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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240067</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância do ordenamento territorial para o futuro das florestas públicas na Amazônia]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cobertura vegetal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A import&acirc;ncia do ordenamento territorial para o futuro das florestas p&uacute;blicas na Amaz&ocirc;nia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Iranilda Moraes<sup>I</sup>; Claudia Azevedo-Ramos<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora do Instituto Federal do Par&aacute; (IFPA), Campus Marab&aacute; Industrial. Possui doutorado em Desenvolvimento Sustent&aacute;vel do Tr&oacute;pico &Uacute;mido pelo N&uacute;cleo de Altos Estudos da Amaz&ocirc;nia (NAEA) da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA)    <br>   <sup>II</sup>Professora titular do N&uacute;cleo de Altos Estudos da Amaz&ocirc;nia (NAEA) da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA). Possui doutorado em Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas (Ecologia) pela Universidade Estadual de Campinas e p&oacute;s-doutorado no The Woods Hole Research Center (atual The Woodwell Climate Research Center) e pela Faculdade de Administra&ccedil;&atilde;o, Contabilidade, Economia e Gest&atilde;o de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas da Universidade de Bras&iacute;lia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Proteger as florestas tropicais &eacute; essencial para enfrentar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e preservar a biodiversidade. No Brasil, 19% das florestas p&uacute;blicas ainda n&atilde;o foram destinadas a alguma categoria de uso, tendo enfrentado perdas significativas de cobertura florestal devido &agrave; grilagem e explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais, especialmente na Amaz&ocirc;nia. Destinar essas florestas tem sido sugerido como fundamental para conter pr&aacute;ticas insustent&aacute;veis e ilegais. Um estudo de caso no Par&aacute; indicou que o ordenamento territorial pode contribuir para resolver conflitos territoriais e promover uma economia baseada na floresta no Conjunto de Glebas Mamuru-Arapiuns (CGMA). A destina&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas p&uacute;blicas a diversas categorias de uso resultou em uma nova configura&ccedil;&atilde;o territorial, com a inten&ccedil;&atilde;o de minimizar disputas e atividades ilegais na regi&atilde;o. Aqui, refletimos sobre a experi&ecirc;ncia no CGMA e suas li&ccedil;&otilde;es, como a necessidade de vontade pol&iacute;tica, processos participativos equilibrados e planejamento da gest&atilde;o eficaz do territ&oacute;rio. A destina&ccedil;&atilde;o de florestas p&uacute;blicas &eacute; o primeiro passo para melhorar a governan&ccedil;a nessas &aacute;reas, mas a implementa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o ambiental &eacute; crucial para garantir a prote&ccedil;&atilde;o das florestas e fortalecer a governan&ccedil;a. Com mais de 60 milh&otilde;es de hectares de florestas p&uacute;blicas n&atilde;o destinadas na Amaz&ocirc;nia brasileira, como destinar e gerir essas &aacute;reas s&atilde;o essenciais para um futuro sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Cobertura vegetal; Governan&ccedil;a; Planejamento regional; Processo participativo</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um mundo em aquecimento, proteger as florestas tropicais &eacute; crucial para preservar sua biodiversidade e servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos. Parte das a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para manter as florestas passa pelo ordenamento territorial e a destina&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas p&uacute;blicas para categorias de uso da terra que valorizem a floresta &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As florestas cobrem um ter&ccedil;o (4,06 bilh&otilde;es de hectares) das terras do mundo, embora 54% delas estejam concentradas em cinco pa&iacute;ses, incluindo o Brasil &#91;2&#93;. A Amaz&ocirc;nia, maior &aacute;rea cont&iacute;nua de floresta tropical &uacute;mida do mundo, vem sofrendo, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, acentuadas perdas sucessivas da cobertura florestal, resultando em transforma&ccedil;&otilde;es na sua paisagem &#91;3&#93;. Como proteger esta maci&ccedil;a &aacute;rea florestal e os povos que nela residem da grilagem e