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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância das cidades na crise climática]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mudanças climáticas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A import&acirc;ncia das cidades na crise clim&aacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria de F&aacute;tima Andrade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora do Departamento de Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas do Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). &Eacute; membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias e da Academia de Ci&ecirc;ncias do Estado de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades s&atilde;o agentes determinantes nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas por darem origem a maior parte da emiss&atilde;o de gases de efeito estufa, e s&atilde;o tamb&eacute;m as mais impactadas pelos eventos clim&aacute;ticos extremos, por abrigarem a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o humana. Globalmente j&aacute; h&aacute; mais pessoas vivendo em &aacute;reas urbanas que rurais e essa tend&ecirc;ncia &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; crescente. Se n&atilde;o houver a prepara&ccedil;&atilde;o das cidades para os eventos extremos que est&atilde;o ocorrendo de forma mais frequente, poder&aacute; haver muitas perdas humanas e materiais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; Cidades; Urbaniza&ccedil;&atilde;o; Eventos extremos; Infraestrutura verde</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O reconhecimento do papel fundamental das cidades nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; um fen&ocirc;meno relativamente recente. At&eacute; o in&iacute;cio dos anos 2000, a aten&ccedil;&atilde;o estava voltada para os impactos das emiss&otilde;es de poluentes em uma escala local, como problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica e degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. No entanto, com o avan&ccedil;o das pesquisas e a intensifica&ccedil;&atilde;o dos eventos clim&aacute;ticos extremos, ficou evidente que as cidades desempenham um papel crucial no aquecimento global e na crise clim&aacute;tica. Atualmente, sabemos que as &aacute;reas urbanas s&atilde;o respons&aacute;veis por mais de 75% das emiss&otilde;es globais de gases de efeito estufa (GEE), particularmente devido &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de energia, transporte e constru&ccedil;&atilde;o civil. Esse dado &eacute; alarmante, considerando que as cidades ocupam menos de 5% da superf&iacute;cie terrestre &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o de energia, especialmente para eletricidade e transporte, e a ind&uacute;stria de cimento s&atilde;o as principais fontes de emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono (CO<sub>2</sub>) nas &aacute;reas urbanas. Al&eacute;m disso, a gest&atilde;o inadequada de res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos contribui significativamente para as emiss&otilde;es de metano (CH<sub>4</sub>), um dos GEE mais potentes. Assim, as cidades n&atilde;o apenas consomem recursos em uma escala desproporcional &agrave; sua &aacute;rea, mas tamb&eacute;m t&ecirc;m um impacto desmedido no equil&iacute;brio clim&aacute;tico do planeta &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os poluentes emitidos pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como mon&oacute;xido de carbono (CO), compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis (COVs), &oacute;xidos de nitrog&ecirc;nio (NOx) e material particulado (MP), n&atilde;o apenas prejudicam a sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m t&ecirc;m impactos clim&aacute;ticos substanciais. Esses compostos s&atilde;o classificados como "poluentes clim&aacute;ticos de vida curta", porque, uma vez na atmosfera, sofrem rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas que produzem outros poluentes, como o oz&ocirc;nio (O<sub>3</sub>) e part&iacute;culas finas, aquela com di&acirc;metro aerodin&acirc;mico menor que 2,5 micrometros. O oz&ocirc;nio &eacute; um poluente fotoqu&iacute;mico significativo e um potente GEE que contribui para o aquecimento global.