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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Da hist&oacute;ria &agrave; pr&aacute;tica: os legados da C&amp;C</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Paula Morales</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisadora e jornalista de Ci&ecirc;ncia. Cofundadora e diretora da Ag&ecirc;ncia Bori, a iniciativa conecta a Ci&ecirc;ncia nacional a jornalistas de todo o pa&iacute;s. Com forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (gradua&ccedil;&atilde;o em biomedicina e mestrado em farmacologia, ambos pela Unifesp), atua como jornalista desde 2008 (fez p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em jornalismo cient&iacute;fico no Labjor/ Unicamp). &Eacute; pesquisadora associada do Labjor/Unicamp e foi editora-executiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura de 2017-2021. &Eacute; fellow Ashoka, rede internacional de empreendedores sociais</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; 75 anos, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura tem servido como pedra angular para a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no Brasil. Ela transcende o papel de uma revista acad&ecirc;mica tradicional, atuando como uma ponte entre as fronteiras da descoberta cient&iacute;fica e a sociedade brasileira. A publica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m tem servido como um espa&ccedil;o para reflex&atilde;o, nos diversos per&iacute;odos da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, sobre quest&otilde;es de relev&acirc;ncia nos cen&aacute;rios cultural, social e pol&iacute;tico nacional - refletindo as atividades desempenhadas pela comunidade cient&iacute;fica e pela pr&oacute;pria Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC). Como o nome j&aacute; enuncia, ci&ecirc;ncia e cultura se entrela&ccedil;am nas palavras aqui registradas. Ao longo das d&eacute;cadas, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura vem construindo m&uacute;ltiplos legados - alguns dos quais ser&atilde;o abordados neste artigo - seguindo os anseios de Jos&eacute; Reis, seu idealizador, de "aproxima&ccedil;&atilde;o dos cientistas entre si, e destes com o p&uacute;blico" &#91;1&#93; (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a26fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura re&uacute;ne caracter&iacute;sticas essenciais de uma publica&ccedil;&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: formato e linguagem acess&iacute;veis, multiplicidade de temas abordados e diversidade de vozes. Essas qualidades somadas possibilitam a revista desempenhar um papel importante para a penetra&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia na cultura do pa&iacute;s e trazer a cultura para a ci&ecirc;ncia nacional. Em um exerc&iacute;cio de s&iacute;ntese, podemos listar ao menos tr&ecirc;s formas que a revista tem cumprido seu papel nesse sentido. O primeiro e talvez mais not&oacute;rio legado da revista, em raz&atilde;o dos seus 75 anos de exist&ecirc;ncia, seja o car&aacute;ter de registro hist&oacute;rico da ci&ecirc;ncia nacional. O segundo &eacute; atuar como plataforma para que cientistas brasileiros exercitem a linguagem da divulga&ccedil;&atilde;o, transformando quest&otilde;es muitas vezes complexas dos seus campos de estudo em informa&ccedil;&atilde;o compreens&iacute;vel para um p&uacute;blico mais amplo. Por fim, nesse jogo de conhecimento e comunica&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura atua como um elemento transformador da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia, bem como da cultura nacional, promovendo a chamada cultura cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do ponto de vista hist&oacute;rico, o acervo da revista configura um passeio por d&eacute;cadas de contribui&ccedil;&otilde;es de pesquisadores brasileiros para a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento, amplamente, a partir da ci&ecirc;ncia por eles praticada. A publica&ccedil;&atilde;o tem registrado, ao longo dos anos, os pensamentos de grandes nomes da comunidade cient&iacute;fica nacional, al&eacute;m do trabalho de jornalistas que se especializaram e se dedicaram a divulgar ci&ecirc;ncia. Indo al&eacute;m, as suas p&aacute;ginas servem tamb&eacute;m como registro dos movimentos da comunidade cient&iacute;fica - e da pr&oacute;pria SBPC, como institui&ccedil;&atilde;o - para a consolida&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica cient&iacute;fica, a defesa da democracia e o desenvolvimento social no Brasil (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a26fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o centenas de edi&ccedil;&otilde;es que, hoje, podem ser navegadas <i>on-line</i>. Desde 