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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crise hídrica: a resiliência dos biomas brasileiros diante das mudanças climáticas: Para além dos ciclos naturais, como a influência humana agrava o problema da crise hídrica no país]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Crise h&iacute;drica: a resili&ecirc;ncia dos biomas brasileiros diante das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: para al&eacute;m dos ciclos naturais, como a influ&ecirc;ncia humana agrava o problema da crise h&iacute;drica no pa&iacute;s</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priscylla Almeida<sup>I</sup>; Jo&atilde;o F. F. Nogueira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Jornalista e produtora de conte&uacute;do para &aacute;reas de sa&uacute;de e ci&ecirc;ncia, marketing e publicidade. Apaixonada por filmes, gatinhos e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o traz: o contato com gente, a curiosidade de assuntos diversos, a troca    <br>   <sup>II</sup>Desenvolvedor de software, professor e pesquisador. Transita por diversos temas, das ci&ecirc;ncias humanas &agrave;s exatas, sempre estudando algo novo. Adora jogar videogame quando n&atilde;o est&aacute; viajando</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise h&iacute;drica de 2023 no Amazonas atinge propor&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e sem precedentes, impactando mais de 600 mil habitantes, de acordo com informa&ccedil;&otilde;es divulgadas pela Defesa Civil. Enquanto a Amaz&ocirc;nia enfrenta essa severa escassez de &aacute;gua, a regi&atilde;o Sul do Brasil &eacute; assolada por precipita&ccedil;&otilde;es intensas. Esses eventos s&atilde;o, em parte, atribu&iacute;dos ao fen&ocirc;meno clim&aacute;tico <i>El Ni&ntilde;o</i>, que provoca condi&ccedil;&otilde;es de seca no Norte e chuvas abundantes no Sul do pa&iacute;s. At&eacute; o momento neste ano, um total de 5,8 milh&otilde;es de pessoas se viram afetadas por chuvas intensas e prolongadas secas, segundo dados reunidos pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Munic&iacute;pios.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A depender da magnitude e frequ&ecirc;ncia dos eventos extremos e de suas consequ&ecirc;ncias nas altera&ccedil;&otilde;es dos ecossistemas, podemos chegar em um ponto de n&atilde;o retorno, onde n&atilde;o h&aacute; mais condi&ccedil;&otilde;es de regenera&ccedil;&atilde;o."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; em 2021 o Brasil presenciava o que parecia ser sua pior crise h&iacute;drica, com precipita&ccedil;&otilde;es mais baixas dos &uacute;ltimos 91 anos. Risco de contamina&ccedil;&atilde;o com o uso de volume morto dos reservat&oacute;rios, aumento tarif&aacute;rio em torno de 130% ocasionado pelo uso de combust&iacute;veis f&oacute;sseis por usinas termel&eacute;tricas, preju&iacute;zos na agricultura que geram infla&ccedil;&atilde;o no pre&ccedil;o final de alimentos&#133; Esses s&atilde;o apenas alguns dos danos socioecon&ocirc;micos presenciados pela popula&ccedil;&atilde;o brasileira. "A depender da magnitude e frequ&ecirc;ncia dos eventos extremos e de suas consequ&ecirc;ncias nas altera&ccedil;&otilde;es dos ecossistemas, podemos chegar em um ponto de n&atilde;o retorno, onde n&atilde;o h&aacute; mais condi&ccedil;&otilde;es de regenera&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; realmente alarmante", declara V&acirc;nia Rosa Pereira, pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorol&oacute;gicas e Clim&aacute;ticas Aplicadas &agrave; Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise h&iacute;drica no pa&iacute;s &eacute; o resultado direto da degrada&ccedil;&atilde;o dos biomas brasileiros, cujas recorrentes secas e escassez t&ecirc;m papel crucial no ciclo hidrol&oacute;gico e na disponibilidade de &aacute;gua. O efeito cascata &eacute; literal: com a redu&ccedil;&atilde;o das chuvas ao permitir o avan&ccedil;o do desmatamento nos biomas brasileiros, a produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica despenca, empobrece o pa&iacute;s e agrava a inseguran&ccedil;a alimentar da popula&ccedil;&atilde;o, ocasionando uma necessidade emergencial de a&ccedil;&otilde;es integradas de pol&iacute;ticas ambientais e humanit&aacute;rias (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&atilde;o alterando os recursos h&iacute;dricos no pa&iacute;s?