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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mudanças climáticas ameaçam a segurança alimentar, desde a produção até o consumo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas amea&ccedil;am a seguran&ccedil;a alimentar, desde a produ&ccedil;&atilde;o at&eacute; o consumo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bianca Bosso</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especialista em Jornalismo Cient&iacute;fico e Bacharela em Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas (Unicamp). Iniciou sua trajet&oacute;ria na Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica no ano de 2018. J&aacute; desenvolveu pautas para revistas como Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, ComCi&ecirc;ncia e Ci&ecirc;ncia Hoje, al&eacute;m de sites como Ag&ecirc;ncia Bori, Jornal da Unicamp, Portal Campinas Inovadora e blog Ci&ecirc;ncia na Rua</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Manter uma rotina alimentar equilibrada e saud&aacute;vel &eacute; um fator essencial para garantir o bom funcionamento do organismo, prevenindo a desnutri&ccedil;&atilde;o, as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, cardiovasculares e at&eacute; mesmo alguns tipos de c&acirc;ncer, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPAS). No entanto, o desafio de garantir uma dieta adequada come&ccedil;a bem antes da sele&ccedil;&atilde;o dos produtos nas prateleiras e exige que uma s&eacute;rie complexa de processos funcione em harmonia, incluindo as t&eacute;cnicas usadas para o cultivo, as estrat&eacute;gias de armazenamento e, em especial, as condi&ccedil;&otilde;es do clima. Na cadeia de eventos que leva os alimentos do campo at&eacute; o prato, pequenas altera&ccedil;&otilde;es na temperatura ou no regime de chuvas, por exemplo, podem ser decisivas e dificultar o acesso de uma parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, tornando-a propensa a um estado de inseguran&ccedil;a alimentar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um estudo divulgado pela Administra&ccedil;&atilde;o Nacional da Aeron&aacute;utica e Espa&ccedil;o (NASA), em julho de 2024, sugere que diversas regi&otilde;es do globo podem ficar t&atilde;o quentes e &uacute;midas que ser&atilde;o inabit&aacute;veis em 50 anos. Os dados confirmam a tend&ecirc;ncia observada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;a do Clima (IPCC), em relat&oacute;rio de 2023, que revela um aumento de 1,1 ºC na superf&iacute;cie terrestre ao comparar os per&iacute;odos de 2011 a 2020 com 1850 a 1900. Embora essa eleva&ccedil;&atilde;o na temperatura possa parecer pequena, uma pesquisa publicada, em 2019, na revista americana "Plos One", aponta que os efeitos sobre a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos j&aacute; come&ccedil;aram a acontecer. Os resultados mostram que a produtividade de culturas como &oacute;leo de palma, milho, cana-de-a&ccedil;&uacute;car e arroz diminuiu em v&aacute;rias &aacute;reas do planeta e reduziu o consumo cal&oacute;rico di&aacute;rio em 27 dos 53 pa&iacute;ses vulner&aacute;veis analisados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a produ&ccedil;&atilde;o de comida &eacute; afetada pelo clima, a menor disponibilidade de insumos pode dificultar o acesso aos alimentos de formas diferentes. Ao mesmo tempo em que algumas variedades podem ter seus pre&ccedil;os elevados, outras podem nem sequer chegar aos supermercados em certas regi&otilde;es, gerando n&iacute;veis distintos de inseguran&ccedil;a alimentar. "Esse gradiente vai desde reduzir as por&ccedil;&otilde;es do que se come at&eacute; a fome", explica Felipe Pimentel Lopes de Melo, bi&oacute;logo e pesquisador do Departamento de Bot&acirc;nica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Ele come&ccedil;a a se agravar quando substitu&iacute;mos alimentos de boa qualidade por refei&ccedil;&otilde;es com valor cal&oacute;rico alto e nutricional baixo e inclui tamb&eacute;m a necessidade de saltar as refei&ccedil;&otilde;es", completa. Entre 2020 e 2022, 70,3 milh&otilde;es de brasileiros estavam em inseguran&ccedil;a alimentar moderada ou grave - n&uacute;mero que caiu para 39,7 milh&otilde;es de pessoas entre 2021 e 2023, segundo relat&oacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) divulgado no primeiro semestre deste ano. Mesmo com a diminui&ccedil;&atilde;o, esses n&uacute;meros continuam altos - e podem voltar a crescer, na medida em que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas afetarem ainda mais a produ&ccedil;&atilde;o e o acesso aos alimentos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Efeitos na pesca, economia costeira e acesso aos pescados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto secas e enchentes amea&ccedil;am a agricultura, a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel e da temperatura do mar podem alterar o ambiente costeiro e prejudicar a pesca. &Eacute; o que conta a equipe do ocean&oacute;grafo Jos&eacute; &Aacute;ngel P&eacute;rez, professor e pesquisador do Centro de Ensino Superior em Ci&ecirc;ncias Tecnol&oacute;gicas da Terra e do Mar da Universidade