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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O surgimento das ideias quânticas no Brasil]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250026</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>O surgimento das ideias qu&acirc;nticas no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Ildeu de Castro Moreira<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Recebeu o Pr&ecirc;mio Jos&eacute; Reis de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica do CNPq em 2013. &Eacute; presidente de honra da SBPC, membro do Conselho Editorialde Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No Brasil, as primeiras ideias da teoria qu&acirc;ntica foram divulgadas nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX por engenheiros e intelectuais em palestras e publica&ccedil;&otilde;es em jornais e revistas, antes da cria&ccedil;&atilde;o de cursos formais na d&eacute;cada de 1930. O engenheiro e matem&aacute;tico Theodoro Ramos teve um papel pioneiro neste contexto. Cientistas visitantes como Einstein, Marie Curie e Fermi ajudaram na difus&atilde;o, que foi lenta, como mostram peri&oacute;dicos da &eacute;poca.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave:</b> Teoria Qu&acirc;ntica; Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia no Brasil; Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica; F&iacute;sica Moderna.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A introdu&ccedil;&atilde;o das primeiras ideias sobre a teoria qu&acirc;ntica no Brasil, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, ocorreu por meio de indiv&iacute;duos interessados nas novas teorias cient&iacute;ficas, que deram palestras ou publicaram mat&eacute;rias em revistas e jornais. Em geral, eram engenheiros, j&aacute; que n&atilde;o havia ainda institui&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sicos ou qu&iacute;micos, nas quais tais temas pudessem ser ensinados. Os primeiros cursos regulares surgiriam na USP, em 1934, com Gleb Wataghin (1899-1986) e nas aulas da Universidade   do Distrito Federal (UDF), em 1935, com Bernhard Gross (1905-2002). As presen&ccedil;as no Brasil de cientistas importantes, em especial na d&eacute;cada de 1920, dando palestras ou cursos &#150; como Henri Abraham, Albert Einstein, Marie Curie e Enrico Fermi &#150; foram tamb&eacute;m vetores na difus&atilde;o de novas teorias. Destaque-se, ainda, o pioneirismo do curso sobre mec&acirc;nica qu&acirc;ntica lecionado, em 1931, pelo engenheiro e matem&aacute;tico Theodoro Ramos (1895-1937).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As informa&ccedil;&otilde;es apresentadas a seguir sobre men&ccedil;&otilde;es &agrave;s ideias qu&acirc;nticas, feitas no Brasil, resultam de investiga&ccedil;&otilde;es em peri&oacute;dicos das d&eacute;cadas iniciais do s&eacute;culo XX, existentes na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (HDBN), e em alguns livros e depoimentos sobre o per&iacute;odo. A <a href="#fig01">Figura 1</a> mostra o n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es de termos relacionados com a f&iacute;sica qu&acirc;ntica &#150; quantum de luz, quanta de energia ou de Planck, teoria qu&acirc;ntica, mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, mec&acirc;nica ondulat&oacute;ria &#150; nas primeiras d&eacute;cadas daquele s&eacute;culo. Ele nos d&aacute; uma ideia, mesmo que grosseira, da lenta penetra&ccedil;&atilde;o desses conceitos em jornais e revistas   do per&iacute;odo. A teoria da relatividade, outro dos pilares importantes da f&iacute;sica moderna, teve uma presen&ccedil;a bem mais acentuada nos jornais deste per&iacute;odo &#150; cerca de oito vezes   maior do que a teoria qu&acirc;ntica nas d&eacute;cadas de 1920 e 1930 &#150; acompanhando uma onda internacional de interesse intenso pelo tema.