<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252025000200008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250024</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do laboratório ao mundo: A óptica quântica brasileira]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcelo Paleólogo Elefteriadis de França]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Física ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2025</year>
</pub-date>
<volume>77</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>45</fpage>
<lpage>51</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252025000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252025000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252025000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Nos anos 1990, a Óptica Quântica e a Informação Quântica se expandiram no Brasil, integrando o país ao cenário global. Com investimentos em institutos de pesquisa e formação de talentos, novas técnicas experimentais e teóricas floresceram, como no estudo das interações fóton-átomo e das propriedades quânticas da luz. Eventos como o Quantum Information School and Workshop de Paraty consolidaram a comunidade científica, impulsionando gerações de pesquisadores e inserindo o Brasil na vanguarda da pesquisa quântica.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Óptica Quântica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Revolução Quântica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ciência Brasileira]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Física Quântica]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250024</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Do laborat&oacute;rio ao mundo: A &oacute;ptica qu&acirc;ntica brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Marcelo Pale&oacute;logo Elefteriadis de Fran&ccedil;a Santos<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e col&iacute;der545 do grupo de &oacute;tica qu&acirc;ntica e informa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica da UFRJ.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Nos anos 1990, a &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica e a Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica se expandiram no Brasil, integrando o pa&iacute;s ao cen&aacute;rio global. Com investimentos em institutos de pesquisa e forma&ccedil;&atilde;o de talentos, novas t&eacute;cnicas experimentais e te&oacute;ricas floresceram, como no estudo das intera&ccedil;&otilde;es f&oacute;ton-&aacute;tomo e das propriedades qu&acirc;nticas da luz. Eventos como o <i>Quantum Information School and Workshop de Paraty</i> consolidaram a comunidade cient&iacute;fica, impulsionando gera&ccedil;&otilde;es de pesquisadores e inserindo o Brasil na vanguarda da pesquisa qu&acirc;ntica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave:</b> &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica; Revolu&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica; Ci&ecirc;ncia Brasileira; F&iacute;sica Qu&acirc;ntica</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na calorenta primavera de 1994, um grupo de estudantes do Instituto de F&iacute;sica Gleb Wataghin da Unicamp (IFGW) dedica parte de suas tardes a discutir suas surpresas com a rec&eacute;m-apresentada mec&acirc;nica qu&acirc;ntica. Entre sucos e salgados da ainda existente cantina, rep&otilde;em-se as calorias perdidas para entender a bomb&aacute;stica mudan&ccedil;a de paradigma imposta pelas descobertas dos noventa anos anteriores. Conversas semifilos&oacute;ficas sobre o papel aparentemente inexor&aacute;vel da aleatoriedade para a correta descri&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos microsc&oacute;picos, suas   consequ&ecirc;ncias para quest&otilde;es essenciais como o livre-arb&iacute;trio e eventuais formas de contorn&aacute;-la com as tais vari&aacute;veis ocultas alternavam-se com a resolu&ccedil;&atilde;o   de listas de exerc&iacute;cios ou a constru&ccedil;&atilde;o de bem-humoradas vers&otilde;es para explicar o sumi&ccedil;o de guarda-chuvas a partir do seu decaimento em clipes de papel.<sup>[1]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; nesse contexto de assombro coletivo que, em uma dessas tardes, interrompemos nossos debates para assistir ao col&oacute;quio do Professor Luiz Davidovich, famoso f&iacute;sico ainda da PUC-RJ na &eacute;poca e hoje Professor Em&eacute;rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O col&oacute;quio ocorreria, como de costume, no audit&oacute;rio do pr&eacute;dio administrativo do IFGW, uma simp&aacute;tica constru&ccedil;&atilde;o em tijolos aparentes, defronte da &ldquo;pra&ccedil;a do b&aacute;sico&rdquo;, o ponto central de converg&ecirc;ncia da Unicamp. O audit&oacute;rio, localizado no andar t&eacute;rreo desse pr&eacute;dio, uma sala grande em formato de anfiteatro com inclina&ccedil;&atilde;o suave, encontrava-se abarrotado de pesquisadores, p&oacute;s-graduandos, estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o e curiosos a ocupar todas as cadeiras e mais escadas e paredes. Todos os presentes, f&atilde;s de <i>Jornadas nas Estrelas</i> ou n&atilde;o, atra&iacute;dos pelo instigante t&iacute;tulo da palestra que prometia apresentar uma vers&atilde;o fact&iacute;vel do fen&ocirc;meno de teleporta&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica.<sup>[2]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Projetadas na parede do fundo, bem desenhadas transpar&ecirc;ncias auxiliavam a narrativa que mostrava, passo a passo, uma proposta te&oacute;rica para teletransportar o estado qu&acirc;ntico de um &aacute;tomo.<sup>[3]</sup> Os desenhos, que inclu&iacute;am uma piada irreprodut&iacute;vel atualmente sobre a cobaia a ser utilizada, mais pareciam um croquis de truque de m&aacute;gica. O &aacute;tomo, sa&iacute;do do forno, passava primeiro por um colimador e um seletor de velocidades. Seguia, ent&atilde;o, para uma regi&atilde;o onde uma sequ&ecirc;ncia de pulsos de luz e micro-ondas preparava-o em um estado eletr&ocirc;nico superexcitado, tamb&eacute;m chamado de estado de Rydberg. A pr&oacute;xima etapa era a mais crucial: o viajante solo entrava numa cavidade supercondutora, um arranjo de espelhos c&ocirc;ncavos posicionados um de frente ao outro com as concavidades para dentro, cada qual com reflet&acirc;ncia praticamente perfeita, e interagia por uma pequena fra&ccedil;&atilde;o de segundo com o campo eletromagn&eacute;tico da regi&atilde;o focal deste arranjo. Essa intera&ccedil;&atilde;o emaranhava o &aacute;tomo com o campo da cavidade e o viajante seguia para uma segunda cavidade igual, onde completava seu ciclo, desexcitando-se   para outro estado de Rydberg de menos energia e transferindo o emaranhamento para a segunda cavidade. Os campos eletromagn&eacute;ticos das duas cavidades, agora emaranhados, fariam a fun&ccedil;&atilde;o que, no seriado, cabia aos tubinhos da sala de teletransporte. A m&aacute;quina de teletransporte estava pronta e a etapa final envolvia interagir outros dois &aacute;tomos, um com cada cavidade ressonante, e realizar medi&ccedil;&otilde;es em um deles para teletransportar seu estado eletr&ocirc;nico para o outro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A plateia at&ocirc;nita, hipnotizada pelo farto sorriso e, sobretudo, pelo contagiante brilho nos olhos do apresentador, n&atilde;o tinha d&uacute;vida: ainda que teletransportar o estado eletr&ocirc;nico de um &uacute;nico &aacute;tomo n&atilde;o resolvesse o desconforto do &ocirc;nibus (sem ar-condicionado) que a maioria utilizava para visitar os parentes nos feriados, n&atilde;o est&aacute;vamos ali diante de um <i>gedankenexperiment</i>, pensado somente para auxiliar na compreens&atilde;o da teoria. A an&aacute;lise clara, apoiada por valores realistas dos par&acirc;metros envolvidos, indicava que era   apenas uma quest&atilde;o de tempo at&eacute; que algum laborat&oacute;rio do mundo realizasse o experimento. De fato, as primeiras teleporta&ccedil;&otilde;es ocorreriam apenas tr&ecirc;s anos depois, ainda que em outro sistema f&iacute;sico &#151; ambas teletransportaram o estado qu&acirc;ntico da polariza&ccedil;&atilde;o de um f&oacute;ton.<sup>[4,5]</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Sa&iacute;mos da sala de semin&aacute;rios numa superposi&ccedil;&atilde;o de assombro, entusiasmo e empolga&ccedil;&atilde;o percebida nos corredores ou de volta &agrave; cantina, pelo fuzu&ecirc; instalado. A est&eacute;tica do plano apresentado era inquestion&aacute;vel. A beleza dos mecanismos descobertos da natureza saltava aos olhos. Qu&acirc;ntica n&atilde;o era apenas instigante e revolucion&aacute;ria. Era tamb&eacute;m bonita e encantadora. E seus exerc&iacute;cios mais simples, alcan&ccedil;&aacute;veis aos estudantes, mas aparentemente restritos &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o, justamente   pelo excesso de simplicidade, concretizavam-se experimentalmente nos laborat&oacute;rios de &oacute;ptica qu&acirc;ntica mundo afora em bel&iacute;ssimos e cuidadosos arranjos em que &aacute;tomos e f&oacute;tons interagiam controladamente em uma emaranhante dan&ccedil;a nanosc&oacute;pica, invis&iacute;vel ao olho humano, mas detect&aacute;vel por sofisticados aparelhos por n&oacute;s constru&iacute;dos. Talvez seja essa a melhor defini&ccedil;&atilde;o de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica: &eacute; a &aacute;rea da f&iacute;sica em que problemas simples de livros-textos e <i>gedankenexperiments</i> se transformam em experimentos realiz&aacute;veis. Imposs&iacute;vel n&atilde;o pensar na ponta de inveja que Einstein, Bohr, Heisenberg, Dirac, Schroedinger, Born e companhia devem sentir das gera&ccedil;&otilde;es atuais que conseguem ver no laborat&oacute;rio o que, para eles, muitas vezes eram apenas ideias abstratas. Inveja essa compartilhada, natural e