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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os ind&iacute;genas pedem passagem</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Ros&aacute;rio de Carvalho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora do Departamento de Antropologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenadora do Programa de Pesquisas Sobre Povos Ind&iacute;genas do Nordeste Brasileiro (PINEB) e do Fundo de Documenta&ccedil;&atilde;o Hist&oacute;rica Manuscrita sobre &Iacute;ndios da Bahia (FUNDOCIN), juntamente com Pedro Agostinho</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1971, como estudante de ci&ecirc;ncias sociais, observei a extrema pen&uacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena patax&oacute; na Aldeia de Barra Velha, na Bahia. A assist&ecirc;ncia da Funai era recente e insuficiente. Tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois, a popula&ccedil;&atilde;o cresceu e a aldeia se tornou um centro para 23 grupos locais. A escolariza&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ou, com muitos jovens ind&iacute;genas ingressando em universidades. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e a LDBEN de 1996 promoveram o ensino bil&iacute;ngue e intercultural, valorizando as culturas ind&iacute;genas. Apesar dos desafios, o movimento ind&iacute;gena superou obst&aacute;culos e fortaleceu a educa&ccedil;&atilde;o diferenciada, com apoio governamental e criatividade na implementa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Ind&iacute;genas; Educa&ccedil;&atilde;o; Educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena; Povos origin&aacute;rios.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao final de 1971, estudante do curso de ci&ecirc;ncias sociais da UFBA, eu tive a minha primeira experi&ecirc;ncia de campo, em equipe, entre os ind&iacute;genas patax&oacute; da Aldeia de Barra Velha, no extremo-sul da Bahia. N&atilde;o foi dif&iacute;cil, mesmo para jovens inexperientes, constatar que a popula&ccedil;&atilde;o de 273 habitantes se encontrava em situa&ccedil;&atilde;o de extrema pen&uacute;ria, o que, consequentemente, afetava sua organiza&ccedil;&atilde;o social. A assist&ecirc;ncia, por parte da Funai, era muito recente e incipiente, similarmente ao que ocorria em outras &aacute;reas ind&iacute;genas do contexto etnogr&aacute;fico do Nordeste. Hoje, passadas tr&ecirc;s d&eacute;cadas e meia, mudan&ccedil;as significativas ocorreram: o contingente demogr&aacute;fico se elevou para pouco mais de 8 mil indiv&iacute;duos, a pequena aldeia de Barra Velha se transformou em aldeia-m&atilde;e para 23 grupos locais, e o processo de escolariza&ccedil;&atilde;o formal, desencadeado mais intensamente nos anos 90 do s&eacute;culo XX, j&aacute; n&atilde;o se restringe ao ensino fundamental e m&eacute;dio. Jovens, em n&uacute;mero relativamente expressivo, j&aacute; ingressaram em universidades, p&uacute;blicas e particulares, e outros tencionam faz&ecirc;-lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O leitor atento haver&aacute; de supor que esse contexto de mudan&ccedil;as n&atilde;o ter&aacute; sido produzido sem muitas dificuldades e esfor&ccedil;os e que, ademais, ele n&atilde;o ter&aacute; sido capaz de alterar, significativamente, a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico-social reinante no j&aacute; long&iacute;nquo 1971. N&atilde;o obstante, haver&aacute; de admitir que, se n&atilde;o h&aacute; o que comemorar, pelo menos ainda h&aacute; o que registrar. Estou me propondo, pois, neste pequeno artigo, proceder &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos fatores que t&ecirc;m ensejado, e impulsionado, a educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena no Brasil, considerando, simultaneamente, o cen&aacute;rio pol&iacute;tico-institucional e as a&ccedil;&otilde;es dos atores ind&iacute;genas; e &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das repercuss&otilde;es da cultura escolar sobre