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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250001</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia Aberta: cria&ccedil;&atilde;o, dissemina&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Claudia Bauzer Medeiros<sup>I</sup>; Fernanda Antonia da Fonseca Sobral<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professora do Instituto de Computa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), al&eacute;m de membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) e Fellow da World Academy of Sciences (TWAS)    <br> <sup>II</sup>Professora em&eacute;rita da UnB e pesquisadora em&eacute;rita do CNPQ, colaborando com o Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia (UnB). Foi Vice-Presidente da SBPC em duas gest&otilde;es (2019-2021 e 2021-2023) e atualmente &eacute; Diretora da SBPC. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Vis&atilde;o conceitual</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O termo "Ci&ecirc;ncia Aberta" tem muitas defini&ccedil;&otilde;es diferentes, dependendo de quem o emprega e com que objetivo. H&aacute; v&aacute;rios estudos que se preocupam com os princ&iacute;pios desse movimento (o que &eacute;?), destacando-se dentre eles as recomenda&ccedil;&otilde;es da Unesco,<sup>[<a name="tx01"></a><a href="#nt01">1</a>]</sup> que levaram mais de 2 anos a serem elaboradas, ap&oacute;s consultas aos pa&iacute;ses membro, entidades cient&iacute;ficas e grupos de pesquisadores. J&aacute; outros se preocupam com quest&otilde;es de implementa&ccedil;&atilde;o computacional (como?) e ainda outros com pol&iacute;ticas e custos. Fato &eacute; que o foco &eacute; na cria&ccedil;&atilde;o, dissemina&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento por meio da colabora&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores (&agrave;s vezes envolvendo n&atilde;o-cientistas), direta ou indiretamente, de forma a que tudo que &eacute; usado e produzido em qualquer pesquisa possa ser livremente reutilizado em outras pesquisas. "Colabora&ccedil;&atilde;o em pesquisa, sem fronteiras" seja talvez um dos conceitos b&aacute;sicos associados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como destacado no relat&oacute;rio de 2023 da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) sobre Ci&ecirc;ncia Aberta,<sup>[<a name="tx02"></a><a href="#nt02">2</a>]</sup> o termo Ci&ecirc;ncia Aberta "&eacute; normalmente usado para indicar o conjunto de pol&iacute;ticas, iniciativas e a&ccedil;&otilde;es para disseminar conhecimento, normalmente por meios digitais, de forma que todos os objetos associados &agrave; pesquisa cient&iacute;fica se tornem acess&iacute;veis a todos, sejam reutiliz&aacute;veis e permitam a reprodutibilidade". O principal objetivo da Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; promover inova&ccedil;&atilde;o e o avan&ccedil;o do conhecimento por meio de colabora&ccedil;&atilde;o, compartilhamento e reutiliza&ccedil;&atilde;o de resultados da pesquisa, independente de barreiras geogr&aacute;ficas, temporais, pol&iacute;ticas, sociais ou culturais. Caracter&iacute;sticas adicionais da Ci&ecirc;ncia Aberta incluem transpar&ecirc;ncia das pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas e possibilidade de verifica&ccedil;&atilde;o independente, garantindo assim confian&ccedil;a na integridade da pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pesquisa conduzida em um ecossistema de Ci&ecirc;ncia Aberta envolve e induz um conjunto de boas pr&aacute;ticas, todas visando compartilhamento dos "artefatos" associados a uma pesquisa &#45; como publica&ccedil;&otilde;es, dados, algoritmos, processos computacionais, <i>software</i>, especifica&ccedil;&otilde;es de design de <i>hardware</i> e metodologias usadas para conduzir um determinado projeto de pesquisa. Desta forma, Ci&ecirc;ncia Aberta pressup&otilde;e que toda pesquisa, desde sua concep&ccedil;&atilde;o, deve se preocupar com dissemina&ccedil;&atilde;o &#45; da especifica&ccedil;&atilde;o dos problemas sendo tratados, da metodologia, dos resultados &#45; como muito bem discutido no relat&oacute;rio da <i>National Academy of Sciences</i> dos Estados Unidos, denominado "<i>Open Science by Design</i>",<sup>[<a name="tx03"></a><a href="#nt03">3</a>]</sup> que destaca o fato que Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; algo que se planeja, e n&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia de documenta&ccedil;&atilde;o posterior dos objetos para compartilhamento futuro. Esta concep&ccedil;&atilde;o de fazer ci&ecirc;ncia est&aacute; acarretando grandes mudan&ccedil;as culturais em todo o mundo, um processo gradativo em andamento. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig01">Figura 1</a> ilustra o ecossistema da Ci&ecirc;ncia Aberta do ponto de vista dos pesquisadores. Ela &eacute; reproduzida de um relat&oacute;rio <sup>[<a name="tx04"></a><a href="#nt04">4</a>]</sup> da <i>Interacademy Partnership</i> (IAP), um &oacute;rg&atilde;o que congrega cerca de 150 Academias de Ci&ecirc;ncia nacionais ou regionais, produzido em 2020 para subsidiar as Recomenda&ccedil;&otilde;es da Unesco sobre Ci&ecirc;ncia Aberta. Concebida por representantes de 10 Academias de Ci&ecirc;ncia de todo o mundo (&Aacute;frica do Sul, Brasil, Benin, Col&ocirc;mbia, Estados Unidos, Filipinas, Finl&acirc;ndia, It&aacute;lia, Paquist&atilde;o, e a <i>Global Young Academy</i>), tem tamb&eacute;m <i>feedback</i> de representantes das Academias da Hungria, Fran&ccedil;a e Jap&atilde;o, e representa os principais atores e agentes do ecossistema de Ci&ecirc;ncia Aberta.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a01fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; algo que se planeja, e n&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia de documenta&ccedil;&atilde;o posterior dos objetos para compartilhamento futuro."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Centrada na no&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia Aberta para colabora&ccedil;&atilde;o global, ilustra como pesquisadores do mundo inteiro colaboram trocando resultados e pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas, que por sua vez produzir&atilde;o novos resultados, modificando e ampliando as pr&aacute;ticas existentes. Cada uma das caixas associadas, de cima &agrave; direita, na dire&ccedil;&atilde;o dos ponteiros de um rel&oacute;gio, cont&eacute;m palavras-chave que destacam: os princ&iacute;pios b&aacute;sicos (confian&ccedil;a, equidade, inclus&atilde;o, responsabilidade na execu&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa), os fatores que permitem seu funcionamento (mudan&ccedil;a cultural, treinamento, capacita&ccedil;&atilde;o, financiamento), agentes facilitadores (legisladores, criadores de pol&iacute;ticas, ag&ecirc;ncias de fomento, educadores, pessoal t&eacute;cnico e editoras), a infraestrutura computacional necess&aacute;ria (redes de computadores, reposit&oacute;rios, <i>software, hardware</i>), benefici&aacute;rios (ci&ecirc;ncia, tecnologia, inova&ccedil;&atilde;o e a sociedade como um todo) e algumas pr&aacute;ticas importantes (concep&ccedil;&atilde;o visando abertura e reuso, ado&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es, documenta&ccedil;&atilde;o). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um dos princ&iacute;pios b&aacute;sicos &#45; condu&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel da pesquisa &#45; inclui todas as quest&otilde;es de &eacute;tica em pesquisa, amplamente tratada pela legisla&ccedil;&atilde;o brasileira (por exemplo, a Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados brasileira quando a pesquisa envolve seres humanos). Nesse sentido, os comit&ecirc;s de &eacute;tica s&atilde;o essenciais para garantir as boas pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta. Ao mesmo tempo, muito precisa ser feito para adaptar as pr&aacute;ticas de alguns desses comit&ecirc;s ao "novo mundo de pesquisa baseada em infraestrutura computacional". Abertura n&atilde;o significa que tudo &eacute; aberto, mas o fechamento total pode ser nocivo ao avan&ccedil;o do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A figura se destaca da maioria das ilustra&ccedil;&otilde;es que apresentam a Ci&ecirc;ncia Aberta por identificar v&aacute;rios conjuntos de fatores importantes que se complementam e interagem no ecossistema correspondente. Ela mostra que a infraestrutura computacional &eacute; apenas