2022, a revista ganhou um novo formato, digital, se renovando e seguindo a tend&ecirc;ncia de consumo de informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da popula&ccedil;&atilde;o brasileira por meio da internet<a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>. Os esfor&ccedil;os de digitaliza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do da revista impressa, por sua vez, j&aacute; acontecem h&aacute; algum tempo. Em 2019, a publica&ccedil;&atilde;o passou a integrar o Acervo Digital da SBPC<a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>, organizado pelo Centro de Mem&oacute;ria da institui&ccedil;&atilde;o, na forma de arquivos PDF das edi&ccedil;&otilde;es impressas. O acervo mais antigo da revista, por sua vez, desde o primeiro fasc&iacute;culo de 1949 at&eacute; 2017, est&aacute; disponibilizado pela Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional<a name="3a"></a><sup>&#91;<a href="#3b">iii</a>&#93;</sup>. S&atilde;o mais de 450 edi&ccedil;&otilde;es e milhares de p&aacute;ginas que podem ser consultadas por qualquer pessoa. O processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o de todo o material, realizado em 2018, foi poss&iacute;vel a partir de parceria firmada entre a SBPC e a Funda&ccedil;&atilde;o Biblioteca Nacional, em projeto que contou com o financiamento do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&otilde;es e Comunica&ccedil;&otilde;es (MCTIC), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). O acervo configura uma rica fonte de informa&ccedil;&otilde;es sobre a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia brasileira, podendo inclusive servir como material para pesquisas acad&ecirc;micas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura atua como um elemento transformador da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia, bem como da cultura nacional, promovendo a chamada cultura cient&iacute;fica."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2002, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura foi indexada &agrave; Biblioteca Virtual SciELO<a name="4a"></a><sup>&#91;<a href="#4b">iv</a>&#93;</sup> como revista de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica<a name="5a"></a><sup>&#91;<a href="#5b">v</a>&#93;</sup>. Atualmente, a revista &eacute; classificada no Qualis, sistema brasileiro de avalia&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos mantido pela Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes), no estrato A1 - que contempla peri&oacute;dicos de excel&ecirc;ncia internacional - na &aacute;rea interdisciplinar. A indexa&ccedil;&atilde;o na SciELO e a inclus&atilde;o no Qualis Capes permitiu que a publica&ccedil;&atilde;o ganhasse ainda mais refer&ecirc;ncia de credibilidade e tradi&ccedil;&atilde;o dentro da comunidade cient&iacute;fica. Esse movimento, quase natural para peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos de excel&ecirc;ncia, ganha relev&acirc;ncia quando colocado em marcha por uma publica&ccedil;&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, facilitando o que seria o segundo legado da C&amp;C, ou seja, as contribui&ccedil;&otilde;es de pesquisadores, das mais diversas &aacute;reas, para a dissemina&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia de forma mais ampla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O registro de achados cient&iacute;ficos &eacute; parte fundamental da ci&ecirc;ncia institucionalizada. Pesquisadores comunicam os resultados de seus estudos (bem como os m&eacute;todos empregados na pesquisa e seu embasamento te&oacute;rico) a seus pares - geralmente, cientistas da mesma &aacute;rea e/ou que estudam o mesmo fen&ocirc;meno pelo olhar de outras disciplinas - de formas diversas, por exemplo, em congressos acad&ecirc;micos e por meio da publica&ccedil;&atilde;o de artigos em revistas especializadas. Esse sistema de comunica&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores &eacute; o que John Ziman (1925-2005), f&iacute;sico e humanista brit&acirc;nico, chamou de "institui&ccedil;&atilde;o fundamental da ci&ecirc;ncia".