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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A SBPC e o desenvolvimento da Ciência no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A SBPC e o desenvolvimento da Ci&ecirc;ncia no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Warwick Estevam Kerr</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia. Foi o primeiro diretor cient&iacute;fico da Fapesp (1962- 1964) e o primeiro brasileiro a ingressar na Academia Nacional de Ci&ecirc;ncias dos Estados Unidos. Presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia - SBPC (1969-1973) e por duas vezes foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia - INPA (1975-1979 e 1999-2002)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 8 de junho de 1948, por iniciativa de Jos&eacute; Reis, Maur&iacute;cio Oscar da Rocha e Silva e Paulo Sawaya, foi fundada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), no audit&oacute;rio da Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina, em S&atilde;o Paulo. Para entender a evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no Brasil, &eacute; essencial consultar os documentos publicados por esta Sociedade. O artigo menciona aspectos do desenvolvimento inicial, destacando a progress&atilde;o dos primeiros trabalhos publicados na revista "Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura", &oacute;rg&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o da SBPC.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> SBPC; Ci&ecirc;ncia; Ci&ecirc;ncia Brasileira; Desenvolvimento cient&iacute;fico.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 8 de junho de 1948, por iniciativa de Jos&eacute; Reis, Maur&iacute;cio Oscar da Rocha e Silva e Paulo Sawaya, no audit&oacute;rio da Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina, em S&atilde;o Paulo, foi fundada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia. Quem hoje quiser fazer um levantamento da Ci&ecirc;ncia no Brasil tem, for&ccedil;osamente, de reportar-se aos documentos impressos por esta Sociedade. N&atilde;o &eacute; momento, nem ter&iacute;amos o tempo, para fazermos aqui um tal levantamento, por&eacute;m citaremos alguns aspectos do seu desenvolvimento. Vejamos, inicialmente, como progrediram alguns dos primeiros trabalhos publicados por Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, o &oacute;rg&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o da SBPC.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro &eacute; o de Mario Autuori; nele est&aacute; a descoberta que as i&ccedil;&aacute;s p&otilde;em dois tipos de ovos: um normal que se desenvolve em formiga e outro, enorme, que ela usa para alimentar as primeiras formiguinhas. Diz mais que as i&ccedil;&aacute;s regurgitam o fungo, que levam da colmeia-m&atilde;e para a nova morada, 48 horas ap&oacute;s o in&iacute;cio da perfura&ccedil;&atilde;o. Hoje, Autuori &eacute; Diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Jardim Zool&oacute;gico de S&atilde;o Paulo e suas pesquisas em formigas est&atilde;o sendo prosseguidas por Elp&iacute;dio Amante no Instituto Biol&oacute;gico do Estado de S&atilde;o Paulo, al&eacute;m de terem chamado a aten&ccedil;&atilde;o de um bom n&uacute;mero de entomologistas para as sa&uacute;vas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo artigo em Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura foi o de Oscar Sala sobre o gerador eletrost&aacute;tico, de Van de Graaf, de 3,5 milh&otilde;es de eletrovolts, que foi constru&iacute;do por ele e sua equipe na USP, de 1952-1954. Quatorze f&iacute;sicos se doutoraram usando tal equipamento. Hoje, 1973, esse mesmo grupo acaba de montar um novo acelerador muito mais potente, de 22 milh&otilde;es de eletrovolts, e construiu "<i>in loco</i>" um computador eletr&ocirc;nico para receber e analisar os dados produzidos nos experimentos e inventou todo um sistema de fontes de &iacute;ons para inje&ccedil;&atilde;o na nova m&aacute;quina (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a11fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1949, os professores Mauricio Oscar da Rocha e Silva e Wilson Beraldo publicaram a primeira refer&ecirc;ncia a um novo princ&iacute;pio liberado do plasma, que foi por eles designado Bradicinina, e que demostraram ser um polipept&iacute;deo de oito a dez amino&aacute;cidos usando o m&eacute;todo, modern&iacute;ssimo na &eacute;poca, da cromatografia de papel. Hoje, a Bradicinina j&aacute; mereceu quase uma centena de simp&oacute;sios