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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mais quente, mais desigual</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Divulgadora de Ci&ecirc;ncia e coordenadora de Comunica&ccedil;&atilde;o do projeto HIDS Unicamp (Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o uma realidade, as perdas econ&ocirc;micas resultantes do aumento da temperatura do planeta tamb&eacute;m j&aacute; podem ser mensuradas. O estudo "Comprometimento econ&ocirc;mico das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas", do Instituto Potsdam sobre o Impacto Clim&aacute;tico, com sede na Alemanha, publicado na revista "Nature" &#91;1&#93; em abril deste ano, apontou preju&iacute;zos de cerca de R$ 300 milh&otilde;es em todo o mundo por conta das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Segundo os pesquisadores, por conta das emiss&otilde;es de gases do efeito estufa feitas at&eacute; aqui e que j&aacute; geraram uma mudan&ccedil;a no clima do planeta, o PIB global deve ter uma refra&ccedil;&atilde;o de cerca de 19% at&eacute; 2049.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso significa que mesmo que haja uma interrup&ccedil;&atilde;o nas emiss&otilde;es, haver&aacute; perdas na renda das pessoas em todas as regi&otilde;es do mundo, sendo que elas ser&atilde;o maiores no Sul da &Aacute;sia, na &Aacute;frica e no Brasil, regi&otilde;es que historicamente contribu&iacute;ram menos com as emiss&otilde;es de gases do efeito estufa. "Uma das caracter&iacute;sticas mais fortes e &oacute;bvias do aquecimento global &eacute; que ele &eacute; profundamente injusto. Quem causou o problema, os pa&iacute;ses mais ricos e desenvolvidos, est&aacute; mais preparado para os impactos da mudan&ccedil;a do clima. Ele &eacute; injusto na causa e nos efeitos", pontua o matem&aacute;tico e economista Sergio Margulis, professor da PUC-RJ e pesquisador do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). No livro "Mudan&ccedil;as do clima: tudo o que voc&ecirc; queria e n&atilde;o queria saber" (2020), Sergio Margulis destaca que, entre 1998 e 2017, desastres clim&aacute;ticos e geof&iacute;sicos (como enchentes, tempestades, secas e ondas de calor) resultaram em 1,3 milh&atilde;o de mortes e mais de 4,4 bilh&otilde;es de feridos, desabrigados ou necessitados de assist&ecirc;ncia de emerg&ecirc;ncia. "As perdas econ&ocirc;micas resultantes desses desastres tiveram um peso muito maior nos pa&iacute;ses mais pobres. Elas foram de US$ 1,4 trilh&atilde;o nos pa&iacute;ses ricos, representando 'apenas' 0,4% do seu PIB, enquanto nos pa&iacute;ses pobres, embora o custo tenha sido menor (US$ 21 bilh&otilde;es), representaram 1,8% do PIB", afirmou.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Uma das caracter&iacute;sticas mais fortes e &oacute;bvias do aquecimento global &eacute; que ele &eacute; profundamente injusto. Ele &eacute; injusto na causa e nos efeitos."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso brasileiro, o Nordeste, que concentra a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre do pa&iacute;s, &eacute; provavelmente a regi&atilde;o mais sens&iacute;vel ao aquecimento global. Ainda de acordo com Sergio Margulis, as simula&ccedil;&otilde;es apontam que, no semi&aacute;rido nordestino, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, al&eacute;m de aumentarem a temperatura, dever&atilde;o prolongar a dura&ccedil;&atilde;o dos per&iacute;odos mais secos. "Isso poder&aacute; impossibilitar a vida nessas regi&otilde;es, causando doen&ccedil;as, mortes, sofrimento e altos custos por conta de migra&ccedil;&otilde;es e/ou necessidade de maior assist&ecirc;ncia a essas localidades e popula&ccedil;&otilde;es". Segundo o pesquisador, al&eacute;m do Nordeste brasileiro, pa&iacute;ses inteiros e grandes regi&otilde;es sofrer&atilde;o com esse problema - notadamente a &Aacute;frica Meridional, a bacia do Mediterr&acirc;neo, o corredor seco na Am&eacute;rica Central, o oeste dos Estados Unidos e o oeste da Cordilheira dos Andes (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A disparidade das perdas econ&ocirc;micas, que afetam em maior grau os pa&iacute;ses mais pobres, j&aacute; tinha sido apontada em relat&oacute;rio publicado em 2023, pouco antes da Confer&ecirc;ncia do Clima da ONU (COP28) em Dubai. Elaborado pelo Centro de Ci&ecirc;ncia e Pol&iacute;tica de Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica Gerard J. Mangone, nos