<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252024000200020</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240040</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avanços científicos relacionados às doenças do Sistema Nervoso]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cavalheiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Esper A.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1 "/>
<xref ref-type="aff" rid="A A"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Unifesp Escola Paulista de Medicina Departamento de Neurologia e Neurocirurgia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,International League Against Epilepsy Academia Brasileira de Ciências ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA3">
<institution><![CDATA[,International Bureau of Epilepsy  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<volume>76</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>07</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252024000200020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252024000200020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252024000200020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Através de um percurso individual, este trabalho põe em evidência os principais avanços científicos da neurociência e sua contribuição para o tratamento das mais frequentes doenças neurológicas.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Neurociência]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Enxaqueca]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Demências]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença de Parkinson]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Epilepsia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Acidente Vascular Cerebral]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Avan&ccedil;os cient&iacute;ficos relacionados &agrave;s doen&ccedil;as do Sistema Nervoso</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Esper A. Cavalheiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor em&eacute;rito do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). &Eacute; membro titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, da International League Against Epilepsy e do International Bureau of Epilepsy. Foi presidente do CNPq e secret&aacute;rio de pol&iacute;ticas e programas de ci&ecirc;ncia e tecnologia do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCTI)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s de um percurso individual, este trabalho p&otilde;e em evid&ecirc;ncia os principais avan&ccedil;os cient&iacute;ficos da neuroci&ecirc;ncia e sua contribui&ccedil;&atilde;o para o tratamento das mais frequentes doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Neuroci&ecirc;ncia; Enxaqueca; Dem&ecirc;ncias; Doen&ccedil;a de Parkinson; Epilepsia; Acidente Vascular Cerebral.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Meu interesse pelo estudo do Sistema Nervoso come&ccedil;ou logo no primeiro ano de medicina. As principais c&eacute;lulas, os neur&ocirc;nios, com as formas de estrelas ou de cometas, fascinavam-me ao imagin&aacute;-las conduzindo sinais respons&aacute;veis pela minha vis&atilde;o ou pelo som das m&uacute;sicas dos Beatles que eu ouvia entusiasmado. Foi fascinante conhecer os m&uacute;ltiplos trajetos das vias que conectavam o c&eacute;rebro aos m&uacute;sculos e que, ao final, impulsionavam o movimento das articula&ccedil;&otilde;es em gestos perfeitos "para abra&ccedil;ar seu irm&atilde;o ou beijar sua menina na rua". Tais experi&ecirc;ncias abriram portas que deram novo sentido aos meus estudos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi com a mesma dedica&ccedil;&atilde;o que dei os primeiros passos na compreens&atilde;o dos dist&uacute;rbios do Sistema Nervoso, que - em conjunto - s&atilde;o denominados de doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas. A palavra "neuroci&ecirc;ncia", compreendendo o conjunto de todas as &aacute;reas que estudam as fun&ccedil;&otilde;es do Sistema Nervoso, s&oacute; passou a ser usada alguns anos mais tarde, &agrave; medida que novas metodologias permitiram o crescimento vertiginoso do conhecimento sobre