especula&ccedil;&atilde;o de terras, da apropria&ccedil;&atilde;o indevida dos recursos naturais e da convers&atilde;o em &aacute;reas n&atilde;o florestadas tem sido um dos maiores desafios dos pa&iacute;ses pan-amaz&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria das florestas no mundo (73%) &eacute; de propriedade dos governos e o modelo de gest&atilde;o escolhido impacta diretamente nos estoques e na distribui&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios do recurso florestal, seja para o pr&oacute;prio governo ou para comunidades locais &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Florestas p&uacute;blicas brasileiras s&atilde;o florestas, naturais ou plantadas, localizadas nos diversos biomas sob os dom&iacute;nios federal, estadual ou municipal. O Brasil possui 327,3 milh&otilde;es de hectares de florestas p&uacute;blicas, sendo aproximadamente 63 milh&otilde;es de hectares (19%)  - considerando as sobreposi&ccedil;&otilde;es com outras &aacute;reas  - de florestas p&uacute;blicas ainda n&atilde;o destinadas (FPND) a alguma categoria de uso ou prote&ccedil;&atilde;o prevista em lei. Destas, pouco mais de 60 milh&otilde;es de hectares (96%) est&atilde;o localizadas na Amaz&ocirc;nia brasileira &#91;5&#93;. Considerando os 57,5 milh&otilde;es hectares de FPND (sem sobreposi&ccedil;&otilde;es), apenas no primeiro trimestre de 2021, 33% do desmatamento na regi&atilde;o ocorreu dentro deste tipo de floresta &#91;6&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dada a sua escala, a destina&ccedil;&atilde;o de florestas p&uacute;blicas &eacute; defendida como um dos principais mecanismos para conter o avan&ccedil;o do desmatamento e a grilagem de terras na Amaz&ocirc;nia &#91;7&#93;. Algumas das op&ccedil;&otilde;es legais de gest&atilde;o florestal para garantir a manuten&ccedil;&atilde;o das florestas nessas &aacute;reas s&atilde;o a cria&ccedil;&atilde;o de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o, terras ind&iacute;genas, assentamentos especiais e concess&otilde;es florestais &#91;8&#93;. Muitas dessas categorias incluem o uso sustent&aacute;vel da floresta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ordenamento territorial, como uma pr&aacute;tica de planejamento integrado e especializado da a&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico, por meio da articula&ccedil;&atilde;o transetorial e interinstitucional &#91;9&#93;, tende a melhorar a governan&ccedil;a. O pressuposto &eacute; que as pr&aacute;ticas do di&aacute;logo e do entendimento p&uacute;blico-privado, ao envolver diferentes redes de poder s&oacute;cio territorial, podem influenciar positivamente na governan&ccedil;a &#91;10&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Em um mundo em aquecimento, proteger as florestas tropicais &eacute; crucial para preservar sua biodiversidade e servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um estudo de caso na regi&atilde;o do Par&aacute;, onde o governo do estado, pressionado por conflitos de terra locais e o desejo de fomentar uma economia florestal, promoveu o ordenamento territorial em uma regi&atilde;o de mais de 1 milh&atilde;o de hectares, torna-se um experimento em escala para avaliar aperfei&ccedil;oamentos da governan&ccedil;a local.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Um caso concreto na Amaz&ocirc;nia brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2008, o estado do Par&aacute; deu in&iacute;cio a um processo de destina&ccedil;&atilde;o e ordenamento de quase um ter&ccedil;o (1,3 milh&atilde;o de hectares) de suas florestas p&uacute;blicas estaduais n&atilde;o destinadas, em uma &aacute;rea conhecida como Conjunto de Glebas Mamuru-Arapiuns (CGMA). Naquela &eacute;poca, o Brasil possu&iacute;a cerca de 71 milh&otilde;es de hectares de florestas p&uacute;blicas federais e estaduais. As florestas estaduais representavam 23%, sendo 11,5 milh&otilde;es de hectares com destina&ccedil;&atilde;o definida, como unidades de conserva&ccedil;&atilde;o e uso comunit&aacute;rio, e 4,2 milh&otilde;es de hectares ainda na condi&ccedil;&atilde;o de FPND &#91;11&#93;<sup> </sup>(<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a08fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O CGMA era composto por cinco glebas p&uacute;blicas estaduais (Curumucuri, Nova Olinda I, Nova Olinda II, Nova Olinda III e Mamuru), situadas nos limites de tr&ecirc;s munic&iacute;pios (Santar&eacute;m, Juruti e Aveiro) no oeste do Par&aacute;. Essas terras faziam parte do complexo geoecon&ocirc;mico denominado &agrave; &eacute;poca de Distrito Florestal Sustent&aacute;vel da BR-163, criado visando fortalecer pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que estimulassem as atividades de base florestal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A regi&atilde;o abriga comunidades tradicionais, ind&iacute;genas e pequenos e m&eacute;dios produtores agr&iacute;colas. Antes do ordenamento, a regi&atilde;o era marcada por conflitos territoriais, press&otilde;es de desmatamento, grilagem, minera&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o madeireira desordenada &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo do ordenamento territorial do CGMA era resolver disputas territoriais e de explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais. Isso foi alcan&ccedil;ado por meio da destina&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas p&uacute;blicas estaduais e da promo&ccedil;&atilde;o de uma economia baseada na floresta, incluindo concess&otilde;es florestais na regi&atilde;o &#91;13&#93;. As dimens&otilde;es territoriais, a complexidade socioambiental e a falta de conhecimento cient&iacute;fico sobre essas &aacute;reas foram desafios iniciais que exigiram uma abordagem de gest&atilde;o compartilhada entre os &oacute;rg&atilde;os fundi&aacute;rio, ambiental e florestal estaduais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, o Par&aacute; utilizou instrumentos administrativos para proteger as comunidades tradicionais e evitar conflitos e usos ilegais enquanto o processo de ordenamento territorial estava em andamento. Por exemplo, o CGMA tornou-se uma &Aacute;rea de Limita&ccedil;&atilde;o Administrativa Provis&oacute;ria (ALAP), que proibiu atividades de corte raso ou qualquer outra forma de degrada&ccedil;&atilde;o florestal na regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os debates sobre o destino de mais de um milh&atilde;o de hectares envolveram a apresenta&ccedil;&atilde;o de, pelo menos, 12 propostas de ordenamento pelas partes interessadas. Essas propostas estavam associadas a 37 grupos, abrangendo quest&otilde;es agr&aacute;rias, econ&ocirc;micas, sociais e culturais &#91;13&#93;. Isso demonstra que a luta pela apropria&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios e seus recursos naturais no CGMA tamb&eacute;m teve reflexos no campo das representa&ccedil;&otilde;es cartogr&aacute;ficas &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As a&ccedil;&otilde;es de ordenamento territorial no CGMA, iniciadas em 2008 e efetivadas em 2010, resultaram em destina&ccedil;&otilde;es de terra em diferentes categorias de uso, modificando a configura&ccedil;&atilde;o territorial. O CGMA passou a ter um mosaico de usos e acesso aos recursos florestais, incluindo (I) &aacute;reas destinadas: <i>i)</i> concess&atilde;o florestal; <i>ii)</i> centro de treinamento florestal; <i>iii)</i> unidade de conserva&ccedil;&atilde;o; <i>iv)</i> comunidades tradicionais; e <i>v)</i> &aacute;reas privadas; e (II) &aacute;reas ainda n&atilde;o destinadas/ou pendentes de resolu&ccedil;&atilde;o: <i>vi)</i> Terra Ind&iacute;gena Mar&oacute;, e <i>vii)</i> Gleba Nova Olinda III.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Como o ordenamento pode contribuir para a governan&ccedil;a florestal?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A manuten&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio p&uacute;blico das florestas ocorre por meio de sua destina&ccedil;&atilde;o &agrave;s categorias previstas em lei. Essa a&ccedil;&atilde;o visa proteger o direito &agrave; terra, as pr&oacute;prias florestas e seus servi&ccedil;os ecol&oacute;gicos, al&eacute;m de valorizar seus ativos florestais. O papel do Estado &eacute; fundamental nesse processo, e ele deve promover a gest&atilde;o das florestas p&uacute;blicas em conjunto com a sociedade civil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Dallabrida &#91;10&#93;, a constru&ccedil;&atilde;o de consensos m&iacute;nimos por meio de concerta&ccedil;&atilde;o social &eacute; essencial. Nesse contexto, diferentes atores praticam a gest&atilde;o territorial de forma descentralizada, buscando concilia&ccedil;&atilde;o e media&ccedil;&atilde;o. As propostas de ordenamento territorial apresentadas pelos diversos grupos de <i>stakeholders</i> revelam embates entre vis&otilde;es e formas de apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio e seus recursos. Esses conflitos, muitas vezes velados, impactam profundamente as comunidades locais, mas s&atilde;o revelados em processos de ordenamento participativos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Na busca pela garantia de maior equidade, &eacute; necess&aacute;ria a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de mecanismos participativos, apoiados em um aprendizado cont&iacute;nuo."