<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252024000300010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240069</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Cerrado e as mudanças climáticas]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bustamante]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mercedes]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de Brasília Instituto de Ciências Biológicas Departamento de Ecologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<volume>76</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>04</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252024000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252024000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252024000300010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O Cerrado e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mercedes Bustamante</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora do Departamento de Ecologia do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Cerrado &eacute; maior regi&atilde;o de savana da Am&eacute;rica do Sul e o segundo maior bioma sul-americano, com uma &aacute;rea original de cerca de 2 milh&otilde;es de km<sup>2</sup>, quase um quarto da superf&iacute;cie terrestre brasileira. Ele cont&eacute;m um conjunto &uacute;nico de comunidades biol&oacute;gicas cuja diversidade e import&acirc;ncia ainda n&atilde;o s&atilde;o plenamente apreciadas. Enquanto esfor&ccedil;os importantes s&atilde;o feitos para preservar as florestas tropicais do Brasil, a destrui&ccedil;&atilde;o do bioma Cerrado n&atilde;o encontra a mesma resson&acirc;ncia. Paradoxalmente, a destrui&ccedil;&atilde;o dos sistemas ecol&oacute;gicos desse bioma amea&ccedil;a os recursos naturais de suporte &agrave; vida e os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos vitais para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, incluindo a viabilidade cont&iacute;nua da agricultura. Essa antiga regi&atilde;o, que testemunhou importantes per&iacute;odos da hist&oacute;ria geol&oacute;gica do Brasil e da presen&ccedil;a humana no continente, resume os principais desafios ambientais atuais em busca da sustentabilidade e traz &agrave; tona a necessidade de novas respostas da ci&ecirc;ncia e da sociedade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Cerrado, as seguran&ccedil;as alimentar, energ&eacute;tica e h&iacute;drica do pa&iacute;s est&atilde;o intrinsecamente conectadas e s&atilde;o dependentes da conserva&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa em larga escala. A agricultura no Cerrado segue o ritmo da sazonalidade da precipita&ccedil;&atilde;o, mas as proje&ccedil;&otilde;es mais recentes de mudan&ccedil;as do clima apontam para a redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o e a extens&atilde;o do per&iacute;odo seco. A ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de irriga&ccedil;&atilde;o tem crescido persistentemente desde os anos 1970. Por&eacute;m, o desmatamento em escala regional altera o ciclo hidrol&oacute;gico no Cerrado e, em conjunto com a variabilidade clim&aacute;tica, podem limitar tais pr&aacute;ticas (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, 65% da matriz el&eacute;trica &eacute; de fonte h&iacute;drica. O mapeamento das unidades de aproveitamento hidrel&eacute;trico da Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (ANEEL) indica que as unidades presentes dentro dos limites do Cerrado e as unidades externas que se encontram em bacias fortemente influenciadas pelo bioma representam 52% de todas as unidades do pa&iacute;s. A Bacia do Paran&aacute;, que contribui com a usina hidrel&eacute;trica da Itaipu, recebe 47% de suas &aacute;guas do Cerrado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As proje&ccedil;&otilde;es de aumento do consumo de energia e da demanda mundial por produtos agr&iacute;colas e a manuten&ccedil;&atilde;o do atual modelo de expans&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o da agricultura em um contexto de mudan&ccedil;as na temperatura e na precipita&ccedil;&atilde;o regional tendem a agravar a degrada&ccedil;&atilde;o do Cerrado e a perda de biodiversidade, comprometer o seu funcionamento ecol&oacute;gico e impactar ainda mais grupos sociais j&aacute; vulner&aacute;veis, como povos ind&iacute;genas e popula&ccedil;&otilde;es tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A perda da savana mais biodiversa do mundo, com expressivos estoques de carbono, respons&aacute;vel por significativa produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e energia para todo o pa&iacute;s, traz um alto custo com graves repercuss&otilde;es por longo tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreender os efeitos das a&ccedil;&otilde;es humanas sobre a estabilidade clim&aacute;tica e propor a&ccedil;&otilde;es de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o alguns dos grandes desafios da humanidade para o s&eacute;culo XXI. Dentre os impactos relacionados com as mudan&ccedil;as do clima, est&atilde;o o aumento da temperatura e do n&iacute;vel do mar, a perda de biodiversidade e de servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, a altera&ccedil;&atilde;o nos regimes de chuvas e a intensifica&ccedil;&atilde;o dos desastres naturais. O aumento