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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alcan&ccedil;ando o mundo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cesar Timo-Iaria</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisador e professor universit&aacute;rio. Foi membro titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias e &eacute; considerado um dos fundadores da neuroci&ecirc;ncia brasileira. Foi editor da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente n&uacute;mero da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, <i>Journal of the Brazilian Association for the Advancemente of Science</i>, inicia uma nova fase que pretende, a longo prazo, converter esta publica&ccedil;&atilde;o em uma revista acad&ecirc;mica de circula&ccedil;&atilde;o internacional. No meio de aproximadamente 2.000 revistas publicadas no Brasil, somente poucas aparecem em &iacute;ndices reconhecidos de cita&ccedil;&atilde;o internacional e apenas cinco s&atilde;o indexadas no <i>Current Contents</i>, publicado pela principal organiza&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia, o Instituto de Informa&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (ISI).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os peri&oacute;dicos aceitos pelo ISI para o <i>Current Contents</i> t&ecirc;m duas caracter&iacute;sticas fundamentais: uma r&iacute;gida sele&ccedil;&atilde;o de contribui&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s an&aacute;lise por revisores reconhecidos, e a predomin&acirc;ncia, sen&atilde;o exclusividade, de trabalhos publicados em ingl&ecirc;s. Essa orienta&ccedil;&atilde;o assegura aos autores que seus trabalhos ser&atilde;o lidos pelos seus colegas acad&ecirc;micos em todo o mundo. Tomando em considera&ccedil;&atilde;o que a pesquisa se torna mais e mais dispendiosa e que a fonte de financiamento prov&eacute;m, direta ou indiretamente, daqueles que pagam (usualmente pesados) impostos, uma ampla circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o gerada &eacute; a principal presta&ccedil;&atilde;o de contas aos que apoiam o nosso trabalho. Com o objetivo de colocar Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura entre as publica&ccedil;&otilde;es internacionais, os novos editores planejam melhorar os crit&eacute;rios de aceita&ccedil;&atilde;o dos artigos de forma progressiva. Eles devem ser escritos somente em ingl&ecirc;s (com muito poucas exce&ccedil;&otilde;es) (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contrariamente &agrave; opini&atilde;o de alguns leitores e autores, a ado&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua inglesa por revistas publicadas no Brasil n&atilde;o leva &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o, de forma alguma, do que &eacute; considerado "cultura nacional". Ao contr&aacute;rio, ela &eacute; atualmente a melhor maneira de divulgar as conquistas culturais brasileiras e aumentar a probabilidade de que elas sejam reconhecidas em escala internacional. A destrui&ccedil;&atilde;o da cultura nacional &eacute; feita, muito eficientemente, n&atilde;o pelos artigos acad&ecirc;micos brasileiros escritos em ingl&ecirc;s, mas pela maioria dos canais de comunica&ccedil;&atilde;o (que incluem a imprensa, o r&aacute;dio e a televis&atilde;o, reunidos na denomina&ccedil;&atilde;o absurda de "m&iacute;dia") e pela propor&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a de professores que por d&eacute;cadas n&atilde;o foram preparados para educar gera&ccedil;&otilde;es de brasileiros, em virtude da baixa prioridade destinada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s. Por exemplo, quantos brasileiros s&atilde;o capazes de falar e escrever apropriadamente nossa l&iacute;ngua materna? Provavelmente uns poucos milhares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria dos pesquisadores no mundo, e tamb&eacute;m neste pa&iacute;s, n&atilde;o s&atilde;o capazes de ler mais do que as suas pr&oacute;prias l&iacute;nguas e o ingl&ecirc;s. Portanto, publicar em l&iacute;nguas a que o mundo acad&ecirc;mico n&atilde;o tem acesso torna-se uma atividade ritual que, al&eacute;m de ser quase in&uacute;til, &eacute; muito dispendiosa. N&atilde;o &eacute; de espantar que todas as revistas escandinavas tenham adotado o ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua obrigat&oacute;ria (antes da Segunda Guerra Mundial, muitas delas adotaram o alem&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, revistas com nomes em ingl&ecirc;s publicam agora artigos em ingl&ecirc;s, uma vez que uma fra&ccedil;&atilde;o predominante da vasta produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica sovi&eacute;tica est&aacute; fora do alcance da maioria dos pesquisadores. A &uacute;nica revista cient&iacute;fica chinesa pass&iacute;vel de destaque - <i>Acta S&iacute;nica </i>- agora redenominada <i>Chinese Science</i> - &eacute; escrita em ingl&ecirc;s h&aacute; d&eacute;cadas, desde seu in&iacute;cio, quando a China vivia uma era xenof&oacute;bica, de profundo obscurantismo. Quase todas as revistas alem&atilde;s, holandesas, japonesas e italianas est&atilde;o tamb&eacute;m sendo publicadas em ingl&ecirc;s. Em anos recentes, alguns dos mais vener&aacute;veis peri&oacute;dicos