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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e a biodiversidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Artur Malecha<sup>I</sup>; Mariana M. Vale<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Mestre em Ecologia e Evolu&ccedil;&atilde;o pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutorando em Ecologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)    <br>   <sup>II</sup>Professora do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenadora da Sub-rede de Biodiversidade da RedeCLIMA (MCTI) e autora no &uacute;ltimo relat&oacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o um dos principais desafios da atualidade, promovendo impactos que antes imagin&aacute;vamos restritos a um futuro distante. Apesar de seus efeitos j&aacute; serem percebidos nos dias de hoje, medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o para redu&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o de gases de efeito estufa na atmosfera podem reduzir fortemente os impactos futuros sobre a biodiversidade global. Aqui, destacamos os principais resultados de revis&otilde;es da literatura cient&iacute;fica sobre os impactos futuros das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade, com &ecirc;nfase especial no contexto brasileiro. Discutimos que o cumprimento de metas ambiciosas do Acordo de Paris pode reduzir drasticamente a quantidade de esp&eacute;cies em risco de extin&ccedil;&atilde;o e os impactos para os diferentes biomas brasileiros. Al&eacute;m disso, analisamos os poss&iacute;veis impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre as Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o brasileiras, avaliando sua efici&ecirc;ncia em proteger a biodiversidade frente a essa nova amea&ccedil;a e como torn&aacute;-las mais resilientes no futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Risco de extin&ccedil;&atilde;o; Conserva&ccedil;&atilde;o; Proje&ccedil;&otilde;es de risco; Unidades de conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas j&aacute; s&atilde;o uma realidade do nosso tempo, sendo talvez o principal desafio a ser enfrentado pela humanidade neste s&eacute;culo. Vale ressaltar que essa grande amea&ccedil;a n&atilde;o surgiu sem aviso. &Eacute; inequ&iacute;voco dizer que as a&ccedil;&otilde;es humanas levaram o clima global a se transformar como vemos hoje. Desde o s&eacute;culo passado, a comunidade cient&iacute;fica vem chamando a aten&ccedil;&atilde;o para os perigos da emiss&atilde;o excessiva de gases de efeito estufa e seus impactos nos sistemas naturais e humanos. Hoje j&aacute; podemos dizer que estamos vivenciando parte desses impactos e cen&aacute;rios potencialmente mais alarmantes. No Brasil, os modelos clim&aacute;ticos projetam aumentos severos de temperatura na regi&atilde;o Norte e na por&ccedil;&atilde;o central do pa&iacute;s, acompanhados de uma severa diminui&ccedil;&atilde;o da pluviosidade. Na regi&atilde;o Sul, por outro lado, &eacute; projetado um aumento significativo da precipita&ccedil;&atilde;o na forma, sobretudo, de eventos extremos. Esse futuro projetado parece j&aacute; estar presente. No ano de 2023, uma seca hist&oacute;rica atingiu a bacia do Rio Amazonas atingindo os menores n&iacute;veis em mais de 120 anos de medi&ccedil;&atilde;o. No ano de 2020, o Pantanal teve o m&ecirc;s mais quente j&aacute; registrado em mais de 100 anos. No ano de 2023, seguido pelo ano de 2024, recordes hist&oacute;ricos de pluviosidade foram quebrados na regi&atilde;o sul do pa&iacute;s, provocando a maior cat&aacute;strofe ambiental e humanit&aacute;ria do Rio Grande do Sul. As popula&ccedil;&otilde;es humanas e a biodiversidade j&aacute; est&atilde;o sentindo os efeitos do que consider&aacute;vamos ser mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas "futuras".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante desse cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas velozes e intensas, a biodiversidade pode ser impactada de diferentes formas. Esse processo pode provocar altera&ccedil;&otilde;es no <i>habitat</i> das esp&eacute;cies, por meio de altera&ccedil;&otilde;es nos ciclos de cheias e vazantes, aumento da acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos e aumento na frequ&ecirc;ncia de eventos extremos de temperatura e pluviosidade. A biodiversidade tamb&eacute;m pode ser impactada atrav&eacute;s de descompassos entre as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e o momento em que ocorrem importantes eventos sazonais na vida das esp&eacute;cies, como reprodu&ccedil;&atilde;o ou a muda. Por exemplo, a lebre-americana muda a colora&ccedil;&atilde;o de sua pelugem de marrom para branco no inverno em determinadas regi&otilde;es da Am&eacute;rica do Norte. Contudo, com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o surgimento dos pelos brancos no in&iacute;cio do inverno n&atilde;o coincide mais com o aparecimento da cobertura de neve, o que potencialmente torna esses animais mais vis&iacute;veis aos predadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m desses aspectos, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem afetar a biodiversidade alterando a &aacute;rea clim&aacute;tica adequada para a perman&ecirc;ncia das esp&eacute;cies. Devido ao aumento da temperatura, as esp&eacute;cies podem ter que buscar seu clima adequado se deslocando em dire&ccedil;&atilde;o a latitudes mais elevadas ou maiores altitudes para compensar o aumento do calor. Esse tipo de deslocamento j&aacute; vem sendo observado em diversos animais e plantas em diferentes regi&otilde;es do planeta. No ambiente marinho, por exemplo, devido ao aquecimento das &aacute;guas superficiais, algumas esp&eacute;cies est&atilde;o se deslocando e ocupando &aacute;guas mais profundas. Esse processo de modifica&ccedil;&atilde;o do clima pode levar a contra&ccedil;&otilde;es severas da &aacute;rea total de distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies e potencialmente a extin&ccedil;&otilde;es em um futuro pr&oacute;ximo. Isso acontece, pois, o clima ao qual a esp&eacute;cie est&aacute; adaptada pode simplesmente desaparecer, ou porque os indiv&iacute;duos da esp&eacute;cie podem n&atilde;o conseguir se deslocar para novas &aacute;reas, pois as paisagens est&atilde;o altamente modificadas pelo homem ou a velocidade da mudan&ccedil;a do clima &eacute; maior que sua capacidade de dispers&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante desse cen&aacute;rio, uma profus&atilde;o de estudos vem sendo produzidos ao redor do mundo para compreender os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre a biodiversidade no futuro pr&oacute;ximo e no fim deste s&eacute;culo. Em um esfor&ccedil;o de reunir a literatura global sobre esse tema, uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica foi feita reunindo artigos com proje&ccedil;&otilde;es futuras de impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre a biodiversidade nas &aacute;reas mais importantes para a biodiversidade no mundo &#91;1&#93;. Esse levantamento indicou que a literatura sobre o tema &eacute; distribu&iacute;da de forma desigual ao redor dessas &aacute;reas. No cen&aacute;rio mundial, o Brasil se destaca como uma grande fonte de conhecimento sobre o tema, com a Mata Atl&acirc;ntica sendo o <i>hotspot</i> de biodiversidade com a maior quantidade de proje&ccedil;&otilde;es futuras para a biodiversidade no mundo. O Cerrado tamb&eacute;m se destaca como o sexto <i>hotspot</i> de biodiversidade mais estudado nesse contexto. Essa grande representatividade dos <i>hotspots</i> brasileiros destaca a grande relev&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia nacional no campo das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e da biodiversidade. Em outra revis&atilde;o sobre o tema, agora focada no Brasil &#91;2&#93;, a Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m ganha destaque sendo o foco de 21% dos 121 artigos analisados. Estudos sobre a Mata Atl&acirc;ntica corresponderam a 43%, o Cerrado foi representado por 15% dos artigos, enquanto a Caatinga foi representada por 9%. Os biomas Pampa e o Pantanal n&atilde;o representaram nem 5% dos artigos levantados, sendo uma grande lacuna nos estudos sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e biodiversidade no Brasil. Para ambos os biomas, as previs&otilde;es de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o severas, em especial para o Pantanal que vem sofrendo constantemente com as secas cada vez mais intensas. Tanto no Brasil como no mundo, observa-se um vi&eacute;s significativo de estudos para o ambiente terrestre, sendo os ecossistemas de &aacute;guas continentais e marinhos sub-representados nos estudos sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e a biodiversidade. &Eacute; fundamental que mais estudos voltados para a compreens&atilde;o de como as esp&eacute;cies v&atilde;o responder &agrave;s mudan&ccedil;as do clima sejam produzidos nos ecossistemas menos representados atualmente. Esses estudos nos permitem identificar esp&eacute;cies e grupos potencialmente vulner&aacute;veis, al&eacute;m de regi&otilde;es com grande potencial para servirem como ref&uacute;gios clim&aacute;ticos para as esp&eacute;cies. O desconhecimento sobre os poss&iacute;veis efeitos futuros da crise clim&aacute;tica na biodiversidade &eacute; um grande empecilho para a tomada de decis&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao analisarmos a literatura cient&iacute;fica ao redor do mundo, muitos padr&otilde;es j&aacute; s&atilde;o percept&iacute;veis sobre os impactos esperados das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade. Um desses aspectos est&aacute; associado com caracter&iacute;sticas das esp&eacute;cies e sua hist&oacute;ria biogeogr&aacute;fica. Esp&eacute;cies nativas que ocorrem apenas em uma regi&atilde;o espec&iacute;fica, como, por exemplo, um determinado bioma, s&atilde;o chamadas de end&ecirc;micas, enquanto esp&eacute;cies que passam a ocorrer em uma regi&atilde;o nova, geralmente por introdu&ccedil;&atilde;o intencional ou acidental humana, s&atilde;o chamadas de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas. Esp&eacute;cies ex&oacute;ticas quando se estabelecem bem em uma nova regi&atilde;o e possuem r&aacute;pido crescimento populacional, prejudicando as esp&eacute;cies locais, adquirem o car&aacute;ter de esp&eacute;cie invasora. No contexto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, as proje&ccedil;&otilde;es futuras indicam que as esp&eacute;cies nativas e end&ecirc;micas s&atilde;o consistentemente mais vulner&aacute;veis aos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas do que esp&eacute;cies ex&oacute;ticas, tanto em ambientes terrestres, quanto marinhos. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que esp&eacute;cies end&ecirc;micas devem sofrer com impactos tr&ecirc;s vezes mais severos que esp&eacute;cies nativas comuns e dez vezes maiores que os impactos previstos para esp&eacute;cies ex&oacute;ticas. Esp&eacute;cies com distribui&ccedil;&atilde;o muito restrita enfrentam tipicamente maior risco de extin&ccedil;&atilde;o, sendo as esp&eacute;cies end&ecirc;micas de ilhas e montanhas as em maior risco de extin&ccedil;&atilde;o associado &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"As popula&ccedil;&otilde;es humanas e a biodiversidade j&aacute; est&atilde;o sentindo os efeitos do que consider&aacute;vamos ser mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas 'futuras'."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para esp&eacute;cies ex&oacute;ticas, proje&ccedil;&otilde;es de impactos neutros e positivos s&atilde;o comumente encontrados, indicando que para essas esp&eacute;cies as mudan&ccedil;as do clima podem n&atilde;o gerar nenhum impacto e inclusive podem favorecer o avan&ccedil;o dessas esp&eacute;cies sobre as esp&eacute;cies locais. A expans&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas invasoras, associado &agrave; retra&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies nativas e end&ecirc;micas, pode culminar na redu&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. A substitui&ccedil;&atilde;o de muitas esp&eacute;cies end&ecirc;micas especialistas por algumas poucas esp&eacute;cies generalistas e com ampla distribui&ccedil;&atilde;o pode causar homogeneiza&ccedil;&atilde;o e simplifica&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas. Esp&eacute;cies invasoras, com perda de <i>habitat</i> e sobre-explora&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o as principais amea&ccedil;as &agrave; biodiversidade atualmente e a redistribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies em resposta &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas pode favorecer a invas&atilde;o de ecossistemas, intensificando essa amea&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, as metas estabelecidas no Acordo de Paris durante a COP 21 t&ecirc;m grande potencial para reduzir os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre a biodiversidade. O principal objetivo desse acordo &eacute; proteger o sistema clim&aacute;tico em benef&iacute;cio das gera&ccedil;&otilde;es presentes e futuras, estabelecendo um pacto entre as na&ccedil;&otilde;es para manter o aumento da temperatura m&eacute;dia global abaixo de 2&deg;C. Para alcan&ccedil;ar essa meta, compromissos e deveres foram definidos para todos os pa&iacute;ses, seguindo o princ&iacute;pio das responsabilidades comuns, por&eacute;m diferenciadas, uma vez que os pa&iacute;ses desenvolvidos foram os principais causadores da crise clim&aacute;tica. Al&eacute;m disso, os pa&iacute;ses signat&aacute;rios devem autodeterminar metas nacionais que contribuam para a redu&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o de gases de efeito estufa na atmosfera, estabelecendo metas progressivamente mais ambiciosas. O comprometimento internacional para a realiza&ccedil;&atilde;o das metas de mitiga&ccedil;&atilde;o (redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa) &eacute; fundamental para reduzir os impactos sobre a biodiversidade. A mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica refere-se a a&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias adotadas para reduzir ou evitar a emiss&atilde;o de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, visando limitar o impacto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Essas a&ccedil;&otilde;es podem incluir a transi&ccedil;&atilde;o para fontes de energia renov&aacute;vel, como solar e e&oacute;lica, a captura de carbono da atmosfera, e a manuten&ccedil;&atilde;o dos estoques de carbono fora da atmosfera. A mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica &eacute; essencial para conter o aumento da temperatura m&eacute;dia global, conforme estabelecido no Acordo de Paris, reduzindo os impactos sobre a biodiversidade e as popula&ccedil;&otilde;es humanas. Conforme o Observat&oacute;rio do Clima, para que o Brasil se mantenha fiel &agrave;s metas estabelecidas no Acordo de Paris, o pa&iacute;s deve reduzir suas emiss&otilde;es l&iacute;quidas em pelo menos 92% at&eacute; 2035 em rela&ccedil;&atilde;o ao ano de 2005. Para atingir essa dif&iacute;cil meta, esfor&ccedil;os devem ser voltados especialmente para redu&ccedil;&atilde;o severa do desmatamento total no pa&iacute;s, para recupera&ccedil;&atilde;o do passivo do C&oacute;digo Florestal e abandono dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis nos sistemas energ&eacute;ticos. Dessa forma, o Brasil contribuir&aacute; significativamente para a mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais e, consequentemente, para a redu&ccedil;&atilde;o dos impactos sobre a biodiversidade global.