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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O empreendimento de Ciência Aberta do SciELO]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250006</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>O empreendimento de Ci&ecirc;ncia Aberta do SciELO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Abel L. Packer<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Coordenador de projetos da FapUNIFESP, cofundador do SciELO, um Programa pela Capes, CNPq e FAPESP. Foi diretor da BIREME/OPAS/OMS entre 1999 e 2010. &Eacute; diretor do Programa SciELO desde 2010. Possui gradua&ccedil;&atilde;o em Business Management e mestrado Master of Library Science &#45; Syracuse University. Tem experi&ecirc;ncia em desenvolvimento de projetos de gest&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento cient&iacute;fico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Programa SciELO celebrou 25 anos em 2023, consolidando seu modelo inovador de Ci&ecirc;ncia Aberta baseado na IDEIA &#45; Impacto, Diversidade, Equidade, Inclus&atilde;o e Acessibilidade. Pioneiro no Acesso Aberto, o SciELO fortalece a comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de qualidade no Brasil, ampliando visibilidade, impacto e integra&ccedil;&atilde;o com o cen&aacute;rio global de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> SciELO; Ci&ecirc;ncia Aberta; Acesso Aberto.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Em setembro de 2023, o Programa SciELO celebrou seu 25&ordm; anivers&aacute;rio de opera&ccedil;&atilde;o regular e reafirmou seu modelo inovador de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas com a divisa SciELO Ci&ecirc;ncia Aberta com IDEIA &#45; Impacto, Diversidade, Equidade, Inclus&atilde;o e Acessibilidade. Produto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de ag&ecirc;ncias de fomento, com o apoio de sociedades e associa&ccedil;&otilde;es, e constru&iacute;do coletivamente por pesquisadores, editores cient&iacute;ficos e profissionais da informa&ccedil;&atilde;o, essa abordagem abrangente do <i>modus operandi</i> de Ci&ecirc;ncia Aberta na comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas &eacute; amold&aacute;vel &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es e prioridades nacionais do sistema de pesquisa do Brasil e dos demais pa&iacute;ses da Rede SciELO, estando alinhada com o estado da arte internacional. Mais especificamente, adapta-se &agrave; raz&atilde;o de ser do SciELO de reconhecer e fortalecer a relev&acirc;ncia das pesquisas comunicadas por peri&oacute;dicos de qualidade editados nacionalmente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Centrado em tr&ecirc;s eixos convergentes &#45; publica&ccedil;&atilde;o online centrada nas potencialidades da <i>web</i> para virtualiza&ccedil;&atilde;o, interoperabilidade, desintermedia&ccedil;&atilde;o e universaliza&ccedil;&atilde;o; maximiza&ccedil;&atilde;o da qualidade editorial; e Acesso Aberto (AA) aos textos &#45; o modelo SciELO, proposto em 1996, recebeu o incentivo da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Editores Cient&iacute;ficos (ABEC) e foi desenvolvido em 1997 por meio de um projeto-piloto com aux&iacute;lio da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), executado em colabora&ccedil;&atilde;o com a BIREME/OPAS/OMS e com a assessoria de um grupo focal de editores-chefes de dez peri&oacute;dicos de refer&ecirc;ncia das ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas, f&iacute;sicas e sociais. Foi lan&ccedil;ado em 1998.<sup>[1]</sup> <i>O SciELO foi pioneiro global na ado&ccedil;&atilde;o do AA na opera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de cole&ccedil;&otilde;es de peri&oacute;dicos de qualidade sem barreiras, quatro anos antes da Declara&ccedil;&atilde;o de Budapeste, que prop&ocirc;s formalmente a modalidade de Acesso Aberto. O objetivo espec&iacute;fico do SciELO, que justificou seu desenvolvimento, persiste at&eacute; hoje: a busca pela maximiza&ccedil;&atilde;o da visibilidade e impacto dos peri&oacute;dicos de qualidade e das pesquisas que comunicam.</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">L&iacute;deres nas &aacute;reas de fomento &agrave; pesquisa e gest&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, a Fapesp e a BIREME qualificaram a cria&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento do SciELO como pol&iacute;tica p&uacute;blica de apoio &agrave; infraestrutura de pesquisa. Com apoio do grupo focal e da ABEC, institu&iacute;ram o SciELO com governan&ccedil;a coletiva centrada nas comunidades de pesquisa. O modelo SciELO de publica&ccedil;&atilde;o envolve pol&iacute;ticas, metodologias, tecnologias, produtos e servi&ccedil;os que evolu&iacute;ram continuamente &agrave; luz do estado da arte internacional. A decis&atilde;o de alinhamento com as pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta foi tomada formalmente na Reuni&atilde;o Quinquenal da Rede SciELO de 2018, durante a semana de celebra&ccedil;&atilde;o do seu 20&ordm; anivers&aacute;rio, e expressada nas linhas de a&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;rias para o per&iacute;odo 2019-2023.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2024, ap&oacute;s 27 anos como programa de infraestrutura de pesquisa da Fapesp, o SciELO foi formalizado como programa nacional do Brasil, a ser mantido por um cons&oacute;rcio nacional formado inicialmente pela Funda&ccedil;&atilde;o Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e pela Fapesp, e aberto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de outras institui&ccedil;&otilde;es. Essa decis&atilde;o das principais ag&ecirc;ncias de pesquisa do Brasil refor&ccedil;a o SciELO como pol&iacute;tica p&uacute;blica e amplia a capacidade do Brasil de operar com soberania o ciclo completo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, desde a realiza&ccedil;&atilde;o das pesquisas at&eacute; a publica&ccedil;&atilde;o de artigos em peri&oacute;dicos de alto impacto e a produ&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos de alto impacto. Ou seja, abre-se a perspectiva de dotar o sistema nacional de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o com infraestruturas competitivas internacionalmente para a comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas em Ci&ecirc;ncia Aberta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste artigo, vou dar minha contribui&ccedil;&atilde;o &#45; por certo interessada &#45; sobre o sucesso do modelo SciELO em sua natureza essencialmente inovadora, comprometida com o desenvolvimento de infraestruturas e capacidades nacionais integradas ao fluxo global de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O texto busca situar a fun&ccedil;&atilde;o do SciELO no contexto da busca pelo aperfei&ccedil;oamento da pesquisa nacional por meio do avan&ccedil;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta, da equidade nos acordos transformativos e do aperfei&ccedil;oamento da avalia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia Aberta por qu&ecirc;? </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desde 2018, o SciELO promove a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta na comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas no Brasil e em outros dezesseis pa&iacute;ses, com dois objetivos convergentes: de um lado, maximizar a qualidade dos peri&oacute;dicos e das pesquisas que comunicam; de outro, ampliar a visibilidade e o impacto, medidos pelo n&uacute;mero de acessos e cita&ccedil;&otilde;es. Embora esses objetivos sejam louv&aacute;veis, &oacute;bvios e inerentes ao SciELO, a abertura das pesquisas e de sua comunica&ccedil;&atilde;o tem gerado desafios e resist&ecirc;ncias, por vezes at&eacute; mais contundentes do que aquelas enfrentadas na ado&ccedil;&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o online em acesso aberto h&aacute; 27 anos, na ado&ccedil;&atilde;o do XML como linguagem de estrutura&ccedil;&atilde;o dos textos de artigos h&aacute; 10 anos (para maximizar a interoperabilidade) e na internacionaliza&ccedil;&atilde;o, que estabeleceu crit&eacute;rios m&iacute;nimos para publica&ccedil;&atilde;o de artigos em ingl&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esses desafios t&ecirc;m seguido os est&aacute;gios cl&aacute;ssicos de inova&ccedil;&otilde;es e v&ecirc;m sendo superados por meio de di&aacute;logo, capacita&ccedil;&atilde;o e das crescentes evid&ecirc;ncias de ganhos not&aacute;veis na qualifica&ccedil;&atilde;o e visibilidade dos peri&oacute;dicos. Os editores que adotaram inicialmente as novas pr&aacute;ticas desempenham um papel decisivo nesse processo, pois, na posi&ccedil;&atilde;o de pares, s&atilde;o mais eficazes em aconselhar outros editores. Vale notar que, em todas essas inova&ccedil;&otilde;es, sempre houve editores simpatizantes ou j&aacute; familiarizados com as mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, a resposta &agrave; quest&atilde;o <i>"Ci&ecirc;ncia Aberta, por qu&ecirc;?"</i> &eacute; clara no posicionamento inovador da dire&ccedil;&atilde;o do SciELO em prol do progresso da pesquisa. No entanto, essa resposta precisa ser assimilada, primeiro pela maioria e depois por todos os editores, equipes editoriais e autores. No contexto da evolu&ccedil;&atilde;o do SciELO, essa quest&atilde;o emerge frequentemente como um ponto de contesta&ccedil;&atilde;o entre os editores, que s&atilde;o esperados liderar o processo, mas que, muitas vezes, se posicionam em nome dos autores das respectivas comunidades de pesquisa:</font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana">Por que mudar, se a modalidade cl&aacute;ssica de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sempre (aparentemente) funcionou t&atilde;o bem?</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Por que nos posicionarmos como mais inovadores que peri&oacute;dicos de refer&ecirc;ncia internacional?</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Por que adotar essas pr&aacute;ticas sem uma pol&iacute;tica institucional ou nacional clara?</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Por que investir nisso, se o Qualis n&atilde;o valoriza &#45; e at&eacute; desincentiva &#45; essas mudan&ccedil;as?</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Por que adotar pr&aacute;ticas que implicam mais gastos e exigem especializa&ccedil;&atilde;o al&eacute;m das capacidades dos peri&oacute;dicos?</font></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><font size="2" face="verdana">Por que apostar em algo que pode nunca se tornar o modus operandi dominante na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica?</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Por que adotar uma pr&aacute;tica potencialmente disruptiva, que pode afetar o desempenho dos grupos de pesquisa e as carreiras dos pesquisadores?