</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a10fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">No gr&aacute;fico da <a href="#fig02">Figura 2</a> apresenta-se o n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es encontradas nesta base sobre tr&ecirc;s dos cientistas que mais se destacaram na formula&ccedil;&atilde;o   inicial da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica: Heisenberg, Schr&ouml;dinger e Dirac.</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a10fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A primeira men&ccedil;&atilde;o que encontramos em peri&oacute;dicos nacionais, e que se refere aos quanta, foi publicada na Revista Mar&iacute;tima Brasileira em 1913. Ali se reproduziu uma not&iacute;cia curta na revista <i>La Nature</i> em que se menciona a &ldquo;emiss&atilde;o descont&iacute;nua de energia (hip&oacute;tese dos quanta de Planck)&rdquo; e se anunciava o debate na f&iacute;sica da &eacute;poca: varia&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuas seriam suficientes para descrever a natureza ou seria preciso introduzir, nas leis naturais, descontinuidades essenciais?<sup>[1]</sup> Seguiu-se um interregno de alguns   anos, nos quais as not&iacute;cias da I Guerra Mundial dominam a m&iacute;dia e os temas cient&iacute;ficos mais avan&ccedil;ados praticamente desaparecem.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A primeira men&ccedil;&atilde;o que encontramos em peri&oacute;dicos nacionais, e que se refere aos quanta, foi publicada na Revista Mar&iacute;tima Brasileira em 1913.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1923 Manoel Amoroso Costa (1885-1928), que j&aacute; havia publicado um livro sobre a teoria da relatividade, retomou na m&iacute;dia local a discuss&atilde;o sobre as ideias da f&iacute;sica qu&acirc;ntica com dois artigos de divulga&ccedil;&atilde;o, <i>As Duas Imensidades</i>, um deles dedicado aos fen&ocirc;menos cosmol&oacute;gicos e outro &agrave; escala microsc&oacute;pica.<sup>[2]</sup> No segundo artigo, ele   menciona a teoria dos quanta de Planck, o modelo de &aacute;tomo de Rutherford e a hip&oacute;tese de &oacute;rbitas quantizadas de Bohr para explicar as raias espectrais do hidrog&ecirc;nio. Cita a modifica&ccedil;&atilde;o proposta por Sommerfeld e aponta limita&ccedil;&otilde;es existentes na aplica&ccedil;&atilde;o da teoria a &aacute;tomos mais complexos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1923, Theodoro Ramos (1895-1935) fez as primeiras pesquisas te&oacute;ricas no Brasil sobre a f&iacute;sica qu&acirc;ntica.<sup>[3]</sup> Em maio de 1923, publicou o trabalho &ldquo;<i>Sobre a Theoria da   Estrutura do Espectro das Raias do Hydrogenio</i>&rdquo;, no qual estudou o efeito da adi&ccedil;&atilde;o de um potencial do tipo 1/r<sup>2</sup> ao potencial colombiano do &aacute;tomo. Em outro trabalho, no mesmo   ano, abordou a interface entre a teoria da relatividade geral e o modelo at&ocirc;mico de Bohr-Sommerfeld. O artigo foi publicado em 1929 nos Anais da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias,<sup>[4]</sup> quando a nova mec&acirc;nica qu&acirc;ntica j&aacute; havia remodelado o conhecimento sobre a estrutura do &aacute;tomo. Nesse artigo, Ramos usou a regra da quantiza&ccedil;&atilde;o de Sommerfeld para um sistema formado por   um el&eacute;tron em &oacute;rbita em torno do n&uacute;cleo, ligado a ele pela for&ccedil;a de Coulomb, e verificou a influ&ecirc;ncia da curvatura do espa&ccedil;o-tempo sobre o sistema. Chegou &agrave; conclus&atilde;o de que a corre&ccedil;&atilde;o introduzida pela relatividade geral seria desprez&iacute;vel por ser extremamente pequena. Esse trabalho de Theodoro Ramos, bem como o anterior, foi apresentado   por Amoroso Costa na sess&atilde;o da ABC de janeiro de 1924. Note-se que a ABC teve um papel importante na difus&atilde;o das novas ideias da ci&ecirc;ncia moderna no Brasil.