as estruturas cerebrais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, compreendi que aquele conhecimento que tanto me fascinava ainda n&atilde;o conseguia auxiliar ou tratar as pessoas que padeciam das doen&ccedil;as do Sistema Nervoso. Naquela &eacute;poca, ouvia-se - com certa frequ&ecirc;ncia - que a Neurologia conseguia fazer diagn&oacute;sticos excelentes, mas que os tratamentos eram frustrantes. Foram nessas circunst&acirc;ncias que tomei a decis&atilde;o de me dedicar ao conhecimento das bases subjacentes &agrave;s doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas e auxiliar na busca de abordagens terap&ecirc;uticas que pudessem contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas com dist&uacute;rbios neurol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi &oacute;timo compreender que v&aacute;rios pesquisadores ao redor do mundo estavam trabalhando nesta mesma dire&ccedil;&atilde;o e, assim, ao longo dos anos, foi poss&iacute;vel verificar a cria&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios grupos e centros dedicados exclusivamente &agrave;s neuroci&ecirc;ncias. O conhecimento cresceu exponencialmente, novas tecnologias foram surgindo e novos medicamentos para o tratamento das doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas foram descobertos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A d&eacute;cada de 1990 foi declarada a "D&eacute;cada do C&eacute;rebro". Esta declara&ccedil;&atilde;o foi liderada pelo governo dos Estados Unidos da Am&eacute;rica e a causa foi abra&ccedil;ada por quase todos os pa&iacute;ses proficientes em ci&ecirc;ncias. Mais recursos financeiros foram destinados &agrave;s investiga&ccedil;&otilde;es neurocient&iacute;ficas, a forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos por meio do doutorado e do p&oacute;s-doutorado foi pujante, e os diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o come&ccedil;aram a perceber que uma nova era come&ccedil;ava.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vamos, ent&atilde;o, ver quais mudan&ccedil;as aconteceram e quais os resultados mais importantes desse avan&ccedil;o da pesquisa em neuroci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos pontos mais vibrantes est&aacute; relacionado ao avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico que permitiu uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o na forma de estudar e compreender o sistema nervoso normal e doente. Um exemplo marcante desse avan&ccedil;o situa-se na busca da imagem do sistema nervoso. Quando comecei a trabalhar, n&atilde;o havia forma de ver e observar o sistema nervoso de um ser humano vivo. Excepcionalmente, uma pequena janela podia ser aberta na calota craniana para a retirada de um tumor durante um ato neurocir&uacute;rgico, mas o que se via era quase nada. As radiografias mostravam apenas os ossos do cr&acirc;nio e algumas &aacute;reas mais ou menos claras. A tomografia abriu uma nova era no estudo do sistema nervoso central, j&aacute; que permite ver com certos detalhes as principais estruturas do enc&eacute;falo. A partir da&iacute;, os avan&ccedil;os foram mais r&aacute;pidos, possibilitando a constru&ccedil;&atilde;o do tom&oacute;grafo por emiss&atilde;o de p&oacute;sitrons (PET) que, com o uso de uma subst&acirc;ncia radioativa de vida muito curta, permite a observa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas com metabolismo aumentado em compara&ccedil;&atilde;o com as demais. Quase que simultaneamente, surgiu a imagem por resson&acirc;ncia magn&eacute;tica que melhorou em muito a visibilidade das diferentes &aacute;reas cerebrais. A jun&ccedil;&atilde;o da tecnologia do PET com aquela da resson&acirc;ncia magn&eacute;tica levou ao surgimento da resson&acirc;ncia magn&eacute;tica funcional, que permite ver as &aacute;reas cerebrais ativas durante a execu&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas do sistema nervoso, como o movimento, a audi&ccedil;&atilde;o, a vis&atilde;o, as emo&ccedil;&otilde;es etc. Hoje, a imagem molecular do sistema nervoso permite o estudo de altera&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas ao n&iacute;vel intracelular, isto &eacute;, podemos visualizar se determinado grupo de neur&ocirc;nios est&aacute; com fun&ccedil;&atilde;o alterada e se tal altera&ccedil;&atilde;o pode ser adequadamente corrigida (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a20fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"O avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico permitiu uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o na forma de estudar e compreender o sistema nervoso normal e doente."