um dos muitos fatores necess&aacute;rios para se atingir a Ci&ecirc;ncia Aberta Embora sem a infraestrutura n&atilde;o se possa implementar a Ci&ecirc;ncia Aberta, tal infraestrutura precisa ser constru&iacute;da a partir dos princ&iacute;pios norteadores, dependendo de pessoas e pr&aacute;ticas, e sempre visando os benefici&aacute;rios. Nota-se tamb&eacute;m que algumas das propriedades importantes associadas, como transpar&ecirc;ncia ou reprodutibilidade, n&atilde;o s&atilde;o mencionadas na figura (embora sejam destacadas no relat&oacute;rio). Na verdade, tais propriedades podem ser consideradas consequ&ecirc;ncia das boas pr&aacute;ticas de praticar ci&ecirc;ncia com abertura. Outras vis&otilde;es, como as da Unesco,<sup>[<a name="tx05"></a><a href="#nt05">5</a>]</sup> se concentram nos artefatos associados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todos esses conceitos e defini&ccedil;&otilde;es definem "o que" &#45; Ci&ecirc;ncia Aberta se baseia em colabora&ccedil;&atilde;o sem fronteiras, por meio de troca de informa&ccedil;&otilde;es. No entanto, faltam mais detalhes para permitir o entendimento &#45; "o que deve ser compartilhado", "onde", "como", "quando", mostrando claramente a separa&ccedil;&atilde;o entre princ&iacute;pios e as boas pr&aacute;ticas que os implementam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Implementa&ccedil;&atilde;o no mundo digital &#45; reposit&oacute;rios interligados e atores</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Colabora&ccedil;&atilde;o &eacute; parte integral da vida de um pesquisador &#45; h&aacute; v&aacute;rios s&eacute;culos pesquisadores trocam ideias por correspond&ecirc;ncia, raz&atilde;o pela qual alguns afirmam que a Ci&ecirc;ncia Aberta surgiu h&aacute; s&eacute;culos. Hoje, ela est&aacute; intimamente ligada &agrave; sua viabiliza&ccedil;&atilde;o por meios digitais, de forma que, frequentemente, quando se fala em Ci&ecirc;ncia Aberta, as pessoas pensam imediatamente na sua implementa&ccedil;&atilde;o digital, baseada na interliga&ccedil;&atilde;o, via redes de computadores, de <i>reposit&oacute;rios</i>. Estes &uacute;ltimos armazenam e disponibilizam, dentre outros, publica&ccedil;&otilde;es (acesso aberto), <i>software</i>, dados, especifica&ccedil;&otilde;es de <i>hardware</i>, algoritmos, metodologias, sempre os associando a alguma pesquisa. Publica&ccedil;&otilde;es, dados e <i>software</i> s&atilde;o normalmente considerados os tr&ecirc;s principais pilares do ecossistema de Ci&ecirc;ncia Aberta, sendo inclusive tratados como resultados de pesquisa igualmente importantes. O seu reaproveitamento pode avan&ccedil;ar o conhecimento e, no caso de dados ou <i>software</i>, diminuir os custos de novas coletas ou recodifica&ccedil;&atilde;o. Muitos dizem, inclusive, que o <i>software</i> &eacute; um tecido que permite conectar pesquisas, interpretando e visualizando os dados e permitindo tomada de decis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Reposit&oacute;rios podem ser vistos como uma infraestrutura complexa que envolve <i>hardware, software</i> e pessoal especializado em cri&aacute;-los e mant&ecirc;-los, cuidando da integridade, curadoria e preserva&ccedil;&atilde;o dos artefatos de pesquisa que cont&ecirc;m. A cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de reposit&oacute;rios exige equipes multidisciplinares, incluindo profissionais de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e, normalmente, pessoal com forma&ccedil;&atilde;o em arquivologia ou ci&ecirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o, que tenham tido treinamento nas pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta. Como mostram todos os exemplos bem sucedidos no mundo para essa infraestrutura, a gest&atilde;o desses reposit&oacute;rios exige um grupo composto por esses dois tipos de profissionais e tamb&eacute;m, necessariamente, pesquisadores experientes em v&aacute;rios dom&iacute;nios do conhecimento &#45; tipicamente representando grandes &aacute;reas do conhecimento. Via de regra, a viabilidade dessas estruturas depende de normatiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em uma institui&ccedil;&atilde;o, tornando-se parte da sua "pol&iacute;tica de estado", para garantir sua perman&ecirc;ncia &#45; por exemplo, em universidades do mundo inteiro, e tamb&eacute;m no Brasil, reposit&oacute;rios para a Ci&ecirc;ncia Aberta est&atilde;o atrelados a alguma inst&acirc;ncia da reitoria, em geral pr&oacute;-reitoras de pesquisa ou equivalentes.