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O material particulado desempenha um papel duplo na atmosfera: ele pode refletir ou absorver a radia&ccedil;&atilde;o solar, sendo que a absor&ccedil;&atilde;o &eacute; devido ao <i>black carbon</i>, que contribui para os aquecimentos local e global. Nas cidades, o <i>black carbon</i> &eacute; um dos principais componentes da polui&ccedil;&atilde;o do ar e est&aacute; associado a s&eacute;rios problemas de sa&uacute;de respirat&oacute;ria e cardiovascular &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impacto Urbano na Economia, Sa&uacute;de e Clima</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades s&atilde;o o motor da economia global, gerando aproximadamente 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo o Banco Mundial &#91;1&#93;. No entanto, essa concentra&ccedil;&atilde;o de atividades econ&ocirc;micas tamb&eacute;m resulta em uma produ&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a de res&iacute;duos e poluentes. Estima-se que as &aacute;reas urbanas produzam cerca de 50% do lixo mundial, e a gest&atilde;o inadequada desses res&iacute;duos agrava problemas ambientais e de sa&uacute;de (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 40% do crescimento urbano ocorre em assentamentos informais ou favelas, onde o acesso a saneamento b&aacute;sico, &aacute;gua pot&aacute;vel e servi&ccedil;os de sa&uacute;de &eacute; prec&aacute;rio &#91;3&#93;. Essas condi&ccedil;&otilde;es de vida insalubres tornam as popula&ccedil;&otilde;es urbanas mais vulner&aacute;veis a doen&ccedil;as e a impactos clim&aacute;ticos, como enchentes e ondas de calor. Al&eacute;m disso, com as novas diretrizes da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) sobre a qualidade do ar, sabe-se que 91% da popula&ccedil;&atilde;o mundial respira ar polu&iacute;do, excedendo os limites seguros recomendados para a concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desafios Clim&aacute;ticos e Sociais nas &Aacute;reas Urbanas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades enfrentam os maiores desafios relacionados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas devido &agrave; sua densidade populacional e &agrave; infraestrutura muitas vezes inadequada para lidar com eventos clim&aacute;ticos extremos. Enchentes, secas, ondas de calor e tempestades severas n&atilde;o apenas causam danos f&iacute;sicos, mas tamb&eacute;m t&ecirc;m impactos sociais e econ&ocirc;micos profundos. Cidades de pa&iacute;ses em desenvolvimento, onde o planejamento urbano &eacute; deficiente, s&atilde;o particularmente vulner&aacute;veis, mas mesmo as cidades em pa&iacute;ses desenvolvidos n&atilde;o est&atilde;o imunes aos riscos clim&aacute;ticos (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses eventos clim&aacute;ticos extremos afetam diretamente indicadores de bem-estar, como a moradia adequada, o acesso &agrave; sa&uacute;de e o suporte socioecon&ocirc;mico. Os mais vulner&aacute;veis  - incluindo mulheres, crian&ccedil;as, minorias &eacute;tnicas, comunidades pobres, migrantes, refugiados, idosos e pessoas com doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas  - s&atilde;o os mais afetados, exacerbando as desigualdades sociais preexistentes. A vulnerabilidade urbana &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&aacute; intrinsecamente ligada &agrave; pobreza e &agrave; falta de acesso a recursos essenciais, o que impede que essas popula&ccedil;&otilde;es se adaptem e respondam adequadamente aos desafios clim&aacute;ticos. Nos &uacute;ltimos anos, ocorreram v&aacute;rios eventos que levaram a perda de vidas, biodiversidade e de propriedades, incluindo o Brasil, que vivenciou as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca no Norte e na regi&atilde;o central do pa&iacute;s. As secas no Pantanal t&ecirc;m sido respons&aacute;veis por grande perda de biodiversidade. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reportam que o n&uacute;mero de focos de queimadas de 2024 j&aacute; superam os n&uacute;meros de 2020, que havia sido o mais destrutivo da s&eacute;rie hist&oacute;rica.	Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em 2023, houve o maior n&uacute;mero de ocorr&ecirc;ncias de desastres no Brasil, com grandes perdas de vidas e danos materiais &#91;4&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Atualmente, sabemos que as &aacute;reas urbanas s&atilde;o respons&aacute;veis por mais de 75% das emiss&otilde;es globais de gases de efeito estufa."