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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Clonagem e c&eacute;lulas-tronco</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mayana Zatz</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora titular de gen&eacute;tica humana e m&eacute;dica do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da USP; coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano-IB-USP e coordenadora do CEPID/Fapesp Centro de Pesquisas do Genoma Humano e c&eacute;lulas-tronco (CEGHCEL). Foi presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Distrofia Muscular e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (1981-2013)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A proposta dessa s&eacute;rie de artigos foi reunir opini&otilde;es de cientistas, de um professor de &eacute;tica e de uma m&atilde;e de uma crian&ccedil;a afetada por uma grave doen&ccedil;a neurodegenerativa (ainda incur&aacute;vel) em torno do tema clonagem. Por outro lado, ainda existe muita confus&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos conceitos de clonagem (reprodutiva e terap&ecirc;utica), c&eacute;lulas-tronco (embrion&aacute;rias e n&atilde;o embrion&aacute;rias) e como isso pode afetar as nossas vidas. Portanto, a proposta deste artigo &eacute; o de tentar definir esses conceitos e expressar a minha posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; como cientista, mas tamb&eacute;m como representante de in&uacute;meras fam&iacute;lias que veem nessa nova tecnologia uma esperan&ccedil;a de cura para uma s&eacute;rie de doen&ccedil;as neurodegenerativas, muitas vezes letais ou gravemente incapacitantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Clonagem; C&eacute;lulas-tronco; Doen&ccedil;as neurodegenerativas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O que &eacute; clonagem? </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A clonagem &eacute; um mecanismo comum de propaga&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie em plantas ou bact&eacute;rias. De acordo com Webber (1903), um clone &eacute; definido como uma popula&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas, c&eacute;lulas ou organismos que se originaram de uma &uacute;nica c&eacute;lula e que s&atilde;o id&ecirc;nticas &agrave; c&eacute;lula original e entre elas. Em humanos, os clones naturais s&atilde;o os g&ecirc;meos id&ecirc;nticos que se originam da divis&atilde;o de um &oacute;vulo fertilizado. A grande revolu&ccedil;&atilde;o da Dolly, que abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana, foi a demonstra&ccedil;&atilde;o, pela primeira vez, que era poss&iacute;vel clonar um mam&iacute;fero, isto &eacute;, produzir uma c&oacute;pia geneticamente id&ecirc;ntica a partir de uma c&eacute;lula som&aacute;tica diferenciada. Para entendermos porque essa experi&ecirc;ncia foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a18fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos n&oacute;s j&aacute; fomos uma c&eacute;lula &uacute;nica, resultante da fus&atilde;o de um &oacute;vulo e um espermatozoide. Esta primeira c&eacute;lula j&aacute; tem no seu n&uacute;cleo o DNA com toda a informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica para gerar um novo ser. O DNA nas c&eacute;lulas fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exce&ccedil;&atilde;o das nossas c&eacute;lulas sexuais, o &oacute;vulo e o espermatozoide que t&ecirc;m 23 cromossomos, todas as outras c&eacute;lulas do nosso corpo tem 46 cromossomos. Em cada c&eacute;lula, temos 22 pares iguais nos dois sexos, chamados autossomos e um par de cromossomos sexuais: XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. Essas c&eacute;lulas com 46 cromossomos s&atilde;o chamadas de c&eacute;lulas som&aacute;ticas. Voltemos, agora, &agrave; nossa primeira c&eacute;lula resultante da fus&atilde;o do &oacute;vulo e do espermatozoide. Logo ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o, ela come&ccedil;a a se dividir: uma c&eacute;lula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos at&eacute; a fase de 8 c&eacute;lulas, cada uma delas &eacute; capaz de se desenvolver em um ser humano completo. S&atilde;o chamadas de totipotentes. Na fase de 8 a 16 c&eacute;lulas, as c&eacute;lulas do embri&atilde;o se diferenciam em dois grupos: um grupo de c&eacute;lulas externas que v&atilde;o originar a placenta e anexos embrion&aacute;rios, e uma massa de c&eacute;lulas internas que originar&aacute; o embri&atilde;o propriamente dito. Ap&oacute;s 72 horas, este embri&atilde;o agora com cerca de 