<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252024000200010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240030</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Conferência de Genebra]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goldemberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,da Delegação Brasileira à Conferência Internacional sobre as Aplicações Pacíficas da Energia Atômica  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<volume>76</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>04</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252024000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252024000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252024000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A Conferência Internacional sobre as Aplicações Pacíficas da Energia Atômica, convocada pelas Nações Unidas, a partir de uma proposta do Presidente Eisenhower, ocorreu em Genebra, na Suíça, de 8 a 20 de agosto, com a participação de 81 nações. Nenhuma nação importante deixou de comparecer. O principal sucesso da conferência foi sua realização, possibilitando discussões abertas sobre energia atômica, anteriormente envoltas em segredo.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Energia nuclear]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Conferência de Genebra]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pesquisa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Física]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A Confer&ecirc;ncia de Genebra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jos&eacute; Goldemberg</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assessor cient&iacute;fico da Delega&ccedil;&atilde;o Brasileira &agrave; Confer&ecirc;ncia Internacional sobre as Aplica&ccedil;&otilde;es Pac&iacute;ficas da Energia At&ocirc;mica. Foi reitor da Universidade de S&atilde;o Paulo (1986-1990) e presidente da Sociedade Brasileira de F&iacute;sica (1975-1979)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Confer&ecirc;ncia Internacional sobre as Aplica&ccedil;&otilde;es Pac&iacute;ficas da Energia At&ocirc;mica, convocada pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a partir de uma proposta do Presidente Eisenhower, ocorreu em Genebra, na Su&iacute;&ccedil;a, de 8 a 20 de agosto, com a participa&ccedil;&atilde;o de 81 na&ccedil;&otilde;es. Nenhuma na&ccedil;&atilde;o importante deixou de comparecer. O principal sucesso da confer&ecirc;ncia foi sua realiza&ccedil;&atilde;o, possibilitando discuss&otilde;es abertas sobre energia at&ocirc;mica, anteriormente envoltas em segredo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Energia nuclear; Confer&ecirc;ncia de Genebra; Pesquisa; F&iacute;sica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Confer&ecirc;ncia Internacional sobre as Aplica&ccedil;&otilde;es Pac&iacute;ficas da Energia At&ocirc;mica, convocada pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, devido a uma proposta inicial do Presidente Eisenhower, dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, realizou-se de 8 a 20 de agosto na cidade de Genebra, Su&iacute;&ccedil;a: dela participaram 81 na&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, um n&uacute;mero maior do que o dos membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que possui apenas 60.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nenhuma na&ccedil;&atilde;o importante deixou de participar de t&atilde;o importante Confer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro e provavelmente maior sucesso da Confer&ecirc;ncia resume-se no simples fato de ter sido realizada. Com efeito, as aplica&ccedil;&otilde;es militares da energia at&ocirc;mica desenvolvidas por v&aacute;rias na&ccedil;&otilde;es, nos anos mais recentes, n&atilde;o permitiriam prever a possibilidade de uma reuni&atilde;o de cientistas de diversos pa&iacute;ses que pudesse discutir livremente assuntos sobre os quais sempre havia uma espessa cortina de segredo. Muito ao contr&aacute;rio do que se previa, a reuni&atilde;o foi das mais cordiais e a presen&ccedil;a de grandes delega&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos (aproximadamente 300 delegados) e da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica (aproximadamente 206 delegados) contribuiu decisivamente para essa cordialidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Confer&ecirc;ncia foi de car&aacute;ter t&eacute;cnico, resumindo-se os poucos diplomatas presentes nas diversas delega&ccedil;&otilde;es a um papel de observadores. As sess&otilde;es realizaram-se como em qualquer reuni&atilde;o cient&iacute;fica internacional e apesar de serem os delegados representantes governamentais, o m&eacute;todo de apresenta&ccedil;&atilde;o dos assuntos foi o mesmo de congressos cient&iacute;ficos, isto &eacute;, na forma de comunica&ccedil;&otilde;es individuais. Apenas na sess&atilde;o final houve trabalhos de car&aacute;ter mais pol&iacute;tico, quando os delegados mais importantes dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica apresentaram seus planos de assist&ecirc;ncia a pa&iacute;ses subdesenvolvidos no campo da Energia At&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve mais de 1.200 comunica&ccedil;&otilde;es, das quais cerca de 300 selecionadas para apresenta&ccedil;&atilde;o oral. O Brasil contribuiu com 15 trabalhos &agrave; Confer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Praticamente todos os temas relacionados com Energia At&ocirc;mica foram inclu&iacute;dos no tem&aacute;rio da Confer&ecirc;ncia, desde quest&otilde;es econ&ocirc;micas relacionadas ao aproveitamento da nova forma de energia at&eacute; tecnologia de reatores nucleares e problemas de is&oacute;topos e da elimina&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos radioativos. Algumas sess&otilde;es de F&iacute;sica Nuclear propriamente dita foram inclu&iacute;das na Confer&ecirc;ncia, o que constituiu um dos pontos altos da mesma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas sess&otilde;es tornaram claro, aos olhos de todos, a quantidade tremenda de esfor&ccedil;os gastos, devido a raz&otilde;es pol&iacute;ticas e a exist&ecirc;ncia de segredos, na duplica&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&otilde;es experimentais. Na express&atilde;o ir&ocirc;nica do presidente da Confer&ecirc;ncia, prof. Bhabba, da &Iacute;ndia, esta duplica&ccedil;&atilde;o e mesmo triplica&ccedil;&atilde;o de medidas dos Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica teve o &uacute;nico m&eacute;rito de provar que "os n&ecirc;utrons se comportam da mesma maneira em todos os pa&iacute;ses do mundo". De qualquer modo, os par&acirc;metros b&aacute;sicos necess&aacute;rios para a constru&ccedil;&atilde;o de reatores at&ocirc;micos foram medidos em todos esses pa&iacute;ses aproximadamente com a mesma precis&atilde;o, de modo que o fato de existir durante anos uma cortina de segredo em torno deles s&oacute; pode provar a inutilidade desse m&eacute;todo de impedir o progresso cient&iacute;fico geral (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Houve mais de 1.200 comunica&ccedil;&otilde;es, das quais cerca de 300 selecionadas para apresenta&ccedil;&atilde;o oral. O Brasil contribuiu com 15 trabalhos &agrave; Confer&ecirc;ncia."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estiveram fora do tem&aacute;rio da Confer&ecirc;ncia discuss&otilde;es referentes a m&eacute;todos de utiliza&ccedil;&atilde;o de rea&ccedil;&otilde;es de fus&atilde;o controladas para a produ&ccedil;&atilde;o de energia, isto &eacute;, da utiliza&ccedil;&atilde;o da energia da Bomba de Hidrog&ecirc;nio para fins pac&iacute;ficos. Segundo o prof. Bhabba, existem poucas d&uacute;vidas sobre a possibilidade de desenvolver m&eacute;todos para essa finalidade. Tal implica&ccedil;&atilde;o, ao que parece, pode ser derivada de uma discuss&atilde;o feita pelo prof. Lawrence, dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, sobre aceleradores de baixa energia destinados a produzir altas correntes; mencionou-se na Confer&ecirc;ncia que se constru&iacute;ram tipos capazes de acelerar feixes de part&iacute;culas com intensidade da ordem de 0,5 amp&eacute;re. &Eacute; f&aacute;cil ver que uma corrente de 0,5 amp&eacute;re de pr&oacute;tons acelerados a 4 milh&otilde;es de volts pode dissipar uma energia de 2 milh&otilde;es de watts num anteparo e, portanto, elevar sua temperatura de tal forma que rea&ccedil;&otilde;es de fus&atilde;o sejam induzidas, caso materiais convenientes como Irito ou L&iacute;tio constituam o alvo.