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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b> OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&eacute;sar Lattes na Universidade Federal de Mato Grosso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Iramaia Jorge Cabral de Paulo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em F&iacute;sica Ambiental do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). &Eacute; editora da revista Experi&ecirc;ncias em Ensino de Ci&ecirc;ncias (EENCI) e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Sistemas Ambientais Complexos</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algo marcou a minha vida aos 19 anos que, definitivamente, determinou que eu continuasse me aplicando aos estudos e insistisse em me qualificar especificamente para formar professores de F&iacute;sica. Foi um longo caminho com todas as nuances da vida de um ser humano comum do sexo feminino, nascida no continente sul-americano, migrante das Minas Gerais para o Mato Grosso. Casamento, filhas, trabalho, n&atilde;o necessariamente nessa ordem, mas nada, ap&oacute;s conhecer C&eacute;sar Lattes, mudaria meus planos de me qualificar para formar professores da Educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. A seguir, contarei um pouco das minhas mem&oacute;rias desse primeiro contato.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Era um dia qualquer de maio de 1986, depois de muito trabalho para o Centro Acad&ecirc;mico de F&iacute;sica "Professor Jo&atilde;o Vasconcellos Coelho" arrecadar recursos para receber C&eacute;sar Lattes, fomos eu, meu colega Paulo e Francisco Carlos Monteiro (Xyco) de fusca buscar o eminente f&iacute;sico no aeroporto Marechal Rondon em V&aacute;rzea Grande, cidade vizinha, porque nosso aeroporto "de Cuiab&aacute;" fica na cidade depois da ponte do Rio Cuiab&aacute;. Colocamos nossas melhores roupas e o carro estava impec&aacute;vel. Esperamos e esperamos, porque chegamos cedo. O avi&atilde;o pousou e o cora&ccedil;&atilde;o disparou, de repente corremos para o sagu&atilde;o e encontramos um senhor de bermuda, camisa florida e sand&aacute;lia Itapu&atilde;, muito na moda naquele tempo, &oacute;culos no alto da cabe&ccedil;a vindo em nossa dire&ccedil;&atilde;o. Claro que esper&aacute;vamos um senhor de terno, todo formal. Hoje sei que fomos levados pelo imagin&aacute;rio do que seria a indument&aacute;ria de um "pr&ecirc;mio Nobel" - gostei de ver que meu modelo n&atilde;o estava correto (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A exist&ecirc;ncia do P&iacute;on, ou M&eacute;son Pi, foi comprovada experimentalmente por C&eacute;sar Lattes, ent&atilde;o jovem com 24 anos."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&eacute;sar Lattes nos cumprimentou com um sorriso paternal. Apresentei-me, assim como os demais. Ele perguntou se eu acreditava em realidade objetiva - gelei. Claro que nem sabia do que se tratava, mas para aparecer disse a ele que estava estudando o paradoxo dos g&ecirc;meos, ele sorriu de novo e disse que Albert Einstein era uma besta e que n&atilde;o me preocupasse com isso. Uma vez no carro, j&aacute; pr&oacute;ximo da hora do almo&ccedil;o, o convidamos para almo&ccedil;ar. Hav&iacute;amos guardado dinheiro para lev&aacute;-lo a uma das nossas mais tradicionais peixarias da cidade, a saudosa "Peixaria Popular". Era momento raro para n&oacute;s, tanto pela companhia ilustre quanto pelo almo&ccedil;o na peixaria - assim como no Sul e Sudeste h&aacute; muitas churrascarias, aqui temos peixarias. Bom, ele perguntou se na Universidade Federal de Mato Grosso tinha restaurante universit&aacute;rio e quis almo&ccedil;ar l&aacute;. Fiquei preocupada com o nosso card&aacute;pio, mas foi &oacute;timo porque tinha, entre outras iguarias do bandeij&atilde;o nosso de cada dia, farofa de banana. O C&eacute;sar Lattes foi uma &oacute;tima companhia nesse almo&ccedil;o especial. Lembro-me pouco de detalhes da nossa conversa, mas recordo que os alunos dos cursos de F&iacute;sica, Matem&aacute;tica e Qu&iacute;mica logo o reconheceram e formamos um grupo animado falando de