franceses tamb&eacute;m adotaram o ingl&ecirc;s. Existe um ditado intraduz&iacute;vel na Alemanha que diz que: "se o trabalho n&atilde;o &eacute; bom, voc&ecirc; provavelmente deveria public&aacute;-lo em alem&atilde;o". H&aacute; 20 anos o <i>Pfl&uuml;gers Archiv f&uuml;r die gesamte Physiologie</i>, umas das mais respeitadas publica&ccedil;&otilde;es em fisiologia, solicitou de seus contribuintes que n&atilde;o mais submetessem trabalhos em alem&atilde;o, porque poucos investigadores poderiam l&ecirc;-los fora dos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua alem&atilde; (essa revista eventualmente tornou-se o <i>European Journal of Physiology</i>) (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Tomando em considera&ccedil;&atilde;o que a pesquisa torna-se mais e mais dispendiosa e que a fonte de financiamento prov&eacute;m, direta ou indiretamente, daqueles que pagam (usualmente pesados) impostos, uma ampla circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o gerada &eacute; a principal presta&ccedil;&atilde;o de contas aos que apoiam o nosso trabalho."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O largo reconhecimento human&iacute;stico de cientistas que viveram nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s s&eacute;culos e at&eacute; as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX permitiu-lhes a habilidade de ler v&aacute;rias l&iacute;nguas. A decad&ecirc;ncia da erudi&ccedil;&atilde;o, a uniformidade exasperante daquilo que em todo o mundo caracteriza a segunda metade do nosso s&eacute;culo, destruiu os privil&eacute;gios dos pesquisadores dos principais pa&iacute;ses da Europa de escrever seus trabalhos em suas pr&oacute;prias l&iacute;nguas que, ent&atilde;o, podiam ser lidos pela maioria de seus colegas. A publica&ccedil;&atilde;o de artigos acad&ecirc;micos em ingl&ecirc;s n&atilde;o deve ser baseada na err&ocirc;nea premissa de que essa l&iacute;ngua &eacute; a melhor e a mais desenvolvida de todas (o que n&atilde;o &eacute; verdade). A vantagem de usar o ingl&ecirc;s &eacute; que essa l&iacute;ngua, falada em pa&iacute;ses predominantes em escala mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial, passou a ser uma l&iacute;ngua franca em todos os continentes, e desta forma intermediando todos os tipos de comunica&ccedil;&atilde;o humana, prevalecendo sobre todas as outras l&iacute;nguas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns pesquisadores brasileiros expressam abertamente a opini&atilde;o de que, em certas &aacute;reas do conhecimento, n&atilde;o h&aacute; necessidade de se publicar em ingl&ecirc;s e atingir todo o mundo acad&ecirc;mico. Isso pode de fato ser verdadeiro em algumas ocasi&otilde;es muito restritas. Por exemplo, temas relacionados &agrave;s comunidades vivendo em favelas. Estudando a conviv&ecirc;ncia de desenvolvimento urbano ou a remo&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o dessas favelas podem ser de interesse local para abordar de modo mais profundo o comportamento dessa popula&ccedil;&atilde;o em favelas. Pode ser necess&aacute;rio a elabora&ccedil;&atilde;o de leis gerais que governam o comportamento de agregados humanos que vivem em condi&ccedil;&otilde;es de pen&uacute;ria e promiscuidade, um assunto que tem sido largamente estudado com ratos. Nesse caso, o tema torna-se de alto interesse acad&ecirc;mico. O primeiro assunto pode ser comunicado em portugu&ecirc;s em di&aacute;rios populares e outros peri&oacute;dicos locais. O &uacute;ltimo deve atingir antrop&oacute;logos, soci&oacute;logos, psic&oacute;logos, psiquiatras e neurologistas de todo o mundo. Para alcan&ccedil;ar esses objetivos, ele deve ser comunicado em ingl&ecirc;s e publicado em revistas de circula&ccedil;&atilde;o internacional. Esse &eacute; o caso de muitas publica&ccedil;&otilde;es sobre a &Aacute;frica que aparecem em ingl&ecirc;s ou em franc&ecirc;s, embora os autores sejam africanos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Se os artigos e revis&otilde;es publicados em Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura pretendem alcan&ccedil;ar a comunidade acad&ecirc;mica internacional, devem ser escritos em ingl&ecirc;s; se eles pretendem ser reconhecidos, devem ser selecionados rigorosamente por revisores respeitados no meio acad&ecirc;mico."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se os artigos e revis&otilde;es publicados em Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura pretendem alcan&ccedil;ar a comunidade acad&ecirc;mica internacional, devem ser escritos em ingl&ecirc;s; se eles pretendem ser reconhecidos, devem ser selecionados rigorosamente por revisores respeitados no meio acad&ecirc;mico. Considerando a amplitude dos assuntos cobertos por Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, a maioria dos pesquisadores brasileiros n&atilde;o acostumados a submeter trabalhos a peri&oacute;dicos internacionais se beneficiar&aacute; em public&aacute;-los em ingl&ecirc;s em nossa revista. Vale a pena tentar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><br>   TIMO-IARIA, C. Editorial.<i> Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 43, n. 1, 1991.    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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