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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mal&aacute;ria, maleita, paludismo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Erney Plessmann Camargo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&eacute;dico, membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, professor titular de parasitologia do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP e diretor do Instituto Butantan</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mal&aacute;ria &eacute; um flagelo antigo que afeta cerca de 300 milh&otilde;es de pessoas anualmente, causando 1,5 a 2 milh&otilde;es de mortes, principalmente na &Aacute;frica, onde quase 3 mil crian&ccedil;as morrem diariamente. A doen&ccedil;a custa &agrave; &Aacute;frica aproximadamente US$2 bilh&otilde;es por ano e mata mais do que a AIDS e qualquer outra doen&ccedil;a infecciosa. Presente em mais de 90 pa&iacute;ses, como &Iacute;ndia, Brasil, Afeganist&atilde;o e China, a mal&aacute;ria &eacute; predominante em regi&otilde;es subdesenvolvidas, tendo desaparecido da Europa e Am&eacute;rica do Norte. A maioria dos casos em pa&iacute;ses desenvolvidos s&atilde;o importados. Esse sofrimento &eacute; causado por um protozo&aacute;rio e um mosquito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Mal&aacute;ria; Maleita; Paludismo; Doen&ccedil;as Tropicais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mal&aacute;ria sempre foi, desde a Antiguidade, um dos principais flagelos da humanidade. Atualmente, pelo menos 300 milh&otilde;es de pessoas contraem mal&aacute;ria por ano em todo o mundo. Destas, cerca de 1,5 a 2 milh&otilde;es morrem. Quase 3 mil crian&ccedil;as morrem por dia de mal&aacute;ria na &Aacute;frica. Os custos diretos e indiretos da mal&aacute;ria para a &Aacute;frica s&atilde;o da ordem de US$ 2 bilh&otilde;es por ano. A doen&ccedil;a mata, anualmente, duas vezes mais que a AIDS e muito mais que qualquer outra doen&ccedil;a infecciosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mal&aacute;ria est&aacute; presente, tamb&eacute;m, em mais de 90 pa&iacute;ses, embora com preval&ecirc;ncia diferente. Os mais comprometidos s&atilde;o &Iacute;ndia, Brasil (cerca de 300 mil casos/ano), Afeganist&atilde;o e pa&iacute;ses asi&aacute;ticos, incluindo a China.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mal&aacute;ria &eacute; tipicamente uma doen&ccedil;a do mundo subdesenvolvido. J&aacute; desapareceu da Europa e da Am&eacute;rica do Norte, onde vicejou at&eacute; a metade do s&eacute;culo XX. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, apenas cerca de 400 casos anuais de mal&aacute;ria foram registrados no Canad&aacute;, e 900 nos Estados Unidos. Por&eacute;m, a grande maioria destes casos eram importados; apenas uma dezena se originando no pr&oacute;prio pa&iacute;s, a maioria resultante de transfus&otilde;es de sangue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todo esse sofrimento a humanidade deve a dois inimigos que se aliaram h&aacute; mil&ecirc;nios para seviciar a esp&eacute;cie humana: um protozo&aacute;rio e um mosquito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A doen&ccedil;a e sua transmiss&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m chamada de maleita, impaludismo, paludismo e febre ter&ccedil;&atilde; ou quart&atilde;, a mal&aacute;ria apresenta sintomatologia t&iacute;pica, quase inconfund&iacute;vel &#91;1&#93;. Manifesta-se por epis&oacute;dios de calafrios, seguidos de febre alta, que duram de 3 a 4 horas. Esses epis&oacute;dios s&atilde;o, em geral, acompanhados de profundo mal-estar, n&aacute;useas, cefaleias e dores articulares. Passada a crise, o paciente pode retomar sua vida habitual. Mas, ap&oacute;s um ou dois dias, o quadro calafrio/febre retorna e se repete por semanas at&eacute; que o paciente, n&atilde;o tratado, sare espontaneamente ou morra em meio a complica&ccedil;&otilde;es renais, pulmonares e coma cerebral. Tratado a tempo, s&oacute; excepcionalmente morre-se de mal&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O intervalo entre os epis&oacute;dios, a gravidade da doen&ccedil;a e seu grau de mortalidade dependem de muitos fatores, mas, principalmente, da esp&eacute;cie de parasita causador da mal&aacute;ria. Existe um espectro enorme de formas cl&iacute;nicas de mal&aacute;ria, umas mais graves, outras mais brandas e outras