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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel das bibliotecas no mundo da ciência aberta]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Ciência Aberta]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250003</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>O papel das bibliotecas no mundo da ci&ecirc;ncia aberta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Leticia Strehl<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua no Sistema de Bibliotecas da UFRGS h&aacute; 26 anos, tendo experi&ecirc;ncia em gest&atilde;o de projetos em todas as &aacute;reas da Biblioteconomia, e acaba de iniciar seu mandato como Diretora da Editora da UFRGS.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aborda as contribui&ccedil;&otilde;es das bibliotecas para o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia aberta, partindo das transforma&ccedil;&otilde;es ocasionadas pela tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o nos processos de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, estruturados, historicamente, pelos padr&otilde;es estabelecidos no &acirc;mbito da ind&uacute;stria editorial. Apresenta as alternativas que surgiram com o desenvolvimento de reposit&oacute;rios de <i>preprints</i>, de dados e de recursos educacionais e o fortalecimento dos projetos editoriais de pa&iacute;ses emergentes com a populariza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas eletr&ocirc;nicas de editora&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o em acesso aberto. Prop&otilde;e que as contribui&ccedil;&otilde;es das bibliotecas possam ser categorizadas em duas rotas: a) conservadora, que visa possibilitar o acesso aberto pautado nos modelos de neg&oacute;cio e nas editorias desenvolvidas no &acirc;mbito da tradicional ind&uacute;stria editorial; b) revolucion&aacute;ria, baseada em iniciativas colaborativas e descentralizadas, que expandem os produtos da ci&ecirc;ncia e seus impactos, valorizando, al&eacute;m das cita&ccedil;&otilde;es, o acesso, a interoperabilidade e a reutiliza&ccedil;&atilde;o pela comunidade cient&iacute;fica, mas tamb&eacute;m comunidades locais, acad&ecirc;micos marginalizados e povos ind&iacute;genas. Defende a import&acirc;ncia do engajamento das bibliotecas na transi&ccedil;&atilde;o do paradigma da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para a ci&ecirc;ncia aberta, considerando sua miss&atilde;o milenar de acesso p&uacute;blico ao conhecimento como recurso de avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, mas, sobretudo, como instrumento de promo&ccedil;&atilde;o da cidadania. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> Ci&ecirc;ncia Aberta; Bibliotecas; Ind&uacute;stria Editorial Cient&iacute;fica; Reposit&oacute;rios digitais; Cidadania. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Do movimento ao paradigma em um poss&iacute;vel paradoxo </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O papel das bibliotecas no mundo da ci&ecirc;ncia aberta &eacute; exaustivamente tratado na literatura nacional e internacional.<sup>[1,2]</sup> S&atilde;o textos que identificam toda sorte de a&ccedil;&otilde;es que levaram &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os adequados ao contexto informacional diverso surgido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas com:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">a) O desenvolvimento da tecnologia para disponibiliza&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de publica&ccedil;&otilde;es; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">b) O comprometimento com a concep&ccedil;&atilde;o do conhecimento como bem p&uacute;blico e, portanto, de livre acesso ao p&uacute;blico. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Estes elementos identificam a origem do que convencionamos chamar de Movimento de Acesso Aberto &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, mas que, como sabemos, compreendem aspectos mais amplos e profundos da ci&ecirc;ncia hoje.<sup>[3]</sup> O ent&atilde;o Movimento desencadeia um debate e uma transforma&ccedil;&atilde;o que afetam a produ&ccedil;&atilde;o, o armazenamento, a dissemina&ccedil;&atilde;o e a avalia&ccedil;&atilde;o das pesquisas cient&iacute;ficas ao integrar pr&aacute;ticas que favorecem a reprodutibilidade, a transpar&ecirc;ncia, o compartilhamento e a colabora&ccedil;&atilde;o na ci&ecirc;ncia (<a href="#fig01">Figura 1</a>). Ao promover tantas mudan&ccedil;as nos processos de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, conquista, merecidamente, o status de Paradigma da Ci&ecirc;ncia Aberta.