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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250022</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>2025, O Ano Qu&acirc;ntico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Luiz Davidovich<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>F&iacute;sico e professor em&eacute;rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). &Eacute; membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC), a qual presidiu em 2016-2019 e 2019-2022, da Academia Mundial de Ci&ecirc;ncias (TWAS), da qual foi secret&aacute;rio-geral em 2019-2022, e membro da Academia Nacional de Ci&ecirc;ncias dos EUA, da Academia Europeia de Ci&ecirc;ncias e da Academia de Ci&ecirc;ncias da China.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Entre 1925 e 1926, Heisenberg e Schr&ouml;dinger revolucionaram a f&iacute;sica com propostas qu&acirc;nticas inovadoras, culminando na equival&ecirc;ncia matem&aacute;tica estabelecida por von Neumann. No s&eacute;culo XXI, experimentos com &aacute;tomos e f&oacute;tons individuais impulsionaram a &ldquo;segunda revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica&rdquo;. No Brasil, a comunidade cient&iacute;fica se destacou com o INCT-IQ, promovendo coopera&ccedil;&atilde;o nacional, forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores e avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, incluindo startups e aplica&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de, agricultura e computa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave: </b>Mec&acirc;nica Qu&acirc;ntica; Segunda Revolu&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica; INCT-IQ; Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Em junho de 1925, o f&iacute;sico alem&atilde;o Werner Karl Heisenberg, com 23 anos, acometido por forte alergia, isola-se em Helgoland, uma ilha no Mar do Norte, em busca de aliviar o inc&ocirc;modo, gra&ccedil;as &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o escassa da ilha. L&aacute;, encontra a tranquilidade necess&aacute;ria para refletir sobre a f&iacute;sica dos &aacute;tomos e el&eacute;trons. E encontra a solu&ccedil;&atilde;o para um problema que o atormentava, escrevendo um artigo que mudaria radicalmente a f&iacute;sica do s&eacute;culo XX, celebrado neste ano de 2025, eleito pela ONU o &ldquo;Ano Internacional da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia Qu&acirc;ntica&rdquo;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica: as hip&oacute;teses ousadas de Planck e Einstein</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, o estranho comportamento do mundo de &aacute;tomos e el&eacute;trons contradizia a f&iacute;sica cl&aacute;ssica e desafiava os cientistas. No final do s&eacute;culo XIX, fen&ocirc;menos observados em laborat&oacute;rios contradiziam as teorias existentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A f&iacute;sica cl&aacute;ssica n&atilde;o conseguia explicar a distribui&ccedil;&atilde;o de energia irradiada por um corpo (idealmente um corpo negro, que absorve toda a radia&ccedil;&atilde;o   que incide sobre ele) em fun&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia da radia&ccedil;&atilde;o e da temperatura. Um corpo aquecido emite luz com um espectro de cores que tende para o azul &agrave; medida que a temperatura aumenta. Esse fen&ocirc;meno, observado em fornos metal&uacute;rgicos e testado em laborat&oacute;rios, impacta a luz emitida por estrelas, que varia da cor azul para o vermelho, dependendo   da temperatura das estrelas. A express&atilde;o cl&aacute;ssica para o espectro de cores (lei de Wien) n&atilde;o concordava com os dados experimentais para frequ&ecirc;ncias altas. Em 1900, o f&iacute;sico alem&atilde;o Max Planck prop&otilde;e uma express&atilde;o matem&aacute;tica que concorda com os dados experimentais para todas as frequ&ecirc;ncias.