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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Filosofia da mecânica quântica: cem anos de interrogações sobreo real, o possível e o saber]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mecânica Quântica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250020</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Filosofia da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica: cem anos de interroga&ccedil;&otilde;es sobreo real, o poss&iacute;vel e o saber</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Patr&iacute;cia Kauark Leite<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professora no  Departamento de Filosofia da Universidade  Federal de Minas Gerais (UFMG-Brasil) e pesquisadora do Conselho  Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico   e Tecnol&oacute;gico (CNPq-Brasil). &Eacute;  atualmente diretora do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados Transdisciplinares(IEAT) da UFMG.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 2025, comemoramos o centen&aacute;rio da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, ci&ecirc;ncia que redefiniu os modos de  conceber a realidade, o conhecimento e os limites da linguagem cient&iacute;fica. Este artigo prop&otilde;e  uma reflex&atilde;o sobre a filosofia da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, percorrendo alguns de seus marcos conceituais  fundadores e suas implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas persistentes. Do princ&iacute;pio da complementaridade  de Niels Bohr ao princ&iacute;pio da incerteza de Werner Heisenberg, passando pelas diverg&ecirc;ncias com  Schr&ouml;dinger e Einstein, abordamos os dilemas epistemol&oacute;gicos e ontol&oacute;gicos que acompanham  a teoria qu&acirc;ntica desde seus prim&oacute;rdios. Em di&aacute;logo com a tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, discutimos como  a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica interroga categorias cl&aacute;ssicas como causalidade, objetividade e representa&ccedil;&atilde;o.  Sustentamos aqui que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica n&atilde;o apenas transformou a f&iacute;sica, mas tamb&eacute;mnos obriga, cem anos depois, a repensar o que significa conhecer.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>Mec&acirc;nica Qu&acirc;ntica; Filosofia; Representa&ccedil;&atilde;o; Objetividade</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No ano de 2025, celebramos  o centen&aacute;rio de um dos  acontecimentos mais marcantes  da hist&oacute;ria do conhecimento:  o surgimento da mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica. A publica&ccedil;&atilde;o do artigo  de Werner Heisenberg  em 1925, seguida das contribui&ccedil;&otilde;es  decisivas de Born,  Jordan, Dirac e Schr&ouml;dinger,  consolidou uma nova forma de  pensar os fen&ocirc;menos naturais  &#150; uma forma que n&atilde;o apenas  reformulava os fundamentos  da f&iacute;sica, mas que desafiava,  de maneira profunda, nossas  concep&ccedil;&otilde;es sobre realidade,  causalidade, objetividade e  at&eacute; mesmo o papel do sujeitona produ&ccedil;&atilde;o do saber.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mec&acirc;nica qu&acirc;ntica &eacute;,  sem d&uacute;vida, um dos pilares das  tecnologias contempor&acirc;neas:  da f&iacute;sica do estado s&oacute;lido &agrave;  computa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica, das resson&acirc;ncias  magn&eacute;ticas ao laser,  ela est&aacute; presente em in&uacute;meras  aplica&ccedil;&otilde;es. Mas o seu impacto  vai al&eacute;m da dimens&atilde;o t&eacute;cnica.  Desde seu nascimento, essa  teoria provocou uma s&eacute;rie de  interroga&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas que  continuam reverberando at&eacute;  hoje. O que significa, afinal, dizer  que um sistema f&iacute;sico s&oacute; adquire  determinadas propriedades  quando &eacute; medido? Como  pensar uma natureza que, ao  n&iacute;vel mais fundamental, n&atilde;o se  apresenta como composta por  objetos dotados de propriedades   bem definidas, mas como  redes de possibilidades, rela&ccedil;&otilde;ese indetermina&ccedil;&otilde;es?