Estados Unidos, o estudo apontou perdas econ&ocirc;micas de US$ 1,5 trilh&atilde;o em todo o mundo, destacando que o Produto Interno Bruto (PIB) de pa&iacute;ses de baixa renda, com economia fortemente dependente da agricultura, e dos pa&iacute;ses tropicais j&aacute; expressam essas perdas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Muita chuva, pouca chuva</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo dados do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), &eacute; a primeira vez que a estiagem afeta intensamente todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s, configurando a pior seca da hist&oacute;ria. As consequ&ecirc;ncias desse contexto tamb&eacute;m s&atilde;o superlativas. O n&uacute;mero de focos de inc&ecirc;ndio detectados este ano j&aacute; &eacute; maior do que o de 2023. Desde o in&iacute;cio do m&ecirc;s de agosto, v&aacute;rias cidades do interior de S&atilde;o Paulo sofrem queimadas e com fuma&ccedil;a e fuligem que encobrem as cidades. No campo, cerca de 3.800 propriedades rurais foram afetadas com preju&iacute;zos que ultrapassam R$ 1 bilh&atilde;o, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (SAA). A pecu&aacute;ria, o cultivo de cana-de-a&ccedil;&uacute;car, de frutas e de seringueiras, e a apicultura foram os setores que mais tiveram perdas (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a11fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; no Rio Grande do Sul, mais de 200 mil propriedades rurais foram afetadas pelas enchentes, segundo relat&oacute;rio de perdas elaborado pelo governo do estado, com perdas significativas nas culturas de soja e arroz e na produ&ccedil;&atilde;o de carne. Para evitar aumento de pre&ccedil;o em um produto que &eacute; base da alimenta&ccedil;&atilde;o brasileira, o governo federal importou arroz. A Portos RS, empresa que faz a gest&atilde;o dos principais terminais do Rio Grande do Sul, estimou despesas de mais de R$ 850 milh&otilde;es com a limpeza, manuten&ccedil;&atilde;o de balan&ccedil;as, consertos e dragagem de todos os canais do sistema hidroportu&aacute;rio do Rio Grande do Sul.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Regi&atilde;o Norte, por exemplo, a seca impacta a navegabilidade dos rios, podendo gerar interrup&ccedil;&otilde;es no transporte de gr&atilde;os e de min&eacute;rios e aumentando os custos do frete rodovi&aacute;rio, o que, por sua vez, deve ser sentido no pre&ccedil;o final de alguns produtos, por exemplo, aqueles fabricados na Zona Franca de Manaus. Antes disso, consumidores de todo pa&iacute;s pagar&atilde;o mais caro pela energia el&eacute;trica com a ado&ccedil;&atilde;o da bandeira vermelha, devido &agrave; previs&atilde;o de chuvas abaixo da m&eacute;dia no segundo semestre e ao acionamento de usinas termel&eacute;tricas, que produzem uma energia mais cara do que a produzida nas hidrel&eacute;tricas. "De maneira geral, haver&aacute; um efeito inflacion&aacute;rio advindo desses fen&ocirc;menos, porque toda adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o requer investimentos que n&atilde;o estavam previstos. A tend&ecirc;ncia geral &eacute; de aumento de pre&ccedil;os, alguns muito localizados, outros nem tanto", explica Sergio Margulis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mudan&ccedil;a geogr&aacute;fica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas n&atilde;o s&oacute; os eventos clim&aacute;ticos extremos impactam a economia. O fato &eacute; que j&aacute; vivemos um regime clim&aacute;tico diferente, com aumento da temperatura, ondas de calor e precipita&ccedil;&atilde;o mais intensa. Considerando a import&acirc;ncia da agricultura no PIB brasileiro, a rela&ccedil;&atilde;o entre o clima e a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola tem sido alvo de pesquisas, algumas delas transformadas em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do governo federal. &Eacute; o caso do Zoneamento Agr&iacute;cola de Riscos Clim&aacute;ticos (Zarc), que conta com pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde 1996, a ferramenta auxilia na identifica&ccedil;&atilde;o das melhores regi&otilde;es, cultivos, variedades e per&iacute;odos de semeadura, com menores riscos e perdas. Segundo as simula&ccedil;&otilde;es do Zarc, a eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura provocar&aacute; um "deslocamento" e redu&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de cultivo de culturas importantes no agroneg&oacute;cio brasileiro como feij&atilde;o, soja e caf&eacute;. "Na pr&aacute;tica, voc&ecirc; aumenta o risco de produ&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas atuais, for&ccedil;ando um deslocamento para &aacute;reas mais frias", afirma Jurandir Zullo, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorol&oacute;gicas e Clim&aacute;ticas Aplicadas &agrave; Agricultura (Cepagri), da Unicamp.