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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trinta mitos da educação brasileira]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Trinta mitos da educa&ccedil;&atilde;o brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor e pesquisador no Centro de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel e no Centro de Estudos Avan&ccedil;ados Multidisciplinares, da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). Foi reitor da UnB (1985-1989), governador do Distrito Federal (1995-1998) e Ministro da Educa&ccedil;&atilde;o (2003-2004)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo aborda mitos relacionados &agrave; educa&ccedil;&atilde;o no Brasil, destacando a import&acirc;ncia de desmistificar ideias prejudiciais que impactam o ambiente escolar e o desenvolvimento social e cognitivo dos alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Educa&ccedil;&atilde;o; Escola; Ensino; Brasil.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. A educa&ccedil;&atilde;o era melhor antes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acostumamos a ouvir pessoas lembrando que suas escolas p&uacute;blicas eram melhores do que as atuais. Sentimento com base na atual viol&ecirc;ncia entre alunos, no desrespeito aos professores, descontinuidade por greves e suspens&otilde;es de aulas. Elas se esquecem de que as escolas eram raras e para poucos, e j&aacute; n&atilde;o eram boas pelos padr&otilde;es internacionais. At&eacute; os anos 1980, quase 30% de nossas crian&ccedil;as nem ao menos se matriculavam, n&atilde;o havia livros did&aacute;ticos, bibliotecas, laborat&oacute;rios, nem mesmo com a precariedade que se observa atualmente. Hoje, a matr&iacute;cula est&aacute; quase universalizada nas primeiras s&eacute;ries, embora matr&iacute;cula n&atilde;o signifique frequ&ecirc;ncia todos os dias nem assist&ecirc;ncia ao longo do dia, representa a perman&ecirc;ncia durante os anos da educa&ccedil;&atilde;o de base que, por sua vez, n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de aprendizado, que n&atilde;o significa aproveitamento e este n&atilde;o parece ser suficiente para formar o aluno e auxili&aacute;-lo no entendimento do mundo contempor&acirc;neo, dando-lhe o mapa do conhecimento necess&aacute;rio para facilitar a busca de sua felicidade pessoal e as ferramentas para construir um pa&iacute;s melhor e mais belo. Embora, o ensino possa ter piorado quando se compara individualmente algumas das poucas escolas de antes com cada uma das muitas de hoje, o conjunto das escolas est&aacute; mais abrangente e melhor.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"No mundo onde o conhecimento &eacute; capital, a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o principal fator de produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; a ferramenta para distribui&ccedil;&atilde;o de renda, elemento de aglutina&ccedil;&atilde;o social, alicerce do bem-estar e a base do progresso."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. A educa&ccedil;&atilde;o caminha bem, basta esperar os efeitos das pol&iacute;ticas e dos programas criados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo dos &uacute;ltimos 70 anos, o Brasil tomou pelo menos 20 medidas ou programas que permitiram avan&ccedil;os: Merenda Escolar (1955), PNAE - Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (1979), Emenda Calmon (1983), Livro Did&aacute;tico (1985), Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990), Fundef (1996), Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional (1996), Bolsa Escola Nacional (2001), I Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (2001), Bolsa Fam&iacute;lia (2004), Pnate - Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (2004), Fundeb (2007), Piso Salarial Nacional do Professor (2008), vaga a partir dos 6 anos (2010), II Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (2011), vaga a partir dos 4 anos (2013), vaga at&eacute; os 17 anos (2016), Reforma do Ensino M&eacute;dio (2017), Base Nacional Comum Curricular (2020), Pacto Nacional pela Alfabetiza&ccedil;&atilde;o na Idade Certa (2023). Apesar dos avan&ccedil;os que propiciaram, especialmente nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, com a quase universaliza&ccedil;&atilde;o das matr&iacute;culas nas primeiras s&eacute;ries, as avalia&ccedil;&otilde;es de compara&ccedil;&atilde;o internacional (promovidas pela Unesco ou pela OCDE) mant&ecirc;m a educa&ccedil;&atilde;o brasileira entre as piores e mais desiguais do mundo. Tr&ecirc;s brechas se ampliaram neste per&iacute;odo: entre a educa&ccedil;&atilde;o dos pobres e a dos ricos, entre a educa&ccedil;&atilde;o no Brasil e a de outros pa&iacute;ses, e entre o que ensinamos e o que o mundo contempor&acirc;neo requer que seja ensinado para alfabetizar plenamente um cidad&atilde;o moderno. H&aacute; 20 anos, n&atilde;o diminui o n&uacute;mero de adultos literalmente analfabetos, e no m&aacute;ximo 20% dos jovens terminam o ensino m&eacute;dio com qualidade ao ponto de assegurar sua alfabetiza&ccedil;&atilde;o plena para a contemporaneidade. Prova do fracasso das 19 primeiras foi a necessidade da 20ª medida, j&aacute; na terceira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI: o Pacto Nacional pela Alfabetiza&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s aos oito anos, quando as crian&ccedil;as no exterior e de classe m&eacute;dia ou alta brasileiras s&atilde;o alfabetizadas aos cinco anos no seu