</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica &eacute;,  sem d&uacute;vida,  um dos pilares  das tecnologiascontempor&acirc;neas.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A filosofia da mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica n&atilde;o se limita a esclarecer  conceitos ou interpretar  formalismos. Ela nos convida a  refletir sobre os pr&oacute;prios limites da objetividade cient&iacute;fica, sobre os modos de inscri&ccedil;&atilde;o do sujeito nas pr&aacute;ticas experimentais e sobre os horizontes do conhecimento em uma &eacute;poca marcada por transforma&ccedil;&otilde;es simultaneamente epistemol&oacute;gicas, tecnol&oacute;gicas e culturais. Celebrar os cem anos da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica &eacute;, portanto, muito mais do que rememorar um feito hist&oacute;rico: &eacute; reconhecer que ainda estamos aprendendo a escutar o que ela tem a nos dizer.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O nascimento da  mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  e o problemada representa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A emerg&ecirc;ncia da mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica no in&iacute;cio do s&eacute;culo  XX marcou uma ruptura profunda  com os paradigmas da f&iacute;sica  cl&aacute;ssica. N&atilde;o se tratava apenas   da substitui&ccedil;&atilde;o de uma teoria  por outra mais precisa, mas da  inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova maneira  de descrever &#150; e, talvez  mais radicalmente, de conceber  &#150; o comportamento da mat&eacute;ria  e da energia em escala microsc&oacute;pica.  Se a f&iacute;sica de Newton e  Maxwell operava com uma representa&ccedil;&atilde;o  cont&iacute;nua, determinista  e objetiva dos fen&ocirc;menos,  a nova f&iacute;sica introduzia incertezas,  descontinuidades e limita&ccedil;&otilde;es  fundamentais &agrave; representa&ccedil;&atilde;odo real.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A hist&oacute;ria dessa virada  come&ccedil;a com uma s&eacute;rie de impasses.  A radia&ccedil;&atilde;o do corpo  negro, o efeito fotoel&eacute;trico, a  estabilidade dos &aacute;tomos: todos  esses fen&ocirc;menos resistiam  &agrave;s explica&ccedil;&otilde;es cl&aacute;ssicas.  A proposta de Max Planck, em  1900, de que a energia era  emitida em &ldquo;quanta&rdquo; discretos,  foi inicialmente uma hip&oacute;tese  ad hoc, pensada mais  como expediente matem&aacute;tico  do que como descri&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica.  No entanto, os anos seguintes  mostraram que esses  &ldquo;quanta&rdquo; de energia pareciam  ser mais que uma curiosidade:  eles apontavam para uma estrutura  fundamental da natureza  que escapava aos esquemas tradicionais.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A emerg&ecirc;ncia da  mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  no in&iacute;cio do s&eacute;culo  XX marcou uma  ruptura profunda  com os paradigmas da f&iacute;sica cl&aacute;ssica.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A publica&ccedil;&atilde;o, em 1925,  do artigo de Heisenberg sobre  a &ldquo;reinterpreta&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos conceitos  cinem&aacute;ticos e din&acirc;micos  marcou um ponto de inflex&atilde;o.   Abandonando a ideia de &oacute;rbitas  eletr&ocirc;nicas bem definidas,  Heisenberg prop&ocirc;s uma descri&ccedil;&atilde;o  puramente alg&eacute;brica dos  fen&ocirc;menos at&ocirc;micos, centrada  em grandezas observ&aacute;veis e  em rela&ccedil;&otilde;es de transi&ccedil;&atilde;o entre  estados. Essa abordagem &#150;  que culminaria na formula&ccedil;&atilde;o  matricial da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  &#150; substitu&iacute;a a representa&ccedil;&atilde;o visual(ou &ldquo;intu&iacute;vel&rdquo;) da trajet&oacute;ria por um formalismo que operava com probabilidades e quantidades n&atilde;o comutativas.   