</font></li>     </ul>     <p><font size="2" face="verdana">As respostas para essas quest&otilde;es est&atilde;o na evolu&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica rumo &agrave; Ci&ecirc;ncia Aberta, como demonstra a pr&oacute;pria literatura cient&iacute;fica. A <a href="#fig01">Figura 1</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o, entre 2014 e 2023, do logaritmo do n&uacute;mero de documentos resultantes da busca por <i>["Open Science" and impact]</i> no Google Acad&ecirc;mico e no SciELO, realizada em fevereiro. Nos &uacute;ltimos cinco anos, o crescimento m&eacute;dio anual de documentos sobre esse tema foi de 29% no Google Acad&ecirc;mico e de 75% no SciELO.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A presen&ccedil;a do tema na literatura dos peri&oacute;dicos SciELO Brasil &eacute; tardia em compara&ccedil;&atilde;o com a tend&ecirc;ncia global, mas apresenta um crescimento not&aacute;vel nos &uacute;ltimos cinco anos. Esse movimento ganhou for&ccedil;a com o posicionamento do SciELO, que incorporou a ado&ccedil;&atilde;o progressiva das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta em seus crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos desde 2017, com a expectativa otimista de que os peri&oacute;dicos estivessem plenamente alinhados com os princ&iacute;pios e pr&aacute;ticas da Ci&ecirc;ncia Aberta at&eacute; 2021. Em 2018, o 20&ordm; anivers&aacute;rio da Rede SciELO foi celebrado <i>"em pleno processo de alinhamento com os avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia aberta"</i>. Desde ent&atilde;o, a ado&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Aberta tem sido uma linha priorit&aacute;ria de a&ccedil;&atilde;o para o per&iacute;odo 2019&#45;2023. Cinco anos depois, no 25&ordm; anivers&aacute;rio, essas linhas foram atualizadas para o per&iacute;odo 2024&#45;2028, com uma vis&atilde;o ampliada de Ci&ecirc;ncia Aberta, expressa pelo conceito de IDEIA.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Houve avan&ccedil;os significativos na capacita&ccedil;&atilde;o, na infraestrutura e nos indicadores de acompanhamento, que mostram que a maioria dos peri&oacute;dicos j&aacute; expressa em suas pol&iacute;ticas editoriais e instru&ccedil;&otilde;es aos autores o alinhamento com o modus operandi da Ci&ecirc;ncia Aberta. No entanto, ainda h&aacute; um longo caminho a percorrer para alcan&ccedil;ar a plena ado&ccedil;&atilde;o dessas pr&aacute;ticas. Ser&aacute; necess&aacute;rio superar resist&ecirc;ncias e dificuldades pol&iacute;ticas, program&aacute;ticas e tecnol&oacute;gicas, apoiando-se em evid&ecirc;ncias dos ganhos em qualidade, visibilidade e impacto das pesquisas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><i>O SciELO tem trilhado esse caminho com sua pol&iacute;tica de constru&ccedil;&atilde;o coletiva, baseada no di&aacute;logo com as autoridades e os peri&oacute;dicos sobre os benef&iacute;cios das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta, no aprimoramento metodol&oacute;gico e tecnol&oacute;gico da plataforma e na capacita&ccedil;&atilde;o das equipes editoriais. Para se ter uma ideia, em 2024, o SciELO Brasil participou de 55 reuni&otilde;es com editores e equipes editoriais de peri&oacute;dicos. A agenda da reuni&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o anual do SciELO, realizada em dezembro do ano passado, com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes da Capes, CNPq, FAPESP, editores e da ABEC, centrou-se nos avan&ccedil;os do programa SciELO em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto dos peri&oacute;dicos, &agrave; ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta e ao uso de IA generativa.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia Aberta &#45; Fundamentos e pr&aacute;ticas na comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A emerg&ecirc;ncia da Web como meio online de interc&acirc;mbio ass&iacute;ncrono e s&iacute;ncrono de textos e outros conte&uacute;dos, al&eacute;m de meio virtualizado com a perspectiva de acesso universal desde qualquer lugar e a qualquer hora, potencializou os fundamentos do acesso aberto (AA) &agrave; literatura cient&iacute;fica. Entre esses fundamentos, destacam-se o acesso equitativo ao conhecimento como determinante do progresso cultural, social e econ&ocirc;mico, o financiamento com recursos p&uacute;blicos da maioria das pesquisas e o conceito econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e sociol&oacute;gico de que o conhecimento cient&iacute;fico &eacute; ou deve ser encarado como um bem p&uacute;blico global<sup>[2]</sup> e um direito humano.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"O crescimento sustent&aacute;vel dos peri&oacute;dicos SciELO reflete n&atilde;o apenas a qualidade editorial, mas tamb&eacute;m o compromisso com a diversidade, inclus&atilde;o e acessibilidade na ci&ecirc;ncia brasileira."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m do acesso aberto &agrave; literatura cient&iacute;fica, o movimento rumo ao <i>modus operandi</i> de Ci&ecirc;ncia Aberta reuniu outras pr&aacute;ticas, com destaque para a publica&ccedil;&atilde;o de manuscritos na condi&ccedil;&atilde;o de <i>preprints</i> antes da submiss&atilde;o a um peri&oacute;dico, a disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos dados usados e gerados na pesquisa como parte integral da sua comunica&ccedil;&atilde;o e a abertura nos processos de avalia&ccedil;&atilde;o por pares. Essas pr&aacute;ticas afetam todo o ciclo de produ&ccedil;&atilde;o de pesquisa e sua apropria&ccedil;&atilde;o pelas inst&acirc;ncias e atores da pesquisa, exigindo mudan&ccedil;as conceituais e culturais nas comunidades de pesquisa e de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os <i>preprints</i> foram introduzidos como meio de divulga&ccedil;&atilde;o nos anos 1960<sup>[3]</sup> e legitimados a partir dos anos 1990 com o desenvolvimento do <i>arXiv</i> para manuscritos de f&iacute;sica, matem&aacute;tica e &aacute;reas afins. O <i>arXiv</i> recebeu, em 2023, mais de 200 mil novas submiss&otilde;es e registrou mais de tr&ecirc;s bilh&otilde;es de <i>downloads</i>. Com a pandemia da covid-19, os servidores <i>bioRxiv</i> e <i>medRxiv</i>, nas &aacute;reas biol&oacute;gicas e m&eacute;dicas, e o multidisciplinar <i>SciELO Preprints</i> foram essenciais para a comunica&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de novos conhecimentos. Hoje, h&aacute; dezenas de servidores de <i>preprints</i>. Quando este texto foi escrito, o diret&oacute;rio da ASAPbio listava 65 reposit&oacute;rios e a Wikipedia listava 76, ambos incluindo o <i>SciELO Preprints</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os <i>preprints</i> s&atilde;o manuscritos publicados em acesso aberto em servidores especializados antes de revis&atilde;o por pares e edi&ccedil;&atilde;o por peri&oacute;dicos. Passam por um processo de avalia&ccedil;&atilde;o denominado modera&ccedil;&atilde;o, que verifica o car&aacute;ter cient&iacute;fico dos artigos e os antecedentes dos autores. O objetivo &eacute; dar aos pesquisadores maior controle sobre a comunica&ccedil;&atilde;o das suas pesquisas, definir preced&ecirc;ncia de descobertas, ideias e propostas, e acelerar e dar visibilidade aos resultados. Para atender sua natureza e objetivos, os <i>preprints</i> s&atilde;o de acesso aberto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As duas outras pr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o na Ci&ecirc;ncia Aberta &#45; a disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos dados de pesquisa subjacentes aos textos e a transpar&ecirc;ncia nos processos de avalia&ccedil;&atilde;o das pesquisas &#45; s&atilde;o as que, na experi&ecirc;ncia do <i>SciELO</i>, s&atilde;o atualmente percebidas como as mais arrojadas e que enfrentam mais resist&ecirc;ncias. Enquanto o acesso aberto aos artigos e os <i>preprints</i> j&aacute; publicados s&atilde;o pr&aacute;ticas que ocorrem no final do ciclo de pesquisa, a abertura dos dados e dos processos de avalia&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada aos processos e aos indiv&iacute;duos envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o das pesquisas. Por isso, as justificativas para essa abertura devem ser bem fundamentadas e convincentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A disponibilidade dos dados permite a avalia&ccedil;&atilde;o das metodologias e resultados apresentados nos textos dos manuscritos, pr&aacute;tica que adquiriu relev&acirc;ncia frente &agrave; chamada crise de reprodutibilidade e replicabilidade das pesquisas comunicadas por artigos de peri&oacute;dicos.<sup>[4]</sup> O compartilhamento de dados fortalece a credibilidade e a coopera&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores, essenciais para o avan&ccedil;o das pesquisas. A credibilidade e a apar&ecirc;ncia de credibilidade tornaram-se vitais na comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas diante da emerg&ecirc;ncia dos peri&oacute;dicos predat&oacute;rios, que n&atilde;o conduzem avalia&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias, e da prolifera&ccedil;&atilde;o de artigos fabricados (<i>paper mill</i>).<sup>[5]</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m dessas raz&otilde;es inquestion&aacute;veis, a abertura de dados (ou sua disponibilidade restrita em casos especiais) tem dois efeitos-chave para a ci&ecirc;ncia. O primeiro &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o, pois evita a perda de dados &#45; que, em 2014, Timothy H. Vines <i>et al.</i><sup>[6]</sup> estimaram em 17% ao ano ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o &#45; e o decl&iacute;nio nas chances de contatar os autores, que diminui 7% ao ano. O segundo &eacute; o retorno ao investimento de recursos p&uacute;blicos, ao contribuir para o aperfei&ccedil;oamento das pesquisas e permitir que os dados sejam utilizados por outros pesquisadores. A exig&ecirc;ncia de que o autor declare, no artigo, a disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos dados subjacentes ao texto &eacute; um crit&eacute;rio comum para a aceita&ccedil;&atilde;o de manuscritos em peri&oacute;dicos de qualidade. Exceto pela Fapesp, nenhuma outra ag&ecirc;ncia de pesquisa do Brasil tem uma pol&iacute;tica expl&iacute;cita de gest&atilde;o de dados de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; a abertura dos processos de avalia&ccedil;&atilde;o dos manuscritos submetidos aos peri&oacute;dicos, com a publica&ccedil;&atilde;o dos relat&oacute;rios dos pareceristas, &eacute; bastante pol&ecirc;mica, pois afeta uma pr&aacute;tica centen&aacute;ria, aprimorada no &uacute;ltimo s&eacute;culo e considerada essencial para atestar a confiabilidade na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.