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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240066</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eficiência e suficiência no enfrentamento da crise planetária]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mudanças climáticas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Efici&ecirc;ncia e sufici&ecirc;ncia no enfrentamento da crise planet&aacute;ria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ricardo Abramovay</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor s&ecirc;nior do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e coautor do Policy Brief sobre Infraestrutura em Regi&otilde;es Ambientalmente Sens&iacute;veis apresentado &agrave; presid&ecirc;ncia brasileira do G20</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise socioambiental contempor&acirc;nea impulsionou o surgimento da ecologia industrial, que examina como utilizamos os materiais essenciais &agrave; nossa riqueza. Ao comparar esses materiais com indicadores econ&ocirc;micos, como o PIB, questiona-se se estamos utilizando mais ou menos recursos ao longo do tempo e quais s&atilde;o os impactos desse uso, incluindo a produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos e emiss&otilde;es de gases de efeito estufa. Este conceito, conhecido como metabolismo social, reflete a intera&ccedil;&atilde;o entre sociedade e natureza. No entanto, o uso excessivo de recursos est&aacute; prejudicando os ecossistemas e afastando o mundo do cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel at&eacute; 2030.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; Biodiversidade; Polui&ccedil;&atilde;o; Ecologia industrial; Crise socioambiental; Materiais que comp&otilde;em nossa riqueza; Impactos sobre o clima.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quanto pesa tudo o que voc&ecirc; consome durante o ano? Sua alimenta&ccedil;&atilde;o, sua roupa, os materiais para a constru&ccedil;&atilde;o de sua casa, de seu local de trabalho ou de onde voc&ecirc; estuda, aqueles dos quais &eacute; feito seu carro ou o transporte coletivo que voc&ecirc; utiliza e os combust&iacute;veis dos quais este transporte depende, qual o peso, em toneladas, de tudo isso? Sabemos aproximadamente quanto gastamos, em dinheiro, para adquirir os bens e os servi&ccedil;os de nosso uso. E a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica (quem fez um semestre de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; economia vai se lembrar disso) recomenda que n&atilde;o se somem bananas com bicicletas e que &eacute; melhor traduzir tudo o que forma a riqueza transacionada numa sociedade em algo que lhe &eacute; comum: os pre&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&oacute; que o avan&ccedil;o da crise socioambiental contempor&acirc;nea deu origem a uma disciplina (a ecologia industrial) que procura responder a uma pergunta &agrave; qual a tradi&ccedil;&atilde;o dominante na ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica nunca havia se voltado: de que forma estamos usando os materiais dos quais depende nossa riqueza? Em que quantidade? Quando comparamos estes materiais com os indicadores monet&aacute;rios de riqueza (o Produto Interno Bruto, por exemplo), o resultado &eacute; que estamos usando cada vez mais ou cada vez menos materiais? E quais os impactos deste uso na produ&ccedil;&atilde;o dos remanescentes de nosso consumo, nas embalagens que descartamos ou nas emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, derivadas da queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis? Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o disso tudo com as desigualdades?