ci&ecirc;ncia, de professores, de Brasil e de futuro. De repente, ele se incomoda com algo na boca e tira a dentadura para limpar o inc&ocirc;modo, sem a menor cerim&ocirc;nia, espanto geral que passou em um lampejo, afinal entre jovens universit&aacute;rios esse tipo de atitude n&atilde;o causa mais do que uma pequena estranheza - tomara que hoje ainda seja assim. Foi uma aula de vida e de sinceridade e aprendi que o que importa &eacute; o nosso conhecimento, nossa responsabilidade, nossas convic&ccedil;&otilde;es e o resto &eacute; resto. Foram dias memor&aacute;veis, uma semana de aulas com ele, e muita, muita conversa sobre a ci&ecirc;ncia brasileira, sobre o Brasil. Sei que tamb&eacute;m nossos professores do ent&atilde;o departamento de F&iacute;sica nunca mais foram os mesmos e que muitos sonhos de se qualificar, fazer pesquisa de ponta, vieram dali.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo ap&oacute;s essa visita ao Departamento de F&iacute;sica, dois protocolos de inten&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica foram firmados, noticiados na imprensa local <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>, entre o departamento de F&iacute;sica Geral e Experimental da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o Departamento de F&iacute;sica do Centro de Ci&ecirc;ncias Exatas e de Tecnologia da UFMT, o N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisa do Rio de Janeiro (NEPEC) e o N&uacute;cleo de Instrumenta&ccedil;&atilde;o da UFMT. Esses protocolos foram a promessa de um conv&ecirc;nio entre essas institui&ccedil;&otilde;es, que foram assinados no gabinete do ent&atilde;o reitor Eduardo De Lam&ocirc;nica Freire. &Eacute; importante destacar a presen&ccedil;a, al&eacute;m de C&eacute;sar Lattes e de Armando Dias Tavares, este &uacute;ltimo presidente do N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas do Rio de Janeiro, de Carlos Augusto de Azevedo, membro do N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas, de Ab&iacute;lio Camilo Fernandes Neto, de Francisco Carlos Monteiro, respectivamente chefe e subchefe do Departamento de F&iacute;sica da UFMT, de Paulo Eduardo Dias e eu como representantes do Centro Acad&ecirc;mico de F&iacute;sica, de Jos&eacute; M&aacute;rio Fontes Amiden, coordenador do N&uacute;cleo de Instrumenta&ccedil;&atilde;o da UFMT, e de Trentino Polga, do Centro Tecnol&oacute;gico para Inform&aacute;tica, do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da&iacute;, com a chegada da minha primeira filha, afastei-me temporariamente das atividades acad&ecirc;micas, tranquei o curso, mas acompanhei pelo notici&aacute;rio local a assinatura do termo de coopera&ccedil;&atilde;o que consolidou na UFMT o Projeto Lattes, dando oportunidade &agrave; UFMT de fazer parte de um grupo de destacadas institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa na &aacute;rea de raios c&oacute;smicos, altas energias e geocronologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi um tempo de efervesc&ecirc;ncia com a expectativa de coopera&ccedil;&atilde;o virtuosa entre institui&ccedil;&otilde;es de diversos pa&iacute;ses: Brasil, Jap&atilde;o, Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, It&aacute;lia, Pol&ocirc;nia e Bol&iacute;via. No Brasil, faziam parte do programa a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e o Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF) e, na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, a Academia de Ci&ecirc;ncias da Rep&uacute;blica Socialista Sovi&eacute;tica da Ge&oacute;rgia, por meio de Nina Nikolaevna Roinisrivili. Vale destacar que, nessa mesma ocasi&atilde;o, outro protocolo de inten&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica foi assinado tamb&eacute;m com a <i>Scuela Normale Superior de Pisa</i> e com o Laborat&oacute;rio de Geocronologia e Geoqu&iacute;mica Isot&oacute;pica de Pisa (It&aacute;lia), que possibilitaria a vinda dos pesquisadores Erasmo Recami e Giorgio Ferrara para a concretiza&ccedil;&atilde;o de outro projeto idealizado pelo cientista C&eacute;sar Lattes: a data&ccedil;&atilde;o da nossa bela Chapada