<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252025000100016</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250016</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A interação entre setores público e privado na promoção da Ciência Aberta]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[Priscylla]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nogueira]]></surname>
<given-names><![CDATA[João F. F.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Jornalista e produtora de conteúdo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Desenvolvedor de software, professor e pesquisador  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<volume>77</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>113</fpage>
<lpage>117</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252025000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252025000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252025000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250016</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>A intera&ccedil;&atilde;o entre setores p&uacute;blico e  privado na promo&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Priscylla Almeida<sup>I</sup>; Jo&atilde;o F. F. Nogueira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista e produtora  de conte&uacute;do para &aacute;reas de sa&uacute;de e ci&ecirc;ncia, <i>marketing</i> e publicidade. Apaixonada por filmes, gatinhos e pela rotina din&acirc;mica que a comunica&ccedil;&atilde;o traz: o contato com gente, a curiosidade de assuntos diversos, a troca.<br />   <sup>II</sup>Desenvolvedor de <i>software</i>, professor e pesquisador. Transita por diversos temas, das ci&ecirc;ncias humanas &agrave;s exatas, sempre estudando algo novo. Adora jogar videogame quando n&atilde;o est&aacute; viajando.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em um crescente contexto  de limita&ccedil;&atilde;o de recursos  p&uacute;blicos para financiar grandes  projetos de infraestrutura,  as Parcerias P&uacute;blico-Privadas  (PPPs) tornaram-se uma estrat&eacute;gia  fundamental para atrair  investimentos do setor privado  em esferas cruciais, como  transporte, saneamento, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos,  as PPPs multiplicaram-se pelo  Brasil, destacando-se como  uma forma de moderniza&ccedil;&atilde;o  da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos.  O n&uacute;mero de contratos  assinados aumentou de 80  para 314 entre 2014 e 2024,  representando um crescimento  de quase 300% em 20 anos, de  acordo com dados do relat&oacute;rio  iRadarPP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"As PPPs podem ser  compreendidas como acordos  colaborativos entre setores governamentais  e empresas privadas  para o desenvolvimento  de projetos que atendam ao  interesse m&uacute;tuo em determinado  setor da sociedade,  compartilhando recursos, riscos  e resultados. Esse tipo de parceria &eacute; comum em &aacute;reas  como educa&ccedil;&atilde;o, agropecu&aacute;ria  entre outros", segundo Priscila  Sena, professora e pesquisadora  da Universidade Federal  do Rio Grande do Sul (UFRGS)  e Diretora Regional Sul na  Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de  Associa&ccedil;&otilde;es de Bibliotec&aacute;rios,  Cientistas de Informa&ccedil;&atilde;o e  Institui&ccedil;&otilde;es (FEBAB).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para este objetivo, a intera&ccedil;&atilde;o  entre os setores p&uacute;blico  e privado desempenha um  papel essencial, pois ambos  possuem capacidades complementares  que, quando unidas, aceleram a implementa&ccedil;&atilde;o de  pr&aacute;ticas como a Ci&ecirc;ncia Aberta e potencializam seus benef&iacute;cios para a sociedade. Um exemplo  pr&aacute;tico dessa sinergia &eacute; observado  na Universidade Federal  de Uberl&acirc;ndia (UFU), onde o  Laborat&oacute;rio de Tecnologia em  Atrito e Desgaste (LTAD) captou  R$ 54,7 milh&otilde;es em investimentos  por meio de PPPs de  empresas nacionais ao longo de 15 anos, resultando em 40  projetos de pesquisa, desenvolvimento  e inova&ccedil;&atilde;o. Essas  parcerias n&atilde;o apenas fortalecem  a infraestrutura de pesquisa,  mas tamb&eacute;m atendem  &agrave;s demandas do mercado, evidenciando  o impacto positivo  na gera&ccedil;&atilde;o de conhecimento  acess&iacute;vel e aplic&aacute;vel. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; um  movimento transformador que  busca democratizar o conhecimento  cient&iacute;fico, promovendo  transpar&ecirc;ncia e colabora&ccedil;&atilde;o,  tornando publica&ccedil;&otilde;es, dados  de pesquisa, <i>softwares</i> e recursos  educacionais acess&iacute;veis,  sem barreiras significativas.  "A ci&ecirc;ncia aberta dissemina  o conhecimento cient&iacute;fico,  de maneira democr&aacute;tica para  toda a sociedade, que financia  as pesquisas, facilitando a colabora&ccedil;&atilde;o, a reprodutibilidade e a acelera&ccedil;&atilde;o dos estudos para problemas sociais  relevantes", afirma Sigmar  Rode, professor e pesquisador  da Universidade Estadual  Paulista (UNESP) e representante  da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira  de Editores Cient&iacute;ficos (ABEC).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ado&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia  Aberta promove um ecossistema  cient&iacute;fico mais inclusivo  e eficiente, ao integrar diferentes  atores, como pesquisadores,  governos e ag&ecirc;ncias de fomento. O movimento facilita  a inova&ccedil;&atilde;o e a resolu&ccedil;&atilde;o de  problemas complexos em escala  global. Exemplo disso foi a colabora&ccedil;&atilde;o global durante a  pandemia de COVID-19, onde  o compartilhamento r&aacute;pido de  dados e publica&ccedil;&otilde;es resultou  em avan&ccedil;os como o desenvolvimento  acelerado de vacinas.  Este &eacute; um exemplo marcante  de quando o poder da coopera&ccedil;&atilde;o  e do compartilhamento  de informa&ccedil;&otilde;es ficou evidente.  Nesse contexto, o compartilhamento  de dados ganhou  destaque, com a rede VODAN  (Virus Outbreak Data Network)  ilustrando como infraestruturas  e padr&otilde;es de dados abertos  podem acelerar o avan&ccedil;o cient&iacute;fico  e ajudar a enfrentar desafios  sociais. "Assim, as PPPs  podem se tornar fundamentais  na integra&ccedil;&atilde;o de expertises,  amplia&ccedil;&atilde;o de investimentos e democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso ao  conhecimento cient&iacute;fico, desde  que seja mantido o equil&iacute;brio  entre a transpar&ecirc;ncia e os  interesses comerciais", destaca  Priscila Sena. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A ci&ecirc;ncia aberta  dissemina o  conhecimento  cient&iacute;fico,  de maneira  democr&aacute;tica para  toda a sociedade, que financia as pesquisas,  facilitando a  colabora&ccedil;&atilde;o, a reprodutibilidade  e a acelera&ccedil;&atilde;o  dos estudos para  problemas sociais  relevantes."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Brasil, a Ci&ecirc;ncia Aberta  avan&ccedil;a em v&aacute;rias frentes, como  a abertura de dados de pesquisas  financiadas com recursos  p&uacute;blicos e a inclus&atilde;o de crit&eacute;rios  relacionados &agrave; abertura e  reprodutibilidade na avalia&ccedil;&atilde;o  de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,  como o Programa Fapesp de Pesquisa em Parceria para  Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica (PITE).  Al&eacute;m disso, o tema foi destaque  na 76&ordf; Reuni&atilde;o Anual  da Sociedade Brasileira de  Progresso &agrave; Ci&ecirc;ncia (SBPC) de 2024 e em confer&ecirc;ncias  livres preparat&oacute;rias para a  5&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de  Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o  (CNCTI), que contou com a  participa&ccedil;&atilde;o de Sigmar Rode  na mesa-redonda "Como podemos  contribuir com uma pol&iacute;tica  Ci&ecirc;ncia Aberta no Brasil".