at&eacute; sem sintomas. Quando sintom&aacute;tica, a caracter&iacute;stica principal da maleita &eacute; a sua not&oacute;ria intermit&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mal&aacute;ria &eacute; causada por protozo&aacute;rios, que se multiplicam nos gl&oacute;bulos vermelhos do sangue do homem. As esp&eacute;cies causadoras da mal&aacute;ria humana s&atilde;o quatro: <i>Plasmodium vivax</i>, <i>P. falciparum</i>, <i>P. malariae</i> e <i>P. ovale</i>. O <i>falciparum</i> &eacute; respons&aacute;vel por uma forma muito grave de mal&aacute;ria, outrora chamada de ter&ccedil;&atilde; maligna. Das mortes anuais devidas &agrave; mal&aacute;ria, mais de 95% s&atilde;o causadas pelo <i>falciparum</i>. O <i>vivax</i> causa uma doen&ccedil;a mais branda, a ter&ccedil;&atilde; benigna, que, no entanto, tem o inconveniente de retornar ap&oacute;s ter sido aparentemente curada. Isso porque nas c&eacute;lulas do f&iacute;gado do homem infectado podem permanecer algumas formas em hiberna&ccedil;&atilde;o &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Po&ccedil;&otilde;es contra a mal&aacute;ria s&atilde;o conhecidas na China h&aacute; 30 s&eacute;culos. O princ&iacute;pio ativo dessas po&ccedil;&otilde;es, a artemisinina, &eacute; hoje usada como droga importante no tratamento da mal&aacute;ria. Os incas, no s&eacute;culo XVI, e depois deles o mundo todo, j&aacute; usavam o extrato da casca da quina para o tratamento da mal&aacute;ria. O quinino &eacute; o princ&iacute;pio ativo da quina de uso contempor&acirc;neo. V&aacute;rios medicamentos foram sintetizados, ao longo dos anos, pela ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica. Cada um tem uma indica&ccedil;&atilde;o preferencial segundo o tipo de plasm&oacute;dio, idade do paciente, gravidade da doen&ccedil;a, gesta&ccedil;&atilde;o, entre outros fatores. Mas todos contribuem para que o tratamento atual da mal&aacute;ria seja f&aacute;cil e eficaz. Com tratamento adequado e em tempo h&aacute;bil, ningu&eacute;m deveria morrer hoje de mal&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O homem &eacute; o &uacute;nico hospedeiro em natureza das esp&eacute;cies de plasm&oacute;dio, transmitidas de homem a homem pela picada de mosquitos hemat&oacute;fagos (pernilongos, carapan&atilde;s) que albergam as formas infectantes do plasm&oacute;dio em suas gl&acirc;ndulas salivares (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ocorr&ecirc;ncia de mal&aacute;ria est&aacute; intimamente associada &agrave; presen&ccedil;a e prolifera&ccedil;&atilde;o de mosquitos do g&ecirc;nero <i>Anopheles</i>. S&atilde;o muit&iacute;ssimas as esp&eacute;cies de <i>Anopheles</i>, cada uma com suas prefer&ecirc;ncias evolutivas e alimentares. Todas elas p&otilde;em seus ovos em cole&ccedil;&otilde;es d'&aacute;gua, mas algumas preferem &aacute;guas paradas, outras preferem &aacute;guas limpas de fluxo lento, ou sujas, ou de fluxo r&aacute;pido. Algumas exigem muito calor, muitas gostam de temperaturas amenas. As f&ecirc;meas alimentam-se sempre de sangue e podem ser permissivas ou exigentes quanto ao fornecedor desse sangue, picando todo tipo de animal ou um tipo de animal apenas. Os machos alimentam-se de fluidos de plantas e flores e, portanto, n&atilde;o transmitem a mal&aacute;ria (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada regi&atilde;o do mundo tem sua fauna espec&iacute;fica de <i>Anopheles</i> e a epidemiologia da mal&aacute;ria depende da composi&ccedil;&atilde;o dessa fauna. Existem mais de 350 esp&eacute;cies de <i>Anopheles</i> em todo o mundo, a maioria permitindo a prolifera&ccedil;&atilde;o de plasm&oacute;dios em seu organismo, em laborat&oacute;rio, mas apenas cerca de 30 a 50 s&atilde;o capazes de transmitir, em natureza, os plasm&oacute;dios humanos. No Brasil, os mosquitos transmissores da mal&aacute;ria nas regi&otilde;es costeiras, e particularmente na Mata Atl&acirc;ntica, eram o <i>A. cruzi</i>, o <i>A. bellator</i> e o <i>A. aquasalis</i>. Hoje, estes mosquitos t&ecirc;m import&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica apenas potencial. Mas, por todo o interior do pa&iacute;s, inclu&iacute;das as capitais, a principal esp&eacute;cie transmissora sempre foi o <i>Anopheles darlingi</i> que, hoje, ausente das &aacute;reas urbanizadas brasileiras, est&aacute; restrito &agrave; Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A mal&aacute;ria na