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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dados abertos de pesquisa no Brasil: Diagnóstico e perspectivas futuras]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dados Abertos de Pesquisa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250005</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Dados abertos de pesquisa no Brasil: Diagn&oacute;stico e perspectivas futuras</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Thiago Lima Nicodemo<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Diretor do Arquivo P&uacute;blico do Estado de S&atilde;o Paulo, professor do Departamento de Hist&oacute;ria da UNICAMP e diretor do Centro de Humanidades Digitais do IFCH-UNICAMP</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dados abertos de pesquisa s&atilde;o materiais digitais (dados brutos e metadados) gerados durante investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, publicados em reposit&oacute;rios com v&aacute;rios tipos de tecnologia, como o Dataverse. Esses dados devem seguir crit&eacute;rios claros de coleta e ser estruturados para garantir o reuso, alinhando-se aos princ&iacute;pios sustent&aacute;veis de reuso, disponibilidade e acessibilidade. No mundo inteiro, a ci&ecirc;ncia aberta est&aacute; sendo impulsionada por universidades, institutos de pesquisa, ag&ecirc;ncias de fomento e mesmo &oacute;rg&atilde;os multinacionais (como a UNESCO). No Brasil, sua ado&ccedil;&atilde;o est&aacute; crescendo, com reposit&oacute;rios criados em universidades e institutos de pesquisa, e pol&iacute;ticas praticadas por algumas ag&ecirc;ncias de fomento. Contudo, os desafios persistem: resist&ecirc;ncia cultural de pesquisadores (prioriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de artigos como produtos), dilemas &eacute;ticos (prote&ccedil;&atilde;o de dados sens&iacute;veis) e infraestrutura prec&aacute;ria. A publica&ccedil;&atilde;o de dados exige distin&ccedil;&atilde;o entre objetos de estudo (ex.: v&iacute;deos de entrevistas) e dados cient&iacute;ficos (crit&eacute;rios metodol&oacute;gicos e metadados). Reposit&oacute;rios como o REDU, da Unicamp, ilustram pol&iacute;ticas institucionais emergentes que obrigam o dep&oacute;sito de dados ao final de projetos. Para avan&ccedil;ar, prop&otilde;em-se pol&iacute;ticas sist&ecirc;micas: planos de gest&atilde;o de dados articulados com padr&otilde;es internacionais (ex.: RDA, FAIRsharing), infraestrutura nacional soberana (evitando depend&ecirc;ncia de plataformas estrangeiras) e integra&ccedil;&atilde;o entre universidades e ag&ecirc;ncias de fomento. Enquanto pa&iacute;ses como os membros da UE investem em pol&iacute;ticas sist&ecirc;micas (ex.: European Open Science Cloud), o Brasil carece de uma estrat&eacute;gia nacional. Nesse sentido, a soberania de dados &eacute; crucial, especialmente com a ascens&atilde;o da IA, que depende de volume de dados de qualidade e de bases interoper&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> Dados Abertos de Pesquisa; Ci&ecirc;ncia Aberta; Reposit&oacute;rios Institucionais; Soberania de Dados; Pol&iacute;ticas de Gest&atilde;o de Dados; Humanidades Digitais</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Uma quest&atilde;o de m&eacute;todo: o que s&atilde;o dados abertos de pesquisa? </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados abertos de pesquisa s&atilde;o dados brutos, metadados, dados digitais resultantes de an&aacute;lises cruzadas e outros materiais digitais gerados ou coletados durante atividades de pesquisa cient&iacute;fica. Com o avan&ccedil;o dos reposit&oacute;rios e marcos regulat&oacute;rios da ci&ecirc;ncia aberta no mundo, especialmente ao longo da d&eacute;cada de 2010, tais como o Harvard Dataverse Repository (2011 e oferecido em c&oacute;digo aberto em 2013), Zenodo (2013), Figshare (2011), Dryad (2008) e EUDAT (2011, infraestrutura europeia para dados de pesquisa multidisciplinares), foi-se convencionando que dados abertos devem ser, sobretudo, os crit&eacute;rios de uma determinada coleta de dados cient&iacute;ficos e as informa&ccedil;&otilde;es estruturadas reunidas por meio desses crit&eacute;rios. Estabeleceu-se tamb&eacute;m que esses dados devem ser publicados em reposit&oacute;rios adequados para esse fim, tais como aqueles que operam com a tecnologia do Dataverse.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Inicialmente, os interessados em publicizar os seus dados de pesquisa devem estar cientes do que &eacute; compartilh&aacute;vel. Os dados de pesquisa n&atilde;o s&atilde;o novidades emergentes do mundo digital. Possuem suas bases nas pr&oacute;prias metodologias cient&iacute;ficas de distintas &aacute;reas. O mundo digital multiplica a produ&ccedil;&atilde;o dos dados de pesquisa e acelera a necessidade de compartilhar informa&ccedil;&otilde;es em rede. Contudo, os dados de pesquisa t&ecirc;m sua origem nas bases de dados do mundo ainda anal&oacute;gico, quando os cientistas das mais diversas &aacute;reas produziam "fich&aacute;rios", escrevendo categorias gerais em cart&otilde;es regulares e no corpo desses objetos. Nesse caso, os dados que estruturam a coleta eram o que hoje chamamos de "metadados de pesquisa" e as informa&ccedil;&otilde;es anotadas eram os dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa afirma&ccedil;&atilde;o t&atilde;o elementar pode n&atilde;o ser t&atilde;o &oacute;bvia no olhar ainda estranho dos pesquisadores quando lhes &eacute; oferecida a possibilidade de publicar seus dados. Se a coleta &eacute; feita por meio de entrevistas gravadas, por exemplo, o v&iacute;deo ou &aacute;udio pode ser considerado como dado ou mesmo metadado, dependendo da estrat&eacute;gia do pesquisador ou grupo de pesquisa &#45; por exemplo, se houver restri&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, o v&iacute;deo precisa ser editado ou mesmo guardado, mas n&atilde;o publicado. J&aacute; em outros casos, o v&iacute;deo da entrevista pode ser divulgado na &iacute;ntegra, como arquivo de dados, por exemplo, quando h&aacute; concord&acirc;ncia dos entrevistados e conv&eacute;m como estrat&eacute;gia de dados abertos para aquela determinada pesquisa. Se a an&aacute;lise da pesquisa &eacute; feita a partir de prontu&aacute;rios m&eacute;dicos, tampouco s&atilde;o esses objetos que devem ser inscritos, mesmo que sejam anonimizados e que haja concord&acirc;ncia dos interessados. Os prontu&aacute;rios podem entrar no reposit&oacute;rio se for o caso, com tratamento adequado de anonimiza&ccedil;&atilde;o dos dados. Mas o imprescind&iacute;vel &eacute; a coleta a partir desses dados, ou seja, o conjunto de informa&ccedil;&otilde;es que foram produzidas a partir da pesquisa. A mesma l&oacute;gica se aplica para um(a) historiador(a) que digitaliza documentos de arquivo ou livros para depois analis&aacute;-los, a digitaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o principal objeto a ser inclu&iacute;do numa base de dados aberta &#45; mas sim as informa&ccedil;&otilde;es coletadas (e os crit&eacute;rios dessa coleta) a partir da pesquisa com a massa de documentos digitalizados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Resumindo, o que deve estar nos reposit&oacute;rios n&atilde;o s&atilde;o as coisas, pessoas ou objetos pesquisados, mas o produto da coleta cient&iacute;fica e os crit&eacute;rios pelos quais foi realizada. Justamente por isso a resposta sempre depende da estrat&eacute;gia dessa determinada pesquisa. O mesmo racioc&iacute;nio deve ser aplicado para a an&aacute;lise desses resultados, que pouco interessa para um reposit&oacute;rio de dados abertos &#45; mas a metodologia de an&aacute;lise pode interessar, para permitir auditoria e reprodutibilidade da pesquisa. Afinal, devemos deixar que nossos colegas de hoje e do futuro consigam alcan&ccedil;ar resultados semelhantes com o mesmo material, estimulando a verificabilidade da ci&ecirc;ncia,<sup>[<a name="txa"></a><a href="#nta">a</a>]</sup> assim como devemos resguardar a possibilidade de que melhores ou outros resultados apare&ccedil;am.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O que dificulta o compromisso da comunidade cient&iacute;fica com os dados abertos come&ccedil;a, portanto, pela precariedade da forma&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. Com pouca consci&ecirc;ncia metodol&oacute;gica, pesquisadores sempre ter&atilde;o dificuldade em dar sustentabilidade &agrave;s suas coletas. Os dados abertos come&ccedil;am, portanto, com a clareza de: quais dados s&atilde;o coletados? Como os dados s&atilde;o coletados (quais s&atilde;o os crit&eacute;rios da coleta)? E a partir de quais materiais brutos esses dados s&atilde;o coletados? A tend&ecirc;ncia para armazenar no reposit&oacute;rio &eacute; privilegiarmos os dois primeiros casos. Em outras situa&ccedil;&otilde;es, o &uacute;ltimo caso, o dos dados brutos a partir dos quais a coleta ocorreu, podem entrar no reposit&oacute;rio, seja por necessidade de preserva&ccedil;&atilde;o, seja de registro, ou de garantia de reprodutibilidade, dentre outras circunst&acirc;ncias poss&iacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Qu&atilde;o p&uacute;blicos s&atilde;o os dados de pesquisa? </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A hist&oacute;ria do conhecimento aberto &eacute; mediada por marcos regulat&oacute;rios, declara&ccedil;&otilde;es e conven&ccedil;&otilde;es como a <i>Budapest Open Access Initiative</i>, de 2002, a <i>Berlin Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities</i>, de 2003,<sup>[a]</sup> a <i>Recommendation on Open Science</i> da UNESCO, de 2021 e a <i>OECD &#45; Enhanced Access to Publicly Funded Data for Science, Technology and Innovation</i>, de 2023.<sup>[<a name="txb"></a><a href="#ntb">b</a>]</sup> Esses documentos sob diversos aspectos encorajam os pesquisadores a compartilharem seus dados. A principal diretriz para considerarmos os dados de uma pesquisa p&uacute;blica &eacute; certamente o investimento de dinheiro p&uacute;blico em tal pesquisa. Parece &oacute;bvio pensar assim, mesmo porque esse &eacute; um princ&iacute;pio que ultrapassa as fronteiras da ci&ecirc;ncia. Pertence aos princ&iacute;pios p&uacute;blicos da transpar&ecirc;ncia, que se manifesta, pelo menos no caso brasileiro, em leis como a Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o de 2011, que diz no seu artigo 8&ordm;, que s&atilde;o p&uacute;blicas as informa&ccedil;&otilde;es produzidas ou custodiadas por entidades p&uacute;blicas, ou por entidades privadas que recebam recursos p&uacute;blicos para realiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A ci&ecirc;ncia aberta &eacute; uma realidade sem volta, uma condi&ccedil;&atilde;o para que a nossa ci&ecirc;ncia ganhe maior maturidade, amplitude e escala."