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra forma interessante de conhecer a atividade funcional do c&eacute;rebro foi criada em 1933, o eletroencefalograma, que registra a atividade el&eacute;trica das &aacute;reas diretamente abaixo dos eletrodos colocados no couro cabeludo. Conhecendo-se o registro de pessoas sem doen&ccedil;as do sistema nervoso durante as diferentes fases do dia e da noite, pode-se comparar o tra&ccedil;ado obtido em pessoas com doen&ccedil;as do sistema nervoso e entender em qual regi&atilde;o do c&eacute;rebro essa altera&ccedil;&atilde;o est&aacute; ocorrendo. A jun&ccedil;&atilde;o das metodologias de imagem com aquelas do eletroencefalograma nos ajuda, cada vez mais, a entender as altera&ccedil;&otilde;es cerebrais, onde elas est&atilde;o ocorrendo, qual &eacute; o tipo de altera&ccedil;&atilde;o, quais repercuss&otilde;es essas altera&ccedil;&otilde;es podem ter em outras &aacute;reas do c&eacute;rebro ou em outros &oacute;rg&atilde;os do corpo, quais s&atilde;o as alternativas terap&ecirc;uticas mais adequadas para cada caso e como auxiliar o paciente e seus pr&oacute;ximos a compreender o diagn&oacute;stico e as terapias propostas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alguns progressos sobre o conhecimento do sistema nervoso</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das grandes novidades foi o reconhecimento de que os neur&ocirc;nios, em certas regi&otilde;es cerebrais, podem ser gerados ao longo de toda a vida. Antes, acreditava-se que um neur&ocirc;nio morto n&atilde;o poderia mais ser substitu&iacute;do, fato que continua verdadeiro para muitas regi&otilde;es cerebrais. Entretanto, c&eacute;lulas imaturas que, quando necess&aacute;rio, transformam-se em neur&ocirc;nios adultos, est&atilde;o presentes em nichos localizados em regi&otilde;es espec&iacute;ficas, com c&eacute;lulas embrion&aacute;rias semelhantes &agrave;quelas vistas em v&aacute;rios outros &oacute;rg&atilde;os do corpo e que tamb&eacute;m se desenvolvem quando c&eacute;lulas adultas morrem. Por&eacute;m, no sistema nervoso, este amadurecimento de c&eacute;lulas s&oacute; ocorre quando esse sistema envia sinais muito evidentes que induzem essa transforma&ccedil;&atilde;o. Diferentemente da pele onde, ap&oacute;s uma les&atilde;o pequena, c&eacute;lulas embrion&aacute;rias s&atilde;o imediatamente chamadas para repor as perdidas pela escoria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Impulsionados pelos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, os neurocientistas hoje trabalham em &aacute;reas muito pr&oacute;ximas &agrave; fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro avan&ccedil;o importante que tem auxiliado bastante a evolu&ccedil;&atilde;o do conhecimento sobre o sistema nervoso foi a descoberta de que c&eacute;lulas adultas, de quase todas as partes do corpo, podem ser induzidas a se transformarem em c&eacute;lulas "quase embrion&aacute;rias" e que, por essa raz&atilde;o, s&atilde;o chamadas de c&eacute;lulas pluripotentes. Isto &eacute;, elas podem ser estimuladas a se transformarem em c&eacute;lulas adultas de v&aacute;rios, mas n&atilde;o de todos os &oacute;rg&atilde;os (n&atilde;o s&atilde;o totipotentes) &#91;1&#93;. Com esse conhecimento, pesquisadores de v&aacute;rias partes do mundo come&ccedil;aram a selecionar c&eacute;lulas que pudessem, com est&iacute;mulos adequados, se transformarem em c&eacute;lulas embrion&aacute;rias t&iacute;picas do sistema nervoso. Hoje sabemos que algumas c&eacute;lulas adultas, como aquelas presentes na pele, na saliva ou no sangue, s&atilde;o candidatas ideais para se transformarem em c&eacute;lulas nervosas adultas. Assim, c&eacute;lulas de pessoas normais ou com doen&ccedil;as de v&aacute;rios tipos