hist&oacute;ria e no mundo contempor&acirc;neo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A caracter&iacute;stica intermitente da febre mal&aacute;rica permitiu identificar sua presen&ccedil;a em escritos chineses e eg&iacute;pcios de 3 mil anos a.C. Nos escritos m&eacute;dicos do Brasil, &eacute; poss&iacute;vel identific&aacute;-la j&aacute; no s&eacute;culo XVI e, da&iacute; por diante, em toda a hist&oacute;ria m&eacute;dica brasileira &#91;2,3,4&#93;, embora n&atilde;o existam, at&eacute; o s&eacute;culo XIX, registros quantitativos sobre sua preval&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estima-se que no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, em todo o mundo, a incid&ecirc;ncia e a mortalidade por mal&aacute;ria fossem, em percentagem, cerca de 10 vezes maior do que a atual. Mesmo quando n&atilde;o fosse letal, a mal&aacute;ria, como dizia Sir Patrick Manson em 1900 &#91;5&#93;, tornava o homem "inapto para o trabalho e para os prazeres da vida".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1900, a maior parte (&gt; 80%) da superf&iacute;cie terrestre era afligida pela mal&aacute;ria, que s&oacute; poupava as regi&otilde;es polares e subpolares. Nem os pa&iacute;ses mais avan&ccedil;ados da Europa estavam a salvo. Os pa&iacute;ses mediterr&acirc;neos, mormente a It&aacute;lia, eram os principais centros malar&iacute;genos do continente europeu. Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, em parte como consequ&ecirc;ncia da Primeira Grande Guerra, que privou de recursos as col&ocirc;nias inglesas e francesas, a situa&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria no mundo deteriorou. Basta ver o n&uacute;mero de mortes por mal&aacute;ria na pr&oacute;pria Inglaterra, entre os anos 1887 e 1922. A partir de 1917, &eacute; n&iacute;tida a revers&atilde;o da tend&ecirc;ncia de queda gradual que vinha sendo uma constante na Inglaterra: 1887, 193 casos; 1905, 79 casos; 1915, 65 casos; 1917, 126 casos; 1919, 268 casos. Sem chegar &agrave;s dimens&otilde;es da mal&aacute;ria na &Iacute;ndia, China e Oriente M&eacute;dio, a situa&ccedil;&atilde;o foi de calamidade tamb&eacute;m no resto da Europa, sendo particularmente grave na Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Iugosl&aacute;via, Bulg&aacute;ria, Rom&acirc;nia, Pol&ocirc;nia e R&uacute;ssia. A situa&ccedil;&atilde;o da Gr&eacute;cia serve de exemplo: em 1923, a mal&aacute;ria foi a terceira <i>causa mortis</i> de toda a Gr&eacute;cia, perdendo apenas para as diarreias infantis e a tuberculose. At&eacute; os Estados Unidos reportavam altos &iacute;ndices de mal&aacute;ria, em torno de 600 mil casos por ano, entre 1930 e 1940.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A mal&aacute;ria no Brasil </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, no fim do s&eacute;culo XIX, a mal&aacute;ria estava presente em todo o territ&oacute;rio nacional, particularmente na costa litor&acirc;nea, poupando apenas alguns segmentos dos estados sulinos. A Amaz&ocirc;nia e todo o planalto central viviam imersos na maleita, como mostra Martins Costa &#91;2&#93; em mapa datado de 1885. No entanto, apesar das estimativas indicarem 6 milh&otilde;es de casos de mal&aacute;ria por ano, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX no Brasil, a situa&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria era est&aacute;vel, sem not&oacute;rios surtos epid&ecirc;micos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, no fim do s&eacute;culo XIX, explodiu uma grande epidemia na Amaz&ocirc;nia. A borracha tornara-se mat&eacute;ria-prima preciosa e as perspectivas de extra&ccedil;&atilde;o do l&aacute;tex e de riqueza imediata, embora n&atilde;o f&aacute;ceis, levaram para a Amaz&ocirc;nia legi&otilde;es de nordestinos flagelados por terr&iacute;vel seca em suas terras. Dessa migra&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a nasceram a cultura do extrativismo seringalista e a miscigena&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas e nordestinos, dando origem aos amaz&ocirc;nidas do s&eacute;culo XX, e a primeira grande epidemia amaz&ocirc;nica de mal&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda em fun&ccedil;&atilde;o da borracha, o Brasil se comprometeu a construir uma estrada de ferro que possibilitasse a vaz&atilde;o ao l&aacute;tex boliviano: a Estrada de Ferro Madeira-Mamor&eacute;. Para evitar