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<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250036</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Cidades e meio ambiente</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Pedro Jacobi<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor titular s&ecirc;nior do Programa de P&oacute;s   Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Ambiental (PROCAM/IEE/USP) da Universidade de S&atilde;o Paulo   (USP) e Coordenador do grupo de Estudos de Meio Ambiente e Sociedade do   Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados da USP.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A principal motiva&ccedil;&atilde;o que orientou a escolha dos autores   para este volume sobre <b>Cidades e Meio Ambiente</b>, em suas m&uacute;ltiplas   dimens&otilde;es territoriais, socioecon&ocirc;micas e socioambientais, &eacute; a necessidade de   incorporar a diversidade e especificidade dos biomas brasileiros diante dos   riscos que se apresentam no ambiente urbano. No contexto metropolitano   brasileiro, os problemas ambientais t&ecirc;m se avolumado em virtude da concentra&ccedil;&atilde;o   da urbaniza&ccedil;&atilde;o combinada com a desigualdade social e seus impactos no cotidiano   da popula&ccedil;&atilde;o. A "insustentabilidade" do padr&atilde;o de urbaniza&ccedil;&atilde;o metropolitano se   caracteriza pela preval&ecirc;ncia de um processo de expans&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os   intraurbanos que, na maioria dos casos, configura uma realidade dram&aacute;tica:   baixa qualidade de vida para parcelas significativas da popula&ccedil;&atilde;o. A dualidade   das cidades &eacute; acentuada pelo crescimento da ilegalidade urbana, que, ao   estrutur&aacute;-las, exacerba os problemas socioambientais, sobretudo nos territ&oacute;rios   marcados por urbaniza&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria e acesso desigual aos investimentos p&uacute;blicos   &#151; o que torna urgente garantir mudan&ccedil;as sociopol&iacute;ticas que n&atilde;o comprometam os   sistemas ecol&oacute;gicos e sociais nos quais se sustentam as comunidades.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>A emerg&ecirc;ncia   clim&aacute;tica n&atilde;o &eacute; mais uma previs&atilde;o distante, mas uma realidade que transforma   radicalmente a vida nas cidades brasileiras</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este volume inclui artigos, textos de opini&atilde;o, reportagens,   podcasts e v&iacute;deos, formato original da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, que visa   apresentar a diversidade de formas de comunica&ccedil;&atilde;o para abordar uma mesma   tem&aacute;tica. Os artigos discutem a problem&aacute;tica das cidades no Nordeste, na   Amaz&ocirc;nia, no Rio Grande do Sul e em zonas costeiras, al&eacute;m de temas relacionados   &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, &agrave; inclus&atilde;o socioprodutiva de catadores, aos impactos das   ondas de calor, e a quest&otilde;es de inclus&atilde;o social e racismo ambiental.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>As   periferias e favelas, historicamente marginalizadas, t&ecirc;m prec&aacute;ria   capacidade adaptativa para lidar com os desastres clim&aacute;ticos</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os textos de opini&atilde;o abordam temas como adapta&ccedil;&atilde;o urbana,   redes de cidades globais, biodiversidade e o papel das cidades no sert&atilde;o. As   reportagens, por sua vez, retratam a diversidade das mobiliza&ccedil;&otilde;es sociais, da   arte urbana, dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, al&eacute;m dos impactos na sa&uacute;de mental e   ambiental, e do papel da educa&ccedil;&atilde;o ambiental e da alimenta&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel. Os   podcasts e v&iacute;deos complementam este volume, contribuindo para ampliar a   reflex&atilde;o frente aos desafios das inova&ccedil;&otilde;es e da transi&ccedil;&atilde;o socioecol&oacute;gica nas   cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O volume aborda tem&aacute;ticas fundamentais em um momento pr&eacute;vio   &agrave; COP 30, considerando que os problemas socioambientais s&atilde;o parte do cotidiano   das cidades brasileiras. Os eventos clim&aacute;ticos extremos &#151; cada vez mais   frequentes &#151; afetam transversalmente a vida dos habitantes em todos os biomas e   territ&oacute;rios. A emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica n&atilde;o &eacute; mais uma previs&atilde;o distante, mas uma   realidade global: as cidades tornaram-se extremamente suscet&iacute;veis a chuvas   intensas, secas severas e ondas de calor. O aumento e a crescente intensidade   desses eventos ampliam os custos sociais, econ&ocirc;micos e ambientais, desafiando a   capacidade de resposta dos munic&iacute;pios. A vulnerabilidade urbana &agrave;s mudan&ccedil;as   clim&aacute;ticas est&aacute; diretamente ligada &agrave; pobreza e &agrave; falta de acesso a recursos   essenciais, o que dificulta a adapta&ccedil;&atilde;o e a resposta adequada da popula&ccedil;&atilde;o aos   desafios. Nos &uacute;ltimos anos, assistimos a eventos clim&aacute;ticos com grandes perdas   humanas, materiais e ambientais &#151; como as enchentes no Rio Grande do Sul, a   seca na regi&atilde;o Norte e no Centro-Oeste e os inc&ecirc;ndios e secas no Pantanal, com   danos severos &agrave; biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse cen&aacute;rio demanda a implementa&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es focadas na   adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, com o objetivo de reduzir os impactos negativos