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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impactos sociais dos eventos clim&aacute;ticos extremos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jose A. Marengo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisador titular e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e professor na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do programa em desastres naturais da UNESP-Cemaden. Tamb&eacute;m &eacute; membro de v&aacute;rios pain&eacute;is internacionais das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (IPCC, WMO) e de grupos de trabalho no Brasil e no exterior sobre mudan&ccedil;as de clima. &Eacute; membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias e da Academia Mundial de Ci&ecirc;ncias</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo discute os impactos sociais dos extremos de tempo e de clima no Brasil. V&aacute;rios estudos j&aacute; mostram que os extremos de chuva deflagram inunda&ccedil;&otilde;es e enchentes, deslizamentos de terra, e a falta de chuva pode gerar estiagem e seca, inc&ecirc;ndios florestais. Ondas de calor e frio, e ciclones, furac&otilde;es, tornados e vendavais podem afetar a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel. Esses extremos geram impactos socioecon&ocirc;micos que podem incluir aumento da pobreza, agravamento da fome, movimentos migrat&oacute;rios, entre outros. Os eventos meteorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos extremos expuseram milh&otilde;es de pessoas &agrave; inseguran&ccedil;a alimentar aguda e reduziram a seguran&ccedil;a h&iacute;drica, com maiores impactos observados em muitos locais e/ou comunidades no mundo. A mudan&ccedil;a do clima n&atilde;o &eacute; justa, e apesar de afetar a todos, a distribui&ccedil;&atilde;o dos impactos &eacute; desigual  - a popula&ccedil;&atilde;o marginalizada em seus direitos sociais, econ&ocirc;micos, culturais, pol&iacute;ticos e institucionais &eacute; mais vulner&aacute;vel aos efeitos clim&aacute;ticos. Pequenas comunidades, especialmente para os povos ind&iacute;genas, ribeirinhos Amaz&ocirc;nicos, pequenos produtores de alimentos, pessoas de baixa renda, fam&iacute;lias com crian&ccedil;as, idosos e mulheres gr&aacute;vidas s&atilde;o mais particularmente afetadas. Embora os impactos dos eventos clim&aacute;ticos extremos atinjam a todos, nem todas as pessoas conseguem enfrent&aacute;-los e se recuperar deles com a mesma facilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; Adapta&ccedil;&atilde;o; Vulnerabilidade; Impactos socioecon&ocirc;micos; Extremos clim&aacute;ticos</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As altera&ccedil;&otilde;es na frequ&ecirc;ncia ou na intensidade dos fen&ocirc;menos meteorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos extremos podem ter impactos profundos na natureza e na sociedade. Existe uma base cient&iacute;fica s&oacute;lida que sustenta que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (antropog&ecirc;nicas) induzem altera&ccedil;&otilde;es nesses extremos. O Sexto Relat&oacute;rio do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) &#91;1,2&#93; destacou que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas antropog&ecirc;nicas t&ecirc;m contribu&iacute;do para o aumento de eventos meteorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos extremos, que resultam em mortes e em significativos impactos decorrentes de desastres. Extremos de chuva deflagram inunda&ccedil;&otilde;es, enchentes e deslizamentos de terra; a falta de chuva pode gerar estiagens e secas, al&eacute;m de inc&ecirc;ndios florestais. Ondas de calor e frio, ciclones, furac&otilde;es, tornados e vendavais tamb&eacute;m podem afetar a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel. Os impactos socioecon&ocirc;micos decorrentes das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas incluem o aumento da pobreza, o agravamento da fome, os movimentos migrat&oacute;rios e a maior ocorr&ecirc;ncia de eventos extremos, como enchentes, tempestades e estiagens.