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pensando no caso brasileiro, qualquer dado de pesquisa financiado por institui&ccedil;&otilde;es de fomento, tais como a CAPES, o CNPq, a FAPESP, ou at&eacute; mesmo sem financiamento direto, mas dependentes da infraestrutura e recursos de qualquer universidade p&uacute;blica, s&atilde;o p&uacute;blicos e t&ecirc;m compromisso com a transpar&ecirc;ncia. Ag&ecirc;ncias de fomento &agrave; pesquisa e universidades p&uacute;blicas devem cobrar que os pesquisadores publiquem os dados das suas pesquisas, por princ&iacute;pio. Isso j&aacute; ocorre em alguns casos, como no REDU da UNICAMP. O dep&oacute;sito de dados no reposit&oacute;rio &eacute; obrigat&oacute;rio pelo menos para aqueles que concluem uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, a menos de restri&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas ou legais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Seguindo a l&oacute;gica presente na Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o, qualquer tipo de sigilo ou restri&ccedil;&atilde;o, quando se trata de informa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, deve ser a exce&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o a regra. Contudo, em quais casos os dados devem ter acesso restrito ou sigilo quando se trata de conhecimento aberto? Em primeiro lugar, dados pessoais sens&iacute;veis s&atilde;o mais suscet&iacute;veis a vetos ou restri&ccedil;&otilde;es de acesso. Dados sens&iacute;veis s&atilde;o aqueles que podem revelar aspectos &iacute;ntimos de um indiv&iacute;duo, cujo uso inadequado ou n&atilde;o autorizado pode resultar em discrimina&ccedil;&atilde;o, ou danos ao titular. Bons exemplos s&atilde;o os dados referentes &agrave; sa&uacute;de ou &agrave; vida sexual, bem como dados gen&eacute;ticos ou biom&eacute;dicos. Isso n&atilde;o impede que os dados sejam organizados e compartilhados, mas &eacute; importante neste caso que estejam "tratados", sem qualquer tipo de identifica&ccedil;&atilde;o, e que a coleta tenha sido feita consoante a um termo de consentimento. Ent&atilde;o nem todo dado pessoal precisa ser restrito, o que &eacute; necess&aacute;rio &eacute; se cumprir esses par&acirc;metros legais e &eacute;ticos. A pesquisa com seres vivos, ali&aacute;s, imp&otilde;e uma necessidade de articula&ccedil;&atilde;o importante entre os dados abertos e os protocolos elaborados pelos comit&ecirc;s de &eacute;tica em pesquisa. Os dados advindos de pesquisas com seres humanos publicados em reposit&oacute;rios abertos devem ter sido aprovados nos comit&ecirc;s de &eacute;tica em pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A prote&ccedil;&atilde;o de patentes e de propriedade intelectual e segredos comerciais tamb&eacute;m podem ser um elemento de restri&ccedil;&atilde;o. As d&uacute;vidas v&ecirc;m frequentemente de pesquisas que t&ecirc;m, pelo menos em parte, financiamento privado. Imaginem por exemplo a publiciza&ccedil;&atilde;o dos testes para libera&ccedil;&atilde;o de um medicamento patenteado ou de uma nova tecnologia. Qual seria o sentido em oferecer para a concorr&ecirc;ncia os dados que permitiram a evolu&ccedil;&atilde;o e o refinamento de um produto t&atilde;o custoso? A restri&ccedil;&atilde;o de acesso deve ser considerada pertinente neste caso. N&atilde;o podemos esquecer, no entanto, que essas restri&ccedil;&otilde;es foram levantadas no compartilhamento de dados de ensaios associados a COVID 19 &#45; o amplo compartilhamento entre todos os grupos de pesquisa, a&ccedil;&atilde;o pioneira na &eacute;poca, &eacute; reconhecido por todos como tendo permitido o desenvolvimento de vacinas em um tempo recorde. Houve restri&ccedil;&atilde;o ao acesso aberto, mas n&atilde;o de acesso irrestrito entre laborat&oacute;rios de pesquisa de vacinas. A mesma l&oacute;gica de prerrogativa de restri&ccedil;&atilde;o deve ser aplicada para dados relacionados com contenciosos jur&iacute;dicos, para evitar interfer&ecirc;ncias no andamento do processo ou outros tipos de processos decis&oacute;rios em andamento.<sup>[<a name="txc"></a><a href="#ntc">c</a>]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro caso importante de restri&ccedil;&atilde;o de acesso &eacute; uma poss&iacute;vel amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a da sociedade ou do Estado. Casos nos quais os dados possam comprometer atividades de intelig&ecirc;ncia ou de fiscaliza&ccedil;&atilde;o em andamento; ou dados de geolocaliza&ccedil;&atilde;o de m&oacute;veis, im&oacute;veis em a&ccedil;&atilde;o ou em campanha estrat&eacute;gica militar ou de pol&iacute;cia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>H&aacute;bitos acad&ecirc;micos de n&atilde;o-compartilhamento</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Existe muita resist&ecirc;ncia &agrave; cultura da ci&ecirc;ncia aberta e do compartilhamento de dados de pesquisa. Talvez a mais arraigada das oposi&ccedil;&otilde;es seja origin&aacute;ria da cultura autoral, focada na supervaloriza&ccedil;&atilde;o do artigo e do livro, estabelecidos como resultados mais importantes de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o. No fundo, paira na universidade uma cultura de privatiza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es produzidas e/ou coletadas com dinheiro p&uacute;blico das ag&ecirc;ncias de fomento e das universidades. Podemos considerar esse conjunto de atitudes como uma esp&eacute;cie de patrimonialismo, ou seja, de apropria&ccedil;&atilde;o para o espa&ccedil;o privado daquilo que &eacute; ou deveria ser p&uacute;blico. Isso tem tamb&eacute;m rela&ccedil;&atilde;o com uma atomiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o no mundo moderno, reproduzida na universidade: cada professor(a) cuida do seu laborat&oacute;rio como um feudo, cada aluno produz informa&ccedil;&otilde;es sem se preocupar com a sustentabilidade desses dados no futuro, somente focados em extrair conclus&otilde;es e publicar seu artigo ou tese. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O mundo digital acelera a n&iacute;veis sem precedentes a produ&ccedil;&atilde;o de dados, bem como sua circula&ccedil;&atilde;o. Isso imp&otilde;e em todos os campos uma mudan&ccedil;a para uma l&oacute;gica sist&ecirc;mica e integrada de produ&ccedil;&atilde;o. Para isso acontecer, tamb&eacute;m s&atilde;o necess&aacute;rios crit&eacute;rios em comum previamente estabelecidos. A digitaliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m permite a integra&ccedil;&atilde;o entre os dados compar&aacute;veis, levando a mudan&ccedil;as profundas na abrang&ecirc;ncia das pesquisas e na velocidade com que dados e conclus&otilde;es podem ser produzidos. No meu campo, o da hist&oacute;ria, a digitaliza&ccedil;&atilde;o de acervos documentais e bibliogr&aacute;ficos permitiu a cria&ccedil;&atilde;o de bases de dados transversais, que acumulam milh&otilde;es de documentos advindos de diferentes arquivos no mundo. Isso permite a expans&atilde;o dos estudos e o cruzamento desses dados. O texto, enquanto resultado de um processo de pesquisa, tende a ficar mais desatualizado e mais parcial na medida em que o tempo passa, para n&atilde;o falar das habilidades de produ&ccedil;&atilde;o textual e de cruzamento de dados dos modelos de linguagem de intelig&ecirc;ncia artificial, com profundas consequ&ecirc;ncias no fazer cient&iacute;fico. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Isso joga luz na pesquisa enquanto um processo. Estudei no meu doutorado o pensamento de S&eacute;rgio Buarque de Holanda. De forma exaustiva indexei os principais temas e autores debatidos nos seus artigos de jornal, demonstrando como alguns assuntos apareciam depois desenvolvidos nos seus livros. Para terminar o processo, fui &agrave; sua biblioteca e processei todos os livros aos quais ele fazia refer&ecirc;ncia, buscando por grifos e anota&ccedil;&otilde;es. Guardei essas informa&ccedil;&otilde;es em cadernos, fichamentos, marcadores dentro de livros (<i>post-its</i>) ou em imagens que fiz com uma c&acirc;mera digital. Enquanto pesquisava, meu principal objetivo era produzir o texto do doutorado, de modo que n&atilde;o me preocupei em nada com a sustentabilidade e o reuso dessas informa&ccedil;&otilde;es. Apenas me preocupei de que fossem verific&aacute;veis, por meio de refer&ecirc;ncias precisas, cita&ccedil;&otilde;es e notas de rodap&eacute;. Se tivesse desenvolvido uma base de dados, teria elaborado uma indexa&ccedil;&atilde;o do processo criativo daquele autor e com a tecnologias dispon&iacute;veis j&aacute; naquele momento poderia ter expandido esse cruzamento ao infinito, na reverbera&ccedil;&atilde;o daqueles temas em outras obras e textos. Isso ajudaria muito a entendermos, por exemplo, como certo autor ou certa ideia foram lidos, recebidos e entendidos na cultura brasileira do s&eacute;culo XX. Se tivesse estabelecido uma pol&iacute;tica de coleta de dados com outros colegas que estudavam outros autores, poder&iacute;amos ter chegado numa constela&ccedil;&atilde;o cruzada, o que geraria uma grande plataforma colaborativa. Infelizmente n&atilde;o foi o que ocorreu porque s&oacute; eu entendo dos dados de pesquisa que produzi, foi uma organiza&ccedil;&atilde;o muito pessoal, o que os tornam inacess&iacute;veis ou pouco &uacute;teis para qualquer colega no presente e no futuro. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Como deve ser uma pol&iacute;tica sist&ecirc;mica de dados abertos?</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Produzir dados melhores e com a consci&ecirc;ncia de que ser&atilde;o compartilhados n&atilde;o &eacute; uma tarefa exatamente f&aacute;cil, especialmente para quem est&aacute; come&ccedil;ando. Para um jovem pesquisador, saber o que &eacute; de comum interesse no seu campo mostra-se necess&aacute;rio no m&iacute;nimo a tutela de algu&eacute;m mais experiente. O que seria necess&aacute;rio saber? Requer-se um conhecimento muito grande da &aacute;rea cient&iacute;fica na qual se produz o conhecimento. O que &eacute; de comum interesse entre a maioria dos pesquisadores? O que j&aacute; foi comprovado em uma regi&atilde;o ou de um modo e agora deve ser do outro?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na maioria das vezes, s&atilde;o necess&aacute;rios padr&otilde;es de metadados ou pelo menos diretrizes, que podemos aqui considerar "pol&iacute;ticas", que sejam de prefer&ecirc;ncia coordenadas por agrupamentos ou associa&ccedil;&otilde;es de pesquisadores. No m&iacute;nimo, cada laborat&oacute;rio ou centro de pesquisa deve ter a sua e esta deve estar articulada em rede com outros laborat&oacute;rios dedicados a uma &aacute;rea espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio seguir padr&otilde;es propostos por cons&oacute;rcios de institui&ccedil;&otilde;es dedicadas ao assunto, tais como o grupo Research Data Alliance (RDA), da <i>Go Fair Initiative</i> e da <i>Faisharing.org </i>que procura oferecer cat&aacute;logo de padr&otilde;es de metadados para interoperabilidade e compartilhamento.