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Ficou demonstrada, sem sombra de d&uacute;vida, a possibilidade pr&aacute;tica e imediata da utiliza&ccedil;&atilde;o da energia at&ocirc;mica para a produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Devido &agrave; diversidade de temas discutidos na Confer&ecirc;ncia, foram realizados v&aacute;rios tipos de sess&otilde;es simultaneamente. Nos primeiros tr&ecirc;s dias, foram apresentados e discutidos os temas mais gerais, como necessidades energ&eacute;ticas dos diversos pa&iacute;ses e o papel que ir&aacute; representar a energia at&ocirc;mica no futuro. Nas duas subsequentes, o tem&aacute;rio dividiu-se em sess&otilde;es de: a) F&iacute;sica dos reatores; b) Qu&iacute;mica e metalurgia; c) Is&oacute;topos e quest&otilde;es m&eacute;dicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante a maioria das noites, foram realizadas confer&ecirc;ncias por expoentes da F&iacute;sica nos diversos campos, sobre temas gerais e de interesse para outros que s&atilde;o especialistas. Em uma dessas confer&ecirc;ncias, o f&iacute;sico russo V. Veksler fez revela&ccedil;&otilde;es de grande alcance sobre o programa de aceleradores de seu pa&iacute;s, ao apresentar um trabalho sobre as tend&ecirc;ncias existentes na constru&ccedil;&atilde;o de aceleradores de grande energia. Entre as revela&ccedil;&otilde;es feitas incluem-se a de que, desde 1952, funciona na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica um <i>Syncrociclotron</i> de 680 milh&otilde;es de volts, isto &eacute;, uma vez e meia maior do que os aceleradores similares existentes em pa&iacute;ses do Ocidente. Al&eacute;m disso, Veksler exp&ocirc;s os planos de instrumentos do tipo <i>Cosmotron</i>, em constru&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, para energia de 10 bilh&otilde;es de volts: o maior similar existente nos Estados Unidos &eacute; o de Brookhaven para 6 bilh&otilde;es de el&eacute;tron volts. Uma vez que avan&ccedil;os cient&iacute;ficos n&atilde;o ocorrem isoladamente, tais descobrimentos colocaram, aos olhos de todos, os sovi&eacute;ticos em p&eacute; de igualdade com os americanos no campo da F&iacute;sica Nuclear.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A melhor forma de apresentar os resultados da Confer&ecirc;ncia &eacute; talvez mencionar, esquematicamente, as conclus&otilde;es que se poderia tirar das discuss&otilde;es:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ficou demonstrada, sem sombra de d&uacute;vida, a possibilidade pr&aacute;tica e imediata da utiliza&ccedil;&atilde;o da energia at&ocirc;mica para a produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2) Quest&otilde;es de pre&ccedil;o dessa energia foram esclarecidas e parece ter sido aceito por todos que o investimento de capital necess&aacute;rio na utiliza&ccedil;&atilde;o de energia at&ocirc;mica pode ser de 50% a 100% maior do que nos m&eacute;todos convencionais de produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. Ficou claro tamb&eacute;m que, em pa&iacute;ses dependendo de importa&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel, ou naqueles que n&atilde;o disp&otilde;em de quedas d'&aacute;gua, a energia at&ocirc;mica pode competir com outras formas, imediatamente. Ficou expl&iacute;cito tamb&eacute;m que, em uma d&eacute;cada, os pre&ccedil;os de utiliza&ccedil;&atilde;o da energia at&ocirc;mica cair&atilde;o consideravelmente, e que sua utiliza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; extensa em muitos pa&iacute;ses: na Gr&atilde;-Bretanha, por exemplo, 40% de toda a energia consumida em 1975 ser&aacute; proveniente de usinas at&ocirc;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3) O abastecimento de materiais uran&iacute;feros para suprir essas usinas at&ocirc;micas n&atilde;o constituir&atilde;o um problema antes de decorrido um s&eacute;culo. As pesquisas geol&oacute;gicas t&ecirc;m revelado quantidades surpreendentes de min&eacute;rio de ur&acirc;nio e t&oacute;rio, apesar de aparecerem em baixas concentra&ccedil;&otilde;es, em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4) A import&acirc;ncia do t&oacute;rio como combust&iacute;vel nuclear foi claramente estabelecida principalmente quando se trata de construir "reatores reprodutores" que transformam material inerte em material fission&aacute;vel, com rendimento superior a 1. O ciclo do t&oacute;rio 233 mostrou-se superior ao do plut&ocirc;nio 238.