o trecho encachoeirado do rio Madeira, a estrada ligaria Santo Antonio (hoje parte de Porto Velho) a Guajar&aacute;-Mirim no rio Mamor&eacute;. Mais de uma empresa e v&aacute;rias levas de trabalhadores, muitos do Caribe, tentaram, do fim do s&eacute;culo XIX ao in&iacute;cio do XX, construir a ferrovia do diabo &#91;6,7&#93;. Acabaram vencendo, mas milhares sucumbiram &agrave; mal&aacute;ria. Foi a segunda grande epidemia amaz&ocirc;nica de mal&aacute;ria, de horr&iacute;vel mem&oacute;ria, testemunhada por Oswaldo Cruz e Carlos Chagas &#91;8,9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fora dessas explos&otilde;es epid&ecirc;micas, a mal&aacute;ria no Brasil seguia um curso sem intemp&eacute;ries no s&eacute;culo XX. Ela ainda estava presente nas grandes capitais, mas sem grandes surtos epid&ecirc;micos. Fajardo em 1904 &#91;10&#93; proclamava que "na cidade do Rio de Janeiro n&atilde;o h&aacute; impaludismo...". No entanto, suas pr&oacute;prias observa&ccedil;&otilde;es contradiziam essa assertiva ao confirmar microscopicamente casos de mal&aacute;ria oriundos de v&aacute;rias partes do Rio de Janeiro, como Ilha do Governador e at&eacute; da Pra&ccedil;a da Rep&uacute;blica, no centro carioca. Apesar de seu esfor&ccedil;o sem&acirc;ntico para distinguir "casos de paludismo" de "endemia palustre", a realidade &eacute; que os casos de mal&aacute;ria do Rio eram aut&oacute;ctones e, portanto, a doen&ccedil;a estava presente, sim, na capital da Rep&uacute;blica, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Como estava tamb&eacute;m presente na capital e na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, particularmente em Santos, Campinas e nos vales dos rios Piracicaba e Tiet&ecirc;. Na verdade, a mal&aacute;ria estava presente em todas as capitais brasileiras, sendo end&ecirc;mica em todo o pa&iacute;s. S&oacute; ap&oacute;s a Segunda Grande Guerra, a mal&aacute;ria abandonar&aacute; as capitais brasileiras e se refugiar&aacute; na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, antes que isso acontecesse, duas grandes epidemias explodiram no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma foi uma r&eacute;plica das epidemias amaz&ocirc;nicas anteriores. Com a ocupa&ccedil;&atilde;o dos seringais da &Aacute;sia tropical pelos japoneses, a borracha amea&ccedil;ava faltar para os aliados em guerra. Os seringais da Amaz&ocirc;nia renasceram e, com eles, a mal&aacute;ria. Nova leva de migrantes nordestinos constituiu o "Ex&eacute;rcito da Borracha". Morreram mais combatentes nesse <i>front</i>, v&iacute;timas da mal&aacute;ria, que no <i>front</i> da guerra contra o nazifascismo.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A mal&aacute;ria no Brasil seguia um curso sem intemp&eacute;ries no s&eacute;culo XX."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A outra foi uma epidemia absolutamente inesperada e, at&eacute; ent&atilde;o, &uacute;nica no mundo, que teve o adicional papel de influenciar todo o programa da OMS para o controle da mal&aacute;ria. Vale a pena recontar essa hist&oacute;ria que traz consigo alguns ensinamentos fundamentais sobre o controle da mal&aacute;ria.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tudo come&ccedil;a no fim da d&eacute;cada de 1930, em Natal &#91;11,12&#93;. <i>Destroyers</i> franceses que faziam, a cada quatro dias, a rota postal Fran&ccedil;a-Natal, via Dakar, provavelmente trouxeram para c&aacute; o terr&iacute;vel transmissor da mal&aacute;ria na &Aacute;frica, at&eacute; ent&atilde;o ausente do pa&iacute;s: o <i>Anopheles gambiae</i>. Esse mosquito tem h&aacute;bitos muito parecidos com o atual vetor da dengue no Brasil. Ambos criam-se em pequenas cole&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua, como po&ccedil;as e vasos, pneus e cacimbas etc. S&atilde;o dom&eacute;sticos e antropof&iacute;licos. Vorazes, picam a qualquer hora do dia. Prol&iacute;ficos, invadem e colonizam qualquer ambiente. O <i>Anopheles gambiae</i> ocupou imediatamente as imedia&ccedil;&otilde;es da estrada de ferro e os canais pr&oacute;ximos &agrave; foz do Potengi e, da&iacute;, foi subindo Natal adentro para, em poucos meses, ocupar um territ&oacute;rio de 6 mil km<sup>2</sup>. Em 1928, antes da invas&atilde;o, haviam ocorrido 28 mortes por mal&aacute;ria em Natal. Esse n&uacute;mero aumentou 12 vezes em 1932. Em um &uacute;nico bairro (Alecrim), 10 mil pessoas adquiriram