<sup>[1,4,5]</sup> </font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">At&eacute; aqui, nenhuma novidade: a ci&ecirc;ncia aberta prop&otilde;e uma revolu&ccedil;&atilde;o na forma de fazer ci&ecirc;ncia, e as bibliotecas t&ecirc;m contribu&iacute;do enormemente para a promo&ccedil;&atilde;o desta revolu&ccedil;&atilde;o. Menos &oacute;bvia, talvez, seja a compreens&atilde;o das raz&otilde;es pelas quais as bibliotecas se envolveram com a ci&ecirc;ncia aberta, considerando que sua voca&ccedil;&atilde;o (na origem e ao longo de sua milenar hist&oacute;ria) est&aacute; intrinsecamente relacionada aos altos custos de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o impostos pela ind&uacute;stria editorial impressa.<sup>[6]</sup> O impacto social das bibliotecas sempre decorreu das condi&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas que impunham escassez de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A ci&ecirc;ncia aberta prop&otilde;e uma revolu&ccedil;&atilde;o na forma de fazer ci&ecirc;ncia, e as bibliotecas t&ecirc;m contribu&iacute;do enormemente para a promo&ccedil;&atilde;o desta revolu&ccedil;&atilde;o."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste artigo &eacute; problematizar a medida em que a voca&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das bibliotecas se afirma, mas tamb&eacute;m se altera, resultando em a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da infraestrutura e da cultura da ci&ecirc;ncia aberta para acesso efetivamente p&uacute;blico ao conhecimento na Era Digital. Para tal, propomos que a transi&ccedil;&atilde;o para o paradigma da ci&ecirc;ncia aberta na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica avan&ccedil;a em duas rotas distintas: uma conservadora (pautada pela tradicional ind&uacute;stria editorial) e outra revolucion&aacute;ria (baseada em iniciativas colaborativas e descentralizadas). Ao fazermos isso, buscamos compreender o papel das bibliotecas no contexto das duas rotas, com &ecirc;nfases que variam segundo a voca&ccedil;&atilde;o mais conservadora ou revolucion&aacute;ria das pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ind&uacute;stria editorial, prest&iacute;gio e lucro </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Todo conhecimento cien&#173;t&iacute;&#173;fi&#173;co adquire valor pleno apenas quando tornado p&uacute;blico, ou seja, publicado. N&atilde;o se discute a import&acirc;ncia do segredo cient&iacute;fico ou de um saber individual n&atilde;o compartilhado. "Publicar ou perecer" &eacute; o famoso lema de dif&iacute;cil atribui&ccedil;&atilde;o de autoria.<sup>[7]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O percurso de institucio&#173;naliza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica transcorreu em uma longa trajet&oacute;ria, que come&ccedil;ou com o protagonismo de academias e sociedades cient&iacute;ficas e se aprofundou com o surgimento de uma robusta ind&uacute;stria editorial.<sup>[8]</sup> Em tempos anal&oacute;gicos, a editora&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es impressas demandavam infraestrutura e expertise onerosas. Esse cen&aacute;rio favoreceu o estabelecimento de um setor comercial privado, que se consolidou como uma atividade lucrativa e de elevado impacto econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico.<sup>[9]</sup> Esses custos eram majoritariamente financiados com recursos p&uacute;blicos, uma vez que o conhecimento &eacute; considerado um bem p&uacute;blico comum, embora as raz&otilde;es da lucratividade do setor permane&ccedil;am em aberto para discuss&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m de gerar capital cient&iacute;fico e econ&ocirc;mico, a ind&uacute;stria editorial cient&iacute;fica tamb&eacute;m desempenha um papel central na constru&ccedil;&atilde;o de capital simb&oacute;lico. Ao publicar um artigo em um peri&oacute;dico renomado ou um livro em uma editora prestigiada, o pesquisador alcan&ccedil;a visibilidade e reconhecimento na comunidade acad&ecirc;mica, mesmo que a compreens&atilde;o plena de sua contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja imediata ou ampla.<sup>[10]</sup> Essa din&acirc;mica de valida&ccedil;&atilde;o consolidou padr&otilde;es de excel&ecirc;ncia cient&iacute;fica frequentemente definidas pelas grandes editoras, moldando a percep&ccedil;&atilde;o de qualidade na produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica.<sup>[11]</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com os avan&ccedil;os das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, as t&eacute;cnicas eletr&ocirc;nicas de editora&ccedil;&atilde;o, publica&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o tiveram seus custos drasticamente reduzidos para os produtores da ind&uacute;stria editorial.<sup>[12]</sup> Contudo, esses benef&iacute;cios n&atilde;o se refletiram diretamente nos valores cobrados nas assinaturas.<sup>[13]</sup> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Reposit&oacute;rios digitais, editores de pa&iacute;ses emergentes e custos </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No in&iacute;cio dos anos 1990, antes mesmo das editoras comerciais desenvolverem seu modelo de neg&oacute;cio de publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica para peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos, a tecnologia j&aacute; estava sendo utilizada pelos pesquisadores para simplificar a troca de manuscritos n&atilde;o publicados (pr&eacute;-impress&otilde;es, <i>preprints</i>) no Arxiv, marco que identifica os prim&oacute;rdios da ci&ecirc;ncia aberta.<sup>[14]</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesta &eacute;poca, os reposit&oacute;rios digitais se desenvolveram como alternativa &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o pelo correio de c&oacute;pias impressas de originais n&atilde;o publicados, com benef&iacute;cios que ultrapassavam as vantagens de custo e tempo do servi&ccedil;o postal. Passaram a rivalizar com as pr&oacute;prias editoras comerciais. Isso acontecia porque al&eacute;m de publicar o manuscrito em acesso aberto, o reposit&oacute;rio j&aacute; integrava um sistema de publica&ccedil;&atilde;o de coment&aacute;rios e de controle de versionamento, permitindo a verifica&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de resultados com revis&atilde;o aberta por pares em um processo cont&iacute;nuo de qualifica&ccedil;&atilde;o do manuscrito. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos pa&iacute;ses de economias emergentes, a tecnologia de publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica passou tamb&eacute;m a ser utilizada pioneiramente para ampliar a capacidade de circula&ccedil;&atilde;o de seus peri&oacute;dicos.<sup>[15]</sup> Neste contexto, a publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nunca se constituiu como ind&uacute;stria. As publica&ccedil;&otilde;es recebiam financiamento p&uacute;blico, tinham baixo potencial de venda e alcan&ccedil;avam uma audi&ecirc;ncia restrita; dependiam, basicamente, de acordos de permuta de fasc&iacute;culos impressos estabelecidos em n&iacute;veis regionais. Em 1997, por exemplo, o Projeto SciELO foi um precursor no desenvolvimento de um modelo de publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica para ampliar a visibilidade dos peri&oacute;dicos brasileiros com uma estrutura criada para dar acesso aberto &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es com financiamento p&uacute;blico. Atualmente, o modelo &eacute; utilizado em 16 pa&iacute;ses.<sup>[16]</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas experi&ecirc;ncias de publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica fora dos dom&iacute;nios antes monopolizados pela ind&uacute;stria editorial ampliaram significativamente o debate sobre os elementos fundamentais da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Sociedades cient&iacute;ficas, academias, universidades, institutos de pesquisa e ag&ecirc;ncias de fomento passaram a se articular para estabelecer par&acirc;metros que priorizem a amplia&ccedil;&atilde;o do impacto p&uacute;blico da ci&ecirc;ncia, buscando maior independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos condicionamentos impostos pelos interesses comerciais do setor. Entre os documentos resultantes desta articula&ccedil;&atilde;o, destacam-se: a Declara&ccedil;&atilde;o de Budapeste, a Iniciativa de Acesso Aberto de Berlim, a Declara&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco sobre Avalia&ccedil;&atilde;o da Pesquisa, os mandatos das ag&ecirc;ncias de fomento e o Plano S.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A contribui&ccedil;&atilde;o das bibliotecas em duas rotas para a ci&ecirc;ncia aberta </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando esses aspectos anteriormente mencionados, pode-se dizer que a contribui&ccedil;&atilde;o das bibliotecas para a consolida&ccedil;&atilde;o do paradigma da ci&ecirc;ncia aberta na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica avan&ccedil;a em duas rotas distintas: uma conservadora, pautada pela tradicional ind&uacute;stria editorial, e outra revolucion&aacute;ria, baseada em iniciativas colaborativas e descentralizadas. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">c) Na rota conservadora, as bibliotecas colaboram diretamente com a ind&uacute;stria editorial tradicional, promovendo a transi&ccedil;&atilde;o para modelos de acesso aberto, mas preservando a centralidade das revistas cient&iacute;ficas como mediadoras do conhecimento (<a href="#fig02">Figura 2</a>). Sua atua&ccedil;&atilde;o ocorre: </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">d) Na gest&atilde;o de recursos financeiros e administra&ccedil;&atilde;o de contratos para pagamento de taxas de processamento de artigos (APCs &#150; Article Processing Charges), envolvendo a cobran&ccedil;a de autores para disponibiliza&ccedil;&atilde;o em acesso aberto para leitores nos sites das editoras;<sup>[17]</sup></font></p>       <p><font size="2" face="verdana">e) Na negocia&ccedil;&atilde;o de acordos transformativos com editoras para incluir as APCs nos custos de assinatura, permitindo acesso aberto imediato nos sites das editoras para publica&ccedil;&otilde;es de determinados autores, dependendo de sua afilia&ccedil;&atilde;o institucional;<sup>[18]</sup></font></p>       <p><font size="2" face="verdana">f) Na organiza&ccedil;&atilde;o de cons&oacute;rcios institucionais para contrata&ccedil;&otilde;es de APCs e acordos transformativos com ganhos de escala;</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">g) No desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o de reposit&oacute;rios institucionais para arquivamento de artigos publicados em revistas comerciais com permiss&atilde;o de acesso aberto<sup>[19]</sup> (conhecida como via verde: acesso fechado para n&atilde;o assinantes no site do editor, mas aberto para o p&uacute;blico em reposit&oacute;rios); </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">h) Na divulga&ccedil;&atilde;o dos contratos firmados para financiamento das taxas de processamento de artigos, dos acordos transformativos e pol&iacute;ticas de arquivamento dos editores em reposit&oacute;rios digitais.</font></p> </blockquote>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a03fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Exemplos de contribui&ccedil;&otilde;es fundamentais, mas que quase n&atilde;o alteram a din&acirc;mica de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico realizada de forma centralizada nos agentes tradicionais da ind&uacute;stria editorial.<sup>[20]</sup> Contudo, a pergunta que fica &eacute;: para al&eacute;m dos custos, que seguem muito altos, existiria outra necessidade que motivaria a altera&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica? Afinal, usufru&iacute;mos de toda sorte de avan&ccedil;os propiciados pelo desenvolvimento de conhecimentos cient&iacute;ficos importantes em nosso cotidiano. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para respondermos adequadamente a essa pergunta, precisamos inseri-la em um contexto social mais amplo. As bibliotecas s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es milenares comprometidas com o acesso p&uacute;blico ao conhecimento como recurso de avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, mas, sobretudo, com a promo&ccedil;&atilde;o da cidadania. Uma miss&atilde;o centrada na rela&ccedil;&atilde;o entre sociedade e conhecimento que vive uma aterradora crise, brilhantemente sintetizada por Edgar Morin:<sup>[21]</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><i>Adquirimos conhecimentos espantosos sobre o mundo f&iacute;sico, biol&oacute;gico, psicol&oacute;gico, sociol&oacute;gico. A ci&ecirc;ncia imp&otilde;e cada vez mais os m&eacute;todos de verifica&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica e l&oacute;gica. As luzes da Raz&atilde;o parecem rejeitar nos antros do esp&iacute;rito mitos e trevas. E, no entanto, por toda a parte, o erro, a ignor&acirc;ncia, a cegueira, progridem ao mesmo tempo que os nossos conhecimentos. </i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Exagero? N&atilde;o. O movimento antivacina &eacute; um dos tantos exemplos bem pr&oacute;ximos de n&oacute;s sobre a rela&ccedil;&atilde;o "desenvolvimento cient&iacute;fico e a ignor&acirc;ncia". Uma evid&ecirc;ncia que contraria as expectativas de que o desenvolvimento cient&iacute;fico seria sin&ocirc;nimo de avan&ccedil;o civilizat&oacute;rio ao promover o ressurgimento de s&eacute;rias doen&ccedil;as que haviam sido erradicadas.