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&uacute;mero de desastres naturais causados pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas aumentou cinco vezes em 50 anos e matou mais de duas milh&otilde;es de pessoas, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial (OMM), ag&ecirc;ncia ligada &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas t&ecirc;m provocado altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es de precipita&ccedil;&atilde;o, nas temperaturas, nos n&iacute;veis e na qualidade da &aacute;gua em &aacute;reas costeiras, na fenologia das plantas, no funcionamento dos ecossistemas e, al&eacute;m disso, t&ecirc;m afetado a distribui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, inclusive de vetores transmissores de doen&ccedil;as. Tais mudan&ccedil;as interagem com diversos fatores de press&atilde;o sociais e ambientais, cujos potenciais impactos se amplificam cada vez mais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"J&aacute; &eacute; sabido que os eventos clim&aacute;ticos t&ecirc;m se comportado de maneira mais intensa do que usual. E embora as previs&otilde;es estejam dispon&iacute;veis com anteced&ecirc;ncia, associadas a um conhecimento cient&iacute;fico consolidado, mostrando que os eventos meteorol&oacute;gicos, como as chuvas e as estiagens, t&ecirc;m sido mais intensas do que usual, o que tem faltado s&atilde;o medidas preventivas que nos capacitem a um melhor enfrentamento dessas condi&ccedil;&otilde;es extremas", declara Pedro Luiz C&ocirc;rtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), pesquisador em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de combate &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e revisor de relat&oacute;rios do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) da ONU. "Discuss&otilde;es que deveriam ser pautadas com urg&ecirc;ncia, como, por exemplo, o que fazer diante da emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica, acabam perdendo espa&ccedil;o para outros temas que parecem preocupar mais os pol&iacute;ticos do que essas situa&ccedil;&otilde;es extremas que temos vivido".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Embora as previs&otilde;es estejam dispon&iacute;veis com anteced&ecirc;ncia, associadas a um conhecimento cient&iacute;fico consolidado, mostrando que os eventos meteorol&oacute;gicos, como as chuvas e as estiagens, t&ecirc;m sido mais intensas do que usual, o que tem faltado s&atilde;o medidas preventivas que nos capacitem a um melhor enfrentamento dessas condi&ccedil;&otilde;es extremas."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impactos nos biomas brasileiros</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo maior bioma do pa&iacute;s, o Cerrado enfrenta uma devasta&ccedil;&atilde;o desenfreada e atingiu o topo no ranking do desmatamento. Somente nos &uacute;ltimos 12 meses, mais de 6,3 mil km<sup>2</sup> foram derrubados, de acordo com o Sistema de Detec&ccedil;&atilde;o de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Em 50 anos, metade de sua vegeta&ccedil;&atilde;o original j&aacute; n&atilde;o existe mais. Irregularidades na concess&atilde;o de licen&ccedil;as, falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e o fato de possuir apenas 10% de sua &aacute;rea protegida deixam a regi&atilde;o vulner&aacute;vel ao avan&ccedil;o do desmatamento em propriedades privadas, sendo o agroneg&oacute;cio seu principal causador. O Cerrado &eacute; a savana com maior biodiversidade em fauna e flora do mundo e &eacute; o ber&ccedil;o de 8 entre as 12 principais bacias hidrogr&aacute;ficas do Brasil (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n4/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A atual seca no bioma Amaz&ocirc;nico deixa evidente sua situa&ccedil;&atilde;o de fragilidade para lidar com as adversidades clim&aacute;ticas. Al&eacute;m disso, a contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua por agrot&oacute;xicos, pulveriza&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea, redu&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, deslocamento for&ccedil;ado de povos tradicionais, mil&iacute;cias rurais, entre outros fatores, enfraquecem comunidades inteiras e colocam em risco a quest&atilde;o h&iacute;drica e energ&eacute;tica com impactos humano e urbano. "A Amaz&ocirc;nia vive o paradoxo de que, embora conhecida por sua alta disponibilidade h&iacute;drica, atualmente possui baix&iacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a h&iacute;drica. &Eacute; o bioma que registra d&eacute;ficits marcantes de instrumentos b&aacute;sicos de gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, saneamento b&aacute;sico, infraestrutura, governan&ccedil;a e articula&ccedil;&atilde;o local em rela&ccedil;&atilde;o aos recursos h&iacute;dricos", aponta V&acirc;nia