100 c&eacute;lulas &eacute; chamado de blastocisto. &Eacute; nesta fase que ocorre a implanta&ccedil;&atilde;o do embri&atilde;o na cavidade uterina. As c&eacute;lulas internas do blastocisto v&atilde;o originar as centenas de tecidos que comp&otilde;em o corpo humano. S&atilde;o chamadas de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias pluripotentes. A partir de um determinado momento, essas c&eacute;lulas som&aacute;ticas que ainda s&atilde;o todas iguais come&ccedil;am a se diferenciar nos v&aacute;rios tecidos que v&atilde;o compor o organismo: sangue, f&iacute;gado, m&uacute;sculos, c&eacute;rebro, ossos etc. Os genes que controlam esta diferencia&ccedil;&atilde;o e o processo pelo qual isso ocorre ainda s&atilde;o um mist&eacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que sabemos &eacute; que, uma vez diferenciadas, as c&eacute;lulas som&aacute;ticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As c&eacute;lulas descendentes de uma c&eacute;lula diferenciada v&atilde;o manter as mesmas caracter&iacute;sticas daquela que as originou, isto &eacute;, c&eacute;lulas de f&iacute;gado v&atilde;o originar c&eacute;lulas de f&iacute;gado, c&eacute;lulas musculares v&atilde;o originar c&eacute;lulas musculares e assim por diante. Apesar de o n&uacute;mero de genes e do DNA ser igual em todas as c&eacute;lulas do nosso corpo, os genes nas c&eacute;lulas som&aacute;ticas diferenciadas se expressam de maneiras diferentes em cada tecido, isto &eacute;, a express&atilde;o g&ecirc;nica &eacute; espec&iacute;fica para cada tecido. Com exce&ccedil;&atilde;o dos genes respons&aacute;veis pela manuten&ccedil;&atilde;o do metabolismo celular (<i>housekeeping genes</i>), que se mant&eacute;m ativos em todas as c&eacute;lulas do organismo, s&oacute; ir&atilde;o funcionar em cada tecido ou &oacute;rg&atilde;o os genes importantes para a manuten&ccedil;&atilde;o deste. Os outros se mant&ecirc;m "silenciados" ou inativos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O processo de clonagem reprodutiva</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A grande not&iacute;cia da Dolly foi justamente a descoberta que uma c&eacute;lula som&aacute;tica de mam&iacute;fero, j&aacute; diferenciada, poderia ser reprogramada ao est&aacute;gio inicial e voltar a ser totipotente. Isso foi conseguido por meio da transfer&ecirc;ncia do n&uacute;cleo de uma c&eacute;lula som&aacute;tica da gl&acirc;ndula mam&aacute;ria da ovelha que originou a Dolly para um &oacute;vulo enucleado. Surpreendentemente, este come&ccedil;ou a comportar-se como um &oacute;vulo rec&eacute;m-fecundado por um espermatozoide. Isso provavelmente ocorreu porque o &oacute;vulo quando fecundado tem mecanismos, para n&oacute;s ainda desconhecidos, para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, ocorrendo no processo normal de fertiliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para obten&ccedil;&atilde;o de um clone, este &oacute;vulo enucleado, no qual foi transferido o n&uacute;cleo da c&eacute;lula som&aacute;tica, foi inserido em um &uacute;tero de outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o n&uacute;cleo de uma c&eacute;lula som&aacute;tica, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma crian&ccedil;a ou adulto, inserir este n&uacute;cleo em um &oacute;vulo e implant&aacute;-lo em um &uacute;tero (que funcionaria como uma barriga de aluguel). Se este &oacute;vulo se desenvolver, teremos um novo ser com as mesmas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas da crian&ccedil;a ou adulto de quem foi retirada a c&eacute;lula som&aacute;tica. Seria como um g&ecirc;meo id&ecirc;ntico nascido posteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; sabemos que n&atilde;o &eacute; um processo f&aacute;cil. Dolly s&oacute; nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Al&eacute;m disso, dentre as 277 c&eacute;lulas "da m&atilde;e de Dolly" que foram inseridas em um &oacute;vulo sem n&uacute;cleo, 90% n&atilde;o alcan&ccedil;aram nem o est&aacute;gio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mam&iacute;feros, tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado, tamb&eacute;m mostra uma efici&ecirc;ncia muito baixa e uma propor&ccedil;&atilde;o muito grande de abortos e embri&otilde;es malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma c&eacute;lula som&aacute;tica adulta, em 2002, morreu com pouco mais de um m&ecirc;s. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do <i>copy cat,</i> o primeiro gato de estima&ccedil;&atilde;o clonado a partir de uma c&eacute;lula som&aacute;tica adulta. Para isso, foram utilizados 188 &oacute;vulos que geraram 87 embri&otilde;es e apenas um animal vivo. Na realidade, experi&ecirc;ncias recentes com diferentes modelos animais mostram que essa reprograma&ccedil;&atilde;o dos genes, para o est&aacute;gio embrion&aacute;rio, o processo que originou Dolly, &eacute; extremamente dif&iacute;cil.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discuss&otilde;es &eacute;ticas."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O grupo liderado por Ian Wilmut, o cientista escoc&ecirc;s que se tornou famoso por essa experi&ecirc;ncia, afirma que praticamente todos os animais clonados nos &uacute;ltimos anos a partir de c&eacute;lulas n&atilde;o embrion&aacute;rias est&atilde;o com problemas &#91;1&#93;. Entre os diferentes defeitos observados nos pouqu&iacute;ssimos animais que nasceram vivos ap&oacute;s in&uacute;meras tentativas, observa-se: tel&ocirc;meros encurtados; placentas anormais; gigantismo em ovelhas e gado; defeitos card&iacute;acos em porcos; problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos; problemas imunol&oacute;gicos; falha na produ&ccedil;&atilde;o de leuc&oacute;citos; defeitos musculares em carneiros. De acordo com Hochedlinger e Jaenisch &#91;2&#93;, os avan&ccedil;os recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclus&otilde;es importantes:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1) A maioria dos clones morre no in&iacute;cio da gesta&ccedil;&atilde;o;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2) Os animais clonados t&ecirc;m defeitos e anormalidades semelhantes, independentemente da c&eacute;lula doadora ou da esp&eacute;cie;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3) Essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprograma&ccedil;&atilde;o do genoma;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4) A efici&ecirc;ncia da clonagem depende do est&aacute;gio de diferencia&ccedil;&atilde;o da c&eacute;lula doadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, a clonagem reprodutiva a partir de c&eacute;lulas embrion&aacute;rias mostra uma efici&ecirc;ncia de 10 a 20 vezes maior, provavelmente, porque os genes, fundamentais no in&iacute;cio da embriog&ecirc;nese, est&atilde;o ainda ativos no genoma da c&eacute;lula doadora &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; interessante que, dentre todos os mam&iacute;feros que j&aacute; foram clonados, a efici&ecirc;ncia &eacute; um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante &eacute; que ainda n&atilde;o se tem not&iacute;cias de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren afirme que as falhas na reprograma&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo som&aacute;tico podem se constituir em uma barreira intranspon&iacute;vel para a clonagem humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo assim, pessoas como o m&eacute;dico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, um procedimento que tem sido proibido em todos os pa&iacute;ses. De fato, um documento assinado pelas academias de ci&ecirc;ncias de 63 pa&iacute;ses, inclusive o Brasil, em 2003, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana. O fato &eacute; que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discuss&otilde;es &eacute;ticas em todos os segmentos da sociedade, tais como: Por que clonar? Quem deveria ser clonado? Quem iria decidir? Quem ser&aacute; o pai ou a m&atilde;e do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na realidade, o maior problema &eacute;tico atual &eacute; o enorme risco biol&oacute;gico associado &agrave; clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os pr&oacute;s e os contras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; libera&ccedil;&atilde;o de uma medica&ccedil;&atilde;o nova, cujos efeitos s&atilde;o devastadores e ainda totalmente incontrol&aacute;veis (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a18fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de todos esses argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experi&ecirc;ncias com animais clonados t&ecirc;m nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transfer&ecirc;ncia de n&uacute;cleo para fins terap&ecirc;uticos, a chamada clonagem terap&ecirc;utica, poder&aacute; ser extremamente &uacute;til para a obten&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A t&eacute;cnica de clonagem terap&ecirc;utica para a obten&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se pegarmos esse mesmo &oacute;vulo cujo n&uacute;cleo foi substitu&iacute;do por um de uma c&eacute;lula som&aacute;tica