mal&aacute;ria dentre uma popula&ccedil;&atilde;o de 12 mil indiv&iacute;duos. A&ccedil;&atilde;o vigorosa dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de do Estado eliminaram o <i>gambiae</i> de Natal e controlaram a mal&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&oacute; que o <i>gambiae</i> n&atilde;o desapareceu, apenas se retirou, subiu os rios Apod&iacute; e Ass&uacute;, atravessou a chapada do Apod&iacute; e infiltrou-se tamb&eacute;m pelas margens do Jaguaribe no Cear&aacute;. Nessas regi&otilde;es foi ganhando terreno, proliferando e se expandindo em sil&ecirc;ncio. At&eacute; que, em 1938, come&ccedil;am a surgir alguns casos de mal&aacute;ria. Progressivamente, a mal&aacute;ria foi ganhando car&aacute;ter explosivo. A popula&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute; era praticamente virgem com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mal&aacute;ria, isto &eacute;, tinha imunidade nula contra a doen&ccedil;a. Foi uma calamidade p&uacute;blica. Alguns n&uacute;meros esclarecem mais que descri&ccedil;&otilde;es. Para uma popula&ccedil;&atilde;o de 250 mil habitantes, o Rio Grande do Norte registrou, em apenas seis meses de 1938, cerca de 50 mil casos de mal&aacute;ria. Em v&aacute;rios povoados rurais e ribeirinhos, o n&uacute;mero de casos rondou a casa dos 80 a 90% da popula&ccedil;&atilde;o. A mortalidade foi alt&iacute;ssima, mais de 10% dos pacientes, sem imunidade e j&aacute; debilitados pela fome, morreram por falta de tratamento. Dizem as cr&ocirc;nicas e jornais da &eacute;poca que todas as fam&iacute;lias do vale do Jaguaribe vestiram luto em 1939.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Get&uacute;lio Vargas, com a ajuda da Funda&ccedil;&atilde;o Rockfeller, resolveu enfrentar a epidemia. Juntos, investiram US$ 350 mil em um ex&eacute;rcito de m&eacute;dicos e t&eacute;cnicos, muitos deles j&aacute; experimentados no combate ao mosquito transmissor da febre-amarela. A luta contra o <i>gambiae</i> foi formid&aacute;vel. N&atilde;o sobrou um &uacute;nico criadouro na regi&atilde;o que n&atilde;o fosse revirado e aspergido com larvicida. At&eacute; vasos de cemit&eacute;rio e potes com &aacute;gua benta receberam sua dose de larvicida. Infelizmente, n&atilde;o havia ainda o DDT, mas todas as casas foram fumigadas com piretro. De qualquer forma, a vit&oacute;ria foi esmagadora e, em 1940, o <i>Anopheles gambiae</i> seria completamente erradicado do Brasil. Esse foi o maior sucesso, ao n&iacute;vel mundial, de erradica&ccedil;&atilde;o de uma esp&eacute;cie nociva de uma dada regi&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Florestas tropicais s&atilde;o por constitui&ccedil;&atilde;o e natureza criadouros de mosquito."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo ap&oacute;s a guerra, os rec&eacute;m-produzidos e poderos&iacute;ssimos inseticidas de a&ccedil;&atilde;o residual (DDT), juntamente com medidas de saneamento ambiental, levaram &agrave; dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria da maior parte da Europa e de muitos pa&iacute;ses menos desenvolvidos, o Brasil a&iacute; inclu&iacute;do. A euforia foi enorme. Foi t&atilde;o grande que levou a OMS a criar o programa de erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria, sustentado em tr&ecirc;s pilares: combate ao mosquito por meio do DDT, melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias gerais e tratamento dos pacientes. O projeto era bom, mas, na pr&aacute;tica, n&atilde;o funcionou como se esperava.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia da erradica&ccedil;&atilde;o encontrou suporte no sucesso nordestino, mas ignorou alguns fatos b&aacute;sicos desse sucesso. Primeiro, o mosquito transmissor no Brasil era alien&iacute;gena, n&atilde;o tinha ra&iacute;zes no pa&iacute;s e mal conseguira se estabelecer em um segmento limitado e agreste do territ&oacute;rio, e n&atilde;o o melhor poss&iacute;vel para sua prolifera&ccedil;&atilde;o. Portanto, estava extremamente vulner&aacute;vel. Segundo, seu controle exigiu disp&ecirc;ndios acima das disponibilidades de muitos pa&iacute;ses do mundo (US$ 350 mil era muito dinheiro em 1938). Finalmente, a campanha antimal&aacute;ria exigiu determina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica incomum e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos e m&eacute;dicos at&eacute; hoje sem similar no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como consequ&ecirc;ncia, a mal&aacute;ria n&atilde;o foi erradicada da Terra e, em algumas regi&otilde;es (como na &Aacute;frica), nem foi tocada. Em outras, regrediu por algum tempo, mas voltou com o vigor de antes. Por&eacute;m, naquelas regi&otilde;es j&aacute; dotadas de facilidades sanit&aacute;rias, com disponibilidade de medicamentos e servi&ccedil;os m&eacute;dicos, e onde os servi&ccedil;os especiais de combate &agrave; mal&aacute;ria se mostraram eficientes, a mal&aacute;ria foi consideravelmente reduzida. Dessa forma, praticamente desapareceu do mundo desenvolvido nos anos 1950.