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"Nesses arranjos, a ado&ccedil;&atilde;o  de pr&aacute;ticas de ci&ecirc;ncia aberta  pelos atores tende a promover  as sinergias necess&aacute;rias  para fomentar a pesquisa colaborativa  e fortalecer o ecossistema:  as empresas conseguem  acessar a base de conhecimentos  das universidades (que no Brasil s&atilde;o geralmente p&uacute;blicas),  que por sua vez podem  se beneficiar de investimentos  em suas estruturas (geralmente  prec&aacute;rias/deficit&aacute;rias) e seus  programas de pesquisa", destaca  Carolina Dias, gerente de  projetos e contratos do Grupo  Ind&uacute;stria e Competitividade  no Instituto de Economia  da Universidade Federal  do Rio de Janeiro (UFRJ) e editora-gerente da Revista de  Economia Contempor&acirc;nea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Parcerias P&uacute;blico-Privadas e a Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O setor p&uacute;blico &eacute; o principal  impulsionador das iniciativas  de Ci&ecirc;ncia Aberta, onde  por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas  estrat&eacute;gicas, investimentos e  regulamenta&ccedil;&otilde;es adequadas,  incentivos fiscais e parcerias, o Estado pode estimular a pesquisa e a implementa&ccedil;&atilde;o de novas ideias e tecnologias, e sua divulga&ccedil;&atilde;o. "O governo deve investir em educa&ccedil;&atilde;o de qualidade e em programas de capacita&ccedil;&atilde;o profissional para formar m&atilde;o de obra qualificada e preparada para os desafios da inova&ccedil;&atilde;o e estimular a cria&ccedil;&atilde;o de redes de colabora&ccedil;&atilde;o entre universidades, empresas e governos para facilitar a troca de conhecimento e a gera&ccedil;&atilde;o de novas ideias. A legisla&ccedil;&atilde;o deve ser flex&iacute;vel e adapt&aacute;vel &agrave;s r&aacute;pidas mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, evitando criar barreiras &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e sua divulga&ccedil;&atilde;o, tornando o pa&iacute;s mais competitivo no cen&aacute;rio global", refor&ccedil;a Sigmar Rode.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Por sua vez, o setor privado pode contribuir ao estabelecer parcerias com universidades e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Essas colabora&ccedil;&otilde;es frequentemente resultam em solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas inovadoras, como sistemas de armazenamento de dados, ferramentas de an&aacute;lise de <i>big</i> data, novos tipos de <i>hardware</i> e <i>softwares</i> para visualiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, cruciais para a pr&aacute;tica da Ci&ecirc;ncia Aberta em grande escala. Isso inclui a prote&ccedil;&atilde;o de dados sens&iacute;veis, o respeito &agrave; propriedade intelectual e a promo&ccedil;&atilde;o de acesso equitativo, elementos fundamentais para que a abertura do conhecimento n&atilde;o se transforme em desigualdade. "Uma das formas de promover a ci&ecirc;ncia aberta em PPPs sem abrir dados ou <i>software</i> &eacute; cadastrar a exist&ecirc;ncia desses produtos e disponibilizar a documenta&ccedil;&atilde;o associada &#150; assim, &eacute; poss&iacute;vel saber que aquilo foi produzido sem violar detalhes ou propriedade intelectual. Para o setor p&uacute;blico, isto permite prestar contas &agrave; sociedade do bom uso dos recursos p&uacute;blicos. E para o setor privado, &eacute; uma forma de <i>marketing</i> do valor dos produtos associados", declara Claudia Bauzer Medeiros, professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que coordena a comiss&atilde;o da Universidade que supervisiona o reposit&oacute;rio oficial de dados abertos de pesquisa, em conson&acirc;ncia com a pol&iacute;tica de Ci&ecirc;ncia Aberta da institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Conflitos e desafios das PPPs na Ci&ecirc;ncia Aberta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar dos avan&ccedil;os, a Ci&ecirc;ncia Aberta tamb&eacute;m enfrenta obst&aacute;culos significativos. A abertura dos resultados de pesquisa, caracter&iacute;stica central da Ci&ecirc;ncia Aberta, pode entrar em conflito com a necessidade de resguardar patentes e segredos industriais, elementos essenciais para a competitividade do setor