<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>[1]</sup></a> Para justificar fisicamente sua f&oacute;rmula, Planck levanta a hip&oacute;tese de que a energia &eacute; emitida pelo corpo aquecido em pacotes discretos (quanta), em vez de continuamente, e que a energia de cada quantum &eacute; diretamente   proporcional &agrave; sua frequ&ecirc;ncia. Esse foi o ato inaugural da f&iacute;sica qu&acirc;ntica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em 1905, Albert Einstein prop&otilde;e uma explica&ccedil;&atilde;o ousada para o efeito fotoel&eacute;trico: luz incidindo sobre a superf&iacute;cie de certos metais leva &agrave; emiss&atilde;o   de el&eacute;trons, cuja energiaindepende da intensidade da luz e aumenta com a frequ&ecirc;ncia.<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>[2]</sup></a> A teoria cl&aacute;ssica do eletromagnetismo, por outro lado, previa que a energia do el&eacute;tron deveria aumentar com a intensidade da luz. Einstein prop&otilde;e que a emiss&atilde;o de um el&eacute;tron deva-se &agrave; absor&ccedil;&atilde;o de um corp&uacute;sculo da luz, com energia proporcional&agrave; frequ&ecirc;ncia, implicando que a energia do el&eacute;tron emitido variaria linearmente com a frequ&ecirc;ncia. Segundo Einstein, a luz comportava-se como se fosse constitu&iacute;da de part&iacute;culas. N&atilde;o se tratava mais de uma propriedade do corpo aquecido, mas da constitui&ccedil;&atilde;o da luz. O &ldquo;como se&rdquo; reflete a prud&ecirc;ncia de Einstein diante da evid&ecirc;ncia de que a luz tem um   comportamento ondulat&oacute;rio, conforme demonstrado pelo f&iacute;sico ingl&ecirc;s Thomas Young em 1801 (<a href="#fig01">Figura 1</a>). Esses &ldquo;corp&uacute;sculos da luz&rdquo; foram posteriormente denominados de f&oacute;tons pelo qu&iacute;mico Gilbert N. Lewis, em 1926.<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><sup>[3]</sup></a></font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno do emaranhamento evolui do assombramento para sua utiliza&ccedil;&atilde;o nas novas tecnologias qu&acirc;nticas que aparecem no s&eacute;culo XXI.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O modelo at&ocirc;mico apresentado pelo f&iacute;sico dinamarqu&ecirc;s Niels Bohr em 1913 postula que os el&eacute;trons orbitam em torno do n&uacute;cleo at&ocirc;mico, com energias que n&atilde;o podem   ter qualquer valor, mas s&atilde;o m&uacute;ltiplos de uma quantidade fundamental. Essas &oacute;rbitas espec&iacute;ficas s&atilde;o chamadas de &ldquo;estados estacion&aacute;rios&rdquo;. Postula ainda que os el&eacute;trons podem saltar de uma &oacute;rbita a outra, absorvendo ou emitindo energia. A &oacute;rbita de energia mais baixa &eacute; est&aacute;vel, contrariando a teoria cl&aacute;ssica, que previa que   um el&eacute;tron em &oacute;rbita circular em torno do n&uacute;cleo deveria perder sua energia, pois emitiria radia&ccedil;&atilde;o em virtude de estar acelerado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1916, Einstein envia uma carta a seu amigo Michele Angelo Besso, um engenheiro su&iacute;&ccedil;o-italiano que conhecera durante os anos no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e depois no escrit&oacute;rio de patentes em Berna, mencionando que &ldquo;uma espl&ecirc;ndida luz surgiu para mim sobre a absor&ccedil;&atilde;o e emiss&atilde;o de radia&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Einstein demonstra   ent&atilde;o, em artigo publicado em 1916,<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>[4]</sup></a> baseando-se no modelo corpuscular da radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica, que h&aacute; tr&ecirc;s processos poss&iacute;veis na intera&ccedil;&atilde;o de um &aacute;tomo com a luz: (i) o &aacute;tomo pode absorver o corp&uacute;sculo (f&oacute;ton), saltando do estado inicial para um de maior energia; (ii) o &aacute;tomo pode emitir um f&oacute;ton, saltando para um estado de menor energia (&ldquo;emiss&atilde;o espont&acirc;nea&rdquo;); (iii) um f&oacute;ton incidente pode estimular a emiss&atilde;o de outro f&oacute;ton, que tem mesma   frequ&ecirc;ncia e dire&ccedil;&atilde;o do f&oacute;ton incidente, o &aacute;tomo saltando para um estado com menor energia (&ldquo;emiss&atilde;o estimulada&rdquo;). O terceiro processo, com   o efeito de multiplicar o n&uacute;mero de f&oacute;tons, levaria, muitos anos depois, &agrave; inven&ccedil;&atilde;o do laser. A partir desses processos, Einstein deduz a f&oacute;rmula dePlanck.