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, sob o comando inicial de M&aacute;rio Pinotti e conduzida pelo rec&eacute;m-criado Servi&ccedil;o de Combate &agrave; Mal&aacute;ria, sucessor do Servi&ccedil;o de Combate &agrave; Febre Amarela, a campanha contra a doen&ccedil;a atingiu o objetivo de controlar, mas n&atilde;o de erradic&aacute;-la. A mal&aacute;ria sumiu das cidades e se refugiou em um paiol de p&oacute;lvora na Amaz&ocirc;nia, onde permanece intocada. Os 6 milh&otilde;es de casos do in&iacute;cio do s&eacute;culo viraram apenas 50 mil em 1970.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Not&aacute;vel sucesso para o pa&iacute;s, mas por que o sucesso n&atilde;o se estendeu &agrave; Amaz&ocirc;nia? Pela conspira&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores em conjunto. Em primeiro lugar, o combate ao <i>Anopheles darlingi</i> &eacute; impratic&aacute;vel. Seria preciso borrifar com DDT toda a floresta, uma vez que esse mosquito &eacute; silvestre, prom&iacute;scuo, picando o homem e outros animais tanto fora como dentro do domic&iacute;lio. Pelas mesmas raz&otilde;es, dedetizar apenas as casas &eacute; in&uacute;til. Telar as casas nem pensar, porque mosquitos entram pelos v&atilde;os das t&aacute;buas deixadas intencionalmente distantes umas das outras para fins de ventila&ccedil;&atilde;o. O uso de mosquiteiros n&atilde;o faz sentido porque implica em que o homem permane&ccedil;a sob ele do p&ocirc;r do sol ao amanhecer. Repelentes podem ser bom para turistas, n&atilde;o para quem tivesse que us&aacute;-los dia e noite. Em medidas de saneamento b&aacute;sico, destinadas a eliminar criadouros de mosquitos, nem pensar. Florestas tropicais s&atilde;o por constitui&ccedil;&atilde;o e natureza criadouros de mosquitos. Destru&iacute;-los seria destruir a floresta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Resta o tratamento de pacientes, que, apesar de todas as dificuldades log&iacute;sticas decorrentes da imensid&atilde;o amaz&ocirc;nica, &eacute; a &uacute;nica capaz de controlar a progress&atilde;o da mal&aacute;ria. O tratamento da mal&aacute;ria &eacute; eficaz. As drogas s&atilde;o fornecidas e administradas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o por agentes dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. O tratamento dos pacientes, al&eacute;m de cur&aacute;-los, serve para limitar o alastramento da mal&aacute;ria. Logicamente, o tratamento se destina a indiv&iacute;duos com sintomas de mal&aacute;ria. Todavia, recentemente descobriu-se que, em regi&otilde;es remotas da Amaz&ocirc;nia, existe um n&uacute;mero muito grande de indiv&iacute;duos, talvez a maioria, que s&atilde;o assintom&aacute;ticos, isto &eacute;, s&atilde;o portadores do parasita, mas n&atilde;o desenvolvem a doen&ccedil;a &#91;13,14&#93;. Esses indiv&iacute;duos s&atilde;o nativos da Amaz&ocirc;nia e certamente contraem infec&ccedil;&otilde;es mal&aacute;ricas desde a inf&acirc;ncia. Com o tempo, e ap&oacute;s repetidas infec&ccedil;&otilde;es, desenvolvem um certo grau de imunidade. Quando reinfectados, t&ecirc;m uma forma branda da doen&ccedil;a, sem sintomas. Por serem assintom&aacute;ticos, n&atilde;o s&atilde;o detectados pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e, portanto, n&atilde;o s&atilde;o tratados. Por&eacute;m, embora sem sintomas, carregam o parasita em seu sangue e s&atilde;o capazes de infectar mosquitos. Dessa forma, servem de fonte de infec&ccedil;&atilde;o para novos indiv&iacute;duos, funcionando como reservat&oacute;rios da doen&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exist&ecirc;ncia de reservat&oacute;rios assintom&aacute;ticos esclarece muitos aspectos da epidemiologia da mal&aacute;ria amaz&ocirc;nica. Em condi&ccedil;&otilde;es