<sup>[22]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o central para as bibliotecas que contribuem para a ci&ecirc;ncia aberta buscando seu desenvolvimento por uma rota revolucion&aacute;ria, empreendendo a&ccedil;&otilde;es para a infraestrutura, mas, sobretudo para a cultura que visa a efici&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, mas tamb&eacute;m sua democratiza&ccedil;&atilde;o e acessibilidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Assim, respondendo &agrave; pergunta anterior: sim, a mudan&ccedil;a do sistema tradicional da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; necess&aacute;ria. Al&eacute;m da excel&ecirc;ncia acad&ecirc;mica, a democratiza&ccedil;&atilde;o e a acessibilidade ao conhecimento tamb&eacute;m precisam ser inseridas como um de seus problemas centrais. Evid&ecirc;ncia desta necessidade &eacute; a not&oacute;ria vulnerabilidade das popula&ccedil;&otilde;es aos processos de desinforma&ccedil;&atilde;o empreendidos com a lucrativa ind&uacute;stria de not&iacute;cias falsas disseminadas nas redes sociais.<sup>[23]</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesta amplia&ccedil;&atilde;o de escopo, o n&uacute;mero de artigos publicados por um pesquisador e o fator de impacto das revistas que o publicaram s&atilde;o respostas que deixam de ser suficientes para a compreens&atilde;o da relev&acirc;ncia da contribui&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Nesta perspectiva, as bibliotecas atuam para desenvolver produtos e servi&ccedil;os que sensibilizam e d&atilde;o suporte &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es e suas comunidades sobre a necessidade de que os produtos e os di&aacute;logos estabelecidos em torno do conhecimento cient&iacute;fico precisam ser mais diversificados e amplos (<a href="#fig03">Figura 3</a>):<sup>[4]</sup> </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">a) Produtos: al&eacute;m das an&aacute;lises publicadas em artigos e livros, deve incluir <i>preprints</i>, dados, recursos educacionais, protocolos de pesquisa e c&oacute;digos abertos, por exemplo. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">b) Impactos: al&eacute;m da cita&ccedil;&atilde;o na literatura cient&iacute;fica, &eacute; necess&aacute;rio a descoberta, o acesso, a interoperabilidade e a reutiliza&ccedil;&atilde;o (sigla FAIR em ingl&ecirc;s) destes produtos por comunidades locais, acad&ecirc;micos marginalizados, povos ind&iacute;genas, promovendo o desenvolvimento nos setores produtivo, educacional e cultural (n&atilde;o somente cient&iacute;fico).<sup>[24]</sup></font></p> </blockquote>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a03fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura sobre o tema,<sup>[1]</sup> as contribui&ccedil;&otilde;es das bibliotecas para a consolida&ccedil;&atilde;o do paradigma da ci&ecirc;ncia aberta podem ser classificadas da seguinte maneira:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">a) Provedoras de servi&ccedil;os de ci&ecirc;ncia aberta com a&ccedil;&otilde;es de: </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">i) Constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de reposit&oacute;rios institucionais de acesso aberto para fornecer servi&ccedil;os de autoarquivamento; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">ii) Fornecimento de suporte informacional sobre recursos de acesso aberto; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iii) Suporte para tornar os dados FAIR e desenvolver cole&ccedil;&otilde;es de conjuntos de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iv) Digitaliza&ccedil;&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e disponibiliza&ccedil;&atilde;o em acesso aberto; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">v) Recomenda&ccedil;&atilde;o e/ou fornecimento de op&ccedil;&atilde;o de armazenamento de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">vi) Assist&ecirc;ncia no desenvolvimento de planos de gest&atilde;o de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">vii) Assist&ecirc;ncia na atribui&ccedil;&atilde;o de metadados a conjuntos de dados ou na cria&ccedil;&atilde;o de metadados para dados ou conjuntos de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">viii) Oferecimento de suporte para a busca de fontes de dados externas; </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">ix) Recomenda&ccedil;&atilde;o de ferramentas e recursos para gest&atilde;o de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">x) Presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de an&aacute;lise e visualiza&ccedil;&atilde;o de dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">xi) Avalia&ccedil;&atilde;o, coleta, preserva&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o do acesso a recursos; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">xii) Curadoria e cria&ccedil;&atilde;o de recursos educacionais abertos. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">b) Defensoras da ci&ecirc;ncia aberta como a&ccedil;&otilde;es de: </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">i) Educa&ccedil;&atilde;o para a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o acesso aberto entre os pesquisadores e promover sua participa&ccedil;&atilde;o; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">ii) Oferecimento de treinamento em gest&atilde;o de dados de pesquisa ou instru&ccedil;&otilde;es sobre literacia em dados; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iii) Treinamento para aprimorar habilidades de busca digital, reaproveitamento de recursos e conscientiza&ccedil;&atilde;o e entendimento sobre licen&ccedil;as abertas; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iv) Desenvolvimento de habilidades para participar de projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;; </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">v) Marketing para criar uma atitude positiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia cidad&atilde;; </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">vi) Divulga&ccedil;&atilde;o de novas descobertas e apoio &agrave;s comunica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, acad&ecirc;micas e populares. </font></p>       <p><font size="2" face="verdana">c) Elaboradoras de pol&iacute;ticas de ci&ecirc;ncia aberta com a&ccedil;&otilde;es de:</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">i) Participa&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento de pol&iacute;ticas de acesso aberto;</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">ii) Participa&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento de pol&iacute;ticas de gest&atilde;o de dados de pesquisa;</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iii) Contribui&ccedil;&atilde;o com as pol&iacute;ticas institucionais sobre a ado&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de recursos educacionais abertos;</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">iv) Ado&ccedil;&atilde;o de ferramentas para desenvolvimento de projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;.</font></p>       <p><font size="2" face="verdana">d) Editoras e produtoras de conhecimento com a&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de peri&oacute;dicos e livros de acesso aberto: iniciativa particularmente importante nos pa&iacute;ses de economias emergentes que, ao publicarem seus pr&oacute;prios peri&oacute;dicos de forma independente da ind&uacute;stria editorial, promovem o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias entre os pesquisadores (para comunicar resultados de pesquisa) e os editores (para desenvolver pol&iacute;ticas editoriais adequadas aos desafios da contribui&ccedil;&atilde;o fora do circuito da corrente principal da ci&ecirc;ncia).<sup>[25]</sup></font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Pr&oacute; ou contra as bibliotecas na ci&ecirc;ncia aberta </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para finalizar este artigo, fazemos uma provoca&ccedil;&atilde;o inspirada no ensaio de Elsa Morante "Pr&oacute; ou contra a bomba at&ocirc;mica" no qual a autora sentenciou: "a humanidade contempor&acirc;nea experimenta a tenta&ccedil;&atilde;o oculta de se desintegrar".<sup>[26]</sup> Se o "ou" para Morante soa como um disparate relacionado ao "pr&oacute; bomba-at&ocirc;mica", o "contra as bibliotecas na ci&ecirc;ncia aberta" &eacute; utilizado aqui para causar igual efeito: revelar uma tenta&ccedil;&atilde;o oculta das bibliotecas brasileiras para se desintegrar. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Isso ocorre porque algumas institui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m atuado intensamente para promover o acesso aberto no Brasil pelo desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o de reposit&oacute;rios institucionais com uma centraliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de metadados nas bibliotecas. Sua pol&iacute;tica restringe o autoarquivamento pelas pr&oacute;prias comunidades; ao faz&ecirc;-lo, acabam, inadvertidamente, limitando o potencial da Ci&ecirc;ncia Aberta. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ess&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia aberta &eacute; a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a colabora&ccedil;&atilde;o. A centraliza&ccedil;&atilde;o nas bibliotecas &eacute; t&atilde;o restritiva quanto o modelo tradicional estabelecido pela ind&uacute;stria editorial. A colabora&ccedil;&atilde;o entre bibliotecas e pesquisadores &eacute;, por sua vez, indispens&aacute;vel: a&ccedil;&otilde;es de treinamento, dissemina&ccedil;&atilde;o e curadoria realizadas pelos "bibliotec&aacute;rios de dados" s&atilde;o uma parte central da din&acirc;mica da ci&ecirc;ncia aberta; atua&ccedil;&atilde;o profissional cuja principal atribui&ccedil;&atilde;o &eacute; contribuir para a descoberta, o acesso, a interoperabilidade e a reutiliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento produzido por sua comunidade de atua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Manifestamos, por fim, nossa convic&ccedil;&atilde;o sobre a import&acirc;ncia da contribui&ccedil;&atilde;o das bibliotecas para a ci&ecirc;ncia aberta em um processo de ressignifica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de seu papel social pautado, antes, na escassez, agora, na super circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es. Fun&ccedil;&atilde;o que se realiza com pr&aacute;ticas alinhadas &agrave; filosofia de capacitar e integrar pesquisadores, em vez de centralizar processos de maneira restritiva; pr&aacute;ticas essas comprometidas com o acesso p&uacute;blico ao conhecimento como recurso de avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, mas, sobretudo, com a promo&ccedil;&atilde;o da cidadania.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] LIU, L.; LIU, W. The engagement of academic libraries in open science: A systematic review. The Journal of Academic Librarianship, v. 49, n. 3, p. 102711, maio 2023.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] RIBEIRO, N. C.; OLIVEIRA, D. A.; DINIZ, J. A. C. Bibliotec&aacute;rios e os desafios da Ci&ecirc;ncia Aberta: habilidades, recursos e servi&ccedil;os. Revista Eletr&ocirc;nica de Comunica&ccedil;&atilde;o, Informa&ccedil;&atilde;o &amp; Inova&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de, v. 18, n. 1, p. 208&#45;221, 2 fev. 2024.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] ALBAGLI, S.; CLINIO, A.; RAYCHTOCK, S. Ci&ecirc;ncia Aberta: correntes interpretativas e tipos de a&ccedil;&atilde;o. Liinc em Revista, 2014.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] UNESCO. Recomenda&ccedil;&atilde;o da UNESCO sobre Ci&ecirc;ncia Aberta. Paris: UNESCO, 2021. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949_por" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949_por</a>&gt;. Acesso em: 7 jan. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] UNESCO. Guia pr&aacute;tico da Unesco para a ci&ecirc;ncia aberta. Paris: UNESCO, 2024. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000383323_por/PDF/383323por.pdf.multi" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000383323_por/PDF/383323por.pdf.multi</a>&gt;. Acesso em: 13 jan. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[6] VALLEJO, I. O infinito em um junco: a inven&ccedil;&atilde;o dos livros no mundo antigo. Rio de Janeiro: Intr&iacute;nseca, 2022.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[7] MOSKOVKIN, V. M. Origin and evolution of the "publish or perish" phenomenon. Leiden Madtrics, 2024. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.leidenmadtrics.nl/articles/origin-and-evolution-of-the-publish-or-perish-phenomenon" target="_blank">https://www.leidenmadtrics.nl/articles/origin-and-evolution-of-the-publish-or-perish-phenomenon</a>&gt;. Acesso em: 8 jan. 2025 </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[8] MEADOWS, A. J. A comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Bras&iacute;lia: Briquet de Lemos, 1999.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[9] BURANYI, S. Is the staggeringly profitable business of scientific publishing bad for science? The Guardian, 27 jun. 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[10] BOURDIEU, P. Homo academicus. Buenos Aires: Siglo XXI, 2008.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[11] WATERS, L. Inimigos da esperan&ccedil;a: publicar, perecer e o eclipse da erudi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2006.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[12] THOMPSON, J. B. As guerras do livro: A revolu&ccedil;&atilde;o digital no mundo editorial. S&atilde;o Paulo: Unesp, 2021.