<sup>[5]</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O primeiro curso p&uacute;blico sobre as ideias da (antiga) teoria qu&acirc;ntica foi oferecido na Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro, em setembro de 1923, pelo f&iacute;sico franc&ecirc;s   Henri Abraham (1868-1943), que viera ao Brasil a convite do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura. O curso teve seis aulas, a &uacute;ltima delas sobre &ldquo;<i>Os Raios-x, a teoria dos 'quanta' e a estrutura dos &aacute;tomos</i>&rdquo;.<sup>[6]</sup> Ele foi frequentado possivelmente por estudantes e professores da Escola Polit&eacute;cnica. Abraham fez tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de confer&ecirc;ncias similares, na Escola Polit&eacute;cnica de S&atilde;o Paulo.<sup>[7]</sup> H&aacute;, ainda, um relato publicado em jornais de 1928, de que o professor Roberto Marinho de Azevedo (1878-1962) fez, em 1925, uma confer&ecirc;ncia na Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro sobre a &ldquo;<i>Teoria dos Quanta</i>&rdquo;.<sup>[8]</sup> Do ponto de vista hist&oacute;rico, a comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mais importante sobre teoria qu&acirc;ntica no Brasil neste per&iacute;odo, foi realizada por um de seus criadores, Albert Einstein. Em 7 de maio de 1925, durante sua visita ao Rio de Janeiro, ele fez a comunica&ccedil;&atilde;o &ldquo;<i>Observa&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o atual da teoria da luz</i>&rdquo; na ABC.<sup>[9]</sup> Ela &eacute; historicamente relevante porque traduz uma disputa cient&iacute;fica sobre a realidade do quantum   de luz (o f&oacute;ton), em particular com Niels Bohr, que n&atilde;o aceitava esta ideia e defendia uma teoria puramente ondulat&oacute;ria. A Ata da ABC de 7 de maio de 1925 registrou:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><i>&ldquo;O professor Einstein, agradecendo &agrave;s homenagens que lhe s&atilde;o prestadas, ao inv&eacute;s de um discurso, diz ele, mostra o seu reconhecimento e o seu apre&ccedil;o &agrave; Academia     fazendo uma r&aacute;pida comunica&ccedil;&atilde;o sobre os resultados que, na Alemanha, est&atilde;o sendo obtidos nos estudos realizados sobre a natureza da luz, comparando a teoria ondulat&oacute;ria e a dos quanta.&rdquo;</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Einstein iniciou assim sua comunica&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><i>&ldquo;At&eacute; pouco tempo atr&aacute;s, acreditava-se que, com a teoria ondulat&oacute;ria da luz, na sua forma eletromagn&eacute;tica, tiv&eacute;ssemos adquirido um conhecimento definitivo     sobre a natureza da radia&ccedil;&atilde;o. No entanto, sabemos, h&aacute; cerca de 25 anos, que essa teoria n&atilde;o permite explicar as propriedades t&eacute;rmicas e energ&eacute;ticas da radia&ccedil;&atilde;o, embora descreva com precis&atilde;o as propriedades geom&eacute;tricas de luz (refra&ccedil;&atilde;o, difra&ccedil;&atilde;o, interfer&ecirc;ncia, etc.). Uma nova concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, a teoria do quantum luminoso, semelhante &agrave; teoria da emiss&atilde;o de Newton, surgiu ao lado da teoria ondulat&oacute;ria da luz e adquiriu uma posi&ccedil;&atilde;o firme na ci&ecirc;ncia pelo seu poder explicativo (explica&ccedil;&atilde;o da f&oacute;rmula da radia&ccedil;&atilde;o de Planck, dos fen&ocirc;menos fotoqu&iacute;micos, teoria at&ocirc;mica de Bohr). N&atilde;o se conseguiu,     at&eacute; hoje, uma s&iacute;ntese l&oacute;gica da teoria dos quanta e da teoria ondulat&oacute;ria, apesar de todos os esfor&ccedil;os feitos pelos f&iacute;sicos. &Eacute;, por essa raz&atilde;o, muito     discutida a quest&atilde;o da realidade dos quanta de luz.