Como o pr&oacute;prio Heisenberg reconheceu, tratava-se de uma ruptura com a tradi&ccedil;&atilde;o de representar a realidade de forma cont&iacute;nua e geom&eacute;trica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa nova forma de pensar  trazia consigo um problema  filos&oacute;fico central: como representar  um mundo f&iacute;sico que,  em sua escala mais fundamental,  parece resistir &agrave; representa&ccedil;&atilde;o  intuitiva? A f&iacute;sica cl&aacute;ssica  permitia, ao menos em princ&iacute;pio,  que se imaginasse um  mundo &ldquo;l&aacute; fora&rdquo;, isto &eacute;, exterior  ao sujeito, composto por objetos  dotados de propriedades  determinadas, localiz&aacute;veis no  espa&ccedil;o-tempo. J&aacute; a mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica exigia que se abandonasse  esse ideal. As entidades  qu&acirc;nticas n&atilde;o possuem  propriedades independentes  do contexto experimental; n&atilde;o  se pode falar de &ldquo;posi&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou  &ldquo;momento&rdquo; sem especificar as condi&ccedil;&otilde;es de medi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa exig&ecirc;ncia de vincula&ccedil;&atilde;o  entre teoria, fen&ocirc;meno  e observador traz &agrave; tona o que  Ernst Cassirer chamou de &ldquo;crise  da representa&ccedil;&atilde;o&rdquo;: a ci&ecirc;ncia  moderna, ao avan&ccedil;ar em sua  formaliza&ccedil;&atilde;o, afasta-se cada vez  mais da experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel e  da intui&ccedil;&atilde;o direta, exigindo  novas formas de simboliza&ccedil;&atilde;o.  A mec&acirc;nica qu&acirc;ntica se insere  plenamente nessa tend&ecirc;ncia,  revelando uma fisicalidade que  n&atilde;o se mostra, mas que se expressa  &#150; de maneira estat&iacute;stica,   relacional e contextual. O problema  da representa&ccedil;&atilde;o, aqui,  n&atilde;o &eacute; apenas epistemol&oacute;gico:  ele &eacute; tamb&eacute;m ontol&oacute;gico, pois  nos obriga a repensar o pr&oacute;prioestatuto do real.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A partir desse ponto, o  debate entre diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es  da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  &#150; com destaque para Bohr,  Heisenberg, Schr&ouml;dinger e  Einstein &#150; se transformar&aacute; em  um dos mais f&eacute;rteis e enigm&aacute;ticos  da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia. &Eacute; o  que veremos na se&ccedil;&atilde;o seguinte,  centrada no princ&iacute;pio da complementaridade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Bohr e o princ&iacute;pio  da complementaridade:  limites da  representa&ccedil;&atilde;o e papel do observador</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os v&aacute;rios esfor&ccedil;os  para compreender a nova f&iacute;sica,  a proposta de Niels Bohr se  destacou pela ambi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica  e pela sutileza conceitual.  Frente &agrave; impossibilidade de  descrever os fen&ocirc;menos qu&acirc;nticos  por meio de imagens  cl&aacute;ssicas cont&iacute;nuas, Bohr desenvolveu  uma nova categoria  de pensamento: o princ&iacute;pio da   complementaridade. Segundo  ele, certas propriedades de um  sistema qu&acirc;ntico &#150; como posi&ccedil;&atilde;o  e momento, ou onda e part&iacute;cula  &#150; s&atilde;o mutuamente excludentes  no plano experimental,  mas complementares no plano  te&oacute;rico. Cada uma dessas descri&ccedil;&otilde;es  &eacute; v&aacute;lida, mas somente  em contextos espec&iacute;ficos. N&atilde;o  &eacute; poss&iacute;vel, portanto, esgotar o  comportamento qu&acirc;ntico em  uma &uacute;nica representa&ccedil;&atilde;o totalizante(<a href="#fig01">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A complementaridade  n&atilde;o revela tra&ccedil;os fundamentais  da realidade em si, mas  antes aponta para os limites  humanos de representa&ccedil;&atilde;o &#150;  ou, mais precisamente, para as condi&ccedil;&otilde;es sob as quais podemos articular, por meio da linguagem, o sentido dos fen&ocirc;menos. Como seres de linguagem, n&atilde;o temos acesso direto a uma &ldquo;realidade &uacute;ltima&rdquo;;   temos, sim, formas situadas de intera&ccedil;&atilde;o com o mundo, mediadas por estruturas simb&oacute;licas, dispositivos experimentais e contextos conceituais. A teoria qu&acirc;ntica, nesse sentido,   n&atilde;o nos oferece um espelho da natureza, mas organiza os modos poss&iacute;veis de articula&ccedil;&atilde;o do sentido da experi&ecirc;ncia f&iacute;sica. Trata-se de um pensamento com