<sup>[7]</sup> No artigo de revis&atilde;o publicado em 2017 no <i>F1000Research,</i><sup>[8]</sup> Tony Ross-Hellauer identificou 122 defini&ccedil;&otilde;es dos conceitos de <i>open peer review</i> ou <i>open review</i>, convergindo-as para 22 diferentes defini&ccedil;&otilde;es e propondo a seguinte: </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><i>"Revis&atilde;o por pares aberta &eacute; um termo guarda-chuva para v&aacute;rias formas sobrepostas em que os modelos de revis&atilde;o por pares podem ser adaptados de acordo com os objetivos da Ci&ecirc;ncia Aberta, incluindo tornar abertas as identidades dos pareceristas e autores, publicar os pareceres das revis&otilde;es e permitir maior participa&ccedil;&atilde;o no processo de revis&atilde;o por pares."</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale a pena acessar esse artigo, publicado em sua segunda vers&atilde;o com quatro pareceres positivos no <i>F1000Research</i>, pois ele &eacute; um exemplo seminal de avalia&ccedil;&atilde;o aberta. Outros exemplos de peri&oacute;dicos de prest&iacute;gio que adotam a revis&atilde;o por pares aberta s&atilde;o o <i>BMJ Open</i>, que informa em sua p&aacute;gina inicial que seus "procedimentos de publica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o formulados em torno da revis&atilde;o por pares totalmente aberta e da publica&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua, disponibilizando as pesquisas online assim que o artigo estiver pronto", e o <i>eLife</i>, com uma opera&ccedil;&atilde;o inovadora na qual os autores submetem <i>preprints</i> disponibilizados nos servidores <i>bioRxiv</i> ou <i>medRxiv</i>. Para os artigos aceitos para revis&atilde;o, cada parecerista escreve uma revis&atilde;o p&uacute;blica do artigo e recomenda melhorias aos autores. O editor e os revisores tamb&eacute;m escrevem uma "Avalia&ccedil;&atilde;o <i>eLife</i>" que resume a relev&acirc;ncia das descobertas e a for&ccedil;a das evid&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A infraestrutura de Ci&ecirc;ncia Aberta do SciELO &#45; governan&ccedil;a e sustentabilidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O breve olhar sobre o porqu&ecirc; e os fundamentos das pr&aacute;ticas da Ci&ecirc;ncia Aberta oferece um marco para olhar os esfor&ccedil;os, avan&ccedil;os, desafios e perspectivas que molduram o desenvolvimento da infraestrutura de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas que o SciELO vem desenvolvendo nas condi&ccedil;&otilde;es do Brasil e demais pa&iacute;ses da Rede SciELO. A infraestrutura dota os pesquisadores com o poder de comunicar as pesquisas em um modus operandi mais avan&ccedil;ado por meio de uma plataforma de gest&atilde;o de cole&ccedil;&otilde;es de objetos de comunica&ccedil;&atilde;o que compreende o servidor SciELO <i>Preprints</i>, a Cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil de peri&oacute;dicos, o reposit&oacute;rio SciELO Data de dados de pesquisas e a cole&ccedil;&atilde;o SciELO Livros. Trata-se de uma das poucas plataformas de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas com essa abrang&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma quest&atilde;o central que desafia o desenvolvimento e futuro do SciELO como infraestrutura de Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; a sua sustentabilidade pol&iacute;tica, financeira e operacional. &Eacute; especialmente desafiador sustentar o escopo abrangente adotado pelo SciELO resumido na divisa Ci&ecirc;ncia Aberta com IDEIA e a sua implementa&ccedil;&atilde;o com governan&ccedil;a, sustentabilidade e controle da comunidade alinhada com os Princ&iacute;pios para Infraestruturas Acad&ecirc;micas Abertas propostos inicialmente por Bilder, Lin e Neylon em 2015<sup>[9]</sup> e nova vers&atilde;o sob revis&atilde;o p&uacute;blica. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, tr&ecirc;s fortalezas adquiridas e geridas cuidadosamente pelo SciELO contribuem para a sua continuidade e principalmente para sua expans&atilde;o como a inst&acirc;ncia publicadora de refer&ecirc;ncia do Brasil. A primeira &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o de infraestrutura de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas abertas mais importante do sistema nacional de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o em termos de qualidade editorial, cobertura e alinhamento com o estado da arte internacional. Esta condi&ccedil;&atilde;o &eacute; evidenciada por dados sobre a evolu&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o e desempenho do SciELO que apresentamos a seguir. O programa &eacute; implantado por projetos trienais cuja execu&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada legal e administrativamente pela Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio &agrave; Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (FapUNIFESP) desde 2010. A segunda &eacute; a sua governan&ccedil;a coletiva, presente nos n&iacute;veis de manuten&ccedil;&atilde;o financeira, cient&iacute;fica e operacional. O acordo entre a Capes, CNPq e Fapesp em prol do estabelecimento de um cons&oacute;rcio de manuten&ccedil;&atilde;o dota o SciELO com o apoio pol&iacute;tico e financeiro das tr&ecirc;s principais ag&ecirc;ncias de fomento &agrave; pesquisa do Brasil. O desenvolvimento das cole&ccedil;&otilde;es de peri&oacute;dicos e de livros s&atilde;o assistidas por comit&ecirc;s cient&iacute;ficos cujas fun&ccedil;&otilde;es se expressam na atualiza&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica dos crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho segundo o estado da arte e nas decis&otilde;es sobre o ingresso e perman&ecirc;ncia de peri&oacute;dicos e editoras na plataforma. O terceiro &eacute; o selo de qualidade que qualifica os peri&oacute;dicos e os orienta na dire&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es e boas pr&aacute;ticas que maximizam a visibilidade, interoperabilidade e impacto. Essa condi&ccedil;&atilde;o passa a ser especialmente importante com a mudan&ccedil;a da pol&iacute;tica de qualifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o intelectual dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que finalmente passa a adotar o impacto observado dos artigos e n&atilde;o o da face dos peri&oacute;dicos, seguindo recomenda&ccedil;&otilde;es antigas e consagradas como a Declara&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco sobre Avalia&ccedil;&atilde;o da Pesquisa lan&ccedil;ada h&aacute; 12 anos que come&ccedil;a com a seguinte frase "H&aacute; uma necessidade urgente de melhorar a maneira pela qual as ag&ecirc;ncias de financiamento, as institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e outros grupos avaliam a produ&ccedil;&atilde;o da pesquisa cient&iacute;fica". Como veremos mais abaixo o conjunto dos peri&oacute;dicos SciELO das diferentes &aacute;reas tem&aacute;ticas em &iacute;ndices de refer&ecirc;ncia como o Scopus devido principalmente aos controles de qualidade das pesquisas comunicadas det&eacute;m impacto m&eacute;dio bem acima dos peri&oacute;dicos n&atilde;o SciELO.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>SciELO &#45; pioneirismo e lideran&ccedil;a no AA global</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Produto da sua evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, o Modelo SciELO de Publica&ccedil;&atilde;o e sua plataforma t&ecirc;m como centralidade os artigos de pesquisa e outros tipos de documentos publicados pelos peri&oacute;dicos indexados na cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil em AA. O AA &eacute; explicitado sem restri&ccedil;&otilde;es com o uso das Licen&ccedil;as Creative Commons, que se aplicam a todos os objetos de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas, sejam textos, dados ou programas de computador, quase sempre armazenados em arquivos. Igualmente, as licen&ccedil;as CC0 de dom&iacute;nio p&uacute;blico se aplicam aos metadados que descrevem, segundo padr&otilde;es, o conte&uacute;do e a localiza&ccedil;&atilde;o dos objetos de comunica&ccedil;&atilde;o. Os metadados, herdeiros da ficha catalogr&aacute;fica das bibliotecas f&iacute;sicas, s&atilde;o quase sempre armazenados em arquivos coletivos conhecidos como &iacute;ndices ou bases de dados, segundo os tipos de objetos que descrevem. Na <i>web</i>, os metadados alimentam as fun&ccedil;&otilde;es mais cr&iacute;ticas da comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas. Quando o Google Acad&ecirc;mico responde a uma busca, ele a aplica a seu imenso reposit&oacute;rio de metadados da quase totalidade dos documentos disponibilizados na <i>Web</i>. Todos os objetos de comunica&ccedil;&atilde;o operados pelo SciELO t&ecirc;m metadados exaustivamente constru&iacute;dos. Os metadados dos artigos dos peri&oacute;dicos s&atilde;o os que refletem o fluxo principal da comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas pelo SciELO.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa abordagem de acesso aberto reflete o primeiro princ&iacute;pio do Programa SciELO, que concebe o conhecimento cient&iacute;fico como um bem p&uacute;blico global e o objetivo espec&iacute;fico permanente de maximizar a visibilidade e o impacto dos artigos e demais objetos de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas. O acesso universal viabilizado pela licen&ccedil;a CC-BY inclui o uso dos textos e dados que comunicam pesquisas em ambientes comercializados, como os reposit&oacute;rios usados para treinar IAs generativas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O modelo SciELO de cole&ccedil;&otilde;es de peri&oacute;dicos de qualidade em acesso aberto foi adotado pelo Chile em 1998, no mesmo ano do seu lan&ccedil;amento, e nos anos seguintes por outros pa&iacute;ses que conformam a Rede SciELO, hoje operando regularmente em 17 pa&iacute;ses &#45; 14 da Am&eacute;rica Latina, al&eacute;m da &Aacute;frica do Sul, Espanha e Portugal. O pioneirismo do SciELO no acesso aberto, com apoios pol&iacute;ticos e solu&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas e tecnol&oacute;gicas, contribuiu para o surgimento de outros avan&ccedil;os em prol do acesso aberto no Brasil e demais pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Esse empreendimento em rede colocou a Am&eacute;rica Latina na lideran&ccedil;a da publica&ccedil;&atilde;o de pesquisas por peri&oacute;dicos que publicam todos os artigos em acesso aberto sem embargo, com a denomina&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica Ouro e mais espec&iacute;fica Diamante quando n&atilde;o cobram taxa de publica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#fig02">Figura 2</a>, o gr&aacute;fico &agrave; esquerda mostra, por regi&otilde;es do mundo para o ano de 2023 (com dados do Scimago/Scopus), a propor&ccedil;&atilde;o de artigos de peri&oacute;dicos Ouro ou Diamante por regi&atilde;o de afilia&ccedil;&atilde;o dos autores. O gr&aacute;fico central mostra a propor&ccedil;&atilde;o de artigos Ouro e Diamante publicados nos peri&oacute;dicos de cada regi&atilde;o, e o gr&aacute;fico &agrave; direita mostra os artigos em qualquer tipo de acesso aberto. Assim, somente 36% dos artigos da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica global s&atilde;o publicados em peri&oacute;dicos Ouro e Diamante, enquanto os autores da Am&eacute;rica Latina publicam 51%. Essa lideran&ccedil;a se deve ao fato de que 94% dos artigos publicados por peri&oacute;dicos da Am&eacute;rica Latina s&atilde;o Diamante ou Ouro. J&aacute; a propor&ccedil;&atilde;o de artigos em qualquer tipo de AA sobe para 50%, com lideran&ccedil;a da Europa Ocidental e da Ibero-Am&eacute;rica, gra&ccedil;as &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o dos artigos h&iacute;bridos, produtos dos acordos transformativos que est&atilde;o mais avan&ccedil;ados na Europa. A Am&eacute;rica Latina, onde os acordos transformativos ainda n&atilde;o t&ecirc;m presen&ccedil;a significativa, continua em boa posi&ccedil;&atilde;o devido &agrave; alta propor&ccedil;&atilde;o de artigos Ouro e Diamante.