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos 30 anos, o n&uacute;mero de desastres tem aumentado em todo o planeta devido &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o de eventos hidrometeorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos em muitas regi&otilde;es, ou em raz&atilde;o do aumento da popula&ccedil;&atilde;o que vive em &aacute;reas de risco. Esses eventos tamb&eacute;m t&ecirc;m o potencial de causar perdas agr&iacute;colas, desabastecimento e contamina&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, cortes de luz e prolifera&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um evento clim&aacute;tico extremo &eacute; definido como uma situa&ccedil;&atilde;o rara em um determinado local e &eacute;poca do ano. Um evento clim&aacute;tico ou meteorol&oacute;gico extremo resulta em uma s&eacute;ria interrup&ccedil;&atilde;o no funcionamento normal de uma comunidade, afetando seu cotidiano. Eventos clim&aacute;ticos extremos causam perdas materiais, humanas e animais, al&eacute;m de danos ao meio ambiente e riscos &agrave; sa&uacute;de. Por isso, s&atilde;o t&atilde;o perigosos e precisam de medidas preventivas e estudos socioambientais para mitigar seus impactos. Assim, &eacute; essencial analisar eventos extremos para identificar suas tend&ecirc;ncias atuais e explorar as poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas induzir&atilde;o em sua frequ&ecirc;ncia e intensidade. Isso &eacute; extremamente importante em regi&otilde;es onde eventos extremos desencadeiam desastres e podem afetar popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis, que acabam abandonando &aacute;reas expostas, gerando impactos nos sistemas naturais e humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os extremos da variabilidade clim&aacute;tica e das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas aumentam os fatores que levam as pessoas &agrave; pobreza e as mant&ecirc;m nessa situa&ccedil;&atilde;o. Inunda&ccedil;&otilde;es e deslizamentos de terra podem assolar favelas urbanas, destruindo casas e meios de subsist&ecirc;ncia. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas afetam a disponibilidade de &aacute;gua, tornando-a mais escassa em v&aacute;rias regi&otilde;es. O calor pode dificultar o trabalho ao ar livre, enquanto a escassez de &aacute;gua pode afetar a agricultura, a gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica e aumentar o risco de fogo em biomas protegidos, com impactos sobre a sa&uacute;de humana por diferentes vias e intensidades. Algumas dessas transforma&ccedil;&otilde;es atingem diretamente a popula&ccedil;&atilde;o, como a ocorr&ecirc;ncia de secas, ondas de calor, furac&otilde;es, tempestades e enchentes &#91;3&#93; (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Extremos de tempo e clima observados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os eventos clim&aacute;ticos e meteorol&oacute;gicos extremos, geralmente, s&atilde;o classificados como de origem hidrol&oacute;gica (inunda&ccedil;&otilde;es bruscas e graduais, alagamentos, enchentes, deslizamentos), hidrogeol&oacute;gica (processos erosivos, de movimenta&ccedil;&atilde;o de massa e deslizamentos resultantes de processos geol&oacute;gicos em consequ&ecirc;ncia de extremos de chuva); meteorol&oacute;gica (raios, ciclones tropicais e extratropicais, tornados e vendavais); e climatol&oacute;gica (estiagem e seca, queimadas e inc&ecirc;ndios florestais, chuvas de granizo, geadas e ondas de frio e de calor).