e, ao inv&eacute;s de inseri-lo em um &uacute;tero, deixarmos que ele se divida no laborat&oacute;rio, teremos a possibilidade de usar essas c&eacute;lulas, que na fase de blastocisto s&atilde;o pluripotentes, para fabricar diferentes tecidos. Isso abriria perspectivas fant&aacute;sticas para futuros tratamentos porque, hoje, s&oacute; em laborat&oacute;rio se consegue cultivar c&eacute;lulas com as mesmas caracter&iacute;sticas do tecido de onde foram retiradas. &Eacute; importante que as pessoas entendam que na clonagem para fins terap&ecirc;uticos ser&atilde;o gerados s&oacute; tecidos, em laborat&oacute;rio, sem implanta&ccedil;&atilde;o no &uacute;tero. N&atilde;o se trata de clonar um feto at&eacute; alguns meses dentro do &uacute;tero para depois lhe retirar os &oacute;rg&atilde;os como alguns acreditam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma pesquisa que acaba de ser publicada na revista <i>ScienceExpress</i> por um grupo de cientistas coreanos &#91;3&#93; confirma a possibilidade de obter-se c&eacute;lulas-tronco pluripotentes, a partir da t&eacute;cnica de clonagem terap&ecirc;utica ou transfer&ecirc;ncia de n&uacute;cleos (TN). O trabalho foi feito gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de 16 mulheres volunt&aacute;rias que doaram ao todo 242 &oacute;vulos e c&eacute;lulas "<i>cumulus</i>" (c&eacute;lulas que ficam ao redor dos &oacute;vulos) para contribuir com pesquisas visando &agrave; clonagem terap&ecirc;utica. As c&eacute;lulas <i>cumulus</i>, que j&aacute; s&atilde;o c&eacute;lulas diferenciadas, foram transferidas para os &oacute;vulos dos quais haviam sido retirados os pr&oacute;prios n&uacute;cleos. Dentre esses, 25% conseguiram se dividir e chegar ao est&aacute;gio de blastocisto e capazes, portanto, de produzir linhagens de c&eacute;lulas-tronco pluripotentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A clonagem terap&ecirc;utica teria a vantagem de evitar rejei&ccedil;&atilde;o se o doador fosse a pr&oacute;pria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em algu&eacute;m que se tornou parapl&eacute;gico ap&oacute;s um acidente ou para substituir o tecido card&iacute;aco em uma pessoa que sofreu um infarto. Entretanto, essa t&eacute;cnica tem suas limita&ccedil;&otilde;es. O doador n&atilde;o poderia ser a pr&oacute;pria pessoa no caso de afetados por doen&ccedil;as gen&eacute;ticas, pois a muta&ccedil;&atilde;o patog&ecirc;nica causadora da doen&ccedil;a est&aacute; presente em todas as c&eacute;lulas. No caso de usar-se linhagens de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias de outra pessoa ter-se-ia, tamb&eacute;m, o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de um afetado por distrofia muscular progressiva que necessita substituir seu tecido muscular. Ele n&atilde;o poderia utilizar-se de suas pr&oacute;prias c&eacute;lulas-tronco, mas de um doador compat&iacute;vel que poderia ser eventualmente um parente pr&oacute;ximo. Al&eacute;m disso, n&atilde;o sabemos se no caso de c&eacute;lulas obtidas de uma pessoa idosa, por exemplo, com doen&ccedil;a de Alzheimer, se as c&eacute;lulas clonadas teriam a mesma idade do doador ou seriam c&eacute;lulas jovens. Outra quest&atilde;o em aberto seria a reprograma&ccedil;&atilde;o dos genes que poderiam inviabilizar o processo dependendo do tecido ou do &oacute;rg&atilde;o a ser substitu&iacute;do. Em resumo, por mais que sejamos favor&aacute;veis &agrave; clonagem terap&ecirc;utica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento cl&iacute;nico. Por esse motivo, a grande esperan&ccedil;a no curto prazo para a terapia celular vem da utiliza&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco de outras fontes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Terapia celular com outras fontes de c&eacute;lulas-tronco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>a) Indiv&iacute;duos adultos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem c&eacute;lulas-tronco em v&aacute;rios tecidos (como medula &oacute;ssea, sangue, f&iacute;gado) de crian&ccedil;as e adultos. Entretanto, a quantidade &eacute; pequena e n&atilde;o sabemos ainda em que tecidos s&atilde;o capazes de se diferenciar. Pesquisas recentes mostraram que c&eacute;lulas-tronco retiradas da medula de indiv&iacute;duos com problemas card&iacute;acos foram capazes de reconstituir o m&uacute;sculo do seu cora&ccedil;&atilde;o abrindo perspectivas fant&aacute;sticas de tratamento para pessoas com problemas card&iacute;acos. Mas a maior limita&ccedil;&atilde;o dessa t&eacute;cnica, o autotransplante, &eacute; que ela n&atilde;o serviria