normais, a mal&aacute;ria &eacute; end&ecirc;mica na Amaz&ocirc;nia. Com rela&ccedil;&atilde;o ao resto do pa&iacute;s, a sua preval&ecirc;ncia &eacute; alta (entre 15 a 20 casos por mil habitantes). Apesar da preval&ecirc;ncia alta, a mal&aacute;ria &eacute;, de certa forma, est&aacute;vel na Amaz&ocirc;nia, embora apresente varia&ccedil;&otilde;es regionais, sendo baixa sua preval&ecirc;ncia nas capitais e alt&iacute;ssima nas zonas de coloniza&ccedil;&atilde;o recente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Indiv&iacute;duos n&atilde;o imunes correm alto risco de contrair mal&aacute;ria ao adentrarem a Amaz&ocirc;nia. Se esses indiv&iacute;duos forem em grande n&uacute;mero, podem explodir epidemias. Foi assim nos epis&oacute;dios da borracha e na constru&ccedil;&atilde;o da Madeira-Mamor&eacute;. Foi assim recentemente, a partir dos anos 1970, com a descontrolada migra&ccedil;&atilde;o de paranaenses e ga&uacute;chos em busca de terras doadas pelo Incra em Rond&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem imunidade e sem a "cultura da mal&aacute;ria", esses bravos imigrantes foram v&iacute;timas da maior epidemia de mal&aacute;ria da hist&oacute;ria da Amaz&ocirc;nia. Em duas d&eacute;cadas, a preval&ecirc;ncia da mal&aacute;ria em Rond&ocirc;nia passou de cerca de 20 casos por mil habitantes para 100 casos por mil habitantes. No pico da epidemia, Rond&ocirc;nia chegou a ter 300 mil casos de mal&aacute;ria por ano para uma popula&ccedil;&atilde;o de apenas um milh&atilde;o de habitantes &#91;15,19&#93;. A mortalidade foi tamb&eacute;m alta. Com o tempo, os migrantes foram ficando parcialmente imunes, enquanto seus n&uacute;cleos de assentamento ganhavam melhorias sanit&aacute;rias e progressiva urbaniza&ccedil;&atilde;o. A mal&aacute;ria estabilizou-se de novo em Rond&ocirc;nia, o <i>front</i> migrando agora para Roraima, onde a hist&oacute;ria mais ou menos se repete.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E se repetir&aacute; sempre que grandes levas de migrantes se dirigirem &agrave; Amaz&ocirc;nia, at&eacute; que criemos mecanismos de controle que contemplem as peculiaridades da epidemiologia da mal&aacute;ria amaz&ocirc;nica. N&atilde;o ser&aacute; tarefa f&aacute;cil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BRUCE-CHWATT, L. J. <i>Malaria</i>: principles and practice of malariology. Edinburgh: Wernsdorfer &amp; McGregor, 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. COSTA, D. A. M. <i>A mal&aacute;ria e suas diversas modalidades cl&iacute;nicas</i>. Rio de Janeiro: Lombaerts, 1885.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. PEIXOTO, A. <i>O problema sanit&aacute;rio da Amaz&ocirc;nia</i>. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1917.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. BACELLAR, R. C. <i>Brazil&acute;s contribution to tropical medicine and malaria</i>. Rio de Janeiro: Ol&iacute;mpica, 1963.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. MANSON, P. <i>Tropical diseases: </i>a mannual of the diseases of warm countries. London: Cassel, 1898.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. PINTO, E. P. <i>Rond&ocirc;nia, evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica: </i>cria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio federal do Guapor&eacute;, fator de integra&ccedil;&atilde;o nacional. Rio de Janeiro: Express&atilde;o e Cultura, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. FERREIRA, M. R. <i>A Ferrovia do diabo</i>: hist&oacute;ria de uma estrada de ferro na Amaz&ocirc;nia. S&atilde;o Paulo: Melhoramentos, 1981.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. CRUZ, O. G. <i>Madeira-Mamor&eacute; Railway Company</i>: considera&ccedil;&otilde;es gerais sobre as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias do rio Madeira. Rio de Janeiro: Papelaria Americana, 1910.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. CHAGAS, C. Notas sobre a epidemiologia do Amazonas. <i>Brazil M&eacute;dico</i>, v. 27, n. 42, p. 159-175, 1913.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. FAJARDO, F. O. <i>Impaludismo</i>. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1904.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. DEANE, L. M. Malaria studies and control in Brazil. <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>, v. 38, p. 223-30, 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. SOPER, F. L.; WILSON, D. B. <i>Anopheles gambiae in Brazil</i>: 1930-1940. New York: Rockfeller, 1943.