forte resson&acirc;ncia kantiana ou transcendental: o conhecimento n&atilde;o &eacute; uma c&oacute;pia da natureza, mas resultado da intera&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto, sob condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas   de observa&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Bohr sugere n&atilde;o haver fen&ocirc;meno  qu&acirc;ntico at&eacute; que ele  seja observado. Isso significa  que o que chamamos &ldquo;fen&ocirc;meno qu&acirc;ntico&rdquo; deve incluir, inseparavelmente, o sistema observado e o aparato de medi&ccedil;&atilde;o. Essa sua posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser identificada com um subjetivismo simplista: o ponto central &eacute; que n&atilde;o se pode falar de propriedades de um sistema qu&acirc;ntico independentemente do contexto experimental. O ideal cl&aacute;ssico de objetividade &#150; entendido como descri&ccedil;&atilde;o de um mundo&ldquo;em si&rdquo;, independente do sujeito cognoscente &#150; precisa ser revisto. Em Bohr, a objetividade se redefine como a possibilidade de comunica&ccedil;&atilde;o intersubjetiva dos resultados emp&iacute;ricos sob condi&ccedil;&otilde;es bem espec&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse deslocamento exige  tamb&eacute;m uma mudan&ccedil;a no  pr&oacute;prio estatuto da linguagem  cient&iacute;fica. Se antes se imaginava  que a linguagem espelhava  diretamente a estrutura do real,   agora se reconhece que a linguagem  &#150; inclusive a matem&aacute;tica  &#150; atua como condi&ccedil;&atilde;o de  possibilidade da experi&ecirc;ncia.  A representa&ccedil;&atilde;o deixa de ser   uma janela transparente para  a realidade e passa a ser vista  como uma media&ccedil;&atilde;o ativa,  situada, hist&oacute;rica. Como Bohr  enfatizava, a clareza conceitual  requer aten&ccedil;&atilde;o constante &agrave;  linguagem ordin&aacute;ria e &agrave;s suas  ambiguidades, pois &eacute; nela que  se ancora a interpreta&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos f&iacute;sicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse horizonte, o princ&iacute;pio  da complementaridade nos  oferece mais do que um crit&eacute;rio  t&eacute;cnico: ele se transforma  em uma chave filos&oacute;fica para  pensar os limites e as possibilidades  do conhecimento cient&iacute;fico.  Como apontou Michel  Bitbol, a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  n&atilde;o nos diz o que o mundo &eacute;, mas regula as condi&ccedil;&otilde;es sob as quais podemos formular enunciados significativos sobre ele. Nesse sentido, a teoria n&atilde;o representa o real em si, mas estrutura como este pode ser experimentado e compreendido &#150; sempre de modo parcial,   relacional e dependente de contexto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esse gesto de recusar  uma ontologia fechada em  favor de uma epistemologia  aberta &eacute; talvez uma das maiores  contribui&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas da  mec&acirc;nica qu&acirc;ntica. Ele desloca  o foco da busca por ess&ecirc;ncias  para a an&aacute;lise das condi&ccedil;&otilde;es  da inteligibilidade. Em tempos  de crise da racionalidade,  esse modelo plural e relacional  de conhecimento talvez tenha  mais a nos ensinar do que sup&uacute;nhamos h&aacute; cem anos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Einstein,  Schr&ouml;dinger e  a resist&ecirc;ncia ao  abandono da realidade objetiva</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se, para Bohr, a teoria  qu&acirc;ntica exige uma revis&atilde;o  profunda do papel do observador  e do alcance da representa&ccedil;&atilde;o  cient&iacute;fica, outros f&iacute;sicos  de sua gera&ccedil;&atilde;o manifestaram  forte desconforto diante das  consequ&ecirc;ncias epistemol&oacute;gicas  desse novo quadro. Entre  os mais not&oacute;rios cr&iacute;ticos estavam  Albert Einstein e Erwin   Schr&ouml;dinger, ambos profundamente  comprometidos com o  ideal de uma realidade f&iacute;sica  objetiva e com a possibilidade  de descrever essa realidade  de forma cont&iacute;nua e causal (<a href="#fig02">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Einstein, em particular, nunca aceitou a ideia de que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica fosse uma teoria completa. Sua c&eacute;lebre frase &ldquo;Deus n&atilde;o joga dados&rdquo; expressa sua convic&ccedil;&atilde;o de que o acaso, tal como aparece na interpreta&ccedil;&atilde;o probabil&iacute;stica dos processos qu&acirc;nticos, &eacute; somente uma marca de ignor&acirc;ncia tempor&aacute;ria, n&atilde;o um tra&ccedil;o fundamental da natureza. Para ele, a indetermina&ccedil;&atilde;o expressa nas equa&ccedil;&otilde;es qu&acirc;nticas devia resultar de vari&aacute;veis ocultas ainda n&atilde;o conhecidas, e n&atilde;o de uma limita&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essa posi&ccedil;&atilde;o foi sistematizada em 1935, no famoso  artigo EPR (Einstein, Podolsky  e Rosen), no qual se argumenta  que, se a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica  estiver correta, ent&atilde;o ela   implica uma forma de &ldquo;a&ccedil;&atilde;o  fantasmag&oacute;rica &agrave; dist&acirc;ncia&rdquo;  (spooky action at a distance),  contradizendo o princ&iacute;pio da localidade &#150; um dos pilares   da f&iacute;sica cl&aacute;ssica. Diante desse impasse, os autores concluem que a teoria qu&acirc;ntica, embora empiricamente correta, deve ser incompleta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">De modo an&aacute;logo,  Schr&ouml;dinger, mesmo sendo um  dos fundadores da teoria qu&acirc;ntica,  manifestou preocupa&ccedil;&atilde;o  com as implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas  da interpreta&ccedil;&atilde;o dominante.  Seu c&eacute;lebre experimento mental  do gato de Schr&ouml;dinger &#150;  simultaneamente vivo e morto  at&eacute; que se abra a caixa &#150; n&atilde;o  pretendia afirmar essa situa&ccedil;&atilde;o  paradoxal, mas criticar os limites  da aplica&ccedil;&atilde;o do formalismo  qu&acirc;ntico a sistemas macrosc&oacute;picos.  Para Schr&ouml;dinger, algo  parecia faltar na teoria, caso se  recusasse a oferecer uma descri&ccedil;&atilde;o  objetiva da realidade f&iacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas cr&iacute;ticas ajudaram  a manter vivo, ao longo do  s&eacute;culo XX, o ideal de uma  ontologia cient&iacute;fica robusta,  segundo a qual a f&iacute;sica deve  descrever, e n&atilde;o apenas organizar,  o mundo real. Embora  Bohr tenha respondido a essas  obje&ccedil;&otilde;es enfatizando o papel  do aparato experimental e da  linguagem na constitui&ccedil;&atilde;o dos  fen&ocirc;menos, a tens&atilde;o entre as  abordagens persiste como um  dos tra&ccedil;os mais fecundos da filosofia da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A oposi&ccedil;&atilde;o entre realismo  e epistemologia contextual  n&atilde;o &eacute;, contudo, absoluta.  Muitos fil&oacute;sofos e f&iacute;sicos contempor&acirc;neos  prop&otilde;em releituras   da teoria qu&acirc;ntica que  escapam tanto do realismo ing&ecirc;nuo  quanto do subjetivismo  radical. As controv&eacute;rsias entre  Bohr, Einstein e Schr&ouml;dinger  lan&ccedil;aram as bases para um leque   amplo de interpreta&ccedil;&otilde;es  posteriores. A mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, longe de ser uma teoria esgotada em sua formula&ccedil;&atilde;o can&ocirc;nica, tornou-se um terreno f&eacute;rtil para novas abordagens. Entre elas, destaca-se a interpreta&ccedil;&atilde;o relacional de Carlo Rovelli, que reformula o conceito de estado qu&acirc;ntico a partir das rela&ccedil;&otilde;es entre sistemas; o <i>QBismo</i>, de Christopher Fuchs e colaboradores, que prop&otilde;e uma vis&atilde;o subjetiva das probabilidades qu&acirc;nticas como graus de cren&ccedil;a do agente; a interpreta&ccedil;&atilde;o dos muitos mundos, de Hugh Everett, que evita o colapso da fun&ccedil;&atilde;o de onda assumindo a ramifica&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do universo; e as abordagens baseadas na decoer&ecirc;ncia, como as desenvolvidas por Zurek e outros, que investigam como a apar&ecirc;ncia cl&aacute;ssica do mundo emerge da intera&ccedil;&atilde;o com o ambiente. Essas interpreta&ccedil;&otilde;es, muitas vezes incompat&iacute;veis entre si, refletem a pluralidade filos&oacute;fica que a teoria qu&acirc;ntica continua a suscitar &#150; e que ser&aacute; objeto da pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Filosofia qu&acirc;ntica  contempor&acirc;nea:  pluralismo  interpretativo  e os limites do conhecimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pluralidade de interpreta&ccedil;&otilde;es  contempor&acirc;neas  revela que, cem anos ap&oacute;s sua  formula&ccedil;&atilde;o, a teoria continua  a desafiar nossos marcos conceituais.  