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro lado, a emiss&atilde;o espont&acirc;nea coloca quest&otilde;es importantes para Einstein: a dire&ccedil;&atilde;o e o instante da emiss&atilde;o do f&oacute;ton n&atilde;o podem ser previstos.   Einstein menciona seu desconforto no artigo de 1917: &ldquo;&Eacute; uma fraqueza da teoria&hellip; que deixa o tempo e a dire&ccedil;&atilde;o dos processos elementares ao acaso&hellip; As propriedades dos processos elementares&hellip; fazem parecer quase inevit&aacute;vel formular uma teoria verdadeiramente quantizada da radia&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Dez anos depois dessa previs&atilde;o, em 1927, &eacute; publicado o artigo seminal de Paul Dirac, com a quantiza&ccedil;&atilde;o do campo eletromagn&eacute;tico.<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>[5]</sup></a></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Diversas startups baseadas em mec&acirc;nica qu&acirc;ntica t&ecirc;m aparecido no Brasil, produzindo algoritmos para ind&uacute;strias e computadores qu&acirc;nticos para fins educacionais.&rdquo;</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em 1924, Einstein publica um artigo no di&aacute;rio alem&atilde;o Berliner Tageblatt, no qual afirma que &ldquo;&hellip;agora existem duas teorias da luz, ambas indispens&aacute;veis e, como &eacute; preciso admitir hoje, apesar de vinte anos de tremendo esfor&ccedil;o por parte dos f&iacute;sicos te&oacute;ricos, sem qualquer conex&atilde;o l&oacute;gica&rdquo;. A &ldquo;conex&atilde;o l&oacute;gica&rdquo; entre a teoria corpuscular e as ondulat&oacute;rias apareceria nos dois anos seguintes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Surge a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 9 de julho, Heisenberg escreve a Pauli que &ldquo;todos os meus miser&aacute;veis esfor&ccedil;os s&atilde;o dedicados a matar completamente o conceito de &oacute;rbitas &#150; que n&atilde;o podem ser observadas de qualquer maneira&rdquo;. Em 29 de julho, o artigo de Heisenberg sobre uma nova teoria qu&acirc;ntica, que envolve somente quantidades observ&aacute;veis, &eacute; recebido pela   revista Zeitschrift f&uuml;r Physik.<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>[6]</sup></a> Esta foi a ruptura decisiva com a mec&acirc;nica cl&aacute;ssica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um pouco antes, em maio de 1925, Einstein visita &agrave; Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) e outras institui&ccedil;&otilde;es no Rio de Janeiro. Segundo a ata da sess&atilde;o da Academia, &ldquo;O professor Einstein, agradecendo &agrave;s homenagens que lhe s&atilde;o prestadas, ao inv&eacute;s de um discurso, diz ele, mostra o seu reconhecimento e o seu apre&ccedil;o &agrave; Academia fazendo uma r&aacute;pida comunica&ccedil;&atilde;o sobre os resultados que, na Alemanha, est&atilde;o sendo obtidos nos estudos realizados sobre a natureza da luz, comparando a teoria ondulat&oacute;ria e a dos quanta&rdquo;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em dezembro do mesmo ano, o f&iacute;sico austr&iacute;aco Erwin Schr&ouml;dinger envia um artigo para a revista Annalen der Physik, propondo uma teoria ondulat&oacute;ria da mat&eacute;ria.<a name="tx07"></a><a href="#nt07"><sup>[7]</sup></a> O artigo, publicado em janeiro de 1926, consolida proposta feita por Louis de Broglie em duas comunica&ccedil;&otilde;es &agrave; Academia Francesa de Ci&ecirc;ncias<a name="tx08"></a><a href="#nt08"><sup>[8]</sup></a> e em sua tese de doutorado de 1924, postulando que toda a mat&eacute;ria tem comportamento ondulat&oacute;rio. &Eacute; seguido por um segundo artigo, no qual Schr&ouml;dinger aplica a teoria ondulat&oacute;ria para o &aacute;tomo de hidrog&ecirc;nio. Schr&ouml;dinger demonstra que sua teoria e a de Heisenberg levam aos mesmos resultados. A equival&ecirc;ncia matem&aacute;tica entre as duas teorias s&oacute; &eacute; estabelecida, no entanto, em 1929, por