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O envolvimento das partes interessadas nas decis&otilde;es sobre o uso dos recursos naturais e o exerc&iacute;cio da governan&ccedil;a, permitindo que sociedade e Estado deliberassem sobre pol&iacute;ticas de desenvolvimento para a regi&atilde;o, destacaram o papel do Estado do Par&aacute; como mediador de conflitos e l&iacute;der no processo participativo de ordenamento no CGMA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, ao reconhecer que o Estado pode n&atilde;o ser neutro, for&ccedil;as assim&eacute;tricas durante os processos de concilia&ccedil;&atilde;o podem gerar participa&ccedil;&atilde;o desigual e produzir vieses no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e na tomada de decis&atilde;o, tornando o processo de concerta&ccedil;&atilde;o desequilibrado. Portanto, na busca pela garantia de maior equidade, &eacute; necess&aacute;ria a institucionaliza&ccedil;&atilde;o de mecanismos participativos, apoiados em um aprendizado cont&iacute;nuo. Apesar do incentivo ao engajamento dos atores na governan&ccedil;a local e acordos sobre o uso de recursos naturais, algumas limita&ccedil;&otilde;es persistem no CGMA. A falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre o n&uacute;mero relativo de <i>stakeholders</i> e as condi&ccedil;&otilde;es para participa&ccedil;&atilde;o efetiva dificultam a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do processo participativo. Al&eacute;m disso, conflitos, como o reconhecimento de terras ind&iacute;genas e a destina&ccedil;&atilde;o da Gleba Nova Olinda III, ainda desafiam a governan&ccedil;a local.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"O ordenamento territorial, a destina&ccedil;&atilde;o adequada de &aacute;reas p&uacute;blicas e a promo&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas sustent&aacute;veis s&atilde;o passos cruciais para garantir um futuro mais resiliente e equilibrado para as florestas tropicais."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concerta&ccedil;&atilde;o social experimentada no CGMA entre diferentes redes de poder socioterritorial resultou em um experimento de constru&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a local. Embora uma melhor governan&ccedil;a possa, em tese, reduzir as taxas de desmatamento &#91;14&#93; e a destina&ccedil;&atilde;o de florestas p&uacute;blicas seja o primeiro passo para melhorar a governan&ccedil;a sobre essas &aacute;reas &#91;7,15&#93;, &eacute; importante considerar que a categoria de destina&ccedil;&atilde;o e a implementa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o tamb&eacute;m influenciam na din&acirc;mica socioambiental. No CGMA, passados mais de 10 anos do ordenamento, a paisagem mudou. Embora as disputas territoriais possam ter sido reduzidas, a ocupa&ccedil;&atilde;o e o aumento das perdas de cobertura florestal se intensificaram com a consolida&ccedil;&atilde;o das destina&ccedil;&otilde;es, especialmente naquelas categorias em que atividades econ&ocirc;micas s&atilde;o legalmente permitidas, como a explora&ccedil;&atilde;o madeireira e a agropecu&aacute;ria &#91;16&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Qual &eacute; o pr&oacute;ximo passo?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Amaz&ocirc;nia brasileira, a prote&ccedil;&atilde;o das florestas est&aacute; estreitamente ligada &agrave; competi&ccedil;&atilde;o com outros usos da terra, muitos dos quais relacionados a pr&aacute;ticas ilegais, como desmatamento, grilagem e explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de ordenamento territorial e as destina&ccedil;&otilde;es de florestas p&uacute;blicas realizadas no CGMA, embora imperfeito na participa&ccedil;&atilde;o social e na destina&ccedil;&atilde;o total do conjunto de glebas, demonstraram a contribui&ccedil;&atilde;o desse tipo de a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica na minimiza&ccedil;&atilde;o de conflitos hist&oacute;ricos relacionados ao uso da terra &#91;17&#93;. Esse processo resultou em uma nova configura&ccedil;&atilde;o territorial para mais de 1,3 milh&atilde;o de hectares de uma floresta p&uacute;blica estadual que n&atilde;o havia sido designada at&eacute; 2010. O novo desenho do CGMA, no entanto, n&atilde;o impediu