do sistema nervoso t&ecirc;m sido cultivadas em laborat&oacute;rios para que se possa compreender os mecanismos mais &iacute;ntimos ligados &agrave;s doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas e quais passos podem ser alterados ou interrompidos para que se promova o melhor tratamento ou mesmo a cura dessas doen&ccedil;as. Os pr&oacute;ximos anos prometem revelar mais conquistas nessas &aacute;reas t&atilde;o fascinantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, as redes neuronais possuem uma grande plasticidade, isto &eacute;, elas podem se reorganizar conforme os est&iacute;mulos recebidos. Esta plasticidade est&aacute; na base dos processos subjacentes ao aprendizado e &agrave; mem&oacute;ria. Ela tamb&eacute;m &eacute; fundamental para facilitar a recupera&ccedil;&atilde;o funcional em casos em que determinadas fun&ccedil;&otilde;es s&atilde;o perdidas depois de um dano ao Sistema Nervoso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, o conhecimento sobre o desenvolvimento do sistema nervoso durante a vida embrion&aacute;ria tamb&eacute;m deu saltos muito grandes. Hoje somos capazes de entender como os neur&ocirc;nios sabem para que parte do c&eacute;rebro devem ir ap&oacute;s gerados e com quais parceiros eles devem estabelecer conex&otilde;es mais ou menos robustas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Progressos no conhecimento e no tratamento das mais frequentes doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Enxaqueca</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma em cada cinco mulheres e um em cada 15 homens sofrem de enxaqueca, que se caracteriza por uma dor pulsante de intensidade entre m&eacute;dia e muito forte em um lado da cabe&ccedil;a. Esta cefaleia pode ser acompanhada de n&aacute;useas, v&ocirc;mitos e sensibilidade aumentada &agrave; luz, aos sons e aos odores. Descobertas cient&iacute;ficas sobre os mecanismos da enxaqueca levaram &agrave; procura de novos tratamentos. Entre as novas alternativas terap&ecirc;uticas temos o uso de anticorpos monoclonais espec&iacute;ficos, bem como a estimula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o invasiva do nervo vago, que t&ecirc;m trazido grande benef&iacute;cio para as pessoas com enxaqueca &#91;2&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a20fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Dem&ecirc;ncias e doen&ccedil;a de Alzheimer</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As dem&ecirc;ncias s&atilde;o caracterizadas por altera&ccedil;&otilde;es cognitivas e a mais facilmente reconhecida &eacute; a perda de mem&oacute;ria que, em muitos casos, interfere nas atividades di&aacute;rias das pessoas. Pode tamb&eacute;m acompanhar altera&ccedil;&otilde;es do humor e a perda da capacidade de controlar as emo&ccedil;&otilde;es. As dem&ecirc;ncias costumam aparecer em pessoas com mais idade (entre os 75 e 85 anos de idade), mas elas n&atilde;o fazem parte do envelhecimento normal. As causas, os sintomas e a velocidade das altera&ccedil;&otilde;es variam muito e, por isso, falamos em dem&ecirc;ncias e n&atilde;o dem&ecirc;ncia. O tipo mais conhecido de dem&ecirc;ncia &eacute; a doen&ccedil;a de Alzheimer. As bases das dem&ecirc;ncias ainda n&atilde;o s&atilde;o completamente compreendidas, mas sabemos que alguns neur&ocirc;nios em certas regi&otilde;es do c&eacute;rebro come&ccedil;am a perder suas fun&ccedil;&otilde;es para, depois de algum tempo, morrerem. Como esses neur&ocirc;nios n&atilde;o s&atilde;o substitu&iacute;dos por outros, a sua aus&ecirc;ncia leva, progressivamente, que outros neur&ocirc;nios que estavam conectados a ele comecem, tamb&eacute;m, a ter suas fun&ccedil;&otilde;es alteradas e podem, por sua vez, morrerem. Devido &agrave; presen&ccedil;a de morte neuronal, as dem&ecirc;ncias e outras doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas em que tamb&eacute;m ocorre a morte neuronal s&atilde;o conhecidas como doen&ccedil;as neurodegenerativas &#91;3&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Membros robotizados, retinas eletr&ocirc;nicas, implanta&ccedil;&atilde;o de chips cerebrais e outras pesquisas v&ecirc;m, em horizonte bastante pr&oacute;ximo, auxiliar as pessoas com d&eacute;ficits variados e que as impedem de ter uma vida plena."