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"J&aacute; &eacute; um consenso que o clima est&aacute; no centro de um megaproblema econ&ocirc;mico. Assistimos a uma s&eacute;rie de desastres com preju&iacute;zos materiais e mortes, mas nada muda. Estamos em uma trajet&oacute;ria muito preocupante. O que falta acontecer para causar uma mudan&ccedil;a?"</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na an&aacute;lise para a cultura do feij&atilde;o em Minas Gerais, segundo maior produtor do pa&iacute;s, depois do Paran&aacute;, se a temperatura sair do patamar atual para mais 5,8 ºC, conforme proje&ccedil;&atilde;o do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC, 2001), foi estimada uma diminui&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea apta para o cultivo em mais de 90% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es atuais. Nesse cen&aacute;rio, dados de 2008 apontavam uma redu&ccedil;&atilde;o de cerca de R$ 360 milh&otilde;es nas receitas oriundas da atividade para o estado de Minas Gerais, considerando apenas o setor agr&iacute;cola, ou seja, sem colocar na conta os demais elos da cadeia produtiva. J&aacute; a soja poderia ter cerca de 40% de redu&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas para seu cultivo no Brasil, se a temperatura do ar aumentasse em 3 ºC. Ainda conforme as simula&ccedil;&otilde;es do Zarc (2008), "quanto maior a temperatura, maior ser&aacute; o deslocamento da cultura do caf&eacute; em dire&ccedil;&atilde;o ao sul do Pa&iacute;s. Considerando os resultados de um cen&aacute;rio com aumento de 1,0 ºC e a redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas cultivadas com caf&eacute; nos estados de Minas Gerais, Paran&aacute; e S&atilde;o Paulo, o impacto econ&ocirc;mico previsto &eacute; estimado em US$ 375 milh&otilde;es por ano, equivalentes &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de 4 milh&otilde;es de sacas de caf&eacute;/ano". Em seu livro, Sergio Margulis aponta ainda que o aquecimento global deve levar a perdas na produ&ccedil;&atilde;o brasileira de alimentos que podem chegar a R$ 14 bilh&otilde;es em 2070 (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a11fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"O Brasil tem voca&ccedil;&atilde;o para se tornar a 'civiliza&ccedil;&atilde;o da biomassa', por meio do etanol, do hidrog&ecirc;nio verde e de outras fontes renov&aacute;veis. Resta saber se o governo ter&aacute; as condi&ccedil;&otilde;es de implementar o Plano."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Publicado em 2006, o "Relat&oacute;rio Stern", um dos primeiros estudos sobre os efeitos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas na economia mundial, apontou que um investimento de apenas 1% do PIB mundial poderia evitar uma retra&ccedil;&atilde;o de 20% no mesmo PIB, ou seja, os custos para evitar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, reduzindo as emiss&otilde;es dos gases do efeito estufa, s&atilde;o menores do que os custos advindos dos efeitos da mudan&ccedil;a do clima. "J&aacute; &eacute; um consenso que o clima est&aacute; no centro de um megaproblema econ&ocirc;mico. Assistimos a uma s&eacute;rie de desastres com preju&iacute;zos materiais e mortes, mas nada muda. Estamos em uma trajet&oacute;ria muito preocupante. O que falta acontecer para causar uma mudan&ccedil;a?", questiona Sergio Margulis. "Enquanto a desigualdade de renda aumenta e uma minoria vai ficando cada vez mais rica, o aquecimento global &eacute; diferente, porque ningu&eacute;m ganha com ele. Todos perdem, apesar de existirem os que ainda ganham com as emiss&otilde;es. Empurrar o mais para frente poss&iacute;vel a decis&atilde;o de eliminar emiss&otilde;es, criando uma esp&eacute;cie de sobrevida das condi&ccedil;&otilde;es atuais nos levar&aacute;, como vimos, &agrave; beira do precip&iacute;cio", alerta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que alarmar sobre os preju&iacute;zos e perdas que teremos com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, as proje&ccedil;&otilde;es dos danos econ&ocirc;micos s&atilde;o fundamentais para informar o debate p&uacute;blico sobre mitiga&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, sobre a justi&ccedil;a clim&aacute;tica. Um debate que deve incluir governos, bancos centrais e empresas no sentido de uma nova economia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Uma nova economia?