as tradicionais culturas ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 assegurou aos povos ind&iacute;genas, no plano do ensino fundamental, a utiliza&ccedil;&atilde;o de suas l&iacute;nguas maternas e processos pr&oacute;prios de aprendizagem, assim como o apoio e o incentivo &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o das suas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais<a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup> &#91;1&#93;. &Agrave; luz de tais disposi&ccedil;&otilde;es, a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (LDBEN), de 1996, estabeleceu que o sistema de ensino da Uni&atilde;o, com a colabora&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias federais de fomento &agrave; cultura e de assist&ecirc;ncia aos ind&iacute;genas, desenvolveria, e apoiaria t&eacute;cnica e financeiramente, programas integrados de ensino e pesquisa, planejados com anu&ecirc;ncia das comunidades ind&iacute;genas, para lhes ofertar educa&ccedil;&atilde;o escolar bil&iacute;ngue e intercultural, visando proporcionar-lhes a recupera&ccedil;&atilde;o de suas mem&oacute;rias hist&oacute;ricas, a reafirma&ccedil;&atilde;o de suas identidades &eacute;tnicas e a valoriza&ccedil;&atilde;o de suas l&iacute;nguas e ci&ecirc;ncias<a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>&#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rea&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena foi proporcional &agrave; for&ccedil;a da lei. Nas v&aacute;rias &aacute;reas, desencadeou-se rico e intenso movimento de implementa&ccedil;&atilde;o do ensino fundamental diferenciado, conduzido por professores ind&iacute;genas e com conte&uacute;dos espec&iacute;ficos aos contextos locais. A tenacidade dos diretamente envolvidos, certa dose de criatividade e improvisa&ccedil;&atilde;o e o apoio de inst&acirc;ncias governamentais e n&atilde;o-governamentais ensejou que os obst&aacute;culos, que se apresentavam como intranspon&iacute;veis, fossem superados, gradativamente. Um dos primeiros foi o fato de os professores ind&iacute;genas recrutados n&atilde;o terem completado o 2&ordm; grau, do que resultava que o grau de escolariza&ccedil;&atilde;o de alguns deles coincidisse com o do curso b&aacute;sico (da alfabetiza&ccedil;&atilde;o a 4ª s&eacute;rie) oferecido nas aldeias, ou as s&eacute;ries (5ª a 8ª) do curso de gin&aacute;sio da cidade vizinha &#91;2&#93;. Urgia, portanto, que eles obtivessem treinamento especializado em magist&eacute;rio ind&iacute;gena, o que foi feito atrav&eacute;s de cursos para professores leigos e, na sequ&ecirc;ncia, de Programas de Forma&ccedil;&atilde;o para o Magist&eacute;rio Ind&iacute;gena, sob a orienta&ccedil;&atilde;o geral do MEC e das secretarias estaduais de educa&ccedil;&atilde;o (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a17fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 assegurou aos povos ind&iacute;genas, no plano do ensino fundamental, a utiliza&ccedil;&atilde;o de suas l&iacute;nguas maternas e processos pr&oacute;prios de aprendizagem, assim como o apoio e incentivo &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o das suas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso dos patax&oacute; do extremo-sul, cujo processo acompanhei um pouco mais sistematicamente, dois fatos particulares ter&atilde;o funcionado como catalisadores, quais sejam, a v&iacute;vida impress&atilde;o que a experi&ecirc;ncia pol&iacute;tico-administrativa dos ind&iacute;genas estabelecidos no Parque Ind&iacute;gena do Xingu causou ao jovem cacique Adauto Ferreira, quando, em 1995, atrav&eacute;s de interc&acirc;mbio promovido pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de A&ccedil;&atilde;o Indigenista (Anai), ele retribuiu visita dos kayabi e observou que os pr&oacute;prios ind&iacute;genas administravam o Parque, preenchendo os cargos de chefe-de-posto, enfermeiro e professor. Ao retornar, divulgou o que presenciara e passou a mobilizar a comunidade que, ent&atilde;o, liderava, para