John von Neumann, cujo livro seminal &ldquo;<i>Mathematical Foundations of Quantum Mechanics</i>&rdquo;, publicado em 1932, estabelece a estrutura matem&aacute;tica da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica. Os artigos   de Schr&ouml;dinger s&atilde;o recebidos com entusiasmo por Einstein. Em carta a Michele Besso, datada de 1 de maio de 1926, escreve que &ldquo;Schr&ouml;dinger publicou dois artigos maravilhosos sobre as regras qu&acirc;nticas&rdquo;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Restava, no entanto, entender o significado f&iacute;sico das ondas propostas por Louis de Broglie. Em junho de 1926, Max Born observa que o m&oacute;dulo ao quadrado da fun&ccedil;&atilde;o de onda de   Schr&ouml;dinger deve ser interpretado como uma densidade de probabilidade.<a name="tx09"></a><a href="#nt09"><sup>[9]</sup></a> O abandono da ideia de causalidade cl&aacute;ssica, decorrente dessa interpreta&ccedil;&atilde;o, leva Einstein a escrever para Born, em dezembro de 1926, que &ldquo;a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica &eacute; muito impressionante. Mas uma voz interna me diz que ela n&atilde;o &eacute; ainda a &uacute;ltima palavra (<i>the real   thing</i>). A teoria produz muitos resultados, mas n&atilde;o nos traz mais perto do segredo do Velho. Estou de qualquer forma convencido de que Ele n&atilde;o joga dado&rdquo;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A interpreta&ccedil;&atilde;o probabil&iacute;stica permite finalmente conciliar a teoria ondulat&oacute;ria de Maxwell com a no&ccedil;&atilde;o de que a luz &eacute; constitu&iacute;da de corp&uacute;sculos. Na experi&ecirc;ncia de Young, a onda associada aos corp&uacute;sculos descreve a probabilidade de eles chegarem nas diversas regi&otilde;es do anteparo onde se produzem as franjas claras e   escuras. As regi&otilde;es de sombra correspondem a valores nulos da distribui&ccedil;&atilde;o de probabilidades, ou seja, &eacute; nula a probabilidade de um f&oacute;ton ser observado nas regi&otilde;es de sombra.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outras surpresas estavam por vir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Obsess&atilde;o e assombramento de jovens pesquisadores muda o mundo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1935, um artigo de Einstein, Podolsky e Rosen,<a name="tx10"></a><a href="#nt10"><sup>[10]</sup></a> seguido de tr&ecirc;s artigos de Schr&ouml;dinger,<a name="tx11"></a><a href="#nt11"><sup>[11]</sup></a> apontam uma consequ&ecirc;ncia sutil da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, o fen&ocirc;meno do emaranhamento, descrito por Schr&ouml;dinger de forma dram&aacute;tica: &ldquo;Eu n&atilde;o diria que o emaranhamento &eacute; um, mas o tra&ccedil;o caracter&iacute;stico da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, aquele que leva ao abandono completo do pensamento cl&aacute;ssico&hellip; Esta &eacute; a raz&atilde;o pela qual a informa&ccedil;&atilde;o sobre os sistemas individuais pode ser extremamente reduzida,   ou mesmo nula, enquanto a informa&ccedil;&atilde;o sobre o sistema combinado permanece m&aacute;xima. A melhor informa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel do todo n&atilde;o inclui a melhor informa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel sobre suas partes &#150; e isso &eacute; que vem constantemente nos assombrar&rdquo;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno do emaranhamento evolui do assombramento para sua utiliza&ccedil;&atilde;o nas novas tecnologias qu&acirc;nticas que aparecem no s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Cientistas como Planck, Einstein, Heisenberg, Schr&ouml;dinger, Born, Dirac e muitos outros eram motivados pela curiosidade, pela obsess&atilde;o de entender o funcionamento da Natureza no mundo microsc&oacute;pio. N&atilde;o tinham a menor ideia de poss&iacute;veis aplica&ccedil;&otilde;es de suas descobertas. N&atilde;o obstante, a nova f&iacute;sica mudou o mundo, com as inven&ccedil;&otilde;es do laser, da tomografia por resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear, dos transistores que se multiplicam nos computadores, de magnet&ocirc;metros ultrassens&iacute;veis, dos rel&oacute;gios at&ocirc;micos ultra-precisos (com varia&ccedil;&atilde;o de menos de um segundo em um tempo equivalente&agrave; idade do Universo) que tornam poss&iacute;vel o GPS.