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dezembro de 2023, o governo federal apresentou o Plano de Transforma&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica (PTE), durante a COP28, em Dubai. Liderado pelo Minist&eacute;rio da Fazenda, o Plano tem justamente o objetivo de mudar os paradigmas econ&ocirc;micos em prol da sustentabilidade a partir de seis eixos: finan&ccedil;as sustent&aacute;veis, adensamento tecnol&oacute;gico, bioeconomia e sistemas agroalimentares, transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, economia circular e nova infraestrutura verde e adapta&ccedil;&atilde;o. O governo prev&ecirc; investimentos entre US$ 130 e 160 milh&otilde;es por ano, boa parte em infraestrutura em a&ccedil;&otilde;es como urbaniza&ccedil;&atilde;o de favelas para preven&ccedil;&atilde;o de riscos de desastres, drenagem urbana e conten&ccedil;&atilde;o de encostas para preven&ccedil;&atilde;o de deslizamentos e inunda&ccedil;&otilde;es. Outro eixo de destaque &eacute; o da transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, que inclui medidas como o aumento da mistura obrigat&oacute;ria de biodiesel em diesel, chegando a 15% em 2026, e o est&iacute;mulo do uso dos combust&iacute;veis sustent&aacute;veis, como o SAF, sigla para combust&iacute;vel sustent&aacute;vel de avia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Ademar Romeiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp, o PTE se apresenta como uma macroeconomia ecol&oacute;gica de bom senso, com boas propostas. "No entanto, &eacute; urgente modificar a matriz energ&eacute;tica baseada nos combust&iacute;veis f&oacute;sseis e isso s&oacute; vai acontecer quando as fontes de energia alternativas forem, de fato, competitivas", afirma. "E, como prop&ocirc;s Ignacy Sachs, o Brasil tem voca&ccedil;&atilde;o para se tornar a 'civiliza&ccedil;&atilde;o da biomassa', por meio do etanol, do hidrog&ecirc;nio verde e de outras fontes renov&aacute;veis. Resta saber se o governo ter&aacute; as condi&ccedil;&otilde;es de implementar o Plano", pontua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como atual presidente do G20, principal f&oacute;rum de coopera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica internacional, o Brasil estabeleceu a For&ccedil;a-tarefa para Mobiliza&ccedil;&atilde;o Global contra a Mudan&ccedil;a do Clima. O objetivo &eacute; envolver governos, institui&ccedil;&otilde;es financeiras e organismos internacionais para catalisar o alinhamento macroecon&ocirc;mico e financeiro global no sentido de implementar os objetivos da Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a do Clima e do Acordo de Paris. Os balan&ccedil;os das reuni&otilde;es do grupo, que aconteceram ao longo deste ano, ser&atilde;o levados para a C&uacute;pula do G20, que acontece em novembro, no Rio de Janeiro. O G20 re&uacute;ne os l&iacute;deres dos 19 pa&iacute;ses que comp&otilde;em o Grupo e que representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mais de 75% do com&eacute;rcio mundial e cerca de dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mundial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Luiz Marques, historiador e professor aposentado da Unicamp, o "descrescimento" econ&ocirc;mico n&atilde;o &eacute; mais um debate entre economistas, &eacute; uma certeza. Autor do livro vencedor do Pr&ecirc;mio Jabuti "Capitalismo e colapso ambiental" (Editora da Unicamp, 2015), o pesquisador afirma: "As &uacute;nicas alternativas reais s&atilde;o: decrescer catastroficamente por imposi&ccedil;&atilde;o do clima, da aniquila&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e da intoxica&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mico-industrial dos organismos, ou decrescer a partir de um modo pac&iacute;fico e com justi&ccedil;a social. A escolha ainda &eacute; nossa".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	&#91;1&#93; KOTZ, M.; LEVERMANN, A.; WENZ, L. The economic commitment of climate change. Nature, v. 628, p. 551-557, 2024</font> ]]></body><back>
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