idioma nativo e pelo menos em um idioma estrangeiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; pobre, porque o Brasil &eacute; pobre</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio, a boa educa&ccedil;&atilde;o precede a riqueza. Educa&ccedil;&atilde;o com qualidade e equidade n&atilde;o &eacute; a consequ&ecirc;ncia, &eacute; a causa do aumento e da distribui&ccedil;&atilde;o de renda: &eacute; o vetor do progresso. A hist&oacute;ria mostra que nenhum pa&iacute;s se desenvolveu sem ter primeiro um sistema educacional com qualidade para todos. Por falta de outras condi&ccedil;&otilde;es, como recursos naturais ou liberdade empresarial, &eacute; poss&iacute;vel educar sem obter desenvolvimento, mas n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel se desenvolver sem assegurar educa&ccedil;&atilde;o. No mundo onde o conhecimento &eacute; capital, a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o principal fator de produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; a ferramenta para distribui&ccedil;&atilde;o de renda, elemento de aglutina&ccedil;&atilde;o social, alicerce do bem-estar e a base do progresso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. A desigualdade no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; causada pela desigualdade social: a melhoria na educa&ccedil;&atilde;o requer a distribui&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de renda</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, a desigualdade educacional &eacute; a principal causa da desigualdade social. A &uacute;ltima trincheira da escravid&atilde;o &eacute; a desigualdade como a educa&ccedil;&atilde;o de base &eacute; oferecida conforme a renda e o endere&ccedil;o da fam&iacute;lia. A renda &eacute; concentrada, porque a educa&ccedil;&atilde;o de base &eacute; oferecida em "escolas senzala" ou "escolas casa-grande" conforme a renda da fam&iacute;lia, reproduzindo nos filhos a desigualdade de renda entre os pais. A riqueza social bem distribu&iacute;da n&atilde;o precede, procede da boa educa&ccedil;&atilde;o para todos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o de renda que distribui educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o que distribui renda. A garantia do acesso &agrave; escola de qualidade para todos &eacute; o caminho para elevar a renda nacional, pelo aumento da produtividade, e para distribuir esta renda ampliada conforme o talento de cada um, n&atilde;o mais conforme a renda familiar. Tamb&eacute;m &eacute; a base para promover politicamente as conquistas sociais gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da popula&ccedil;&atilde;o consciente de seus direitos e de sua for&ccedil;a para erradicar a exclus&atilde;o social e reduzir o tamanho da desigualdade na renda a n&iacute;veis aceit&aacute;veis moralmente. O talento futebol&iacute;stico &eacute; conquistado, porque a bola &eacute; redonda para todos, o talento intelectual &eacute; herdado, porque a escola paga para os filhos dos doutores &eacute; "redonda", mas a reservada aos filhos dos analfabetos &eacute; inexistente ou "quadrada". Programas de renda m&iacute;nima reduzem a pen&uacute;ria da pobreza, mas n&atilde;o implantam estrutura para a distribui&ccedil;&atilde;o de renda. N&atilde;o &eacute; nos guich&ecirc;s dos bancos, mas nas bancas da escola que a renda &eacute; distribu&iacute;da de forma estruturada e permanente. A estrutura distributiva de renda consiste em construir um Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base, onde os filhos dos pobres e dos ricos estudem em escolas com a mesma qualidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5. A desigualdade na qualidade da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o racial</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo dos quatro s&eacute;culos de escravid&atilde;o, o Brasil ofereceu pouqu&iacute;ssima educa&ccedil;&atilde;o aos brasileiros e a negava absolutamente para todos seus habitantes negros, inclusive os milh&otilde;es de escravos nascidos no pa&iacute;s. A partir de 1888, a Aboli&ccedil;&atilde;o n&atilde;o proibiu educa&ccedil;&atilde;o aos negros, mas continuou-se negando educa&ccedil;&atilde;o, especialmente aos pobres e, por isso, aos negros, porque a escravid&atilde;o formal acabou, mas a pobreza continua com cor. S&oacute; muito recentemente passou-se a assegurar vaga para qualquer crian&ccedil;a, mas em um sistema de aparta&ccedil;&atilde;o educacional que separa os filhos dos pobres em "escolas senzala" e os filhos dos ricos em "escolas casa-grande". Embora, independentemente da cor, o fato de no Brasil a pobreza ser preta faz com que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o negra estude em "escolas senzala". A senzala habitacional era habitada conforme a ra&ccedil;a, a "escola senzala" &eacute; frequentada conforme a renda. Isso permite que uma nova reduzida classe m&eacute;dia e alta de brasileiros negros tenham seus filhos em escolas de m&aacute;xima qualidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"N&atilde;o &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o de renda que distribui educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o que distribui renda."