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que est&aacute; em jogo quando se formulam estas perguntas &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre a sociedade e aquela que nos fornece as bases materiais, bi&oacute;ticas e energ&eacute;ticas para formar a riqueza, ou seja, a natureza. Da mesma forma que, no nosso corpo, o metabolismo &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o de nossas c&eacute;lulas, transformando em energia os alimentos e a &aacute;gua que ingerimos, existe um metabolismo social &#91;1&#93;, que pode ser definido como o conjunto de fluxos de materiais e de energia que ocorre entre a sociedade e a natureza. E n&atilde;o &eacute; preciso muita perspic&aacute;cia para imaginar que nosso metabolismo social est&aacute; doente. Estamos retirando da natureza materiais a um ritmo explosivo, que n&atilde;o permite sua regenera&ccedil;&atilde;o &#91;2&#93; e que est&aacute; comprometendo os mais importantes servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos dos quais dependemos (&aacute;gua, solos, clima, oceanos, ar limpo e biodiversidade). Pior: toda esta extra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; levando o mundo em dire&ccedil;&atilde;o ao cumprimento do mais importante compromisso multilateral contempor&acirc;neo que &eacute; atingir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel at&eacute; 2030. Mais materiais, mas nem sempre uma vida melhor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estas s&atilde;o as principais conclus&otilde;es de um relat&oacute;rio &#91;3&#93; publicado recentemente pelo Painel de Recursos Internacionais (<i>International Resource Panel</i>) do Programa Ambiental das Na&ccedil;&otilde;es Unida (IRP/UNEP) e cujo t&iacute;tulo j&aacute; &eacute; um <i>"spoiler"</i> de suas principais conclus&otilde;es: "<i>Bend the trend. Pathways to a liveable planet as resource use spikes</i>" <i>("Inverter a tend&ecirc;ncia. Caminhos para um planeta habit&aacute;vel enquanto o uso dos recursos explode"</i>). O trabalho &eacute; o mais recente exemplar de um conjunto de pesquisas que o IRP/UNEP vem levando adiante desde 2007, quando se formou com a miss&atilde;o de produzir e compartilhar conhecimentos para melhorar a maneira como as sociedades contempor&acirc;neas usam os recursos que est&atilde;o na base da oferta de bens e servi&ccedil;os. A pesquisa sobre o tema avan&ccedil;ou muito desde o final dos anos 1990 &#91;4&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Quais materiais e quanto?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi em 2011 que o IRP/UNEP publicou o primeiro relat&oacute;rio global sobre este tema &#91;5&#93;. A palavra-chave &eacute; <i>decoupling</i> (desacoplamento). Trata-se de desacoplar a riqueza de sua base material, energ&eacute;tica e bi&oacute;tica (ou seja, produzir, usando cada vez menos esses recursos), para que n&atilde;o se esgote aquilo que a natureza nos fornece e para que os impactos do uso que fazemos desse fornecimento n&atilde;o se traduza em polui&ccedil;&atilde;o, eros&atilde;o da biodiversidade, emiss&atilde;o de gases de efeito estufa, esgotamento de &aacute;gua, destrui&ccedil;&atilde;o da vida dos oceanos e empobrecimento dos solos. Para desacoplar a produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os de sua base material, ou seja, para depender cada vez menos da extra&ccedil;&atilde;o daquilo que a natureza nos oferece, o caminho mais evidente consiste em aumentar a efici&ecirc;ncia, por meio de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. E isso, de alguma forma, vem sendo feito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1980, por exemplo, uma lata de alum&iacute;nio para o consumo de refrigerantes ou cerveja pesava em m&eacute;dia 19 gramas. A produ&ccedil;&atilde;o era ent&atilde;o de 41,6 bilh&otilde;es de unidades. Inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas permitiram que, em 2010, o peso desta latinha ca&iacute;sse para 13 gramas. S&oacute; que, neste ano, foram vendidas 97,3 bilh&otilde;es de unidades. Um telefone celular, em 1990, quando 11 milh&otilde;es de unidades foram comercializadas, pesava 600 gramas. O peso caiu para 118 gramas em 2011, quando seis bilh&otilde;es de assinantes usavam o aparelho &#91;6&#93;. As inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas contribu&iacute;ram para reduzir o peso dos materiais usados em cada unidade, mas, com o aumento explosivo do consumo, &eacute; &oacute;bvio que o total usado de materiais aumentou. Antes de examinar os dados agregados sobre o uso de materiais e seus impactos &eacute; importante saber de quais materiais se trata (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A infinidade dos produtos que est&atilde;o &agrave; nossa volta se apoia em quatro materiais b&aacute;sicos, oferecidos pela natureza e extra&iacute;dos pelo trabalho humano. Quais s&atilde;o eles?