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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Protagonismo das mulheres na história da Ciência & Cultura e o papel transformador da divulgação científica]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Protagonismo das mulheres na hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura e o papel transformador da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Priscylla Almeida</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jornalista e produtora de conte&uacute;do para &aacute;reas de Sa&uacute;de e Ci&ecirc;ncia, Marketing e Publicidade. Apaixonada por filmes, gatinhos e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o traz: o contato com gente, a curiosidade de assuntos diversos, a troca</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na forma&ccedil;&atilde;o do pensamento cient&iacute;fico &eacute; t&atilde;o antiga quanto a origem da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. Contudo, a atua&ccedil;&atilde;o feminina est&aacute; longe de ter a mesma equidade ao longo da hist&oacute;ria: meninas e mulheres ainda enfrentam uma s&eacute;rie de obst&aacute;culos ao acesso &agrave;s carreiras cient&iacute;ficas, assim como &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o, que abrangem aspectos tanto culturais quanto estruturais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Felizmente, esse cen&aacute;rio vem mudando, mesmo que a passos lentos. Hoje, vemos mulheres envolvidas em v&aacute;rias &aacute;reas e perspectivas na ci&ecirc;ncia, onde at&eacute; pouco tempo atr&aacute;s s&oacute; v&iacute;amos homens atuando. Prova disso &eacute; o fato de que 46% - ou seja, quase metade do total de pesquisadores nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e Caribe - s&atilde;o mulheres, segundo relat&oacute;rio realizado pela British Council em parceria com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em 2022. Com isso, a regi&atilde;o conquistou na &uacute;ltima d&eacute;cada a chamada paridade de g&ecirc;nero na ci&ecirc;ncia, que ocorre quando 45% entre 55% dos pesquisadores s&atilde;o representados por mulheres. Ainda, o Brasil possui 72% de seus artigos cient&iacute;ficos assinados por, ao menos, uma mulher (seja como autora ou coautora), liderando o ranking dos pa&iacute;ses ibero-americanos, de acordo com o estudo da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Ibero-americanos (OEI) realizado em 2019.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Os canais de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que se prop&otilde;em a contar as hist&oacute;rias de vida das mulheres e de suas pesquisas enquanto cientistas promovem n&atilde;o s&oacute; a visibilidade, mas tamb&eacute;m desconstroem muitos estere&oacute;tipos e mitos, al&eacute;m de inspirar outras meninas e mulheres a produzir conhecimento e a pensarem que 'esse espa&ccedil;o tamb&eacute;m &eacute; pra mim'", declara Bettina Heerdt, professora do Departamento de Biologia na Universidade Estadual do Centro Oeste do Paran&aacute; (Unicentro) e pesquisadora em Educa&ccedil;&atilde;o e Ensino, G&ecirc;nero, Sexualidade e rela&ccedil;&otilde;es &eacute;tnico-raciais. "Com certeza, a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica pode refor&ccedil;ar o protagonismo delas na produ&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o em todos os campos de conhecimento, difundir sua produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e afetar positivamente a opini&atilde;o p&uacute;blica", afirma Maria Elisa M&aacute;ximo, professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e secret&aacute;ria regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) de Santa Catarina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Inspira&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura da SBPC, como o mais antigo ve&iacute;culo de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em circula&ccedil;&atilde;o no Brasil, sempre se preocupou em estimular a participa&ccedil;&atilde;o feminina. Especialmente no contexto da revista