privado. Em sua Recomenda&ccedil;&atilde;o sobre Ci&ecirc;ncia Aberta, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e Cultura (Unesco), reconhece a import&acirc;ncia de incentivar parcerias p&uacute;blico-privadas equitativas, desde que haja certifica&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o adequadas para evitar comportamentos predat&oacute;rios e extra&ccedil;&atilde;o injusta de lucros de atividades cient&iacute;ficas com financiamento p&uacute;blico. Al&eacute;m disso, a Science Granting Councils Initiative (SGCI) destaca que, em projetos de pesquisa colaborativa, especialmente aqueles envolvendo setores p&uacute;blico e privado, &eacute; crucial estabelecer acordos de confidencialidade claros para proteger informa&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis e alinhar expectativas quanto &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o e uso dos resultados. Esses acordos ajudam a equilibrar a transpar&ecirc;ncia promovida pela Ci&ecirc;ncia Aberta com a necessidade de proteger interesses comerciais leg&iacute;timos, garantindo que a colabora&ccedil;&atilde;o seja ben&eacute;fica para todas as partes envolvidas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">"Conceitualmente, o modelo de PPP, em si, n&atilde;o &eacute; nem compat&iacute;vel, nem incompat&iacute;vel com os princ&iacute;pios e as pr&aacute;ticas de ci&ecirc;ncia aberta. Dependendo do objeto e do prop&oacute;sito da parceria, do desenho do contrato, da modalidade de financiamento etc., enfim, dependendo do caso, determinada PPP, em sentido estrito, pode ser mais ou menos aderente &agrave;s pr&aacute;ticas de ci&ecirc;ncia aberta," pontua Carolina Dias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Claudia Bauzer Medeiros, "pesquisadores enfrentam recorrentes desafios ao convencer as empresas das vantagens do compartilhamento, em casos que nem tudo pode ser aberto e ao entender que o compartilhamento pode ter custos adicionais para a empresa, como auditorias e precau&ccedil;&otilde;es legais necess&aacute;rias". Al&eacute;m da quest&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o clara de quais dados ou <i>softwares</i> ser&atilde;o tornados p&uacute;blicos, h&aacute; a quest&atilde;o da desigualdade de acesso. Sem pol&iacute;ticas adequadas, h&aacute; o risco de que os benef&iacute;cios dessas parcerias se concentrem em regi&otilde;es ou grupos espec&iacute;ficos, ampliando as disparidades existentes. A Revista Pesquisa FAPESP destaca que pesquisadores em ambientes com recursos limitados enfrentam dificuldades para participar de colabora&ccedil;&otilde;es que exigem treinamento e infraestrutura adequados para o gerenciamento e armazenamento de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Carolina Dias reafirma que "nem toda PPP que envolve a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas executa essa atividade seguindo a l&oacute;gica da pesquisa propriet&aacute;ria tradicional (o P&amp;D empresarial), com seus insumos, processos e produtos protegidos por direitos de propriedade e r&iacute;gidos acordos de sigilo e confidencialidade, visando ao lucro para remunerar o investimento". &Eacute; importante destacar esse contraponto, pois novamente "n&atilde;o &eacute; o modelo de PPP em si que restringe o compartilhamento de dados e resultados das pesquisas ou a ado&ccedil;&atilde;o de outras pr&aacute;ticas de ci&ecirc;ncia aberta, mas a l&oacute;gica que governa a pesquisa, comercial ou n&atilde;o comercial."