seguir o padr&atilde;o xinguano &#91;2&#93;; e o impulso advindo do grupo patax&oacute; estabelecido, desde os anos 1950, no munic&iacute;pio mineiro de Carm&eacute;sia, de onde, desde ent&atilde;o, passou a estabelecer contatos com os parentes dispersos, predominantemente com os "troncos" ainda hoje radicados em Barra Velha, tornada matriz de refer&ecirc;ncia para os demais. Os patax&oacute;s de Carm&eacute;sia haviam tomado a dianteira na formula&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o diferenciada, que remonta a 1995, no &acirc;mbito da qual os denominados professores de cultura, ou seja, deposit&aacute;rios da hist&oacute;ria ind&iacute;gena, n&atilde;o-alfabetizados ou em processo de alfabetiza&ccedil;&atilde;o, eram especialmente valorizados, e os conhecimentos que haviam acumulado eram ciosamente registrados pelos iniciantes professores ind&iacute;genas &#91;3&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a17fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dezembro de 1997, para uma grande plateia formada por professores ind&iacute;genas da Bahia, que davam in&iacute;cio ao seu pr&oacute;prio curso de forma&ccedil;&atilde;o, Apinhaera, uma professora de cultura radicada em Carm&eacute;sia, explicou, didaticamente, o que era uma escola ind&iacute;gena diferenciada - "...onde primeiro tem que aprender o que &eacute; nosso, como pescar, preservar a natureza, fazer um cesto..." - ap&oacute;s o que comentou que havia reorientado o comportamento da filha, inclusive a sua dieta alimentar, exortando-a a fazer uso da comida cultural, com o que "a gordura dela ficou fortalecida", assim como reorientou a sua pr&oacute;pria identidade, etnizando-a e rejeitando designativos estigmatizantes &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educa&ccedil;&atilde;o Escolar Ind&iacute;gena, formuladas em 1999, reconheciam, em conson&acirc;ncia com a expressa vontade ind&iacute;gena, que o conjunto de saberes e procedimentos historicamente produzidos pelas sociedades ind&iacute;genas - l&iacute;ngua, cosmologia, mem&oacute;ria hist&oacute;rica, saberes relacionados &agrave; identidade &eacute;tnica, organiza&ccedil;&atilde;o social, manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas etc. - comporia a base conceitual, "afetiva e cultural" do conte&uacute;do da aprendizagem e forma&ccedil;&atilde;o curricular, devendo ser priorizado no processo educativo, e se articularia ao conjunto dos saberes universais, presentes nas diversas &aacute;reas do conhecimento ocidental &#91;4&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os Programas de Forma&ccedil;&atilde;o para o Magist&eacute;rio Ind&iacute;gena conclu&iacute;ram, a partir de 2000, as suas primeiras turmas, e prosseguem formando alunos no ensino fundamental diferenciado. Em distintos contextos, festivas solenidades celebraram o &ecirc;xito alcan&ccedil;ado. Assim ocorreu entre os munduruku, no Tapaj&oacute;s, que aproveitaram a ocasi&atilde;o para anunciar o ensino m&eacute;dio regular, atrav&eacute;s de sistema modular, que eles julgam poder lhes proporcionar, em futuro pr&oacute;ximo, cursar uma universidade &#91;5&#93;; entre os guarani, no Mato Grosso do Sul, cujo Projeto Ar&aacute; Ver&aacute;, que prepara professores para a educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, com o apoio institucional da secretaria de educa&ccedil;&atilde;o estadual e das universidades Cat&oacute;lica Dom Bosco e Federal de Mato Grosso do Sul, formou uma segunda turma de 53 professores &#91;6&#93;; entre os kootiria, do Alto Rio Negro, que celebraram a primeira formatura da escola Khumuno Wu'u, considerada um marco na educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena da regi&atilde;o e apoiada por um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es, tais como Unicef, Federa&ccedil;&atilde;o das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Rio Negro, Instituto Socioambiental (ISA) e Secretaria Municipal de S&atilde;o Gabriel da Cachoeira &#91;7&#93;; e entre v&aacute;rios