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em primeiro lugar vem a biomassa, ou seja, as culturas agr&iacute;colas, os pastos, as planta&ccedil;&otilde;es destinadas ao consumo animal, a madeira, a pesca e a coleta. Em 1970, nada menos que 41% do peso (em toneladas) de todos os materiais que formavam a riqueza social vinha da biomassa. Com o avan&ccedil;o da industrializa&ccedil;&atilde;o, essa propor&ccedil;&atilde;o cai e hoje a biomassa &eacute; apenas 26% do peso de todos os materiais. Mas isso n&atilde;o quer dizer que o mundo est&aacute; usando menos biomassa do que 50 anos atr&aacute;s. O peso total da mat&eacute;ria viva (biomassa) que retiramos do solo, das &aacute;guas, das colheitas e das florestas era de 12,6 bilh&otilde;es de toneladas em 1970 e chega hoje a 24,8 bilh&otilde;es de toneladas. O <a href="#gra1">Gr&aacute;fico 1</a>, extra&iacute;da do relat&oacute;rio do IRP, mostra esta evolu&ccedil;&atilde;o e o <a href="#gra2">Gr&aacute;fico 2</a> mostra como a participa&ccedil;&atilde;o relativa de cada um destes materiais evoluiu &#91;3&#93;.</font></p>     <p><a name="gra1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a07gra01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Estamos retirando da natureza materiais a um ritmo explosivo, que n&atilde;o permite sua regenera&ccedil;&atilde;o e que est&aacute; comprometendo os mais importantes servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos dos quais dependemos."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo material na base da oferta contempor&acirc;nea de bens e servi&ccedil;os s&atilde;o os combust&iacute;veis f&oacute;sseis, ou seja, petr&oacute;leo, g&aacute;s natural, carv&atilde;o. Pelo <a href="#gra2">Gr&aacute;fico 2</a>, pode-se notar que sua participa&ccedil;&atilde;o (em toneladas) na forma&ccedil;&atilde;o da riqueza, em 1970, era maior (20%) do que hoje (16%). S&oacute; que, em termos absolutos (<a href="#gra2">Gr&aacute;fico 2</a>), a extra&ccedil;&atilde;o de f&oacute;sseis que era de 6,1 bilh&otilde;es de toneladas em 1970 chega a 15,4 bilh&otilde;es de toneladas nos dias de hoje.</font></p>     <p><a name="gra2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a07gra02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O terceiro material importante na forma&ccedil;&atilde;o da riqueza social s&atilde;o os minerais met&aacute;licos: ferro, cobre, alum&iacute;nio e outros metais n&atilde;o ferrosos (ouro, prata, por exemplo). Sua participa&ccedil;&atilde;o relativa na base da oferta de bens e servi&ccedil;os se mant&eacute;m est&aacute;vel ao longo dos &uacute;ltimos 50 anos (passando de 9% para 10% do total). Mas com a acelerada industrializa&ccedil;&atilde;o global, a extra&ccedil;&atilde;o dos minerais met&aacute;licos vai de 2,7 a 9,6 bilh&otilde;es de toneladas entre 1970 e os dias de hoje.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, os materiais que hoje mais pesam na forma&ccedil;&atilde;o da riqueza (passando de 31% a 50% da extra&ccedil;&atilde;o global) s&atilde;o os minerais n&atilde;o met&aacute;licos: cimento, argila, cascalho, fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o civil. Em 1970, eram extra&iacute;dos 9,6 bilh&otilde;es de toneladas destes materiais e hoje este montante chega a 45,3 bilh&otilde;es de toneladas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Limites da efici&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O resultado de tudo isso s&atilde;o n&uacute;meros estarrecedores. Em 1970, a soma destes quatro materiais atingia 30,9 bilh&otilde;es de toneladas. Cinquenta anos depois, o total chega a 106,6 bilh&otilde;es de toneladas. O uso de materiais teve uma eleva&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s vezes e meia neste per&iacute;odo. Mas &eacute; importante comparar este movimento com o da pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o da riqueza. E o que se constata &eacute; que o Produto Interno Bruto Global nesses 50 anos aumentou cinco vezes, portanto, mais do que a extra&ccedil;&atilde;o de materiais. Isso significa que a sociedade est&aacute; usando os recursos com mais efici&ecirc;ncia do que usava 50 anos atr&aacute;s, j&aacute; que a oferta de bens e servi&ccedil;os aumentou bem mais do que a base material sobre a qual ela se apoia. O t&atilde;o almejado desacoplamento parece ter acontecido, o que sinalizaria que a humanidade est&aacute; usando cada vez melhor aquilo que extrai da natureza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas, esta &eacute; uma conclus&atilde;o apressada e err&ocirc;nea das informa&ccedil;&otilde;es do trabalho do IRP/UNEP. H&aacute; ao menos quatro raz&otilde;es que corroboram o alerta contido no t&iacute;tulo do relat&oacute;rio quanto ao car&aacute;ter explosivo da forma como estamos extraindo e usando os recursos que a natureza nos oferece.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira raz&atilde;o &eacute; que, apesar do desacoplamento relativo entre produ&ccedil;&atilde;o e extra&ccedil;&atilde;o de recursos, em termos absolutos a quantidade de recursos de que depende a vida econ&ocirc;mica n&atilde;o para de crescer, apesar das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas impressionantes que ocorreram neste per&iacute;odo. A ideia t&atilde;o propagada de que a revolu&ccedil;&atilde;o digital provocaria a desmaterializa&ccedil;&atilde;o da economia global n&atilde;o encontra fundamento nos dados emp&iacute;ricos. Se a tend&ecirc;ncia atual persistir, os 106 bilh&otilde;es de toneladas extra&iacute;dos hoje ser&atilde;o 160 bilh&otilde;es de toneladas em 2060, ou seja, em menos de 40 anos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Muito mais que carros el&eacute;tricos, o essencial &eacute; incrementar a mobilidade coletiva e estimular o uso e o reaproveitamento das &aacute;reas centrais."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E quem imagina que o esfor&ccedil;o em reduzir a emiss&atilde;o de gases de efeito estufa e de descarbonizar a oferta de energia atenuar&aacute; a pegada material do sistema econ&ocirc;mico levar&aacute; um susto quando examinar os materiais necess&aacute;rios para produzir um carro el&eacute;trico. Uma bateria de l&iacute;tio, com peso de 450 quilos, cont&eacute;m 11 quilos de l&iacute;tio, 14 quilos de cobalto, 27 quilos de n&iacute;quel, mais de 40 quilos de cobre e 50 quilos de grafite, assim como 181 quilos de a&ccedil;o alum&iacute;nio e pl&aacute;stico. O fornecimento desses materiais (para um s&oacute; ve&iacute;culo) exige o processamento de 40 toneladas de min&eacute;rios. Mas, tendo em vista a baixa concentra&ccedil;&atilde;o de muitos destes min&eacute;rios, isso significa a extra&ccedil;&atilde;o de 225 toneladas de materiais brutos &#91;7&#93;. Isso s&oacute; para a bateria de um &uacute;nico carro <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se soma esta extra&ccedil;&atilde;o de materiais &agrave; tend&ecirc;ncia atual da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica de produzir carros cada vez maiores e mais pesados, o resultado &eacute; o que um artigo rec&eacute;m-publicado na "Nature Energy" n&atilde;o hesita em chamar de mobesidade, neologismo que funde mobilidade e obesidade. Nada menos que 35% dos carros el&eacute;tricos vendidos no mundo s&atilde;o SUVs e os fabricantes est&atilde;o oferecendo cada vez menos modelos leves. As consequ&ecirc;ncias s&atilde;o negativas n&atilde;o apenas do ponto de vista do uso de materiais, mas igualmente para a organiza&ccedil;&atilde;o urbana, j&aacute; que o espa&ccedil;o ocupado no tr&acirc;nsito e as pr&oacute;prias vagas de estacionamento s&atilde;o cada vez maiores. O professor Christian Brand, autor do artigo, preconiza maior taxa&ccedil;&atilde;o para SUVs e redesenho urbano que desencoraje a compra deste tipo de ve&iacute;culos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Nas discuss&otilde;es sobre clima, j&aacute; se generalizou a ideia de que &eacute; necess&aacute;ria uma transi&ccedil;&atilde;o justa, o que s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ado se a &ecirc;nfase da descarboniza&ccedil;&atilde;o da vida econ&ocirc;mica se concentrar no empenho em oferecer bens p&uacute;blicos que melhorem a vida social."