&rdquo;</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Na parte final escreveu:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><i>&ldquo;Com a finalidade de verificar experimentalmente esse modo de ver, os f&iacute;sicos berlinenses Geiger e Bothe tentaram uma experi&ecirc;ncia interessante sobre a qual desejaria chamar a     aten&ccedil;&atilde;o dos senhores. (...) Por ocasi&atilde;o de minha partida da Europa, as experi&ecirc;ncias n&atilde;o estavam ainda conclu&iacute;das. No entanto, os resultados at&eacute; agora obtidos     parecem mostrar a exist&ecirc;ncia daquela correla&ccedil;&atilde;o. Se essa correla&ccedil;&atilde;o for verificada de fato, tem-se um novo argumento de valor em favor da realidade dos quanta de luz.<sup>[10]</sup>&rdquo; <a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>[i]</sup></a></i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">No ano seguinte, Marie Curie veio ao Brasil e aqui permaneceu, com sua filha Ir&egrave;ne, de 15 de julho a 28 de agosto de 1926.<sup>[11]</sup> Ajudada por Ir&egrave;ne nas demonstra&ccedil;&otilde;es experimentais, deu um curso sobre radioatividade, com 11 aulas, na Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro. Fez tamb&eacute;m confer&ecirc;ncias de car&aacute;ter mais geral sobre o uso da radioatividade na medicina, nas Faculdades de Medicina de S&atilde;o Paulo e de Belo Horizonte e na Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. Al&eacute;m disso, foi recepcionada na ABC e ali fez a  comunica&ccedil;&atilde;o &ldquo;<i>A invariabilidade das constantes radioativas</i>&rdquo;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">No curso, que foi assistido por muitos professores e alunos de engenharia e de medicina, Marie Curie abordou uma ampla gama de assuntos relativos &agrave; radioatividade e &agrave; estrutura dos &aacute;tomos. Na terceira aula, tratou do &aacute;tomo de Rutherford-Bohr, discutiu os estados estacion&aacute;rios e os potenciais de ioniza&ccedil;&atilde;o, abordou a lei do efeito fotoel&eacute;trico   de Einstein e deduziu o espalhamento de Compton, a partir das leis de conserva&ccedil;&atilde;o da energia e do momento aplicadas ao espalhamento de um quantum de luz por um el&eacute;tron. (<a href="#fig03">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a10fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave; penetra&ccedil;&atilde;o desses t&oacute;picos nas escolas de ensino secund&aacute;rio, &eacute; interessante destacar que foi no Col&eacute;gio Pedro II (CPII) que eles adentraram pela primeira vez nos curr&iacute;culos escolares. Isso teria possivelmente ocorrido por iniciativa de professores de f&iacute;sica do CPII, que poderiam ter estado presentes nas palestras de Einstein ou nas aulas de Marie Curie, ou ainda foram estimulados pelo ambiente de discuss&atilde;o criado no meio acad&ecirc;mico. O concurso para professores de qu&iacute;mica do CPII, em 1926, trazia entre os pontos   de argui&ccedil;&atilde;o: estrutura at&ocirc;mica e teoria dos &ldquo;quanta&rdquo; de Planck. O t&oacute;pico &ldquo;<i>Ideias gerais sobre relatividade</i>&rdquo; foi inclu&iacute;do no programa de F&iacute;sica do CPII em 1929. No programa de 1931, nota-se a inclus&atilde;o de &ldquo;Exposi&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria das teorias modernas da f&iacute;sica&rdquo;.