Pereira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Mata Atl&acirc;ntica, o bioma ocupado por mais de 70% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, atualmente possui apenas 12,4% da cobertura de sua vegeta&ccedil;&atilde;o original, resultado do desmatamento que acentua o quadro de eventos clim&aacute;ticos, como o temporal devastador ocorrido no litoral paulista que matou 65 pessoas em fevereiro deste ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; a Caatinga possui um hist&oacute;rico de d&eacute;ficit h&iacute;drico devido a longas estiagens sazonais, tornando seus rios intermitentes. No entanto, o problema &eacute; agravado pela retirada significativa de &aacute;gua para a agricultura irrigada e &aacute;reas urbanas. Mesmo com instrumentos de gest&atilde;o existentes, as crises h&iacute;dricas persistem. Al&eacute;m disso, a Caatinga tem as piores condi&ccedil;&otilde;es de saneamento b&aacute;sico do pa&iacute;s. As proje&ccedil;&otilde;es para o futuro indicam redu&ccedil;&atilde;o nas vaz&otilde;es e aumento de secas extremas, tornando a regi&atilde;o ainda mais vulner&aacute;vel em termos de quantidade e qualidade de &aacute;gua. Fatores socioecon&ocirc;micos, como a falta de infraestrutura e saneamento, pobreza e agricultura de sequeiro s&atilde;o as principais vulnerabilidades diante das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nesse bioma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Pantanal, a falta de infraestrutura e saneamento b&aacute;sico, juntamente com um fraco monitoramento da qualidade da &aacute;gua, representa uma s&eacute;ria preocupa&ccedil;&atilde;o para a seguran&ccedil;a h&iacute;drica. Embora haja uma grande quantidade de &aacute;gua dispon&iacute;vel atualmente, a capacidade de resposta a eventos de seca extrema &eacute; limitada devido &agrave; fr&aacute;gil governan&ccedil;a regional. Proje&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas futuras apontam para um aumento de secas excepcionais, o que pode resultar em mudan&ccedil;as significativas nos per&iacute;odos de inunda&ccedil;&atilde;o. Isso tornaria a regi&atilde;o ainda mais suscet&iacute;vel &agrave; polui&ccedil;&atilde;o difusa, contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua subterr&acirc;nea e perda da biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; nos Pampas, atualmente caracterizado por uma alta disponibilidade de &aacute;gua e um bom acesso a servi&ccedil;os de saneamento, o aumento da demanda de &aacute;gua, principalmente para a produ&ccedil;&atilde;o de arroz irrigado, gera o potencial aumento da polui&ccedil;&atilde;o e contamina&ccedil;&atilde;o do len&ccedil;ol fre&aacute;tico. "Os conflitos pelo uso m&uacute;ltiplo da &aacute;gua e perdas de biodiversidade podem ser amplificadas", alerta V&acirc;nia Pereira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A&ccedil;&otilde;es para mitigar os efeitos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tradicionalmente, o Brasil tem adotado um modelo de gerenciamento de crises para enfrentar situa&ccedil;&otilde;es de seca. Isso implica na tomada de medidas reativas e emergenciais somente ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia da escassez de &aacute;gua, concentrando-se na mitiga&ccedil;&atilde;o dos efeitos da seca. No entanto, esse enfoque n&atilde;o contribui para fortalecer a resili&ecirc;ncia do sistema diante de crises futuras. "N&atilde;o temos que esperar o que quer que aconte&ccedil;a durante o pico do evento clim&aacute;tico para agir. &Eacute; importante que haja o monitoramento cont&iacute;nuo de condi&ccedil;&otilde;es que possam levar a uma redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de reservat&oacute;rios, por exemplo, sempre considerando algo cont&iacute;nuo, que n&atilde;o pode parar", analisa Jos&eacute; Antonio Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). O CEMADEN realiza monitoramento de secas e risco de fogo nas principais bacias do pa&iacute;s, seja para avalia&ccedil;&atilde;o de disponibilidade para consumo humano ou para gera&ccedil;&atilde;o de energia. Este monitoramento come&ccedil;ou em 2013, devido &agrave; crise energ&eacute;tica em S&atilde;o Paulo, e se estendeu para outras bacias estrat&eacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Monitor de Secas do Brasil, gerenciado pela Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas e Saneamento B&aacute;sico (ANA) e o sistema de monitoramento dos efeitos da seca realizado pelo CEMADEN s&atilde;o ferramentas que produzem a classifica&ccedil;&atilde;o da intensidade da seca como resultado de suas atividades. Em 2022, foi lan&ccedil;ada a segunda edi&ccedil;&atilde;o do