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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Um curso moderno de psicologia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fred S. Keller<sup>I</sup>; Carolina Martuscelli Bori<sup>II</sup>; Rodolfo Azzi<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Foi psic&oacute;logo estadunidense pioneiro na &aacute;rea de Psicologia Experimental. Foi professor dos Institutos de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB)    <br>   <sup>II</sup>Foi professora da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Rio Claro (SP) e do Instituto de Psicologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), al&eacute;m de organizadora e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). Tamb&eacute;m foi presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC)    <br>   <sup>III</sup>Foi professor da Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto, na Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras da USP (SP) e no Instituto de Psicologia da UnB (DF). Desenvolveu atividades profissionais</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ensino visa incrementar e diversificar o repert&oacute;rio de comportamento dos indiv&iacute;duos, utilizando m&eacute;todos educacionais baseados em princ&iacute;pios s&oacute;lidos de aprendizagem. Embora tenha havido progresso significativo nas leis de aprendizagem nos &uacute;ltimos 35 anos, sua aplica&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; limitada, com destaque apenas para a instru&ccedil;&atilde;o programada e textos programados. No entanto, para as ci&ecirc;ncias experimentais, s&atilde;o necess&aacute;rias habilidades al&eacute;m das verbais. No novo Departamento de Psicologia da UnB, ser&aacute; oferecido um curso b&aacute;sico focado em conceitos, princ&iacute;pios e t&eacute;cnicas fundamentais de aprendizagem, visando formar estudantes capacitados a aplicar as leis do comportamento eficazmente em sua pr&aacute;tica di&aacute;ria</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Psicologia; Ensino superior; Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo do ensino consiste, em geral, em incrementar e diversificar o repert&oacute;rio de comportamento dos indiv&iacute;duos. Como isso sup&otilde;e aprendizagem, os bons m&eacute;todos educacionais devem utilizar o que h&aacute; de melhor na compreens&atilde;o que se tem do processo de aprendizagem. Devem, pelo menos, tentar aplicar os princ&iacute;pios mais facilmente demonstr&aacute;veis no laborat&oacute;rio, pois, se a solidez dos princ&iacute;pios n&atilde;o depende da praxe educacional, a melhor pr&aacute;tica ser&aacute; a que mais adequadamente os empregue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito &agrave;s leis de aprendizagem, muito progresso houve nos &uacute;ltimos 35 anos. Mas o &uacute;nico ind&iacute;cio, at&eacute; esta data, de que estejam sendo estendidas ao ensino &eacute; a instru&ccedil;&atilde;o programa, especialmente os textos programados. Contudo, bons textos n&atilde;o s&atilde;o o suficiente, pelo menos para as ci&ecirc;ncias que se pretendem experimentais. Outras habilidades s&atilde;o necess&aacute;rias, al&eacute;m das simplesmente verbais, se o estudante tiver que aprender a fazer as coisas que o cientista ou o tecn&oacute;logo realizam. Ora, em psicologia o que se quer &eacute; que todos os estudantes sejam pelo menos "tecn&oacute;logos". Isto &eacute;, que usem as leis do comportamento de modo eficaz em sua atividade cotidiana; que, ao lado do conhecimento "discursivo", tenham tamb&eacute;m conhecimentos "pr&aacute;ticos".