<sup>[<a name="txd"></a><a href="#ntd">d</a>]</sup> Esta &uacute;ltima oferece um cat&aacute;logo de 1830 padr&otilde;es, 2292 banco de dados e 342 pol&iacute;ticas de compartilhamento de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Existem &aacute;reas cient&iacute;ficas mais consolidadas no que se refere as pr&aacute;ticas de compartilhamento, como, por exemplo, aquelas relacionadas a dados gen&eacute;ticos, como o GenBank.<sup>[<a name="txe"></a><a href="#nte">e</a>]</sup> O caso do mapeamento gen&ocirc;mico da COVID-19, realizado pelo NCBI Virus<sup>[<a name="txf"></a><a href="#ntf">f</a>]</sup> da National Library of Medicine e pelo GISAID &eacute; um bom exemplo.<sup>[<a name="txg"></a><a href="#ntg">g</a>]</sup> Gra&ccedil;as a aplica&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia artificial &agrave; coleta de dados abertos de mapeamentos de perfis gen&eacute;ticos e variantes dos v&iacute;rus foi poss&iacute;vel o desenvolvimento de uma gera&ccedil;&atilde;o de vacinas mais abrangente e polivalente. Os dados abertos s&atilde;o pr&aacute;ticas mais consolidadas em &aacute;reas como a astronomia e a f&iacute;sica, gra&ccedil;as ao Open Data Portal do CERN ou o Sloan Digital Sky Survey;<sup>[<a name="txh"></a><a href="#nth">h</a>]</sup> bem como na &aacute;rea de ci&ecirc;ncias clim&aacute;ticas (Coupled Model Intercompatison Promessa),<sup>[<a name="txi"></a><a href="#nti">i</a>]</sup> neuroci&ecirc;ncia (ConnectomeDB),<sup>[<a name="txj"></a><a href="#ntj">j</a>]</sup> biodiversidade (Global Biodiversity Information Facility &#45; GBIF),<sup>[<a name="txk"></a><a href="#ntk">k</a>]</sup> dentre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pol&iacute;tica de dados da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, &eacute; estruturada por uma Comiss&atilde;o de Gest&atilde;o de Dados de Pesquisa (CGDP),<sup>[<a name="txl"></a><a href="#ntl">l</a>]</sup> que tem representantes de todas as &aacute;reas do conhecimento e a incumb&ecirc;ncia de sustentar e promover a pol&iacute;tica institucional de dados abertos de pesquisa,<sup>[<a name="txm"></a><a href="#ntm">m</a>]</sup> observando as melhores pr&aacute;ticas em &acirc;mbito internacional e estimulando uma cultura de dados abertos e de compartilhamento sustent&aacute;vel na universidade. A CGDP &eacute; tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela gest&atilde;o do Reposit&oacute;rio de Dados de Pesquisa (REDU),<sup>[<a name="txn"></a><a href="#ntn">n</a>]</sup> instrumento oficial incumbido de armazenar conte&uacute;dos digitais na forma de software, dados brutos de pesquisa, grava&ccedil;&otilde;es de &aacute;udio e v&iacute;deo, question&aacute;rios, c&oacute;digos computacionais, fotografias e imagens, planilhas, entre outros. O REDU utiliza a infraestrutura Dataverse e &eacute; articulado com a rede de reposit&oacute;rios de dados de pesquisa do estado de S&atilde;o Paulo,<sup>[<a name="txo"></a><a href="#nto">o</a>]</sup> criada sob coordena&ccedil;&atilde;o da A Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), e que inclui os reposit&oacute;rios de natureza an&aacute;loga da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), da Universidade Federal do ABC (UFABC), e da Embrapa. Esta &uacute;ltima participa da rede desde sua concep&ccedil;&atilde;o (de 2017 a 2019), tendo em vista que o reposit&oacute;rio foi concebido e implementado pela Embrapa Agricultura Digital, sediada no estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A expans&atilde;o de uma pr&aacute;tica nesse sentido deveria obedecer a uma l&oacute;gica sist&ecirc;mica de modo que cada universidade ou instituto de pesquisa (ou at&eacute; mesmo unidades dentro deles) teria um &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica de dados abertos, inclusive pela sua difus&atilde;o e treinamento. Esse &oacute;rg&atilde;o deveria assessorar cada instituto ou unidade em elaborar uma pol&iacute;tica de dados abertos, que por sua vez serviria de matriz para que cada departamento e cada laborat&oacute;rio criado dentro do &oacute;rg&atilde;o tenha sua pol&iacute;tica de dados abertos. A pol&iacute;tica normalmente &eacute; um documento com diretrizes, que n&atilde;o se confunde com o plano de a&ccedil;&atilde;o ou com o conjunto de par&acirc;metros e metadados. Em muitos casos, as pol&iacute;ticas podem tamb&eacute;m incluir essas informa&ccedil;&otilde;es, mas o fundamental &eacute; que explicite uma dire&ccedil;&atilde;o: como os dados devem ser organizados e qual &eacute; o pressuposto para interoperabilidade, ou pelo menos, para aproxima&ccedil;&atilde;o dos dados de diferentes pesquisas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As ag&ecirc;ncias de fomento deveriam por sua vez obrigar a todos que recebem dinheiro p&uacute;blico a propor nas suas pesquisas um plano de gest&atilde;o de dados e ao final do projeto o dep&oacute;sito dos dados e metadados em um reposit&oacute;rio. Os planos de dados abertos deveriam estar em conson&acirc;ncia com as pol&iacute;ticas das comunidades acad&ecirc;micas e laborat&oacute;rios com os quais a pesquisa dialoga. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a05fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Um plano de gest&atilde;o de dados deve recapitular muitos dos temas tratados aqui: quais s&atilde;o as pol&iacute;ticas e padr&otilde;es de dados e metadados compartilh&aacute;veis produzidos pela comunidade com o qual a investiga&ccedil;&atilde;o dialoga; quais s&atilde;o os limites de publiciza&ccedil;&atilde;o dos dados, ou seja, quais dados n&atilde;o devem ser publicados; como os dados podem ser reutilizados por outros pesquisadores; qual &eacute; a estrat&eacute;gia de publiciza&ccedil;&atilde;o do que ser&aacute; produzido; quais s&atilde;o as inst&acirc;ncias que v&atilde;o supervisionar e validar o processo; e finalmente em qual infraestrutura os dados v&atilde;o ficar e qual &eacute; o grau de sustentabilidade dessa infraestrutura. A pouca consci&ecirc;ncia do processo deveria ser um elemento importante para avaliar se uma pesquisa pode ser aprovada ou n&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Soberania de dados - onde e como devem ficar com os dados?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Muitas pesquisas financiadas no Brasil publicam seus dados em portais internacionais, tais como o Harvard Dataverse Repository, o MIT Libraries Data Management, o Stanford Digital Repository, o Oxford University Research Archive, o Zenodo ou o FigShare, dentre outros. No entanto, &eacute; fundamental nos atentarmos ao fato de que o conhecimento tem uma dimens&atilde;o soberana e n&atilde;o podemos contribuir com o enfraquecimento das institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa brasileiras, ainda mais quando a pesquisa &eacute; financiada nacionalmente. Com o desenvolvimento de tecnologias e da pr&oacute;pria IA, ser&aacute; poss&iacute;vel cruzar muitos dados e obter resultados incr&iacute;veis. &Eacute; importante que o Brasil esteja em condi&ccedil;&otilde;es de participar dessa corrida. Tamb&eacute;m &eacute; importante ressaltar que a legisla&ccedil;&atilde;o, especialmente a Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados (Lei 13.709/2018), que imp&otilde;e restri&ccedil;&otilde;es rigorosas para o compartilhamento internacional de dados, cont&eacute;m ressalvas espec&iacute;ficas para dados de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Do ponto de vista da infraestrutura, a pergunta mais comum &eacute; sobre a legitimidade e a seguran&ccedil;a do armazenamento em nuvem. No entanto, antes da infraestrutura, &eacute; necess&aacute;rio ter governan&ccedil;a na organiza&ccedil;&atilde;o que custodia os dados, pois os dados abertos de pesquisa s&atilde;o somente uma parte dos dados fundamentais ligados &agrave;s atividades final&iacute;sticas da institui&ccedil;&atilde;o. &Eacute; essencial que os dados abertos estejam em um plano da organiza&ccedil;&atilde;o, da universidade, na maior parte dos casos, de gest&atilde;o e de infraestrutura, separando os dados final&iacute;sticos dos servi&ccedil;os, tais como servidores e provedores de e-mails, comunica&ccedil;&atilde;o corporativa, dentre outros. Isso para haver n&atilde;o somente backup e redund&acirc;ncia, mas preserva&ccedil;&atilde;o digital de fato. A nuvem &eacute; um problema falso, desde que este espa&ccedil;o esteja organizado com padr&otilde;es claros e maturidade institucional, al&eacute;m de, claro, de um plano de sa&iacute;da sustent&aacute;vel, quando se tratar de contratos. Os contratos s&atilde;o sempre finitos, mas &eacute; necess&aacute;rio que os dados sejam entregues ao final de forma sustent&aacute;vel, sem comprometimento da sua integridade e reprodutibilidade, garantindo a migra&ccedil;&atilde;o de plataformas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O nosso problema infraestrutural maior n&atilde;o est&aacute; na "subida" dos dados em reposit&oacute;rio de dados abertos, mas na forma com que os dados s&atilde;o produzidos e armazenados. Ao propor um grande projeto para uma ag&ecirc;ncia de fomento, n&atilde;o se cogita na pesquisa brasileira qual &eacute; o grau de sustentabilidade da infraestrutura proposta. Afinal, praticamente todo projeto de pesquisa hoje resultar&aacute; numa base de dados e numa estrat&eacute;gia de divulga&ccedil;&atilde;o digital dos dados. Fomentar infraestruturas isoladas, sem sustentabilidade, a longo prazo, corresponde &agrave; outra face do mesmo problema que produzir dados sem crit&eacute;rios claros para compartilhamento e interoperabilidade. O cen&aacute;rio ideal &eacute; que cada institui&ccedil;&atilde;o de ensino e pesquisa ou um cons&oacute;rcio entre elas tenha um laborat&oacute;rio/infraestrutura de digitaliza&ccedil;&atilde;o, e que, ao ser contemplado, um projeto cient&iacute;fico deva ent&atilde;o participar desse "condom&iacute;nio" com recursos e governan&ccedil;a. Essa parte laboratorial desta infraestrutura poderia facilitar a produ&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel de dados, ajudando a compactuar formatos e metadados. Isso &eacute; exatamente o que ocorre no mundo com os grandes <i>hubs</i> ou "supercomputadores" dedicados ao processamento de dados. Tamb&eacute;m a mesma l&oacute;gica aplica-se em pesquisas com grandes infraestruturas de aceleradores de part&iacute;culas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m de economizar centenas de milh&otilde;es de reais das ag&ecirc;ncias de fomento, uma medida como essa evitaria a perda de dados e mitigaria a obsolesc&ecirc;ncia desses projetos depois que o financiamento acabar (coisa que acontece frequentemente). Tamb&eacute;m criaria condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para o processamento e cruzamento dessas informa&ccedil;&otilde;es em larga escala, inclusive (mas n&atilde;o exclusivamente) com modelos de intelig&ecirc;ncia artificial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Num mundo no qual tudo &eacute; produzido digitalmente e em profus&atilde;o