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. CAMARGO, E. P.; ALVES, F.; SILVA, L. H. P. Symptomless <i>Plasmodium vivax</i> infections in native Amazonians. <i>Lancet</i>, v. 353, p. 1415-1416, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. ALVES, F. F.; DURLACHER, R. R.; MENEZES, M. J.; KRIEGER, H.; SILVA, L. H. P.; CAMARGO, E. P. High prevalence of asymptomatic <i>Plasmodium vivax</i> and <i>Plasmodium falciparum</i> infections in native amazonian populations. <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>, v. 66, p. 641-648, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. MARQUES, A. C. Human migration and the spread of malaria in Brazil. <i>Parasitology Today</i>, v. 3, p. 166-170, 1987.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. SAWYER, D. Economic and social consequences of malaria in new colonization projects in Brazil. <i>Social Sciences and Medicine</i>, v. 37, p. 1131-1136, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. CAMARGO, L. M.; FERREIRA, M. U.; KRIEGER, H.; CAMARGO, E. P.; SILVA, L. H. P. Unstable hypoendemic malaria in Rondonia (western Amazon region, Brazil): epidemic outbreaks and work-associated incidence in an agro-industrial rural settlement. <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>, v. 51, p. 16-25, 1994.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. CAMARGO, L. M.; DAL COLLETTO, G. M.; FERREIRA, M. U.; GURGEL, S.; ESCOBAR, A. L.; MARQUES, A. <i>et al</i>. Hypoendemic malaria in Rondonia (Brazil, western Amazon region): seasonal variation and risk groups in an urban locality. <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>, v. 55, p. 32-38, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. CAMARGO, L. M.; NORONHA, E.; SALCEDO, J. M.; DUTRA, A. P.; KRIEGER, H.; SILVA, L. H. P. <i>et al</i>. The epidemiology of malaria in Rondonia (Western Amazon region, Brazil): study of a riverine population. <i>Acta Tropica</i>, v. 72, p. 1-11, 1999.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>S&iacute;tios na Internet:</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mal&aacute;ria, doen&ccedil;a:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.sbpc.org.br" target="_blank">http://www.sbpc.org.br</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estat&iacute;sticas:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.who.int/ith/countrylist02.html" target="_blank">http://www.who.int/ith/countrylist02.html</a></i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.who.int/wer/archives.html" target="_blank">http://www.who.int/wer/archives.html</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.funasa.gov.br" target="_blank">http://www.funasa.gov.br</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.funasa.gov.br/sis/sis00.htm" target="_blank">http://www.funasa.gov.br/sis/sis00.htm</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Plasm&oacute;dios:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.cdfound.to.it/-atlas.htm" target="_blank">http://www.cdfound.to.it/-atlas.htm</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www-micro.msb.le.ac.uk/224/Malaria.html" target="_blank">http://www-micro.msb.le.ac.uk/224/Malaria.html</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://rph.wa.gov.au/labs/haem/malaria/history.htm" target="_blank">http://rph.wa.gov.au/labs/haem/malaria/history.htm</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Anopheles:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://icb.usp.br/~marcelcp/Default.htm" target="_blank">http://icb.usp.br/~marcelcp/Default.htm</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Madeira-Mamor&eacute;:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.ronet.com.br" target="_blank">http://www.ronet.com.br</a></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Terap&ecirc;utica:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><a href="http://www.funasa.gov.br/pub/pub00.htm#" target="_blank">http://www.funasa.gov.br/pub/pub00.htm#" target=</a></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <br>   CAMARGO, E. P. Mal&aacute;ria, maleita, paludismo. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 55, n. 1, 2003.    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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