povos do Nordeste, que lograram, em 2002, formar 72 professores ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nova meta seria, agora, o ensino universit&aacute;rio. Em 2001, a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Povos Ind&iacute;genas de Roraima (OPIR) solicitou do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o uma posi&ccedil;&atilde;o sobre um conjunto de pleitos, entre os quais a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o de professores ind&iacute;genas ao n&iacute;vel universit&aacute;rio, de modo a atender as exig&ecirc;ncias e garantias da legisla&ccedil;&atilde;o nacional de educa&ccedil;&atilde;o; apoio da Universidade Federal de Roraima para a elabora&ccedil;&atilde;o de proposta e viabiliza&ccedil;&atilde;o de cursos de forma&ccedil;&atilde;o para uma habilita&ccedil;&atilde;o plena dos professores ind&iacute;genas; uma inst&acirc;ncia nacional pass&iacute;vel de articular os v&aacute;rios n&iacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena; e um fundo de financiamento espec&iacute;fico para a educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena &#91;8&#93;. O voto do relator, aprovado por unanimidade, concluiu que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, compreendidas no sistema federal de educa&ccedil;&atilde;o, em especial as institui&ccedil;&otilde;es federais, devem se comprometer com a meta 17 da educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena tal como posta na Lei 10.172/01, ou seja, formular, em dois anos, um plano para a implementa&ccedil;&atilde;o de programas especiais para a forma&ccedil;&atilde;o de professores ind&iacute;genas ao n&iacute;vel superior, atrav&eacute;s da colabora&ccedil;&atilde;o das universidades e institui&ccedil;&otilde;es de n&iacute;vel equivalente. O &uacute;ltimo pleito, considerado digno de aprecia&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o, foi julgado impr&oacute;prio &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, que, todavia, observou que a Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CEB 3/99 contempla a educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena, no n&iacute;vel b&aacute;sico, no &acirc;mbito do Fundo de Manuten&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais um desafio, nova etapa de supera&ccedil;&atilde;o de obst&aacute;culos, novas conquistas. Em 6 de junho de 2006, com certo ufanismo, era anunciada a cola&ccedil;&atilde;o de grau da primeira turma de 198 professores ind&iacute;genas da Am&eacute;rica Latina, um projeto pioneiro desenvolvido pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) mediante parceria com as secretarias estaduais de educa&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia e tecnologia, a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio e a prefeitura de Barra dos Bugres. Iniciado em 2001, o projeto, desenvolvido ao longo de quatro anos de forma&ccedil;&atilde;o geral e um ano de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, compreende as &aacute;reas de ci&ecirc;ncias matem&aacute;ticas e da natureza, ci&ecirc;ncias sociais, e l&iacute;nguas, artes e literatura e atendeu, at&eacute; o presente, um total de 298 professores ind&iacute;genas falantes de 37 l&iacute;nguas e pertencentes a 44 etnias &#91;9&#93;. Logo depois, em janeiro do ano corrente, seria a vez de 15 ind&iacute;genas das etnias guarani e pankararu, integrantes do Projeto Pindorama, conclu&iacute;rem o curso superior em letras, tecnologias e m&iacute;dias digitais, servi&ccedil;o social, pedagogia, enfermagem, contabilidade, direito, administra&ccedil;&atilde;o e economia, uma reivindica&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena atendida conjuntamente pela vice-reitoria comunit&aacute;ria da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP) e da Pastoral Indigenista. Atualmente, 67 alunos ind&iacute;genas estudam na institui&ccedil;&atilde;o &#91;10&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Atualmente, 67 alunos ind&iacute;genas estudam na institui&ccedil;&atilde;o."