internacionais e h&aacute; mais de duas mil publica&ccedil;&otilde;es feitas sobre ela, constituindo um justificado orgulho da farmacologia e bioqu&iacute;mica brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dezembro de 1948, o prof. Gleb Wataghin, o prof. Marcelo Damy de Souza Santos e o Dr. C&eacute;sar M. Lattes fazem a primeira s&eacute;rie de confer&ecirc;ncias patrocinadas pela SBPC, que marcaram &eacute;poca na f&iacute;sica nacional, j&aacute; que tiveram por assunto os raios c&oacute;smicos e a produ&ccedil;&atilde;o artificial de m&eacute;sons, tendo este &uacute;ltimo assunto conferido justa fama ao prof. Lattes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alcides Carvalho e Carlos Arnaldo Krug publicaram para o grande p&uacute;blico cient&iacute;fico seus primeiros resultados sobre a biologia da flor do cafeeiro, em que se utilizam, dentro outras, da t&eacute;cnica, ainda atual, de usar muta&ccedil;&otilde;es com viabilidade equivalentes ao alelo selvagem. Hoje, 25 anos depois, podemos citar tr&ecirc;s grupos de trabalho da equipe do Instituto Agron&ocirc;mico que se distinguem dos demais: 1) desenvolvimento de linhagens altamente produtivas e de grande vigor vegetativo do caf&eacute; Mundo novo, Acai&aacute; e Catua&iacute;, esta &uacute;ltima de porte pequeno, o que facilita a colheita. Os 600 milh&otilde;es de cafeeiros rec&eacute;m-plantados ou em plantio s&atilde;o todos desses cultivares; 2) cria&ccedil;&atilde;o de linhagens de variedades resistentes &agrave; ferrugem, multiplicadas a partir de 1970, e que entrar&atilde;o em distribui&ccedil;&atilde;o estes anos; 3) sele&ccedil;&atilde;o de cafeeiros com v&aacute;rios genes de resist&ecirc;ncia &agrave; ferrugem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No segundo n&uacute;mero da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, em 1949, vemos nascer v&aacute;rias linhas de pesquisas que permanecem at&eacute; agora (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a11fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1949, chega a S&atilde;o Paulo Theodosius Dobzhansky, que dirige uma equipe de 18 pessoas. Entre eles estavam: A. Langden Cavancanti, hoje chefe do Grupo de Gen&eacute;tica do Rio de Janeiro, H. Burla, hoje diretor do Museu de Zoologia de Zurique, Z. R. Cordeiro, hoje professor titular de gen&eacute;tica da Universidade do Rio Grande do Sul, A. Brito da Cunha, hoje professor titular de gen&eacute;tica na Universidade de S&atilde;o Paulo, Newton Freire Maia, hoje chefe do Departamento de Gen&eacute;tica da Universidade Federal do Paran&aacute;, C. Pavan, chefe do Departamento de Biologia da Universidade de S&atilde;o Paulo e muitos outros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este mesmo n&uacute;mero mostra tamb&eacute;m o in&iacute;cio de minhas pr&oacute;prias pesquisas em Himep&oacute;pteros, especialmente nas abelhas, que j&aacute; se desdobram em 16 teses de Doutoramento, cinco de Mestrado, duas de Livre Doc&ecirc;ncia e quase mil publica&ccedil;&otilde;es, em que uma equipe de quase cem pessoas desvenda a biologia das abelhas brasileiras, seus m&eacute;todos de comunica&ccedil;&atilde;o, sua citologia, etologia, anatomia interna e externa, gen&eacute;tica da determina&ccedil;&atilde;o do sexo e das castas, frequ&ecirc;ncia dos genes detrimentais e de genes limitados aos sexo etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma caracter&iacute;stica, no entanto, &eacute; gritante no progresso cient&iacute;fico no Brasil: &eacute; o eu desenvolvimento n&atilde;o harm&ocirc;nico, o que &eacute; facilmente observ&aacute;vel analisando-se os v&aacute;rios campos da ci&ecirc;ncia:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) A Matem&aacute;tica tem bom desenvolvimento em Sistemas Din&acirc;micos, An&aacute;lise Funcional, Equa&ccedil;&otilde;es Diferenciais, Estat&iacute;stica e Geometria Diferencial. H&aacute; falta de pessoal em campos importantes como Matem&aacute;tica Aplicada, que inclui a Teoria de Controle. Falta &agrave; Matem&aacute;tica brasileira aquilo que se convencionou chamar de massa cr&iacute;tica: faltam professores nos tr&ecirc;s n&iacute;veis, e as consequ&ecirc;ncias s&atilde;o facilmente vis&iacute;veis. At&eacute; hoje os matem&aacute;ticos n&atilde;o se reuniram na SBPC para apresenta&ccedil;&atilde;o de trabalhos originais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b) A F&iacute;sica &eacute; bem desenvolvida na F&iacute;sica Molecular, F&iacute;sica Nuclear e F&iacute;sica do Estado S&oacute;lido. Ramos altamente necess&aacute;rios, como &Oacute;tica e Eletricidade, e v&aacute;rios outros, s&atilde;o mal desenvolvidos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Imprescind&iacute;vel ao progresso cient&iacute;fico &eacute; o ensino universit&aacute;rio."