maravilhosamente, pelas atuais gera&ccedil;&otilde;es por serem eles os autores originais de tais ideias. &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica &eacute;, tamb&eacute;m, a &aacute;rea da f&iacute;sica onde mais claramente as duas revolu&ccedil;&otilde;es qu&acirc;nticas se encontram: onde   dispositivos tais como lasers, masers, detectores semicondutores ou supercondutores de alta efici&ecirc;ncia e criogenia de h&eacute;lio l&iacute;quido, todos frutos da primeira revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica, se combinam para manipular coerentemente e mensurar estados qu&acirc;nticos da mat&eacute;ria e da luz em protocolos de computa&ccedil;&atilde;o, criptografia e sensoriamento qu&acirc;nticos, aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas da segunda revolu&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A qu&acirc;ntica n&atilde;o era apenas instigante e revolucion&aacute;ria. Era tamb&eacute;m bonita e encantadora.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse dia, estava tra&ccedil;ado, tamb&eacute;m, meu caminho pela f&iacute;sica. Frustrado pela falta da necess&aacute;ria habilidade motora, mas trazendo comigo o esp&iacute;rito da f&iacute;sica experimental, encontrara naquela palestra o meio-termo ideal: uma &aacute;rea de pesquisa que permitia, ao mesmo tempo, fazer f&iacute;sica com l&aacute;pis e papel, tarefa dentro das minhas capacidades, combinada com mirabolantes croquis a guiar os colegas experimentais nas realiza&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas destes c&aacute;lculos e seus resultados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A conex&atilde;o Brasil-Fran&ccedil;a e o desenvolvimento te&oacute;rico.</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Juntei-me, como mestrando, ao Grupo de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica do Instituto de F&iacute;sica da UFRJ em mar&ccedil;o de 1995. Capitaneado pelos professores Moys&eacute;s Nussenzveig, Nicim   Zagury e Luiz Davidovich, este grupo fora importado da PUCRJ no ano anterior numa manobra que envolveu a diretoria do Instituto junto &agrave; reitoria da Universidade e que transportou, classicamente, v&aacute;rios professores do pr&eacute;dio Cardeal Leme, na Rua Marqu&ecirc;s de S&atilde;o Vicente, 225, para o terceiro andar do Bloco A do Centro de Tecnologias, na Avenida Athos da Silveira Ramos, 149.  Reunidos naquele grupo, n&atilde;o estavam apenas os maiores expoentes da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica te&oacute;rica do pa&iacute;s, estavam, de fato, os criadores da &aacute;rea no Brasil. Os professores Moys&eacute;s Nussenzveig e Nicim Zagury, ent&atilde;o em seus joviais sessenta e poucos anos, pertenciam &agrave; primeira gera&ccedil;&atilde;o de &Oacute;pticos Qu&acirc;nticos brasileiros. Moys&eacute;s (1932-2022), autor dos consagrados livros de f&iacute;sica b&aacute;sica, vencedores do pr&ecirc;mio Jabuti em 1999, &eacute; considerado o pai, ou a essa altura, o bisav&ocirc;, da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica brasileira. Seus pioneiros trabalhos<sup>[6,7]</sup> no espalhamento de luz por pequenas esferas, chamado de dispers&atilde;o de Mie, e sua conex&atilde;o com o arco-&iacute;ris e com o efeito Gl&oacute;ria,<sup>[8]</sup> aquele halo que vemos &agrave;s vezes, por exemplo, quando olhamos um avi&atilde;o no c&eacute;u em dia nublado, renderam-lhe o merecido Pr&ecirc;mio Max Born de &oacute;ptica em 1986. Um f&iacute;sico &agrave; moda antiga, para al&eacute;m de suas obras did&aacute;ticas, Moys&eacute;s nos deixou diversos livros da f&iacute;sica que pesquisou, incluindo uma excelente introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rea de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica<sup>[9]</sup> que, infelizmente, nunca foi republicada, mas pode ser encontrada em diversas bibliotecas do pa&iacute;s (<a href="#fig01">Figura 1</a>). Seu mais marcante tra&ccedil;o, contudo, era a generosidade   com que atendia estudantes e seus pedidos. O prazer de despertar os estudantes para as belezas da f&iacute;sica era seu ponto fraco. Generosidade essa compartilhada pelo colega Zagury. Vindo, originalmente,   das &aacute;reas de f&iacute;sica nuclear e part&iacute;culas e campos, Nicim abra&ccedil;ou a &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica nos anos oitenta e desse casamento sa&iacute;ram diversos trabalhos muito significativos em eletrodin&acirc;mica qu&acirc;ntica de cavidades e &iacute;ons armadilhados, dentre outros temas. Por exemplo, em um dos trabalhos mais emblem&aacute;ticos, uma colabora&ccedil;&atilde;o com o f&iacute;sico israelense Yakir Aharonov e com seu ex-estudante Luiz Davidovich deu in&iacute;cio &agrave; &aacute;rea de pesquisa de Caminhos Aleat&oacute;rios Qu&acirc;nticos.