasta&ccedil;&atilde;o    <br>     cr&ocirc;nica</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Tem o ar    <br>     as esta&ccedil;&otilde;es</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"E com os olhos    <br>     Cheios de &aacute;gua"    <br>     &Eacute; preciso    <br>     Enquanto a espera    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     aumenta    <br>     Guardar a mem&oacute;ria    <br>     Do amor    <br>     Da cren&ccedil;a na vida    <br>     Da esperan&ccedil;a</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jo&atilde;o Guimar&atilde;es Rosa nos deixou como legado poder se enveredar pelo "Grande Sert&atilde;o: Veredas", na d&eacute;cada de 1950. No romance, a lealdade de Riobaldo para nos descrever o mundo dentro do Cerrado, com os detalhes sobre as plantas, animais, geologia, trilhas, chapad&otilde;es, veredas... e de seus povos, nos mostra a grandiosidade do segundo maior bioma brasileiro. Riobaldo nos guiou neste "poema" sobre o Cerrado, o qual ele aprendeu a apreciar as belezas com Diadorim - "Quando o senhor sonhar, sonhe com aquilo..."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje n&atilde;o nos resta muito a sonhar. Em 25 anos de Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), vi o Cerrado "definhar". Anos durante os quais constru&iacute;mos um "Banco de Extratos e Subst&acirc;ncias de Plantas e Fungos Endof&iacute;ticos do Cerrado" - legado constru&iacute;do com os estudantes e nosso saudoso amigo bot&acirc;nico Professor Jos&eacute; Elias de Paula. Os tempos que em par&aacute;vamos a kombi da UnB na beira da estrada, faz&iacute;amos cinco metros Cerrado adentro e l&aacute; estava a planta que quer&iacute;amos coletar em busca de novos compostos ativos em algum modelo biol&oacute;gico estudado ou inseticidas/repelentes para o controle de insetos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o tempo... atr&aacute;s dos cinco metros de Cerrado da beira da estrada era somente a monocultura de soja. E hoje est&aacute; feita a liga&ccedil;&atilde;o entre o desmatamento do Cerrado e a crescente pr&aacute;tica do livre com&eacute;rcio internacional dessa <i>commodity</i>. Esta soja serve para alimentar o gado no exterior (sete toneladas/cabe&ccedil;a de gado), devido &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o do uso de fontes proteicas de origem animal, quando, nos anos de 1996, surgiu na Europa os problemas da "vaca louca" - doen&ccedil;a zoon&oacute;tica neurodegenerativa variante da Doen&ccedil;a de Creutzfeldt-Jakob associada ao consumo de carne e subprodutos contaminados com Encefalite Espongiforme Bovina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O contradit&oacute;rio em toda esta destrui&ccedil;&atilde;o do Cerrado - desmatamento com esgotamento do solo e "gritantes" mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas - &eacute; que a agricultura depende da natureza saud&aacute;vel para continuar tal atividade econ&ocirc;mica (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Caatinga</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Euclides da Cunha, em "Os Sert&otilde;es", o primeiro romance-reportagem brasileiro escrito entre 1866-1909 e publicado em 1902, descreve em detalhes o nosso bioma Caatinga. As esta&ccedil;&otilde;es secas e de chuvas. Explica o motivo da seca e a "inclem&ecirc;ncia do meio" com todos os seus conhecimentos geol&oacute;gicos e morfol&oacute;gicos que caracteriza o sert&atilde;o, com seu clima &aacute;rido, em que &agrave;s vezes n&atilde;o se encontra &aacute;gua nem mesmo para aliviar a sede. Depois celebra a alegria com a chegada da chuva, a exist&ecirc;ncia dos rios tempor&aacute;rios, fala dos animais, das plantas, incluindo o umbuzeiro e conclui... "o sertanejo &eacute; feliz e n&atilde;o inveja nem mesmo os reis da Terra!"