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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desinforma&ccedil;&atilde;o e deslegitima&ccedil;&atilde;o como estrat&eacute;gias de luta pol&iacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Tautz</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jornalista e doutorando em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea (UFF)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivemos em uma era em que plataformas digitais, redes sociais, celulares, jogos online e at&eacute; palavras e sentimentos, como "fascismo" e "&oacute;dio ao diferente", est&atilde;o moldando uma nova fase do capitalismo. Ap&oacute;s a predomin&acirc;ncia do capitalismo financeiro, entre os anos 1990 e o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, um modelo centrado na tecnologia e na produ&ccedil;&atilde;o massiva de desinforma&ccedil;&atilde;o emerge, transformando a forma como riquezas s&atilde;o acumuladas e a pol&iacute;tica &eacute; disputada. Nesse cen&aacute;rio, sentimentos extremos e narrativas fabricadas em escala industrial alimentam um ciclo de polariza&ccedil;&atilde;o, enquanto mega-grupos econ&ocirc;micos prosperam.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Ao falar de desinforma&ccedil;&atilde;o e discurso de &oacute;dio, usamos as categorias &lsquo;capitalismo de plataforma' e &lsquo;capitalismo de vigil&acirc;ncia'", explica Tathiana Chicarino, cientista pol&iacute;tica e coordenadora do Curso de Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia e Pol&iacute;tica da Funda&ccedil;&atilde;o Escola de Sociologia e Pol&iacute;tica de S&atilde;o Paulo (FESPSP). "Nesse modelo, a produ&ccedil;&atilde;o de valor est&aacute; centrada em plataformas digitais, principalmente no &lsquo;Norte global', como os Estados Unidos. A fonte desse valor s&atilde;o os nossos dados pessoais. Passamos muito tempo nessas plataformas, especialmente nas redes sociais, e deixamos rastros digitais - nossos gostos, afetos, prefer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas e culturais."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa massa de dados, conhecida como <i>Big Data</i>, n&atilde;o apenas reflete valores e comportamentos, mas tamb&eacute;m alimenta um mercado altamente lucrativo. "N&atilde;o precisamos pagar para estar nas redes sociais, mas a monetiza&ccedil;&atilde;o ocorre por meio desses dados", aponta Tathiana Chicarino. No capitalismo de vigil&acirc;ncia, esses dados s&atilde;o utilizados para finalidades que v&atilde;o desde estrat&eacute;gias de marketing at&eacute; pr&aacute;ticas mais obscuras e n&atilde;o especificadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora tenha similaridades com o capitalismo tradicional, o capitalismo de dados traz peculiaridades marcantes. "Estamos sempre sendo monitorados", alerta a pesquisadora. "Aplicativos de intelig&ecirc;ncia artificial, reconhecimento facial e monitoramento de sa&uacute;de capturam nossas percep&ccedil;&otilde;es e comportamentos." A desinforma&ccedil;&atilde;o, por sua vez, sempre existiu, mas hoje opera em um ecossistema diferente, sin&eacute;rgico &agrave;s plataformas digitais. "Se olharmos para o nazismo, por exemplo, falamos de uma era em que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa emergiam - r&aacute;dio, televis&atilde;o e sistemas centralizados. Era uma configura&ccedil;&atilde;o piramidal, com poucos emissores e muitos receptores", analisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse ecossistema, a desinforma&ccedil;&atilde;o e o discurso de &oacute;dio se espalham por meio de fluxos capilarizados. "Atores humanos e n&atilde;o humanos, como rob&ocirc;s, al&eacute;m de <i>spin doctors</i> - figuras influentes nas redes -, desempenham pap&eacute;is essenciais na dissemina&ccedil;&atilde;o dessas narrativas", explica a pesquisadora. A combina&ccedil;&atilde;o de tecnologia, dados e desinforma&ccedil;&atilde;o caracteriza uma nova fase do capitalismo, em que cada rastro digital contribui para um ciclo de vigil&acirc;ncia, controle e polariza&ccedil;&atilde;o global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A crise de legitimidade da ci&ecirc;ncia e da imprensa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A extrema-direita adota a desinforma&ccedil;&atilde;o como parte de sua estrat&eacute;gia global, n&atilde;o apenas no Brasil, mas em todo o Ocidente. "Eles operam nesse novo sistema de m&iacute;dia, onde as autoridades tradicionais que legitimam um discurso - como universidades, ci&ecirc;ncia e imprensa - perdem for&ccedil;a. Nesse contexto, a extrema-direita encontra uma oportunidade relevante para agir. Enquanto a esquerda e o campo progressista cometem &#91;desinforma&ccedil;&atilde;o&#93; ocasionalmente, para a extrema-direita, ela &eacute; intr&iacute;nseca e indissoci&aacute;vel. N&atilde;o se trata de um conte&uacute;do espec&iacute;fico, mas da industrializa&ccedil;&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o, que envolve estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas bem definidas", analisa Tathiana Chicarino.