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>6. O Brasil precisa massificar o ensino superior</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil precisa universalizar a educa&ccedil;&atilde;o de base com qualidade para assegurar que todos estejam plenamente alfabetizados para o mundo contempor&acirc;neo. Independente da renda e do endere&ccedil;o, todo brasileiro precisa: falar e escrever bem o idioma portugu&ecirc;s; ser fluente em pelo menos mais um dos idiomas usados internacionalmente; conhecer os fundamentos da matem&aacute;tica, ci&ecirc;ncias, geografia, hist&oacute;ria, artes; debater com compet&ecirc;ncia os temas de filosofia, pol&iacute;tica, antropologia e sociologia relacionados aos principais temas do mundo moderno; saber usar as ferramentas digitais; dispor de pelo menos um of&iacute;cio que permita emprego e renda; adquirir solidariedade com os vizinhos, com a humanidade e com a natureza; querer participar da constru&ccedil;&atilde;o de um mundo melhor e mais belo, com desenvolvimento sustent&aacute;vel; ser capaz de obter educa&ccedil;&atilde;o continuada at&eacute; o final da vida nestes tempos de incertezas e r&aacute;pida muta&ccedil;&atilde;o; se quiser, disputar vaga em curso superior de qualidade em condi&ccedil;&otilde;es iguais com todo brasileiro, independentemente da renda e do endere&ccedil;o. Todos com as mesmas condi&ccedil;&otilde;es para disputar vaga no ensino superior, conforme seu talento e a sua voca&ccedil;&atilde;o. O significado de massifica&ccedil;&atilde;o exigiria negar qualidade ao sistema, barrando o incentivo aos mais talentosos em cada &aacute;rea de atividade, conforme a voca&ccedil;&atilde;o e a persist&ecirc;ncia do aluno, prejudicando a sociedade e o pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>7. Antes de matricular a todos, o Brasil precisa dar qualidade &agrave; escola</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universalizar a educa&ccedil;&atilde;o com m&aacute;xima qualidade exige estrat&eacute;gia de m&eacute;dio e longo prazos, mas sem a "escolha de Sofia da educa&ccedil;&atilde;o": qualidade ou quantidade. A escola deve ser para todos, e todas elas devem ser de qualidade. A execu&ccedil;&atilde;o desta universaliza&ccedil;&atilde;o com qualidade n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel realizar no curto prazo. Uma estrat&eacute;gia pode ser a implanta&ccedil;&atilde;o de um Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base com qualidade pelo governo federal a ser implantado por cidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>8. O Brasil j&aacute; investe o suficiente</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um Sistema Nacional P&uacute;blico pode oferecer escola com qualidade ao custo, neste momento, de R$ 15.000 a R$ 20.000 por aluno por ano. O custo m&eacute;dio de um aluno em escola p&uacute;blica, embora muito variado conforme a s&eacute;rie e o munic&iacute;pio ou estado, est&aacute; ao redor de R$ 5.000 por ano, insuficiente para pagar aos professores um sal&aacute;rio atrativo, financiar e manter os equipamentos necess&aacute;rios a uma escola de qualidade. Alguns estudos indicam que, entre 42 pa&iacute;ses, somos o terceiro pior em gasto por aluno por ano. A prova desta insufici&ecirc;ncia &eacute; que as classes m&eacute;dias e alta gastam entre R$ 60.000 e R$ 200.000 por aluno ao ano em escolas privadas. Gasta-se menos do que se precisa para ter uma educa&ccedil;&atilde;o de base com qualidade, mas o que se gasta permitiria uma qualidade melhor do que temos, se os recursos fossem usados com metas e avalia&ccedil;&otilde;es dos resultados, com mais efici&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o de professores, no aproveitamento deles sem greves, paralisa&ccedil;&otilde;es, nem suspens&otilde;es de aulas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>9. Basta investir mais dinheiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi este mito que levou os promotores do II Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o a se concentrarem na defesa do aumento de gastos: a luta pelo m&aacute;gico n&uacute;mero de 10% do PIB na educa&ccedil;&atilde;o, que consumiu grande parte dos debates durante a elabora&ccedil;&atilde;o do plano. N&atilde;o se buscou descobrir por que h&aacute; pa&iacute;ses que gastam menos e conseguem melhores resultados, da mesma forma que no Brasil h&aacute; estados e munic&iacute;pios melhor classificados, embora gastando menos; nem se considerou que o aumento de gastos com educa&ccedil;&atilde;o requer um sistema capaz de absorver os novos recursos eficientemente. Jogar mais recursos no atual sistema seria como soltar dinheiro de um helic&oacute;ptero, sem capacidade para absorv&ecirc;-lo, na primeira chuva vira lama. N&atilde;o se inverteu a l&oacute;gica: partir de quanto se precisava para implantar um sistema nacional, chegar-se ao valor total do custo necess&aacute;rio e analisar sua viabilidade em fun&ccedil;&atilde;o da percentagem do PIB. Sem fixar esta propor&ccedil;&atilde;o, porque ela pode variar conforme o crescimento ou redu&ccedil;&atilde;o da atividade econ&ocirc;mica, e conforme o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico da atividade pedag&oacute;gica. N&atilde;o se partiu da necessidade do quanto seria preciso pagar aos futuros professores para que os mais brilhantes e vocacionados jovens do presente escolhessem a carreira do magist&eacute;rio e do quanto seria necess&aacute;rio para construir e manter bonitas, confort&aacute;veis e bem equipadas escolas que os mantenha dedicados e com os resultados esperados. Preferiu o mito m&aacute;gico dos 10%, que n&atilde;o serviu como farol para a qualidade educacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10. O setor p&uacute;blico n&atilde;o disp&otilde;e dos recursos