<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252024000600008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20240059</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carolina Bori e o compromisso com a ciência e com a democracia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mariuzzo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2024</year>
</pub-date>
<volume>76</volume>
<numero>spe2</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>05</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252024000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252024000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252024000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carolina Bori e o compromisso com a ci&ecirc;ncia e com a democracia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Divulgadora de ci&ecirc;ncia e coordenadora de comunica&ccedil;&atilde;o do projeto HIDS Unicamp (Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Milit&acirc;ncia &eacute; a palavra que, cremos, melhor caracteriza a natureza da atua&ccedil;&atilde;o de Carolina Bori em suas in&uacute;meras frentes de trabalho. Milit&acirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o de docentes/pesquisadores; na implanta&ccedil;&atilde;o de cursos e laborat&oacute;rios de Psicologia Experimental em todo o Brasil; na introdu&ccedil;&atilde;o e na consolida&ccedil;&atilde;o da An&aacute;lise Experimental do Comportamento em nosso meio cient&iacute;fico; junto a associa&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os de fomento, para viabilizar pol&iacute;ticas adequadas de incentivo &agrave; pesquisa, n&atilde;o apenas na Psicologia, mas para a ci&ecirc;ncia em geral; no esfor&ccedil;o permanente de implementar melhores condi&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de programa&ccedil;&atilde;o de cursos, de forma&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento de docentes de primeiro, segundo e terceiro graus; na divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia para os jovens e para a popula&ccedil;&atilde;o em geral; e, com n&atilde;o menos empenho, na lideran&ccedil;a da comunidade cient&iacute;fica em prol da redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, da defesa dos direitos humanos e de todas as outras lutas que o pa&iacute;s tem assistido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas". Assim descrevem Maria Am&eacute;lia Matos e Anna Maria Almeida Carvalho em&nbsp;artigo&nbsp;publicado em uma edi&ccedil;&atilde;o especial da revista Psicologia USP&nbsp;de 2018, em homenagem &agrave; Carolina Bori.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nascida em S&atilde;o Paulo, em 1924, Carolina Martuscelli Bori se formou em Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras (FFCL), da&nbsp;Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), em 1947. No ano seguinte, foi contratada pela mesma universidade como professora assistente de Psicologia. Movida pela premissa de que a ci&ecirc;ncia tem de ser feita dentro e fora do laborat&oacute;rio, desde o in&iacute;cio de sua carreira, ela participou de sociedades cient&iacute;ficas, tendo atuado na cria&ccedil;&atilde;o e na gest&atilde;o de v&aacute;rias delas. "Carolina foi uma personalidade pol&iacute;tica constru&iacute;da no trabalho pela ci&ecirc;ncia em seu aspecto mais amplo. Inspirada nos grandes modelos, tinha uma forte convic&ccedil;&atilde;o de que toda cr&iacute;tica tinha de ser estruturada sobre o conhecimento cient&iacute;fico para ter validade, da&iacute; seu trabalho e dedica&ccedil;&atilde;o para formar pessoas, formar cientistas", conta Eda Terezinha de Oliveira Tassara, professora em&eacute;rita do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP. "S&oacute; que formar pessoas demandava recursos e, portanto, para garantir esses recursos era fundamental o envolvimento na pol&iacute;tica cient&iacute;fica, nas institui&ccedil;&otilde;es", complementa Eda Tassara, que foi orientada por Carolina Bori em seu mestrado e em seu doutorado, e que trabalhou com ela na&nbsp;Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC).</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Carolina foi uma personalidade pol&iacute;tica constru&iacute;da no trabalho pela ci&ecirc;ncia em seu aspecto mais amplo."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conforme aponta o texto publicado no&nbsp;Memorial Carolina Bori, idealizado pela SBPC para celebrar o centen&aacute;rio da pesquisadora, Carolina Bori presidiu ou participou da&nbsp;Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), da Sociedade de Psicologia de S&atilde;o Paulo e da Associa&ccedil;&atilde;o de Modifica&ccedil;&atilde;o do Comportamento. Fundou a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Pesquisa e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia e a Associa&ccedil;&atilde;o de Docentes da USP. Criou e dirigiu o Departamento de Psicologia na ent&atilde;o rec&eacute;m-criada&nbsp;Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960. Sua carreira como cientista pioneira da Psicologia Experimental se confunde com uma atua&ccedil;&atilde;o institucional ativa ao longo de toda sua trajet&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A consolida&ccedil;&atilde;o do Curso de Psicologia no Brasil talvez tenha sido um dos primeiros desafios institucionais que Carolina abra&ccedil;ou. Ciente do impacto no contexto da reforma