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de revis&otilde;es da literatura cient&iacute;fica, foi avaliada a magnitude do potencial do Acordo de Paris na prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade &#91;1,2,3,4&#93;. Em escala global, as proje&ccedil;&otilde;es indicam que a quantidade de esp&eacute;cies em risco de extin&ccedil;&atilde;o aumentar&aacute; significativamente ao comparar o cen&aacute;rio pretendido no Acordo de Paris com cen&aacute;rios mais severos de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Os biomas s&atilde;o afetados de forma diferenciada ao redor do planeta, com os biomas tropicais sendo comumente apontados como os mais vulner&aacute;veis, uma vez que as esp&eacute;cies que habitam os tr&oacute;picos j&aacute; vivem pr&oacute;ximas do seu limite fisiol&oacute;gico t&eacute;rmico m&aacute;ximo, sendo, portanto, muito sens&iacute;veis a qualquer aumento de temperatura. Na regi&atilde;o da Am&eacute;rica Central e Am&eacute;rica do Sul, uma das mais biodiversas do mundo, as proje&ccedil;&otilde;es dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o particularmente severas. Cerca de um quarto das proje&ccedil;&otilde;es indicam extin&ccedil;&otilde;es de esp&eacute;cies em um futuro pr&oacute;ximo. Nesse cen&aacute;rio amea&ccedil;ador, o cumprimento das metas do Acordo de Paris seria particularmente importante, com o potencial de reduzir de 40% para 17% o n&uacute;mero de esp&eacute;cies em risco de extin&ccedil;&atilde;o devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na regi&atilde;o. Al&eacute;m disso, a implementa&ccedil;&atilde;o desse acordo poderia diminuir em 80% os impactos gerais (n&atilde;o especificamente a extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies) da crise clim&aacute;tica na biodiversidade dessa regi&atilde;o. Quando focamos nossas an&aacute;lises no Brasil, observamos que os dados da literatura cient&iacute;fica para o pa&iacute;s seguem as tend&ecirc;ncias globais. O Acordo de Paris pode reduzir em at&eacute; 78% a quantidade de esp&eacute;cies em risco de extin&ccedil;&atilde;o devido ao clima. Apesar de n&atilde;o ser capaz de neutralizar completamente os efeitos negativos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o grande potencial de redu&ccedil;&atilde;o dos impactos destaca a grande relev&acirc;ncia desse acordo internacional para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O impacto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre a biodiversidade dos biomas brasileiros</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante da extens&atilde;o continental do Brasil, os diferentes biomas brasileiros sofrem com proje&ccedil;&otilde;es distintas em termos de magnitude dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre a biodiversidade &#91;2&#93;. Esses biomas tamb&eacute;m devem experienciar diferentes n&iacute;veis de intensidade das mudan&ccedil;as do clima, sendo as por&ccedil;&otilde;es norte e central as que devem sofrer maiores eleva&ccedil;&otilde;es de temperatura &#91;5&#93;. Associadas &agrave;s mudan&ccedil;as do clima, as amea&ccedil;as antr&oacute;picas, como a degrada&ccedil;&atilde;o de <i>habitat</i> e as queimadas, podem intensificar os impactos sobre a biodiversidade. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que a biodiversidade do Pantanal deve ser a mais impactada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no Brasil. A preocupa&ccedil;&atilde;o com essas proje&ccedil;&otilde;es se intensifica fortemente quando observamos as press&otilde;es antr&oacute;picas na regi&atilde;o. Al&eacute;m de estar na regi&atilde;o do pa&iacute;s com as proje&ccedil;&otilde;es mais elevadas de aumento da temperatura m&eacute;dia, o Pantanal vem sofrendo com a convers&atilde;o do solo para agropecu&aacute;ria e com queimadas de origem antr&oacute;pica. Esses processos podem levar a uma mudan&ccedil;a completa da paisagem pantaneira, reduzindo fortemente a extens&atilde;o das &aacute;reas alagadas. A Amaz&ocirc;nia &eacute; o segundo bioma com as proje&ccedil;&otilde;es mais severas de impactos sobre a biodiversidade. Associado a isso, o desmatamento excessivo pode favorecer a mudan&ccedil;a do clima local. A perda de cobertura de floresta reduz drasticamente a evapotranspira&ccedil;&atilde;o do ecossistema, reduzindo a umidade total. Essa redu&ccedil;&atilde;o da disponibilidade de &aacute;gua causada pela a&ccedil;&atilde;o humana, juntamente com a redu&ccedil;&atilde;o de pluviosidade severa prevista para a regi&atilde;o, pode levar a floresta amaz&ocirc;nica a um processo de transforma&ccedil;&atilde;o de uma floresta &uacute;mida em uma floresta altamente degradada. A altera&ccedil;&atilde;o completa da paisagem nesse bioma levaria a grande perda de biodiversidade, al&eacute;m de afetar potencialmente o fluxo de umidade em todo o continente (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a02fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o Cerrado, as amea&ccedil;as s&atilde;o semelhantes. A previs&atilde;o de impactos severos sobre a biodiversidade juntamente com o aumento na frequ&ecirc;ncia de queimadas e a perda de <i>habitat</i> gerada pelo avan&ccedil;o da agropecu&aacute;ria colocam o bioma em sinal de alerta. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, o Cerrado perdeu em m&eacute;dia cerca de 590 mil hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa por ano. Atualmente, o bioma possui apenas cerca de 40% de cobertura florestal remanescente. A severa perda de <i>habitat</i> e a fragmenta&ccedil;&atilde;o da paisagem podem intensificar os impactos gerados pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Este cen&aacute;rio de elevada fragmenta&ccedil;&atilde;o e reduzida cobertura de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa &eacute; encontrado drasticamente na Mata Atl&acirc;ntica, que possui menos de 30% de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa remanescente. As esp&eacute;cies presentes no bioma dificilmente encontrar&atilde;o caminhos prop&iacute;cios para se deslocarem em busca de clima adequado em resposta &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Nesse cen&aacute;rio, a Serra do Mar se destaca pela sua import&acirc;ncia na manuten&ccedil;&atilde;o da maior extens&atilde;o de floresta cont&iacute;nua na Mata Atl&acirc;ntica (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a02fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A biodiversidade da Caatinga tamb&eacute;m deve sofrer fortemente com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso. O bioma, tipicamente semi&aacute;rido, engloba uma das maiores florestas tropicais sazonalmente secas do mundo, mantendo ainda cerca de 58% de cobertura de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa. Nessa regi&atilde;o, o aumento da temperatura e a diminui&ccedil;&atilde;o da pluviosidade m&eacute;dia t&ecirc;m intensificado os efeitos da seca, o que juntamente com a degrada&ccedil;&atilde;o do solo pode levar o bioma a um processo de desertifica&ccedil;&atilde;o. Neste ano, a partir de an&aacute;lises do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), foi identificada pela primeira vez uma regi&atilde;o &aacute;rida no Brasil no interior da Caatinga. Essa altera&ccedil;&atilde;o nos ecossistemas da Caatinga &eacute; uma grande amea&ccedil;a &agrave; biodiversidade e &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es humanas da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o Pampa, as proje&ccedil;&otilde;es dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas para a biodiversidade s&atilde;o as menos severas entre os biomas brasileiros. No entanto, isso n&atilde;o significa que essa regi&atilde;o esteja isenta de preocupa&ccedil;&otilde;es. Aumentos na temperatura e na pluviosidade na regi&atilde;o podem alterar a estrutura da paisagem. Al&eacute;m das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o Pampa enfrenta amea&ccedil;as antropog&ecirc;nicas significativas. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, o bioma perdeu em m&eacute;dia 150 mil hectares de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa por ano. Isso corresponde a tr&ecirc;s vezes a extens&atilde;o da cidade de Porto Alegre, maior cidade do bioma. A perda de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e a fragmenta&ccedil;&atilde;o das paisagens s&atilde;o desafios cont&iacute;nuos que necessitam de estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o eficazes para garantir a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As unidades de conserva&ccedil;&atilde;o e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora a mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica seja essencial, como vimos, infelizmente a perspectiva de redu&ccedil;&atilde;o significativa das concentra&ccedil;&otilde;es de gases de efeito estufa na atmosfera no curto e mesmo no m&eacute;dio prazos n&atilde;o s&atilde;o boas. Assim, &eacute; urgente adotar medidas de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, ou seja, que aumentem a resili&ecirc;ncia dos sistemas naturais (e humanos) &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso. A cria&ccedil;&atilde;o de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o (UCs) &eacute; uma das principais estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade ao redor do planeta, sendo eficiente na prote&ccedil;&atilde;o contra amea&ccedil;as antr&oacute;picas como desmatamento, queimadas e sobre-explora&ccedil;&atilde;o. No Brasil, as UCs s&atilde;o regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (SNUC), que possui duas categorias de prote&ccedil;&atilde;o: as UCs de Prote&ccedil;&atilde;o Integral, dedicadas &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas sem interfer&ecirc;ncia humana, permitindo apenas o uso indireto de seus recursos naturais (correspondendo &agrave;s Categorias I-IV da IUCN), e as UCs de Uso Sustent&aacute;vel, que permitem o uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais pelas comunidades locais (correspondendo &agrave;s Categorias V-VI da IUCN). O Brasil tem 18,3% de seu territ&oacute;rio terrestre coberto por UCs, totalizando cerca de 1,5 milh&atilde;o de km&sup2;. Essa cobertura &eacute; distribu&iacute;da de forma desigual entre os biomas brasileiros, com a Amaz&ocirc;nia tendo uma cobertura de &aacute;reas protegidas muito maior (~28%), seguida pela Mata Atl&acirc;ntica (~10%), Caatinga e Cerrado (~8% cada), e depois pelo Pantanal (~5%) e Pampa (~3%) &#91;6&#93;. Al&eacute;m disso, 12,2% do territ&oacute;rio brasileiro &eacute; coberto por Terras Ind&iacute;genas, localizadas principalmente na Amaz&ocirc;nia, que frequentemente s&atilde;o mais eficientes que as UCs na conserva&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e da biodiversidade (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a02fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar das UCs e terras ind&iacute;genas promoverem uma prote&ccedil;&atilde;o contra diversas amea&ccedil;as, os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas ultrapassam barreiras pol&iacute;ticas. As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas s&atilde;o percept&iacute;veis at&eacute; mesmo nas &aacute;reas mais remotas e preservadas do planeta. Nesse contexto, o papel das UCs na conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade n&atilde;o &eacute; barrar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mas sim conservar as &aacute;reas que mant&ecirc;m a adequabilidade clim&aacute;tica para as esp&eacute;cies, tanto no presente quanto no futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como j&aacute; mencionado, &agrave; medida que o clima se altera, as esp&eacute;cies tendem a deslocar suas &aacute;reas de distribui&ccedil;&atilde;o seguindo essa nova organiza&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica. Nesse processo, a perda de adequabilidade clim&aacute;tica dentro das UCs pode levar ao deslocamento das esp&eacute;cies para &aacute;reas adjacentes &agrave; &aacute;rea protegida que possuam o clima adequado para sua perman&ecirc;ncia. Nesse cen&aacute;rio, essas esp&eacute;cies perdem a prote&ccedil;&atilde;o e tornam-se mais vulner&aacute;veis a outras amea&ccedil;as antr&oacute;picas, como a perda de <i>habitat</i> e a ca&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A redu&ccedil;&atilde;o da efetividade das &aacute;reas protegidas diante da mudan&ccedil;a de distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies associada &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; uma quest&atilde;o fortemente debatida na comunidade cient&iacute;fica. Como as &aacute;reas protegidas ao redor do mundo s&atilde;o est&aacute;ticas e s&atilde;o normalmente criadas para conter outros tipos de amea&ccedil;as, a capacidade de proteger a biodiversidade frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; colocada em xeque. Nesse contexto, uma revis&atilde;o da literatura cient&iacute;fica conduzida por Malecha <i>et al</i>. (2023) &#91;3&#93; avaliou a efetividade das UCs brasileiras na manuten&ccedil;&atilde;o da representatividade de esp&eacute;cies frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Foram analisados 32 artigos cient&iacute;ficos que abordaram essa tem&aacute;tica, utilizando modelagem de distribui&ccedil;&atilde;o para o presente e o futuro, resultando em mais de 300 proje&ccedil;&otilde;es. A revis&atilde;o indicou a exist&ecirc;ncia de fortes vieses na quantidade de estudos sobre o tema. O vi&eacute;s mais destacado &eacute; para o ambiente terrestre em detrimento do ambiente marinho. Apenas um artigo sobre essa tem&aacute;tica foi encontrado para o ambiente marinho, indicando uma severa car&ecirc;ncia de estudos sobre o impacto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nas UCs marinhas do Brasil. O Brasil tem 8.500 km de costa, com aproximadamente um quarto de seus ambientes marinhos em &aacute;reas marinhas protegidas e, portanto, ter apenas um artigo abordando essa quest&atilde;o &eacute; uma grande lacuna de conhecimento.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"&Eacute; urgente adotar medidas de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, ou seja, que aumentem a resili&ecirc;ncia dos sistemas naturais (e humanos) &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso."</i></b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os artigos tamb&eacute;m apresentaram uma distribui&ccedil;&atilde;o desigual entre os biomas brasileiros. A Mata Atl&acirc;ntica e a Amaz&ocirc;nia foram os biomas com o maior n&uacute;mero de estudos, com mais de 10 artigos, enquanto o Cerrado teve apenas tr&ecirc;s. A Caatinga e o Pampa foram severamente sub-representados, com um artigo cada, e n&atilde;o foi encontrado nenhum artigo sobre os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade das UCs do Pantanal. Al&eacute;m disso, houve um vi&eacute;s taxon&ocirc;mico, com plantas representando 69% das proje&ccedil;&otilde;es, vertebrados 23% e apenas 8% por invertebrados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os artigos indicam que, atualmente, apenas uma pequena por&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies de vertebrados (m&eacute;dia = 21,8%) e uma fra&ccedil;&atilde;o ainda menor da distribui&ccedil;&atilde;o de plantas &eacute; representada dentro de UCs (m&eacute;dia = 5,6%) e esse cen&aacute;rio deve se agravar no futuro. A partir das compara&ccedil;&otilde;es das potenciais &aacute;reas de distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies dentro de UCs no presente e no futuro, os resultados indicam que as UCs no Brasil devem reduzir a representatividade de esp&eacute;cies devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Em geral, a maioria dos artigos analisados sugere que as UCs brasileiras, em sua atual extens&atilde;o e configura&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o eficazes para conter os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade. Cerca de 71% das proje&ccedil;&otilde;es estimadas pelos artigos apontam para impactos negativos na biodiversidade dentro de UCs.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inefic&aacute;cia da rede de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o brasileira em manter a representatividade de esp&eacute;cies frente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&aacute; relacionada ao deslocamento da distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies em resposta a essas mudan&ccedil;as. Como a rede n&atilde;o foi estabelecida considerando as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o deslocamento das esp&eacute;cies em resposta a esse processo reduz potencialmente a sua representatividade dentro de UCs. Assim, uma importante medida para contornar esse problema &eacute; aumentar a rede de UCs considerando a redistribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies em resposta &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, tornando-a mais robusta &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em curso. No entanto, o sistema de UCs brasileiro &eacute; extremamente enviesado para a Amaz&ocirc;nia, que det&eacute;m quase 50% da rede de UCs terrestres brasileiras. Os outros biomas do pa&iacute;s est&atilde;o longe de alcan&ccedil;ar os 30% de &aacute;reas a serem protegidas estabelecidos nas Metas de Kunming-Montreal, especialmente o bioma do Pantanal e o Pampa, que t&ecirc;m menos de 5% de sua &aacute;rea dentro de UCs. O estabelecimento de novas UCs no Brasil deve ser estrategicamente focado nos biomas sub-representados do pa&iacute;s e deve considerar explicitamente o processo de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Para isso, &eacute; fundamental que a defini&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento de novas UCs sigam um planejamento sistem&aacute;tico de conserva&ccedil;&atilde;o &#91;7&#93;. Essa abordagem inclui diversos conceitos ecol&oacute;gicos como representatividade e complementaridade, al&eacute;m de procurar minimizar conflitos socioecon&ocirc;micos, sendo aspectos fundamentais a serem avaliados nesse contexto. Tradicionalmente, a abordagem n&atilde;o considera as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, por&eacute;m, atualmente, esse estressor tem estado cada vez mais presente nos estudos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Para enfrentar os desafios impostos pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, &eacute; essencial repensar e fortalecer a rede de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o no Brasil."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse contexto, estudos com proje&ccedil;&otilde;es das &aacute;reas de distribui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies, como os analisados nas revis&otilde;es citadas &#91;1,2,3,4&#93;, possuem elevada import&acirc;ncia para a identifica&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies sub-representadas dentro das UCs em cen&aacute;rios de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e regi&otilde;es importantes para a conserva&ccedil;&atilde;o, como ref&uacute;gios clim&aacute;ticos prov&aacute;veis e <i>hotspots</i> de esp&eacute;cies. Essas abordagens tamb&eacute;m podem ser usadas para identificar &aacute;reas de alto risco clim&aacute;tico, que requerem maior esfor&ccedil;o e custo para conserva&ccedil;&atilde;o, bem como regi&otilde;es de baixo risco clim&aacute;tico, que devem manter uma maior adequabilidade para as esp&eacute;cies no futuro. Essas an&aacute;lises podem ser usadas no planejamento sistem&aacute;tico para conserva&ccedil;&atilde;o para selecionar &aacute;reas para estabelecer novas UCs mais robustas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O planejamento sistem&aacute;tico eficiente deve abordar m&uacute;ltiplos fatores atuais e futuros e como eles influenciam a efic&aacute;cia das UCs. Al&eacute;m da necessidade da adi&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no planejamento sistem&aacute;tico discutido anteriormente, fatores como o padr&atilde;o de uso e a cobertura do solo da regi&atilde;o e conectividade tamb&eacute;m est&atilde;o intimamente relacionados com a efic&aacute;cia das UCs. Nos biomas brasileiros, com destaque para a Mata Atl&acirc;ntica, a alta fragmenta&ccedil;&atilde;o das florestas e o consequente isolamento das UCs