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estima-se que cerca de 2 bilh&otilde;es de pessoas vivam em &aacute;reas urbanas de alto risco para alagamentos. As cidades n&atilde;o apenas impactam diretamente as &aacute;reas onde est&atilde;o localizadas, mas tamb&eacute;m exercem press&atilde;o sobre ecossistemas periurbanos e rurais distantes. Essa press&atilde;o resulta na degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e na migra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es, o que pode agravar ainda mais os problemas urbanos. Portanto, &eacute; essencial que os governos urbanos e as comunidades locais adotem uma abordagem integrada para gerenciar essas amea&ccedil;as interconectadas, considerando as consequ&ecirc;ncias sociais, econ&ocirc;micas e de sa&uacute;de das ocupa&ccedil;&otilde;es de &aacute;reas que deveriam ser preservadas para manuten&ccedil;&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o e de recursos h&iacute;dricos &#91;5&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resili&ecirc;ncia Urbana e Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para enfrentar os desafios clim&aacute;ticos nas &aacute;reas urbanas, &eacute; necess&aacute;rio adotar uma abordagem sist&ecirc;mica e flex&iacute;vel, que inclua o desenvolvimento institucional, a capacita&ccedil;&atilde;o, o planejamento financeiro e a avalia&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos riscos &#91;6&#93;. O planejamento urbano e o desenvolvimento baseados em riscos s&atilde;o essenciais para criar infraestruturas resilientes que possam suportar eventos clim&aacute;ticos extremos. Al&eacute;m disso, &eacute; importante integrar servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, melhorar os sistemas de gest&atilde;o de emerg&ecirc;ncias e aumentar a conscientiza&ccedil;&atilde;o dos residentes sobre os riscos clim&aacute;ticos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sistemas de alerta precoce s&atilde;o ferramentas cruciais para ajudar as comunidades, profissionais de sa&uacute;de e administradores civis a se prepararem e responderem &agrave;s crises clim&aacute;ticas. Esses sistemas, quando bem implementados, podem salvar vidas e minimizar danos. O mapeamento da ocorr&ecirc;ncia de eventos de altas temperaturas, por exemplo, permite que os governos identifiquem &aacute;reas e popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis ao calor extremo, implementando medidas para proteg&ecirc;-las. Esses esfor&ccedil;os s&atilde;o particularmente importantes em um cen&aacute;rio em que se espera que eventos clim&aacute;ticos extremos, como ondas de calor, se tornem mais frequentes e intensos devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vulnerabilidade das cidades a desastres clim&aacute;ticos pode ser vista como uma limita&ccedil;&atilde;o estrutural e social que impede comunidades de se adaptarem adequadamente a esses eventos. As popula&ccedil;&otilde;es mais pobres s&atilde;o frequentemente as mais afetadas, n&atilde;o apenas por sua localiza&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de risco, mas tamb&eacute;m pela falta de acesso a recursos e servi&ccedil;os essenciais. Mulheres, crian&ccedil;as e idosos est&atilde;o entre os grupos mais vulner&aacute;veis, pois enfrentam maiores riscos durante eventos clim&aacute;ticos extremos, como ondas de calor, que podem causar desidrata&ccedil;&atilde;o, insola&ccedil;&atilde;o e agravar condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de preexistentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impacto das ondas de calor e a polui&ccedil;&atilde;o do ar na sa&uacute;de urbana</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As ondas de calor e a polui&ccedil;&atilde;o do ar s&atilde;o dois dos maiores riscos &agrave; sa&uacute;de nas &aacute;reas urbanas, e ambos tendem a se intensificar com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Um estudo de Libonati <i>et al.</i> (2022)<i> </i>&#91;7&#93; avaliou eventos de ocorr&ecirc;ncia combinada de secas e ondas de calor no Brasil, analisando as condi&ccedil;&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia e o aumento da mortalidade e de nascimentos pr&eacute;-termo. O estudo de Le&atilde;o <i>et al.</i> (2023)<i> </i>&#91;8&#93; avaliou o impacto dos poluentes combinados com aumento de temperatura em cidade do Nordeste, mostrando que haver&aacute; aumento da mortalidade e morbidade (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a06fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses resultados sublinham a necessidade urgente de estrat&eacute;gias integradas para lidar com os efeitos combinados do calor extremo e da polui&ccedil;&atilde;o do ar nas cidades. Al&eacute;m disso, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas exacerbam os perigos clim&aacute;ticos e os riscos &agrave; sa&uacute;de, destacando a import&acirc;ncia de construir sistemas de sa&uacute;de resilientes ao clima. Para isso, &eacute; essencial desenvolver estrat&eacute;gias eficazes de adapta&ccedil;&atilde;o, implementar tecnologias inovadoras e garantir financiamento sustent&aacute;vel para proteger popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis e manter os servi&ccedil;os de sa&uacute;de em opera&ccedil;&atilde;o durante crises clim&aacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resili&ecirc;ncia dos sistemas de sa&uacute;de ao clima</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um