necess&aacute;rios para financiar um sistema p&uacute;blico de qualidade para todos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para atender 50 milh&otilde;es de crian&ccedil;as ao custo anual de R$ 15.000 por aluno, o Sistema Nacional P&uacute;blico necessitaria de R$ 750 bilh&otilde;es. O setor p&uacute;blico n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es para este desembolso imediatamente, nem teria como execut&aacute;-lo se tivesse os recursos financeiros, porque n&atilde;o teria as edifica&ccedil;&otilde;es, os equipamentos, nem os professores e demais servidores bem qualificados e motivados. A implanta&ccedil;&atilde;o do sistema nacional com educa&ccedil;&atilde;o de m&aacute;xima qualidade exige estrat&eacute;gia de 20 a 30 anos. Com a atual carga fiscal, se o PIB crescer a 2% ao ano, em 2043-2053 esse valor ser&aacute; inferior a 7% do PIB, perfeitamente vi&aacute;vel. Lembrando que o PIB pode crescer a taxas maiores e que as novas tecnologias permitem reduzir o custo per capita.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>11. Com boa gest&atilde;o, toda escola fica boa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem boa gest&atilde;o, nenhuma escola fica boa, mas a boa gest&atilde;o pouco mudar&aacute; sem professor qualificado e dedicado, em escolas confort&aacute;veis e bem equipadas, usando m&eacute;todos eficientes na promo&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de conhecimento. A boa gest&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente, n&atilde;o faz o milagre de transformar uma "escola senzala" em "escola casa-grande". Al&eacute;m disso, n&atilde;o basta a gest&atilde;o de cada escola, &eacute; preciso gerir todo o sistema educacional, que deve incluir fam&iacute;lia, m&iacute;dia e atividades culturais. E, para fazer funcionar bem uma escola, o conceito de gest&atilde;o n&atilde;o deve se limitar &agrave;s t&eacute;cnicas administrativas, &eacute; preciso considerar as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, sem partidarismo ou preconceitos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>12. A elei&ccedil;&atilde;o de dirigentes &eacute; necess&aacute;ria e suficiente para democratizar as institui&ccedil;&otilde;es escolares</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o promove os resultados esperados se suas escolas s&atilde;o geridas de forma autorit&aacute;ria. Mas o prop&oacute;sito da democracia na escola n&atilde;o deve se fixar no olhar para as rela&ccedil;&otilde;es internas, deve consistir na garantia de acesso de todos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o com m&aacute;xima qualidade, e dar liberdade pedag&oacute;gica aos professores, com um curr&iacute;culo que sirva &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos alunos para a vida democr&aacute;tica, solid&aacute;ria, sem preconceitos com a humanidade e a natureza. Isso n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de entregar o poder para gerir a escola ou universidade &agrave; comunidade acad&ecirc;mica, colocando-a &agrave; margem da realidade e das necessidades da sociedade. A democratiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; na entrega da escola para os professores, mas no compromisso dos professores com a sociedade. Levando-se em conta que para realizar este verdadeiro prop&oacute;sito da democracia a escolha dos dirigentes deve respeitar a vontade da comunidade de cada escola, mas sem descuidar do preparo t&eacute;cnico e da qualifica&ccedil;&atilde;o moral dos dirigentes, al&eacute;m de despartidariz&aacute;-los. A escolha de dirigentes por meio de elei&ccedil;&atilde;o interna pode ser um bom crit&eacute;rio, desde que os candidatos demonstrem qualifica&ccedil;&atilde;o, antes da pr&oacute;pria elei&ccedil;&atilde;o pelos pares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>13. O problema da educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; nos baixos sal&aacute;rios dos professores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados mostram que a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o em cada munic&iacute;pio n&atilde;o est&aacute; vinculada diretamente ao sal&aacute;rio pago localmente aos seus professores, sabe-se, por&eacute;m, que sal&aacute;rios s&atilde;o importantes na escolha da carreira a ser seguida por muitos jovens e na dedica&ccedil;&atilde;o deles posteriormente &agrave; sua atividade profissional; e que os sal&aacute;rios s&atilde;o determinantes para garantir dedica&ccedil;&atilde;o plena do professor, sem necessidade de renda adicional, em trabalhos paralelos. A qualifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia dos profissionais de uma carreira ou profiss&atilde;o e sua dedica&ccedil;&atilde;o deste profissional &agrave; fun&ccedil;&atilde;o adotada dependem dos sal&aacute;rios que recebem e das condi&ccedil;&otilde;es em que trabalham. Com essa l&oacute;gica, a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o tem a ver com a recompensa que os professores recebem. A correla&ccedil;&atilde;o &eacute; sobretudo verdadeira para os jovens que ser&atilde;o atra&iacute;dos para o magist&eacute;rio no futuro. Por isso, uma estrat&eacute;gia para elevar a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o de base exige que a carreira do magist&eacute;rio esteja entre as mais bem remuneradas na sociedade, e que o sal&aacute;rio atenda &agrave;s necessidades do professor. A atra&ccedil;&atilde;o depende da compara&ccedil;&atilde;o salarial com outras profiss&otilde;es, a