</i></b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, nem sempre o desacoplamento relativo acontece. O <a href="#gra3">Gr&aacute;fico 3</a>, extra&iacute;do do trabalho de 2011 do IRP/UNEP &#91;5&#93;, mostra que a produ&ccedil;&atilde;o global de gr&atilde;os, dos anos 1960 at&eacute; o final da primeira d&eacute;cada do mil&ecirc;nio, aumentou sobre a base de um uso da terra que se manteve praticamente est&aacute;vel, ou seja, mais produto por cada unidade de solo utilizada. Mas este desempenho produtivo apoiou-se no uso em larga escala de sementes modificadas, cujo alto potencial se revelava por meio de fertilizantes nitrogenados. S&oacute; que o uso de fertilizantes por unidade de gr&atilde;os produzida, desde os anos 1960, aumentou, ou seja, n&atilde;o houve sequer desacoplamento relativo &#91;5&#93;. Como mostram Lu e Tian (2017) &#91;8&#93;, entre 1961 e 2017, o consumo de fertilizantes nitrogenados por unidade de colheita aumentou oito vezes.</font></p>     <p><a name="gra3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a07gra03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E &eacute; importante saber que os produtos qu&iacute;micos usados na agricultura t&ecirc;m impactos destrutivos sobre as &aacute;guas subterr&acirc;neas e superficiais maiores que os de fontes urbanas de polui&ccedil;&atilde;o &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda raz&atilde;o que fundamenta a urg&ecirc;ncia de "mudar a tend&ecirc;ncia" refere-se &agrave;s desigualdades. A pegada material m&eacute;dia, per capita, em 1970, era de 8,4 toneladas anuais. No pref&aacute;cio ao relat&oacute;rio que o IRP/UNEP publicou em 2011 &#91;5&#93;, Achim Steiner, ent&atilde;o subsecret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, escrevia que "nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, o n&iacute;vel de recursos usados por cada pessoa precisa cair para algo em torno de cinco a seis toneladas. Alguns pa&iacute;ses em desenvolvimento est&atilde;o ainda abaixo deste n&iacute;vel, como a &Iacute;ndia, com 4 toneladas per capita e alguns pa&iacute;ses desenvolvidos, como o Canad&aacute;, t&ecirc;m 25 toneladas".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E o que ocorreu desde ent&atilde;o? Em vez de cair, esta m&eacute;dia (per capita) subiu para 12,2 toneladas de materiais. E as desigualdades s&oacute; se aprofundaram: nos pa&iacute;ses de baixa renda (quase toda a &Aacute;frica ao Sul do Sahara e parte importante da &Aacute;sia do Sul) a pegada material per capita em 2020 continua ao redor de 4 toneladas. J&aacute; no segmento mais pr&oacute;spero dos pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia (onde est&atilde;o China e Brasil), a pegada ultrapassava a m&eacute;dia mundial e chegava, em 2020, a 19 toneladas per capita, aproximando estes pa&iacute;ses da m&eacute;dia dos pa&iacute;ses de alta renda que &eacute; de 24 toneladas per capita. &Eacute; claro que tem que existir espa&ccedil;o para ampliar o uso de recursos por parte dos pa&iacute;ses mais pobres (para a constru&ccedil;&atilde;o de escolas, hospitais, meios de comunica&ccedil;&atilde;o e transporte), mas isso sup&otilde;e (como bem preconizava Achim Steiner) uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o na pegada material dos pa&iacute;ses ricos e mesmo no segmento mais pr&oacute;spero dos pa&iacute;ses de m&eacute;dia e at&eacute; de baixa renda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A terceira raz&atilde;o para o alerta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&aacute; na evid&ecirc;ncia de que reduzir a pegada material da economia exige transforma&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas nos padr&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo. Muito mais que carros el&eacute;tricos, o essencial &eacute; incrementar a mobilidade coletiva e estimular o uso e o reaproveitamento das &aacute;reas centrais para