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Iniciativas como essas s&atilde;o fundamentais para fortalecer o protagonismo do Brasil em ci&ecirc;ncia e tecnologias qu&acirc;nticas, acrescentando &agrave; pesquisa b&aacute;sica de excelente n&iacute;vel.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mas a hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica n&atilde;o termina a&iacute;. Ideias surpreendentes continuam aparecendo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A segunda revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No final do s&eacute;culo XX, laborat&oacute;rios em diversas institui&ccedil;&otilde;es demonstram o controle de &aacute;tomos e f&oacute;tons individuais. A intera&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico &aacute;tomo com um &uacute;nico f&oacute;ton, preso entre dois espelhos, &eacute; demonstrada no laborat&oacute;rio de Serge Haroche na <i>Ecole Normale Sup&eacute;rieure</i> em Paris, ensejando forte colabora&ccedil;&atilde;o com nosso grupo de &oacute;ptica qu&acirc;ntica no Rio de Janeiro.<a name="tx12"></a><a href="#nt12"><sup>[12]</sup></a> Armadilhas eletromagn&eacute;ticas de &iacute;ons, no laborat&oacute;rio de David Wineland no National Institute of Science and Technology em Boulder, Colorado, controlam as intera&ccedil;&otilde;es entre os &iacute;ons, permitindo a transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica de um &iacute;on para outro,   sugerindo um poss&iacute;vel mecanismo para computadores qu&acirc;nticos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Surge uma nova f&iacute;sica qu&acirc;ntica, que lida com &aacute;tomos e f&oacute;tons individuais e com o fen&ocirc;meno do emaranhamento, que motiva novas tecnologias, no que chamou de &ldquo;segunda revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica&rdquo;. A <a href="#fig02">Figura 2</a> ilustra os componentes fundamentais dessas novas tecnologias qu&acirc;nticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Computadores qu&acirc;nticos s&atilde;o constru&iacute;dos por diversas empresas, nos Estados Unidos, na Europa, na China. Com pot&ecirc;ncia de c&aacute;lculo crescente, mas ainda n&atilde;o apresentando   resultados &uacute;teis para aplica&ccedil;&otilde;es importantes que demandam intensos recursos computacionais. Comunica&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica,usando detectores de f&oacute;tons &uacute;nicos, protege a privacidade das mensagens transmitidas. Simula&ccedil;&otilde;es qu&acirc;nticas, consideradas pelo f&iacute;sico Richard Feynman em artigo publicado no International <i>Journal of Theoretical Physics</i> em 1981, simulam em laborat&oacute;rios intera&ccedil;&otilde;es em materiais, permitindo a descoberta de novos fen&ocirc;menos e novos materiais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sensores ultrassens&iacute;veis permitem a medida de campos magn&eacute;ticos da ordem de 10<sup>-11</sup> vezes mais fracos que o valor na superf&iacute;cie da Terra, levando a magneto-encefalogramas de grande precis&atilde;o, que permitem diagn&oacute;sticos de fun&ccedil;&otilde;es cerebrais atrav&eacute;s da detec&ccedil;&atilde;o dos campos magn&eacute;ticos gerados pelas correntes el&eacute;tricas no c&eacute;rebro. Grav&iacute;metros com precis&atilde;o de 10<sup>-9</sup> g, onde g &eacute; a acelera&ccedil;&atilde;o da gravidade na superf&iacute;cie da Terra, permitem descobrir len&ccedil;&oacute;is subterr&acirc;neos de &aacute;gua e &oacute;leo, ou mesmo vest&iacute;gios deciviliza&ccedil;&otilde;es antigas, por meio da altera&ccedil;&atilde;o que provocam no campo gravitacional na superf&iacute;cie do planeta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Investimentos crescentes em novas tecnologias qu&acirc;nticas ocorrem em v&aacute;rios pa&iacute;ses (<a href="#fig03">Figura 