dedica&ccedil;&atilde;o depende da compara&ccedil;&atilde;o salarial &agrave;s necessidades pessoais e familiares. Al&eacute;m disso, obviamente, das boas condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, em edifica&ccedil;&otilde;es com qualidade, escolas bem equipadas, com funcionamento sem viol&ecirc;ncia e, sobretudo, respeito dos alunos e da sociedade ao professor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>14. As novas tecnologias permitir&atilde;o dar o salto e o professor ficar&aacute; desnecess&aacute;rio</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem incorporar as novas tecnologias, o processo pedag&oacute;gico fica ineficiente e sem atratividade para os alunos; elas s&atilde;o necess&aacute;rias, auxiliam, fazem a escola mais agrad&aacute;vel, mais eficiente, mais democr&aacute;tica e abrangente, mas s&atilde;o complementos ao professor, que continuar&aacute; a ser a pe&ccedil;a central do processo pedag&oacute;gico. Entretanto, &eacute; preciso considerar que as novas tecnologias v&atilde;o exigir que os professores evoluam da "aula teatral" para a "aula cinematogr&aacute;fica". Desde quando o escoc&ecirc;s professor de geografia James Pillans inventou o quadro negro, no s&eacute;culo XVIII, a pedagogia saiu da fase di&aacute;logo - professor e poucos alunos - para a fase teatral - professor, palco e muitos alunos. Apesar de pequenos ajustes desde ent&atilde;o, o sistema continuou teatral, usando lousas est&aacute;ticas e n&atilde;o inteligentes. Atravessamos agora um processo disruptivo do tipo que sofreu a arte dram&aacute;tica quando, h&aacute; 100 anos, descobriu o cinema. A passagem do s&eacute;culo XX para o XXI trouxe a possibilidade de substituir os escassos recursos do quadro negro est&aacute;tico, sem mem&oacute;ria nem intelig&ecirc;ncia para dar-lhe din&acirc;mica, por lousas inteligentes com ferramentas digitais, teleinform&aacute;tica e bancos de dados, al&eacute;m de permitir que a aula chegue a todos e em toda parte, sem necessidade da presen&ccedil;a f&iacute;sica do professor no ambiente onde est&aacute; o aluno. A "aula teatral" pode ser "aula cinematogr&aacute;fica" e o "professor teatral" deve dar o salto tecnol&oacute;gico necess&aacute;rio para se fazer "professor cinematogr&aacute;fico".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>15. Hor&aacute;rio integral n&atilde;o &eacute; importante</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o h&aacute; como alfabetizar plenamente para a contemporaneidade em escola com poucas horas por dia. No mundo atual que exige muito conhecimento e habilidades, o hor&aacute;rio integral &eacute; absolutamente necess&aacute;rio: escola sem hor&aacute;rio integral n&atilde;o &eacute; uma escola para a contemporaneidade. Por isso, h&aacute; d&eacute;cadas, os pa&iacute;ses com boa educa&ccedil;&atilde;o, tanto quanto as classes m&eacute;dias e altas brasileiras, adotaram a perman&ecirc;ncia dos alunos em escolas com hor&aacute;rio integral para seus filhos, seja diretamente na escola, seja em atividades complementares de l&iacute;nguas, esportes, arte e outras atividades culturais. O Brasil precisa adotar este hor&aacute;rio em todas suas escolas, independente da renda e do endere&ccedil;o de cada aluno.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>16. Basta hor&aacute;rio integral para que o problema educacional esteja resolvido</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ensino em hor&aacute;rio integral &eacute; necess&aacute;rio, mas n&atilde;o basta. &Eacute; preciso incorporar conviv&ecirc;ncia com fam&iacute;lia e amigos e envolver a m&iacute;dia tradicional e social no processo de educa&ccedil;&atilde;o. A educa&ccedil;&atilde;o deve ser t&atilde;o integral que v&aacute; al&eacute;m de 6 a 7 horas na escola e inclua a vida social de cada aluno: teatro, cinema, televis&atilde;o, <i>streamings</i>, restaurantes, parques de divers&atilde;o, paradas e esta&ccedil;&otilde;es de transporte p&uacute;blico, todos fazendo parte de um sistema educativo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>17. O Ensino a Dist&acirc;ncia n&atilde;o oferece boa forma&ccedil;&atilde;o para os professores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O EAD &eacute; positivo, democratizante e eficiente, devendo ser usado sempre que poss&iacute;vel e necess&aacute;rio para complementar a forma&ccedil;&atilde;o do professor com aula presencial e tutoria, mas exige responsabilidade e pedagogia apropriadas para sair da linguagem teatral, apenas transmitidas, para aulas com linguagem pedag&oacute;gica cinematogr&aacute;fica com mecanismos de acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o. H&aacute; pouco mais de 100 anos, o cinema trouxe a possibilidade de levar a arte dram&aacute;tica do espa&ccedil;o teatral, restrito a poucos, ao mundo inteiro, nas telas do cinema, mas para isso exigiu e criou uma nova linguagem apropriada, com diferentes c&acirc;meras, elementos complementares, efeitos especiais. O EAD precisa dar esse salto, n&atilde;o se limitar a transmitir em rede o professor no quadro negro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>18. Equidade educacional &eacute; garantir ingresso de todos ao ensino superior</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todo jovem deve ter direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o que lhe permita estar alfabetizado para a contemporaneidade, dispondo do mapa para buscar sua felicidade pessoal e das ferramentas para participar da constru&ccedil;&atilde;o