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um novo curso universit&aacute;rio, de agroecologia, dever&aacute; ser iniciado nesse primeiro trimestre de 2007, preliminarmente para 40 ind&iacute;genas das etnias terena e kadiw&eacute;. Idealizado pelas pr&oacute;prias comunidades ind&iacute;genas, o projeto est&aacute; sendo estruturado pelos governos federal (Minist&eacute;rio do Meio Ambiente em parceria com os Minist&eacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o, Justi&ccedil;a, Desenvolvimento Agr&aacute;rio, Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome e a Funai) e estadual (Instituto de Desenvolvimento Agr&aacute;rio e Extens&atilde;o Rural de Mato Grosso do Sul), em parceria com a Universidade Dom Bosco. O curso ter&aacute; dura&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s anos e meio e objetiva formar profissionais ind&iacute;genas para a gest&atilde;o socioambiental nas aldeias da Bacia do Alto Paraguai, no Mato Grosso do Sul, segundo os saberes tradicionais dos alunos &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Matalaw&ecirc;, jovem l&iacute;der da mais populosa aldeia patax&oacute;, Coroa Vermelha, foi um dos concluintes do curso superior da Unemat. Ele ganhou visibilidade nacional por ocasi&atilde;o da missa "500 anos de Evangeliza&ccedil;&atilde;o do Brasil", celebrada pelo cardeal Angelo Sodano, secret&aacute;rio de Estado do Vaticano, em 26 de abril de 2000, quando, altiva e energicamente, subverteu a disposi&ccedil;&atilde;o espacial dos assentos reservados aos patax&oacute;, na periferia do altar e nos &uacute;ltimos lugares, postando-se no centro, assumindo o controle do ritual e compelindo o sacerdote e personalidades convidadas a ouvi-los. Foi a contrarrea&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena &agrave; violenta repress&atilde;o policial desencadeada contra a Marcha e a Confer&ecirc;ncia Ind&iacute;gena 2000, que reuniu, em Coroa Vermelha, representa&ccedil;&otilde;es de mais de 150 povos ind&iacute;genas, e contra o Movimento Brasil 400 anos de Resist&ecirc;ncia Ind&iacute;gena, Negra e Popular &#91;12&#93;. Graduado em Ci&ecirc;ncias Sociais, ele escolheu como tema da sua monografia a forma&ccedil;&atilde;o e posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as na terra ind&iacute;gena mediante o estudo de caso de Saracura, l&iacute;der origin&aacute;rio da Aldeia de Pedra Branca, na por&ccedil;&atilde;o sul do rec&ocirc;ncavo baiano, que Matalaw&ecirc; caracteriza como l&iacute;der espiritualista, aquele que lidera o povo ind&iacute;gena a partir de um conhecimento espiritual &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde julho de 2006 Matalaw&ecirc; &eacute; secret&aacute;rio de assuntos ind&iacute;genas do munic&iacute;pio de Santa Cruz Cabr&aacute;lia e j&aacute; &eacute; capaz de empreender uma reflex&atilde;o cuidadosa sobre os limites e responsabilidades decorrentes da nova posi&ccedil;&atilde;o: a grande expectativa da comunidade ind&iacute;gena, a impossibilidade de proceder a um planejamento anual devido &agrave; irregularidade nos repasses de recursos, e a possibilidade que se apresenta de fortalecer a causa ind&iacute;gena, o que tem sido obstado pelas dificuldades que se interp&otilde;em &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um trabalho transversal e integrado entre as v&aacute;rias secretarias municipais. Mas ele faz quest&atilde;o de enfatizar o apoio da prefeitura municipal ao recente Encontro de Pesquisadores Patax&oacute;s em torno do Patxoh&atilde;, "L&iacute;ngua do Guerreiro Patax&oacute;" (l&eacute;xicos ind&iacute;genas aplicados &agrave; sintaxe do vern&aacute;culo), que, desde 2003, vem sendo implementada em todas as s&eacute;ries do ensino fundamental, e tentativamente reconstru&iacute;da por um grupo de professores ind&iacute;genas - a maioria dos quais se encontra, presentemente, realizando cursos universit&aacute;rios, na Universidade Federal da Bahia, Universidade de