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"N&atilde;o se trata de um conte&uacute;do espec&iacute;fico, mas da industrializa&ccedil;&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o, que envolve estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas bem definidas."</i></b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especialista em fascismos, Demian Mello, professor de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea na Universidade Federal Fluminense (UFF), concorda com a vis&atilde;o. Ele aponta a converg&ecirc;ncia entre o discurso de figuras da extrema-direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o entorno pol&iacute;tico do ex-presidente Jair Bolsonaro, com estrat&eacute;gias militares. "A pol&iacute;tica &eacute; tratada como guerra, onde se ataca os advers&aacute;rios continuamente, sem recuar, utilizando cortinas de fuma&ccedil;a discursivas. O militarismo, nesse caso, &eacute; uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica da pol&iacute;tica", explica Mello, que &eacute; autor de livros e artigos sobre a direita extrema no Brasil. Em 2014, ele escreveu um cap&iacute;tulo para o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Nacional da Verdade sobre o apoio m&uacute;tuo entre a ditadura militar de 1964 e empresas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um aspecto pouco explorado da extrema-direita global &eacute; o militarismo como ideologia, observa Jorge Oliveira Rodrigues, pesquisador do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e do Grupo de Estudos de Defesa e Seguran&ccedil;a Internacional (GEDES). "N&atilde;o se trata apenas da rela&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as armadas, mas da valoriza&ccedil;&atilde;o de certos princ&iacute;pios, como hierarquia, disciplina, mando e obedi&ecirc;ncia. Esses elementos, combinados ao masculinismo do soldado-her&oacute;i, parecem ser uma base comum que explica a similaridade nas comunica&ccedil;&otilde;es da extrema-direita em diferentes contextos", analisa (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n4/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse cen&aacute;rio, valores humanistas s&atilde;o frequentemente colocados &agrave; prova para despertar rea&ccedil;&otilde;es emocionais. "Por que o ataque aos direitos humanos, por exemplo? Porque assim &#91;a extrema-direita&#93; se contrap&otilde;e &agrave;s autoridades que t&ecirc;m legitimidade no debate cr&iacute;tico. A propaganda total, como no nazismo, impede o dissenso. Ela cria um consenso absoluto em torno de uma autoridade que n&atilde;o se legitima pelo espa&ccedil;o p&uacute;blico e cr&iacute;tico, mas pela imposi&ccedil;&atilde;o. Desinforma&ccedil;&atilde;o e discurso de &oacute;dio andam juntos", alerta Tathiana Chicarino. Ela tamb&eacute;m destaca que, enquanto empresas jornal&iacute;sticas est&atilde;o sujeitas ao escrut&iacute;nio p&uacute;blico, as redes sociais oferecem um espa&ccedil;o onde esse controle &eacute; inexistente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jorge Oliveira Rodrigues adiciona outra perspectiva ao debate. Ele lembra que as estrat&eacute;gias militares no campo comunicacional da extrema-direita antecedem o bolsonarismo. "O general S&eacute;rgio Augusto Avellar Coutinho e o livro &lsquo;<i>Orvil'</i> - escrito para negar e reescrever a hist&oacute;ria da ditadura militar - j&aacute; apontavam para isso. Ideias como o &lsquo;marxismo cultural' circulavam nas casernas antes de Olavo de Carvalho ganhar notoriedade. Ainda assim, &eacute; interessante perguntar: por que, em outras realidades da extrema-direita, o militarismo n&atilde;o ocupa o mesmo papel que tem no Brasil sob Bolsonaro, embora as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o sigam caminhos semelhantes, como a camuflagem e a desinforma&ccedil;&atilde;o deliberada?", questiona.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Desinforma&ccedil;&atilde;o e discurso de &oacute;dio andam juntos."</i></b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele tamb&eacute;m compara o cen&aacute;rio brasileiro com o dos Estados Unidos, onde o militarismo se manifesta por meio de mil&iacute;cias armadas e do armamentismo, mas de forma menos organizada do que no Brasil, onde as for&ccedil;as armadas possuem estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o mais estruturadas. "N&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias suficientes para afirmar que os militares informam diretamente a comunica&ccedil;&atilde;o da extrema-direita, mas &eacute; claro que compartilham uma base ideol&oacute;gica comum", conclui Rodrigues, doutorando em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (<a href="#fig2a">Figuras 2A</a> e <a href="#fig2b">2B</a>).</font></p>     <p><a name="fig2a"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n4/a10fig02a.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig2b"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n4/a10fig02b.