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale a pena destacar essa contribui&ccedil;&atilde;o pioneira do Brasil ao AA como um antecedente de viabilidade e de retorno pol&iacute;tico para orientar as pol&iacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta das ag&ecirc;ncias do Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil &#45; peri&oacute;dicos rumo &agrave; Ci&ecirc;ncia Aberta com IDEIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os peri&oacute;dicos SciELO s&atilde;o todos de acesso aberto, editados nacionalmente sem fins de lucro, com um modelo de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o que se diferencia dos peri&oacute;dicos comercializados. A <a href="#fig03">Figura 3</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de peri&oacute;dicos e de documentos da cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil entre o ano de 1997, quando foi lan&ccedil;ado o projeto-piloto, e 2024. Ao longo dos 27 anos, foram indexados 412 peri&oacute;dicos, dos quais 323 est&atilde;o ativos. Foram desindexados 89 peri&oacute;dicos, metade por mudan&ccedil;a de nome e a outra metade por desobedi&ecirc;ncia aos crit&eacute;rios. O crescimento anual a partir de 2015 tem sido igual ou inferior a 2%.</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">O n&uacute;mero de documentos na base de dados SciELO alcan&ccedil;ou 532 mil no final de 2024, dos quais 448 mil foram indexados e disponibilizados online no ano de publica&ccedil;&atilde;o, e os demais foram incorporados como produ&ccedil;&atilde;o retrospectiva publicada antes da indexa&ccedil;&atilde;o no SciELO. Houve uma queda m&eacute;dia anual de 8% no n&uacute;mero de documentos no &uacute;ltimo quinqu&ecirc;nio, acompanhando a queda na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Brasil ap&oacute;s a pandemia da COVID-19.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O baixo crescimento anual do n&uacute;mero de peri&oacute;dicos indica que foi alcan&ccedil;ada a cole&ccedil;&atilde;o n&uacute;cleo de peri&oacute;dicos de qualidade do Brasil, segundo os Crit&eacute;rios SciELO Brasil. Esse fato &eacute; importante, pois uma pol&iacute;tica nacional para aumentar a indexa&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos no SciELO, como meio de ampliar o impacto da pesquisa brasileira, vai requerer tempo e recursos para a capacita&ccedil;&atilde;o das equipes editoriais dos peri&oacute;dicos candidatos e o processamento de mais peri&oacute;dicos e artigos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma caracter&iacute;stica da indexa&ccedil;&atilde;o do SciELO enquanto programa de ci&ecirc;ncia aberta &eacute; a obedi&ecirc;ncia aos princ&iacute;pios de DEIA (diversidade, equidade, inclus&atilde;o e acessibilidade). Na verdade, esses princ&iacute;pios est&atilde;o presentes desde a origem e conforma&ccedil;&atilde;o do SciELO, que emergiu em 1998 como &iacute;ndice internacional de peri&oacute;dicos de qualidade, complementando os &iacute;ndices de refer&ecirc;ncia internacional e promovendo um not&aacute;vel salto no reconhecimento da relev&acirc;ncia de peri&oacute;dicos de qualidade editados nacionalmente no Brasil e, progressivamente, nos demais pa&iacute;ses da Rede SciELO. A obedi&ecirc;ncia aos princ&iacute;pios DEIA &eacute; assegurada pela opera&ccedil;&atilde;o em rede e pela governan&ccedil;a coletiva, circunscrita aos crit&eacute;rios de qualidade e boas pr&aacute;ticas. Assim, a indexa&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos &eacute; avaliada segundo a vers&atilde;o atualizada dos Crit&eacute;rios SciELO Brasil de Indexa&ccedil;&atilde;o pelo Comit&ecirc; Consultivo SciELO Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As afilia&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e tem&aacute;ticas dos peri&oacute;dicos e o idioma de publica&ccedil;&atilde;o dos artigos s&atilde;o as dimens&otilde;es mais cr&iacute;ticas na aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios DEI na indexa&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos. A presen&ccedil;a dos peri&oacute;dicos na SciELO &eacute; determinada pela estrutura da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional, sendo tamb&eacute;m um fator determinante no desempenho dos peri&oacute;dicos em rela&ccedil;&atilde;o aos acessos e cita&ccedil;&otilde;es que recebem.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Est&atilde;o indexados peri&oacute;dicos de todas as oito grandes &aacute;reas do conhecimento da Capes, afiliados a 179 institui&ccedil;&otilde;es de 51 cidades de 17 unidades federativas. A <a href="#tab01">Tabela 1</a> apresenta, com dados de 2024, a composi&ccedil;&atilde;o da cole&ccedil;&atilde;o com base na distribui&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, dos peri&oacute;dicos e dos documentos por regi&otilde;es do Brasil e por tipo de institui&ccedil;&atilde;o. O Sudeste tem presen&ccedil;a predominante, com 70% das institui&ccedil;&otilde;es publicadoras, 71% dos peri&oacute;dicos e 75% dos documentos. Juntamente com o Sul, comp&otilde;em em torno de 90% da cole&ccedil;&atilde;o. As universidades s&atilde;o as principais publicadoras no Sul e no Nordeste, com mais de 60% dos peri&oacute;dicos e documentos, enquanto as sociedades cient&iacute;ficas e associa&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas predominam nas demais regi&otilde;es. Os governos federais e estaduais publicam 12% dos peri&oacute;dicos e 14% dos documentos. As cinco editoras comerciais brasileiras publicam pouco mais de 1% dos documentos.</font></p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig04">Figura 4</a> apresenta a composi&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos da SciELO Brasil e documentos publicados em 2024 por col&eacute;gios e propor&ccedil;&otilde;es por grandes &aacute;reas do conhecimento. Essa composi&ccedil;&atilde;o tem permanecido est&aacute;vel na &uacute;ltima d&eacute;cada, com varia&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas e predom&iacute;nio dos col&eacute;gios de Ci&ecirc;ncias da Vida e Humanidades. Os peri&oacute;dicos de Humanidades alcan&ccedil;aram, em 2024, a metade da cole&ccedil;&atilde;o, mas publicaram somente um ter&ccedil;o dos documentos, enquanto os peri&oacute;dicos de Ci&ecirc;ncias da Vida (44%) publicaram cerca de 60% da cole&ccedil;&atilde;o. Os peri&oacute;dicos de Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas representam somente 12% da cole&ccedil;&atilde;o e publicam menos de 10% dos artigos. Entre as grandes &aacute;reas do conhecimento, destacam-se as Ci&ecirc;ncias Humanas e da Sa&uacute;de, que em conjunto abrangem 60% dos peri&oacute;dicos e 65% dos documentos.</font></p>     <p><a name="fig04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig04.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">O multilinguismo &eacute; uma caracter&iacute;stica inerente ao desenvolvimento dos peri&oacute;dicos SciELO. A <a href="#fig05">Figura 5</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o entre 2015 e 2024 das propor&ccedil;&otilde;es de artigos nos idiomas em ingl&ecirc;s (En), portugu&ecirc;s (Pt), espanhol (Es) e dois ou mais idiomas simultaneamente, envolvendo principalmente o portugu&ecirc;s e o ingl&ecirc;s, e em menor grau o espanhol. A linha de a&ccedil;&atilde;o de internacionaliza&ccedil;&atilde;o do SciELO, a partir de 2014, e dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o foram determinantes na evolu&ccedil;&atilde;o da estrutura de idiomas de acordo com as &aacute;reas do conhecimento.<sup>[10]</sup></font></p>     <p><a name="fig05"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">O ingl&ecirc;s alcan&ccedil;ou 50% dos artigos a partir de 2012 e, desde 2014, &eacute; o idioma mais utilizado, predominando na comunica&ccedil;&atilde;o das pesquisas de Ci&ecirc;ncias da Vida e Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas. Nos &uacute;ltimos dez anos, o uso do ingl&ecirc;s cresceu a uma taxa m&eacute;dia anual de 3%, estabilizando-se nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos com um crescimento m&eacute;dio anual em torno de 1%, alcan&ccedil;ando 77% dos artigos. Nas Humanidades, o uso do ingl&ecirc;s cresceu a uma taxa m&eacute;dia anual de 3%, enquanto o portugu&ecirc;s teve uma queda m&eacute;dia anual de 2%, mas continua como o idioma predominante com 72% dos artigos. Nas Ci&ecirc;ncias da Vida e nas Humanidades, h&aacute; um esfor&ccedil;o editorial not&aacute;vel para promover a visibilidade das pesquisas, tanto dom&eacute;stica quanto internacionalmente, com o uso simult&acirc;neo do ingl&ecirc;s, portugu&ecirc;s e espanhol, com uma m&eacute;dia de 27% e 24% nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; indexa&ccedil;&atilde;o internacional, tomando como refer&ecirc;ncia o Scopus, que indexa 80% dos peri&oacute;dicos da SciELO Brasil, 82% dos peri&oacute;dicos n&atilde;o indexados s&atilde;o das Humanidades, com apenas 9% dos artigos em ingl&ecirc;s. O SciELO aplica equitativamente os crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o para todos os peri&oacute;dicos, que s&atilde;o em geral mais restritivos que os da Scopus. A seletividade na indexa&ccedil;&atilde;o pela Scopus &eacute; uma iniquidade em rela&ccedil;&atilde;o aos peri&oacute;dicos de Humanidades, que publicam predominantemente em portugu&ecirc;s. A indexa&ccedil;&atilde;o do SciELO, seguindo os princ&iacute;pios DEI, minimiza essa iniquidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outra dimens&atilde;o cr&iacute;tica no desenvolvimento dos peri&oacute;dicos do Brasil &eacute; a afilia&ccedil;&atilde;o dos autores, tradicionalmente dominada por institui&ccedil;&otilde;es do Brasil, embora com um crescimento sistem&aacute;tico de autores estrangeiros, estimulado pela linha de a&ccedil;&atilde;o de internacionaliza&ccedil;&atilde;o. A <a href="#fig06">Figura 6</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o da afilia&ccedil;&atilde;o nacional dos autores. A afilia&ccedil;&atilde;o estrangeira cresceu na &uacute;ltima d&eacute;cada a uma taxa m&eacute;dia anual de 4%, alcan&ccedil;ando 32% em 2024, pr&oacute;ximo da meta de 33% almejada pelo SciELO. A autoria estrangeira &eacute; liderada pelos demais pa&iacute;ses ibero-americanos (11%) seguidos pela &Aacute;sia (8%). </font></p>     <p><a name="fig06"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig06.