e em que a intelig&ecirc;ncia artificial &eacute; uma realidade, devemos de fato valorizar menos os textos e o trabalho individual e valorizarmos mais o trabalho coletivo e conectado. A ci&ecirc;ncia aberta &eacute; uma realidade sem volta, uma condi&ccedil;&atilde;o para que a nossa ci&ecirc;ncia ganhe maior maturidade, amplitude e escala. A intelig&ecirc;ncia artificial s&oacute; ser&aacute; aproveitada de forma s&eacute;ria sendo alimentada com dados consistentes e interoper&aacute;veis e com algoritmos abertos. A universidade, nesse caso, deveria ser um espa&ccedil;o para promover solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, de governan&ccedil;a e defender seus pr&oacute;prios interesses, os interesses da ci&ecirc;ncia e do desenvolvimento. A reflex&atilde;o cr&iacute;tica e a tarefa formadora de uma ci&ecirc;ncia aberta tamb&eacute;m devem ter como espa&ccedil;o privilegiado a universidade, criando condi&ccedil;&otilde;es para uma transforma&ccedil;&atilde;o de mentalidade. Ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio apenas a&ccedil;&otilde;es em dados abertos, mas tamb&eacute;m que a universidade encampe a pesquisa e reflex&atilde;o sobre os dados. Contudo, isso n&atilde;o basta. Os gestores da ci&ecirc;ncia, professores e pesquisadores que ocupam cargos estrat&eacute;gicos e que atuam nas ag&ecirc;ncias, devem ter compromissos claros com uma agenda soberana que envolva a otimiza&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos e a amplia&ccedil;&atilde;o da capacidade de armazenamento e processamento de dados cient&iacute;ficos em larga escala e em interconex&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nta"></a><a href="#txa">a</a>] WILKINSON, M. D. et al. FAIR Digital Twins for Reproducible Research. Scientific Data, v. 10, n. 1, p. 104, 2023. DOI: 10.1038/s41597-023-01999-2. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nature.com/articles/s41597-023-01999-2" target="_blank">https://www.nature.com/articles/s41597-023-01999-2</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntb"></a><a href="#txb">b</a>] UNESCO. Recommendation on Open Science. Paris: UNESCO, 2021. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949</a>.  Acesso em: 18 fev. 2025. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">OECD. Enhanced Access to Publicly Funded Data for Science, Technology and Innovation. OECD Publishing, 2023. DOI: 10.1787/9b6d8e2c-en. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.oecd-ilibrary.org/science-and-technology/enhanced-access-to-publicly-funded-data-for-science-technology-and-innovation_9b6d8e2c-en" target="_blank">https://www.oecd-ilibrary.org/science-and-technology/enhanced-access-to-publicly-funded-data-for-science-technology-and-innovation_9b6d8e2c-en</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntc"></a><a href="#txc">c</a>] ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). OECD Principles and Guidelines for Access to Research Data from Public Funding. Paris: OECD Publishing, 2007. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.oecd.org/science/sci-tech/38500813.pdf" target="_blank">https://www.oecd.org/science/sci-tech/38500813.pdf</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntd"></a><a href="#txd">d</a>] RESEARCH DATA ALLIANCE. How the RDA works. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.rd-alliance.org/how-the-rda-works/" target="_blank">https://www.rd-alliance.org/how-the-rda-works/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">GO FAIR. GO FAIR Initiative. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.go-fair.org/" target="_blank">https://www.go-fair.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">FAIRSHARING. FAIRsharing: Connecting data policies, standards &amp; databases. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://fairsharing.org/" target="_blank">https://fairsharing.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nte"></a><a href="#txe">e</a>] NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. GenBank Overview. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/" target="_blank">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntf"></a><a href="#txf">f</a>] NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. NCBI Virus - Viral Sequence Search Interface (VSSI). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/virus/vssi/#/" target="_blank">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/virus/vssi/#/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntg"></a><a href="#txg">g</a>] GISAID. Global Initiative on Sharing All Influenza Data. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gisaid.org/" target="_blank">https://gisaid.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nth"></a><a href="#txh">h</a>] SLOAN DIGITAL SKY SURVEY. Data Release 18 (DR18). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.sdss.org/dr18/" target="_blank">https://www.sdss.org/dr18/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nti"></a><a href="#txi">i</a>] PROGRAM FOR CLIMATE MODEL DIAGNOSIS &amp; INTERCOMPARISON. CMIP6 - Coupled Model Intercomparison Project Phase 6. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pcmdi.llnl.gov/CMIP6" target="_blank">https://pcmdi.llnl.gov/CMIP6</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntj"></a><a href="#txj">j</a>] HUMAN CONNECTOME PROJECT. HCP Data - ConnectomeDB. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://db.humanconnectome.org/" target="_blank">https://db.humanconnectome.