<sup>[10]</sup> A produ&ccedil;&atilde;o mais volumosa na &eacute;poca, contudo, veio de uma colabora&ccedil;&atilde;o estabelecida no primeiro Col&oacute;quio Franco-Brasileiro de f&iacute;sica, realizado no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980 quando diversos pesquisadores brasileiros e franceses estabeleceram conex&otilde;es que perduram at&eacute; hoje e que influenciaram significativamente o desenvolvimento da &aacute;rea no pa&iacute;s e no mundo. Em &Oacute;ptica   Qu&acirc;ntica, a principal colabora&ccedil;&atilde;o se deu entre o grupo do Rio de Janeiro e o grupo de Serge Haroche do <i>Laboratoire Kastler-Brossel</i> (LKB) em Paris. Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas investindo   na prepara&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o de &aacute;tomos de Rydberg e de espelhos supercondutores altamente refletores, o laborat&oacute;rio de Serge Haroche se aproximava das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para realizar <i>experimentos controlados de manipula&ccedil;&atilde;o e medi&ccedil;&atilde;o de sistemas qu&acirc;nticos individuais</i>. &Eacute; nesse momento que   o f&iacute;sico franc&ecirc;s encontra no grupo carioca uma parceria ideal para o desenvolvimento de propostas experimentais no tema. Dessa parceria, surgem diversos trabalhos de grande impacto que, mais   tarde, quando transformados em experimentos, formaram a base para o pr&ecirc;mio Nobel de Serge Haroche em 2012. Destacam-se, nesse particular, os trabalhos<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>[i]</sup></a> para medi&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica n&atilde;o-demolidora do estado f&iacute;sico do campo eletromagn&eacute;tico de uma cavidade ressonante.<sup>[11,12]</sup> Em seu laborat&oacute;rio, tamb&eacute;m, forma-se doutor, em meados da d&eacute;cada de 1990, um dos   primeiros pesquisadores da gera&ccedil;&atilde;o seguinte da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica brasileira, o f&iacute;sico Paulo Nussenzveig, filho natural e neto cient&iacute;fico do Moys&eacute;s, que viria, pouco depois, a estabelecer um dos principais laborat&oacute;rios da &aacute;rea no Brasil, no Instituto de F&iacute;sica da USP de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>A conex&atilde;o Brasil&#150;Estados Unidos e  o desenvolvimento experimental.</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m da colabora&ccedil;&atilde;o com a Fran&ccedil;a, o grupo do Rio de Janeiro mantinha, tamb&eacute;m, uma conex&atilde;o muito ativa com a Universidade de Rochester, no estado de Nova Iorque,   nos Estados Unidos. Rochester mant&eacute;m h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas grupos de excel&ecirc;ncia na &aacute;rea de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica e era l&aacute; que Moys&eacute;s se encontrava, no fim da d&eacute;cada de 1960, quando orientou o doutorado do jovem Luiz Davidovich em Teoria do Laser.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Coincidentemente, vem de Rochester tamb&eacute;m, ainda que de forma descorrelacionada, o impulso inicial para o desenvolvimento da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica experimental no Brasil. De fato, se na d&eacute;cada de 1980 o avan&ccedil;o te&oacute;rico se dava sobretudo ao trio do Rio de Janeiro, os prim&oacute;rdios da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica experimental brasileira se desenvolveriam em outra parte do sudeste, no departamento de f&iacute;sica da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Tendo come&ccedil;ado sua carreira ainda na d&eacute;cada de 1960, na intera&ccedil;&atilde;o da luz com sistemas de mat&eacute;ria condensada, &eacute; em Rochester, no laborat&oacute;rio do brilhante f&iacute;sico norte-americano Leonard Mandel, o maior &Oacute;ptico Qu&acirc;ntico experimental   da hist&oacute;ria, que o mineiro Geraldo Alexandre Barbosa aprende sobre os experimentos para investigar propriedades qu&acirc;nticas da propaga&ccedil;&atilde;o de f&oacute;tons correlacionados produzidos   pelo processo de Convers&atilde;o Param&eacute;trica Descendente Espont&acirc;nea (SPDC em ingl&ecirc;s). Decidido a importar a t&eacute;cnica para o Brasil, Geraldo Alexandre Barbosa monta um dos laborat&oacute;rios de refer&ecirc;ncia na &aacute;rea e forma alguns dos expoentes nacionais da segunda gera&ccedil;&atilde;o de experimentais de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica, com destaques para o jovem Carlos Monken que, em conjunto com o ent&atilde;o rec&eacute;m-contratado Sebasti&atilde;o P&aacute;dua, herda o laborat&oacute;rio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Paulo Souto Ribeiro, &ldquo;exportado&rdquo; para montar um laborat&oacute;rio tamb&eacute;m de grande sucesso no grupo do Rio de Janeiro e hoje professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O laborat&oacute;rio da UFRJ foi custeado por um projeto   da chamada de Programa de Grupos de Excel&ecirc;ncia do CNPq (PRONEX). O mesmo projeto financiou, tamb&eacute;m, a constru&ccedil;&atilde;o