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Algoritmos opacos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tathiana Chicarino observa que, no capitalismo de plataforma e no capitalismo de vigil&acirc;ncia, os mecanismos de monetiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o pouco transparentes devido &agrave; l&oacute;gica algor&iacute;tmica que os rege. "Quais conte&uacute;dos s&atilde;o exibidos para mim? O que vou visualizar, em que ordem e com que frequ&ecirc;ncia? As plataformas operam com algoritmos extremamente opacos. N&atilde;o h&aacute; curadoria ou modera&ccedil;&atilde;o clara. Elas argumentam que s&atilde;o apenas empresas facilitadoras, conectando pessoas que produzem conte&uacute;do. Mas, na pr&aacute;tica, funcionam como espa&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o e, por isso, precisam ser regulamentadas como tal. Esses espa&ccedil;os influenciam diretamente o debate p&uacute;blico, determinando o que ser&aacute; discutido, como ser&aacute; abordado e quais temas receber&atilde;o mais &ecirc;nfase", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisadora ressalta que a combina&ccedil;&atilde;o entre monetiza&ccedil;&atilde;o e discursos sensacionalistas, que promovem superficialidade e achatamento do debate, captura mais a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas, fazendo com que passem mais tempo nas redes sociais. Nesse capitalismo de plataforma, a economia da aten&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial, considerando o enorme volume de informa&ccedil;&otilde;es circulando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As plataformas utilizam trilhas algor&iacute;tmicas para prender os usu&aacute;rios. "Quando acesso determinado conte&uacute;do e passo um tempo consider&aacute;vel consumindo-o, &#91;as plataformas&#93; passam a me recomendar ainda mais conte&uacute;dos similares, incentivando que eu permane&ccedil;a conectado por mais tempo. Essas trilhas se alinham com as etapas da radicaliza&ccedil;&atilde;o, que incluem a naturaliza&ccedil;&atilde;o, a familiariza&ccedil;&atilde;o e, finalmente, a radicaliza&ccedil;&atilde;o. Assim, come&ccedil;o a me expor cada vez mais a conte&uacute;dos extremistas, de &oacute;dio e elimina&ccedil;&atilde;o do outro. &Eacute; como estar em um ambiente chamado de C&acirc;mara de Eco", conclui.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Filtros bolha e videogames</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base em um estudo do Instituto Reuters, o Al&aacute;fia Lab, um laborat&oacute;rio digital voltado para a transforma&ccedil;&atilde;o social e sediado na Bahia, destaca que os pesquisadores do Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, definem o termo "c&acirc;mara de eco" como uma analogia aos sons que reverberam em um inv&oacute;lucro oco, como sinos. Essa express&atilde;o descreve um espa&ccedil;o midi&aacute;tico fechado e interconectado, com potencial para amplificar mensagens ali compartilhadas enquanto as isola de conte&uacute;dos contradit&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Al&aacute;fia Lab observa ainda que o termo "c&acirc;mara de eco" &eacute; frequentemente confundido com os "filtros bolha", que se referem &agrave; personaliza&ccedil;&atilde;o de resultados em motores de busca, como o Google, e nos feeds das redes sociais. Esses filtros criam universos de informa&ccedil;&atilde;o individualizados, baseados nos gostos e prefer&ecirc;ncias de cada usu&aacute;rio. O conceito foi cunhado pelo ativista e empres&aacute;rio Eli Pariser, que chamou a aten&ccedil;&atilde;o para a influ&ecirc;ncia dessas ferramentas na sociedade contempor&acirc;nea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; mais de 30 anos, extremistas violentos, terroristas e disseminadores de &oacute;dio t&ecirc;m explorado ativamente os videogames como ferramentas de propaganda, recrutamento e arrecada&ccedil;&atilde;o de fundos. Um relat&oacute;rio da Rede de Investiga&ccedil;&atilde;o sobre Extremismo e Jogos (EGRN), vinculada ao Departamento de Estudos de Guerra do King's College de Londres, analisou o uso de jogos online para espalhar desinforma&ccedil;&atilde;o e at&eacute; recrutar militantes. A pesquisa abrangeu t&iacute;tulos que representam todo o espectro ideol&oacute;gico: extrema-direita, jihadismo, extrema-esquerda e outras formas de extremismo e &oacute;dio, incluindo refer&ecirc;ncias a massacres escolares.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b><i>"As plataformas operam com algoritmos extremamente opacos. N&atilde;o h&aacute; curadoria ou modera&ccedil;&atilde;o clara."</i></b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o relat&oacute;rio, a an&aacute;lise incluiu desde jogos aut&ocirc;nomos simples, desenvolvidos para o Atari nos anos 1980, at&eacute; <i>mods</i> sofisticados de alguns dos jogos mais populares da atualidade. Os canais de distribui&ccedil;&atilde;o evolu&iacute;ram de organiza&ccedil;&otilde;es extremistas violentas e mercados clandestinos, como os grupos supremacistas brancos, neonazistas e jihadistas, para reposit&oacute;rios descentralizados de jogos extremistas. Esses jogos est&atilde;o hospedados em arquivos da Internet, plataformas de compartilhamento de arquivos no Ethereum, Telegram e at&eacute; mesmo em plataformas convencionais, como o Steam, com t&iacute;tulos codificados de forma sutil.</font></p>      ]]></body>
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