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"O princ&iacute;pio basilar da ci&ecirc;ncia acad&ecirc;mica &eacute; que os resultados da pesquisa devem ser p&uacute;blicos. Independentemente do que os cientistas pensem ou digam individualmente, as suas descobertas n&atilde;o podem ser consideradas como pertencentes ao conhecimento cient&iacute;fico at&eacute; que tenham sido comunicadas ao mundo e registradas permanentemente. A institui&ccedil;&atilde;o fundamental da ci&ecirc;ncia, ent&atilde;o, &eacute; o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o" &#91;2&#93;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura permitiu que, ao longo das d&eacute;cadas, gera&ccedil;&otilde;es de pesquisadores brasileiros fossem al&eacute;m, no sentido de dar mais um passo na "espiral da cultura cient&iacute;fica" proposta por Carlos Vogt &#91;3&#93;. Por meio da met&aacute;fora de uma forma gr&aacute;fica (espiral), Vogt desenha os caminhos que a dissemina&ccedil;&atilde;o dos achados cient&iacute;ficos percorre, dando voltas e ampliando, em um movimento de ac&uacute;mulo e transforma&ccedil;&otilde;es do conhecimento. Do ponto de partida, da comunica&ccedil;&atilde;o entre pares, segue para o ensino da ci&ecirc;ncia e da forma&ccedil;&atilde;o de cientistas, nas universidades; continua, ent&atilde;o, para o ensino para a ci&ecirc;ncia, nas escolas e espa&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal, como museus; chegando at&eacute; ve&iacute;culos e meios de comunica&ccedil;&atilde;o em massa, como a imprensa e, hoje, as redes sociais. Nesse processo, alguns aspectos se modificam: o primeiro deles &eacute; o n&uacute;mero de pessoas que recebem a informa&ccedil;&atilde;o (de poucas, a princ&iacute;pio, para muitas, ao final). O segundo &eacute; o tipo de linguagem empregado na comunica&ccedil;&atilde;o (de algo t&eacute;cnico, caracter&iacute;stico dos artigos cient&iacute;ficos, ao formato jornal&iacute;stico e/ou da divulga&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando cientistas escrevem na Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, come&ccedil;a o exerc&iacute;cio da linguagem da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Isso porque, na comunica&ccedil;&atilde;o entre pares, s&atilde;o usados termos e conceitos muitas vezes incompreens&iacute;veis at&eacute; mesmo para cientistas de outras &aacute;reas. Ao escrever um artigo para a revista, a linguagem se transforma e a informa&ccedil;&atilde;o chega mais longe. Essa pr&aacute;tica, da divulga&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o faz parte da forma&ccedil;&atilde;o da grande maioria dos pesquisadores brasileiros. E, muitas vezes, &eacute; algo a que n&atilde;o se dedicam no seu dia a dia, seja pela falta de treinamento, mas tamb&eacute;m de habilidade/interesse, ou at&eacute; mesmo de tempo, j&aacute; que, al&eacute;m das pesquisas, os profissionais da ci&ecirc;ncia no Brasil, em sua maioria, tamb&eacute;m se dedicam ao ensino e &agrave; administra&ccedil;&atilde;o de projetos e laborat&oacute;rios. Vale lembrar que, apenas h&aacute; poucos anos, o item "Educa&ccedil;&atilde;o e Populariza&ccedil;&atilde;o de C&amp;T" foi inserido no Curr&iacute;culo Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) - e que cientistas n&atilde;o s&atilde;o formalmente avaliados pela sua produ&ccedil;&atilde;o e contribui&ccedil;&otilde;es nesse aspecto. Nesse sentido, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura construiu mais um legado, o da possibilidade da pr&aacute;tica da divulga&ccedil;&atilde;o por pesquisadores de todo o pa&iacute;s.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"O conhecimento cient&iacute;fico transforma a humanidade e as culturas, possibilitando novas formas de se viver e de se relacionar - e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, o mundo como o conhecemos hoje."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, talvez como resultado dos aspectos aqui mencionados, a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura tem como legado fundamental a promo&ccedil;&atilde;o da cultura cient&iacute;fica no pa&iacute;s. Primeiro, por se tratar de um mecanismo de amplia&ccedil;&atilde;o do acesso das pessoas - em um n&uacute;mero cada vez maior - ao conhecimento produzido pela ci&ecirc;ncia. Quando munidas de informa&ccedil;&otilde;es embasadas em evid&ecirc;ncias, a sociedade, de forma organizada e suas institui&ccedil;&otilde;es, assim como os indiv&iacute;duos em suas vidas privadas, podem fazer escolhas mais acertadas. A ci&ecirc;ncia passa ent&atilde;o a fazer parte da vida das pessoas e, de forma mais ampla, de sua cultura.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Uma cultura cient&iacute;fica s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando o conhecimento &eacute; valorizado e utilizado como base para pr&aacute;ticas cotidianas e tomadas de decis&atilde;o, e com uma ci&ecirc;ncia atenta &agrave;s quest&otilde;es do seu tempo."