dificultam o movimento das esp&eacute;cies pela paisagem. Dessa forma, uma das principais respostas da biodiversidade &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; dificultada. Isso &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o especial para esp&eacute;cies com mobilidade limitada, que podem n&atilde;o conseguir acessar &aacute;reas climaticamente adequadas no futuro. Portanto, restaurar a conectividade entre as UCs &eacute; crucial para aumentar a resili&ecirc;ncia das esp&eacute;cies &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, reduzindo seu risco de extin&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para enfrentar os desafios impostos pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, &eacute; essencial repensar e fortalecer a rede de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o no Brasil. Por&eacute;m, embora as UCs sejam fundamentais para a preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas exigem uma abordagem mais din&acirc;mica e adaptativa. A falta de planejamento que considere o deslocamento das esp&eacute;cies e a conectividade entre as &aacute;reas protegidas pode comprometer a efic&aacute;cia dessas unidades no futuro. Portanto, a expans&atilde;o e o reajuste das UCs, especialmente em biomas menos protegidos, s&atilde;o cruciais para garantir que essas &aacute;reas continuem a cumprir seu papel de conserva&ccedil;&atilde;o, mesmo em um cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas aceleradas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas representam uma amea&ccedil;a crescente e urgente para a biodiversidade global. As esp&eacute;cies end&ecirc;micas de regi&otilde;es espec&iacute;ficas, sobretudo ilhas e montanhas, s&atilde;o particularmente vulner&aacute;veis &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, enquanto esp&eacute;cies ex&oacute;ticas s&atilde;o indiferentes ou at&eacute; se beneficiam dessas mudan&ccedil;as. No Brasil, diversos estudos j&aacute; projetam os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre sua rica biodiversidade, sobretudo na Mata Atl&acirc;ntica e no Cerrado, mas ainda h&aacute; lacunas de conhecimento no Pantanal e Pampa e, sobretudo, no ambiente marinho. O Acordo de Paris tem o potencial de reduzir significativamente as amea&ccedil;as &agrave; biodiversidade, embora n&atilde;o seja capaz de elimin&aacute;-las completamente. Portanto, al&eacute;m da mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, &eacute; crucial implementar estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, como a cria&ccedil;&atilde;o e a manuten&ccedil;&atilde;o de UCs. No entanto, para serem eficazes, essas &aacute;reas devem ser distribu&iacute;das de maneira mais equilibrada entre os biomas brasileiros e considerando as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas projetadas. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso considerar mudan&ccedil;as de uso e cobertura e promover a conectividade entre as UCs, permitindo deslocamento das esp&eacute;cies em resposta &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. MANES, S.; COSTELLO, M. J.; BECKETT, H.; DEBNATH, A.; DEVENISH-NELSON, E.; GREY, K. A.; JENKINS, R.; KHAN, T. M.; KIESSLING, W.; KRAUSE, C.; MAHARAJ S. S., et al. Endemism increases species' climate change risk in areas of global biodiversity importance. Biological Conservation, v. 257, p. 109070, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. MALECHA, A.; VALE, M. M.; MOREIRA, S. M. S. Vi&eacute;s de estudos e impacto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade dos biomas brasileiros. In: JORNADA GIULIO MASSARANI DE INICIA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA, TECNOL&Oacute;GICA, ART&Iacute;STICA E CULTURAL, 2021, Rio de Janeiro. Anais &#91;...&#93;. Rio de Janeiro: UFRJ, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. MANES, S.; VALE, M. M. Paris Agreement substantially reduces climate change risks to biodiversity in Central and South America. Regional Environemntal Change, v. 22, n. 60, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. MALECHA, A.; VALE, M. M.; MANES, S. Increasing Brazilian protected areas network is vital in a changing climate. Biological Conservation, v. 288, p. 110360, 2023.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. GUTI&Eacute;RREZ, J. M.; JONES, R. G.; NARISMA, G. T. Atlas. In: MASSON-DELMOTTE, V.; P. ZHAI P.; PIRANI, A.; CONNORS, S. L.; P&Eacute;AN, C.; BERGER, S.; CAUD, N.; CHEN, Y.; GOLDFARB, L. et al. Climate Change 2021: The physical science basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. MINIST&Eacute;RIO DO MEIO AMBIENTE. Plataforma oficial de dados do Sistema Nacional de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza. Bras&iacute;lia: MMA, 2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cnuc.mma.gov.br/powerbi" target="_blank">https://cnuc.mma.gov.br/powerbi</a>. Acesso em: 2 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. MARGULES, C. R.; PRESSEY, R.L. A framework for systematic conservation planning. Nature, London, v. 405, p. 243-253, 2000.    </font></p>      ]]></body><back>
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