</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De l&aacute; para c&aacute;, o bioma foi sendo modificado, ganhando &aacute;reas de desertifica&ccedil;&atilde;o, e com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, todos os seres vivos, incluindo seu povo catingueiro (sertanejos, vaqueiros, agricultores, ind&iacute;genas e quilombolas) est&atilde;o tendo que lidar com temperaturas cada vez mais elevadas. Situa&ccedil;&atilde;o que gera novos desafios e sofrimentos, diante do agravamento de disponibilidade de &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Umbu significa em tupi-guarani "&aacute;rvore que da&#769; de beber", que tem capacidade de armazenar &aacute;gua, especialmente na raiz, e atravessar os longos per&iacute;odos de seca. Suas ra&iacute;zes e seus frutos deliciosos alimentam as pessoas e os animais. A &aacute;rvore centen&aacute;ria com folhas que desaparecem na seca e renascem com as primeiras chuvas t&ecirc;m ainda propriedades medicinais. Euclides da Cunha, diante das caracter&iacute;sticas da esp&eacute;cie caixa d'&aacute;gua, que ajudava a manter a vida no sert&atilde;o, concebeu-lhe como "a&#769;rvore sagrada do sert&atilde;o":</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; os umbuzeiros    <br>     alevantam dous metros    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     sobre o ch&atilde;o, irradiantes    <br>     em c&iacute;rculo, os galhos    <br>     numerosos.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&Eacute; a &aacute;rvore sagrada do    <br>     sert&atilde;o. S&oacute;cia fiel das    <br>     r&aacute;pidas horas felizes e    <br>     longos dias amargos dos    <br>     vaqueiros. Representa    <br>     o mais frisante exemplo    <br>     de adapta&ccedil;&atilde;o da flora    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     sertaneja. Foi, talvez, de    <br>     talhe mais vigoroso e    <br>     alto &mdash; e veio descaindo,    <br>     pouco a pouco, &#91;...&#93;    <br>     modificando-se &agrave; fei&ccedil;&atilde;o    <br>     do meio, desinvoluindo,    <br>     at&eacute; se preparar para a    <br>     resist&ecirc;ncia e reagindo, por    <br>     fim, desafiando as secas    <br>     duradouras, sustentandose    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     nas quadras miser&aacute;veis    <br>     merc&ecirc; da energia vital que    <br>     economiza nas esta&ccedil;&otilde;es    <br>     ben&eacute;ficas, das reservas    <br>     guardadas em grande    <br>     c&oacute;pia nas ra&iacute;zes.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>E reparte-as com o homem.    <br>     &#91;...&#93;</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Alimenta-o e mitiga-lhe    <br>     a sede. Abre-lhe o seio    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     acariciador e amigo,    <br>     onde os ramos recurvos    <br>     e entrela&ccedil;ados parecem    <br>     de prop&oacute;sito feitos    <br>     para a arma&ccedil;&atilde;o das    <br>     redes bamboantes. E ao    <br>     chegarem os tempos felizes    <br>     d&aacute;-lhe os frutos de sabor    <br>     esquisito para o preparo da    <br>     umbuzada tradicional.</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem falar das cantorias do grande m&uacute;sico Luiz Gonzaga, alegria do nosso Brasil, que canta a natureza desse bioma exclusivamente brasileiro, e a vida de seu povo resiliente e corajoso - "Espero a chuva cair de novo...Pra mim vortar' pro meu sert&atilde;o..." (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, todos os seres vivos est&atilde;o tendo que lidar com temperaturas cada vez mais elevadas. Situa&ccedil;&atilde;o que gera novos desafios e sofrimentos, diante do agravamento de disponibilidade de &aacute;gua."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pantanal</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manoel de Barros, o poeta do Pantanal, tamb&eacute;m registrou a simplicidade com sofistica&ccedil;&atilde;o, em seu livro "Mem&oacute;rias inventadas: a inf&acirc;ncia", publicado em 2003, por meio do poema, cujo nome j&aacute; nos ensina muito: "Aprendimentos" - que conecta a hist&oacute;ria de vida com o ensino (<a href="#fig4">Figura 4</a>).</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O fil&oacute;sofo Kierkegaard me    <br>     ensinou que cultura    <br>     &eacute; o caminho que o homem    <br>     percorre para se conhecer.    <br>     S&oacute;crates fez o seu caminho    <br>     de cultura e ao fim    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     falou que s&oacute; sabia que n&atilde;o    <br>     sabia de nada.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>N&atilde;o tinha as certezas    <br>     cient&iacute;ficas.    <br>     Mas que aprendera coisas    <br>     di-menor com a natureza.    <br>     Aprendeu que as folhas das    <br>     &aacute;rvores servem para nos    <br>     ensinar a cair sem alardes.    <br>     Disse que fosse ele caracol    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     vegetado sobre pedras, ele    <br>     iria gostar. Iria certamente    <br>     aprender o idioma que as    <br>     r&atilde;s falam com as &aacute;guas e ia    <br>     conversar com as r&atilde;s.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>E gostasse mais de ensinar    <br>     que a exuber&acirc;ncia maior    <br>     est&aacute; nos insetos do que nas    <br>     paisagens. Seu rosto tinha    <br>     um lado de ave. Por isso    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     ele podia conhecer todos    <br>     os p&aacute;ssaros do mundo pelo    <br>     cora&ccedil;&atilde;o de seus cantos.    <br>     Estudara nos livros demais.    <br>     Por&eacute;m aprendia melhor no    <br>     ver, no ouvir, no pegar, no    <br>     provar e no cheirar.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Chegou por vezes de    <br>     alcan&ccedil;ar o sotaque das    <br>     origens.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Se admirava de como    <br>     um grilo sozinho, um s&oacute;    <br>     pequeno grilo, podia    <br>     desmontar os sil&ecirc;ncios    <br>     de uma noite!    <br>     Eu vivi antigamente com    <br>     S&oacute;crates, Plat&atilde;o, Arist&oacute;teles    <br>     &mdash; esse pessoal.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Eles falavam nas aulas:    <br>     Quem se aproxima das    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     origens se renova.    <br>     P&iacute;ndaro falava pra mim    <br>     que usava todos os f&oacute;sseis    <br>     lingu&iacute;sticos que achava    <br>     para renovar sua poesia.    <br>     Os mestres pregavam que    <br>     o fasc&iacute;nio po&eacute;tico vem das    <br>     ra&iacute;zes da fala.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>S&oacute;crates falava que as    <br>     express&otilde;es mais er&oacute;ticas    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     s&atilde;o donzelas. E que a    <br>     Beleza se explica melhor    <br>     por n&atilde;o haver raz&atilde;o    <br>     nenhuma nela.    <br>     O que mais eu sei    <br>     sobre S&oacute;crates &eacute; que    <br>     ele viveu uma ascese de    <br>     mosca.</i></font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pampa</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O bioma da nossa Elis Regina, que deu vida eterna ao "Al&ocirc;, al&ocirc; Marciano" de Rita Lee em 1980:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Al&ocirc;, al&ocirc; Marciano    <br>     Aqui quem fala &eacute; da Terra    <br>     Pra variar, estamos em    <br>     guerra    <br>     Voc&ecirc; n&atilde;o imagina a loucura    <br>     O ser humano t&aacute; na maior    <br>     fissura porque    <br>     T&aacute; cada vez mais down in    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     the high Society&hellip;</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Pampa - "Pa&iacute;s da solid&atilde;o" de Barbosa Lessa, em seu livro de 1984, "Rio Grande do Sul: Prazer em conhec&ecirc;-lo" - "o pai&#769;s dos horizontes sem-fim, das silenciosas lonjuras". Bioma da erva-mate dos guaranis que faz a identidade de seu povo com o chimarr&atilde;o "da democracia" (<a href="#fig5">Figura 5</a>).