3</a>). A China lidera os investimentos por larga margem, com 15 bilh&otilde;es de d&oacute;lares   de investimento p&uacute;blico. A Europa ocupa o segundo lugar, com 10 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de investimentos p&uacute;blicos, que incluem a iniciativa &ldquo;<i>Quantum Flagship</i>&rdquo; e as contribui&ccedil;&otilde;es do setor p&uacute;blico por Estados Membros individuais. O investimento alem&atilde;o corresponde a 60% do investimento coletivo europeu. Somente nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, o investimento privado &eacute; maior que o p&uacute;blico. Os Estados Unidos lideram o investimento privado, que corresponde a 44% do financiamento global.</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a06fig03.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Restri&ccedil;&otilde;es a exporta&ccedil;&otilde;es de componentes para tecnologias qu&acirc;nticas come&ccedil;am a aparecer. Em setembro de 2024, o Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos publicou um documento que autoriza exporta&ccedil;&otilde;es nessa &aacute;rea apenas a &ldquo;pa&iacute;ses parceiros&rdquo;, designa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o contempla nenhum pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#fig04">Figura 4</a> mostra a quantidade e qualidade de publica&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas por subtema de tecnologias qu&acirc;nticas para os dez principais pa&iacute;ses, de 2019 a 2023, como percentual do total de publica&ccedil;&otilde;es. A qualidade &eacute; medida em termos da parcela de publica&ccedil;&otilde;es nos peri&oacute;dicos de maior impacto (topo 10% dos peri&oacute;dicos). &Eacute; interessante observar que, enquanto os Estados Unidos privilegiam a computa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica em suas publica&ccedil;&otilde;es nas revistas com maior impacto (&ldquo;top 10%&rdquo;),   a China lidera as publica&ccedil;&otilde;es em comunica&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica e sensores qu&acirc;nticos (<a href="#fig04">Figura 4</a>).</font></p>     <p><a name="fig04"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a06fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia e tecnologias qu&acirc;nticas no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A comunidade cient&iacute;fica brasileira tem publicado artigos cient&iacute;ficos nos melhores peri&oacute;dicos internacionais. A coopera&ccedil;&atilde;o entre os diversos grupos do pa&iacute;s foi estimulada por programas como o Instituto do Mil&ecirc;nio de Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica, apoiado pelo CNPq, inaugurado em 2001, com uma segunda edi&ccedil;&atilde;o em 2006, seguido pelo Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica (INCTIQ), iniciado em 2009 e vigente at&eacute; este ano de 2025, tendo sido apoiado pelo CNPq, pela FAPERJ e pela FAPESP. Esse Instituto re&uacute;ne atualmente 120 pesquisadores principais, 26 institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior e um centro de pesquisa do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia,   Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (CBPF). Est&aacute; presente em 12 estados em quatro regi&otilde;es do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O INCT-IQ teve um papel muito relevante na forma&ccedil;&atilde;o de novos pesquisadores; mais de 700 teses e disserta&ccedil;&otilde;es foram conclu&iacute;das e publica&ccedil;&otilde;es nas melhores revistas cient&iacute;ficas (como <i>Science, Nature, Physical Review Letters</i>, entre outras) tiveram destaque internacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Diversas startups baseadas em mec&acirc;nica qu&acirc;ntica t&ecirc;m aparecido no Brasil, produzindo algoritmos para ind&uacute;strias e computadores qu&acirc;nticos para fins educacionais. Equipamentos   voltados para a sa&uacute;de e a agricultura, baseados em lasers, foram desenvolvidos (<a href="#fig05">Figura 5</a>).