<sup>[12]</sup></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Foi nesta ocasi&atilde;o que Mario Schenberg, ent&atilde;o estudante de engenharia, ouviria falar do neutrino pela primeira vez, uma part&iacute;cula que estaria presente   posteriormente em algumas de suas principaiscontribui&ccedil;&otilde;es &agrave; f&iacute;sica e &agrave; astrof&iacute;sica.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1931, Theodoro Ramos realizou na Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro o primeiro curso sobre a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica na sua formula&ccedil;&atilde;o mais geral e ainda atual. O conte&uacute;do foi publicado em quatro artigos no Boletim do Instituto de Engenharia.<sup>[13]</sup> No primeiro artigo, introduz os conceitos b&aacute;sicos da f&iacute;sica ondulat&oacute;ria e da &oacute;tica geom&eacute;trica e explora a analogia entre a mec&acirc;nica cl&aacute;ssica e a &oacute;tica geom&eacute;trica. No segundo, exp&otilde;e a mec&acirc;nica ondulat&oacute;ria, seguindo os trabalhos de Schr&ouml;edinger de 1926, e discute a interpreta&ccedil;&atilde;o probabil&iacute;stica de Born para a fun&ccedil;&atilde;o de onda. No terceiro, analisa a transi&ccedil;&atilde;o da mec&acirc;nica cl&aacute;ssica para a &ldquo;velha&rdquo; teoria qu&acirc;ntica, introduzindo as regras de quantiza&ccedil;&atilde;o e o princ&iacute;pio de correspond&ecirc;ncia de Bohr. No quarto, apresenta a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica matricial de Heisenberg, Born e Jordan e discute a equival&ecirc;ncia entre as mec&acirc;nicas ondulat&oacute;ria e a matricial. S&atilde;o artigos did&aacute;ticos, claros e muito bem escritos,   que podem ser utilizados com proveito at&eacute; hoje como uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; mec&acirc;nica qu&acirc;ntica.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Mas aqui come&ccedil;a outra hist&oacute;ria, a de como se formariam no Brasil os primeiros cientistas com conhecimento b&aacute;sico sobre a f&iacute;sica moderna e o que   pesquisariam sobre ela.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre 1926 e meados da d&eacute;cada de 1930, v&aacute;rios artigos de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, publicados na m&iacute;dia, trataram de temas gerais da teoria qu&acirc;ntica.   O mais interessante deles, para nosso prop&oacute;sito, foi a confer&ecirc;ncia de &Aacute;lvaro Alberto ao tomar posse como presidente da ABC em 1935, e intitulada &ldquo;<i>Sobre o Conceito Atual do   Determinismo</i>&rdquo;.<sup>[14]</sup> A confer&ecirc;ncia, que menciona a comunica&ccedil;&atilde;o de Einstein na ABC sobre o quantum de luz, ocorrida dez anos antes, explora as concep&ccedil;&otilde;es sobre determinismo   e causalidade na f&iacute;sica dos principais criadores da teoria qu&acirc;ntica em particular: Planck, Einstein, Bohr, de Broglie, Heisenberg, Schr&ouml;edinger, Born e Dirac.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Outro cientista que trouxe importantes novas da f&iacute;sica qu&acirc;ntica para a incipiente comunidade cient&iacute;fica local foi Enrico Fermi. Em 1934, ele viajou para a Am&eacute;rica do Sul   e esteve no Brasil, entre 21 de agosto e 1 de setembro, tendo feito duas confer&ecirc;ncias em S&atilde;o Paulo e tr&ecirc;s no Rio de Janeiro.