do laborat&oacute;rio de Ant&ocirc;nio Zelaquett Khoury, ex-mestrando de Luiz Davidovich, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Completava-se a&iacute;, no quarteto USP-UFMG-UFRJ-UFF, o time principal de &Oacute;pticos Qu&acirc;nticos experimentais de segunda gera&ccedil;&atilde;o do Brasil. Destas duas gera&ccedil;&otilde;es, trabalhos de destaque incluem a investiga&ccedil;&atilde;o das propriedades transversais de pares de f&oacute;tons propagantes,<sup>[13,14]</sup> um apagador qu&acirc;ntico   para luz,<sup>[15]</sup> an&aacute;logos cl&aacute;ssicos de emaranhamento,<sup>[16,17]</sup> a demonstra&ccedil;&atilde;o de emaranhamento de tr&ecirc;s cores em feixes intensos de luz<sup>[18,19]</sup> e medi&ccedil;&otilde;es de emaranhamento   e seu decaimento em sistemas &oacute;pticos.<sup>[20, 21]</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os anos 2000 e  a nova &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os anos 1990 testemunham uma expans&atilde;o enorme da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica no mundo, e n&atilde;o foi diferente no Brasil. N&uacute;cleos te&oacute;ricos e experimentais surgem pa&iacute;s afora, acompanhados de uma produ&ccedil;&atilde;o significativa e qualificada de trabalhos que inserem o pa&iacute;s definitivamente no contexto mundial. Ao mesmo tempo, a &aacute;rea de Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica, com suas promissoras ideias de computa&ccedil;&atilde;o e criptografia, se desenvolve rapidamente, atraindo a aten&ccedil;&atilde;o de te&oacute;ricos e experimentais de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica mundo afora. Sistemas at&ocirc;micos de dois e tr&ecirc;s n&iacute;veis viram &ldquo;qubits&rdquo; e &ldquo;qutrits&rdquo;, intera&ccedil;&otilde;es destes sistemas com f&oacute;tons viram &ldquo;portas l&oacute;gicas&rdquo; e a mudan&ccedil;a de linguagem &eacute; acompanhada de uma mudan&ccedil;a no padr&atilde;o de financiamento.&Eacute; nesse contexto que os f&iacute;sicos de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica do pa&iacute;s se re&uacute;nem com outros de Sistemas Qu&acirc;nticos Abertos e montam o primeiro Instituto do Mil&ecirc;nio de Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica. Uma das mais exitosas   iniciativas do CNPq e de v&aacute;rias Funda&ccedil;&otilde;es de Amparo &agrave; Pesquisa estaduais para fomento de pesquisa no pa&iacute;s, as duas edi&ccedil;&otilde;es dos Institutos do   Mil&ecirc;nio, de 2001 a 2004 e de 2004 a 2009, sucedidas pelos Institutos Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, significaram um investimento continuado de cerca de 25 anos que permitiu   uma gigantesca expans&atilde;o do sistema de pesquisa nacional com a cria&ccedil;&atilde;o e fortalecimento de diversos laborat&oacute;rios, a introdu&ccedil;&atilde;o de novas t&eacute;cnicas e a forma&ccedil;&atilde;o de milhares de jovens qualificados.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Os anos 1990 testemunham uma expans&atilde;o enorme da &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica no mundo, e n&atilde;o foi diferente no Brasil.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; na esteira dessa expans&atilde;o, iniciada no segundo governo Fernando Henrique Cardoso e fortalecida significativamente nos dois primeiros governos Lula e no primeiro governo Dilma, que diversos jovens brasileiros s&atilde;o recapturados pela rede de pesquisa nacional e &eacute; nessa recaptura de jovens talentos que a &aacute;rea de &Oacute;ptica Qu&acirc;ntica nacional experimenta sua renova&ccedil;&atilde;o. Diversas novas t&eacute;cnicas experimentais s&atilde;o introduzidas no pa&iacute;s, sintonizadas com o estado-da-arte mundial. Como destaques, podemos mencionar pesquisas da intera&ccedil;&atilde;o controlada de f&oacute;tons com nuvens at&ocirc;micas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com nano e micro-ressonadores na Unicamp, com oscilador param&eacute;trico &oacute;ptico   na USP, em resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear na UFABC e no CBPF, na levita&ccedil;&atilde;o de microesferas na PUC-RJ e na gera&ccedil;&atilde;o de pares de f&oacute;tons em processo Raman na UFMG e UFRJ, dentre v&aacute;rias outras. Da mesma forma, a pesquisa te&oacute;rica na &aacute;rea tamb&eacute;m aumenta significativamente de tamanho, expandindo-se na dire&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica em tema de pesquisa e espalhando-se pelo pa&iacute;s em termos geogr&aacute;ficos. N&uacute;cleos se formam em todos os estados do Sul, no Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Minas, em Bras&iacute;lia, Goi&aacute;s e Mato Grosso, assim como em diversos estados do Nordeste, com destaque para Rio Grande do Norte e Pernambuco. Ainda no fim dos anos 1990, o grupo do Rio de Janeiro ganha a   adi&ccedil;&atilde;o do pesquisador acriano Ruynet Matos Filho, importado diretamente da