para portadores de doen&ccedil;as gen&eacute;ticas. &Eacute; importante se lembrar de que as doen&ccedil;as gen&eacute;ticas afetam 3-4% das crian&ccedil;as que nascem. Ou seja, mais de 5 milh&otilde;es de brasileiros para uma popula&ccedil;&atilde;o atual de 170 milh&otilde;es de pessoas. &Eacute; verdade que nem todas as doen&ccedil;as gen&eacute;ticas poderiam ser tratadas com c&eacute;lulas-tronco, mas se pensarmos somente nas doen&ccedil;as neuromusculares degenerativas, que afetam uma em cada 1 mil pessoas, estamos falando de quase 200 mil pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>b) Cord&atilde;o umbilical e placenta</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisas recentes v&ecirc;m mostrando que o sangue do cord&atilde;o umbilical e da placenta s&atilde;o ricos em c&eacute;lulas-tronco. Entretanto, tamb&eacute;m n&atilde;o sabemos ainda qual &eacute; o potencial de diferencia&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas em diferentes tecidos. Um trabalho que acaba de ser publicado por pesquisadores da Duke University sugere que s&atilde;o capazes de se diferenciar em m&uacute;sculo card&iacute;aco e sistema nervoso, um resultado extremamente animador. Se as pesquisas com c&eacute;lulas-tronco de cord&atilde;o umbilical derem os resultados esperados, isto &eacute;, se forem realmente capazes de regenerar tecidos ou &oacute;rg&atilde;os, essa ser&aacute; certamente uma not&iacute;cia fant&aacute;stica porque n&atilde;o envolveria quest&otilde;es &eacute;ticas. Ter&iacute;amos, ent&atilde;o, que resolver o problema de compatibilidade entre as c&eacute;lulas-tronco do cord&atilde;o doador e o receptor. Para isso ser&aacute; necess&aacute;rio criar, com a maior urg&ecirc;ncia, bancos p&uacute;blicos de cord&atilde;o &agrave; semelhan&ccedil;a dos bancos de sangue, como mostrado pela doutora Patr&iacute;cia Pranke em seu artigo na p&aacute;gina 39. Isto porque se sabe que quanto maior o n&uacute;mero de amostras de cord&atilde;o em um banco, maior a chance de achar um compat&iacute;vel. Experi&ecirc;ncias recentes j&aacute; demonstraram que o sangue do cord&atilde;o umbilical &eacute; o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso a cria&ccedil;&atilde;o de bancos de cord&atilde;o &eacute; uma prioridade que j&aacute; se justifica somente para o tratamento de doen&ccedil;as sangu&iacute;neas, mesmo antes de confirmarmos o resultado de outras pesquisas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"N&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil doar um &oacute;vulo do que um rim?"</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>c) C&eacute;lulas embrion&aacute;rias</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se as c&eacute;lulas-tronco de cord&atilde;o n&atilde;o forem pluripotentes, a alternativa ser&aacute; o uso de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias obtidas de embri&otilde;es n&atilde;o utilizados, descartados em cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o. Os opositores ao uso de c&eacute;lulas embrion&aacute;rias para fins terap&ecirc;uticos argumentam que isso poderia gerar um com&eacute;rcio de &oacute;vulos ou que haveria destrui&ccedil;&atilde;o de "embri&otilde;es humanos" e n&atilde;o &eacute; &eacute;tico destruir uma vida para salvar outra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aspectos &eacute;ticos </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar desses argumentos, o uso de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias para fins terap&ecirc;uticos, obtidas tanto pela transfer&ecirc;ncia de n&uacute;cleo como de embri&otilde;es descartados em cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; defendido pelas in&uacute;meras pessoas que poder&atilde;o se beneficiar por essa t&eacute;cnica, e pela maioria dos cientistas. De fato, as 63 academias de ci&ecirc;ncia do mundo que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva defendem as pesquisas com c&eacute;lulas embrion&aacute;rias para fins terap&ecirc;uticos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos que acham que a clonagem terap&ecirc;utica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva, devemos nos lembrar de que existe uma diferen&ccedil;a intranspon&iacute;vel entre os dois procedimentos: a implanta&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o em um &uacute;tero humano. Basta proibir a implanta&ccedil;&atilde;o no &uacute;tero! Se pensarmos que qualquer c&eacute;lula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cut&iacute;cula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o n&uacute;cleo de uma c&eacute;lula da cut&iacute;cula poderia ser colocado em um &oacute;vulo enucleado, inserido em um &uacute;tero e gerar uma nova vida!