sistema de sa&uacute;de resiliente ao clima depende de uma for&ccedil;a de trabalho bem treinada e preparada para lidar com riscos clim&aacute;ticos, promover a conscientiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e educar a popula&ccedil;&atilde;o sobre os riscos &agrave; sa&uacute;de associados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Al&eacute;m disso, &eacute; crucial integrar dados clim&aacute;ticos em sistemas de informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de e desenvolver sistemas de alerta precoce para eventos clim&aacute;ticos extremos. Isso permitir&aacute; uma resposta mais eficaz e oportuna a emerg&ecirc;ncias de sa&uacute;de p&uacute;blica causadas por desastres clim&aacute;ticos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"As cidades n&atilde;o apenas impactam diretamente as &aacute;reas onde est&atilde;o localizadas, mas tamb&eacute;m exercem press&atilde;o sobre ecossistemas periurbanos e rurais distantes."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sistemas de alerta precoce t&ecirc;m sido testados e aprimorados em v&aacute;rias partes do mundo para ajudar comunidades e profissionais de sa&uacute;de a se prepararem melhor para choques clim&aacute;ticos. Por exemplo, o mapeamento de calor tem se mostrado uma ferramenta eficaz para governos identificarem as popula&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis ao calor extremo e desenvolverem medidas de prote&ccedil;&atilde;o. Isso inclui a cria&ccedil;&atilde;o de abrigos contra o calor, campanhas de conscientiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e a melhoria das capacidades adaptativas e de resili&ecirc;ncia das comunidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Redu&ccedil;&atilde;o do Risco de Desastres (UNDRR), 3,5 bilh&otilde;es de pessoas em todo o mundo s&atilde;o altamente vulner&aacute;veis aos impactos de eventos clim&aacute;ticos severos &#91;6&#93;. Projetar sistemas de alerta precoce centrados nas pessoas significa envolver diretamente as comunidades potencialmente afetadas e considerar as necessidades de toda a popula&ccedil;&atilde;o, inclusive as mais vulner&aacute;veis. Isso requer implementar estrat&eacute;gias de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o eficazes e inovadoras, em colabora&ccedil;&atilde;o com as popula&ccedil;&otilde;es afetadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como o aquecimento global agrava os riscos clim&aacute;ticos nas cidades</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um mundo que est&aacute; ficando cada vez mais quente, o aumento das temperaturas do ar agrava o efeito de "ilha de calor urbano" nas cidades. Um dos maiores riscos associados a isso s&atilde;o as ondas de calor, que podem afetar metade da popula&ccedil;&atilde;o urbana global no futuro, trazendo impactos negativos tanto para a sa&uacute;de humana quanto para a produtividade econ&ocirc;mica (IPCC, 2022) &#91;5&#93;. O calor interage com as infraestruturas urbanas, como ruas e casas, aumentando os riscos. Por exemplo, temperaturas urbanas mais altas podem fazer com que a infraestrutura superaque&ccedil;a e falhe, al&eacute;m de aumentar a concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes do ar, como o oz&ocirc;nio, que s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A alta densidade de estradas e edif&iacute;cios nas &aacute;reas urbanas tamb&eacute;m aumenta a quantidade de superf&iacute;cies imperme&aacute;veis, como asfalto e concreto, que n&atilde;o absorvem &aacute;gua. Isso, combinado com eventos de precipita&ccedil;&atilde;o intensa cada vez mais frequentes, aumenta o risco de inunda&ccedil;&otilde;es urbanas. Esse risco &eacute; ainda maior para assentamentos costeiros, que s&atilde;o vulner&aacute;veis ao aumento do n&iacute;vel do mar e &agrave;s ondas de tempestade causadas por ciclones tropicais &#91;5&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas cidades, diferentes grupos de pessoas enfrentam diferentes n&iacute;veis de risco. Muitos moradores de baixa renda vivem em assentamentos informais, frequentemente localizados ao longo de costas ou rios, aumentando muito sua exposi&ccedil;&atilde;o e vulnerabilidade a perigos causados pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Nas &aacute;reas urbanas de Gana, por exemplo, os riscos de inunda&ccedil;&otilde;es urbanas podem agravar os problemas de sa&uacute;de, resultando em surtos de doen&ccedil;as como mal&aacute;ria, tifoide e c&oacute;lera. Esses surtos tendem a afetar desproporcionalmente as comunidades mais pobres.