das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa (GEE) &eacute; um dos principais fatores causadores do aquecimento global, principalmente, a partir da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, devido &agrave; queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e mudan&ccedil;as do uso e cobertura da terra. No Brasil, as emiss&otilde;es de GEE, principalmente de CO<sub>2</sub>, est&atilde;o intimamente relacionadas ao papel que a vegeta&ccedil;&atilde;o natural tem como reservat&oacute;rio de carbono. O pa&iacute;s ocupa a segunda posi&ccedil;&atilde;o na lista dos detentores das maiores &aacute;reas de florestas do mundo, atr&aacute;s da R&uacute;ssia, sendo o primeiro quando se considera apenas as &aacute;reas de florestas tropicais. No entanto, a convers&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa em diferentes biomas brasileiros, em fun&ccedil;&atilde;o das demandas de expans&atilde;o agropecu&aacute;ria, contribui significativamente para as emiss&otilde;es brasileiras quando comparada com a propor&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es globais do setor de uso da terra. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC), o setor de Agricultura, Florestas e Outros Usos da Terra &eacute; respons&aacute;vel por aproximadamente 23% das emiss&otilde;es globais de GEE de origem antr&oacute;pica. No Brasil, o setor &eacute; o principal respons&aacute;vel pelas emiss&otilde;es l&iacute;quidas de CO<sub>2</sub>.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"No Cerrado, as seguran&ccedil;as alimentar, energ&eacute;tica e h&iacute;drica do pa&iacute;s est&atilde;o intrinsicamente conectadas e s&atilde;o dependentes da conserva&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa em larga escala."</i></b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No bioma Cerrado, a press&atilde;o da expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola na regi&atilde;o do MATOPIBA (estados do Maranh&atilde;o, Tocantins, Piau&iacute; e Bahia) pressiona a convers&atilde;o, principalmente, de &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa. Parte da abertura de novas terras para cultivos decorre da supress&atilde;o de &aacute;reas florestadas e a regi&atilde;o responde por uma parcela importante das emiss&otilde;es do bioma Cerrado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A flora e a fauna nativas do Cerrado s&atilde;o adaptadas ao clima sazonal com uma esta&ccedil;&atilde;o seca acentuada. Solos predominantemente antigos, profundos e com baixa fertilidade selecionaram a estrutura da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa como uma "floresta invertida": a maioria dos arbustos e &aacute;rvores baixos vis&iacute;veis acima da superf&iacute;cie investe a maior parte (~75%) de sua biomassa  - e do carbono, como consequ&ecirc;ncia  - no componente subterr&acirc;neo. Suas ra&iacute;zes profundas podem, portanto, acessar a &aacute;gua nas camadas inferiores do perfil do solo. Elas tamb&eacute;m ajudam a reabastecer a &aacute;gua canalizando a chuva e outras &aacute;guas superficiais de volta para os reservat&oacute;rios profundos do solo, sendo usados intensivamente na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola (70% ou mais da &aacute;gua do Brasil &eacute; usada para a agricultura).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A convers&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa com ra&iacute;zes profundas e dossel heterog&ecirc;neo por monoculturas com ra&iacute;zes rasas e dossel homog&ecirc;neo determina mudan&ccedil;as importantes na troca de energia e &aacute;gua entre a vegeta&ccedil;&atilde;o e a atmosfera e j&aacute; tornaram o Cerrado mais quente e seco.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"A perda da savana mais biodiversa do mundo, com expressivos estoques de carbono, respons&aacute;vel por significativa produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e energia para todo o pa&iacute;s, traz um alto custo com graves repercuss&otilde;es por longo tempo."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a savana mais biologicamente rica do mundo, o Cerrado abriga quase 12.000 esp&eacute;cies de plantas nativas, cerca de 212 esp&eacute;cies de mam&iacute;feros, 267 esp&eacute;cies de r&eacute;pteis e 209 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios, al&eacute;m de uma popula&ccedil;&atilde;o rica e diversificada de cerca de 837 esp&eacute;cies de aves, todas distribu&iacute;das em uma ampla variedade de <i>habitats</i>. Seus ambientes aqu&aacute;ticos abrigam 1.300 esp&eacute;cies de peixes, e estimativas recentes indicam que o Cerrado &eacute; o ref&uacute;gio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos tr&oacute;picos (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a10fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Cerrado &eacute; habitado por povos tradicionais (ind&iacute;genas, quilombolas, geraizeiros, sertanejos, vazanteiros) que, ao longo de muitas gera&ccedil;&otilde;es, desenvolveram usos sustent&aacute;veis e mutuamente ben&eacute;ficos da biodiversidade e dos recursos naturais da regi&atilde;o. Evid&ecirc;ncias baseadas em sat&eacute;lites mostram que a vegeta&ccedil;&atilde;o nativa &eacute; mais bem protegida quando as unidades de conserva&ccedil;&atilde;o s&atilde;o gerenciadas por comunidades locais