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">c) A Qu&iacute;mica tem bom desenvolvimento na Bioqu&iacute;mica e Ci&ecirc;ncias dela dependentes e na Qu&iacute;mica Org&acirc;nica, principalmente no campo da Qu&iacute;mica de Produtos Naturais. Regularmente desenvolvida vem a F&iacute;sica-Qu&iacute;mica, por&eacute;m a Qu&iacute;mica Inorg&acirc;nica e Anal&iacute;tica deixam a desejar, especialmente se considerarmos a sua grande import&acirc;ncia. O avan&ccedil;o das pesquisas qu&iacute;micas no pa&iacute;s deve muito ao prof. Heinrich Rheinbolt, ex-presidente da SBPC.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">d) A Biologia &eacute; o ponto alto da Ci&ecirc;ncia brasileira. T&ecirc;m alto n&iacute;vel a Gen&eacute;tica, a Fisiologia, a Farmacologia e a Histologia. S&atilde;o razoavelmente desenvolvidas a Zoologia e a Bot&acirc;nica. Sem d&uacute;vida, o calcanhar de Aquiles da Biologia brasileira &eacute; a Ecologia. A falta de ensino e pesquisa em Ecologia reflete-se em v&aacute;rios aspectos da administra&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s: n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;tica eficiente de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; fauna e &agrave; flora, n&atilde;o h&aacute; mentalidade conservacionista nos pol&iacute;ticos, nos governadores nem nos secret&aacute;rios de Estado. O "reflorestamento &agrave; brasileira", que &eacute; a derrubada da floresta nativa e sua substitui&ccedil;&atilde;o por <i>Eucaliptos</i> e <i>Pinos,</i> &eacute; motivo de cr&iacute;tica e tristeza dos especialistas. Nenhum projeto de floresta mista foi publicado. As margens dos rios s&atilde;o devastadas at&eacute; por pescadores, que ainda n&atilde;o aliaram a produtividade dos lagos e rios &agrave; quantidade de folhas, flores e frutos, direta ou indiretamente ligados &agrave; cadeira alimentar dos grandes peixes. Uma das poucas exce&ccedil;&otilde;es que conhecemos de aplica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos ecol&oacute;gicos &eacute; o zoneamento agr&iacute;cola do Estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">e) As Geoci&ecirc;ncias, tanto a Geologia como a Geografia, constituem as ci&ecirc;ncias mais harmonicamente desenvolvidas no Brasil, n&atilde;o obstante, terem pequeno n&uacute;mero de pesquisadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">f) Na Medicina, temos &aacute;reas avan&ccedil;adas, como Cirurgia e algumas &aacute;reas cl&iacute;nicas, que tem desenvolvimento equiparado aos melhores existentes, mas &eacute; deficiente, contudo, nos campos de medicina social, doen&ccedil;as tropicais e nutri&ccedil;&atilde;o. As grandes endemias, como doen&ccedil;a de Chagas, esquistossomose, filariose e viroses tropicais t&ecirc;m n&uacute;mero de investigadores e de pesquisas realmente diminuto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">g) A Agronomia constitui um grande sucesso da Ci&ecirc;ncia brasileira, porque a maioria dos problemas agr&iacute;colas tem de ter solu&ccedil;&otilde;es "<i>in loco</i>", ou seja, tem de ter cunho francamente ecol&oacute;gico. Existem, todavia, &aacute;reas deficientes em pesquisas, como: tecnologia em v&aacute;rios produtos naturais como couros; sele&ccedil;&atilde;o para solos de pH &aacute;cidos; silvicultura ecol&oacute;gica; estudo de plantas brasileiras (mandioca com mais prote&iacute;nas, milho opaco mais resistente); combate de praga por metodologia ecol&oacute;gica e, sobretudo, com menos polui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">h) A Engenharia, em toda sua plenitude, com pesquisa aut&oacute;ctone, ainda n&atilde;o pode desenvolver-se entre n&oacute;s por estarmos atados a uma ind&uacute;stria eminentemente estrangeira. O pa&iacute;s paga cinco bilh&otilde;es e meio de cruzeiros por tecnologia importada, por&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o montados, pelas ind&uacute;strias importadoras, laborat&oacute;rios que permitam aos engenheiros brasileiros o desenvolvimento desta tecnologia. At&eacute; a ind&uacute;stria de computa&ccedil;&atilde;o, que une f&iacute;sicos, matem&aacute;ticos, engenheiros e industriais, que &eacute; essencial a qualquer pa&iacute;s grande e independente, e para a qual havia fortes ind&iacute;cios de r&aacute;pido desenvolvimento, entrou novamente em colapso de espera.