dos Guimar&atilde;es com participa&ccedil;&atilde;o do Departamento de Geologia da UFMT. Deu-se ent&atilde;o in&iacute;cio ao "Programa C&eacute;sar Lattes" (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&eacute;sar Lattes se mudou para Cuiab&aacute; e passou a residir no Bairro Boa Esperan&ccedil;a, ao lado da UFMT, em meados de 1988. Logo ap&oacute;s instalado, trouxe Takao Tati, que veio do Jap&atilde;o para ficar um ano na UFMT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soube de uma palestra que ele faria no Departamento de F&iacute;sica e n&atilde;o pude resistir em assisti-la. O tema era "Uma expectativa de observa&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos de energia ultra-alta". Takao Tati falou da Teoria Qu&acirc;ntica de Campos, subjacente &agrave; previs&atilde;o te&oacute;rica do f&iacute;sico japon&ecirc;s Yukawa de que a for&ccedil;a nuclear entre n&uacute;cleons &eacute; mediada por uma part&iacute;cula, desconhecida naquela &eacute;poca - o P&iacute;on. A exist&ecirc;ncia do P&iacute;on, ou M&eacute;son Pi, foi comprovada experimentalmente por C&eacute;sar Lattes, ent&atilde;o jovem com 24 anos. A imprensa local noticiou, destacando <a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>: "O que constituiu no <i>alvorecer da f&iacute;sica das part&iacute;culas elementares</i>", considerou Takao Tati. O cientista japon&ecirc;s explicou ainda que o programa de coopera&ccedil;&atilde;o entre Brasil, Pol&ocirc;nia, Jap&atilde;o, URSS e Bol&iacute;via estava observando fen&ocirc;menos que ocorrem a energias ultra-altas, induzidos por raios c&oacute;smicos, tendo obtido muitos resultados interessantes que sugerem a exist&ecirc;ncia de novos estados da mat&eacute;ria, at&eacute; ent&atilde;o desconhecidos. Ele citou, tamb&eacute;m, a teoria de renormaliza&ccedil;&atilde;o, da qual &eacute; precursor, cuja validade &eacute; aplicada a partir de fen&ocirc;menos de baixas energias. Se seu limite de aplicabilidade aparecer nos fen&ocirc;menos de ultra-altas energias, segundo Takao Tati, "dever&aacute; ocorrer uma profunda reformula&ccedil;&atilde;o no conceito fundamental da f&iacute;sica - o espa&ccedil;o-tempo"(<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a07fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A abrang&ecirc;ncia do Programa Lattes na UFMT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Era a inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova etapa da UFMT e do Departamento de F&iacute;sica, fazendo valer sua autonomia. Parecia florescer, porque o ensino e a extens&atilde;o j&aacute; eram atividades muito bem desenvolvidas e, agora, ter&iacute;amos a possibilidade de produzir pesquisa de ponta, consolidando o trip&eacute; pesquisa-ensino-extens&atilde;o, voca&ccedil;&atilde;o da academia.  Mas nada &eacute; f&aacute;cil, inclusive no &acirc;mbito das cr&iacute;ticas. Eduardo De Lamonica Freire, em entrevista para a imprensa, pontuou que "se sente espantado" quando lhe &eacute; questionada a validade do Programa C&eacute;sar Lattes, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico&nbsp;(CNPq), em uma universidade regional. Lattes defendia, tamb&eacute;m, afirmando que "A ci&ecirc;ncia &eacute; universal e deve ser desenvolvida em favor do ensino..." e foi enf&aacute;tico ao se lembrar da universalidade da ci&ecirc;ncia e a necessidade do desenvolvimento tecnol&oacute;gico no "mundo moderno" <a name="3a"></a><sup>&#91;<a href="#3b">iii</a>&#93;</sup>.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A ci&ecirc;ncia &eacute; universal e deve ser desenvolvida em favor do ensino."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, sob a &oacute;tica dos nossos professores do Departamento de F&iacute;sica, capitaneados por Ab&iacute;lio, Amiden e Xyco, o Programa C&eacute;sar Lattes era a oportunidade sonhada para a implementa&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de mestrado e doutorado. Muito esfor&ccedil;o foi feito para a adequa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o f&iacute;sico, laborat&oacute;rios e instala&ccedil;&atilde;o de C&eacute;sar Lattes e Takao Tati em Cuiab&aacute;. O apoio inicial do CNPq foi fundamental:&nbsp;era o impulso necess&aacute;rio, naquele momento, para que o embri&atilde;o que indicava a potencialidade da F&iacute;sica da UFMT se desenvolvesse.