ao longo de seus 75 anos de exist&ecirc;ncia, &eacute; poss&iacute;vel observar a evolu&ccedil;&atilde;o dessas representa&ccedil;&otilde;es e narrativas na ci&ecirc;ncia. O primeiro artigo escrito por uma mulher foi publicado por Rosina de Barros (1909-1996) j&aacute; na terceira edi&ccedil;&atilde;o da revista, em 1949. Nomes como Graziela Maciel Barroso (1912-2003), importante bot&acirc;nica brasileira, Mar&iacute;lia Chaves Peixoto (1921-1961), matem&aacute;tica e engenheira e primeira mulher brasileira a ingressar na Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC), Elisa Frota Pessoa (1921-2018), uma das primeiras f&iacute;sicas no pa&iacute;s e uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF), s&atilde;o importantes protagonistas cujo impacto de seus pioneirismos refletem diretamente na evolu&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica que vivenciamos at&eacute; os dias atuais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com destaque tamb&eacute;m para Johanna Dobereiner (1924-2000), agr&ocirc;noma pioneira em biologia de solo, cujo estudo sobre a fixa&ccedil;&atilde;o de nitrog&ecirc;nio representou um avan&ccedil;o significativo para a agricultura tropical e o cultivo de soja. O Brasil &eacute; hoje o maior exportador de soja do mundo, com cerca de 101 milh&otilde;es de toneladas de soja exportadas em 2023, segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a28fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; praticamente imposs&iacute;vel n&atilde;o associar a SBPC aos feitos de Carolina Bori (1924-2004): a primeira mulher a ocupar a presid&ecirc;ncia da entidade em 1987. Entre tantas frentes de atua&ccedil;&atilde;o, Carolina Bori destacou-se ao popularizar a ci&ecirc;ncia por meio de programas de r&aacute;dio e confer&ecirc;ncias, na regula&ccedil;&atilde;o da Psicologia como ensino e profiss&atilde;o no Brasil, enfrentou a ditadura militar e defendeu que a comunidade cient&iacute;fica olhasse para os problemas sociais do pa&iacute;s, buscando diminuir a dist&acirc;ncia entre o conhecimento acad&ecirc;mico e o p&uacute;blico em geral (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a28fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Membro titular da ABC, Vanderlan da Silva Bolzani (1949), professora do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, foi a primeira presidente da Sociedade Brasileira de Qu&iacute;mica (SBQ), em 2008, e vice-presidente da SBPC durante dois mandatos, sendo respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o do Pr&ecirc;mio "Carolina Bori Ci&ecirc;ncia &amp; Mulher", em 2019. "At&eacute; ent&atilde;o, a SBPC s&oacute; tinha premiado homens e n&atilde;o tinha nenhuma premia&ccedil;&atilde;o para homenagear as cientistas mulheres. Ent&atilde;o, em uma assembleia-geral fiz a proposta de cria&ccedil;&atilde;o do Pr&ecirc;mio Carolina Bori para mulheres e meninas na ci&ecirc;ncia: hoje um grande sucesso. Sinto-me feliz por ter criado esta premia&ccedil;&atilde;o e mais ainda por ter tido total apoio", declara. Este ano, a pesquisadora foi homenageada com uma edi&ccedil;&atilde;o especial da revista cient&iacute;fica <i>Journal of Natural Products</i> da Sociedade Americana de Qu&iacute;mica (ACS), refer&ecirc;ncia na &aacute;rea qu&iacute;mica, destacando seu papel como formadora de novas gera&ccedil;&otilde;es de cientistas. "Foi a primeira vez que esta homenagem &eacute; concedida a um cientista fora dos Estados Unidos e Europa. Fiquei muito emocionada e feliz com este reconhecimento. Acredito que com a&ccedil;&otilde;es desta natureza que continuaremos a mudar a hist&oacute;ria".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Com certeza, a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica pode refor&ccedil;ar o protagonismo delas na produ&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o em todos os campos de conhecimento, difundir sua produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e afetar positivamente a opini&atilde;o p&uacute;blica."