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As palavras "extremos clim&aacute;ticos" e "extremos meteorol&oacute;gicos" s&atilde;o utilizadas quase indistintamente, uma vez que o tempo e o clima fazem parte do mesmo <i>continuum</i>. No entanto, enquanto os extremos clim&aacute;ticos t&ecirc;m sempre uma probabilidade finita, embora pequena, de acontecer, nos extremos clim&aacute;ticos procuramos um padr&atilde;o de comportamento ao longo de v&aacute;rios eventos meteorol&oacute;gicos sin&oacute;pticos, de modo que as mudan&ccedil;as nos extremos sejam avaliadas em todas as escalas de tempo e espa&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as e a variabilidade dos extremos s&atilde;o indicativas de mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas perigosas, resultando em fortes efeitos adversos (desastres) nos ecossistemas ou setores da sociedade, embora extremos mais raros (por exemplo, com um per&iacute;odo de retorno de 1 em 10 a 50 anos) possam comportar-se diferentemente. Os impactos de extremos muito raros dependem, em grande medida, do sistema, incluindo sua vulnerabilidade, resili&ecirc;ncia e capacidades de adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o. &Eacute; necess&aacute;ria uma abordagem especial &agrave; an&aacute;lise e ao comportamento dos fen&ocirc;menos meteorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos extremos no quadro da avalia&ccedil;&atilde;o do impacto potencial das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, o que fornecer&aacute; elementos para estudos de impacto.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Eventos clim&aacute;ticos extremos causam perdas materiais, humanas, animais, danos ao meio ambiente e risco &agrave; sa&uacute;de."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme observado pelo IPCC (2021 e 2022) &#91;1,2&#93; e anteriormente no IPCC (2012) &#91;4&#93; e Dunn <i>et al.</i> (2020, 2024) &#91;5,6&#93;, os pa&iacute;ses em desenvolvimento careciam de an&aacute;lises de extremos clim&aacute;ticos devido &agrave; insufici&ecirc;ncia de recursos para realizar tais an&aacute;lises, acesso limitado aos dados, menos registros digitalizados e redu&ccedil;&atilde;o da qualidade dos dados, aos quais as an&aacute;lises extremas s&atilde;o muito sens&iacute;veis. Em todo o mundo, v&aacute;rias abordagens s&atilde;o usadas para definir extremos. Geralmente, baseiam-se na determina&ccedil;&atilde;o de limites relativos (por exemplo, percentil 90&deg;) ou absolutos (por exemplo, 35 &deg;C para um dia quente) acima dos quais as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consideradas extremas. As mudan&ccedil;as nos extremos podem ser examinadas a partir de duas perspectivas, focando-se nas mudan&ccedil;as na frequ&ecirc;ncia de determinados extremos ou nas mudan&ccedil;as em sua intensidade. Frich <i>et al.</i> (2002) &#91;7&#93; derivaram indicadores, que foram compilados para classificar se a frequ&ecirc;ncia e/ou gravidade dos extremos clim&aacute;ticos mudaram durante a segunda metade do s&eacute;culo XX. Este per&iacute;odo proporciona a melhor cobertura espacial de s&eacute;ries di&aacute;rias homog&ecirc;neas, que podem ser utilizadas para calcular a propor&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea terrestre global que apresenta uma mudan&ccedil;a significativa em condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas extremas ou severas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As tend&ecirc;ncias observadas de mudan&ccedil;as nos extremos usando alguns dos &iacute;ndices clim&aacute;ticos extremos na Am&eacute;rica do Sul, de 1901 a 2018, mostram uma intensifica&ccedil;&atilde;o das ondas de calor e chuvas intensas ou ausentes, levando a inunda&ccedil;&otilde;es, deslizamentos de terra e secas em vastas regi&otilde;es da Am&eacute;rica do Sul &#91;6&#93;. As proje&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas futuras mostram aumentos nas tend&ecirc;ncias de secas, chuvas intensas e ondas de calor em diversas regi&otilde;es da Am&eacute;rica do Sul. No continente, os extremos de temperatura mostram aumentos regionais, e eventos impactantes combinam frequentemente calor e umidade elevados, afetando assim significativamente setores como a agricultura  - impactando negativamente o rendimento das colheitas, reduzindo a capacidade de trabalhar ao ar livre e aumentando a mortalidade em popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis. Estudos anteriores &#91;5,6,8,9,10,11&#93; identificaram