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estavam previstas, no &acirc;mbito do Programa, pesquisas em: F&iacute;sica Te&oacute;rica, a cargo de Takao Tati, do Jap&atilde;o; Intera&ccedil;&atilde;o da Radia&ccedil;&atilde;o com a Mat&eacute;ria, coordenada por Adriano Goggini, da Escola Superior de Pisa, It&aacute;lia; e a Intera&ccedil;&atilde;o de Energia Muito Alta, com a colabora&ccedil;&atilde;o de pesquisadores da Bol&iacute;via, Jap&atilde;o e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale destacar dois outros temas bem oportunos. Part&iacute;culas e radia&ccedil;&atilde;o solar, considerando que 1988 /1989 foi um per&iacute;odo em que o Sol entrou em atividade m&aacute;xima, com erup&ccedil;&otilde;es que enviaram a Terra uma maior densidade de part&iacute;culas com propriedades n&atilde;o compreendidas. O projeto destinava-se tamb&eacute;m a estudar varia&ccedil;&otilde;es das radia&ccedil;&otilde;es solares e data&ccedil;&atilde;o geocronol&oacute;gica da Chapada dos Guimar&atilde;es e Pantanal Mato-Grossense, envolvendo tamb&eacute;m pesquisadores do Departamento de Geologia. Sobre a Chapada dos Guimar&atilde;es &eacute; importante destacar que &eacute; um importante ponto tur&iacute;stico a cerca de 60 km de Cuiab&aacute;. Estudos geol&oacute;gicos determinam que se trata de uma regi&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o rochosa constitu&iacute;da por um dep&oacute;sito marinho com idade estimada entre 440 e 475 milh&otilde;es de anos. Foi um mar fechado de &aacute;guas rasas, hoje com imensos e lindos pared&otilde;es de rocha. Naquele tempo, at&eacute; os uf&oacute;logos l&aacute; esperavam discos voadores. Apesar das pesquisas, contudo, a regi&atilde;o n&atilde;o possui sua composi&ccedil;&atilde;o geol&oacute;gica totalmente conhecida. O Pantanal Mato-Grossense, a cerca de 150 km, &eacute; a maior plan&iacute;cie de inunda&ccedil;&atilde;o da Terra. Esse segundo estudo ficou sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Giorgi Ferrara, do Laborat&oacute;rio de Geocronologia de Qu&iacute;mica Isot&oacute;pica de Pisa, na It&aacute;lia.  Logo, podemos observar que era um projeto de f&ocirc;lego que, se consolidado, mudaria em definitivo a F&iacute;sica do Estado de Mato Grosso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda afastada do curso de F&iacute;sica, acompanhei pela imprensa a not&iacute;cia da abertura da mostra da descoberta cient&iacute;fica do C&eacute;sar Lattes, intitulada "40 anos da descoberta do M&eacute;son Pi", organizada por Ernest Hamburguer, do Departamento de F&iacute;sica Experimental do Instituto de F&iacute;sica da USP, no corredor do Departamento de F&iacute;sica da UFMT. Pesquisei para me lembrar da data, com muito custo e ajuda de um amigo, e descobrimos que foi em 4 de outubro de 1988. Eu gostaria de ter ido, mas minha filha estava com um ano e meio, e deveria estar demandando a presen&ccedil;a da m&atilde;e (<a href="#fig4">Figura 4</a>).</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a07fig04.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Busquei nos arquivos da UFMT o desenrolar de toda essa hist&oacute;ria, do Projeto Lattes e de seus frutos na UFMT. Encontrei apenas algumas pequenas notas na imprensa. Falei com professores da &eacute;poca e consegui um depoimento que expressa um sentimento do ent&atilde;o chefe do Departamento de F&iacute;sica, o grande articulador da vinda de C&eacute;sar Lattes para Cuiab&aacute;, Ab&iacute;lio Camilo Fernandes Neto, j&aacute; citado. Permito-me transcrev&ecirc;-lo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foi com grande satisfa&ccedil;&atilde;o que a UFMT, mais especificamente o Departamento de F&iacute;sica, recebeu o Professor e Pesquisador C&eacute;sar Lattes para um per&iacute;odo de palestras e desenvolvimento de projetos. Al&eacute;m da satisfa&ccedil;&atilde;o, foi uma surpresa muito agrad&aacute;vel receber, pela primeira vez em nosso Departamento de F&iacute;sica, um cientista t&atilde;o importante do Brasil e do mundo. Muitos professores e alunos n&atilde;o acreditavam que o famoso Lattes estava em visita &agrave; nossa Universidade.