</font></p>     <p><a name="fig05"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a06fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A comunidade cient&iacute;fica que trabalha nessa &aacute;rea no Brasil &eacute; muito ativa, embora com recursos muito aqu&eacute;m daqueles exibidos na <a href="#fig03">Figura 3</a>. Em maio de 2024, o Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o instituiu um Grupo de Trabalho para debater e propor as bases e diretrizes para estabelecer uma Iniciativa Brasileira para Tecnologias Qu&acirc;nticas. Em   dezembro de 2024, a FAPESP lan&ccedil;ou um programa em Tecnologias Qu&acirc;nticas&#150; QuTIa (acr&ocirc;nimo em ingl&ecirc;s de &ldquo;<i>Quantum Technologies Initiative</i>&rdquo;). Iniciativas como essas   s&atilde;o fundamentais para fortalecer o protagonismo do Brasil em ci&ecirc;ncia e tecnologias qu&acirc;nticas, acrescentando &agrave; pesquisa b&aacute;sica de excelente n&iacute;vel, existente em   v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es nacionais, o desenvolvimento de inova&ccedil;&atilde;o que leve a novos dispositivos qu&acirc;nticos, fortalecendo a economia e beneficiando a sociedade. Um esfor&ccedil;o   necess&aacute;rio e urgente, tendo em vista as restri&ccedil;&otilde;es crescentes &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es nessa &aacute;rea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">[1]</a> PLANCK, M. Verh. Deutsch. Phys. Ges., 2, 202, 1900    <br> <a name="nt02"></a><a href="#tx02">[2]</a> EINSTEIN, A. Annalen der Physik (Leipzig), 17, 132, 1905    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a name="nt03"></a><a href="#tx03">[3]</a> Lewis, Gilbert Newton. (1926) &ldquo;The conservation of photons,&rdquo; Nature 118 (2981): 874-875    <br> <a name="nt04"></a><a href="#tx04">[4]</a> O artigo foi publicado inicialmente na revista Physikalische Gesellschaft Z&uuml;rich. Mitteilungen 18 (1916): 47-62. O mesmo artigo foi publicado em 15 Mar&ccedil;o de 1917 na revista Physikalische Zeitschrift 18 (1917): 121-128.    <br> <a name="nt05"></a><a href="#tx05">[5]</a> P.A.M. Dirac, &ldquo;The quantum theory of the emission and absorption of radiation&rdquo;, Proc. of the Royal Society of London, Series A, 114, 243 (2027).    <br> <a name="nt06"></a><a href="#tx06">[6]</a> W. Heisenberg, &ldquo;Uber quantentheoretische Umdeutung kinematischer und &uml; mechanischer Beziehungen&rdquo;, Z. Phys. 33, 879-893 (1925).    <br> <a name="nt07"></a><a href="#tx07">[7]</a> Schr&ouml;dinger E 1926 &ldquo;Quantisierung als Eigenwertproblem&rdquo; (Erste Miteilung) Annalen Phys. 384, 361. Ver tamb&eacute;m Schr&ouml;dinger E 1926, An undulatory theory of the mechanics of atoms and molecules, The Physical Review 28, 1049, 1926.    <br> <a name="nt08"></a><a href="#tx08">[8]</a> Broglie, L. de C. R., Acad. Sci. Paris, 177, 507, 1923; C. R. Acad. Sci. Paris,177, 548, 1923.    <br> <a name="nt09"></a><a href="#tx09">[9]</a> BORN, M. Z. Phys., 37, 863,1926.    <br> <a name="nt10"></a><a href="#tx10">[10]</a> EINSTEIN, A.; PODOLSKY, B. &amp; ROSEN, N. Phys. Rev.,47, 777, 1935.    <br> <a name="nt11"></a><a href="#tx11">[11]</a> SCHR&Ouml;DINGER, E. Naturw, 23 , 807 , 1935 ; 23 , 823 ,1935; 23, 844, 1935. Tradu&ccedil;&atilde;o para o ingl&ecirc;s por J. D. Trimmer, Proc. Am. Phys. Soc., 124, 3235, 1980.    <br> <a name="nt12"></a><a href="#tx12">[12]</a> M. Brune, J. M. Raimond, S. Haroche, L. Davidovich, and N. Zagury, &ldquo;Manipulation of photons in a cavity by dispersive atom-field coupling: Quantum nondemolition measurements and generation of Schr&ouml;dinger-cat states&rdquo;, Phys. Rev. A. 45, 5193 (1992); L. Davidovich, A. Maali, M. Brune, J. M. Raimond, and S. Haroche, &ldquo;Quantum Switches and Non-Local Microwave Fields&rdquo;, Phys. Rev. Lett. 71, 2360 (1993); L. Davidovich, N. Zagury, M. Brune, J. M. Raimond, and S. Haroche, &ldquo;Teleportation of an atomic state between two cavities using non-local microwave fields&rdquo;, Phys. Rev. A 50, R895 (1994); L. Davidovich, M. Brune, J. M. Raimond, and S. Haroche, &ldquo;Mesoscopic quantum coherences in cavity QED: Preparation and decoherence monitoring schemes&rdquo;, Phys. Rev. A 53, 1295 (1996).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