implementar iniciativas como as da "cidade de quinze minutos", modelo j&aacute; aplicado em cidades como Bogot&aacute;, Melbourne e Paris <a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>. Na moradia, a ideia de cidades compactas e conectadas e o uso de materiais alternativos aos atualmente dominantes s&atilde;o os caminhos para reduzir a pegada material e o uso de cimento, cuja destina&ccedil;&atilde;o, em fim de vida &eacute; altamente problem&aacute;tico e que responde por quase 8% das emiss&otilde;es globais &#91;10&#93;. Na alimenta&ccedil;&atilde;o, mais do que aumentar a produtividade das &aacute;reas em que predomina a monotonia dos gr&atilde;os voltados a alimentar os animais de cria&ccedil;&atilde;o industrial, a prioridade &eacute; a diversifica&ccedil;&atilde;o das paisagens agr&iacute;colas, das dietas e a correlativa redu&ccedil;&atilde;o no consumo de produtos de origem animal, hoje excessivo na maior parte do mundo &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quarta raz&atilde;o &eacute; de natureza &eacute;tico-normativa. Nas discuss&otilde;es sobre clima, j&aacute; se generalizou a ideia de que &eacute; necess&aacute;ria uma transi&ccedil;&atilde;o justa, o que s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ado se a &ecirc;nfase da descarboniza&ccedil;&atilde;o da vida econ&ocirc;mica se concentrar no empenho em oferecer bens p&uacute;blicos que melhorem a vida social e se houver mecanismos financeiros para que a adapta&ccedil;&atilde;o aos eventos clim&aacute;ticos extremos tenha foco, sobretudo, para os que vivem nas &aacute;reas mais suscet&iacute;veis de serem castigadas pelas cat&aacute;strofes cada vez mais frequentes. Da&iacute; se origina o v&iacute;nculo, estabelecido no relat&oacute;rio do IRP/UNEP &#91;3&#93; entre transi&ccedil;&atilde;o justa e sufici&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale a pena transcrever a defini&ccedil;&atilde;o deste termo pelo IRP/UNEP &#91;3&#93;: "Conceito que est&aacute; ganhando for&ccedil;a na agenda pol&iacute;tica e que, do ponto de vista dos recursos, refere-se &agrave; necessidade de: aumentar o uso de recursos em contextos de baixo desenvolvimento para permitir uma vida digna, enquanto se reduzem os n&iacute;veis de consumo nas partes da popula&ccedil;&atilde;o que vivem muito acima da capacidade do planeta".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase que, at&eacute; aqui, as organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais, as empresas e os governos colocam em ampliar a efici&ecirc;ncia no uso dos recursos vem tendo como contrapartida aquilo que os especialistas chamam de efeito ricochete ou efeito rebote: os exemplos das latinhas de refrigerantes e de cerveja e dos celulares citados acima (aos quais se pode acrescentar os do cimento e in&uacute;meros outros produtos) mostram que as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que conduzem &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o na quantidade de materiais contidos em cada unidade dos produtos tendem a baratear seus pre&ccedil;os, a aumentar seu consumo e, portanto, a ampliar, em termos absolutos, a extra&ccedil;&atilde;o de materiais dos quais os produtos dependem. N&atilde;o se trata de negar a import&acirc;ncia da efici&ecirc;ncia e sim de constatar que ter nela o objetivo central das pol&iacute;ticas socioambientais n&atilde;o reduzir&aacute; a press&atilde;o que o uso dos recursos exerce sobre os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos dos quais a pr&oacute;pria vida depende.