O debate desloca-se  do plano da simples previs&atilde;o  de resultados experimentais  para uma reflex&atilde;o mais ampla sobre o que significa conhecer, quem conhece e como o conhecimento&eacute; poss&iacute;vel em um   mundo qu&acirc;ntico. Um dos pontos centrais de diverg&ecirc;ncia permanece o estatuto da fun&ccedil;&atilde;o de onda: ela descreve algo real, ainda que de maneira n&atilde;o cl&aacute;ssica? Ou representa apenas o conhecimento (ou cren&ccedil;a) de um observador sobre o sistema?</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A pluralidade  de interpreta&ccedil;&otilde;es  contempor&acirc;neas  revela que, cem  anos ap&oacute;s sua  formula&ccedil;&atilde;o, a teoria  continua a desafiar  nossos marcos conceituais.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas correntes contempor&acirc;neas  reabrem, sob novas  luzes, o debate sobre os limites  da representa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.  A pergunta n&atilde;o &eacute; mais apenas  &ldquo;como funciona a mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica?&rdquo;, mas o que ela nos  permite dizer sobre o mundo  &#150; e sobre n&oacute;s mesmos. Aqui,  retornam com for&ccedil;a os pressupostos  kantianos da filosofia  da ci&ecirc;ncia: as condi&ccedil;&otilde;es de  possibilidade da experi&ecirc;ncia,  os limites do conhecimento,  o papel da linguagem e da subjetividade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Autores como Ernst  Cassirer, j&aacute; no in&iacute;cio do s&eacute;culo  XX, buscaram articular uma  filosofia das formas simb&oacute;licas  capaz de dar conta da ci&ecirc;ncia  moderna como uma express&atilde;o  da liberdade humana e da criatividadeda raz&atilde;o. Nessa linha, mais recentemente, Michel Bitbol prop&otilde;e uma leitura transcendental e pragm&aacute;tica da teoria qu&acirc;ntica, segundo   a qual o formalismo qu&acirc;ntico exprime n&atilde;o uma ontologia do real, mas os limites estruturais do nosso acesso ao mundo. Para Bitbol, a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica revela algo sobre n&oacute;s mesmos   enquanto conhecedores, mais do que sobre objetos isolados da experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; nessa tradi&ccedil;&atilde;o que se  insere tamb&eacute;m a proposta que  venho desenvolvendo, inspirada  por essa heran&ccedil;a kantiana e  pelas tens&otilde;es internas da pr&oacute;pria   f&iacute;sica contempor&acirc;nea. Ao  considerar que somos seres de  linguagem, cuja compreens&atilde;o  do mundo se d&aacute; sempre mediada por formas simb&oacute;licas e  por pr&aacute;ticas experimentais historicamente  situadas, defendo  que a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica n&atilde;o  deve ser lida como um espelho  da realidade, mas como o  tra&ccedil;ado das fronteiras m&oacute;veis  do saber poss&iacute;vel. O que ela  nos ensina, mais que qualquer  imagem definitiva do mundo,  &eacute; a necessidade de pensar os  limites &#150; e de criar novos conceitos para seguir pensando.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Filosofia da  mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica no Brasil:  contribui&ccedil;&otilde;es e caminhos pr&oacute;prios</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A filosofia da mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica tem sido objeto de  crescente interesse no Brasil, e  &eacute; poss&iacute;vel reconhecer, ao longo  das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o surgimento  de um campo pr&oacute;prio  de reflex&atilde;o que articula tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica, fundamentos da f&iacute;sica e contextos hist&oacute;ricos e culturais espec&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os principais nomes  est&atilde;o D&eacute;cio Krause e Jonas R.  