Atlas &Aacute;guas, um estudo que visa identificar vulnerabilidades no abastecimento de &aacute;gua nas &aacute;reas urbanas e recomendar medidas de gest&atilde;o para garantir a seguran&ccedil;a h&iacute;drica. O estudo destacou a necessidade de investimento de R$ 110 bilh&otilde;es em infraestruturas de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua at&eacute; 2035, sendo 76% deste investimento necess&aacute;rio para as regi&otilde;es Sudeste e Nordeste devido &agrave; alta densidade populacional nesses locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, a Defesa Civil de estados e munic&iacute;pios emitem alertas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o presente em &aacute;reas onde a previs&atilde;o meteorol&oacute;gica apresenta iminente risco de evento clim&aacute;tico. Contudo, esses alertas ainda possuem baixa ades&atilde;o e efetividade, j&aacute; que &eacute; necess&aacute;rio o cadastro voluntariamente pela pessoa interessada. "N&atilde;o somente os alertas devem ocorrer de forma contundente, mas h&aacute; medidas que podem ser tomadas localmente pelos governos, como organiza&ccedil;&atilde;o de rotas de fuga, indicando onde buscar abrigo e outras de cunho estrutural, onde a popula&ccedil;&atilde;o pode sair das &aacute;reas de risco para ocupar &aacute;reas com condi&ccedil;&otilde;es dignas de habita&ccedil;&atilde;o, pois, as pessoas n&atilde;o v&atilde;o para a &aacute;rea de risco porque elas querem, elas v&atilde;o por falta de op&ccedil;&atilde;o", analisa Pedro C&ocirc;rtes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paralelamente, &eacute; fundamental investir em uma cultura de conscientiza&ccedil;&atilde;o, resultando em uma sociedade que seja minimamente sustent&aacute;vel, mais preparada e engajada na preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, com uma maior vis&atilde;o de longo prazo. "&Eacute; imposs&iacute;vel conter os eventos que v&atilde;o acontecer, mas devemos minimizar, sobretudo, a perda de vidas humanas", pontua Jos&eacute; Antonio Marengo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao adotar medidas que promovam uma gest&atilde;o preventiva ao inv&eacute;s de reativa, nos aproximamos do conceito da seguran&ccedil;a h&iacute;drica, pontuado pelo estudo "Vulnerabilidades da seguran&ccedil;a h&iacute;drica no Brasil frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas", de V&acirc;nia Pereira em colabora&ccedil;&atilde;o com Daniel Andr&eacute;s Rodriguez, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "O termo &eacute; de imensa relev&acirc;ncia no contexto atual, cujo planejamento precisa considerar a incerteza e a n&atilde;o estacionaridade do clima, buscando um olhar para al&eacute;m das quest&otilde;es ligadas &agrave; seguran&ccedil;a energ&eacute;tica, alimentar e socioambiental", enfatiza. Essa abordagem visa assegurar o acesso sustent&aacute;vel &agrave; &aacute;gua de qualidade, atendendo &agrave;s necessidades humanas, econ&ocirc;micas, ambientais e sociais, enfrentando os desafios presentes e futuros relacionados &agrave; &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise h&iacute;drica que o Brasil enfrenta, agravada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, demanda uma resposta proativa e emergencial por parte da na&ccedil;&atilde;o. Para encarar esse desafio, &eacute; imperativo promover uma mudan&ccedil;a de paradigma, transicionando de uma abordagem reativa para uma estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a h&iacute;drica preventiva. Esse novo enfoque envolve a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos em monitoramento ininterrupto, infraestrutura h&iacute;drica, sistemas de alerta eficazes e, sobretudo, em fomentar uma cultura de conscientiza&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos. "Temos que atuar em uma nova din&acirc;mica que precisa ser corretamente assimilada pelos gestores p&uacute;blicos e a popula&ccedil;&atilde;o precisa ser permanentemente informada para que ela possa cobrar isso dos gestores e estar ao menos mais precavida. N&oacute;s n&atilde;o conseguimos evitar a perda econ&ocirc;mica e a perda de bens materiais, mas &eacute; fundamental que consigamos salvar vidas&#148;, declara Pedro C&ocirc;rtes.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"&Eacute; importante que haja o monitoramento cont&iacute;nuo de condi&ccedil;&otilde;es que possam levar a uma redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de reservat&oacute;rios, sempre considerando algo cont&iacute;nuo, que n&atilde;o pode parar."</b></styled-content>   </font></p>      ]]></body>
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