<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252024000400009</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240083</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Elefantes na sala]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paula]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<volume>76</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>04</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252024000400009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252024000400009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252024000400009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elefantes na sala</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paula Gomes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Escritora, doutora em cinema e especialista em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos n&atilde;o conseguem distinguir um fato de uma opini&atilde;o, segundo um relat&oacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o para Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) de 2021. Se comparado &agrave; m&eacute;dia de todos os pa&iacute;ses analisados pela OCDE, que &eacute; de cinco em cada dez estudantes, os n&uacute;meros do Brasil n&atilde;o s&atilde;o nada animadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fluxo informacional a que somos expostos em nosso cotidiano &eacute; muito maior do que no passado. Segundo Tathiane Milar&eacute;, professora do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Natureza, Matem&aacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), essa nova realidade muda significativamente o perfil do aluno atual em rela&ccedil;&atilde;o ao de um aluno de 20 anos atr&aacute;s: "A bagagem de informa&ccedil;&otilde;es dos estudantes n&atilde;o se restringe mais s&oacute; ao seu c&iacute;rculo social ou &agrave;s suas experi&ecirc;ncias individuais; muitas ideias que os estudantes trazem para a sala de aula s&atilde;o compartilhadas nas redes sociais, difundidas de uma forma muito mais ampla e r&aacute;pida. Os estudantes est&atilde;o o tempo todo recebendo informa&ccedil;&otilde;es, e isso vale para todas as idades. Em uma pesquisa que tenho desenvolvido com os anos iniciais, percebemos que as crian&ccedil;as, quando falam sobre seu cotidiano, mencionam v&iacute;deos que assistem na internet", relata a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Crian&ccedil;as e jovens hoje em dia t&ecirc;m acesso praticamente irrestrito a todo tipo de conte&uacute;do em plataformas de v&iacute;deos como o TikTok, por exemplo, onde divulgadores cient&iacute;ficos s&eacute;rios e propagadores de not&iacute;cias falsas s&atilde;o colocados lado a lado -  n&atilde;o raro utilizando-se de linguagens e recursos audiovisuais parecidos. O contato com not&iacute;cias falsas pode se dar ou por meio de buscas aut&ocirc;nomas dos jovens na internet, ou pelo contato com familiares e pessoas pr&oacute;ximas que as consomem cotidianamente e as disseminam. Combater essa informa&ccedil;&atilde;o que foi coletada por conta pr&oacute;pria ou transmitida por familiares &eacute; tarefa ingl&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fernando Bitencourt Lopes, professor de hist&oacute;ria do ensino fundamental da Escola EMEF/EJA Padre Jos&eacute; Narciso Vieira Ehrenberg (Campinas-SP), revela que combater not&iacute;cias falsas gera um clima de animosidade em sala de aula, pois o estudante, na maioria dos casos, n&atilde;o se mostra disposto a mudar a opini&atilde;o j&aacute; formada sobre determinado tema: "Quando n&oacute;s, professores, trazemos temas os quais esses alunos e alunas j&aacute; t&ecirc;m um preconceito formado, o processo de ensino/aprendizagem se torna muito mais complexo, pois a figura do professor, da professora e seu trabalho s&atilde;o desacreditados em sua totalidade&hellip; Como lidar com essa avalanche de desinforma&ccedil;&atilde;o e animosidade (pois quem desmascara a inverdade muitas vezes &eacute; visto como mentiroso ou inimigo), se tornou tarefa incorporada e transversal ao trabalho de todos n&oacute;s professores e professoras".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Um trabalho em equipe</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fernando Lopes &eacute; professor de hist&oacute;ria h&aacute; dez anos. A experi&ecirc;ncia em sala de aula o levou a compreender que o melhor caminho para combater as informa&ccedil;&otilde;es falsas &eacute; fomentar o debate em sala de aula. N&atilde;o basta refutar a informa&ccedil;&atilde;o errada do aluno, &eacute; preciso faz&ecirc;-lo pensar sobre ela: "Professores e professoras que tentam entrar em choque e desmascarar a desinforma&ccedil;&atilde;o muitas vezes acabam por refor&ccedil;ar a posi&ccedil;&atilde;o do aluno, da aluna, em uma disputa em que quanto mais um lado ataca o outro mais endurece. Tento sempre j&aacute; partir do pressuposto da problematiza&ccedil;&atilde;o. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; discutir a ponto deles perceberem, na discuss&atilde;o do tema, as contradi&ccedil;&otilde;es da desinforma&ccedil;&atilde;o. Isso tende a diminuir o tempo para o trabalho com o conte&uacute;do tradicional. Muitas vezes o professor tem que estar preparado para mudar completamente a aula e dar espa&ccedil;o a uma quest&atilde;o inesperada que surgiu e precisa ser trabalhada naquele momento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tathiane Milar&eacute; tamb&eacute;m acredita que o caminho para lidar com as informa&ccedil;&otilde;es falsas em sala de aula passa por debater essas informa&ccedil;&otilde;es em seus mais diferentes aspectos, em um processo participativo com os alunos: "Se o professor simplesmente rebate a ideia equivocada, mesmo que explique o porqu&ecirc;, os efeitos s&atilde;o limitados. J&aacute; sabemos que abordagens de transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o efetivas. &Eacute; necess&aacute;rio estimular a reflex&atilde;o cr&iacute;tica dos estudantes, o que n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil. Se um estudante, por exemplo, tem a ideia de que tomar &aacute;gua com sal todos os dias previne doen&ccedil;as (como &eacute; difundido em alguns conte&uacute;dos digitais), ao inv&eacute;s de simplesmente dizer que isso &eacute; uma mentira, podemos discutir/problematizar: mas o que &eacute; sal? O organismo precisa de sal? Quais doen&ccedil;as se pretende prevenir? Quais s&atilde;o as causas dessas doen&ccedil;as? O que acontece com o organismo quando o sal &eacute; absorvido? Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre consumo do sal e a hipertens&atilde;o? Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o do sal com o soro fisiol&oacute;gico? Quem, onde e por que estimula as pessoas a beberem &aacute;gua com sal? &Eacute; poss&iacute;vel levantar muitos questionamentos pass&iacute;veis de serem investigados. Os estudantes podem ser instigados com essas quest&otilde;es, o que os levam ao engajamento na busca das respostas".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"A bagagem de informa&ccedil;&otilde;es dos estudantes n&atilde;o se restringe mais s&oacute; ao seu c&iacute;rculo social ou &agrave;s suas experi&ecirc;ncias individuais; muitas ideias que os estudantes trazem para a sala de aula s&atilde;o compartilhadas nas redes sociais, difundidas de uma forma muito mais ampla e r&aacute;pida."</i></b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante tamb&eacute;m estimular o letramento digital, ou seja, introduzir o aluno a um conjunto de compet&ecirc;ncias que o permitam decodificar melhor os conte&uacute;dos que est&atilde;o consumindo nas redes digitais, avaliando se eles s&atilde;o confi&aacute;veis ou n&atilde;o. Fernando Lopes acredita que &eacute; preciso um esfor&ccedil;o cont&iacute;nuo nesse sentido, uma vez que a linguagem e as estrat&eacute;gias ret&oacute;ricas das not&iacute;cias falsas est&atilde;o em constante evolu&ccedil;&atilde;o, tornando-se cada vez mais sofisticadas: "Na atualidade, as <i>fake news</i> v&ecirc;m sendo divulgadas n&atilde;o com uma totalidade de mentiras, mas partem de pressupostos legais, leg&iacute;timos ou verdadeiros e deturpam seu significado e sugerem a&ccedil;&otilde;es ou desafios no sentido da dissemina&ccedil;&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o. Tudo isso em espa&ccedil;o de um v&iacute;deo de TikTok".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Disputa pelo curr&iacute;culo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante lembrar que as not&iacute;cias falsas que circulam nas redes e na sociedade s&atilde;o parte de um problema maior: movimentos pol&iacute;ticos as utilizam como instrumentos de persuas&atilde;o, tentando influenciar parcela da popula&ccedil;&atilde;o a apoiar suas pautas e posicionar-se de determinada forma em rela&ccedil;&atilde;o a alguns temas. No Brasil, movimentos e partidos conservadores de extrema-direita t&ecirc;m sido respons&aacute;veis pela dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas sobre o conte&uacute;do program&aacute;tico das escolas. Uma das mais famosas foi a not&iacute;cia falsa sobre um suposto material did&aacute;tico que estaria induzindo os jovens a pr&aacute;ticas homossexuais. Sob a alcunha de "kit gay", o material foi criticado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em per&iacute;odo de campanha eleitoral. Tratava-se, no entanto, de uma informa&ccedil;&atilde;o falsa. O material pedag&oacute;gico destinava-se &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sexual e combate &agrave; homofobia e n&atilde;o chegou a ser distribu&iacute;do nas escolas. O objetivo dos disseminadores dessa not&iacute;cia falsa era t&atilde;o somente defender pautas de costumes caras ao movimento de extrema-direita, como a intoler&acirc;ncia &agrave; diversidade sexual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mari&acirc;ngela Bairros, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas para o Ensino M&eacute;dio (GEPPEM), acredita que esse tipo de estrat&eacute;gia pode influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica a tolerar com mais facilidade altera&ccedil;&otilde;es no curr&iacute;culo escolar que empobrecem a forma&ccedil;&atilde;o dos alunos: "Um exemplo importante &eacute; o da reforma do ensino m&eacute;dio. A Lei 13.415, de 2017, foi implementada durante o governo Bolsonaro e inaugurou um grande retrocesso no ensino m&eacute;dio, etapa por onde passam os jovens para concluir a &uacute;ltima etapa da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. As disciplinas de sociologia, filosofia e artes desapareceram do curr&iacute;culo - pior, passaram a ser perseguidas, empobrecendo a forma&ccedil;&atilde;o dos jovens. Filosofia e Sociologia perderam 70% da sua carga hor&aacute;ria, enquanto Hist&oacute;ria e Geografia diminu&iacute;ram 50%".