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao planejar a implanta&ccedil;&atilde;o de um novo Departamento de Psicologia, orientado experimentalmente no campo da aprendizagem, n&atilde;o se poderia deixar de come&ccedil;ar em casa a tentativa de aplica&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios. Talvez seja prematuro falar de uma experi&ecirc;ncia que apenas se ter&aacute; iniciado quando o presente n&uacute;mero da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura estiver impresso, mas a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; a de que possa ser acompanhada de perto por todos os que se interessam pelo ensino de ci&ecirc;ncias. A come&ccedil;ar no dia 16 de agosto, o Departamento de Psicologia da UnB oferecer&aacute; um curso b&aacute;sico onde ser&atilde;o examinados os conceitos, princ&iacute;pios e t&eacute;cnicas fundamentais, destinado a estudantes de Psicologia e a outros para os quais a mat&eacute;ria &eacute; subsidi&aacute;ria. Este curso corresponde ao ponto de vista de conte&uacute;do a mais ou menos um ano letivo, tal como, por exemplo, o "1-2" da Universidade de Columbia, ou ao "2&ordm;" de psicologia experimental da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76nspe2/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ser&aacute; um curso com 9 aulas, 16 demonstra&ccedil;&otilde;es, 15 experimentos, 9 semin&aacute;rios e exigir&aacute; de 50 a 100 horas de leitura. Leituras, aulas, experimentos, semin&aacute;rios e demonstra&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o programados em tarefas que possam ser realizadas sem dificuldade e de uma s&oacute; vez. Cada uma dessas tarefas ser&aacute; chamada um passo. A divis&atilde;o do curso em pequenos passos que possam ser facilmente dominados corresponde &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio das aproxima&ccedil;&otilde;es sucessivas, demonstrado no laborat&oacute;rio nos estudos de encadeamento diferencia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As aulas ser&atilde;o pouco frequentes e distribu&iacute;das ao longo do curso, e s&oacute; poder&atilde;o ser frequentadas por estudantes que j&aacute; tenham chegado ao ponto de poder apreciar o conte&uacute;do delas. Para os estudantes que s&oacute; o alcan&ccedil;arem em data posterior, haver&aacute; uma grava&ccedil;&atilde;o da aula. Tamb&eacute;m as demonstra&ccedil;&otilde;es, sempre que poss&iacute;vel, ser&atilde;o repetidas. Entretanto, a frequ&ecirc;ncia a essas aulas e demonstra&ccedil;&otilde;es ser&aacute; inteiramente optativa e nenhum exame versar&aacute; sobre elas. Sabe-se hoje que a atividade &eacute; essencial ao aprendizado, isto &eacute;, para que os comportamentos possam ser refor&ccedil;ados &eacute; necess&aacute;rio que sejam antes emitidos. Entretanto, uma vez eliminado o aversivo car&aacute;ter compuls&oacute;rio que possam ter, as aulas poder&atilde;o ser recompensadoras e motivadoras, agindo como os refor&ccedil;ados secund&aacute;rios do laborat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os alunos poder&atilde;o participar dos semin&aacute;rios sempre que o desejarem e estiverem em dia com o trabalho. Desnecess&aacute;rio dizer que as discuss&otilde;es nos semin&aacute;rios nunca ser&atilde;o usadas como artif&iacute;cio de exame. O semin&aacute;rio destina-se ao estudante que mereceu o direito de comentar e fazer perguntas a respeito do trabalho que est&aacute; conduzindo no laborat&oacute;rio ou na biblioteca. &Agrave;s vezes se superestimam os atrativos intr&iacute;nsecos do conhecimento e o papel que possam ter as compensa&ccedil;&otilde;es finais da gradua&ccedil;&atilde;o. Semin&aacute;rios e discuss&otilde;es podem criar para os estudantes uma comunidade presente que valorize imediatamente o dom&iacute;nio do repert&oacute;rio programado. De outro lado, quase sempre, o processo de aprendizagem das no&ccedil;&otilde;es exige uma redisposi&ccedil;&atilde;o do repert&oacute;rio verbal, uma reconstru&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia como diria Dewey, ou uma maior reversibilidade dos conceitos como diria Piaget. As discuss&otilde;es proporcionam ocasi&atilde;o para que esses rearranjos ocorram.