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Abertura n&atilde;o significa que tudo &eacute; aberto, mas o fechamento total pode ser nocivo ao avan&ccedil;o do conhecimento."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A cataloga&ccedil;&atilde;o dos arquivos exige participa&ccedil;&atilde;o intensa dos pesquisadores envolvidos, pois cada tipo de pesquisa tem descri&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias e metadados espec&iacute;ficos, sem os quais n&atilde;o se pode encontrar os arquivos desejados. Exemplos s&atilde;o as grandes diferen&ccedil;as encontradas entre padr&otilde;es de metadados em ci&ecirc;ncias sociais, astronomia, computa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica, biol&oacute;gicas, engenharias ou sa&uacute;de, todos bem diferentes entre si. Normalmente, no mundo inteiro, a curadoria dos arquivos &eacute; realizada pelos pesquisadores &#45; s&atilde;o eles os autores e respons&aacute;veis pela veracidade dos artigos, ou dos conjuntos de dados, ou do <i>software</i>. Nenhuma pessoa, sozinha, qualquer que seja sua forma&ccedil;&atilde;o, consegue dar conta dos m&uacute;ltiplos pap&eacute;is, conhecimento e habilidades necess&aacute;rias para apoiar o funcionamento do ecossistema de Ci&ecirc;ncia Aberta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Internamente, o conte&uacute;do de um reposit&oacute;rio &eacute; dividido em um cat&aacute;logo e pelos arquivos propriamente ditos. O cat&aacute;logo descreve (e aponta para) os arquivos (publica&ccedil;&otilde;es, dados, <i>hardware</i>, <i>software</i>) produzidos pelos cientistas, de forma que qualquer um ache os arquivos que deseja, a partir de consultas ao cat&aacute;logo. Esta separa&ccedil;&atilde;o &eacute; importante para se entender a implementa&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia Aberta, tamb&eacute;m descrita como "t&atilde;o aberta quanto poss&iacute;vel, t&atilde;o fechada quanto necess&aacute;ria". Os cat&aacute;logos s&atilde;o abertos, mas os arquivos para os quais apontam podem seguir v&aacute;rias pol&iacute;ticas de privacidade e restri&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ci&ecirc;ncia Aberta n&atilde;o significa que tudo &eacute; dispon&iacute;vel e aberto &#45; h&aacute; quest&otilde;es &eacute;ticas e legais (e at&eacute; mesmo de seguran&ccedil;a nacional) que impedem a abertura total de tudo. No entanto, o simples fato de j&aacute; haver uma cataloga&ccedil;&atilde;o ajuda a organiza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do e permite que, quando desejado, pessoas interessadas em conte&uacute;do fechado contatem os respons&aacute;veis (autores) para mais informa&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se o texto at&eacute; aqui se concentrou em pesquisadores, &eacute; importante destacar uma das vertentes da Ci&ecirc;ncia Aberta, denominada Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde;, em que n&atilde;o-cientistas devidamente treinados participam da co-cria&ccedil;&atilde;o do conhecimento. In&uacute;meros projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; s&atilde;o inclusive iniciados por n&atilde;o-cientistas, sendo posteriormente continuados com a participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadores. O envolvimento, por exemplo, de povos ind&iacute;genas nesse processo &eacute; uma das formas da ci&ecirc;ncia cidad&atilde;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar de ser aplic&aacute;vel a todos os tipos de pesquisa praticada em qualquer ambiente, p&uacute;blico ou privado, as recomenda&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas da Ci&ecirc;ncia Aberta se referem, em geral, &agrave; pesquisa financiada com verbas p&uacute;blicas. O princ&iacute;pio fundamental &eacute; que os <i>resultados de pesquisas financiadas por dinheiro p&uacute;blico s&atilde;o um bem p&uacute;blico</i>. Em tais casos, esses resultados devem ser disponibilizados publicamente a todos os setores &#45; a comunidade