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[13] LARIVI&Egrave;RE, V.; HAUSTEIN, S.; MONGEON, P. The Oligopoly of Academic Publishers in the Digital Era. PLOS ONE, v. 10, n. 6, p. e0127502, 10 jun. 2015.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[14] GINSPARG, P. ArXiv at 20. Nature, v. 476, n. 7359, p. 145&#45;147, ago. 2011.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[15] PACKER, A. L. <i>et al</i>. SciELO: uma metodologia para publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica. Ci&ecirc;ncia da Informa&ccedil;&atilde;o, v. 27, p. 109&#45;121, 1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[16] SCIELO. Programa SciELO, Modelo SciELO de Publica&ccedil;&atilde;o e Rede SciELO. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.scielo.org/pt/sobre-o-scielo/programa-scielo-modelo-scielo-de-publicacao-e-rede-scielo/" target="_blank">https://www.scielo.org/pt/sobre-o-scielo/programa-scielo-modelo-scielo-de-publicacao-e-rede-scielo/</a>&gt;. Acesso em: 14 jan. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[17] PAVAN, C.; BARBOSA, M. C. Article processing charge (APC) for publishing open access articles: the Brazilian scenario. Scientometrics, v. 117, n. 2, p. 805&#45;823, nov. 2018.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[18] SCHLAK, T.; MACKLIN, A. S. A Transformative Agreement Community of Practice: Collaboratively-Produced Insights into the Current Open Access Environment. New Review of Academic Librarianship, p. 1&#45;29, 29 jul. 2024.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[19] JISC. Open policy finder. , 2025. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://openpolicyfinder.jisc.ac.uk/" target="_blank">https://openpolicyfinder.jisc.ac.uk/</a>&gt;. Acesso em: 15 jan. 2025 </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[20] SILER, K.; LEE, K.; BERO, L. Measuring the effectiveness of scientific gatekeeping. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 112, n. 2, p. 360&#45;365, 13 jan. 2015.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[21] MORIN, E. Introdu&ccedil;&atilde;o ao Pensamento Complexo. 5. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2008.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[22] SARAIVA, L.; FARIA, J. D. A Ci&ecirc;ncia e a M&iacute;dia: A propaga&ccedil;&atilde;o de Fake News e sua rela&ccedil;&atilde;o com o movimento anti-vacina no Brasil. Anais... Em: CONGRESSO BRASILEIRO DE CI&Ecirc;NCIAS DA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. Belem: Intercom, 2019. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/6407219/mod_folder/content/0/movimento%20antivacina%20e%20fakenews.pdf" target="_blank">https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/6407219/mod_folder/content/0/movimento%20antivacina%20e%20fakenews.pdf</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2024 </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[23] FISHER, M. A m&aacute;quina do caos: Como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. S&atilde;o Paulo: Todavia, 2023.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[24] UMBACH, G. Open Science and the impact of Open Access, Open Data, and FAIR publishing principles on data-driven academic research: Towards ever more transparent, accessible, and reproducible academic output? Statistical Journal of the IAOS, v. 40, n. 1, p. 59&#45;70, 15 mar. 2024.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[25] MENEGHINI, R. Emerging journals. The benefits of and challenges for publishing scientific journals in and by emerging countries. EMBO reports, v. 13, n. 2, p. 106&#45;8, fev. 2012.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[26] MORANTE, E. Pr&oacute; ou contra a bomba at&ocirc;mica. 2. ed. Belo Horizonte: &Acirc;yin&eacute;, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[27] UNIVERSIDADE DE S&Atilde;O PAULO. AG&Ecirc;NCIA ABCD. Acordos transformativos Archives. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.acessoaberto.usp.br/tag/acordos-transformativos/" target="_blank">https://www.acessoaberto.usp.br/tag/acordos-transformativos/</a>&gt;. Acesso em: 15 jan. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[28] UNIVERSIDADE DE CAMPINAS. SISTEMA DE BIBLIOTECAS. Acesso Aberto &#45; Acordos Transformativos. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.sbu.unicamp.br/sbu/acessoaberto-acordostransformativos/" target="_blank">https://www.sbu.unicamp.br/sbu/acessoaberto-acordostransformativos/</a>&gt;. Acesso em: 15 jan. 2025.    </font></p>      ]]></body><back>
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