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os artigos com autor &uacute;nico s&atilde;o 13% da cole&ccedil;&atilde;o, sendo 77% deles em peri&oacute;dicos de Humanidades. A colabora&ccedil;&atilde;o entre autores do Brasil com pares do exterior estabilizou-se em torno de 8,5% nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. A afilia&ccedil;&atilde;o nacional &eacute; dominada pelo Sudeste (67%) e a colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes estados foi de 29%, e entre regi&otilde;es, de 22%.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>SciELO Brasil &#45; desempenho dos peri&oacute;dicos e das pesquisas que comunicam</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O desempenho dos peri&oacute;dicos &eacute; avaliado em tr&ecirc;s dimens&otilde;es, segundo as particularidades das &aacute;reas de conhecimento. A primeira &eacute; a obedi&ecirc;ncia aos crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o, com &ecirc;nfase na ado&ccedil;&atilde;o das inova&ccedil;&otilde;es, atualmente centrada no n&iacute;vel de ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta. A segunda &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de acessos, que mede a visibilidade das pesquisas que os peri&oacute;dicos comunicam. A terceira &eacute; baseada nas cita&ccedil;&otilde;es recebidas, com base nos indicadores h5 do Google Acad&ecirc;mico e I4 (m&eacute;dia de impacto a quatro anos, similar ao indicador CiteScore da Scopus), aplicado ao SciELO Citation Index, que integra a <i>Web</i> of Science All Databases, e ao indicador Source Normalized Impact per Paper (SNIP) do Centre for Science and Technology Studies (CWTS), Leiden University, com dados da Scopus.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A obedi&ecirc;ncia aos crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o &eacute; determinante para manter e aumentar a qualidade e o impacto dos peri&oacute;dicos. &Eacute; essencial na ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta nos prazos previstos. A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; conduzida pelo Comit&ecirc; Consultivo SciELO Brasil e compreende tr&ecirc;s &aacute;reas. A primeira abrange a continuidade do fluxo de produ&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos, medida pelo n&uacute;mero de manuscritos recebidos, aprovados e o tempo m&eacute;dio de aprova&ccedil;&atilde;o, com base em uma consulta semestral ou anual aos peri&oacute;dicos. A segunda se refere &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o de cada peri&oacute;dico para o desempenho da &aacute;rea de conhecimento correspondente, considerando o n&uacute;mero esperado de artigos publicados, a propor&ccedil;&atilde;o em ingl&ecirc;s e a propor&ccedil;&atilde;o de autores estrangeiros. A terceira abrange os crit&eacute;rios de ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta. A <a href="#tab02">Tabela 2</a> mostra o estado de ado&ccedil;&atilde;o no final de 2024, informado na reuni&atilde;o de final de ano do SciELO.</font></p>     <p><a name="tab02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06tab02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os crit&eacute;rios de ado&ccedil;&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e licen&ccedil;a CC-BY tiveram ado&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima a 100%, com um avan&ccedil;o geral nos crit&eacute;rios-chave de ades&atilde;o: descri&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica editorial (61%), aceita&ccedil;&atilde;o de manuscritos j&aacute; disponibilizados como <i>preprints</i> (60%) e disponibiliza&ccedil;&atilde;o dos dados de pesquisa (53%). A ado&ccedil;&atilde;o abaixo de 50% na publica&ccedil;&atilde;o do nome do editor respons&aacute;vel pela aprova&ccedil;&atilde;o dos artigos revela as dificuldades para avan&ccedil;ar na abertura do processo de avalia&ccedil;&atilde;o por pares, que prev&ecirc; como avan&ccedil;o mais significativo a publica&ccedil;&atilde;o dos pareceres de aprova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SciELO recomenda aos peri&oacute;dicos a ado&ccedil;&atilde;o do Formul&aacute;rio sobre Conformidade com a Ci&ecirc;ncia Aberta, que consulta, na submiss&atilde;o, se o manuscrito &eacute; um <i>preprint</i>, se os dados subjacentes aos textos est&atilde;o declarados e dispon&iacute;veis e se o autor concorda com op&ccedil;&otilde;es de abertura do processo de <i>peer review</i>. O formul&aacute;rio &eacute; educativo e permite aos peri&oacute;dicos avaliarem o n&iacute;vel de conhecimento e ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta pelos autores. Atualmente, 48% dos peri&oacute;dicos j&aacute; usam o formul&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os indicadores de ado&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta indicam que o cumprimento da meta de ter todos os peri&oacute;dicos alinhados at&eacute; o final de 2025, como requerem os Crit&eacute;rios SciELO, demandar&aacute; uma intensifica&ccedil;&atilde;o da capacita&ccedil;&atilde;o dos editores, equipes editoriais e empresas que prestam servi&ccedil;os de editora&ccedil;&atilde;o. A dificuldade maior reside na aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em prol da Ci&ecirc;ncia Aberta e no alinhamento tradicional dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de avalia&ccedil;&atilde;o do Qualis, que sempre ignoraram a contribui&ccedil;&atilde;o decisiva da abertura para o melhoramento e impacto das pesquisas. Entretanto, assim como nas inova&ccedil;&otilde;es anteriores, h&aacute; sempre um fluxo significativo de ades&otilde;es tardias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A segunda dimens&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho dos peri&oacute;dicos &eacute; a medida dos acessos que as pesquisas comunicadas pelos peri&oacute;dicos recebem. Para tanto, o Programa SciELO usa o protocolo ANSI/NISO Z39.93-2014 (<i>The Standardized Usage Statistics Harvesting Initiative</i> - SUSHI) para a coleta de estat&iacute;sticas de uso, registradas e disponibilizadas conforme o COUNTER Code of Practice Release 5.0.2 (<i>Counting Online Usage of NeTworked Electronic Resources</i>). O COUNTER filtra rob&ocirc;s e assegura, com grande precis&atilde;o, que os acessos aos arquivos (PDF, XML, HTML etc.) sejam contabilizados corretamente. Para cada sess&atilde;o do mesmo usu&aacute;rio, s&atilde;o contabilizados todos os acessos por documentos e produz-se o indicador de acesso &uacute;nico, que descarta poss&iacute;veis acessos repetitivos ou a diferentes vers&otilde;es do mesmo documento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os acessos s&atilde;o tamb&eacute;m classificados como "requisi&ccedil;&otilde;es" quando se trata do documento completo e como "investiga&ccedil;&otilde;es" quando se contabilizam metadados e outros links associados aos documentos. Neste texto, consideramos somente acessos-requisi&ccedil;&otilde;es &uacute;nicos. A <a href="#fig07">Figura 7</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o dos acessos &uacute;nicos mensais e di&aacute;rios entre 2018 e 2024. Os acessos mensais, com m&eacute;dia de 26,4 milh&otilde;es e desvio padr&atilde;o de 7,4 milh&otilde;es (coeficiente de varia&ccedil;&atilde;o de 28%), indicam alta variabilidade entre meses e anos. A linha de tend&ecirc;ncia com melhor ajuste &eacute; a polinomial (R&sup2;=0,157).</font></p>     <p><a name="fig07"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig07.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A variabilidade entre meses &eacute; uma das caracter&iacute;sticas mais representativas da visibilidade e relev&acirc;ncia dos peri&oacute;dicos SciELO, pois os picos e vales seguem o calend&aacute;rio dos cursos universit&aacute;rios no Brasil. Podemos definir a SciELO como uma das mais importantes bibliotecas da universidade brasileira. A variabilidade entre anos indica a evolu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a e exuber&acirc;ncia da pesquisa nacional, em especial dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A terceira dimens&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos e das pesquisas que comunicam &eacute; a medida das cita&ccedil;&otilde;es recebidas, utilizando diferentes indicadores com algoritmos espec&iacute;ficos. A <a href="#fig08">Figura 8</a> mostra a evolu&ccedil;&atilde;o, entre 2014 e 2023, das medianas dos indicadores h5 do Google Acad&ecirc;mico e I4 (similar ao CiteScore), com dados do WoS All Databases, e o SNIP, com dados do Scopus. Os dois primeiros cobrem todos os peri&oacute;dicos, e o SNIP, os indexados no Scopus (80%). Os indicadores de 2024 ser&atilde;o calculados at&eacute; julho de 2025, &agrave; espera da alimenta&ccedil;&atilde;o dos artigos em atraso e do tempo de c&aacute;lculo.</font></p>     <p><a name="fig08"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig08.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os gr&aacute;ficos suavizados, com base na composi&ccedil;&atilde;o de cada base e no algoritmo de c&aacute;lculo, mostram o crescimento do impacto das pesquisas at&eacute; 2020, seguido de estagna&ccedil;&atilde;o ou queda. O gr&aacute;fico &agrave; direita mostra esse desempenho com a varia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual do SNIP, com crescimento est&aacute;vel at&eacute; 2020, seguido de queda acentuada. A partir de 2021, a queda no impacto normalizado dos peri&oacute;dicos SciELO indexados no Scopus coincide com a produ&ccedil;&atilde;o menor de artigos e a menor participa&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig09">Figura 9</a> apresenta, no gr&aacute;fico &agrave; esquerda, a evolu&ccedil;&atilde;o entre 2014 e 2023 da propor&ccedil;&atilde;o dos artigos do Brasil (BR) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o mundial, dos publicados em todos os peri&oacute;dicos do Brasil (BR em BR) e na SciELO Brasil em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do Brasil. No gr&aacute;fico central, mostra a evolu&ccedil;&atilde;o do impacto normalizado do Brasil medido pelos indicadores FWCI (Field-Weighted Citation Impact) no Scopus e CNCI (Category Normalized Citation Impact) na cole&ccedil;&atilde;o n&uacute;cleo do WoS. No gr&aacute;fico da direita, mostra a evolu&ccedil;&atilde;o do indicador SNIP (Source Normalized Impact per Paper) para os peri&oacute;dicos do Brasil SciELO e n&atilde;o SciELO indexados no Scopus.