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho de laborat&oacute;rio come&ccedil;a depois no nono passo do curso e &eacute; sua caracter&iacute;stica mais importante. Cada estudante dispor&aacute; de um equipamento adequado durante o tempo necess&aacute;rio para a realiza&ccedil;&atilde;o de suas tarefas. O consenso de opini&atilde;o dos professores de ci&ecirc;ncia sustenta que o ensino deve acentuar o treino de laborat&oacute;rio. &Eacute; dif&iacute;cil, entretanto, traz&ecirc;-lo para os cursos introdut&oacute;rios de gradua&ccedil;&atilde;o, uma vez que habitualmente esse treino exige estreito contato pessoal entre instrutor e alunos. A solu&ccedil;&atilde;o encontrada foi a de preparar cuidadosamente instru&ccedil;&otilde;es escritas que pormenorizem cada ato ou observa&ccedil;&atilde;o a serem executados, utilizando ilustra&ccedil;&otilde;es e a linguagem mais simples, direta e pessoal poss&iacute;vel. As primeiras instru&ccedil;&otilde;es come&ccedil;am pela opera&ccedil;&atilde;o dos aparelhos que o estudante usar&aacute; e devem ser concomitantemente acompanhadas da manipula&ccedil;&atilde;o dos mesmos. Essas instru&ccedil;&otilde;es devem funcionar como est&iacute;mulos discriminativos para a&ccedil;&otilde;es que j&aacute; fa&ccedil;am parte do repert&oacute;rio do estudante, sob pena de serem ineficazes.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Ora, em psicologia o que se quer &eacute; que todos os estudantes, ao lado do conhecimento 'discursivo', tenham tamb&eacute;m conhecimentos 'pr&aacute;ticos'."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudante receber&aacute; uma nova tarefa  - dar&aacute; um novo passo para conclus&atilde;o do curso  - sempre que j&aacute; tiver entregue o relat&oacute;rio sobre o experimento anterior, respondido por escrito cinco ou seis perguntas sobre a &uacute;ltima leitura, ou ambas as coisas. Isso visa assegurar a participa&ccedil;&atilde;o ativa do aluno, verificando a aprendizagem a cada passo, e eliminando o h&aacute;bito de s&oacute; estudar &agrave;s v&eacute;speras do exame. &Eacute; o que corresponde ao princ&iacute;pio b&aacute;sico da aprendizagem no caso dos comportamentos operantes (volunt&aacute;rios): as respostas ficam estabelecidas por meio de suas consequ&ecirc;ncias. Respostas que produzem consequ&ecirc;ncias desej&aacute;veis aumentam de probabilidade; respostas cujas consequ&ecirc;ncias s&atilde;o aversivas tornam-se menos frequentes. Ambos os casos provavelmente ocorrem em muitas situa&ccedil;&otilde;es tradicionais em sala de aula, mas historicamente a &ecirc;nfase tem sido (para o aluno) na elimina&ccedil;&atilde;o de circunst&acirc;ncias aversivas (reprova&ccedil;&atilde;o). A ci&ecirc;ncia de nossos dias sugere que essas t&eacute;cnicas punitivas de controle possam ter efeitos laterais indesej&aacute;veis. Al&eacute;m disso, para que cada tipo de consequ&ecirc;ncia tenha efeito &eacute; preciso que seja imediata, sem, como na escola, esperar at&eacute; o fim do ano.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"A ci&ecirc;ncia de nossos dias sugere que essas t&eacute;cnicas punitivas de controle possam ter efeitos laterais indesej&aacute;veis."</i></b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os experimentos foram cuidadosamente planejados para permitir que o estudante observe a opera&ccedil;&atilde;o de certos princ&iacute;pios b&aacute;sicos do comportamento; aprenda algumas t&eacute;cnicas elementares no uso de aparelhos e tratamento de dados; e progrida da m&iacute;nima at&eacute; a m&aacute;xima responsabilidade na composi&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios. As demonstra&ccedil;&otilde;es substituem os experimentos que n&atilde;o puderem ser realizados individualmente. Sob esse aspecto, as instru&ccedil;&otilde;es nunca perdem de vista os atos concretos que, quando executados corretamente pelo estudante, caracterizam o manejo proficiente do instrumento, do dado ou da t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Atentam para aqueles comportamentos, em suma, que definem a "pr&aacute;tica" (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76nspe2/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em resumo, o curso