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pesquisas cient&iacute;ficas nesse campo t&ecirc;m avan&ccedil;ado enormemente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas e, embora ainda n&atilde;o haja um tratamento que leve &agrave; cura das dem&ecirc;ncias, existem v&aacute;rios medicamentos e tratamentos n&atilde;o medicamentosos que podem retardar ou mesmo impedir a progress&atilde;o r&aacute;pida da doen&ccedil;a. Outras descobertas est&atilde;o ligadas &agrave; preven&ccedil;&atilde;o das dem&ecirc;ncias com medidas efetivas que implicam na mudan&ccedil;a de vida das pessoas, tais como atividade f&iacute;sica regular, exerc&iacute;cios cognitivos, leitura, atividade social, alimenta&ccedil;&atilde;o balanceada, cuidados com hipertens&atilde;o, diabetes etc. Os tratamentos mais recentes utilizam f&aacute;rmacos direcionados &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos neur&ocirc;nios, mas h&aacute; outros que buscam 'limpar' as sobras dos neur&ocirc;nios mortos que poderiam atuar como agentes inflamat&oacute;rios no tecido cerebral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Doen&ccedil;a de Parkinson</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta doen&ccedil;a tamb&eacute;m faz parte daquelas denominadas neurodegenerativas, pois a morte neuronal acontece numa zona cerebral conhecida por subst&acirc;ncia negra (por conterem melanina). Esses neur&ocirc;nios fazem parte do sistema motor e sua morte leva &agrave; defici&ecirc;ncia progressiva do controle motor volunt&aacute;rio, incluindo rigidez muscular, tremor e lentid&atilde;o dos movimentos. Os estudos permitiram evidenciar que os neur&ocirc;nios perdidos s&atilde;o aqueles que produzem, em situa&ccedil;&atilde;o normal, um neurotransmissor chamado de dopamina. Assim, o tratamento mais l&oacute;gico para a doen&ccedil;a de Parkinson seria repor, no c&eacute;rebro, a dopamina que tinha sido perdida. Esta &eacute; a base da maioria dos tratamentos usados ainda hoje. Entretanto, estudos tamb&eacute;m deixaram evidente que esses medicamentos aumentavam a dopamina n&atilde;o apenas na regi&atilde;o em que ela estava faltando, mas em todo o c&eacute;rebro, isto &eacute;, em regi&otilde;es onde o n&iacute;vel deste neurotransmissor estava normal. Foi, portanto, necess&aacute;rio buscar novas alternativas de tratamento. V&aacute;rios novos f&aacute;rmacos t&ecirc;m sido testados com efeitos promissores. Tratamentos mais avan&ccedil;ados prop&otilde;em a estimula&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica de uma microrregi&atilde;o cerebral capaz de liberar dopamina onde ela est&aacute; realmente faltando e o resultado tem sido celebrado por v&aacute;rios neurologistas e, logicamente, pelos seus pacientes com doen&ccedil;a de Parkinson &#91;4&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Acidente Vascular Cerebral (AVC)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta &eacute; uma patologia grave do sistema nervoso com alto risco de vida e, por isso, demanda que o paciente seja atendido com urg&ecirc;ncia. O AVC acontece quando o suprimento de sangue para uma parte do c&eacute;rebro &eacute; interrompido, quer devido ao entupimento de uma art&eacute;ria (AVC isqu&ecirc;mico) ou pelo seu rompimento (AVC hemorr&aacute;gico). Os sintomas e sinais iniciais est&atilde;o relacionados &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es da parte do c&eacute;rebro que deixam de receber o sangue com o oxig&ecirc;nio necess&aacute;rio para seu funcionamento. As causas que levam ao AVC s&atilde;o v&aacute;rias, mas as mais frequentes s&atilde;o a hipertens&atilde;o arterial, colesterol alto e diabetes. Por esse motivo, a preven&ccedil;&atilde;o &eacute; o melhor tratamento do AVC, incluindo alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, atividade f&iacute;sica regular, n&atilde;o fumar e beber &aacute;lcool com modera&ccedil;&atilde;o. O tratamento adequado depender&aacute; do tipo de AVC e o objetivo central, tanto no isqu&ecirc;mico como hemorr&aacute;gico, ser&aacute; impedir ou diminuir a morte dos neur&ocirc;nios que perderam o suprimento sangu&iacute;neo, que