cient&iacute;fica, empresas, governo e, principalmente, a sociedade como um todo &#45; o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel, respeitando quest&otilde;es legais e &eacute;ticas, como privacidade, seguran&ccedil;a ou propriedade intelectual. Isto n&atilde;o impede, no entanto, a ampla participa&ccedil;&atilde;o de entidades privadas no movimento de Ci&ecirc;ncia Aberta, como j&aacute; vem ocorrendo fora do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Mudan&ccedil;a de cultura e pol&iacute;tica nacional</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante retomar os princ&iacute;pios b&aacute;sicos da Ci&ecirc;ncia Aberta j&aacute; aqui citados (confian&ccedil;a, equidade, inclus&atilde;o, responsabilidade e &eacute;tica na execu&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa), e mostrar como esses princ&iacute;pios se  afinam aos princ&iacute;pios de uma sociedade democr&aacute;tica que levam tamb&eacute;m &agrave; equidade, transpar&ecirc;ncia, colabora&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a social e inclus&atilde;o. Numa democracia, n&atilde;o &eacute; suficiente produzir representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com base no sufr&aacute;gio, precisa-se governar democraticamente. Torna-se imperativo, ent&atilde;o, enfrentar, eficientemente, os desafios apresentados pela sociedade democr&aacute;tica nos mais variados setores, como &eacute; o caso aqui analisado da produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento possibilitada pela ci&ecirc;ncia aberta. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Acresce-se que o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o das sociedades faz com que, cada vez mais, a imprensa, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONGs) e a sociedade civil organizada procurem exercer influ&ecirc;ncia para que a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica tenha uma maior responsabilidade social e para isso, ela precisa ser mais transparente. Nesse sentido, se poderia supor que as demandas sociais aumentem em v&aacute;rios setores, inclusive no que concerne &agrave; Ci&ecirc;ncia e &agrave; Tecnologia e, mais especificamente, no que se refere &agrave; ci&ecirc;ncia aberta. Essa ideia est&aacute; presente em alguns estudos na &aacute;rea de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Sociedade, uma delas citada a seguir: "Se, no s&eacute;culo passado, a ci&ecirc;ncia falou para a sociedade, neste s&eacute;culo, a sociedade passa a falar para a ci&ecirc;ncia".<sup>[<a name="tx06"></a><a href="#nt06">6</a>]</sup> </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Os resultados de pesquisas financiadas por dinheiro p&uacute;blico s&atilde;o um bem p&uacute;blico."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Ci&ecirc;ncia Aberta, com as exce&ccedil;&otilde;es nos casos que envolvem seguran&ccedil;a, quest&otilde;es &eacute;ticas ou legais, a abertura dos "artefatos" associados (artigos, <i>software</i>, dados, especifica&ccedil;&otilde;es) pode possibilitar o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia e da inova&ccedil;&atilde;o enquanto outros cientistas podem ir adiante nos resultados alcan&ccedil;ados ou at&eacute; os contestar. Essa possibilidade aumenta a confian&ccedil;a e a legitimidade da ci&ecirc;ncia refor&ccedil;ando que, numa sociedade democr&aacute;tica, a legitimidade tamb&eacute;m &eacute; um aspecto importante, al&eacute;m do fato, de tornar a ci&ecirc;ncia mais valorizada e consequentemente, com possibilidades de maiores financiamentos e maior aproveitamento do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As quest&otilde;es aqui levantadas referentes ao contexto democr&aacute;tico e &agrave;s caracter&iacute;sticas da Ci&ecirc;ncia Aberta levam &agrave; necessidade,  no Brasil, de se elaborar uma pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia aberta que contemple os fatores que permitem seu funcionamento (mudan&ccedil;a cultural, treinamento, capacita&ccedil;&atilde;o, financiamento), e outros discutidos na <a href="#fig01">Figura 1</a> - agentes facilitadores, a infraestrutura computacional necess&aacute;ria e algumas pr&aacute;ticas importantes (concep&ccedil;&atilde;o visando abertura e