</b></styled-content> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo porque tratar dos m&eacute;todos e das pr&aacute;ticas da ci&ecirc;ncia, desde as metodologias aplicadas em uma pesquisa at&eacute; os mecanismos de financiamento e organiza&ccedil;&atilde;o da atividade cient&iacute;fica no pa&iacute;s, &eacute; tratar da ci&ecirc;ncia como um processo cultural. A pesquisa &eacute; feita por pessoas, inseridas em institui&ccedil;&otilde;es, que por sua vez fazem parte de um sistema que &eacute; organizado e que se modifica (ou &eacute; modificado) ao longo do tempo. A ci&ecirc;ncia &eacute; guiada, em algum n&iacute;vel, pelas preocupa&ccedil;&otilde;es e habilidades dos cientistas, assim como pelas quest&otilde;es e problemas da sociedade, no pa&iacute;s e no mundo. Os conte&uacute;dos da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, para al&eacute;m dos achados da ci&ecirc;ncia, exploram os fundamentos filos&oacute;ficos das pesquisas e suas implica&ccedil;&otilde;es na sociedade, apresentando as dimens&otilde;es human&iacute;sticas da explora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Essa troca por meio da divulga&ccedil;&atilde;o permite, portanto, que se estabele&ccedil;am rela&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas necess&aacute;rias entre a ci&ecirc;ncia e a sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conhecimento cient&iacute;fico transforma a humanidade e as culturas, possibilitando novas formas de se viver e de se relacionar - e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, o mundo como o conhecemos hoje. Por outro lado, como diz o engenheiro e fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Jean-Pierre Dupuy, uma atividade intelectual deve se comunicar com o que n&atilde;o &eacute; ela pr&oacute;pria para que se torne cultura &#91;4,5&#93;. Ou seja, para que esse "estado" de cultura cient&iacute;fica exista, em que ci&ecirc;ncia e cultura se entrela&ccedil;am como partes de uma coisa s&oacute;, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial, atuando como elemento transformador de ambas. Uma cultura cient&iacute;fica s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando o conhecimento &eacute; valorizado e utilizado como base para pr&aacute;ticas cotidianas e tomadas de decis&atilde;o, e com uma ci&ecirc;ncia atenta &agrave;s quest&otilde;es do seu tempo. &Eacute; isso que a Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura tem praticado ao longo da sua hist&oacute;ria e tamb&eacute;m por isso ser&aacute; sempre lembrada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93;	Segundo dados da &uacute;ltima pesquisa de Percep&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica da C&amp;C no Brasil, lan&ccedil;ada recentemente, cerca de 61% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira obt&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o sobre ci&ecirc;ncia e temas correlatos por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais. Fonte: Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE). <i>Percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da C&amp;T no Brasil - 2023</i>. Bras&iacute;lia: CGEE, 2024.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; P&aacute;gina da cole&ccedil;&atilde;o da C&amp;C no Acervo Digital da SBPC: <a href="https://sbpcacervodigital.org.br/collections/d4a86f31-e2f5-4126-bea9-f1e2a31dd96d" target="_blank">sbpcacervodigital.org.br/handle/20.500.11832/2534</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3b"></a>&#91;<a href="#3a">iii</a>&#93; Hemeroteca Digital (<a href="http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/</a>). Para acessar o acervo da C&amp;C, deve-se digitar "Ci&ecirc;ncia e Cultura" no campo de busca "peri&oacute;dico".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4b"></a>&#91;<a href="#4a">iv</a>&#93; P&aacute;gina da C&amp;C no SciELO: <a href="http://cienciaecultura.bvs.br" target="_blank">http://cienciaecultura.bvs.br</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="5b"></a>&#91;<a href="#5a">v</a>&#93; Vers&atilde;o impressa ISSN 0009-6725; vers&atilde;o <i>on-line</i> ISSN 2317-6660.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. REIS, J. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia. <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 1, n. 1-2, p. 3, 1949.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. ZIMAN, J. M. <i>An introduction to science studies</i>: the philosophical and social aspects of science and technology. New York: Cambridge University Press, 1984. p. 58.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. VOGT, C. The spiral of scientific culture and cultural well-being: Brazil and Ibero-America. <i>Public Understanding of Science</i>, v. 21, n. 1, p. 4-16, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. DUPUY, J. P. <i>Retour de Tchernobyl</i>: journal d'un homme en col&egrave;re. Paris: Le Seuil, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. JURDANT, B. Falar a ci&ecirc;ncia? <i>In</i>: VOGT, C. (org.). <i>Cultura cient&iacute;fica</i>: desafios. S&atilde;o Paulo: Edusp/Fapesp, 2006.    </font></p>      ]]></body><back>
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