de seu pa&iacute;s, em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade com os demais jovens, independente da renda e do endere&ccedil;o. A mentalidade brasileira que nega este direito criou a ilus&atilde;o do slogan "Todos na Universidade". O direito social deve estar na garantia de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de base com qualidade para todos, assegurando alfabetiza&ccedil;&atilde;o plena para a contemporaneidade. Permitindo o avan&ccedil;o para o ensino superior por voca&ccedil;&atilde;o e talento, n&atilde;o por necessidade de diploma universit&aacute;rio para ter emprego e renda. Todos prontos para caminhar ao futuro em busca de sua felicidade e dispondo de ferramentas, t&eacute;cnicas ou pol&iacute;ticas, para construir um pa&iacute;s eficiente, justo, sustent&aacute;vel e democr&aacute;tico. A equidade n&atilde;o est&aacute; na ilus&oacute;ria promessa de ensino superior para todos - eliminando o conceito de superior - mas em assegurar que o acesso a esta etapa n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio e que todos que desejarem devem disputar seu acesso em condi&ccedil;&otilde;es iguais, independentemente da renda e do endere&ccedil;o. Apenas o talento e a voca&ccedil;&atilde;o definiriam o ingresso em curso superior. Nem indica&ccedil;&otilde;es, por nascimento ou apadrinhamento, nem por comprar vaga em universidade por pagar escola com qualidade durante sua educa&ccedil;&atilde;o de base.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>19. O ensino m&eacute;dio &eacute; pr&eacute;-universit&aacute;rio</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A equivocada tradi&ccedil;&atilde;o brasileira de vincular educa&ccedil;&atilde;o plena &agrave; forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria fez com que o Brasil chame a segunda fase da educa&ccedil;&atilde;o de base de ensino m&eacute;dio, etapa imprensada entre o ensino fundamental e o ensino superior. O chamado ensino m&eacute;dio deve ser a parte conclusiva da educa&ccedil;&atilde;o de base, sem necessidade de ser pr&eacute;-universit&aacute;rio. O pr&oacute;prio nome deve ser modificado para ensino conclusivo na forma&ccedil;&atilde;o do jovem (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a32fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>20. Sindicato de professores defende a educa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sindicato de Professores defende os interesses dos professores, e como tal &eacute; fundamental para a defesa da educa&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &eacute; suficiente e muitas vezes age contra os interesses da educa&ccedil;&atilde;o e dos alunos, ao proteger professores despreparados ou desmotivados, provocar paralisa&ccedil;&otilde;es e suspens&otilde;es de aulas. O sindicato defende a fundamental corpora&ccedil;&atilde;o dos professores, n&atilde;o as crian&ccedil;as, os pais, o pa&iacute;s, nem a educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>21. Ensino superior e educa&ccedil;&atilde;o de base precisam estar integrados sob um mesmo Minist&eacute;rio</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto o MEC for respons&aacute;vel ao mesmo tempo pela educa&ccedil;&atilde;o de base e pelo ensino superior, as universidades dominar&atilde;o a agenda de preocupa&ccedil;&otilde;es do ministro e o destino dos recursos do or&ccedil;amento nacional, deixando a educa&ccedil;&atilde;o de base das crian&ccedil;as para os munic&iacute;pios, pobres e desiguais, sem a mesma motiva&ccedil;&atilde;o educacional. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, a educa&ccedil;&atilde;o e o futuro de cada crian&ccedil;a dependem da sorte de seu nascimento e resid&ecirc;ncia, fam&iacute;lia ou munic&iacute;pio. Esta vis&atilde;o municipalista sacrifica a crian&ccedil;a cuja renda ou endere&ccedil;o impede boa educa&ccedil;&atilde;o, e em consequ&ecirc;ncia sacrifica todo o pa&iacute;s. A educa&ccedil;&atilde;o de base com qualidade, especialmente com equidade, exige a nacionaliza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e, portanto, a institui&ccedil;&atilde;o de um minist&eacute;rio federal respons&aacute;vel por essa etapa. A forma&ccedil;&atilde;o de seus professores deve estar subordinada a este minist&eacute;rio pr&oacute;prio, que usar&aacute; as universidades em regime de coopera&ccedil;&atilde;o conforme os interesses da educa&ccedil;&atilde;o de base.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>22. Democracia e efici&ecirc;ncia exigem descentraliza&ccedil;&atilde;o e municipaliza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o h&aacute; democracia plena em um pa&iacute;s que diferencia a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o de base conforme a renda e a prioridade das fam&iacute;lias ou das prefeituras. A democracia como direito igual &agrave; educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; compat&iacute;vel com a descentraliza&ccedil;&atilde;o do sistema educacional partido em munic&iacute;pios. A democracia requer assegurar a mesma qualidade na educa&ccedil;&atilde;o de base a cada crian&ccedil;a, sem distin&ccedil;&atilde;o de renda ou endere&ccedil;o. Para tanto, &eacute; necess&aacute;ria a ado&ccedil;&atilde;o federal das escolas nos munic&iacute;pios que n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es ou n&atilde;o desejam oferecer educa&ccedil;&atilde;o com m&aacute;xima qualidade para suas crian&ccedil;as. Cada crian&ccedil;a deve receber o mesmo direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, independente da fam&iacute;lia em que nasce e da cidade onde mora. Qualidade e equidade exigem a implanta&ccedil;&atilde;o de Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base, usando a efici&ecirc;ncia gerencial da descentraliza&ccedil;&atilde;o por escola, mas com carreira nacional do professor, padr&otilde;es de constru&ccedil;&atilde;o e equipamentos nacionais, al&eacute;m de hor&aacute;rio integral, independente da cidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>23. A universidade deve ser gratuita para todos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda atividade &eacute; paga. O que &eacute; considerado gratuito por n&atilde;o ser pago diretamente pelo usu&aacute;rio &eacute; pago indiretamente pelos demais indiv&iacute;duos da sociedade. Alguns pagando impostos, outros deixando de receber benef&iacute;cios que viriam destes gastos, caso houvesse prioridade diferente. Os servi&ccedil;os gratuitos s&atilde;o financiados por algu&eacute;m e, em geral, pelos mais pobres, exclu&iacute;dos do or&ccedil;amento p&uacute;blico. A universidade gratuita &eacute; paga por muitos que n&atilde;o recebem escola de base com qualidade para seus filhos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>24. Filhos de fam&iacute;lias ricas devem pagar pelo estudo de seus filhos na universidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, os ricos n&atilde;o deveriam pagar nem pela educa&ccedil;&atilde;o de base de seus filhos, porque o caminho para a equidade da educa&ccedil;&atilde;o de base &eacute; ela ser p&uacute;blica e igual para todos. Se os ricos pagarem, seus filhos n&atilde;o estudar&atilde;o nas mesmas escolas dos filhos dos pobres. Se n&atilde;o pagarem, seus filhos estudar&atilde;o nas mesmas escolas dos filhos dos pobres, como em quase todos outros pa&iacute;ses, criando-se a condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica para a aglutina&ccedil;&atilde;o social. A universidade deve ser escada social para os indiv&iacute;duos que nela estudam, tamb&eacute;m alavanca para o progresso do pa&iacute;s e da humanidade. Os cursos escada devem ser cobrados dos alunos, ou nem serem oferecidos por universidades estatais; mas os cursos alavanca social devem ser gratuitos, mesmo para os ricos. Se o filho de fam&iacute;lia rica quer se formar nas &aacute;reas de interesse p&uacute;blico, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para exigir que paguem. Da mesma forma que os ricos n&atilde;o pagam os gastos de seus filhos no servi&ccedil;o militar, n&atilde;o h&aacute; por que cobrar deles o curso universit&aacute;rio para que seus filhos sirvam ao pa&iacute;s e &agrave; humanidade. As fam&iacute;lias ricas, mesmo sem filhos, devem pagar impostos para financiar todos os n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o de todos os brasileiros, n&atilde;o s&oacute; de seus filhos, na forma&ccedil;&atilde;o que interessa &agrave;s necessidades p&uacute;blicas e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do Brasil. N&atilde;o h&aacute; por que deslocar recursos p&uacute;blicos, especialmente da educa&ccedil;&atilde;o de base, para financiar cursos universit&aacute;rios comprometidos apenas com a promo&ccedil;&atilde;o individual do aluno. Mas, mesmo filho de ricos, n&atilde;o devem pagar para se preparar &agrave; carreira profissional que serve &agrave; sociedade e ao pa&iacute;s: professores, cientistas, fil&oacute;sofos, m&eacute;dicos da sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>25. A escola de base deve ser gratuita para todos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ningu&eacute;m deve ser impedido de ter uma escola de qualidade por n&atilde;o ter dinheiro suficiente para financiar o custo da escola de seu filho, e ningu&eacute;m deve ter uma escola com mais qualidade, por ter mais dinheiro e poder pagar uma escola melhor para seu filho. A desigualdade na forma&ccedil;&atilde;o deve decorrer do talento, da persist&ecirc;ncia, da voca&ccedil;&atilde;o, talvez at&eacute; da sorte de amigos, e orientadores, mas n&atilde;o do poder de comprar escola com mais qualidade. Um pa&iacute;s n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tico enquanto a fam&iacute;lia precisar pagar pela escola de seus filhos por falta de um Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base, tampouco &eacute; plenamente democr&aacute;tico uma fam&iacute;lia poder pagar para a educa&ccedil;&atilde;o de seu filho ser melhor do que a escola dos que n&atilde;o podem pagar. Tanto quanto n&atilde;o &eacute; plenamente democr&aacute;tico que alguns possam pagar oxig&ecirc;nio de qualidade enquanto os pobres podem morrer asfixiados. Afinal, a escola &eacute; o bal&atilde;o de oxig&ecirc;nio da mente. Mas, uma escola &eacute; ainda mais p&uacute;blica se os pais se sentem empoderados para participar da gest&atilde;o, exigindo dedica&ccedil;&atilde;o e qualidade dos professores, demais servidores e da infraestrutura escolar. Mesmo que este empoderamento decorra do pagamento de um valor simb&oacute;lico, do ponto de vista do custo da escola, mas que seja efetivo do ponto de vista de fazer a fam&iacute;lia se sentir patrocinadora da escola.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Ningu&eacute;m deve ser impedido de ter uma escola de qualidade por n&atilde;o ter dinheiro suficiente para financiar o custo da escola de seu filho, e ningu&eacute;m deve ter uma escola com mais qualidade, por ter mais dinheiro e poder pagar uma escola melhor para seu filho."