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Mulheres, crian&ccedil;as e idosos est&atilde;o entre os grupos mais vulner&aacute;veis, pois enfrentam maiores riscos durante eventos clim&aacute;ticos extremos, como ondas de calor, que podem causar desidrata&ccedil;&atilde;o, insola&ccedil;&atilde;o e agravar condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de preexistentes."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro risco severo nas cidades e assentamentos urbanos &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o da disponibilidade de &aacute;gua. &Agrave; medida que as &aacute;reas urbanas crescem, aumenta a quantidade de &aacute;gua necess&aacute;ria para atender &agrave;s necessidades b&aacute;sicas das pessoas e das ind&uacute;strias. Quando a demanda crescente &eacute; combinada com a escassez de &aacute;gua devido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das chuvas causada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos torna-se uma quest&atilde;o cr&iacute;tica. Grupos de baixa renda j&aacute; enfrentam grandes desafios para acessar &aacute;gua, e a situa&ccedil;&atilde;o tende a piorar devido ao aumento dos conflitos por recursos escassos, aumento dos pre&ccedil;os da &aacute;gua e diminui&ccedil;&atilde;o da infraestrutura em assentamentos informais em constante expans&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Solu&ccedil;&otilde;es Baseadas na Natureza (SBN) para mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As Solu&ccedil;&otilde;es Baseadas na Natureza (SBN) emergem como uma abordagem promissora para mitigar os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e promover a resili&ecirc;ncia urbana. Essas solu&ccedil;&otilde;es utilizam processos naturais e ecossist&ecirc;micos para enfrentar desafios urbanos, como a polui&ccedil;&atilde;o do ar, o gerenciamento de &aacute;guas pluviais e a prote&ccedil;&atilde;o contra inunda&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Benef&iacute;cios das SBN nas Cidades</i>:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1.	Sequestro de Carbono e Mitiga&ccedil;&atilde;o Clim&aacute;tica</b>: A restaura&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o de ecossistemas naturais, como florestas urbanas e &aacute;reas &uacute;midas, contribuem significativamente para o sequestro de carbono. Essas &aacute;reas absorvem CO&#8322;da atmosfera, ajudando a mitigar as emiss&otilde;es de GEE. Al&eacute;m disso, as cidades podem implementar iniciativas como a cria&ccedil;&atilde;o de telhados verdes e a arboriza&ccedil;&atilde;o urbana para aumentar o sequestro de carbono em &aacute;reas densamente povoadas.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2.	Redu&ccedil;&atilde;o de Emiss&otilde;es de Poluentes:</b> As SBN tamb&eacute;m s&atilde;o eficazes na redu&ccedil;&atilde;o de poluentes atmosf&eacute;ricos. A implanta&ccedil;&atilde;o de corredores verdes, parques e jardins urbanos auxilia na filtragem de part&iacute;culas e poluentes presentes no ar, melhorando a qualidade do ar e, consequentemente, a sa&uacute;de p&uacute;blica. A vegeta&ccedil;&atilde;o urbana atua como um filtro natural, capturando material particulado e absorvendo gases t&oacute;xicos, como o di&oacute;xido de nitrog&ecirc;nio (NO<sub>2</sub>).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3.	Mitiga&ccedil;&atilde;o do Efeito de Ilha de Calor Urbano:</b> &Aacute;reas verdes nas cidades desempenham um papel crucial na mitiga&ccedil;&atilde;o do efeito de ilha de calor urbano. A vegeta&ccedil;&atilde;o fornece sombra e evapotranspira&ccedil;&atilde;o, que ajudam a reduzir as temperaturas locais. Isso &eacute; particularmente importante em &aacute;reas densamente constru&iacute;das, onde o calor retido pelo asfalto e concreto pode elevar as temperaturas locais em v&aacute;rios graus, exacerbando o desconforto t&eacute;rmico e os riscos &agrave; sa&uacute;de.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4.	Promo&ccedil;&atilde;o da Resili&ecirc;ncia Urbana:</b> SBN, como a restaura&ccedil;&atilde;o de rios urbanos, a cria&ccedil;&atilde;o de telhados verdes e a implementa&ccedil;&atilde;o de sistemas de biorreten&ccedil;&atilde;o, aumentam a resili&ecirc;ncia das cidades a eventos clim&aacute;ticos extremos. Essas solu&ccedil;&otilde;es ajudam a gerenciar o escoamento de &aacute;guas pluviais, reduzindo o risco de inunda&ccedil;&otilde;es e eros&atilde;o, al&eacute;m de melhorar a gest&atilde;o de recursos h&iacute;dricos em &aacute;reas urbanas.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5.	Incentivo &agrave; Mobilidade Sustent&aacute;vel:</b> O planejamento urbano que integra SBN pode promover a mobilidade ativa e sustent&aacute;vel. Corredores verdes e ciclovias conectadas a espa&ccedil;os naturais incentivam o uso de bicicletas e caminhadas, reduzindo a depend&ecirc;ncia de ve&iacute;culos motorizados e, por conseguinte, as emiss&otilde;es de GEE. Al&eacute;m disso, a presen&ccedil;a de &aacute;reas verdes pode melhorar a qualidade de vida dos residentes, promovendo um estilo de vida mais saud&aacute;vel e ativo.