e tradicionais. A invas&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola extensiva de monoculturas e a natureza fragmentada das &aacute;reas de conserva&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas e privadas deslocam as popula&ccedil;&otilde;es locais e as separam do ambiente natural mais extenso e seus meios de subsist&ecirc;ncia. Esse patrim&ocirc;nio &eacute; benef&iacute;cio cultural e funcional reduzido com a perda de territ&oacute;rios tradicionais devido ao desmatamento e, agora, &eacute; pressionado tamb&eacute;m pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posse da terra &eacute; um fator cr&iacute;tico nas regi&otilde;es tropicais que determina as mudan&ccedil;as no uso da terra e as estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o. Um componente importante das pol&iacute;ticas para diminuir o desmatamento na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica foi a designa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o como patrim&ocirc;nio nacional e a implementa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas, o que foi facilitado pelo fato de a maior parte das terras da Amaz&ocirc;nia ser federal. Apesar de sua import&acirc;ncia biol&oacute;gica, o Cerrado n&atilde;o &eacute; considerado patrim&ocirc;nio nacional, e apenas uma pequena percentagem do Cerrado est&aacute; protegida em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o. A propriedade &eacute; predominantemente privada no Cerrado, com cerca de 1,3 milh&atilde;o de propriedades ou assentamentos rurais de gest&atilde;o privada, e a maior &aacute;rea m&eacute;dia de propriedade rural do Brasil, implicando a necessidade de envolvimento do setor privado nos esfor&ccedil;os de conserva&ccedil;&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o mais inclusiva e consequente das comunidades locais e tradicionais nos debates e nas decis&otilde;es para a regi&atilde;o &eacute; vital para o progresso. O papel da expans&atilde;o agr&iacute;cola e das pr&aacute;ticas associadas nas profundas mudan&ccedil;as que est&atilde;o ocorrendo na regi&atilde;o imp&otilde;e a necessidade de um forte compromisso das partes interessadas nacionais e internacionais com a conserva&ccedil;&atilde;o desse conjunto &uacute;nico de ecossistemas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Evid&ecirc;ncias baseadas em sat&eacute;lites mostram que a vegeta&ccedil;&atilde;o nativa &eacute; mais bem protegida quando as unidades de conserva&ccedil;&atilde;o s&atilde;o gerenciadas por comunidades locais e tradicionais."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Lei de Prote&ccedil;&atilde;o da Vegeta&ccedil;&atilde;o Nativa  - o principal instrumento que regula o uso da terra no Brasil (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012)  - determina que a cobertura vegetal nativa em propriedades rurais no Cerrado deve incluir Reserva Legal (RL) correspondente a pelo menos 20% da propriedade rural privada na maior parte do Cerrado e 35% na &aacute;rea de transi&ccedil;&atilde;o entre o Cerrado e a Amaz&ocirc;nia. Em contrapartida, as mesmas Reservas Legais no bioma amaz&ocirc;nico devem ser de 80%, permitindo que apenas 20% das terras privadas sejam desmatadas. Com grandes &aacute;reas ainda intactas e Reservas Legais de apenas 20%, cerca de 40 milh&otilde;es de hectares est&atilde;o legalmente dispon&iacute;veis para a expans&atilde;o agr&iacute;cola no Cerrado. A Lei tamb&eacute;m determina que 5 milh&otilde;es de hectares de &aacute;reas convertidas devem ser restauradas, sendo 1,7 milh&otilde;es deles na forma de &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente para a conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos. Para preservar os amplos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos da regi&atilde;o, seria preciso proteger maiores extens&otilde;es de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa de Cerrado em propriedades privadas, por meio de uma combina&ccedil;&atilde;o de conserva&ccedil;&atilde;o, uso sustent&aacute;vel e restaura&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma forma que a Ci&ecirc;ncia nos revela os problemas, ela tamb&eacute;m &eacute; capaz de oferecer solu&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o desde estrat&eacute;gias adequadas de restaura&ccedil;&atilde;o, planejamento e gest&atilde;o de paisagens diversificadas e multifuncionais at&eacute; o desenvolvimento de novos modelos de agricultura que preconizem a conserva&ccedil;&atilde;o e a reabilita&ccedil;&atilde;o dos sistemas alimentares e agr&iacute;colas. Alternativas existem, mas necessitam do suporte de uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica, de responsabilidade e de vontade pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O enfrentamento das amea&ccedil;as a esse bioma extremamente importante, por&eacute;m negligenciado, exigir&aacute; a expans&atilde;o das &aacute;reas protegidas e o aprimoramento da gest&atilde;o das &aacute;reas j&aacute; estabelecidas, de sistemas de monitoramento ambiental sistem&aacute;tico e a restaura&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas degradadas para cumprir as leis ambientais do pa&iacute;s e seus compromissos com os acordos internacionais relacionados a mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>      ]]></body>
</article>