poder&aacute; deixar sequelas importantes, como paralisias, perda da fala etc. No caso do AVC isqu&ecirc;mico, as medidas mais urgentes s&atilde;o aquelas que buscam desobstruir a art&eacute;ria entupida e, para isso, o uso de agentes anticoagulantes &eacute; o mais utilizado. Quando poss&iacute;vel, a desobstru&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica da art&eacute;ria pode ser recomendada, mas desde que a art&eacute;ria bloqueada seja de f&aacute;cil acesso. No caso do AVC hemorr&aacute;gico, busca-se exatamente o contr&aacute;rio: interromper a sa&iacute;da de sangue da art&eacute;ria rompida e, para isso, o uso de agentes coagulantes &eacute; altamente recomend&aacute;vel. O avan&ccedil;o do conhecimento cient&iacute;fico sobre as nanopart&iacute;culas permite a sua utiliza&ccedil;&atilde;o como transportadores de medicamentos. Assim, as nanopart&iacute;culas s&atilde;o usadas no tratamento de ambos os tipos de AVC, transportando, dependendo do caso, agentes coagulantes ou anticoagulantes at&eacute; o local da les&atilde;o vascular &#91;5&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Epilepsia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos mais frequentes dist&uacute;rbios neurol&oacute;gicos, a epilepsia, atinge entre 1% e 2% da popula&ccedil;&atilde;o mundial. Ela se caracteriza pela ocorr&ecirc;ncia de crises epil&eacute;pticas que acontecem devido a uma altera&ccedil;&atilde;o do circuito el&eacute;trico na rede neuronal. A epilepsia pode se iniciar em pessoas de qualquer idade, mas sua frequ&ecirc;ncia &eacute; maior na inf&acirc;ncia e na terceira idade. As causas s&atilde;o bastante variadas e est&atilde;o relacionadas a altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas, infec&ccedil;&otilde;es cerebrais, baixa oxigena&ccedil;&atilde;o cerebral durante o nascimento, tumor cerebral, ap&oacute;s traumatismo craniano, ap&oacute;s AVC etc. A caracter&iacute;stica mais comum da crise epil&eacute;ptica &eacute; o que conhecemos por convuls&atilde;o, quando pode ocorrer diminui&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia, movimenta&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos membros, rigidez muscular, quedas. Esse conjunto de sinais cl&iacute;nicos, na maioria das vezes, n&atilde;o dura mais do que 60 segundos. Mas outras crises s&atilde;o muito mais discretas, com "desligamentos" da consci&ecirc;ncia por 3-5 segundos, impercept&iacute;veis pela maioria das pessoas, mas que podem se repetir v&aacute;rias vezes por dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De forma geral, as crises epil&eacute;pticas podem ser divididas em dois tipos: crises de in&iacute;cio focal, em que a altera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica respons&aacute;vel pela crise est&aacute; localizada numa parte do c&eacute;rebro, e crises de in&iacute;cio generalizado, quando n&atilde;o se consegue identificar a &aacute;rea de in&iacute;cio e todo o c&eacute;rebro "parece" ser alterado ao mesmo tempo. As duas crises descritas est&atilde;o nesta &uacute;ltima categoria. A divis&atilde;o em crises com in&iacute;cio focal e com in&iacute;cio generalizado &eacute; muito &uacute;til, pois auxilia na identifica&ccedil;&atilde;o da poss&iacute;vel causa da epilepsia e orienta o tratamento mais adequado. As crises podem ou n&atilde;o ser acompanhadas por altera&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia e, quando isso ocorre, ela &eacute; chamada de "disperceptiva"; quando n&atilde;o h&aacute; altera&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia &eacute; chamada de "n&atilde;o disperceptiva". Al&eacute;m disso, as crises, quer de in&iacute;cio focal ou generalizado, podem ser subdivididas em outros tipos segundo a descri&ccedil;&atilde;o da crise, idade de in&iacute;cio, antecedentes do paciente e de sua fam&iacute;lia, sintomas e sinais cl&iacute;nicos que as acompanham e os achados dos exames de laborat&oacute;rio, como o EEG e os diferentes tipos de imagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os tratamentos mais comuns s&atilde;o aqueles baseados no uso de f&aacute;rmacos anticrises. As pesquisas cient&iacute;ficas colaboraram muito no avan&ccedil;o dos medicamentos indicados