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Na atualidade, as fake news v&ecirc;m sendo divulgadas n&atilde;o com uma totalidade de mentiras, mas partem de pressupostos legais, leg&iacute;timos ou verdadeiros e deturpam seu significado e sugerem a&ccedil;&otilde;es ou desafios no sentido da dissemina&ccedil;&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o."</i></b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na esteira do retrocesso, vimos florescer recentemente o movimento Escola Sem Partido. Criado em 2003 pelo procurador do Estado de S&atilde;o Paulo, Miguel Nagib, e popularizado em 2014, o movimento alegava que professores utilizavam-se de diversos conte&uacute;dos do curr&iacute;culo escolar para promover pautas de movimentos pol&iacute;ticos de esquerda, em uma tentativa de "doutrinar" os estudantes. Ap&oacute;s anos de ades&atilde;o t&iacute;mida, o movimento ganhou tra&ccedil;&atilde;o devido &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos de extrema-direita - como o deputado estadual Fl&aacute;vio Bolsonaro - que apresentaram projetos de lei com o intuito de censurar e perseguir professores. Nenhum projeto dessa natureza foi aprovado, mas as ideias conquistaram a opini&atilde;o de parte da sociedade mais conservadora, que passou a assediar professores para alterar ou omitir determinados quesitos do curr&iacute;culo (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n4/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Projetos de lei em c&acirc;maras municipais, no congresso nacional, cotidianamente expressam o desejo e a materialidade de calar os professores, de dizer o que pode e n&atilde;o pode ser dito."</i></b></styled-content></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; raro vermos reflexos desse movimento no dia a dia dos professores. Em outubro de 2024, uma professora de 51 anos da Escola Rural Boa Uni&atilde;o, na regi&atilde;o metropolitana de Salvador, foi apedrejada por alunos em retalia&ccedil;&atilde;o a um conte&uacute;do sobre religi&otilde;es de matriz africana. Conte&uacute;dos sobre a cultura afro-brasileira (especialmente os relacionados a religi&otilde;es de matriz africana, como a umbanda e o candombl&eacute;) s&atilde;o alvos frequentes da Escola Sem Partido, pois o movimento est&aacute; associado a religi&otilde;es neopentecostais que praticam a intoler&acirc;ncia religiosa em rela&ccedil;&atilde;o a religi&otilde;es de matriz africana. Nas redes sociais do movimento, h&aacute; um documento dispon&iacute;vel para <i>download</i> que os pais podem imprimir, preencher com seus dados e apresentar &agrave;s escolas em uma tentativa de evitar que seus filhos tenham acesso a esse conte&uacute;do (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n4/a09fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A&ccedil;&otilde;es como essas amea&ccedil;am o car&aacute;ter democr&aacute;tico das escolas e a pluralidade de ideias. Apesar da derrota da extrema-direita nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es, Mari&acirc;ngela Barros &eacute; c&eacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o a um poss&iacute;vel arrefecimento desse movimento nos pr&oacute;ximos anos: "O projeto Escola Sem Partido ainda vive. Projetos de lei em c&acirc;maras municipais, no congresso nacional, expressam cotidianamente o desejo e a materialidade de calar os professores, de dizer o que pode e n&atilde;o pode ser dito. Chegamos ao absurdo de um professor de sociologia, ao falar de Marx ou sobre agrot&oacute;xicos, estar doutrinando. Perdemos a raz&atilde;o. As for&ccedil;as de direita e extrema-direita tomam os espa&ccedil;os escolares realizando, a&iacute; sim, a famigerada doutrina&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a pesquisadora, o curr&iacute;culo escolar est&aacute; sempre sob disputa, de modo que &eacute; preciso uma luta cont&iacute;nua n&atilde;o s&oacute; para avan&ccedil;ar, mas para assegurar que conquistas antigas n&atilde;o sejam perdidas: "O curr&iacute;culo, cerne da educa&ccedil;&atilde;o escolar, &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica. Ele representa as for&ccedil;as sociais, pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas em disputa na sociedade, sendo express&atilde;o dos avan&ccedil;os e recuos, inclusive mostrando uma face conservadora e/ou progressista", conclui.</font></p>      ]]></body>
</article>