universit&aacute;ria que estava em curso nos anos 1960 e que culminaria com a substitui&ccedil;&atilde;o do sistema de c&aacute;tedras pelo de departamentos, institutos e centros, ela passou a lutar para a Psicologia ser reconhecida como uma ci&ecirc;ncia aut&ocirc;noma. Isso porque, at&eacute; os anos 1960, no Brasil, esta n&atilde;o era uma &aacute;rea de pesquisa formalmente constitu&iacute;da. "&Eacute; a partir dos anos 1950 que come&ccedil;am os primeiros esfor&ccedil;os para a autonomiza&ccedil;&atilde;o da Psicologia no Brasil, ou seja, como uma &aacute;rea independente da Educa&ccedil;&atilde;o, da Filosofia ou da Medicina", explica Gabriel Vieira C&acirc;ndido, psic&oacute;logo e pesquisador da &aacute;rea de Hist&oacute;ria da Psicologia, que estudou a trajet&oacute;ria de Carolina Bori em seu doutorado, conclu&iacute;do em 2014, na Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras de Ribeir&atilde;o Preto da USP.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A regulamenta&ccedil;&atilde;o se concretizou em 1962, por meio da Lei n.&ordm; 4.119. Carolina Bori foi fundamental em todo o processo, desde seu empenho na elabora&ccedil;&atilde;o do projeto de lei e na busca de assinaturas", lembra Gabriel C&acirc;ndido, que est&aacute; preparando um livro sobre ela, a ser publicado ainda este ano, com apoio da SBPC. "A hist&oacute;ria dela como cientista acabou ficando ofuscada por essa motiva&ccedil;&atilde;o de consolidar a Psicologia como um campo cient&iacute;fico, de formar pessoas de todas as &aacute;reas, de lutar pelo fortalecimento da ci&ecirc;ncia como um todo no Brasil. Nesse sentido, ela foi assumindo cada vez mais posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, n&atilde;o como um objetivo final, mas como um meio para fazer jus a essas convic&ccedil;&otilde;es", pontua Eda Tassara.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Constituinte</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a atua&ccedil;&atilde;o de Carolina Bori na SBPC &eacute; emblem&aacute;tica. "Sua atua&ccedil;&atilde;o na SBPC chama a aten&ccedil;&atilde;o pelas diversas iniciativas nas ci&ecirc;ncias, no Brasil, extrapolando o campo da Psicologia", escreveu Gabriel C&acirc;ndido. Seu primeiro cargo na diretoria foi em 1973, como primeira secret&aacute;ria, assumindo posteriormente a secretaria geral (1977-1981), depois a vice-presid&ecirc;ncia (1981-1986) e, finalmente, a presid&ecirc;ncia (1986 a 1989). "Foi algo extraordin&aacute;rio uma mulher assumir a presid&ecirc;ncia da SBPC, mas, ao mesmo tempo, isso foi uma conquista que construiu ao longo de toda a sua trajet&oacute;ria na entidade guiada por uma vis&atilde;o iluminista da ci&ecirc;ncia, que, para ela, era um motor de desenvolvimento e de transforma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s", lembra Eda Tassara (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76nspe2/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como presidente da SBPC, Carolina Bori articulou a elabora&ccedil;&atilde;o de propostas da comunidade cient&iacute;fica para a atual Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, promulgada em 1988. Em 17 de julho de 1987, um documento de 15 p&aacute;ginas com propostas para as &aacute;reas de ci&ecirc;ncia e tecnologia, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, espa&ccedil;o territorial, meio ambiente e popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas foi pessoalmente entregue por Carolina para o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimar&atilde;es. "Os pesquisadores atuaram como assessores, muitas vezes informais, na Constituinte. Durante a abertura da 39ª Reuni&atilde;o Anual da SBPC, realizada na UnB em 1987, Carolina afirmou: 'Estamos na expectativa de a&ccedil;&atilde;o, urgente, imediata, no sentido de que nossas propostas se concretizem na nova Constitui&ccedil;&atilde;o como uma contribui&ccedil;&atilde;o da comunidade acad&ecirc;mica para a cria&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s moderno, um pa&iacute;s novo, um pa&iacute;s que fa&ccedil;a valer os direitos das pessoas que vivem nele'".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &eacute; a primeira que manifesta, de modo expl&iacute;cito, a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da ci&ecirc;ncia e da tecnologia para o desenvolvimento socioecon&ocirc;mico do Brasil ao estabelecer que &eacute; responsabilidade do Estado promover o progresso da ci&ecirc;ncia visando ao desenvolvimento econ&ocirc;mico e social e o bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o. O Artigo 218 determina que "a pesquisa cient&iacute;fica b&aacute;sica receber&aacute; tratamento priorit&aacute;rio do Estado, tendo em vista o bem p&uacute;blico e o progresso das ci&ecirc;ncias". "Acredito que Carolina Bori fez parte de uma comunidade de grandes nomes da ci&ecirc;ncia brasileira, como Milton Santos e Cesar Lattes, pessoas que tinham um programa para o pa&iacute;s. E isso fez toda a diferen&ccedil;a!", destaca Gloria Malavoglia, bi&oacute;loga e idealizadora do&nbsp;Canal Ci&ecirc;ncia, um servi&ccedil;o de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do&nbsp;Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IBICT). "Em minha opini&atilde;o, Carolina Bori representa essa gera&ccedil;&atilde;o de cientistas ao captar essa vontade de expandir as fronteiras da academia e criar uma ponte com a sociedade", complementa (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76nspe2/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Divulga&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E essa ponte dependia de uma boa comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade, ou seja, dependia de uma boa divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. "A difus&atilde;o era a express&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia da necessidade de intervir na sociedade", pontua Gloria Malavoglia que, na d&eacute;cada de 1980, trabalhou no departamento de difus&atilde;o cient&iacute;fica da pesquisa brasileira criado por Carolina Bori na SBPC. "Ela fez algo in&eacute;dito que foi idealizar um programa de bolsas do CNPq para atua&ccedil;&atilde;o de pesquisadores em divulga&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e ainda estabelecer parcerias com ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o como a R&aacute;dio USP e a R&aacute;dio Cultura, de S&atilde;o Paulo", conta. Ainda segundo ela, buscando apoiar o trabalho dos jornalistas na cobertura das reuni&otilde;es anuais da SBPC e, com isso, ampliar a presen&ccedil;a das pautas de ci&ecirc;ncia na m&iacute;dia, Carolina Bori capitaneou a cria&ccedil;&atilde;o de uma sala de imprensa e de uma comiss&atilde;o de difus&atilde;o cient&iacute;fica que selecionava temas e pautas que poderiam gerar interesse junto &agrave; imprensa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Sua atua&ccedil;&atilde;o na SBPC chama a aten&ccedil;&atilde;o pelas diversas iniciativas nas ci&ecirc;ncias, no Brasil, extrapolando o campo da Psicologia."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b><i>"Ela entendia a necessidade de conferir maior flexibilidade para os cursos poderem fazer arranjos pr&oacute;prios, possibilitando uma atualiza&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo para incluir temas como a promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida."</i></b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das atua&ccedil;&otilde;es institucionais pouco lembradas de Carolina Bori &eacute; sua passagem pelo Instituto Brasileiro de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura (IBECC), criado no Rio de Janeiro em 1946, como uma Comiss&atilde;o Nacional da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco). Ap&oacute;s atuar como secret&aacute;ria na longa gest&atilde;o do professor Oscar Sala, ele a indicou para substitu&iacute;-lo quando se aposentou, sugest&atilde;o que foi prontamente aprovada pelo Itamaraty. "Sua trajet&oacute;ria at&eacute; chegar a essa posi&ccedil;&atilde;o, no campo da forma&ccedil;&atilde;o de professores nas diferentes &aacute;reas cient&iacute;ficas, foi enorme e cobriu v&aacute;rias iniciativas e a&ccedil;&otilde;es. Passou pela participa&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o de programas de p&oacute;s- gradua&ccedil;&atilde;o em ensino na USP, tendo prosseguido no IBECC. Participou das atividades da Coordenadoria Executiva de Coopera&ccedil;&atilde;o Universit&aacute;ria e de Atividades Especiais (Cecae), da USP, articulando professores de Ci&ecirc;ncias em atividades de extens&atilde;o. Por esse envolvimento, foi diretora da Esta&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia, um centro de difus&atilde;o cient&iacute;fica, tecnol&oacute;gica e cultural da Pr&oacute;-Reitoria de Cultura e Extens&atilde;o Universit&aacute;ria da USP, onde permaneceu at&eacute; 1994, quando entrou na compuls&oacute;ria", contou a professora Eda Tassara. "S&atilde;o dimens&otilde;es amplas de a&ccedil;&atilde;o que transcendem a Psicologia e que criaram fatos irrevers&iacute;veis", destaca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo ap&oacute;s aposentada, Carolina se manteve ativa. Entre 1994 e 1999, ela comp&ocirc;s a comiss&atilde;o de especialistas em ensino de psicologia criada para discutir alternativas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea que posteriormente gerariam subs&iacute;dios para uma revis&atilde;o das diretrizes curriculares para o ensino de psicologia. "Uma das principais discuss&otilde;es do grupo era sobre como garantir flexibilidade e inova&ccedil;&otilde;es nos cursos sem correr o risco de uma especializa&ccedil;&atilde;o precoce dos profissionais", conta Antonio Virg&iacute;lio Bastos, do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da&nbsp;Universidade Federal da Bahia (UFBA), que trabalhou com Caroline Bori na comiss&atilde;o. "Ela percebia os limites do primeiro curr&iacute;culo m&iacute;nimo de cuja elabora&ccedil;&atilde;o ela havia participado nos anos 1960 e entendia a necessidade de conferir maior flexibilidade para os cursos poderem fazer arranjos pr&oacute;prios, possibilitando uma atualiza&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo para al&eacute;m das tradicionais 'cl&iacute;nica, escola e trabalho', e de incluir temas como a promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida", complementa Bastos que tamb&eacute;m &eacute; conselheiro do Conselho Federal de Psicologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carolina Bori morreu em 2004, devido a complica&ccedil;&otilde;es advindas de sequelas de um desastre de carro que ela sofreu em S&atilde;o Carlos anos antes e que foram agravadas por uma queda que ela sofreu em meio &agrave;s atividades da reuni&atilde;o anual da SBPC daquele ano. Tinha 80 anos.</font></p>      ]]></body>
</article>