</font></p>     <p><a name="fig09"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig09.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os tr&ecirc;s gr&aacute;ficos indicam que, no per&iacute;odo de 2014 a 2023, houve uma mudan&ccedil;a na estrutura da comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas do Brasil, com redu&ccedil;&atilde;o na participa&ccedil;&atilde;o mundial, que atingiu o pico de 2,9% entre 2017 e 2021 e caiu para 2,4% em 2024. A queda mais significativa, de 32% para 25% (-22%), ocorreu no n&uacute;mero de artigos em peri&oacute;dicos do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>SciELO <i>Preprints</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O servidor SciELO <i>Preprints</i> foi lan&ccedil;ado em 2020, no in&iacute;cio do confinamento devido &agrave; Covid-19. Com a plataforma de <i>software</i> provida pelo sistema Open Preprints Systems (OPS), da mesma fam&iacute;lia de <i>software</i> de gest&atilde;o de manuscritos da PKP, segue os padr&otilde;es de servidores confi&aacute;veis, com modera&ccedil;&atilde;o dos manuscritos submetidos, apoiada por crit&eacute;rios de aprova&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica centrados na sele&ccedil;&atilde;o de artigos de pesquisas de autoria com produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica indexada ou realizada por editores SciELO, atribui&ccedil;&atilde;o de DOI, versionamento que permite aos autores atualizarem os <i>preprints</i>, preserva&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o de indexa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&atilde;o obstante, as vantagens que os <i>preprints</i> oferecem, ainda h&aacute; grande resist&ecirc;ncia na comunidade cient&iacute;fica devido a v&aacute;rios fatores, entre os quais o compromisso de autores e editores com a tradi&ccedil;&atilde;o do registro e avalia&ccedil;&atilde;o das pesquisas comunicadas em peri&oacute;dicos &#45; pr&aacute;tica que foi refor&ccedil;ada pelo sistema Qualis nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas &#45; o temor dos autores de que a disponibiliza&ccedil;&atilde;o em <i>preprints</i> afete negativamente a aceita&ccedil;&atilde;o da pesquisa por peri&oacute;dicos, o medo de ter ideias e dados roubados, as dificuldades em gerir a contagem das cita&ccedil;&otilde;es recebidas da vers&atilde;o <i>preprint</i> e da vers&atilde;o final do peri&oacute;dico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A capacidade de acelerar a comunica&ccedil;&atilde;o das pesquisas &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o mais importante que os <i>preprints</i> podem trazer para a cole&ccedil;&atilde;o SciELO Brasil. Considerando os manuscritos aprovados de 2023, as medianas (em meses) entre a submiss&atilde;o e a aprova&ccedil;&atilde;o foram de cinco meses para Ci&ecirc;ncias da Vida, seis meses para Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas e sete meses para Humanidades. J&aacute; entre a aprova&ccedil;&atilde;o e a publica&ccedil;&atilde;o no SciELO, foram de quatro meses para Ci&ecirc;ncias da Vida e Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas e cinco meses para Humanidades &#45; ou seja, uma m&eacute;dia geral de 10 meses entre a submiss&atilde;o e a publica&ccedil;&atilde;o no SciELO. Os peri&oacute;dicos podem depositar como <i>preprints</i> os manuscritos aprovados enquanto realizam a edi&ccedil;&atilde;o final dos artigos, o que representa um ganho m&eacute;dio de quatro meses e meio para todos, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; visibilidade dos artigos. Entretanto, apenas 10 peri&oacute;dicos fazem uso frequente dessa op&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o da SciELO Brasil exigem que os peri&oacute;dicos especifiquem na pol&iacute;tica editorial e nas instru&ccedil;&otilde;es aos autores que aceitam a submiss&atilde;o de manuscritos j&aacute; disponibilizados em servidores de <i>preprints</i> confi&aacute;veis. O n&uacute;mero de peri&oacute;dicos que segue essa orienta&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos indicadores de ado&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Aberta (ver <a href="#tab01">Tabela 1</a>). No final de 2024, 60% dos peri&oacute;dicos j&aacute; seguem esse crit&eacute;rio. A ades&atilde;o a esse crit&eacute;rio depende somente da decis&atilde;o da editora ou editor-chefe.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Como propuseram em 2019 Sever R, Eisen M e Inglis J: "Se todas as ag&ecirc;ncias financiadoras de pesquisa exigissem que seus benefici&aacute;rios depositassem primeiro seus manuscritos em servidores de <i>preprints</i> &#45; uma abordagem que chamamos de Plano U (de "universal") &#45; o desejo generalizado de fornecer acesso livre imediato &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial seria alcan&ccedil;ado com m&iacute;nimo esfor&ccedil;o e custo."<sup>[11]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa proposta foi adotada em 2024 pela Funda&ccedil;&atilde;o Bill e Melinda Gates e pode sinalizar uma op&ccedil;&atilde;o para que as ag&ecirc;ncias de fomento promovam o acesso aberto &agrave;s pesquisas que financiam, independentemente do avan&ccedil;o do acesso aberto entre os peri&oacute;dicos comercializados. Se as ag&ecirc;ncias e os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do Brasil adotarem os <i>preprints</i> como in&iacute;cio do processo de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas, haver&aacute; certamente um aumento progressivo na qualidade, visibilidade, impacto e, provavelmente, uma diminui&ccedil;&atilde;o de custos da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos cinco anos de opera&ccedil;&atilde;o, entre 2020 e 2024, o n&uacute;mero de manuscritos aceitos para o SciELO <i>preprints</i> alcan&ccedil;ou 3.683, com uma taxa de aprova&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 65%. A <a href="#fig10">Figura 10</a> mostra, no gr&aacute;fico &agrave; esquerda, a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero total e por col&eacute;gio tem&aacute;tico de <i>preprints</i>, com uma m&eacute;dia anual estabilizada de 735 <i>preprints</i> &#45; o que representa menos de 1% do n&uacute;mero total de manuscritos submetidos anualmente aos peri&oacute;dicos SciELO. O gr&aacute;fico central mostra a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e tem&aacute;tica, com predom&iacute;nio de manuscritos do Brasil (79%), seguidos dos demais pa&iacute;ses ibero-americanos (19%) e de outras regi&otilde;es (2%). Consequentemente, o idioma mais utilizado foi o portugu&ecirc;s (67%), seguido pelo espanhol (17%) e pelo ingl&ecirc;s (16%). O gr&aacute;fico &agrave; direita mostra o n&uacute;mero de acessos totais e por preprint segundo o col&eacute;gio tem&aacute;tico, com destaque para Ci&ecirc;ncias da Vida (2.250 acessos por preprint), seguidas por Humanidades (1.225) e Ci&ecirc;ncias F&iacute;sicas (835).</font></p>     <p><a name="fig10"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig10.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig11">Figura 11</a> mostra o desempenho do SciELO <i>Preprints</i> comparado com os servidores bioRxiv (espec&iacute;fico das Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas), Open Science Framework (OSF) <i>preprints</i> e todos os <i>preprints</i> indexados pelo Dimensions. O n&uacute;mero de <i>preprints</i> do SciELO &eacute; &iacute;nfimo (0,2%) em rela&ccedil;&atilde;o aos demais servidores, mas eles apresentam um desempenho destacado no indicador de propor&ccedil;&atilde;o de <i>preprints</i> com pelo menos uma cita&ccedil;&atilde;o e, mais importante, no indicador FWCI (normalizado de cita&ccedil;&otilde;es recebidas em rela&ccedil;&atilde;o aos documentos da base do mesmo ano e &aacute;rea tem&aacute;tica), que est&aacute; bem acima de todos os <i>preprints</i> e da OSF e, como esperado, abaixo dos <i>preprints</i> do bioRxiv.</font></p>     <p><a name="fig11"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig11.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>SciELO Data</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SciELO Data teve in&iacute;cio como piloto em 2020 e iniciou a opera&ccedil;&atilde;o regular em 2022. Com a plataforma de <i>software</i> desenvolvida pelo Projeto DataVerse do Institute for Quantitative Social Science (IQSS) da Universidade de Harvard, o SciELO Data &eacute; um reposit&oacute;rio confi&aacute;vel que segue os padr&otilde;es internacionais, com a estrutura&ccedil;&atilde;o dos dados e metadados alinhados aos princ&iacute;pios FAIR. Os arquivos de dados s&atilde;o disponibilizados em modo "p&uacute;blico" com acesso aberto sob licen&ccedil;a CC-BY ou "restrito", usado em situa&ccedil;&otilde;es especiais, como durante o processo de avalia&ccedil;&atilde;o do artigo ou quando se tratam de dados sens&iacute;veis que requerem disponibilidade restrita.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A tecnologia Dataverse &eacute; especialmente adequada &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de <i>metapublisher</i> do SciELO, pois tem a capacidade de encapsular, em um reposit&oacute;rio abrangente como o SciELO Data, reposit&oacute;rios espec&iacute;ficos de cada peri&oacute;dico, com edi&ccedil;&atilde;o e curadoria de dados realizadas pelos pr&oacute;prios peri&oacute;dicos. Assim, por um lado, assegura-se a independ&ecirc;ncia editorial dos peri&oacute;dicos, e, por outro, permite-se aos usu&aacute;rios o acesso tanto a cada um dos reposit&oacute;rios quanto ao conjunto de todos eles. At&eacute; o final de 2024, o SciELO Data implantou 59 reposit&oacute;rios de peri&oacute;dicos da SciELO Brasil, um do SciELO <i>Preprints</i> e outro da cole&ccedil;&atilde;o SciELO M&eacute;xico. O n&uacute;mero de reposit&oacute;rios de dados de peri&oacute;dicos da SciELO Brasil ainda &eacute; pequeno (19% do total de 323 peri&oacute;dicos), o que &eacute; compreens&iacute;vel pela resist&ecirc;ncia &agrave; abertura dos dados e pela dificuldade operacional dos peri&oacute;dicos em adotar pr&aacute;ticas editoriais de curadoria de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SciELO Data estrutura a cole&ccedil;&atilde;o de arquivos de dados em tr&ecirc;s n&iacute;veis: um reposit&oacute;rio para cada peri&oacute;dico, um conjunto de dados para cada artigo e, por sua vez, um ou mais arquivos que podem conter dados num&eacute;ricos, textuais, c&oacute;digos de programas de computador etc. Os conjuntos de dados associados a cada artigo e cada arquivo do conjunto