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante ressaltar que era um desafio para os professores do departamento fazerem parte do Programa C&eacute;sar Lattes, previsto para ser desenvolvido na UFMT sob sua coordena&ccedil;&atilde;o, com dura&ccedil;&atilde;o prevista de tr&ecirc;s anos. Outros cientistas renomados do mundo, principalmente do Leste Europeu, participaram das atividades do projeto, realizando visitas a Cuiab&aacute;, com o objetivo de ampliar e consolidar a forma&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia b&aacute;sica da comunidade cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica de Mato Grosso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro projeto apresentado aos professores, n&atilde;o apenas do Departamento de F&iacute;sica, mas tamb&eacute;m de outras &aacute;reas, foi sobre os raios c&oacute;smicos, que contou com a participa&ccedil;&atilde;o ativa de pesquisadores da Bol&iacute;via.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acredito que uma das maiores contribui&ccedil;&otilde;es de C&eacute;sar Lattes para a UFMT e o Departamento de F&iacute;sica tenha sido a vinda do professor e cientista do Jap&atilde;o, Takao Tati. Tati e sua esposa residiram em Cuiab&aacute; por um ano. Durante esse per&iacute;odo, Tati escreveu um livro sobre a eletrodin&acirc;mica qu&acirc;ntica, fazendo refer&ecirc;ncias &agrave; sua perman&ecirc;ncia na UFMT e ao apoio que recebeu para elaborar seu livro e dar continuidade aos seus estudos - o livro foi revisado e traduzido pelo Jo&atilde;o Vasconcellos Coelho, fundador do nosso departamento.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"O Programa C&eacute;sar Lattes era a oportunidade sonhada para a implementa&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de mestrado e doutorado."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C&eacute;sar Lattes foi recebido com muita honra pelo reitor Eduardo De Lamonica Freire e todo o reitorado, demonstrando o interesse da UFMT em contar com sua presen&ccedil;a e dos demais professores que ele pretendia convidar para implementar os diversos projetos. A contribui&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico da universidade seria significativa com os trabalhos a serem desenvolvidos. Foi um per&iacute;odo de muito estudo e acesso ao desenvolvimento cient&iacute;fico nas &aacute;reas dos projetos desenvolvidos, vivenciado tanto pelos professores quanto pelos alunos do Departamento de F&iacute;sica da UFMT.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de j&aacute; estar com a sa&uacute;de debilitada, Lattes sempre foi muito atencioso e preocupado com a possibilidade de criar grupos de pesquisa, principalmente na &aacute;rea dos raios c&oacute;smicos. Suas pegadas permanecem para sempre no Departamento de F&iacute;sica da UFMT, e seus ensinamentos est&atilde;o gravados nos cora&ccedil;&otilde;es e nas mentes dos professores e dos alunos. Gratid&atilde;o eterna (<a href="#fig5">Figura 5</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a07fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De minha parte, entendo que o Projeto C&eacute;sar Lattes n&atilde;o vingou como esperado. Mas fato &eacute; que hoje somos um Instituto de F&iacute;sica com dois cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e quatro programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Considerando nossa hist&oacute;ria, temos um bom DNA acad&ecirc;mico. Vale a pena aproveitar!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; Jornal do Dia, 1º de junho de 1986.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; Jornal Di&aacute;rio de Cuiab&aacute;, 27 de abril de 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3b"></a>&#91;<a href="#3a">iii</a>&#93; Jornal Di&aacute;rio de Cuiab&aacute;, 27 de agosto de 1988.    </font></p>      ]]></body><back>
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