sobre a   sa&uacute;de, as condi&ccedil;&otilde;es de vida e as infraestruturas urbanas. &Eacute; importante destacar   que esses impactos n&atilde;o s&atilde;o distribu&iacute;dos igualmente: os mais pobres e os grupos   historicamente exclu&iacute;dos s&atilde;o os mais afetados, dada sua menor capacidade de   recupera&ccedil;&atilde;o. A adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica nas cidades exige enfrentar, de forma   integrada, desafios relacionados ao acesso &agrave; terra e &agrave; moradia, &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o   da infraestrutura urbana e ao uso da natureza como aliada. No entanto, a falta   de capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos munic&iacute;pios, a aus&ecirc;ncia de dados e informa&ccedil;&otilde;es, a   escassez de projetos e a baixa sensibiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica s&atilde;o barreiras importantes. Essas limita&ccedil;&otilde;es exigem pol&iacute;ticas   que tamb&eacute;m contribuam para reduzir   as desigualdades, conservar o meio ambiente e mitigar os efeitos da mudan&ccedil;a   clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A realidade urbana brasileira, diante dos desafios   clim&aacute;ticos, exige uma abordagem sist&ecirc;mica e flex&iacute;vel, que envolva o   fortalecimento institucional, capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, planejamento financeiro e   avalia&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos riscos. O planejamento urbano baseado em riscos torna-se   essencial para a constru&ccedil;&atilde;o de infraestruturas resilientes. Tradicionalmente, a   adapta&ccedil;&atilde;o tem se apoiado em solu&ccedil;&otilde;es de engenharia convencionais, que muitas   vezes n&atilde;o s&atilde;o sustent&aacute;veis ou economicamente vi&aacute;veis. Isso torna necess&aacute;rio integrar   solu&ccedil;&otilde;es baseadas na natureza, fortalecer os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos, aprimorar   a governan&ccedil;a, os sistemas de gest&atilde;o de emerg&ecirc;ncias e incentivar a   corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade por meio de uma maior percep&ccedil;&atilde;o dos riscos   clim&aacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; sempre fundamental destacar que periferias e favelas s&atilde;o territ&oacute;rios historicamente marginalizados, com prec&aacute;ria   capacidade adaptativa para enfrentar ou se recuperar de desastres clim&aacute;ticos.   Essa condi&ccedil;&atilde;o perpetua a pobreza e a exclus&atilde;o dessas   popula&ccedil;&otilde;es. Os grupos mais vulner&aacute;veis &#151; mulheres,   crian&ccedil;as, minorias &eacute;tnicas, comunidades pobres, migrantes, refugiados,   idosos e pessoas com doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas &#151; s&atilde;o desproporcionalmente afetados, o que agrava as   desigualdades sociais preexistentes. Povos ind&iacute;genas, comunidades tradicionais   e trabalhadores de setores em transi&ccedil;&atilde;o continuam exclu&iacute;dos dos processos de   decis&atilde;o, assim como as mulheres, que, apesar de estarem na linha   de frente das a&ccedil;&otilde;es durante crises, seguem sub-representadas nos espa&ccedil;os de   formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Justi&ccedil;a clim&aacute;tica precisa ser mais que um conceito: deve   orientar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, decis&otilde;es econ&ocirc;micas e a&ccedil;&otilde;es sociais em dire&ccedil;&atilde;o a   um futuro mais justo e resiliente</i>."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, a justi&ccedil;a clim&aacute;tica precisa deixar de ser   apenas um princ&iacute;pio e se tornar uma diretriz real, que oriente os governos,   empresas e sociedade civil. &Eacute; necess&aacute;rio garantir participa&ccedil;&atilde;o efetiva e o   reconhecimento do papel fundamental dessas popula&ccedil;&otilde;es na prote&ccedil;&atilde;o do clima e na   promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida, em dire&ccedil;&atilde;o a um desenvolvimento justo e   sustent&aacute;vel &#151; que n&atilde;o repita pr&aacute;ticas que perpetuam injusti&ccedil;as ou aprofundam   vulnerabilidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute; um grande desafio em promover processos cooperativos e   incentivar pr&aacute;ticas de aprendizagem social. A transpar&ecirc;ncia na gest&atilde;o p&uacute;blica   ser&aacute; um elemento essencial para ampliar a confian&ccedil;a dos cidad&atilde;os, fortalecendo   a corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o. Isso exige uma forte a&ccedil;&atilde;o comunicativa: &eacute; preciso   promover di&aacute;logos abertos sobre riscos, multiplicar o conhecimento e investir   em processos comunicativos que fortale&ccedil;am a capacidade adaptativa da sociedade.   O di&aacute;logo entre saberes diversos e a a&ccedil;&atilde;o social articulada ampliam a   compreens&atilde;o da realidade e estimulam o enfrentamento coletivo dos riscos,   promovendo o desenvolvimento de capacidades para lidar com os impactos   clim&aacute;ticos nos territ&oacute;rios mais vulner&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desejamos a todos uma excelente leitura e estimulamos a   multiplica&ccedil;&atilde;o da diversidade de temas aqui apresentados, numa perspectiva de   amplia&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo entre ci&ecirc;ncia, governan&ccedil;a e sociedade, incorporando   diferentes formas de conhecimento para fortalecer uma agenda de capacidade   adaptativa e redu&ccedil;&atilde;o de riscos frente &agrave; emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica.</font></p>      ]]></body>
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