para o tratamento da epilepsia e hoje mais de 40 f&aacute;rmacos podem ser utilizados conforme o tipo de crise, a idade e o sexo do paciente e a ocorr&ecirc;ncia de efeitos colaterais que podem variar conforme a pessoa. O neurologista considera muitas outras caracter&iacute;sticas do paciente, incluindo sua hist&oacute;ria de vida, para escolher o melhor medicamento. Entretanto, mesmo com todos os f&aacute;rmacos j&aacute; estudados e utilizados na cl&iacute;nica neurol&oacute;gica, entre 20% e 30% das pessoas com epilepsia n&atilde;o s&atilde;o beneficiadas pelo tratamento farmacol&oacute;gico e, nesses casos e quando recomendado, o tratamento cir&uacute;rgico &eacute; utilizado com &oacute;timos resultados. Em nosso pa&iacute;s, h&aacute; v&aacute;rios centros especializados no tratamento cl&iacute;nico e cir&uacute;rgico das epilepsias, distribu&iacute;dos por v&aacute;rias regi&otilde;es do pa&iacute;s e todas as pessoas podem ter acesso a esses centros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia tem trazido grandes benef&iacute;cios para o conhecimento das epilepsias, al&eacute;m daqueles relacionados ao seu tratamento. O estigma de que era uma possess&atilde;o, de que estava relacionada a doen&ccedil;as mentais, ou ainda que impediam a escolaridade e o trabalho, entre outros preconceitos, est&aacute; desaparecendo rapidamente. Muitos estudos mostram que as pessoas com epilepsia podem ter vida normal em todos os sentidos. Hoje compreende-se melhor as quest&otilde;es sociais e psicol&oacute;gicas ligadas &agrave; epilepsia e &agrave; pr&oacute;pria forma de viver dessas pessoas e h&aacute; muitas iniciativas para melhorar a sua qualidade de vida &#91;6&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse percurso sobre o avan&ccedil;o no conhecimento das doen&ccedil;as cerebrais traz apenas algumas das evid&ecirc;ncias mais recentes ligadas &agrave;s patologias mais comuns. Muitas coisas foram deixadas de fora deste artigo, entretanto, a tecnologia tem facilitado as buscas por meio da internet, embora nem sempre seja f&aacute;cil diferenciar os resultados mais relevantes. A neuroci&ecirc;ncia foi a &aacute;rea onde aconteceram os maiores avan&ccedil;os cient&iacute;ficos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Impulsionados pelos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, os neurocientistas hoje trabalham em &aacute;reas muito pr&oacute;ximas &agrave; fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Membros robotizados, retinas eletr&ocirc;nicas, implanta&ccedil;&atilde;o de chips cerebrais e outras pesquisas v&ecirc;m, em horizonte bastante pr&oacute;ximo, auxiliar as pessoas com d&eacute;ficits variados que as impedem de ter uma vida plena. Os benef&iacute;cios ser&atilde;o muitos. Aguardemos com curiosidade os pr&oacute;ximos anos ou d&eacute;cadas e confiemos na ci&ecirc;ncia para que conquiste, cada vez mais, a qualidade de vida desejada por todos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O autor agradece a professora Marly de Albuquerque pela leitura cr&iacute;tica deste trabalho e as sugest&otilde;es de aprimoramento. O autor &eacute; investigador do Instituto Nacional de Neuroci&ecirc;ncia Translacional (MCTI, CNPq, FAPERJ) e bolsista de produtividade do CNPq.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. MERTENS, J.; MARCHETTO, M. C.; BARDY, C.; GAGE, F. H. Evaluating cell reprogramming, differentiation, and conversion technologies in neuroscience. <i>Nature Reviews Neuroscience</i>, London, v. 17, n. 7, p. 424-437, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. EIGENBRODT, A. K.; ASHINA, H.; KHAN, S.; DIENER, H. D.; MITSIKOSTAS, D. D.; SINCLAIR, A. J.; POZO-ROSICH, P. <i>et al</i>. Diagnosis and management of migraine in ten steps. <i>Nature Reviews Neurology</i>, London, v. 17, n. 8, p. 501-514, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. BRENOWITZ, W. D.; YAFFE, K. Observational studies in Alzheimer disease: bridging preclinical studies and clinical trials. <i>Nature Review Neurology</i>, London, v. 18, n. 12, p. 747-757, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. ELKOUZI, A.; VEDAM-MAI, V.; EISINGER, R. S.; OKUN, M. S. Emerging therapies in Parkinson disease - repurposed drugs and new approaches. <i>Nature Reviews Neurology</i>, London, v. 15, n. 4, p. 204-223, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. AMADO, B.; MELO, L.; PINTO, R; LOBO, A; BARROS, P; GOMES, J. R. Ischemic Stroke: lessons from the past towards effective preclinical models. <i>Biomedicines</i>, Basel, v. 10, n. 10, p. 2561, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. NABBOUT, R.; KUCHENBUCH, M. Impact of predictive, preventive, and precision medicine strategies in epilepsy. <i>Nature Reviews Neurology</i>, London, v. 16, n. 12, p. 674-688, 2020.