B. Arenhart, que, inspirados  por Newton da Costa, prop&otilde;em,  por meio de l&oacute;gicas  n&atilde;o-cl&aacute;ssicas, uma ontologia  qu&acirc;ntica alternativa &agrave; identidade  cl&aacute;ssica, como no artigo  &ldquo;Indistinguibilidade, n&atilde;o  reflexividade, ontologia e f&iacute;sica  qu&acirc;ntica&rdquo; (2012). S&iacute;lvio  S. Chibeni, em &ldquo;Aspectos da  descri&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da realidade&rdquo;  (1997), examina o teorema  de Bell e a interpreta&ccedil;&atilde;o causal  de Bohm. J&aacute; Olival Freire  Jr., refer&ecirc;ncia no campo, analisa  a trajet&oacute;ria de Bohm em  &ldquo;David Bohm e a controv&eacute;rsia  dos quanta&rdquo; (1999) e, em &ldquo;The  Quantum Dissidents&rdquo; (2015),   estuda os &ldquo;dissidentes&rdquo; da interpreta&ccedil;&atilde;o  dominante, com  base em vasta pesquisa documental.  Com Osvaldo Pessoa  Jr. e Joan Lisa Bromberg, Freire  organizou &ldquo;Teoria qu&acirc;ntica: estudos  hist&oacute;ricos e implica&ccedil;&otilde;es  culturais&rdquo; (2010), vencedor do  Pr&ecirc;mio Jabuti. Pessoa Jr. tamb&eacute;m  &eacute; autor de &ldquo;Conceitos de  f&iacute;sica qu&acirc;ntica&rdquo; (2006) e de  estudos sobre experimentos  fundamentais. A tradu&ccedil;&atilde;o de  &ldquo;A mat&eacute;ria roubada&rdquo; (1995),  de Michel Paty, teve impacto  importante, especialmente   por sua an&aacute;lise do teorema de  Bell. Antonio Augusto Passos  Videira, por sua vez, destaca-se pelos estudos sobre  Heisenberg, ci&ecirc;ncia e est&eacute;tica.  Com Puig (2020), interpreta a  realidade cient&iacute;fica como constru&ccedil;&atilde;o  lingu&iacute;stica e est&eacute;tica.  Incluo aqui minha pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o.  Meu livro, publicado  pela editora Hermann (2012) e  premiado pela Academia deCi&ecirc;ncias Morais e Pol&iacute;ticas da Fran&ccedil;a, busquei articular as interpreta&ccedil;&otilde;es da f&iacute;sica qu&acirc;ntica &agrave; filosofia transcendental kantiana. A vers&atilde;o brasileira foi lan&ccedil;ada em 2022 pela Editora UFMG.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Essas trajet&oacute;rias demonstram  que a filosofia da mec&acirc;nica  qu&acirc;ntica no Brasil n&atilde;o se  limita a reproduzir debates  internacionais, mas elabora  caminhos pr&oacute;prios, originais   e sofisticados, que dialogam  com a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia, a  l&oacute;gica, a epistemologia e a  filosofia da linguagem. &Eacute; importante  ressaltar que muitos  outros pesquisadores e pesquisadoras  relevantes n&atilde;o puderam  ser mencionados aqui,  embora tamb&eacute;m contribuam  de maneira significativa para esse campo em expans&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[1] ARENHART, J.R.B.; KRAUSE,  D. (2012). Indistinguibilidade, n&atilde;o  reflexividade, ontologia e f&iacute;sica  qu&acirc;ntica. Scientiae Studia 10(1): 41-69.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [2] BITBOL, M. (2001) F&iacute;sica e  Filosofia do Esp&iacute;rito. Lisboa: Instituto Piaget.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [3] BOHR, N. (1928). O  postulado qu&acirc;ntico e o recente  desenvolvimento da f&iacute;sica at&ocirc;mica,  em Fundamentos da F&iacute;sica 1  (Simp&oacute;sio David Bohm). S&atilde;o Paulo:   Ed. Livraria da F&iacute;sica, 2000, pp.135-59.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [4] BOHR, N. (1995). F&iacute;sica at&ocirc;mica  e conhecimento humano. Trad.  Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [5] CASSIRER, E. (2004). A filosofia  das formas simb&oacute;licas. Trad. Carlos  Nelson Coutinho. S&atilde;o Paulo: Ed. Perspectiva.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [6] CHIBENI, S. (1997). Aspectos  da descri&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da realidade.  Cole&ccedil;&atilde;o CLE 21. Campinas: Unicamp.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [7] EINSTEIN, A.; PODOLSKY, B.;  ROSEN , N. (1935). Can quantum  mechanical description of reality  be considered complete?.  Physical Review, v. 47, p. 777&#150;780.  Em portugu&ecirc;s: A descri&ccedil;&atilde;o da  realidade f&iacute;sica fornecida pela  mec&acirc;nica qu&acirc;ntica pode ser  considerada completa?. Trad. C.W.  Abram. Cadernos de Hist&oacute;ria e  Filosofia da Ci&ecirc;ncia, v. 2 p. 90-96, 1981.