recebem um identificador &uacute;nico DOI atribu&iacute;do pelo sistema DataCite, t&ecirc;m licen&ccedil;a CC-BY e s&atilde;o descritos em registros de metadados normalizados que seguem os princ&iacute;pios FAIR. Entre os v&aacute;rios campos dos metadados, um aponta para os metadados do texto do artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O uso de reposit&oacute;rios de dados representa o maior desafio para os peri&oacute;dicos avan&ccedil;arem na ado&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia Aberta. Requer um avan&ccedil;o na pol&iacute;tica editorial para que a gest&atilde;o de dados passe a fazer parte do processo de edi&ccedil;&atilde;o. At&eacute; o final de 2024, haver&aacute; um n&uacute;mero acumulado de 63 reposit&oacute;rios criados, com um crescimento m&eacute;dio anual de 15 novos reposit&oacute;rios. Entretanto, apenas 25 peri&oacute;dicos e o servidor de <i>preprints</i> fazem uso sistem&aacute;tico do reposit&oacute;rio. No total, os reposit&oacute;rios indexam 636 conjuntos de dados de artigos, que somam 4.020 arquivos e resultaram em mais de 14 mil <i>downloads</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o da SciELO Brasil exigem que os artigos contenham uma declara&ccedil;&atilde;o sobre a disponibilidade dos dados associados, crit&eacute;rio que dever&aacute; ser seguido por todos os peri&oacute;dicos a partir de 2026. A declara&ccedil;&atilde;o pode ter tr&ecirc;s formatos. O primeiro e mais recomendado &eacute; a indica&ccedil;&atilde;o do endere&ccedil;o do conjunto de dados associado ao artigo, seja no SciELO Data ou em outro reposit&oacute;rio. O segundo &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de que todos os dados est&atilde;o integrados no texto do artigo. Por fim, a terceira op&ccedil;&atilde;o &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de que os dados est&atilde;o dispon&iacute;veis mediante solicita&ccedil;&atilde;o ao autor correspondente. Essa op&ccedil;&atilde;o deve ser utilizada quando houver um motivo &eacute;tico, de seguran&ccedil;a, financeiro ou outro impedimento apresentado pelos autores e aprovado pelos peri&oacute;dicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>SciELO Livros </b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A cole&ccedil;&atilde;o SciELO Livros foi lan&ccedil;ada em 2012 como parte da infraestrutura de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas do Programa SciELO. O estabelecimento da cole&ccedil;&atilde;o foi resultado de uma iniciativa conjunta da Editora FIOCRUZ, Editora UNESP e UDUFBA, que contribu&iacute;ram com o financiamento e a assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento da plataforma, formando o n&uacute;cleo inicial da rede de editoras. A Associa&ccedil;&atilde;o de Editoras Universit&aacute;rias (ABEU) &eacute; parceira no desenvolvimento do SciELO Livros desde sua cria&ccedil;&atilde;o. A <a href="#fig12">Figura 12</a> mostra, &agrave; esquerda, a evolu&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o da cole&ccedil;&atilde;o, ao centro o n&uacute;mero de acessos &uacute;nicos e, &agrave; direita, o impacto por cita&ccedil;&otilde;es. At&eacute; o final de 2024, a SciELO Livros conta com 25 editoras ativas e 8 cole&ccedil;&otilde;es, que publicaram um total acumulado de 2.127 livros, dos quais foram indexados 28.280 cap&iacute;tulos. Os acessos acumulados atingiram 126 milh&otilde;es em 2024, e o acesso anual por livro estabilizou-se em torno de 2.500. O n&uacute;mero de livros citados alcan&ccedil;ou 75% h&aacute; 10 anos, com uma m&eacute;dia de 10 cita&ccedil;&otilde;es por livro. Como era esperado, esse n&uacute;mero caiu progressivamente para 25% dos livros, com metade dos livros citados em 2024.</font></p>     <p><a name="fig12"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06fig12.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Seguindo o modelo de constru&ccedil;&atilde;o coletiva, a SciELO Livros &eacute; governada por dois comit&ecirc;s: o Comit&ecirc; Gestor, que assiste o desenvolvimento qualificado e sustent&aacute;vel da cole&ccedil;&atilde;o, e o Comit&ecirc; Consultivo, respons&aacute;vel pela indexa&ccedil;&atilde;o de editoras e cole&ccedil;&otilde;es, segundo crit&eacute;rios que exigem boas pr&aacute;ticas relativas ao funcionamento dos conselhos editoriais, avalia&ccedil;&atilde;o por pares e indexa&ccedil;&atilde;o de livros em processo de modera&ccedil;&atilde;o, com foco no car&aacute;ter cient&iacute;fico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O SciELO como <i>metapublisher</i> de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas de qualidade em Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O fluxo de produ&ccedil;&atilde;o dos artigos na plataforma SciELO segue o modelo cl&aacute;ssico no contexto dos peri&oacute;dicos, de acordo com suas pol&iacute;ticas editoriais e em conson&acirc;ncia com os Crit&eacute;rios SciELO de Indexa&ccedil;&atilde;o e as linhas priorit&aacute;rias de a&ccedil;&atilde;o de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, internacionaliza&ccedil;&atilde;o e sustentabilidade. A <a href="#tab03">Tabela 3</a> resume o fluxo anual de produ&ccedil;&atilde;o do conjunto dos peri&oacute;dicos do SciELO. Nos &uacute;ltimos dois anos, com a queda da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Brasil, os peri&oacute;dicos receberam uma m&eacute;dia anual de 77 mil manuscritos, aprovaram 19,7 mil e publicaram 18,9 mil artigos. No contexto dos peri&oacute;dicos, a m&eacute;dia do tempo de avalia&ccedil;&atilde;o foi de aproximadamente cinco meses, enquanto nos registros dos artigos publicados, as m&eacute;dias de avalia&ccedil;&atilde;o foram de 6,8 meses e 12,1 meses para o tempo total entre a submiss&atilde;o e a publica&ccedil;&atilde;o no SciELO.</font></p>     <p><a name="tab03"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a06tab03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os artigos, ap&oacute;s aprova&ccedil;&atilde;o pelos pares, s&atilde;o editados de acordo com a metodologia do Modelo SciELO de Publica&ccedil;&atilde;o, que requer os arquivos em dois formatos: um em XML, segundo a norma ANSI/NISO Z39.96-2021 (JATS: Journal Article Tag Suite), e outro em PDF, seguindo o estilo do peri&oacute;dico e a organiza&ccedil;&atilde;o dos arquivos de dados associados. Os artigos em XML e PDF s&atilde;o enviados para carga na base de dados da SciELO Brasil, e os arquivos de dados associados para o reposit&oacute;rio SciELO Data. O SciELO promove o armazenamento, preserva&ccedil;&atilde;o digital, publica&ccedil;&atilde;o, dissemina&ccedil;&atilde;o e interoperabilidade dos textos e arquivos de dados. Os artigos s&atilde;o publicados na <i>web</i> em formato HTML derivado da vers&atilde;o em XML. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SciELO opera como uma metaeditora (<i>metapublisher</i>) das institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pelos peri&oacute;dicos, que, como vimos acima, somaram 179 em 2024. Como metaeditora, o SciELO assegura, ao mesmo tempo, a independ&ecirc;ncia editorial dos peri&oacute;dicos e o desenvolvimento descentralizado de capacidades, com acesso ao estado da arte em comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas a custos acess&iacute;veis. Essa modalidade segue o princ&iacute;pio do SciELO de trabalho em rede, governado coletivamente, que resulta em ganhos de escala e gest&atilde;o de assimetrias. Assim, a opera&ccedil;&atilde;o e o financiamento do SciELO ocorrem, por um lado, descentralizadamente no contexto de cada peri&oacute;dico e, por outro, centralizadamente na infraestrutura central da Rede SciELO.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em maio de 2021, o Programa SciELO estabeleceu um grupo de trabalho para sistematizar as an&aacute;lises, propostas e recomenda&ccedil;&otilde;es sobre a sustentabilidade do Programa SciELO diante de uma eventual redu&ccedil;&atilde;o do aux&iacute;lio da Fapesp e, principalmente, das dificuldades financeiras enfrentadas por um n&uacute;mero crescente de peri&oacute;dicos, em grande parte devido ao limitado fomento p&uacute;blico, desinteresse ou limita&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es publicadoras e aos custos crescentes decorrentes da metodologia SciELO. As recomenda&ccedil;&otilde;es do grupo de trabalho foram aprovadas pelo Comit&ecirc; Consultivo SciELO Brasil e comunicadas a todos os peri&oacute;dicos em julho de 2021. A Fapesp assegurou a continuidade de sua lideran&ccedil;a no custeio de 80% a 90% do or&ccedil;amento do SciELO. Quanto aos peri&oacute;dicos, o posicionamento do GT foi, em primeiro lugar, que "cabe, em primeira inst&acirc;ncia, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es publicadoras a responsabilidade pela manuten&ccedil;&atilde;o de seus peri&oacute;dicos. Aqu&eacute;m das fun&ccedil;&otilde;es providas pelo SciELO, os peri&oacute;dicos operam sob as mais diferentes condi&ccedil;&otilde;es de sustentabilidade e s&atilde;o custeados por uma ou mais fontes de recursos, destacando-se a imperiosa necessidade de manuten&ccedil;&atilde;o/aprimoramento das pol&iacute;ticas editoriais p&uacute;blicas para o cont&iacute;nuo financiamento". Ap&oacute;s compartilhar os resultados de uma consulta com os peri&oacute;dicos, o GT ponderou que: </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><i>"os crit&eacute;rios de indexa&ccedil;&atilde;o do SciELO s&atilde;o atualmente neutros em rela&ccedil;&atilde;o aos modelos de financiamento dos peri&oacute;dicos. Os peri&oacute;dicos que enfrentam dificuldades para custear sua publica&ccedil;&atilde;o regular t&ecirc;m como uma das op&ccedil;&otilde;es a cobran&ccedil;a de taxas de publica&ccedil;&atilde;o (APC). Uma das vantagens do APC &eacute; dotar os peri&oacute;dicos de autonomia or&ccedil;ament&aacute;ria, o que permite planejamento com investimentos a m&eacute;dio e longo prazo".