Bras&iacute;lia, Universidade do Norte do Paran&aacute; e em faculdades estabelecidas na regi&atilde;o - que tem se encarregado, tamb&eacute;m, de dissemin&aacute;-la atrav&eacute;s de um processo de aprendizagem coletivo no qual as crian&ccedil;as s&atilde;o agentes fundamentais<a name="3a"></a><sup>&#91;<a href="#3b">iii</a>&#93;</sup>&#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O exemplo dos Patax&oacute;, seguramente n&atilde;o o &uacute;nico, aponta para um cen&aacute;rio que se apresenta como favor&aacute;vel &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o e revitaliza&ccedil;&atilde;o das culturas ind&iacute;genas, tribut&aacute;rio, em larga medida, do processo de escolariza&ccedil;&atilde;o nos tr&ecirc;s graus. No entanto, seria temer&aacute;rio supor que inexistam situa&ccedil;&otilde;es dissonantes, como a que tem sido veiculada em rela&ccedil;&atilde;o ao Parque Ind&iacute;gena do Xingu (PIX). Vozes autorizadas de pessoas mais velhas, no PIX, t&ecirc;m lamentado que os jovens n&atilde;o queiram mais saber dos costumes ind&iacute;genas, notadamente da pajelan&ccedil;a, e que busquem se comportar como os "jovens brancos". Imputar, contudo, &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o a incapacidade de reorientar comportamentos de jovens positivamente impactados perante o efeito-demonstra&ccedil;&atilde;o de bens industrializados e equipamentos urbanos em um contexto, como o xinguano, presentemente amea&ccedil;ado pela lavoura comercial de soja e a pecu&aacute;ria extensiva, assim como pela implanta&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas, como a Paranatinga II, cujas obras, em curso, poder&atilde;o alterar, irreversivelmente, o sistema adaptativo-ecol&oacute;gico e simb&oacute;lico da bacia dos formadores do Xingu &#91;14&#93; seria, ademais, ing&ecirc;nuo, equivocado. O exemplo, ao contr&aacute;rio, demonstra, de modo dramaticamente eloquente, que a educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena n&atilde;o pode, absolutamente, ser dissociada da demarca&ccedil;&atilde;o e integridade dos territ&oacute;rios, do atendimento &agrave; sa&uacute;de, nutri&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o ambiental, mediante pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas continuadas, informadas e avaliadas pelos pr&oacute;prios ind&iacute;genas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Integra&ccedil;&atilde;o da escola &agrave; cultura ind&iacute;gena, de modo a contornar o risco da rela&ccedil;&atilde;o inversa, que faria, mais uma vez, malograr a tentativa de experi&ecirc;ncia intercultural."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas &agrave; guisa de reflex&atilde;o final, &eacute; oportuno evocar o alerta-reflexivo do professor Lucas Ruri'&otilde;, da aldeia Xavante de Idz&ouml;'uhu, na Terra Ind&iacute;gena de Sangradouro, Mato Grosso, quando ele constatou, em 1998, que a escola estava ocupando maior espa&ccedil;o na vida dos alunos (ensino fundamental) do que a cultura ind&iacute;gena, e que, por isso, eles estavam, invariavelmente, pretextando n&atilde;o ter tempo "para deitar ao lado do seu pai ou do av&ocirc; &#91;quando o velho quer passar os seus conhecimentos, os filhos t&ecirc;m obriga&ccedil;&atilde;o de deitar ao lado do seu pai, dos velhos para ouvir os mitos, a hist&oacute;ria&#93; porque tem tarefa, tem aquele torneio, tem jogo, tem passeio"<a name="4a"></a><sup>&#91;<a href="#4b">iv</a>&#93;</sup>&#91;15&#93;. O que ele recomendava e praticava era a integra&ccedil;&atilde;o da escola &agrave; cultura ind&iacute;gena, de modo a contornar o risco da rela&ccedil;&atilde;o inversa, que faria, mais uma vez, malograr a tentativa de experi&ecirc;ncia intercultural.