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; totalmente ilus&oacute;ria a ideia de que a luta contra as desigualdades consiste em elevar a pegada material dos pa&iacute;ses e das pessoas mais pobres ao n&iacute;vel dos que est&atilde;o no topo da pir&acirc;mide social. Os dados do &uacute;ltimo relat&oacute;rio do IRP/UNEP mostram que tal caminho s&oacute; faria acelerar a destrui&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos que os atuais padr&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e consumo v&ecirc;m provocando. Da&iacute; vem a ideia de explos&atilde;o contida no t&iacute;tulo do trabalho do IRP/UNEP. E &eacute; por isso que ele prop&otilde;e que se altere o foco da transi&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia para a sufici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; verdade que os caminhos para obter efici&ecirc;ncia est&atilde;o relativamente bem tra&ccedil;ados e &eacute; neles que se concentram os esfor&ccedil;os atuais da esmagadora maioria das empresas, dos governos e mesmo das organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais. J&aacute; as rotas para que se reduza a pegada material, o que passa, antes de tudo, pela diminui&ccedil;&atilde;o das desigualdades no uso dos recursos, nem de longe est&atilde;o desenhadas. Enfrentar este dilema deveria ser tema central do multilateralismo global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; Agrade&ccedil;o ao colega Andrei Cechin, do Departamento de Economia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), pelo envio destas preciosas informa&ccedil;&otilde;es contidas no livro de Vaclav Smil (2022) &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; Ver: C40 CITIES CLIMATE LEADERSHIP GROUP. Spotlight On: 15-Minute Cities. C40 Knowledge, 2024.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;1&#93; FISCHER-KOWALSKI, M. Society's metabolism: the intellectual history of material flow analysis, part I: 1860-1970. <i>Journal of Industrial Ecology</i>, v. 2, n. 1, p. 61-78, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;2&#93; DASGUPTA, P. <i>The economics of biodiversity</i>: the dasgupta review. London: HM Treasury, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;3&#93; UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). <i>Global Resources Outlook 2024</i>: Bend the trend - pathways to a liveable planet as resource use spikes. Nairobi: UNEP, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;4&#93; HABERL, H.; WIEDENHOFER, D.; VIR&Aacute;G, D.; KALT, G.; PLANK, B.; BROCKWAY, P.; FISHMAN, T. et al. A systematic review of the evidence on decoupling of GDP, resource use and GHG emissions, part II: synthesizing the insights. <i>Environmental Research Letter</i>, v. 15, n. 6, p. 065003, 2020.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;5&#93; UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). <i>Decoupling natural resource use and environmental impacts from economic growth</i>: a report of the working group on decoupling to the International Resource Panel. Nairobi: UNEP, 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;6&#93; SMIL, V. <i>Making the Modern World</i>: materials and dematerialization. Hoboken: Wiley, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;7&#93; SMIL, V. <i>How the world really works</i>: how science can set us straight on our past, present and future. New York: Viking, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;8&#93; LU, C.; TIAN, H. Global nitrogen and phosphorus fertilizer use for agriculture production in the past half century: shifted hot spots and nutrient imbalance. <i>Earth System Science Data</i>, v. 9, p. 181, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;9&#93; BILLEN, G.; GARNIER, J.; LASSALETTA, L. The nitrogen cascade from agricultural soils to the sea: modelling nitrogen transfers at regional watershed and global scales. <i>Philosophical Transactions of the Royal Society B Biological Sciences</i>, v. 368, p. 20130123, 2013.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;10&#93; CHENG, D.; REINER, D. M.; YANG, F.; CUI, C.; MENG, J.; SHAN, Y.; LIU, Y.; TAO, S.; GUAN, D. Projecting future carbon emissions from cement production in developing countries. <i>Nature Communications</i>, v. 14, n. 1, p. 8213, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;11&#93; ABRAMOVAY, R.; MARTINS, A. P. B.; SANSEVERINO, E. C.; TANGARI, J.; NUNES-GALBES, N. M. Diversity in Agriculture and Consumption: the basis for healthy and sustainable eating. <i>In</i>: KANT, A.; SARAN, S. <i>Bridging the ingenuity gap</i>: ideas for a vibrant G20. New Delhi: ORF and Global Policy Journal, 2024.    </font></p>      ]]></body><back>
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