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>26. Escola p&uacute;blica &eacute; sin&ocirc;nimo de escola estatal</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma escola de qualidade que escolhe seus alunos pelo poder de pagar mensalidade n&atilde;o &eacute; p&uacute;blica, uma escola estatal que n&atilde;o oferece ensino de qualidade tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; p&uacute;blica. &Eacute; poss&iacute;vel definir como p&uacute;blica uma escola de qualidade onde os alunos estudam independentemente da renda de sua fam&iacute;lia e aprendem a servir ao p&uacute;blico, ainda que a propriedade de suas instala&ccedil;&otilde;es sejam privadas. O Brasil tem escolas mantidas pelo setor privado, por funda&ccedil;&otilde;es e filantropos, com esta caracter&iacute;stica p&uacute;blica, atendendo com qualidade aos alunos, independentemente da renda e do endere&ccedil;o deles. S&atilde;o as escolas p&uacute;blicas n&atilde;o estatais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>27. Faltam educadores</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil tem alguns dos mais reconhecidos educadores do mundo - An&iacute;sio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro -, suas propostas n&atilde;o s&atilde;o adotadas porque at&eacute; hoje n&atilde;o tivemos estadistas educacionistas no poder. J&aacute; tivemos estadistas da Independ&ecirc;ncia, da Aboli&ccedil;&atilde;o, da Ind&uacute;stria, do Desenvolvimento, da Infraestrutura, do Agroneg&oacute;cio, da Redemocratiza&ccedil;&atilde;o, mas nenhum estadista da educa&ccedil;&atilde;o na Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, ainda menos um Congresso com maioria de parlamentares educacionistas comprometidos com o Brasil ter educa&ccedil;&atilde;o com a m&aacute;xima qualidade e os filhos dos mais pobres estudando nas mesmas escolas dos mais ricos, todos em um mesmo Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base com qualidade. Joaquim Nabuco disse que a Aboli&ccedil;&atilde;o s&oacute; foi poss&iacute;vel quando surgiu um "instinto nacional" pela Aboli&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o tivemos e ainda n&atilde;o temos, pela educa&ccedil;&atilde;o de base para todos. N&atilde;o nos faltam educadores, faltam educacionistas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>28. A avalia&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o deve levar em conta as especificidades nacionais e sociais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta &eacute; uma postura para aceitar que a educa&ccedil;&atilde;o do Brasil n&atilde;o pode ser avaliada em compara&ccedil;&atilde;o com a de outros pa&iacute;ses, e que a avalia&ccedil;&atilde;o dos brasileiros pobres deve considerar a sua baixa renda, e por isso aceitar educa&ccedil;&atilde;o com menor qualidade. Forma disfar&ccedil;ada para dizer que o Brasil n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de ser um pa&iacute;s avan&ccedil;ado em educa&ccedil;&atilde;o; e que os filhos dos pobres n&atilde;o devem almejar escola com a qualidade dos ricos. Desculpando a desigualdade educacional a que nossos dirigentes nos condenaram no mundo, e dentro do pa&iacute;s entre quem pode e quem n&atilde;o pode comprar educa&ccedil;&atilde;o. Condenando o Brasil a ser um pa&iacute;s dos p&eacute;s no futebol, n&atilde;o dos c&eacute;rebros na educa&ccedil;&atilde;o. Um pa&iacute;s cuja popula&ccedil;&atilde;o olha todos os anos para Zurique para esperar qual compatriota receber&aacute; a Bola de Ouro, mas nem sonha olhar para Estocolmo para saber quem receber&aacute; o Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>29. Se a educa&ccedil;&atilde;o deve ser igual, devemos impedir o uso de cotas raciais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cotas raciais visam superar a indec&ecirc;ncia de um povo multirracial com elite de cara branca. A riqueza sendo branca e a educa&ccedil;&atilde;o de base com qualidade reservada aos que podem pagar, a elite intelectual que sai das universidades tem pele branca. As cotas n&atilde;o visam beneficiar ao jovem negro, visam dar dec&ecirc;ncia &eacute;tnica ao Brasil, oferecendo chance aos raros jovens negros que conseguiram chegar ao final do ensino m&eacute;dio, para que eles auxiliem o pa&iacute;s a ter elite multicultural. O uso de cotas &eacute; uma necessidade de dec&ecirc;ncia nacional em um pa&iacute;s que por s&eacute;culos negou educa&ccedil;&atilde;o aos brasileiros negros, milh&otilde;es dos quais nasceram escravos ao longo de tr&ecirc;s s&eacute;culos, e h&aacute; 100 anos a maior parte deles vive como pobres, em um pa&iacute;s onde a pobreza tem cor (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a32fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>30. As costas raciais devem permanecer para sempre</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando o Brasil tiver um Sistema &Uacute;nico Nacional P&uacute;blico de Educa&ccedil;&atilde;o de Base, independente da renda e do endere&ccedil;o, todos os jovens ter&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es iguais para disputar vaga na universidade, independentemente da cor da pele e da conta banc&aacute;ria, n&atilde;o sendo, portanto, necess&aacute;rio o uso de cotas para ingresso no ensino superior. At&eacute; l&aacute;, as cotas s&atilde;o uma necessidade para beneficiar o Brasil, que precisa quebrar o racismo impl&iacute;cito de uma elite branca em um pa&iacute;s multirracial.</font></p>      ]]></body>
</article>