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntk"></a><a href="#txk">k</a>] GLOBAL BIODIVERSITY INFORMATION FACILITY. GBIF - Free and Open Access to Biodiversity Data. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.gbif.org/" target="_blank">https://www.gbif.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntl"></a><a href="#txl">l</a>] PR&Oacute;-REITORIA DA UNICAMP. Comiss&atilde;o de Gest&atilde;o de Dados de Pesquisa. s.d. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://prp.unicamp.br/comissoes/gestao-de-dados-de-pesquisa/comissao/" target="_blank">https://prp.unicamp.br/comissoes/gestao-de-dados-de-pesquisa/comissao/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntm"></a><a href="#txm">m</a>] UNICAMP. Delibera&ccedil;&atilde;o CONSU-A-016/2020 de 6 de outubro de 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pg.unicamp.br/norma/23869/0" target="_blank">https://www.pg.unicamp.br/norma/23869/0</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="ntn"></a><a href="#txn">n</a>] UNICAMP. Reposit&oacute;rio de Dados de Pesquisa da Unicamp. s.d. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://redu.unicamp.br/" target="_blank">https://redu.unicamp.br/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">[<a name="nto"></a><a href="#txo">o</a>] REDE DE REPOSIT&Oacute;RIOS DE DADOS DE PESQUISA &#45; SP, s.d. <a href="https://metabuscador.uspdigital.usp.br" target="_blank">https://metabuscador.uspdigital.usp.br</a>. Acesso em: 19 fev. 2025</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BERLIN DECLARATION ON OPEN ACCESS TO KNOWLEDGE IN THE SCIENCES AND HUMANITIES. 2003. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration" target="_blank">https://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">BUDAPEST OPEN ACCESS INITIATIVE. Budapest Open Access Initiative. 2002. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.budapestopenaccessinitiative.org" target="_blank">https://www.budapestopenaccessinitiative.org</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">FAIRSHARING. FAIRsharing: Connecting data policies, standards &amp; databases. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://fairsharing.org/" target="_blank">https://fairsharing.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">GISAID. Global Initiative on Sharing All Influenza Data. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://gisaid.org/" target="_blank">https://gisaid.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">GO FAIR. GO FAIR Initiative. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.go-fair.org/" target="_blank">https://www.go-fair.org/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. GenBank Overview. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/" target="_blank">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. NCBI Virus - Viral Sequence Search Interface (VSSI). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/virus/vssi/#/" target="_blank">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/virus/vssi/#/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">OECD. Enhanced Access to Publicly Funded Data for Science, Technology and Innovation. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.oecd-ilibrary.org/science-and-technology/enhanced-access-to-publicly-funded-data-for-science-technology-and-innovation_9b6d8e2c-en" target="_blank">https://www.oecd-ilibrary.org/science-and-technology/enhanced-access-to-publicly-funded-data-for-science-technology-and-innovation_9b6d8e2c-en</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). OECD Principles and Guidelines for Access to Research Data from Public Funding. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.oecd.org/science/sci-tech/38500813.pdf" target="_blank">https://www.oecd.org/science/sci-tech/38500813.pdf</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">PROGRAM FOR CLIMATE MODEL DIAGNOSIS &amp; INTERCOMPARISON. CMIP6 - Coupled Model Intercomparison Project Phase 6. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pcmdi.llnl.gov/CMIP6" target="_blank">https://pcmdi.llnl.gov/CMIP6</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">PR&Oacute;-REITORIA DA UNICAMP. Comiss&atilde;o de Gest&atilde;o de Dados de Pesquisa. s.d. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://prp.unicamp.br/comissoes/gestao-de-dados-de-pesquisa/comissao/" target="_blank">https://prp.unicamp.br/comissoes/gestao-de-dados-de-pesquisa/comissao/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">RESEARCH DATA ALLIANCE. How the RDA works. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.rd-alliance.org/how-the-rda-works/" target="_blank">https://www.rd-alliance.org/how-the-rda-works/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SLOAN DIGITAL SKY SURVEY. Data Release 18 (DR18). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.sdss.org/dr18/" target="_blank">https://www.sdss.org/dr18/</a>. Acesso em: 18 fev. 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">UNESCO. Recommendation on Open Science. Paris: UNESCO, 2021. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379949</a>.  Acesso em: 18 fev. 2025.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">UNICAMP. Delibera&ccedil;&atilde;o CONSU-A-016/2020 de 6 de outubro de 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pg.unicamp.br/norma/23869/0" target="_blank">https://www.pg.unicamp.br/norma/23869/0</a>. 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