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Espa&ccedil;os</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas outras seguiram e seguem sendo inspira&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso de Jaqueline Goes de Jesus (1989), biom&eacute;dica recentemente nomeada Embaixadora da Ci&ecirc;ncia no Brasil e &eacute; mais um exemplo importante dessas conquistas. Uma mulher, negra, nordestina, que coordenou a equipe respons&aacute;vel pelo sequenciamento do genoma do v&iacute;rus SARS-CoV-2 apenas 48 horas ap&oacute;s a confirma&ccedil;&atilde;o do primeiro caso de Covid-19 no Brasil. "Mulheres como ela abriram caminhos, mostraram que &eacute; poss&iacute;vel ocupar espa&ccedil;os de diferentes graus de import&acirc;ncia, produziram trabalhos relevantes, alcan&ccedil;aram reconhecimento e, por isso, t&ecirc;m um papel fundamental na representatividade", destaca Maria Elisa M&aacute;ximo. "Contudo, &eacute; crucial refletirmos sobre os limites da representatividade que, em geral, esbarram na cultura meritocr&aacute;tica: elas chegaram nos 'topos' da carreira acad&ecirc;mica em suas &aacute;reas, mas, h&aacute; de fato condi&ccedil;&otilde;es reais para que todas cheguem? Se quisermos que as meninas de hoje se tornem futuras cientistas, elas devem sim conhecer, ler, explorar a hist&oacute;rias dessas mulheres, sua produ&ccedil;&atilde;o, sua trajet&oacute;ria. E mais: precisamos ampliar esse pante&atilde;o da representatividade, e incluir definitivamente nomes como L&eacute;lia Gonzalez, Jurema Werneck, Cida Bento, Sueli Carneiro, Luiza Bairros, S&ocirc;nia Guimar&atilde;es e outras intelectuais negras, ind&iacute;genas, deficientes etc. As novas gera&ccedil;&otilde;es precisam mais do que exemplos nos quais se espelhar e se inspirar. Elas precisam de condi&ccedil;&otilde;es reais e efetivas para acessarem, permanecerem e transitarem no meio acad&ecirc;mico, em todas as suas &aacute;reas e espa&ccedil;os, incluindo os de poder e de decis&atilde;o", declara (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a28fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Quando impedimos mulheres negras, ind&iacute;genas, trans de participarem da ci&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; um preju&iacute;zo s&oacute; para essas pessoas que n&atilde;o est&atilde;o produzindo conhecimento, mas &eacute; um preju&iacute;zo tamb&eacute;m para toda a humanidade."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desigualdade de g&ecirc;nero</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A disparidade de g&ecirc;nero &eacute; uma caracter&iacute;stica presente em praticamente todas as &aacute;reas da ci&ecirc;ncia. Mulheres geralmente constituem uma minoria em v&aacute;rias disciplinas e enfrentam mais desafios do que os homens para avan&ccedil;ar em suas carreiras ou alcan&ccedil;ar posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a. Ainda hoje, existem assimetrias no campo cient&iacute;fico, onde as ci&ecirc;ncias STEM (sigla em ingl&ecirc;s para ci&ecirc;ncia, tecnologia, engenharia e matem&aacute;tica) consideradas "duras" s&atilde;o frequentemente associadas a pesquisadores homens. Nessas &aacute;reas, as mulheres s&atilde;o apenas 33%, de acordo com o relat&oacute;rio "<i>Women and the Digital Revolution</i>" da ONU, que inclusive criou o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) voltado para mudar esse cen&aacute;rio. "&Eacute; muito comum vermos mulheres mais presentes em ambientes acad&ecirc;micos relacionados ao cuidado, como medicina, enfermagem ou biologia, do que ocupando esses espa&ccedil;os em outras &aacute;reas, como as engenharias e a f&iacute;sica, por exemplo", refor&ccedil;a Bettina Heerdt.