lacunas significativas na cobertura espacial dos &iacute;ndices de Frich em 2002 &#91;7&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, nota-se um aumento na intensidade e na dura&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es quentes, e correspondentes diminui&ccedil;&otilde;es nas condi&ccedil;&otilde;es frias desde meados do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas regi&otilde;es tropicais da Am&eacute;rica do Sul, o n&uacute;mero de noites quentes aumentou mais de oito dias por d&eacute;cada, levando a uma duplica&ccedil;&atilde;o desde o final da d&eacute;cada de 1970 (a frequ&ecirc;ncia m&eacute;dia anual durante o per&iacute;odo base 1961-90 &eacute; de 36,5 dias), para entre 70 e 80 dias por ano, durante o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI. Houve tamb&eacute;m fortes diminui&ccedil;&otilde;es no n&uacute;mero de noites frias durante o mesmo per&iacute;odo, para cerca de apenas 15 dias por ano. Uma regi&atilde;o com comportamento semelhante na tend&ecirc;ncia de dias quentes &eacute; vista no sul da Am&eacute;rica do Sul. Os locais com tend&ecirc;ncias mais fortes est&atilde;o na regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica. Em contraste, as noites frias mostram que a Am&eacute;rica do Sul tem algumas das mudan&ccedil;as mais acentuadas em todas as esta&ccedil;&otilde;es, com uma diminui&ccedil;&atilde;o de at&eacute; tr&ecirc;s dias por d&eacute;cada. Em suma, os quatro &iacute;ndices percentuais de temperatura (noites e dias quentes, noites e dias frios) (<a href="#fig2">Figura 2 A-C</a>) mostram que as maiores mudan&ccedil;as nas temperaturas ocorrem no norte da Am&eacute;rica do Sul. Os dias de precipita&ccedil;&atilde;o intensa (<a href="#fig2">Figura 2 D-E</a>) mostram &aacute;reas cont&iacute;guas de altera&ccedil;&otilde;es positivas e negativas. As tend&ecirc;ncias mais fortes aparecem nos Andes e na Amaz&ocirc;nia oriental, onde h&aacute; redu&ccedil;&otilde;es. Aumentos s&atilde;o detectados em uma faixa do norte da Argentina at&eacute; a costa do Caribe, com aumentos de cerca de 2 mm por d&eacute;cada nas partes orientais do sul da Am&eacute;rica do Sul (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a09fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mais de oito milh&otilde;es de pessoas, em sua maioria pobres, moram em &aacute;reas de alto risco de desastres nas cidades brasileiras. Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem levar tr&ecirc;s milh&otilde;es &agrave; pobreza extrema no Brasil &#91;12&#93;. Choques clim&aacute;ticos poder&atilde;o empurrar de 800 mil a tr&ecirc;s milh&otilde;es de brasileiros para a pobreza extrema j&aacute; em 2030, mesmo em cen&aacute;rio que n&atilde;o considera grandes rupturas ambientais no pa&iacute;s &#91;12&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, incluindo o aumento da frequ&ecirc;ncia e da intensidade dos extremos, reduziram a seguran&ccedil;a alimentar e h&iacute;drica."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ano de 2023 foi o mais quente j&aacute; registrado em muitas partes da Am&eacute;rica Latina, o que se reflete nas anomalias de alta temperatura ao n&iacute;vel nacional. Na Am&eacute;rica do Sul, temperaturas acima da normalidade, com anomalias em torno de +2 &deg;C, at&eacute; +3 &deg;C em alguns locais, foram observadas no centro e norte da Argentina, nos Andes centrais e meridionais do Peru, Bol&iacute;via, norte do Chile e Paraguai, na Amaz&ocirc;nia peruana e boliviana e em toda a zona tropical da Am&eacute;rica do Sul, alguns deles refletindo as ondas de calor que afetaram a regi&atilde;o &#91;13&#93;. O IPCC AR6 &#91;1,2&#93; tamb&eacute;m afirma que, para as Am&eacute;ricas Central e do Sul, as tend&ecirc;ncias observadas indicam um prov&aacute;vel aumento na intensidade e na frequ&ecirc;ncia dos extremos quentes, e uma prov&aacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o na intensidade e na frequ&ecirc;ncia dos extremos frios, bem como um aumento nas temperaturas m&eacute;dias