foi organizado de modo a aumentar a responsabilidade do aluno no processo de aprendizagem, fazendo com que  - em vez de assistir passivamente a tantas aulas por semana  - de sua pr&oacute;pria atividade dependa o ritmo de seu progresso. As dissolu&ccedil;&otilde;es dos exames em verifica&ccedil;&otilde;es de leituras e relat&oacute;rios de experimentos visa diminuir a ansiedade improdutiva que o atual sistema r&iacute;gido de aferi&ccedil;&atilde;o de escolaridade quase sempre gera. Ao lado disso, o aproveitamento dever&aacute; ser integral, isto &eacute;, n&atilde;o se conceder&aacute; promo&ccedil;&atilde;o na base de apenas uma porcentagem acima de 50% do dom&iacute;nio do conte&uacute;do. E esse &eacute; o aspecto mais arrojado do projeto: tentar assumir a responsabilidade de ensinar todo o programa a todos os estudantes. N&atilde;o se trata s&oacute; de o professor dar todo o programa a todos os estudantes, mas sim de que o estudante o aprenda por completo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses prop&oacute;sitos, essa organiza&ccedil;&atilde;o do ensino e esse tipo de curso individualizado est&atilde;o longe de serem inatac&aacute;veis e indiscut&iacute;veis. Obje&ccedil;&otilde;es as mais diversas s&atilde;o facilmente invocadas: a falta de um calend&aacute;rio regular &eacute; inaceit&aacute;vel; a aboli&ccedil;&atilde;o de exames finais inadmiss&iacute;vel; os princ&iacute;pios do laborat&oacute;rio inaplic&aacute;veis; inadapt&aacute;vel ao nosso sistema escolar; incompat&iacute;vel com as nossas tradi&ccedil;&otilde;es; inacess&iacute;vel quanto ao custo; inane nos objetivos; inexequ&iacute;vel, incompleto, ing&ecirc;nuo, in&oacute;cuo, in&iacute;quo, indesej&aacute;vel, ilegal e at&eacute; inconstitucional. Mas s&atilde;o obje&ccedil;&otilde;es oriundas principalmente da in&eacute;rcia e nos deixam indenes, se bem que n&atilde;o inermes. Discuti-las ao n&iacute;vel dos preconceitos &eacute; quase que s&oacute; um exerc&iacute;cio de alitera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; &oacute;bvio que essa experi&ecirc;ncia s&oacute; ter&aacute; interesse para quem est&aacute; insatisfeito com os resultados que a rotina escolar vem produzindo; que s&oacute; poder&aacute; ser realizada onde houver uma administra&ccedil;&atilde;o disposta a cooperar moral e materialmente, auxiliando na remo&ccedil;&atilde;o de &oacute;bices que entulham &agrave;s vezes os canais burocr&aacute;ticos; e, &eacute; claro, onde se souber exatamente o que se deseja que o estudante aprenda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o h&aacute; at&eacute; agora nenhuma raz&atilde;o para se supor que a experi&ecirc;ncia encare&ccedil;a indevidamente os cursos ou onere um n&uacute;mero excessivo de professores. Equipamento e pessoal podem ser os mesmos que um curso convencional de laborat&oacute;rio exigiria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas outras quest&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m repostas ainda. Muitas outras surgir&atilde;o no decorrer do trabalho. Contudo, se quando este primeiro ano estiver conclu&iacute;do os resultados continuarem a justificar o interesse dos colegas, haver&aacute; certamente mais gente que ajude a respond&ecirc;-las.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"N&atilde;o se trata s&oacute; de o professor dar todo o programa a todos os estudantes, mas sim de que o estudante o aprenda por completo."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	FLORES, C.; MATEOS, R. <i>RECUENTO HIST&Oacute;RICO DEL AN&Aacute;LISIS DE LA CONDUCTA</i>. GUADALAJARA: CENTRO UNIVERSITARIO DE CIENCIAS BIOL&Oacute;GIAS Y AGROPECUARIAS, UNIVERSIDAD DE GUADALAJARA, 2019.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KELLER, F. S.; BORI, C. M.; AZZI, R. Um  curso moderno de psicologia. C<i>&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, S&atilde;o Paulo, v. 16, n. 4, 1964.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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