</font></p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mata Atl&acirc;ntica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A carta do mineiro de Itabirinha, escrita "&Agrave; esquerda do Rio Doce, em 11 de setembro de 2020 - de Ailton Krenak para quem quer cantar e dan&ccedil;ar para o c&eacute;u" chama o "Al&ocirc;, al&ocirc; Marciano" cantada por Elis:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Pensar o mundo pela l&oacute;gica    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     das disputas virou a raz&atilde;o da    <br>     humanidade, como se essa    <br>     ideia tivesse uma natureza    <br>     pr&oacute;pria. Em outras palavras,    <br>     o verbo disputar virou verbo    <br>     vida, passou a nomear o    <br>     princ&iacute;pio das coisas do    <br>     mundo. Mas como estar al&eacute;m    <br>     da viol&ecirc;ncia que confirma    <br>     todos os dias o equ&iacute;voco    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     da narrativa que diz que o    <br>     mundo foi criado para nos    <br>     servir e que n&oacute;s estamos aqui    <br>     para incidir sobre ele? Como    <br>     estar al&eacute;m? Como deixar de    <br>     acreditar no mundo como    <br>     uma plataforma extrativista?    <br>     Como escapar desse v&iacute;rus    <br>     gigante homo sapiens,    <br>     essa bact&eacute;ria que come o    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     planeta?"</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Quando defendo que    <br>     precisamos voltar a sonhar &eacute;    <br>     porque precisamos acreditar    <br>     na cria&ccedil;&atilde;o de uma intelig&ecirc;ncia    <br>     sutil, movente, para permitir    <br>     que a vida, em sua diferen&ccedil;a,    <br>     coexista."</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Por isso, quando o c&eacute;u    <br>     criar a press&atilde;o sobre a terra,    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     digo a voc&ecirc; que dance, que    <br>     suspenda o c&eacute;u! Os filhos    <br>     da terra precisam cantar e    <br>     dan&ccedil;ar para que o c&eacute;u possa    <br>     dar uma atmosfera vital,    <br>     necess&aacute;ria para o retorno    <br>     das flores, dos p&aacute;ssaros, das    <br>     borboletas, das matas, enfim,    <br>     para a celebra&ccedil;&atilde;o da vida..."</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sebasti&atilde;o Salgado, o mineiro de Aimor&eacute;s - cidade com o nome comumente dado aos ind&iacute;genas botocudos da regi&atilde;o - &eacute; fot&oacute;grafo da natureza e de gente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conhecimento adquirimos nos livros, nos artigos, em nossos laborat&oacute;rios, mas a sabedoria &eacute; de quem saboreia a natureza... quem fala de onde vem, de onde &eacute;. Sebasti&atilde;o Salgado fotografa a dignidade dessa sabedoria. O fot&oacute;grafo nos encanta com seu amor ao planeta quando nos partilha o conv&iacute;vio harm&ocirc;nico do homem em belezas intoc&aacute;veis da natureza. Sebasti&atilde;o Salgado nos comove com as alarmantes injusti&ccedil;as sociais e a matan&ccedil;a dos seres vivos. Fotografa a complexidade na qual o mundo se encontra, e a incapacidade da humanidade em evoluir, com a necessidade de cometer os mesmos erros. A milit&acirc;ncia fotogr&aacute;fica de Sebasti&atilde;o Salgado nos convida a promover e exigir o di&aacute;logo, para que pessoas encontrem bases de coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica para seus povos e a natureza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua terra natal, recebeu do Pai uma fazenda, onde com a esposa e filhos decidiram reconstruir a Mata Atl&acirc;ntica dizimada - decis&atilde;o que reuniu a "milit&acirc;ncia, profissionalismo, talento e generosidade" e nos faz "esperan&ccedil;ar" por um rem&eacute;dio que ajude a cuidar das belezas da natureza e de seus seres vivos, a sarar a tristeza e refazer a coragem para lutar pela vida da Terra (<a href="#fig6">Figura 6</a>).</font></p>     <p><a name="fig6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a12fig06.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A agricultura depende da natureza saud&aacute;vel para continuar tal atividade econ&ocirc;mica."</b></styled-content>   </font></p>      ]]></body>
</article>