e extremas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em informa&ccedil;&otilde;es do Banco de Dados de Eventos de Emerg&ecirc;ncia do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED) (EM-DAT), em 2023, foram notificados 67 extremos meteorol&oacute;gicos, hidrol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos na regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e do Caribe. Destes 67 perigos, 77% foram tempestades e eventos relacionados com inunda&ccedil;&otilde;es, sendo respons&aacute;veis por 69% das 909 mortes documentadas nesta base de dados. Os preju&iacute;zos econ&ocirc;micos estimados em 21 bilh&otilde;es de d&oacute;lares comunicados &agrave; EMDAT foram principalmente devido a tempestades (66%) (incluindo os 12 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de danos associados ao furac&atilde;o Otis no M&eacute;xico), inunda&ccedil;&otilde;es (16%) e secas (14%) &#91;13&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impactos sociais das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas naturais e aquelas induzidas pelo homem, incluindo eventos extremos mais frequentes e intensos, t&ecirc;m causado efeitos adversos generalizados, impactos, perdas e danos relacionados &agrave; natureza e &agrave;s pessoas, al&eacute;m da variabilidade clim&aacute;tica natural. Em todos os setores e regi&otilde;es, as pessoas e os sistemas mais vulner&aacute;veis s&atilde;o desproporcionalmente afetados. As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, incluindo o aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade dos extremos, reduziram a seguran&ccedil;a alimentar e h&iacute;drica, dificultando os esfor&ccedil;os para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) &#91;2&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"A mudan&ccedil;a do clima n&atilde;o &eacute; justa. Apesar de afetar a todos, a distribui&ccedil;&atilde;o dos impactos &eacute; desigual - a popula&ccedil;&atilde;o marginalizada em seus direitos sociais, econ&ocirc;micos, culturais, pol&iacute;ticos e institucionais &eacute; mais vulner&aacute;vel aos efeitos clim&aacute;ticos."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os eventos meteorol&oacute;gicos e clim&aacute;ticos extremos expuseram milh&otilde;es de pessoas &agrave; inseguran&ccedil;a alimentar aguda e reduziram a seguran&ccedil;a h&iacute;drica, com os maiores impactos observados em muitos locais e/ou comunidades no mundo. Em conjunto, as perdas repentinas na produ&ccedil;&atilde;o e no acesso aos alimentos, agravadas pela diminui&ccedil;&atilde;o da diversidade alimentar, aumentaram a desnutri&ccedil;&atilde;o em muitas comunidades, especialmente entre povos ind&iacute;genas, ribeirinhos amaz&ocirc;nicos, pequenos produtores de alimentos e fam&iacute;lias de baixa renda, com crian&ccedil;as, idosos e mulheres gr&aacute;vidas particularmente afetados (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a09fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mudan&ccedil;a do clima n&atilde;o &eacute; justa. Apesar de afetar a todos, a distribui&ccedil;&atilde;o dos impactos &eacute; desigual  - a popula&ccedil;&atilde;o marginalizada em seus direitos sociais, econ&ocirc;micos, culturais, pol&iacute;ticos e institucionais &eacute; mais vulner&aacute;vel aos efeitos clim&aacute;ticos. Residentes em assentamentos informais  - sobretudo mulheres, idosos, crian&ccedil;as e pessoas com defici&ecirc;ncia  -, por exemplo, podem ter suas capacidades de adapta&ccedil;&atilde;o limitadas devido a barreiras socioecon&ocirc;micas &#91;14&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Justi&ccedil;a clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora os impactos dos eventos clim&aacute;ticos extremos atinjam a todos, nem todas as pessoas t&ecirc;m a mesma capacidade de enfrent&aacute;-los e se recuperar deles com facilidade. A experi&ecirc;ncia tem mostrado que popula&ccedil;&otilde;es historicamente exploradas, discriminadas e exclu&iacute;das por estruturas econ&ocirc;micas e sociais