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas cient&iacute;ficas foi consideravelmente facilitada devido &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os de amparo."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro aspecto que contribui para o desenvolvimento n&atilde;o harm&ocirc;nico das Ci&ecirc;ncias no Brasil &eacute; a grande diferen&ccedil;a de sal&aacute;rios entre uma institui&ccedil;&atilde;o e outra, entre Estados, e mesmo dentro de um mesmo Estado. Cito, como exemplo, o caso gritante do Instituto Agron&ocirc;mico de Campinas. Um pesquisador em in&iacute;cio de carreira ganha no Instituto Agron&ocirc;mico 3.000,00 e na USP 3.780,00. Em fim de carreira, ganha no Agron&ocirc;mico os mesmos 3.000,00 acrescidos de 100,00 por cada cinco anos de servi&ccedil;o, ao passo que na USP ganha 9.396,00 acrescidos de 470,00 por cada cinco anos de servi&ccedil;o. A consequ&ecirc;ncia dessa aberra&ccedil;&atilde;o &eacute; a sa&iacute;da, nesses &uacute;ltimos dez anos, de 42 pesquisadores com mais de dois anos de casa, e de 16 com menos de dois anos, todos por raz&otilde;es salariais. O principal &oacute;rg&atilde;o de pesquisa agron&ocirc;mica do pa&iacute;s perdeu, por uma sucess&atilde;o de incompreens&otilde;es administrativas, 58 pesquisadores por press&atilde;o salarial, 40 por aposentadoria, 15 por relota&ccedil;&atilde;o, dois por exonera&ccedil;&atilde;o, dois por afastamento e cinco que faleceram, s&oacute; conseguido repor, a t&iacute;tulo prec&aacute;rio, 36 novos pesquisadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Imprescind&iacute;vel ao progresso cient&iacute;fico &eacute; o ensino universit&aacute;rio. Nestes 25 anos, os grandes marcos no ensino p&aacute;trio foram: a organiza&ccedil;&atilde;o da Universidade Nacional de Bras&iacute;lia em bases modernas, a Reforma Universit&aacute;ria e sua extens&atilde;o a toda rede de ensino superior, a estrutura&ccedil;&atilde;o em n&iacute;veis e bases muito satisfat&oacute;rias dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, a implanta&ccedil;&atilde;o de dez universidades federais em v&aacute;rios estados da rep&uacute;blica, e a constitui&ccedil;&atilde;o de nove faculdades e uma universidade no interior do Estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De 1948 para c&aacute;, a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas cient&iacute;ficas foi consideravelmente facilitada devido &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os de amparo. Na &aacute;rea federal, temos: o Conselho Nacional de Pesquisas, a Comiss&atilde;o Nacional de Energia Nuclear, a Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior, durante alguns anos a COSUPI e, recentemente, a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico. Na &aacute;rea dos Estados, temos: a Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo, Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, a Funda&ccedil;&atilde;o Mineira de Pesquisas, e as Secretarias de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia da Guanabara e da Bahia. V&aacute;rias companhias particulares e cooperativas, das quais destacamos a Copersucar e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica, gastam somas consider&aacute;veis em pesquisas cient&iacute;ficas. Infelizmente, as Funda&ccedil;&otilde;es particulares ainda n&atilde;o fizeram o impacto que poderiam fazer. Preferem destinar seus fundos em pr&ecirc;mios, sem atentar para a &aacute;rea muit&iacute;ssimo mais importante para o pa&iacute;s, que &eacute; a concess&atilde;o de bolsas de pesquisa tanto no n&iacute;vel de gradua&ccedil;&atilde;o como de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, e financiamento direto de investiga&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nestes 25 anos, foi quase uma centena de vezes que a SBPC se dirigiu as mais altas autoridades estaduais e federais a fim de cumprir sua miss&atilde;o a favor da ci&ecirc;ncia e dos cientistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1949, os pesquisadores da SBPC pressionaram os deputados paulistas para que processassem a regulamenta&ccedil;&atilde;o do artigo da Constitui&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo que institu&iacute;a a Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo. Logo a seguir, no mesmo ano, a SBPC dirigiu-se ao governador paulista solicitando revis&atilde;o do decreto de tempo integral. Suas reuni&otilde;es t&ecirc;m sido uma forma de debate entre autoridades governamentais e cientistas, estudantes e