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [8] EVERETT, H. (1973). The Many-Worlds Interpretation of Quantum  Mechanics. Princenton: Princeton University Press.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [9] FREIRE JR., O. (1999). David  Bohm e a controv&eacute;rsia dos quanta. Cole&ccedil;&atilde;o CLE 27. Campinas: Unicamp.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [10] FREIRE JR., O. (2015). The  quantum dissidents: rebuilding the  foundations of quantum mechanics (1950-1990). Heidelberg: Springer.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [11] FREIRE JR. O.; PESSOA JR.,  O. &amp; BROMBERG, J.L. (orgs.)  (2010). Teoria qu&acirc;ntica: estudos  hist&oacute;ricos e implica&ccedil;&otilde;es culturais.  Campina Grande/ S&atilde;o Paulo: Ed.   Universidade Estadual da Para&iacute;ba/Ed. Livraria da F&iacute;sica.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [12] FUCHS, C. (2017).  Notwithstanding Bohr, the Reasons  for QBism, Mind and Matter, 15(2): 245&#150;300.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [13] HEISENBERG, W. (1925).  &Uuml;ber quantentheoretische  Umdeutung kinematischer und  mechanischer Beziehungen [Sobre  a reinterpreta&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica das  rela&ccedil;&otilde;es cinem&aacute;ticas e mec&acirc;nicas]. Zeitschrift f&uuml;r Physik, v. 33, 879-893.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [14] HEISENBERG, W. (1996). A  parte e o todo. Trad. Vera Ribeiro.  Rio de Janeiro: Contraponto.  [Originalmente publicado em alem&atilde;o em 1969].    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [15] KAUARK-LEITE, P. (2022).  Teoria qu&acirc;ntica e filosofia  transcendental: di&aacute;logos poss&iacute;veis.  Belo Horizonte: Editora UFMG.  [Originalmente publicado em  franc&ecirc;s pela Editora Hermann, 2012].    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [16] KAUARK-LEITE, P. (2013).  Redefinindo a curvatura do arco:  aspectos transcendentais da  racionalidade qu&acirc;ntica. Analytica, v. 17, 59-78.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [17] PATY, M. (1995). A mat&eacute;ria  roubada: a apropria&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do  objeto da f&iacute;sica contempor&acirc;nea.Trad. M.A. Leite de Barros. S&atilde;o  Paulo: EDUSP. [Originalmente   publicado em franc&ecirc;s em 1988].    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [18] PESSOA JR., O. (2006),  Conceitos de f&iacute;sica qu&acirc;ntica, vols.  1 e 2. S&atilde;o Paulo: Ed. Livraria da F&iacute;sica.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [19] PINTO NETO, N. (2010). Teoria  e interpreta&ccedil;&otilde;es da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica. Rio/S&atilde;o Paulo: CBPF/Livraria da F&iacute;sica.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [20] ROVELLI, Carlo. (2016). A  realidade n&atilde;o &eacute; o que parece:  A f&iacute;sica qu&acirc;ntica e a natureza da  realidade. Trad. Marcio Nogueira. S&atilde;o Paulo: Editora Rocco.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [21] SCHR&Ouml;DINGER, E. (1935).  Die gegenwartige Situation in der  Quantenmechanik [A situa&ccedil;&atilde;o  atual da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica]. Naturwissenschaften, vol. 23, 807-812.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [22] SCHR&Ouml;DINGER, E. (2007). O  que &eacute; vida?: o aspecto f&iacute;sico da  c&eacute;lula viva. S&atilde;o Paulo: UNESP.  [Originalmente publicado em ingl&ecirc;s: 1944].    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [23] VIDEIRA, A. A. P. (2017).  Por que os F&iacute;sicos Acreditam  que as Coisas Existem? Breves  coment&aacute;rios a Respeito das  Rela&ccedil;&otilde;es entre Ci&ecirc;ncia e Metaf&iacute;sica. Braga: Axioma.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [24] VIDEIRA, A. A. P., &amp; PUIG, C.  F. (2020). Realidade, linguagem  e beleza segundo Werner  Heisenberg. Prometeica, vol. 21, 73-84.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [25] ZUREK, W. (1991).  Decoherence and the transition  from quantum to classical. Physics Today, v. 44, n. 10, 36-44.    </font></p>      ]]></body><back>
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