Alemanha, onde fizera doutorado, e um dos principais nomes da terceira gera&ccedil;&atilde;o de te&oacute;ricos do   pa&iacute;s. Os anos subsequentes viram uma nova expans&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o de diversos grupos que cobrem boa parte do territ&oacute;rio nacional. Jovens formados no Brasil ou no exterior s&atilde;o absorvidos pelo sistema acad&ecirc;mico nucleando novos centros de pesquisa te&oacute;rica com contribui&ccedil;&otilde;es significativas para a interpreta&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sica qu&acirc;ntica, suas conex&otilde;es com outras teorias de f&iacute;sica, suas aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas em sistemas de computa&ccedil;&atilde;o e criptografia, dentre muitas outras aplica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Diversas novas t&eacute;cnicas experimentais s&atilde;o introduzidas no pa&iacute;s, sintonizadas com o estado-da-arte mundial.</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre estes novos pesquisadores, encontram-se tr&ecirc;s dos jovens que formavam a audi&ecirc;ncia da palestra sobre teleporta&ccedil;&atilde;o dada no audit&oacute;rio da Unicamp em 1994: Marcelo   Terra Cunha, hoje Professor do Instituto de Matem&aacute;tica e Estat&iacute;stica da Unicamp, Daniel Jonathan, Professor do Instituto de F&iacute;sica na UFF, e o autor dessas mal tra&ccedil;adas linhas,   que passou dez anos na UFMG antes de &ldquo;voltar para casa&rdquo; em 2016 como professor do IF da UFRJ. Tr&ecirc;s colegas de turma que, inspirados, talvez por suas pr&oacute;prias discuss&otilde;es,   talvez pela palestra de Luiz Davidovich e, certamente, pela beleza intr&iacute;nseca dos mecanismos por tr&aacute;s do funcionamento da natureza, reencontraram-se na &aacute;rea de pesquisa. &Eacute; da iniciativa destes tr&ecirc;s que nasce, em 2007, o principal evento de informa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica do pa&iacute;s, o <i>Quantum Information School and Workshop</i>, um evento bienal que ocorre na cidade de Paraty e que completa, esse ano, sua nona edi&ccedil;&atilde;o. Ao trazer pesquisadores do mundo inteiro para o Brasil, incluindo o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica Alain Aspect, e coloc&aacute;-los, ao longo dos anos, em contato com centenas de estudantes e pesquisadores brasileiros, esse evento ajudou a solidificar a posi&ccedil;&atilde;o brasileira no cen&aacute;rio internacional da Informa&ccedil;&atilde;o Qu&acirc;ntica e, de certa forma, fechou o primeiro arco iniciado ainda na d&eacute;cada de 1960. O pr&oacute;ximo arco j&aacute; se encontra aberto e &eacute; certamente muito   promissor, cabendo aos jovens pesquisadores j&aacute; em atividade e aos que vir&atilde;o garantir sua continuidade e evolu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [1] JONATHAN, Daniel. <i>The physics of lost things</i>. Physics World, v. 12, n. 9, p. 76, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [2] BENNETT, Charles H. et al. <i>Teleporting an unknown quantum state via dual classical and Einstein&#150;Podolsky&#150;Rosen channels</i>. Physical Review Letters, v. 70, n. 13, p. 1895&#150;1899, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [3] DAVIDOVICH, L. et al. <i>Teleportation of an atomic state between two cavities using nonlocal microwave fields</i>. Physical Review A, v. 50, p. R895, 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [4] BOUWMEESTER, D. et al. <i>Experimental quantum teleportation</i>. Nature, v. 390, n. 6660, p. 575&#150;579, 1997.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [5] BOSCHI, D. et al. <i>Experimental realization of teleporting an unknown pure quantum state via dual classical and Einstein-Podolsky-Rosen channels</i>. Physical Review Letters, v. 80, n. 6, p.   1121&#150;1125, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [6] NUSSENZVEIG, H. M. <i>High-frequency scattering by a transparent sphere. I. Direct reflection and transmission</i>. Journal of Mathematical Physics, v. 10, n. 1, p. 82&#150;+, 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [7] NUSSENZVEIG, H. M. <i>Highfrequency scattering by a transparent sphere. II. Theory of rainbow and glory.</i> Journal of Mathematical Physics, v. 10, n. 1, p. 125&#150;+, 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [8] WIKIPEDIA. <i>Glory (optical phenomenon)</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://en-m-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Glory_(optical_phenomenon)?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc" target="_blank">https://en-m-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Glory_(optical_phenomenon)?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc</a>.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[9] NUSSENZVEIG, H. M. <i>Introduction to quantum optics</i>. [S.l.: s.n.], [s.d.    ].