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5) O problema da elimina&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos radioativos produzidos por uma ind&uacute;stria at&ocirc;mica de grandes propor&ccedil;&otilde;es ser&aacute;, ao que parece, um dos maiores que surgir&atilde;o. Calcula-se que, em duas d&eacute;cadas, uma quantidade equivalente a 100.000 de material altamente radioativo ter&aacute; que ser eliminado anualmente: as possibilidades de contamina&ccedil;&atilde;o parecem muito s&eacute;rias, e nenhuma das solu&ccedil;&otilde;es aventadas, como lan&ccedil;amento de res&iacute;duos ao mar, parece vi&aacute;vel; o lan&ccedil;amento desses res&iacute;duos ao espa&ccedil;o por meio de foguetes poder&aacute; ser estudado no futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6) O problema das muta&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas induzidas pela radioatividade n&atilde;o ficou esclarecido; sugest&otilde;es foram feitas, no sentido de diminuir a atual dose de toler&acirc;ncia para radia&ccedil;&atilde;o, por um fator 10, como medida de precau&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"As aplica&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas da energia nuclear, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia, passaram para um terreno de grande import&acirc;ncia comercial para todos os pa&iacute;ses e tamb&eacute;m altamente competitivo."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conclus&otilde;es n&atilde;o expl&iacute;citas e n&atilde;o facilmente mensur&aacute;veis da Confer&ecirc;ncia existem tamb&eacute;m e s&atilde;o in&uacute;meras. A primeira delas constitui o fato de a publica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ser um processo irrevers&iacute;vel e os dados apresentados na Confer&ecirc;ncia n&atilde;o poder&atilde;o ser nunca mais apresentados como secretos; para valorizar este fato poder-se-ia dizer que suficiente informa&ccedil;&atilde;o foi publicada em Genebra para permitir qualquer pa&iacute;s altamente industrializado a construir seus pr&oacute;prios reatores at&ocirc;micos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em segundo lugar, a nova cordialidade estabelecida entre cientistas de todos os pa&iacute;ses do mundo trar&aacute; provavelmente consequ&ecirc;ncias ben&eacute;ficas para todos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em terceiro lugar, as aplica&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas da energia nuclear, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia, passaram para um terreno de grande import&acirc;ncia comercial para todos os pa&iacute;ses e tamb&eacute;m altamente competitivo, com tr&ecirc;s grandes na&ccedil;&otilde;es, Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, como os principais exportadores de conhecimento e de tecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, a import&acirc;ncia do t&oacute;rio, do qual o Brasil e a &Iacute;ndia s&atilde;o os &uacute;nicos grandes possuidores, abre tamb&eacute;m condi&ccedil;&otilde;es excepcionais ao nosso pa&iacute;s de basear grande parte de sua industrializa&ccedil;&atilde;o em fontes de energia provenientes do &aacute;tomo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <!-- ref --><br>GOLDEMBERG, J. A Confer&ecirc;ncia de Genebra.<i> Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 7, n. 3, 1955.    <br> <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOLDEMBERG]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Conferência de Genebra]]></article-title>
<source><![CDATA[Ciência & Cultura]]></source>
<year>1955</year>
<volume>7</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