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; T&iacute;tulo VII - da Ordem Social, cap&iacute;tulo III - Da Educa&ccedil;&atilde;o, da Cultura e do Desporto, Artigos 210 e 215 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, 1988 &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; Cap&iacute;tulo II, T&iacute;tulo III, Art. Art. 78 da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional, de 20 dez. 1996 &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3b"></a>&#91;<a href="#3a">iii</a>&#93; Entrevista concedida por Matalaw&ecirc;, a Sarah de Siqueira Miranda, bolsista AP do CNPq no PINEB, em 12 jan. 2007 &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4b"></a>&#91;<a href="#4a">iv</a>&#93; Depoimento de Lucas Ruri'&otilde;, pertencente ao acervo da Associa&ccedil;&atilde;o Xavante War&atilde; e disponibilizado por Hiparidi Toptiro, seu coordenador, a Machado &#91;15&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BRASIL. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988. Bras&iacute;lia: Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, 1988.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. SOUZA, A. C. G. <i>Escola e reafirma&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica</i>: o caso dos patax&oacute; de Barra Velha, Bahia. 2001. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Ci&ecirc;ncia Sociais) - Faculdade de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. CARVALHO, M. R.; SAMPAIO, J. A. L. <i>Relat&oacute;rio apresentado ao curso de forma&ccedil;&atilde;o de professores ind&iacute;genas na Bahia</i>. Aldeia de Barra Velha: MEC/ANAI/UFBA, 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. <i>Diretrizes curriculares nacionais da educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena</i>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o/Conselho Nacional da Educa&ccedil;&atilde;o, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. <i>O Liberal</i>,Link: <i><a href="http://www.oliberal.com.br/index.htm.18.01.2006" target="_blank">http://www.oliberal.com.br/index.htm.18.01.2006</a></i>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.  <i>Clipping</i> da 6ª. CCR do MPF, divulgado na rede@anai.org.br. 16.05.2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). <i>Homepage ISA</i>, 15 maio 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Parecer CNE/CEP 20/2002. Despacho do Ministro em 9/4/2002, publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 11/4/2002, Se&ccedil;&atilde;o I, p.14. Bras&iacute;lia: Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. <i>Clipping</i> da 6ª. CCR do MPF divulgado na rede@anai.org.br 07.06.2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Reda&ccedil;&atilde;o Terra.15.12. 2006</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. FUNDA&Ccedil;&Atilde;O NACIONAL DOS POVOS IND&Iacute;GENAS (FUNAI). <i>Homepage Funai</i>, 8 jan. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. C&Eacute;SAR, A. L. S. <i>Li&ccedil;&otilde;es de abril</i>: constru&ccedil;&atilde;o de autoria entre os patax&oacute; de Coroa Vermelha. 2002. Tese (Doutorado em Lingu&iacute;stica Aplicada) - Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. MIRANDA, S. S. <i>A constru&ccedil;&atilde;o da identidade patax&oacute;</i>: pr&aacute;ticas e significados da experi&ecirc;ncia cotidiana entre crian&ccedil;as da Coroa Vermelha. 2006. Monografia (Gradua&ccedil;&atilde;o em Antropologia e Etnologia) - Faculdade de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Federal da Bahia, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. AG&Ecirc;NCIA BRASIL. <i>Homepage Ag&ecirc;ncia Brasil</i>, Bras&iacute;lia, 7 dez. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. MACHADO, A. M. N. <i>Brincando de ser crian&ccedil;a</i>: contribui&ccedil;&otilde;es da etnologia ind&iacute;gena brasileira &agrave; antropologia da inf&acirc;ncia. 2003. Tese (Doutorado em Antropologia) - Departamento de Antropologia, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa - ISCTE, Lisboa, 2003.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   CARVALHO, M. R. Os &iacute;ndios pedem passagem. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 59, n. 2, 2007.    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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