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>6.	Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade Urbana:</b> A restaura&ccedil;&atilde;o de <i>habitats</i> naturais e a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas dentro das cidades s&atilde;o essenciais para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. Esses espa&ccedil;os fornecem ref&uacute;gio para a fauna e a flora urbanas, contribuindo para a sa&uacute;de dos ecossistemas locais e a provis&atilde;o de servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, como poliniza&ccedil;&atilde;o e controle biol&oacute;gico de pragas.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fortalecimento da sa&uacute;de urbana e a mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas dependem de estrat&eacute;gias integradas que promovam a resili&ecirc;ncia, a sustentabilidade e o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es urbanas. As cidades t&ecirc;m o potencial de liderar a luta contra as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, implementando pol&iacute;ticas e medidas que promovam uma urbaniza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel e equitativa, considerando as disparidades de acesso &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es seguras, aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e sistemas de alertas e de mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos clim&aacute;ticos. A ado&ccedil;&atilde;o de Solu&ccedil;&otilde;es Baseadas na Natureza, juntamente com o fortalecimento dos sistemas de sa&uacute;de e a promo&ccedil;&atilde;o da conscientiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, s&atilde;o passos essenciais para enfrentar os desafios impostos pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e garantir um futuro resiliente e saud&aacute;vel para as gera&ccedil;&otilde;es futuras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	THE WORLD BANK. Urban Development. World Bank Group, Washington, 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.worldbank.org/en/topic/urbandevelopment/overview" target="_blank">https://www.worldbank.org/en/topic/urbandevelopment/overview</a>. Acesso em: 17 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE AND NATURAL RESOURCES (IUCN). Cities and nature. IUCN, Gland, out. 2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.iucn.org/resources/issues-brief/cities-and-nature" target="_blank">https://www.iucn.org/resources/issues-brief/cities-and-nature</a>. Acesso em: 17 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Urban health. WHO, Geneva, 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.who.int/health-topics/urban-health#tab=tab_1" target="_blank">https://www.who.int/health-topics/urban-health#tab=tab_1</a>. Acesso em: 18 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	&#91;CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS (CEMADEN). Boletim de Impactos. Cemaden, S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, 2024. Dispon&iacute;vel: <a href="https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/monitoramento/boletim-de-impactos" target="_blank">https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/monitoramento/boletim-de-impactos</a>. Acesso em: 18 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	DODMAN, D.; HAYWARD, B.; PELLING, M.; CASTAN BROTO, V.; CHOW, W.; CHU, E.; DAWSON, R.; KHIRFAN, L.; MCPHEARSON, T.; PRAKASH, A. et al. 2022: Cities, settlements and key infrastructure. In: Climate Change 2022: Impacts, adaptation, and vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Cambridge: Cambridge University Press, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS BRASIL. Na&ccedil;&otilde;es Unidas no Brasil, Bras&iacute;lia, 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.brasil.un.org" target="_blank">www.brasil.un.org</a>. Acesso em: 18 ago. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	LIBONATI, R.; GEIRINHAS, J. L.; SILVA, P. S.; SANTOS, D. M.; RODRIGUES, J. A.; RUSSO, A.; TRIGO, R. M. Drought-heatwave nexus in Brazil and related impacts on health and fires: A comprehensive review. Annals of the New York Academy of Sciences, New York, v. 1517, n. 1, p. 44-62, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	LE&Atilde;O, M. L. P.; ZHANG, L.; SILVA J&Uacute;NIOR, F. M. R. Effect of particulate matter (PM2.5 and PM10) on health indicators: climate change scenarios in a Brazilian metropolis. Environmental Geochemistry and Health, v. 45, p. 2229-2240, 2023.    </font></p>      ]]></body><back>
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