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave; medida que a revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura evoluiu, artigos e discuss&otilde;es passaram a abordar mais quest&otilde;es como desigualdade salarial, representatividade e discrimina&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de destacar o impacto de mulheres que abriram caminho para outras. Isso ajudou a aumentar a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre a import&acirc;ncia da diversidade e da equidade de g&ecirc;nero na ci&ecirc;ncia. "Quando pensamos em uma ci&ecirc;ncia mais diversa e inclusiva, precisamos pensar no g&ecirc;nero e nas suas interseccionalidades, pois, quando impedimos mulheres negras, ind&iacute;genas, trans de participarem da ci&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; um preju&iacute;zo s&oacute; para essas pessoas que n&atilde;o est&atilde;o produzindo conhecimento, mas &eacute; um preju&iacute;zo tamb&eacute;m para toda a humanidade", ressalta Bettina Heerdt.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Maria Elisa M&aacute;ximo, o grande desafio &eacute; eliminar as formas de viol&ecirc;ncia que essas mulheres ainda enfrentam nas diferentes esferas das ci&ecirc;ncias. "Desde a dimens&atilde;o epist&ecirc;mica (pelo n&atilde;o reconhecimento, valoriza&ccedil;&atilde;o e at&eacute; pelo 'sequestro' de suas ideias e formula&ccedil;&otilde;es), at&eacute; viol&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas e f&iacute;sicas, de ass&eacute;dio moral e sexual. Neste ponto, &eacute; urgente que governos e gestores se empenhem na elabora&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e institucionais voltadas ao enfrentamento dessas viol&ecirc;ncias, incluindo o racismo, xenofobia, intoler&acirc;ncia religiosa, discursos de &oacute;dio, manifesta&ccedil;&otilde;es neofascistas e qualquer outra pr&aacute;tica ou vis&atilde;o de mundo pautada pelo machismo e pela misoginia", refor&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diversidade de perspectivas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A desconstru&ccedil;&atilde;o de preconceitos, por mais clich&ecirc; que seja, &eacute; parte de um processo que resulta na melhoria do espa&ccedil;o feminino. "Temos que ter um ambiente mais que familiar para mudan&ccedil;as da quest&atilde;o de g&ecirc;nero, onde as meninas e meninos possam perceber que o mundo sustent&aacute;vel, t&atilde;o propalado e discutido hoje, deve ter homens e mulheres excelentes no que fazem, independente da &aacute;rea", ressalta Vanderlan Bolzani. Pioneiras na ci&ecirc;ncia, artes e cultura, muitas s&atilde;o as mulheres que merecem ser destacadas n&atilde;o apenas por suas contribui&ccedil;&otilde;es, mas por serem protagonistas no entendimento mais amplo da ci&ecirc;ncia brasileira e na sociedade. "A import&acirc;ncia da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica est&aacute; muito ligada &agrave; humaniza&ccedil;&atilde;o das mulheres cientistas. A partir do momento em que divulgamos a hist&oacute;ria dessas mulheres, divulgamos tamb&eacute;m pessoas que s&atilde;o humanas, que t&ecirc;m filhos e uma vida social, mulheres que produzem um conhecimento comprometido tanto pol&iacute;tico quanto social. E o melhor: conseguimos fazer com que essas hist&oacute;rias sejam tamb&eacute;m de outras pessoas", acrescenta.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Mesmo com os avan&ccedil;os que alcan&ccedil;amos hoje em plena sociedade do conhecimento, temos que ter espa&ccedil;os mais justos e igualit&aacute;rios com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres em todos os campos profissionais que elas queiram estar."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diversidade de perspectivas e vozes advindas de experi&ecirc;ncias das mulheres enriquece e promove a inova&ccedil;&atilde;o nos campos cient&iacute;ficos e culturais de diversas maneiras, refletido em benef&iacute;cios tanto para a qualidade da pesquisa quanto para a relev&acirc;ncia cultural. "&Eacute; mais do que uma quest&atilde;o de valoriza&ccedil;&atilde;o das mulheres e das cientistas. &Eacute; uma quest&atilde;o social. Mesmo com os avan&ccedil;os que alcan&ccedil;amos hoje em plena sociedade do conhecimento, temos que ter espa&ccedil;os mais justos e igualit&aacute;rios com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres em todos os campos profissionais que elas queiram estar", conclui Vanderlan Bolzani.</font></p>      ]]></body>
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