do Vale do Itaja&iacute; (Univali), em artigo publicado na revista "Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology". O grupo de cientistas estudou como esses fatores combinados podem causar modifica&ccedil;&otilde;es na composi&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies que frequentam a costa de Santa Catarina (SC), repercutindo na dieta e na economia local, em um evento chamado de "tropicaliza&ccedil;&atilde;o" das zonas subtropicais. "Desde 2013, temos um aumento da presen&ccedil;a de esp&eacute;cies com prefer&ecirc;ncia por &aacute;guas mais quentes nas capturas e uma escassez das esp&eacute;cies de &aacute;guas frias", comenta o autor. "Isso est&aacute; acontecendo porque, numa regi&atilde;o subtropical, como onde a costa de Santa Catarina est&aacute; inserida, a movimenta&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies tende a resultar em uma 'invas&atilde;o' de esp&eacute;cies de &aacute;guas tropicais, que est&atilde;o encontrando <i>habitats</i> adequados para seu desenvolvimento, e uma retra&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de &aacute;guas temperadas c&aacute;lidas que visitam nossa regi&atilde;o durante o inverno", comenta o autor (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a13fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Quando a produ&ccedil;&atilde;o de comida &eacute; afetada pelo clima, a menor disponibilidade de insumos pode dificultar o acesso aos alimentos de formas diferentes."</i></b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jos&eacute; P&eacute;rez destaca que essa transforma&ccedil;&atilde;o traz &agrave; tona dois aspectos relevantes: as diferen&ccedil;as de valor nutricional entre esses tipos de pescado e o valor de mercado. "Se peixes mais baratos e/ou nutritivos continuarem sendo oferecidos num cen&aacute;rio tropicalizado, o impacto pode ser baixo. Mas, caso se tornem mais comuns esp&eacute;cies tropicais mais caras e/ou menos nutritivas, como os camar&otilde;es, pode significar um d&eacute;ficit na oferta de alimentos para a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o", ressalta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aumento na dissemina&ccedil;&atilde;o de pragas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da migra&ccedil;&atilde;o, a seguran&ccedil;a alimentar e econ&ocirc;mica de comunidades costeiras tamb&eacute;m podem ser afetadas pela propaga&ccedil;&atilde;o de microrganismos e toxinas. O pesquisador traz como exemplo processos relacionados com as enchentes, que, segundo a ONU, foram respons&aacute;veis por 53% das mortes ocorridas em eventos clim&aacute;ticos extremos na Am&eacute;rica Latina, em 2023. "As enchentes provocam uma grande vaz&atilde;o de &aacute;gua das bacias hidrogr&aacute;ficas para as regi&otilde;es costeiras. Com isso, h&aacute; um aporte excepcional de nutrientes e mat&eacute;ria org&acirc;nica que favorece a prolifera&ccedil;&atilde;o de microrganismos, cujo crescimento poderia estar normalmente limitado nesse tipo de ambiente", explica Jos&eacute; P&eacute;rez. Algumas das consequ&ecirc;ncias dessa prolifera&ccedil;&atilde;o anormal podem incluir um aumento repentino no consumo do oxig&ecirc;nio da &aacute;gua, o que leva &agrave; morte de peixes, e a prolifera&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies que produzem toxinas nas &aacute;guas, como os dinoflagelados - "microalgas" respons&aacute;veis pelas mar&eacute;s vermelhas. "H&aacute;, inclusive, a possibilidade de surtos de bact&eacute;rias patog&ecirc;nicas", complementa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agricultura tamb&eacute;m est&aacute; propensa a perdas produtivas devido ao aumento de pragas, que encontram nas novas condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas um <i>habitat</i> ideal. Segundo estudo apoiado pela ONU, diversos organismos causadores de doen&ccedil;as em plantas j&aacute; est&atilde;o se tornando mais destrutivos em decorr&ecirc;ncia das altera&ccedil;&otilde;es no clima, enquanto outros, como gafanhotos-do-deserto, devem mudar sua distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e atingir culturas em diferentes partes do planeta. Os impactos para a qualidade e a disponibilidade de comida podem ser catastr&oacute;ficos. Por exemplo, conforme publica&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), bastam apenas 10 desses gafanhotos, que s&atilde;o capazes de comer vegetais equivalentes ao seu peso em um dia, para devastar uma mangueira. Com menos alimentos dispon&iacute;veis para a alimenta&ccedil;&atilde;o humana e pecu&aacute;ria, n&atilde;o somente os pre&ccedil;os de vegetais, como tamb&eacute;m os valores das carnes, de latic&iacute;nios e outros produtos aliment&iacute;cios tendem a crescer, dificultando o acesso a refei&ccedil;&otilde;es variadas e de boa qualidade nutricional.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"A perda de biodiversidade enfraquece e p&otilde;e em xeque os sistemas produtivos alimentares industriais."