reuso, ado&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es, documenta&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda que a Ci&ecirc;ncia Aberta seja um movimento mundial que prop&otilde;e uma mudan&ccedil;a cultural na forma como a ci&ecirc;ncia &eacute; produzida, compartilhada e comunicada, a mudan&ccedil;a cultural tamb&eacute;m se constitui o maior desafio (sem secundarizar os outros fatores, j&aacute; citados, que permitem o seu funcionamento), exigindo mais tempo e enfrentando muitas dificuldades, pois a cultura influencia a ci&ecirc;ncia atrav&eacute;s de narrativas, mitos, e a maneira como diferentes sociedades encaram a pesquisa e a inova&ccedil;&atilde;o. E a cultura que domina continua arraigada na publica&ccedil;&atilde;o dos resultados das pesquisas e n&atilde;o dos dados ou de outros resultados, como <i>software</i>, ainda que Robert Merton j&aacute; em 1942, descreveu "quatro conjuntos de imperativos institucionais que determinam o ethos da ci&ecirc;ncia moderna: comunismo, universalismo, comunica&ccedil;&atilde;o, desinteresse e ceticismo organizado".<sup>[<a name="tx07"></a><a href="#nt07">7</a>]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Finalmente, uma &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o sobre a mudan&ccedil;a cultural. Faz parte da pr&aacute;tica cient&iacute;fica o rigor na pesquisa e a documenta&ccedil;&atilde;o do que foi feito, para permitir verifica&ccedil;&atilde;o e reprodutibilidade. &Eacute; tamb&eacute;m consenso que a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; realidade. Sob tal perspectiva, o que mudou com o aparecimento da ci&ecirc;ncia aberta? A democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento ensejada pela abertura tamb&eacute;m significa repensar o que significa reuso. A no&ccedil;&atilde;o de colabora&ccedil;&atilde;o por meio de reuso de resultados abertos agora inclui gente com quem talvez nunca conhe&ccedil;amos, e que vai reusar nosso trabalho disponibilizado abertamente. Com isso, a documenta&ccedil;&atilde;o precisa tamb&eacute;m se preocupar com reuso por pesquisadores de outras &aacute;reas (exigindo mais detalhes) ou para outros fins n&atilde;o imaginados. Por exemplo, dados obtidos de estudos sobre Covid podem ser reusados (e o foram) para desenvolver novos sistemas que facilitem a visualiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o necessariamente associados a quest&otilde;es de sa&uacute;de. Ou um algoritmo criado para analisar textos pode ser (e o foi) usado para processar cadeias de DNA, nas origens da bioinform&aacute;tica. Editores de jornais franceses jamais imaginariam que um jornal serviria de material para obras de arte, como as colagens de Picasso ou Braque. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Combinada a este "reuso para fins n&atilde;o imaginados", a abertura em si cria inseguran&ccedil;a entre pesquisadores &#45; por exemplo, se os dados abertos forem usados para fins ilegais. No entanto, m&aacute; ci&ecirc;ncia,<sup>[<a name="tx08"></a><a href="#nt08">8</a>]</sup> m&aacute;-f&eacute; e desonestidade n&atilde;o s&atilde;o evitadas por resultados fechados; ao contr&aacute;rio, a abertura facilita o reconhecimento de pl&aacute;gio. Al&eacute;m disso, como j&aacute; mencionado, existem v&aacute;rias grada&ccedil;&otilde;es de abertura (t&atilde;o aberto quanto poss&iacute;vel, t&atilde;o fechado quanto necess&aacute;rio). E o entendimento de tudo isso faz parte da mudan&ccedil;a cultural.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este n&uacute;mero especial da Ci&ecirc;ncia e Cultura aborda algumas das in&uacute;meras facetas da Ci&ecirc;ncia Aberta no Brasil e no mundo, com artigos, entrevistas, v&iacute;deo e <i>podcast</i>, com contribui&ccedil;&otilde;es de pesquisadores de v&aacute;rias &aacute;reas, v&aacute;rias regi&otilde;es do Brasil e exterior, ilustrando a riqueza e a complexidade deste novo mundo. Quest&otilde;es cient&iacute;ficas, culturais, tecnol&oacute;gicas, econ&ocirc;micas, em que o foco &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento - e em que, sempre, pessoas s&atilde;o o ponto-chave. Para conhecer ainda mais, sugerimos as organiza&ccedil;&otilde;es multinacionais <i>Research Data Alliance</i>,<sup>[<a name="tx9"></a><a href="#nt9">9</a>]</sup><i> World Data System</i><sup>[<a name="tx10"></a><a href="#nt10">10</a>]</sup><i> e Research Software Alliance</i><sup>[<a name="tx11"></a><a href="#nt11">11</a>]</sup> &#45; respectivamente tratando de dados abertos, reposit&oacute;rios institucionais e <i>software</i> de pesquisa aberto. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a>] UNESCO. 2021. UNESCO <i>Recommendation on Open Science</i>. Document SC-PCB-SPP/2021/OS/UROS.  Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949.locale=en" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949.locale=en</a>. Acesso em: jan. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a>]  Medeiros, C. B.; Laender, A. H. F. Packer, A. ; Val, A. L. ; Brito Cruz, C. H. ; Chavez, C. v F. G. ; Marques, E. C. L. ; Kon, F. ; Cendes, I. L. ; Barcinski, M. A. ; Sluys, M. V. ; Almeida, U. B. . <i>Open Science - Overview and General Recommendations</i>. 1. ed. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciencias, 2023. v. 1. 77p. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.abc.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Open-Science-Overview-and-General-Recommendations.pdf" target="_blank">https://www.abc.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Open-Science-Overview-and-General-Recommendations.pdf</a>. Acesso em: fev. 2025</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a>]  NATIONAL ACADEMIES OF SCIENCES, ENGINEERING, AND MEDICINE. 2018. <i>Open Science by Design</i>. Washington, DC: The National Academies Press. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nap.edu/catalog/25116/open-science-by-design-realizing-a-vision-for-21st-century" target="_blank">https://www.nap.edu/catalog/25116/open-science-by-design-realizing-a-vision-for-21st-century</a>. Acesso em: dez. 2024 </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a>] Medeiros, C.B.; Darboux, B. ; Sanchez, J. A. ; Tenkanen, H. ; Meneghetti, M. L. ; Shinwari, Z. K. ; Montoya, J. C. ; Smith, I. ; MCcray, A. T. ; Vermeir, K. . <i>IAP Report into the UNESCO Open Science Recommendation</i>. Trieste: Interacademy Partnership, 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.interacademies.org/sites/default/files/2020-07/Open_Science_0.pdf" target="_blank">https://www.interacademies.org/sites/default/files/2020-07/Open_Science_0.pdf</a>. Acesso em: fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a>] UNESCO. <i>Open Science</i>. Dispon&iacute;vel em:  <a href="https://en.unesco.org/science-sustainable-future/open-science" target="_blank">https://en.unesco.org/science-sustainable-future/open-science</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a>] NOWOTNY, Helga.; SCOTT, Peter.; GIBBONS, Michael. <i>Re-thinking Science</i>: Knowledge and the Public in an Age of Uncertanty. London: Blackwell Publishing, 2001, 278 p</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt07"></a><a href="#tx07">7</a>] Merton, Robert K (1973). <i>The Sociology of Science</i>: Theoretical and Empirical Investigations. Chicago: University of Chicago Press. ISBN 978-0-226-52091-9. OCLC 755754</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt08"></a><a href="#tx08">8</a>] Ritchie, Stuart. <i>Science Fictions</i>: How Fraud, Bias, Negligence, and Hype Undermine the Search for Truth. Metropolitan Books, 2020, 341 p&aacute;ginas</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt09"></a><a href="#tx09">9</a>] <i>Research Software Alliance</i> &#45; RDA. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.rd-alliance.org/" target="_blank">https://www.rd-alliance.org/</a>. Acesso em: fev. 2025</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt10"></a><a href="#tx10">10</a>] <i>World Data System</i> &#45; WDS. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://worlddatasystem.org/" target="_blank">https://worlddatasystem.org/</a>. Acesso em: fev. 2025</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nt11"></a><a href="#tx11">11</a>] <i>Research Software Alliance</i> &#45; ReSA. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.researchsoft.org/" target="_blank">https://www.researchsoft.org/</a>. Acesso em: fev. 2025</font></p>      ]]></body>
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