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, a cultura de tecidos &eacute; uma pr&aacute;tica comum em laborat&oacute;rio, apoiada por todos. A &uacute;nica diferen&ccedil;a no caso seria o uso de &oacute;vulos (que quando n&atilde;o fecundados s&atilde;o apenas c&eacute;lulas) que permitiriam a produ&ccedil;&atilde;o de qualquer tecido no laborat&oacute;rio. Ou seja, ao inv&eacute;s de poder produzir-se apenas um tipo de tecido, j&aacute; especializado, o uso de &oacute;vulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que h&aacute; de anti&eacute;tico nisso?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto ao com&eacute;rcio de &oacute;vulos, n&atilde;o seria a mesma coisa que ocorre hoje com transplante de &oacute;rg&atilde;os? N&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil doar um &oacute;vulo do que um rim? Cada uma de n&oacute;s pode se perguntar: voc&ecirc; doaria um &oacute;vulo para ajudar algu&eacute;m? Para salvar uma vida?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de "embri&otilde;es humanos", de novo devemos nos lembrar de que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, &oacute;rg&atilde;os a partir de embri&otilde;es normalmente descartados, que nunca ser&atilde;o inseridos em um &uacute;tero. Sabemos que 90% dos embri&otilde;es gerados em cl&iacute;nicas de fertiliza&ccedil;&atilde;o e que s&atilde;o inseridos em um &uacute;tero, nas melhores condi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o geram vida. Al&eacute;m disso, um trabalho recente &#91;4&#93; mostrou que c&eacute;lulas obtidas de embri&otilde;es de m&aacute; qualidade, que n&atilde;o teriam potencial para gerar uma vida, mant&ecirc;m a capacidade de gerar linhagens de c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias e, portanto, de gerar tecidos. Em resumo, &eacute; justo deixar morrer uma crian&ccedil;a ou um jovem afetado por uma doen&ccedil;a neuromuscular letal para preservar um embri&atilde;o cujo destino &eacute; o lixo? Um embri&atilde;o que mesmo que fosse implantado em um &uacute;tero teria um potencial baix&iacute;ssimo de gerar um indiv&iacute;duo? Ao usar c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doen&ccedil;a letal, n&atilde;o estamos na realidade criando vida? Isso n&atilde;o &eacute; compar&aacute;vel ao que se faz hoje em transplante quando se retira os &oacute;rg&atilde;os de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; extremamente importante que as pessoas entendam a diferen&ccedil;a entre clonagem humana, clonagem terap&ecirc;utica e terapia celular com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias ou n&atilde;o. A maioria dos pa&iacute;ses da comunidade europeia, o Canad&aacute;, a Austr&aacute;lia, o Jap&atilde;o, a China, a Coreia e Israel aprovaram pesquisas com c&eacute;lulas embrion&aacute;rias de embri&otilde;es at&eacute; 14 dias. Essa &eacute; tamb&eacute;m a posi&ccedil;&atilde;o das academias de ci&ecirc;ncia de 63 pa&iacute;ses, inclusive o Brasil. &Eacute; fundamental que a nossa legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m aprove essas pesquisas, porque elas poder&atilde;o salvar in&uacute;meras vidas!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. RHIND, S. M.; TAYLOR, J. E.; SOUSA, P. A.; KING, T. U. I.; MCGARRY, M.; WILMUT, I. Human cloning: can it be made safe? <i>Nature reviews: </i>Genetics, London, v. 4, n. 11, p. 855-864, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. HOCHEDLINGER, K.; JAENISCH, R. Nuclear transplantation, embryonic stem cells and the potential for cell therapy. <i>The New England Journal of Medicine</i>, Boston, v. 349, n. 3, p. 275-286, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. HWANG, S. W.; RYU, Y. J.; PARK, J. H.; PARK, E. S.; LEE, E. G.; KOO, J. M. <i>et al</i>. Evidence of a pluripotent human embryonic stem cell line derived from a cloned blastocyst. <i>Science</i>, New York, v. 303, n. 5664, p. 1669-1674, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. MITALIPOVA, M.; CALHOUN, J.; SHIN, S.; WININGER, D. <i>et al</i>.: Human embryonic stem cells lines derived from discarded embryos. <i>Stem cells</i>, Dayton, v. 21, n. 5, p. 521-526, 2003.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <br>   ZATZ, M.  Clonagem e c&eacute;lulas-tronco. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 56, n. 3, 2004.    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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