que beneficiam pequenas elites  - geralmente brancas  - s&atilde;o desproporcionalmente mais vulner&aacute;veis, pois s&atilde;o obrigadas a viver em &aacute;reas de risco e possuem menos recursos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise clim&aacute;tica tem, sem d&uacute;vida, responsabilidades hist&oacute;ricas. A forma como essa discuss&atilde;o tem sido abordada nas esferas multilaterais tem se concentrado exclusivamente nas responsabilidades dos Estados, evidenciando as responsabilidades hist&oacute;ricas dos pa&iacute;ses "mais desenvolvidos," onde os Estados Unidos da Am&eacute;rica ocupam o primeiro lugar, seguidos por toda a Europa e outros pa&iacute;ses industrializados. Esses pa&iacute;ses utilizaram combust&iacute;veis f&oacute;sseis n&atilde;o apenas para desenvolver suas ind&uacute;strias, mas tamb&eacute;m para estabelecer rela&ccedil;&otilde;es coloniais, controlar o acesso aos recursos e gerar lucros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Justi&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; o termo usado pelos movimentos socioambientais e pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico para abordar a crise clim&aacute;tica como algo que vai al&eacute;m do aquecimento global e da altera&ccedil;&atilde;o do clima, que n&atilde;o &eacute; apenas um fen&ocirc;meno f&iacute;sico e natural. O termo se refere ao movimento global que busca uma divis&atilde;o mais justa dos investimentos e das responsabilidades no combate &agrave; emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica. A justi&ccedil;a clim&aacute;tica exige que as solu&ccedil;&otilde;es para a crise clim&aacute;tica incluam quest&otilde;es de justi&ccedil;a social, reconhecendo que a base do problema est&aacute; nas injusti&ccedil;as socioecon&ocirc;micas, cujas consequ&ecirc;ncias afetam de forma muito diferente e desigual tanto as pessoas quanto os pa&iacute;ses, conforme seus recursos e grau de vulnerabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia de justi&ccedil;a clim&aacute;tica e ambiental p&otilde;e em perspectiva o Direito Ambiental, que j&aacute; se expressa no teor do artigo 225 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, no qual &eacute; enfatizado que todos os seres humanos t&ecirc;m o direito de viver em um meio ambiente ecologicamente equilibrado, indispens&aacute;vel para a sua sobreviv&ecirc;ncia, tanto no presente quanto para as gera&ccedil;&otilde;es futuras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando as dimens&otilde;es continentais do Brasil e as complexidades e diferen&ccedil;as socioecon&ocirc;micas, culturais e ambientais das cinco regi&otilde;es administrativas do pa&iacute;s  - Norte, Sul, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste  -, torna-se necess&aacute;rio construir uma Pol&iacute;tica de Estado para Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas integrada com a Redu&ccedil;&atilde;o de Riscos de Desastres. Uma Pol&iacute;tica Nacional dever&aacute; consolidar as contribui&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias regionais abrangentes, levando em conta as realidades locais, estaduais e municipais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo de ajuste aos impactos do clima atual e esperado. Em sistemas humanos, a adapta&ccedil;&atilde;o busca moderar, evitar danos ou explorar oportunidades ben&eacute;ficas. Em alguns sistemas naturais, interven&ccedil;&otilde;es humanas podem facilitar o processo de ajuste. Um caminho para as cidades prevenirem mortes, danos &agrave; infraestrutura e perdas materiais decorrentes de desastres relacionados aos extremos do clima e &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; a implementa&ccedil;&atilde;o de Planos de Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses planos s&atilde;o desenvolvidos para reduzir os impactos de desastres junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e podem salvar vidas e diminuir perdas materiais em trag&eacute;dias. Atualmente, 16 das 27 capitais do Brasil