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <br>   CAVALHEIRO, E. Avan&ccedil;os cient&iacute;ficos relacionados &agrave;s doen&ccedil;as do Sistema Nervoso. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 74, n. 4, 2022.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MERTENS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MARCHETTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BARDY]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GAGE]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Evaluating cell reprogramming, differentiation, and conversion technologies in neuroscience]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature Reviews Neuroscience]]></source>
<year>2016</year>
<volume>17</volume>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
<page-range>424-437</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[EIGENBRODT]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ASHINA]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KHAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DIENER]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MITSIKOSTAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SINCLAIR]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[POZO-ROSICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Diagnosis and management of migraine in ten steps]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature Reviews Neurology]]></source>
<year>2021</year>
<volume>17</volume>
<numero>8</numero>
<issue>8</issue>
<page-range>501-514</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRENOWITZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[YAFFE]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Observational studies in Alzheimer disease: bridging preclinical studies and clinical trials]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature Review Neurology]]></source>
<year>2022</year>
<volume>18</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>747-757</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ELKOUZI]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[VEDAM-MAI]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[EISINGER]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[OKUN]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Emerging therapies in Parkinson disease - repurposed drugs and new approaches]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature Reviews Neurology]]></source>
<year>2019</year>
<volume>15</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>204-223</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMADO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PINTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LOBO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BARROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GOMES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ischemic Stroke: lessons from the past towards effective preclinical models]]></article-title>
<source><![CDATA[Biomedicines]]></source>
<year>2022</year>
<volume>10</volume>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>2561</page-range><publisher-loc><![CDATA[Basel ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NABBOUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KUCHENBUCH]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Impact of predictive, preventive, and precision medicine strategies in epilepsy]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature Reviews Neurology]]></source>
<year>2020</year>
<volume>16</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>674-688</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