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em contrapartida, os agroqu&iacute;micos, como pesticidas, podem se tornar presen&ccedil;a ainda mais marcante nas dietas. Segundo a ONU, cerca de 40% da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola global j&aacute; &eacute; atualmente perdida para as pragas e o uso de produtos qu&iacute;micos pode ser ampliado como uma tentativa para driblar a intensifica&ccedil;&atilde;o desse problema. Junto aos poss&iacute;veis danos &agrave; sa&uacute;de, um efeito rebote esperado &eacute; o desenvolvimento de uma maior resist&ecirc;ncia por parte das pragas contra esses produtos, que podem fazer com que os insetos, fungos e outras infesta&ccedil;&otilde;es fiquem cada vez mais fortes, destrutivas e adapt&aacute;veis &agrave;s novas estrat&eacute;gias de manejo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Eacute; poss&iacute;vel promover seguran&ccedil;a alimentar em tempos de crise clim&aacute;tica?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto as pragas ganham for&ccedil;a, a perda de biodiversidade enfraquece e p&otilde;e em xeque os sistemas produtivos alimentares industriais. "Na agricultura industrial, a varia&ccedil;&atilde;o &eacute; indesejada. Isso significa que as planta&ccedil;&otilde;es quase sempre s&atilde;o baseadas em uma diversidade gen&eacute;tica muito baixa, ou seja, em clones ou r&eacute;plicas do mesmo cultivar, que se comportam da mesma maneira sob as mesmas condi&ccedil;&otilde;es", explica Felipe de Melo. O pesquisador comenta que, embora essa pr&aacute;tica permita a produ&ccedil;&atilde;o em grande escala, depende de condi&ccedil;&otilde;es extremamente constantes e controladas. "O modelo industrial de agricultura &eacute; pouqu&iacute;ssimo resiliente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. No Brasil, temos uma agricultura que depende de chuvas ou de uma irriga&ccedil;&atilde;o muito dispendiosa, da fertilidade natural do solo e de polinizadores. Qualquer 'disruptura' clim&aacute;tica gera quebra de safra, preju&iacute;zos enormes, escassez e flutua&ccedil;&otilde;es absurdas de pre&ccedil;o", diz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para ele, &eacute; indispens&aacute;vel a necessidade de se investir em modelos mais vers&aacute;teis de produ&ccedil;&atilde;o, que se adaptem melhor &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e socioecon&ocirc;micas, para garantir a seguran&ccedil;a alimentar a longo prazo. "Precisamos de uma agricultura que trabalhe em conson&acirc;ncia com os sistemas naturais e olhando para o futuro, sabendo que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&atilde;o a&iacute; e v&atilde;o ficar e que, portanto, a gente precisa de medidas de adapta&ccedil;&atilde;o", argumenta o bi&oacute;logo, que aposta na fomenta&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar e de pequeno porte como uma alternativa vi&aacute;vel para a pr&aacute;tica de uma agricultura mais sustent&aacute;vel, adapt&aacute;vel e resistente &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n3/a13fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Felipe de Melo aponta que h&aacute; necessidade de recrutar os conhecimentos sobre ecologia para desenvolver m&eacute;todos mais resilientes para a distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, desde o plantio at&eacute; as prateleiras. "A ecologia pode atuar no combate e na remedia&ccedil;&atilde;o de todos esses n&iacute;veis de inseguran&ccedil;a alimentar. Seja na produ&ccedil;&atilde;o e no aumento da quantidade de alimentos, como tamb&eacute;m na produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de alimentos que possam ser baratos, acess&iacute;veis, que fa&ccedil;am uso da biodiversidade local para fornecer nutrientes diversos, com valor nutricional e cultural. Tudo isso &eacute; papel da ecologia", afirma.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"H&aacute; necessidade de recrutar os conhecimentos sobre ecologia para desenvolver m&eacute;todos mais resilientes para a distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, desde o plantio at&eacute; as prateleiras."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sintonia com as ideias defendidas pelo pesquisador, o livro "Frutas da floresta: o poder nutricional da biodiversidade amaz&ocirc;nica<i>"</i>, lan&ccedil;ado em mar&ccedil;o de 2024, busca estimular uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais consciente e conectada com a natureza para fortalecer a seguran&ccedil;a alimentar. A obra apresenta dados nutricionais e alimentares de diversas frutas presentes no bioma amaz&ocirc;nico, como o jenipapo, a castanha-do-Brasil e o cupua&ccedil;u, que, apesar de terem alto valor nutritivo, s&atilde;o pouco exploradas na dieta local. O objetivo &eacute; expandir as op&ccedil;&otilde;es alimentares dispon&iacute;veis para as comunidades ribeirinhas, que enfrentam alguns dos n&iacute;veis mais graves de inseguran&ccedil;a alimentar e desnutri&ccedil;&atilde;o no Brasil. "Precisamos de mecanismos para trabalhar com as contribui&ccedil;&otilde;es da natureza para as pessoas, fazer com que nossas pr&aacute;ticas agr&iacute;colas trabalhem em coopera&ccedil;&atilde;o com a natureza e n&atilde;o contra ela", conclui Felipe Melo.</font></p>      ]]></body>
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