n&atilde;o t&ecirc;m seus planos conclu&iacute;dos. As capitais que ainda n&atilde;o possuem planos finalizados s&atilde;o: Aracaju, Bel&eacute;m, Boa Vista, Campo Grande, Cuiab&aacute;, Florian&oacute;polis, Goi&acirc;nia, Macap&aacute;, Macei&oacute;, Manaus, Natal, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, S&atilde;o Lu&iacute;s e Vit&oacute;ria. As prefeituras de Bel&eacute;m, Florian&oacute;polis, Macap&aacute;, Manaus, Natal, Porto Alegre e Vit&oacute;ria est&atilde;o em processo de elabora&ccedil;&atilde;o de seus respectivos planos de enfrentamento &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A experi&ecirc;ncia das inunda&ccedil;&otilde;es que afetaram o estado do Rio Grande do Sul e a capital Porto Alegre em maio de 2024 mostra que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas j&aacute; afetam negativamente a infraestrutura urbana, a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos e o bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, o Governo Federal, em conjunto com o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente e Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas e o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, est&aacute; elaborando o Plano Clima Adapta&ccedil;&atilde;o, que coloca o Brasil na trajet&oacute;ria de se tornar um pa&iacute;s resiliente, sustent&aacute;vel, seguro, justo e desenvolvido, com governo e sociedade engajados diante de um clima em mudan&ccedil;a. O objetivo geral do Plano Clima Adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; orientar, promover e catalisar a&ccedil;&otilde;es coordenadas que visem &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o de sistemas humanos e naturais, por meio de estrat&eacute;gias de curto, m&eacute;dio e longo prazos, &agrave; luz do desenvolvimento sustent&aacute;vel e da justi&ccedil;a clim&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Discuss&otilde;es e recomenda&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas se refletem em sistemas naturais e humanos, afetando vidas, meios de subsist&ecirc;ncia, sa&uacute;de, ecossistemas, infraestruturas, economia e outros aspectos. Trata-se da propens&atilde;o ou predisposi&ccedil;&atilde;o de um sistema a ser adversamente afetado pelos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As vulnerabilidades e os riscos clim&aacute;ticos s&atilde;o frequentemente reduzidos por meio de medidas cuidadosamente concebidas e implementadas, como leis, pol&iacute;ticas, processos e interven&ccedil;&otilde;es que abordam desigualdades espec&iacute;ficas do contexto, tais como aquelas baseadas em g&ecirc;nero, etnia, defici&ecirc;ncia, idade, localiza&ccedil;&atilde;o e renda. Essa &eacute; a dimens&atilde;o central do debate sobre justi&ccedil;a clim&aacute;tica. Os eventos clim&aacute;ticos extremos podem ser especialmente perturbadores para sistemas urbanos complexos, pois grande parte da popula&ccedil;&atilde;o urbana mundial vive em &aacute;reas costeiras baixas. Metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial vive em cidades, e grande parte da ind&uacute;stria mundial tamb&eacute;m est&aacute; nelas. Em 2050, mais de 70% da popula&ccedil;&atilde;o  - 6,4 bilh&otilde;es de pessoas  - &eacute; projetada para viver em &aacute;reas urbanas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em geral, s&atilde;o aqueles que menos causam impacto ambiental e que menos consomem os recursos naturais do planeta os que mais sofrem com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas j&aacute; em andamento. E essa &eacute; a dimens&atilde;o humana da justi&ccedil;a clim&aacute;tica que, na voz dos injusti&ccedil;ados, exige repara&ccedil;&atilde;o e justi&ccedil;a. A solu&ccedil;&atilde;o para essas duas dimens&otilde;es da crise clim&aacute;tica, a ecol&oacute;gica e a humana, depende da &eacute;tica, da diplomacia, da pol&iacute;tica e da ci&ecirc;ncia. A solu&ccedil;&atilde;o exige direcionar os necess&aacute;rios investimentos econ&ocirc;micos em adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos ambientais, principalmente aqueles que penalizam os socialmente mais vulner&aacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	MASSON-DELMOTTE, V.; ZHAI, P.; PIRANI, A.; CONNORS, S. L.; P&Eacute;AN, C.; BERGER, S.; CAUD, N.; CHEN, Y.; GOLDFARB, M. I.; GOMIS, M. et al. <i>Climate Change 2021</i>: The physical science basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	P&Ouml;RTNER, H. O.; ROBERTS, D. C.; TIGNOR, M.; POLOCZANSKA, E. S.; MINTENBECK, K.; ALEGR&Iacute;A, A.; CRAIG, M.; LANGSDORF, S.; L&Ouml;SCHKE, S.; M&Ouml;LLER, V. <i>Climate Change 2022</i>: Impacts, adaptation and vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	OBSERVAT&Oacute;RIO DE CLIMA E SA&Uacute;DE. Temas e indicadores. <i>Fiocruz</i>, Rio de Janeiro, 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://climaesaude.icict.fiocruz.br/eventos-extremos-0" target="_blank">https://climaesaude.icict.fiocruz.br/eventos-extremos-0</a>. Acesso em: 23 jul. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	FIELD, C. B.; BARROS, V.; STOCKER, T. F.; QIN, D.; DOKKEN, D. J.; EBI, K. L.; MASTRANDREA, M. D.; MACH, K. J.; PLATTNER, G. K.; ALLEN, S. K. et al. <i>Summary for policymakers</i>: Managing the risks of extreme events and disasters to advance climate change adaptation. A special report of working groups I and II of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	DUNN, R. J. H.; ALEXANDER, L. V.; DONAT, M. G.; ZHANG, X.; BADOR, M.; HEROLD, N. Development of an updated global land in situ&#8208;based data set of temperature and precipitation extremes: HadEX3. <i>Journal of Geophysical Research</i>: Atmospheres, v. 125, p. e2019JD032263, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	DUNN, R. J. H.; HEROLD, N.; ALEXANDER, L. V.; DONAT, M. G.; ALLAN, R.; BADOR, M. Observed global changes in sector&#8208;relevant climate extremes indices: An extension to HadEX3. <i>Earth and Space Science</i>, v. 11, p. e2023EA003279, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	FRICH, P.; ALEXANDER, L. V.; DELLA-MARTA, P.; GLEASON, B.; HAYLOCK, M.; TANK, A. M. G. K.; PETERSON, T. Observed coherent changes in climatic extremes during the second half of the twentieth century. <i>Climate Research</i>, v. 19, p. 193-212, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	VINCENT, L.; PETERSON, T.; BARROS, V. R. Observed Trends in Indices of Daily Temperature Extremes in South America 1960-2000. <i>Journal of Climate</i>, v. 18, p. 5011-5024, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	HAYLOCK, M. R.; PETERSON, T. C.; ALVES, L. M. Trends in total and extreme South American Rainfall in 1960-2000 and links with sea surface temperature. <i>Journal of Climate</i>, v. 18, p. 1490-1512, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	SILLMANN, J.; KHARIN, V. V.; ZHANG, X.; ZWIERS, F. W.; BRONAUGH, D. Climate extremes indices in the CMIP5 multimodel ensemble: Part 1. Model evaluation in the present climate. <i>Journal of Geophysical Research: Atmospheres</i>, v. 118, p. 1716-1733, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	DERECZYNSKI, C.; CHOU, S. C.; LYRA, A. Downscaling of climate extremes over South America - Part I: Model evaluation in the reference climate. <i>Weather and Climate Extremes</i>, v. 29, p. 100273, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS (ONU). Causas e efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. <i>ONU</i>, Genebra, 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/pt/climatechange/science/causes-effects-climate-change" target="_blank">https://www.un.org/pt/climatechange/science/causes-effects-climate-change</a>. Acesso em: 23 jul. 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION (WMO). <i>State of climate for Latin America and Caribbean 2023</i>. Geneva: WMO, 2024.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.	C40 CITIES. <i>C40 Cities Annual Report 2019</i>. New York: C40 Cities Climate Leadership Group, 2020.    </font></p>      ]]></body><back>
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