</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A partir de 2024, a infraestrutura centralizada do SciELO passou a ser custeada pelo Cons&oacute;rcio SciELO, formado pela Capes, CNPq e Fapesp, tendo como unidade or&ccedil;ament&aacute;ria o custeio por artigo estimado em torno de USD 100,00. J&aacute; o custeio dos peri&oacute;dicos continua advindo de um mix de recursos aportados pelas institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pelos peri&oacute;dicos, por ag&ecirc;ncias nacionais ou estaduais de pesquisa, por cobran&ccedil;a de taxa de publica&ccedil;&atilde;o e alguns com patroc&iacute;nios. Estimar os custos de produ&ccedil;&atilde;o nos 179 diferentes contextos dos peri&oacute;dicos SciELO &eacute; muito dif&iacute;cil. A maioria usa recursos financeiros, de infraestrutura e humanos das institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis, dif&iacute;ceis de serem or&ccedil;ados em uma planilha normalizada para todos os peri&oacute;dicos. Muitos recebem recursos dos programas editoriais irregulares do CNPq com apoio da Capes (por exemplo, o "resultado final" da Chamada CNPq/Capes n&ordm; 30/2023, que disponibilizou R$ 6 milh&otilde;es e contemplou um total de 260 peri&oacute;dicos, apoiando 64% dos peri&oacute;dicos da SciELO Brasil, que receberam R$ 4,2 milh&otilde;es, ou seja, uma m&eacute;dia estimada de R$ 25 mil por peri&oacute;dico e de R$ 435,00 por artigo, considerando uma m&eacute;dia de 60 artigos por peri&oacute;dico). Em 2024, um conjunto de 89 (28%) peri&oacute;dicos cobrou taxas de publica&ccedil;&atilde;o. Eles publicaram 7.188 documentos, 36% do total. Entre os peri&oacute;dicos que cobram taxa de publica&ccedil;&atilde;o, 24 (7% do total) cobram taxa de submiss&atilde;o. As taxas de cada peri&oacute;dico t&ecirc;m diferentes valores e moedas, dependendo da afilia&ccedil;&atilde;o nacional ou estrangeira dos autores, da vincula&ccedil;&atilde;o a uma sociedade ou associa&ccedil;&atilde;o e das caracter&iacute;sticas do manuscrito. Assim, 85% dos peri&oacute;dicos t&ecirc;m dois ou mais valores, 35% t&ecirc;m tr&ecirc;s ou mais, 17% t&ecirc;m quatro ou mais, e um tem 15 diferentes valores. Estimamos, com vi&eacute;s para cima, uma m&eacute;dia de USD 300,00 de taxa de publica&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; bem abaixo da m&eacute;dia estimada de USD 2.000,00 pela OpenAPC.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nessas condi&ccedil;&otilde;es, uma estimativa confort&aacute;vel &eacute; de USD 400,00 (R$ 2.200,00, ao c&acirc;mbio de R$ 5,50 por d&oacute;lar) por artigo. Considerando que o custeio na plataforma SciELO gira em torno de USD 100,00 (R$ 550,00) por artigo, o custo total de um artigo publicado na plataforma SciELO gira em torno de USD 500,00 (R$ 2.750,00). Entretanto, quando o processo do fluxo editorial &eacute; realizado pelo SciELO, devido &agrave; combina&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia e alta produtividade gerada por ganhos de escala, esse custo se reduz &agrave; metade (USD 250,00 por artigo), mantendo-se a pol&iacute;tica editorial e a avalia&ccedil;&atilde;o por pares sob responsabilidade integral dos peri&oacute;dicos e sem custos de tradu&ccedil;&atilde;o. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, o custo total estimado de produ&ccedil;&atilde;o do SciELO &eacute; de USD 5 milh&otilde;es. Com base no Scopus de 2024, esse custo cobre 15% da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Brasil, que gira em torno de 5% do seu custeio total estimado em USD 100 milh&otilde;es, considerando 70 mil artigos com primeiro autor brasileiro. Assim, o SciELO, como metaeditora dos peri&oacute;dicos de qualidade do Brasil, com custos por artigo em torno de 12% do custo m&eacute;dio dos publishers comerciais, representa, al&eacute;m da possibilidade de aumentar o impacto da pesquisa brasileira, uma solu&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel para reduzir os custos da comunica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Conclus&atilde;o: O SciELO como infraestrutura nacional de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas em Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A trajet&oacute;ria inovadora e bem-sucedida de 27 anos de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas em AA e, ultimamente, no modus operandi de Ci&ecirc;ncia Aberta qualifica o SciELO como componente estrat&eacute;gico do sistema nacional de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Tr&ecirc;s caracter&iacute;sticas fundamentais derivadas do artigo sustentam essa posi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A primeira &eacute; sua governan&ccedil;a superior, estabelecida em tr&ecirc;s n&iacute;veis convergentes: pol&iacute;tico-financeiro, com o cons&oacute;rcio nacional formado pela Capes, CNPq e Fapesp; cient&iacute;fico, com comit&ecirc;s consultivos que orientam o desenvolvimento das cole&ccedil;&otilde;es segundo o estado da arte internacional; e operacional, com uma rede descentralizada de cerca de 180 institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis por mais de 320 peri&oacute;dicos, que compartilham metodologias, tecnologias e boas pr&aacute;ticas. Essa estrutura de governan&ccedil;a promove constru&ccedil;&otilde;es coletivas e assegura a sustentabilidade do programa, al&eacute;m de seu alinhamento com as pol&iacute;ticas, programas e comunidades nacionais de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A segunda caracter&iacute;stica &eacute; o alto impacto alcan&ccedil;ado pelos peri&oacute;dicos SciELO at&eacute; 2020, evidenciado pelo desempenho consistentemente superior em diferentes m&eacute;tricas. Os peri&oacute;dicos SciELO mantiveram, na &uacute;ltima d&eacute;cada, o indicador SNIP m&eacute;dio (0,619), significativamente maior que os demais peri&oacute;dicos brasileiros n&atilde;o-SciELO (0,361), demonstrando que a plataforma contribui efetivamente para a maximiza&ccedil;&atilde;o da visibilidade e impacto da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional. Este desempenho &eacute; ainda mais relevante para a comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas, considerando que o SciELO opera com custos substancialmente menores que as editoras comerciais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A terceira caracter&iacute;stica &eacute; a implementa&ccedil;&atilde;o abrangente das pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta com IDEIA (Impacto, Diversidade, Equidade, Inclus&atilde;o e Acessibilidade), que dota o Brasil com uma infraestrutura avan&ccedil;ada e integrada de comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O SciELO opera uma plataforma completa que compreende <i>preprints</i>, peri&oacute;dicos, dados de pesquisa e livros acad&ecirc;micos, todos em acesso aberto e interoper&aacute;veis internacionalmente. A interface tamb&eacute;m promove a avalia&ccedil;&atilde;o por pares informada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas caracter&iacute;sticas emergem em um contexto em que a evolu&ccedil;&atilde;o da pesquisa nacional e sua comunica&ccedil;&atilde;o carecem de aperfei&ccedil;oamentos. O primeiro, derivado de dados bibliom&eacute;tricos, &eacute; o aprimoramento da qualidade das pesquisas como fator determinante para o impacto da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional. O segundo &eacute; a atualiza&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com base no impacto observado das pesquisas, e n&atilde;o mais no impacto previsto do peri&oacute;dico. O terceiro &eacute; dotar a pol&iacute;tica nacional de acordos transformativos com equidade, valorizando os artigos dos pesquisadores brasileiros publicados em peri&oacute;dicos de qualidade, tanto no Brasil quanto no exterior, e editados por editoras comerciais. A ado&ccedil;&atilde;o do SciELO como plataforma preferencial de publica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no Brasil, como parte do fluxo global de comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas, contribuir&aacute; decisivamente para esses aperfei&ccedil;oamentos e representa uma oportunidade estrat&eacute;gica para fortalecer a soberania nacional na comunica&ccedil;&atilde;o de pesquisas, promover a equidade no acesso ao conhecimento e aumentar a competitividade internacional da ci&ecirc;ncia brasileira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] Packer, A. L. (2020). The Pasts, Presents, and Futures of SciELO. The MIT Press EBooks, 297&#45;314. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://direct.mit.edu/books/oa-edited-volume/chapter-pdf/2253781/9780262363723_c002100.pdf" target="_blank">https://direct.mit.edu/books/oa-edited-volume/chapter-pdf/2253781/9780262363723_c002100.pdf</a>. Acesso em: 24 fev. 2025 </font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[2] STIGLITZ, J. O conhecimento como um bem p&uacute;blico global. In: I. Kaul, I. Grunberg, M. A. Stern (eds.). Bens P&uacute;blicos Globais: Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional no S&eacute;culo XXI. S&atilde;o Paulo: Editora Record, 2012. p. 353-369</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[3] Cobb M (2017) The prehistory of biology preprints: A forgotten experiment from the 1960s. PLoS Biol 15(11): e2003995. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pbio.2003995" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pbio.2003995</a>. Acesso em: 24 fev. 2025</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[4] Fidler, Fiona and John Wilcox, "Reproducibility of Scientific Results", The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2021 Edition), Edward N. Zalta (ed.). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://plato.stanford.edu/archives/sum2021/entries/scientific-reproducibility/" target="_blank">https://plato.stanford.edu/archives/sum2021/entries/scientific-reproducibility/</a>. Acesso em: 24 fev. 2025</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[5] Byrne JA, Abalkina A, Akinduro-Aje O, Christopher J, Eaton SE, Joshi N, et al. (2024) A call for research to address the threat of paper mills. PLoS Biol 22(11): e3002931. <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pbio.3002931" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pbio.3002931</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[6] Vines, Timothy H., Albert, Arianne Y. K., Andrew, Rose L., D&eacute;barre, F., Bock, Dan G., Franklin, Michelle T., Gilbert, Kimberly J., Moore, J.-S., Renaut, S., &amp; Rennison, Diana J. (2014). The Availability of Research Data Declines Rapidly with Article Age. Current Biology, 24(1), 94&#45;97. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1016/j.cub.2013.11.014" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.cub.2013.11.014</a>. Acesso em: 24 fev. 2025</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[7] Drozdz, J. A., &amp; Ladomery, M. R. (2024). The Peer Review Process: Past, Present, and Future. British Journal of Biomedical Science, 81, 12054. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.3389/bjbs.2024.12054" target="_blank">https://doi.org/10.3389/bjbs.2024.12054</a>. Acesso em: 24 fev. 2025</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [8] Ross-Hellauer T. What is open peer review? A systematic review [version 2; peer review: 4 approved]. F1000Research 2017, 6:588. 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Acesso em: 24 fev. 2025</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[11] Sever R, Eisen M, Inglis J (2019) Plan U: Universal access to scientific and medical research via funder preprint mandates. PLoS Biol 17(6): e3000273. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pbio.3000273" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pbio.3000273</a></font> ]]></body><back>
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