<sup>[15]</sup> Nelas, Fermi explorou avan&ccedil;os   recentes da f&iacute;sica e muitas pessoas tiveram a oportunidade de tomar conhecimento de novos resultados experimentais e teorias... Fermi, embora jovem, j&aacute; era um f&iacute;sico bem conhecido por contribui&ccedil;&otilde;es importantes e atraiu um p&uacute;blico significativo nas duas cidades, especialmente de professores e estudantes de engenharia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na primeira confer&ecirc;ncia em S&atilde;o Paulo, &ldquo;<i>A constitui&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria</i>&rdquo;, Fermi tratou dos problemas das transforma&ccedil;&otilde;es dos elementos qu&iacute;micos, descrevendo as experi&ecirc;ncias at&eacute; ent&atilde;o realizadas na produ&ccedil;&atilde;o de novos corpos radioativos. Fez uma segunda palestra, no dia 23 de agosto, na Escola Polit&eacute;cnica de S&atilde;o Paulo, mais t&eacute;cnica do que a anterior. Tratou de sua nova teoria para a desintegra&ccedil;&atilde;o beta e foi ali que Mario Schenberg, ent&atilde;o estudante de engenharia, ouviria   falar do neutrino pela primeira vez, uma part&iacute;cula que estaria presente posteriormente em algumas de suas principais contribui&ccedil;&otilde;es &agrave; f&iacute;sica e &agrave; astrof&iacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A primeira palestra de Fermi no Rio de Janeiro, versou sobre &ldquo;<i>A evolu&ccedil;&atilde;o da f&iacute;sica no s&eacute;culo XX</i>&rdquo;. Fez uma exposi&ccedil;&atilde;o geral sobre a estrutura at&ocirc;mica e discutiu as part&iacute;culas que haviam sido recentemente descobertas: o n&ecirc;utron e o p&oacute;sitron. Mencionou o aparecimento da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica matricial e da mec&acirc;nica ondulat&oacute;ria e do&ldquo;princ&iacute;pio de indetermina&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Heisenberg. A segunda confer&ecirc;ncia no Rio de Janeiro, &ldquo;<i>A produ&ccedil;&atilde;o artificial dos corpos   radioativos</i>&rdquo;, foi promovida pela ABC, na qual Fermi foi apresentado por Theodoro Ramos. Uma terceira confer&ecirc;ncia ocorreu na Escola Polit&eacute;cnica com o t&iacute;tulo: &ldquo;<i>Modelo Estat&iacute;stico do &Aacute;tomo</i>&rdquo;.<sup>[15]</sup> A presen&ccedil;a de Fermi em S&atilde;o Paulo e no Rio, al&eacute;m de uma divulga&ccedil;&atilde;o grande nos jornais, foi bastante concorrida e possibilitou a difus&atilde;o de muitas das ideias recentes da f&iacute;sica qu&acirc;ntica de ent&atilde;o. Nos meses seguintes, os primeiros cursos regulares com temas de f&iacute;sica moderna come&ccedil;ariam a ser dados em S&atilde;o Paulo, na USP, e no Rio, na UDF.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Voltemos a Bernhard Gross que, como Wataghin em S&atilde;o Paulo, deu a partida &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos primeiros f&iacute;sicos por aqui. Ele afirmou sobre  este per&iacute;odo anterior ao aparecimento dos primeiros cursos regulares para a forma&ccedil;&atilde;o deles:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana"><i>&ldquo;Havia f&iacute;sicos que conheciam desenvolvimentos modernos da f&iacute;sica, mas, como n&atilde;o era ensinada f&iacute;sica at&ocirc;mica e nada relacionado, naturalmente, esses     temas n&atilde;o eram muito generalizados. Isso se reverteu l&aacute; por volta de 1934, 1935 com a funda&ccedil;&atilde;o das universidades&rdquo;.<sup>[16]</sup></i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Ao montar o primeiro curso de f&iacute;sica na UDF Gross, em 1935, se inspirou nos cursos que havia feito na Alemanha, que inclu&iacute;am mec&acirc;nica, termodin&acirc;mica, &oacute;tica, eletromagnetismo e f&iacute;sica at&ocirc;mica. Ele relatou que incluiu mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, mas n&atilde;o relatividade nesses cursos iniciais. Do mesmo modo, no ano anterior, em   S&atilde;o Paulo, na Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras, onde Wataghin era o professor, o curso de f&iacute;sica inclu&iacute;a, no terceiro ano, a cadeira Elementos de F&iacute;sica Moderna:   estrutura da mat&eacute;ria, teoria da relatividade e mec&acirc;nica qu&acirc;ntica.