</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [10] AHARONOV, Y.; DAVIDOVICH, L.; ZAGURY, N. <i>Quantum random walks</i>. Physical Review A, v. 48, n. 2, p. 1687, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [11] BRUNE, M. et al. <i>Quantum nondemolition measurement of small photon numbers by Rydbergatom phase-sensitive detection</i>. Physical Review Letters, v. 65, n. 8, p. 976, 1990.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> [12] BRUNE, M. et al. <i>Manipulation of photons in a cavity by dispersive atom-field coupling: Quantum non demolition measurements and generation of &ldquo;Schr&ouml;dinger cat&rdquo; states</i>. Physical Review A, v. 45, n. 7, p. 5193, 1992.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [13] MONKEN, C. H.; RIBEIRO, P. H. S.; P&Aacute;DUA, S. <i>Transfer of angular spectrum and image formation in spontaneous parametric downconversion</i>. Physical Review A, v. 57, n. 4, p. 3123, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [14] FONSECA, E. J. S.; MONKEN, C. H.; P&Aacute;DUA, S. Measurement of the de Broglie wavelength of a multiphoton wave packets. Physical Review Letters, v. 82, n. 14, p. 2868, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [15] WALBORN, S. P. et al. Doubleslit quantum eraser. Physical Review A, v. 65, n. 3, p. 033818, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [16] BORGES, C. V. S. et al. <i>Belllike inequality for the spin-orbit separability of a laser beam.</i> Physical Review A, v. 82, n. 3, p. 033833, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [17] PEREIRA, L. J.; KHOURY, A. Z.; DECHOUM, K. <i>Quantum and classical separability of spin-orbit laser modes</i>. Physical Review A, v. 90, n. 5, p. 053842, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [18] VILLAR, A. S. et al. <i>Generation of bright two-color continuous variable entanglement</i>. Physical Review Letters, v. 95, n. 24, p. 243603, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [19] COELHO, A. S. et al. <i>Threecolor entanglement</i>. Science, v. 326, n. 5954, p. 823&#150;826, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [20] WALBORN, S. P. et al. <i>Experimental determination of entanglement with a single measurement</i>. Nature, v. 440, n. 7087, p. 1022&#150;1024, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [21] ALMEIDA, M. P. et al. <i>Environment-induced sudden death of entanglement.</i> Science, v. 316, n. 5824, p. 579&#150;582, 2007.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">[i]</a> A motiva&ccedil;&atilde;o do pr&ecirc;mio pela Funda&ccedil;&atilde;o Nobel &eacute; justamente &ldquo;<i>for ground-breaking experimental methods that enable measuring and manipulation of individual quantum systems</i>&rdquo;.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JONATHAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The physics of lost things]]></article-title>
<source><![CDATA[Physics World]]></source>
<year>1999</year>
<volume>12</volume>
<numero>9</numero>
<issue>9</issue>
<page-range>76</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BENNETT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Charles H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Teleporting an unknown quantum state via dual classical and Einstein-Podolsky-Rosen channels]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>1993</year>
<volume>70</volume>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
<page-range>1895-1899</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DAVIDOVICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Teleportation of an atomic state between two cavities using nonlocal microwave fields]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>1994</year>
<volume>50</volume>
<page-range>R895</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOUWMEESTER]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Experimental quantum teleportation]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>1997</year>
<volume>390</volume>
<numero>6660</numero>
<issue>6660</issue>
<page-range>575-579</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOSCHI]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Experimental realization of teleporting an unknown pure quantum state via dual classical and Einstein-Podolsky-Rosen channels]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>1998</year>
<volume>80</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>1121-1125</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NUSSENZVEIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[High-frequency scattering by a transparent sphere. I. Direct reflection and transmission]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Mathematical Physics]]></source>
<year>1969</year>
<volume>10</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>82</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NUSSENZVEIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Highfrequency scattering by a transparent sphere. II. Theory of rainbow and glory]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Mathematical Physics]]></source>