</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro aspecto &eacute; o fortalecimento dos comit&ecirc;s de &eacute;tica em pesquisa, que n&atilde;o s&oacute; garantem que os projetos de pesquisa sigam princ&iacute;pios &eacute;ticos, respeitem os direitos dos participantes e assegurem a confidencialidade e a seguran&ccedil;a dos dados coletados. "&Eacute; necess&aacute;rio um ambiente colaborativo e transparente, que possa atrair mais investimentos e talentos para o setor de pesquisa e desenvolvimento. A mudan&ccedil;a de cultura em rela&ccedil;&atilde;o ao compartilhamento de conhecimento pode ser um processo lento e desafiador", contextualiza Sigmar Rode. "Outro problema &eacute; a necessidade de obter resultados comerciais tang&iacute;veis de seus investimentos em pesquisa. A press&atilde;o para obter retornos financeiros pode levar pesquisadores a terem que priorizar a prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual em detrimento da divulga&ccedil;&atilde;o aberta. Os sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica muitas vezes privilegiam a publica&ccedil;&atilde;o em revistas de alto impacto, normalmente ligadas a editoras comerciais, que geram altos custos para publicar em acesso aberto e que nem sempre interessam &agrave;s empresas".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas barreiras podem impedir que certos grupos se beneficiem plenamente das iniciativas de Ci&ecirc;ncia Aberta, ressaltando a necessidade de pol&iacute;ticas inclusivas que assegurem uma distribui&ccedil;&atilde;o equitativa dos benef&iacute;cios das PPPs e promovam a democratiza&ccedil;&atilde;o  do conhecimento cient&iacute;fico. A colabora&ccedil;&atilde;o estreita entre o setor p&uacute;blico e o privado em Parcerias P&uacute;blico-Privadas no contexto da Ci&ecirc;ncia Aberta pode suscitar preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; transpar&ecirc;ncia e &eacute;tica, especialmente no que tange a conflitos de interesse. Para Priscila Sena, "o equil&iacute;brio entre Ci&ecirc;ncia Aberta, PPPs e Segredos Industriais &eacute; um dos maiores desafios. Enquanto a Ci&ecirc;ncia Aberta preconiza a abertura dos processos de cria&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico a atores da sociedade, al&eacute;m da comunidade cient&iacute;fica tradicional, as empresas privadas dependem de patentes e segredos industriais para garantir sua competitividade. No entanto, uma solu&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria &eacute; estabelecer marcos regulat&oacute;rios que delimitam o tipo de informa&ccedil;&atilde;o compartilhada, resguardem dados sens&iacute;veis e incentivem licen&ccedil;as abertas para tecnologias n&atilde;o diretamente ligadas &agrave; vantagem comercial das empresas".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Oportunidades e perspectivas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O futuro da Ci&ecirc;ncia Aberta depende da constru&ccedil;&atilde;o de um ecossistema equilibrado, onde os setores p&uacute;blico e privado trabalhem juntos de forma harmoniosa e transparente. Com o fortalecimento dessa intera&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; poss&iacute;vel maximizar o impacto da Ci&ecirc;ncia Aberta, consolidando-a como um pilar para o avan&ccedil;o cient&iacute;fico e social em escala global. "O debate entre Ci&ecirc;ncia Aberta e ci&ecirc;ncia propriet&aacute;ria atravessa diferentes camadas e perspectivas sociais que demandam an&aacute;lise cuidadosa. Optar por uma dessas abordagens sem considerar as implica&ccedil;&otilde;es em diversos &acirc;mbitos seria inadequado. Assim, prop&otilde;e-se a busca por um equil&iacute;brio entre as duas pr&aacute;ticas, apontado como uma alternativa potencialmente mais adequada", pontua Priscila Sena.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; o futuro das PPPs aponta para um crescimento significativo em diversas &aacute;reas, ampliando seu alcance em campos essenciais para a popula&ccedil;&atilde;o. No entanto, o resultado desse modelo depende de uma regula&ccedil;&atilde;o estruturada e alinhada entre os interesses p&uacute;blicos e privados, maximizando assim os benef&iacute;cios das PPPs para o desenvolvimento sustent&aacute;vel do Brasil. "O principal fator &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o para tornar claro, a todos os parceiros envolvidos em qualquer pesquisa, que a abertura dos resultados nem sempre &eacute; negativa ou impede o avan&ccedil;o das empresas. Isso leva tempo, porque &eacute; uma mudan&ccedil;a de cultura, e cabe ao setor p&uacute;blico iniciar a discuss&atilde;o", declara Claudia Bauzer Medeiros.</font></p>      ]]></body>
</article>