<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><sup>[ii]</sup></a> Tem in&iacute;cio uma nova fase: a da forma&ccedil;&atilde;o no Brasil dos primeiros cientistas com   conhecimento b&aacute;sico sobre a f&iacute;sica moderna e que viriam a pesquisar sobre ela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [1] ELETRICIDADE &#150; Radioatividade. Revista Mar&iacute;tima Brasileira, Rio de Janeiro, v. 32, n. 7, p. 454, jan. 1913.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [2] AMOROSO COSTA, M. As duas imensidades. O Jornal, Rio de Janeiro, n. 1241, 28 jan. 1923; n. 1265, 25 fev. 1923.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [3] STUDART, N.; COSTA, R. C. T.; MOREIRA, I. C. Theodoro Ramos e os prim&oacute;rdios da F&iacute;sica Moderna no Brasil. F&iacute;sica na Escola, v. 5, n. 2, p. 34&#150;36, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [4] RAMOS, T. A Theoria da relatividade e as raias espectraes do hydrogenio. Anais da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, v. 1, p. 20&#150;27, 1929.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [5] CARVALHO, J. M.; MOREIRA, I. C. (org.). Ci&ecirc;ncia no Brasil: 100 anos da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. Rio de Janeiro: ABC, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [6] AS CONFER&Ecirc;NCIAS do professor Henri Abraham. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1923, p. 5.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [7] NOTAS. Correio Paulistano, S&atilde;o Paulo, 6 out. 1923, p. 4.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [8] JORNAL DO COMMERCIO. Rio de Janeiro, 26 abr. 1928, p. 6.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [9] MOREIRA, I. C. Einstein na Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. Rio de Janeiro: ABC, 2025.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [10] EINSTEIN, A. Observa&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o atual da teoria da luz. Revista da ABC, v. 1, n. 1, p. 1&#150;3, 1926.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [11] ESTEVES, B.; MOREIRA, I. C.; MASSARANI, L. M. A visita de Marie Curie ao Rio de Janeiro em 1926 e a imprensa brasileira. Revista da SBHC, v. 5, p. 134, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [12] SAMPAIO, G. M. E. Um olhar sobre a hist&oacute;ria da f&iacute;sica no Rio de Janeiro. 2011. Tese (Doutorado em Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias e das T&eacute;cnicas e Epistemologia) &#150; Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> [13] RAMOS, T. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; mec&acirc;nica dos &ldquo;quanta&rdquo; I, II, III e IV. Revista Brasileira de Ensino de F&iacute;sica, v. 25, n. 3, p. 326, 2003; n. 4, p. 418, 2003; v. 26, n. 1, p. 71 e p. 75, 2004.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [14] SILVA, A. A. M. Sobre o conceito actual de determinismo. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 jun. 1935, p. 9&#150;10.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [15] MOREIRA, I. C. A viagem de Fermi ao Brasil em 1934 e suas entrevistas e confer&ecirc;ncias. Revista Brasileira de Ensino de F&iacute;sica, v. 44, e20220204, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> [16] TOLMASQUIM, A. T.; VIDEIRA, A. A. P.; VIEIRA, C. L. Bernhard Gross: entrevista e outros escritos. Rio de Janeiro: MAST, 2023. p. 38&#150;39.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">[i]</a> Os resultados dos experimentos de Geiger e Bothe foram publicados em meados de maio de 1925 e confirmaram as previs&otilde;es de Einstein.    <br> <a name="nt02"></a><a href="#tx02">[ii]</a> O mesmo ocorreu com os experimentos realizados por Compton e Simon publicados pouco depois.</font></p>      ]]></body><back>
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