a perda de cobertura florestal, embora estas tenham se mostrado mais alinhadas com os usos da terra permitidos em cada categoria criada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Destinar &eacute; apenas o primeiro passo. A destina&ccedil;&atilde;o atribui compet&ecirc;ncias para a gest&atilde;o dessas &aacute;reas, incluindo licenciamento e fiscaliza&ccedil;&atilde;o ambiental, al&eacute;m de possibilitar a identifica&ccedil;&atilde;o dos atores envolvidos. Por&eacute;m, para uma maior efic&aacute;cia da pol&iacute;tica p&uacute;blica ambiental e fundi&aacute;ria nas florestas p&uacute;blicas na Amaz&ocirc;nia, a implementa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o (instrumentos de gest&atilde;o e de regularidade ambiental) para as &aacute;reas rec&eacute;m-destinadas s&atilde;o chaves para garantir a prote&ccedil;&atilde;o das florestas na regi&atilde;o e fortalecer a governan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando os efeitos de retroalimenta&ccedil;&atilde;o dos diferentes n&iacute;veis da governan&ccedil;a &#91;14&#93;, uma fraca implementa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o pode gerar press&otilde;es de mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica e no arcabou&ccedil;o legal socioambiental que regem essas &aacute;reas. As press&otilde;es por mudan&ccedil;as nas regulamenta&ccedil;&otilde;es que protegem as florestas p&uacute;blicas j&aacute; destinadas n&atilde;o s&atilde;o raras no Brasil, como aquelas associadas a mudan&ccedil;as na categoria de prote&ccedil;&atilde;o, tamanho ou uso da terra &#91;18&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia no CGMA oferece algumas li&ccedil;&otilde;es de aperfei&ccedil;oamento valiosas: (1) a vontade pol&iacute;tica &eacute; essencial, mas o protagonismo do Estado deve ser cauteloso em n&atilde;o ofuscar outros <i>stakeholders</i> no processo de ordenamento territorial; (2) processos participativos equilibrados minimizam riscos futuros; e (3) o planejamento da implanta&ccedil;&atilde;o das destina&ccedil;&otilde;es e a gest&atilde;o do territ&oacute;rio s&atilde;o t&atilde;o importantes quanto o pr&oacute;prio processo de destina&ccedil;&atilde;o. Considerando a escala de FPND na Amaz&ocirc;nia brasileira, a quest&atilde;o de como destinar essa vasta &aacute;rea e a quais categorias de uso da terra s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es importantes para os tomadores de decis&atilde;o se a inten&ccedil;&atilde;o for a conserva&ccedil;&atilde;o da floresta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A prote&ccedil;&atilde;o dos grandes maci&ccedil;os de florestas tropicais e dos povos que nela residem, contra a grilagem, a especula&ccedil;&atilde;o de terras, apropria&ccedil;&atilde;o indevida dos recursos naturais e a convers&atilde;o em &aacute;reas n&atilde;o florestadas, tem sido um dos maiores desafios dos pa&iacute;ses pan-amaz&ocirc;nicos. O ordenamento territorial, a destina&ccedil;&atilde;o adequada de &aacute;reas p&uacute;blicas e a promo&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas sustent&aacute;veis s&atilde;o passos cruciais para garantir um futuro mais resiliente e equilibrado para as florestas tropicais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. MOUTINHO, P.; AZEVEDO-RAMOS, C. Untitled public forestlands threaten Amazon conservation. <i>Nature Communications</i>, London, v. 14, n. 1, p. 1-4, 2023.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO); UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). <i>The state of the World's Forests 2020</i>. Rome: FAO/UNEP, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). <i>PRODES</i>: Monitoramento do desmatamento da Floresta Amaz&ocirc;nica brasileira por sat&eacute;lite. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes" target="_blank">http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes</a>. Acesso em: 29 ago. 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. KARSENTY, A. <i>The contemporary forest concessions in West and Central Africa</i>: chronicle of a foretold decline? Forestry Policy and Institutions Working Paper. Rome: FAO, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. SERVI&Ccedil;O FLORESTAL BRASILEIRO (SFB). <i>Plano Anual de Outorga Florestal</i>: PAOF 2023. Bras&iacute;lia: SFB, 2022. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/servico-florestal-brasileiro/concessao-florestal/plano-anual-de-outorga-florestal/Paof_2023.pdf" target="_blank">https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/servico-florestal-brasileiro/concessao-florestal/plano-anual-de-outorga-florestal/Paof_2023.pdf</a>. Acesso em: 8 fev. 2023.