professores. Na defesa dos direitos e em busca de melhores oportunidades aos cientistas brasileiros, a SBPC se dirigiu, nesses 25 anos, a v&aacute;rios governadores, de v&aacute;rios estados, a muitos secret&aacute;rios, ministros e, em 1968, enviou detalhado documento de sugest&atilde;o e cr&iacute;ticas ao Marechal Costa e Silva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de 1698, a SBPC passou a realizar simp&oacute;sios sobre antropologia e, com isso, aumentaram suas preocupa&ccedil;&otilde;es na defesa do ind&iacute;gena brasileiro. V&aacute;rios of&iacute;cios foram enviados &agrave;s autoridades do pa&iacute;s, tanto do executivo como do legislativo, denunciando casos em que o ind&iacute;gena estava sendo espoliado de seus direitos. O ingresso dos antropologistas deu in&iacute;cio &agrave; abertura das portas da SBPC aos cientistas sociais e humanistas, que desde 1971 congregam conosco, juntando-se aos demais cientistas brasileiros na defesa dos ideais de liberdade, de humanismo e de dec&ecirc;ncia.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A SBPC tem sido incans&aacute;vel na defesa da liberdade de pesquisa por acreditar que ela &eacute; condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para o progresso cient&iacute;fico."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde 1950, com a espetacular confer&ecirc;ncia de Eduardo Braun-Men&eacute;ndez, a SBPC tem sido incans&aacute;vel na defesa da liberdade de pesquisa por acreditar que ela &eacute; condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para o progresso cient&iacute;fico; na defesa da liberdade de comunicar os resultados das pesquisas; na no&ccedil;&atilde;o de que todo conhecimento &eacute; ou pode vir a ser &uacute;til; na no&ccedil;&atilde;o de que a liberdade de pesquisas s&oacute; pode existir numa sociedade livre, pois os princ&iacute;pios que a fundamentam s&atilde;o os mesmos que fundamentam as demais liberdades essenciais do homem; tem tamb&eacute;m sido incans&aacute;vel na prega&ccedil;&atilde;o de que os resultados da ci&ecirc;ncia jamais devem ser utilizados contra a pessoa humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sempre foi favor&aacute;vel ao ensino compuls&oacute;rio e gratuito. H&aacute; cerca de 800.000 anos o homem adicionou um fator novo na sua evolu&ccedil;&atilde;o: al&eacute;m de conquistar novos nichos ecol&oacute;gicos por muta&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o, passou a conquist&aacute;-los tamb&eacute;m por inven&ccedil;&atilde;o. O processo educativo tornou-se, consequentemente, da mais alta import&acirc;ncia para capacitar as popula&ccedil;&otilde;es humana sem suas rela&ccedil;&otilde;es competitivas. Por isso a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ficar sujeita a bolsas, a n&iacute;veis econ&ocirc;micos, a requerimentos, nem as origens ou tend&ecirc;ncias particulares de diretores, informantes ou quaisquer pessoas: &eacute; o direito l&iacute;quido de um ser que nasceu livre e com o destino de ser imagem e semelhan&ccedil;a de Deus.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A comunidade de cientistas brasileiros, que se organizou nesta SBPC, tem tamb&eacute;m sido incans&aacute;vel em exigir condi&ccedil;&otilde;es para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o do professor universit&aacute;rio em bater-se pela maior efici&ecirc;ncia e moraliza&ccedil;&atilde;o das Universidades brasileiras, a fim de que prestem &agrave; sociedade o servi&ccedil;o de transmitir conhecimento de uma gera&ccedil;&atilde;o &agrave; outra, de ensinar a fazer ci&ecirc;ncia, de ter &acirc;nsia pela busca da verdade, de maneira a produzirem trabalhos cient&iacute;ficos de alta criatividade, de completa integridade, e contribu&iacute;rem para preparar as novas e velhas gera&ccedil;&otilde;es para uma vida mais abundante e mais humana. Pensamos, pois, que esta comunidade de cientistas profissionais que &eacute; a SBPC tem cumprido os objetivos a que se prop&ocirc;s em 1948.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <!-- ref --><br>   KERR, W. E. SBPC e o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia no Brasil.<i> Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 25, n. 11, 1973.    <br>   <i>Mensagem do presidente (1969-1973) Warwick Estevam Kerr por ocasi&atilde;o da abertura da 25ª Reuni&atilde;o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia, no Rio de Janeiro, em 8 de julho de 1973.</i>    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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