<year>1969</year>
<volume>10</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>125</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>WIKIPEDIA</collab>
<source><![CDATA[Glory (optical phenomenon)]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NUSSENZVEIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introduction to quantum optics]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AHARONOV]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DAVIDOVICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ZAGURY]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Quantum random walks]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>1993</year>
<volume>48</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>1687</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRUNE]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Quantum nondemolition measurement of small photon numbers by Rydbergatom phase-sensitive detection]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>1990</year>
<volume>65</volume>
<numero>8</numero>
<issue>8</issue>
<page-range>976</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRUNE]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Manipulation of photons in a cavity by dispersive atom-field coupling: Quantum non demolition measurements and generation of “Schrödinger cat” states]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>1992</year>
<volume>45</volume>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
<page-range>5193</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MONKEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. H. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PÁDUA]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Transfer of angular spectrum and image formation in spontaneous parametric downconversion]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>1998</year>
<volume>57</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>3123</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. J. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MONKEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PÁDUA]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Measurement of the de Broglie wavelength of a multiphoton wave packets]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>1999</year>
<volume>82</volume>
<numero>14</numero>
<issue>14</issue>
<page-range>2868</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALBORN]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Doubleslit quantum eraser]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>2002</year>
<volume>65</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>033818</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BORGES]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. V. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Belllike inequality for the spin-orbit separability of a laser beam]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>2010</year>
<volume>82</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>033833</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KHOURY]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. Z.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DECHOUM]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Quantum and classical separability of spin-orbit laser modes]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review A]]></source>
<year>2014</year>
<volume>90</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>053842</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VILLAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Generation of bright two-color continuous variable entanglement]]></article-title>
<source><![CDATA[Physical Review Letters]]></source>
<year>2005</year>
<volume>95</volume>
<numero>24</numero>
<issue>24</issue>
<page-range>243603</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COELHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Threecolor entanglement]]></article-title>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>2009</year>
<volume>326</volume>
<numero>5954</numero>
<issue>5954</issue>
<page-range>823-826</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALBORN]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Experimental determination of entanglement with a single measurement]]></article-title>
<source><![CDATA[Nature]]></source>
<year>2006</year>
<volume>440</volume>
<numero>7087</numero>
<issue>7087</issue>
<page-range>1022-1024</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ALMEIDA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Environment-induced sudden death of entanglement]]></article-title>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>2007</year>
<volume>316</volume>
<numero>5824</numero>
<issue>5824</issue>
<page-range>579-582</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