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. ALENCAR, A.; CASTRO, I.; LAURETO, L.; GUYOT, C.; STABILE, M.; MOUTINHO, P. <i>Amazon on fire deforestation and fire in undesignated public forests</i>. Bras&iacute;lia: Amazon Environmental Research Institute, 2021. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ipam.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Amazon-on-Fire-7-en.pdf" target="_blank">https://ipam.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Amazon-on-Fire-7-en.pdf</a>. Acesso em: 23 jul. 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. AZEVEDO-RAMOS, C.; MOUTINHO, P. No man's land in the Brazilian Amazon: Could undesignated public forests slow Amazon deforestation? <i>Land Use Policy</i>, v. 73, p. 125-127, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. GRUPO DE TRABALHO PELO DESMATAMENTO ZERO (GTDZ). <i>Desmatamento zero na Amaz&ocirc;nia</i>: como e por que chegar l&aacute;. Bras&iacute;lia: GTDZ, 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2018/07/Relatorio_DesmatamentoZero_Resumido.pdf" target="_blank">https://www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2018/07/Relatorio_DesmatamentoZero_Resumido.pdf</a>. Acesso em: 17 nov. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. MORAES, A. C. R. Ordenamento Territorial: uma conceitua&ccedil;&atilde;o para o planejamento estrat&eacute;gico. <i>In</i>: OFICINA SOBRE A POL&Iacute;TICA NACIONAL DE ORDENAMENTO TERRITORIAL, 2003, Bras&iacute;lia. Anais &#91;...&#93;. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, Secretaria de Pol&iacute;ticas de Desenvolvimento Regional, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. DALLABRIDA, V. R. Governan&ccedil;a territorial: a densidade institucional e o capital social no processo de gest&atilde;o do desenvolvimento territorial. <i>In</i>: SEMIN&Aacute;RIO INTERNACIONAL SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL, 2006, Santa Cruz do Sul. <i>Anais</i> &#91;...&#93; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. IDEFLOR-BIO. Plano Anual de Outorga Florestal do Estado do Par&aacute; 2009. Bel&eacute;m: Ideflor-Bio, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. ASSIS, W. F. T. Pode o subalterno mapear e incidir no planejamento regional? Conflitos territoriais e disputas cartogr&aacute;ficas no ordenamento fundi&aacute;rio do oeste do Par&aacute;. <i>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais</i>, Presidente Prudente, v. 22, p. 1-25, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. RIBEIRO, J. R.; MORAES, I. S.; AZEVEDO-RAMOS, C. Contribution of State Forest Concessions to the Governance of Conflict Areas in Par&aacute;, Brazil. <i>In</i>: GON&Ccedil;ALVES, M. V.; MERC&Ecirc;S, S. S. <i>Natureza, sociedade e economia pol&iacute;tica na Amaz&ocirc;nia Contempor&acirc;nea</i>. Bel&eacute;m: NAEA, 2017. p. 283-303.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. WEHKAMP, J.; KOCH, N.; L&Uuml;BBERS, S.; FUSS, S. Governance and deforestation: a meta-analysis in economics. <i>Ecological Economics</i>, v. 144, p. 214-227, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. MOUTINHO, P.; GUERRA, R.; AZEVEDO-RAMOS, C. Achieving zero deforestation in the Brazilian Amazon: what is missing? <i>Elementa</i>: Science of the Anthropocene, Oakland, v. 4, p. 125, 2016.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. MORAES, I. S. <i>Ordenamento territorial e governan&ccedil;a florestal no oeste do Par&aacute;</i>: o caso do conjunto de Glebas Mamuru-Arapiuns. 2021. 166 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustent&aacute;vel do Tr&oacute;pico &Uacute;mido) - N&uacute;cleo de Altos Estudos Amaz&ocirc;nicos, Universidade Federal do Par&aacute;, Bel&eacute;m, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. TOVAR, J. G.; LARSON, A.; BARLETTI, J. P. S.; BARNES, G. Politics and power in territorial planning: insights from two "Ecological-Economic Zoning" multi-stakeholder processes in the Brazilian Amazon. <i>International Forestry Review</i>, Shropshire, v. 23, n. 1, p. 59-75, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. MORAES, I.; AZEVEDO-RAMOS, C.; PACHECO, J. Public forests under threat in the Brazilian Amazon: strategies for coping shifts in environmental policies and regulations. <i>Frontiers in Forests and Global Change</i>, Lausanne, v. 4, p. 45, 2021.    </font></p>      ]]></body><back>
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