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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20250051</article-id>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250051</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Cidades, meio ambiente a tecnologia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Rita Cirne<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista formada pela Escola e Comunica&ccedil;&otilde;es e   Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo. Foi editora das homepages dos sites do   Estad&atilde;o e do DCI e &eacute; colaboradora do jornal Valor Econ&ocirc;mico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O avan&ccedil;o da tecnologia urbana no Brasil caminha para   transformar alguns munic&iacute;pios do pa&iacute;s em cidades inteligentes, mesmo que essa   evolu&ccedil;&atilde;o implique em um maior consumo de energia el&eacute;trica ou que provoque   desigualdades sociais atrav&eacute;s da exclus&atilde;o digital. A expectativa &eacute; que as   principais tecnologias atualmente aplicadas &agrave; gest&atilde;o ambiental urbana - como   sensores conectados que monitoram a qualidade do ar, mobilidade el&eacute;trica,   ilumina&ccedil;&atilde;o inteligente, etc. - aumentem a efici&ecirc;ncia dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, tragam   uma melhora da qualidade ambiental, com menos polui&ccedil;&atilde;o, otimizem os recursos,   promovam a sustentabilidade e melhorem a qualidade de vida dos cidad&atilde;os.   (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Mas ainda s&atilde;o muitos os desafios a serem vencidos para que   essa expectativa se torne uma realidade no Brasil, onde a maior parte das   prefeituras usa v&aacute;rios sistemas de tecnologia digital que n&atilde;o conversam entre   si. Elas n&atilde;o t&ecirc;m uma plataforma &uacute;nica que facilitaria a vida da popula&ccedil;&atilde;o para   acessar os servi&ccedil;os p&uacute;blicos. "As cidades que usam plataformas digitais e   outras ferramentas tecnol&oacute;gicas para conectar os seus servi&ccedil;os precisam ter uma   infraestrutura que d&ecirc; suporte a essa intelig&ecirc;ncia. Para melhorar a gest&atilde;o de   recursos e gerar bem-estar, essas cidades necessitam ter gest&atilde;o de res&iacute;duos,   uso de energia renov&aacute;vel, &aacute;reas verdes bem distribu&iacute;das, baixa emiss&atilde;o de   carbono, uso integrado dos sistemas de transporte p&uacute;blico (&ocirc;nibus, metr&ocirc;,   trem), pontos de energia para carregamento de celular e de carros el&eacute;tricos",   explica Sheila Walbe Ornstein, professora da Faculdade de Arquitetura e   Urbanismo da Universidade de S&atilde;o Paulo (FAU-USP).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A pesquisadora explica que para que isso ocorra s&atilde;o necess&aacute;rios investimentos   e tempo. Ela lembra que hoje se fala muito em cidades   inteligentes, que s&atilde;o as que conseguem alinhar o desenvolvimento tecnol&oacute;gico   com o progresso social e ambiental. Copenhague, por exemplo, tirou os carros do   centro da cidade h&aacute; mais de 50 anos. Em Londres, a rede Wi-fi n&atilde;o cai e   funciona bem porque o governo investiu em uma tecnologia eficiente que tem a   confian&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o. Essas cidades monitoram online o meio ambiente e, quando   detectam o aumento da polui&ccedil;&atilde;o, emitem alertas incentivando a popula&ccedil;&atilde;o a   deixar o carro movido a combust&iacute;vel f&oacute;ssil em casa e a usar o transporte   p&uacute;blico. Tamb&eacute;m estudam as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e emitem alertas para   tempestades e outros eventos que podem representar perigo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A tecnologia digital tamb&eacute;m facilita a realiza&ccedil;&atilde;o de   projetos participativos, o que &eacute; vital para as cidades inteligentes que   promovem a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o no processo de tomada de decis&otilde;es em   projetos que impactam a vida urbana. Ao oferecerem servi&ccedil;os como recarregar   celular em pontos p&uacute;blicos, aumentam a inclus&atilde;o de diversos grupos de minorias   que n&atilde;o est&atilde;o integradas &agrave; sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sheila Ornstein destaca que no Brasil h&aacute; muitas cidades   oferecendo v&aacute;rios tipos de servi&ccedil;os conectados, caminhando para se   transformarem em cidades inteligentes, mas ainda necessitando de maior   conectividade e efici&ecirc;ncia. Curitiba &eacute; um exemplo de cidade desse tipo,   considerada inteligente sobretudo por conta do transporte p&uacute;blico e por conta   de aspectos de sustentabilidade, j&aacute; que &eacute; cercada por parques que ajudam na   redu&ccedil;&atilde;o de carbono. S&atilde;o Paulo tem alguns setores com conectividade e uma rede   de Wi-fi que n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel para todos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vale lembrar que enquanto o Brasil j&aacute; ultrapassou a marca de   80% da popula&ccedil;&atilde;o com algum tipo de acesso &agrave; internet, o pa&iacute;s ainda convive com   uma grande desigualdade regional no que se refere &agrave; qualidade e acesso da   conex&atilde;o. Dados do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil apontam que as regi&otilde;es do   Norte e do Nordeste t&ecirc;m os piores indicadores de infraestrutura e conectividade   muitas vezes dependendo de redes m&oacute;veis inst&aacute;veis - enquanto a regi&atilde;o Sudeste   tem a maior parte dos investimentos em fibra &oacute;ptica e banda larga de alta   velocidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Os gargalos da infraestrutura urbana no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse cen&aacute;rio, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a energia renov&aacute;vel &eacute;   grande, pois o uso de tecnologia digital implica em um consumo enorme de   energia el&eacute;trica a um custo elevado. E quando se fala em oferecer redes para a   popula&ccedil;&atilde;o, essa oferta tamb&eacute;m implica em aumentar o custo da energia el&eacute;trica.   Para reduzir esse custo, &eacute; preciso usar energia limpa: solar, e&oacute;lica e os   pain&eacute;is fotovoltaicos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>As cidades que   usam plataformas digitais e outras ferramentas tecnol&oacute;gicas para conectar os   seus servi&ccedil;os precisam ter uma infraestrutura que d&ecirc; suporte a essa   intelig&ecirc;ncia</i>."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Sheila Ornstein, o uso da tecnologia digital na gest&atilde;o   p&uacute;blica &eacute; um caminho sem volta. Por&eacute;m, se as prefeituras n&atilde;o investirem em   energia limpa, essa conta n&atilde;o fecha. Por outro lado, &eacute; um excelente investimento, pois a popula&ccedil;&atilde;o reconhece   quando usufrui de elevada conectividade e quando tem acesso &agrave;s redes de Wi-fi   de forma segura. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n3/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Na opini&atilde;o de Talita Martin, professora do MBA em <i>Environmental,   Social and Governance (ESG) e Impact</i> da Trevisan Escola de Neg&oacute;cios e CEO   da Equos Consultoria ESG, um dos principais benef&iacute;cios da digitaliza&ccedil;&atilde;o e   coleta de dados dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos &eacute; o de contribuir para o planejamento   urbano sustent&aacute;vel. Isso &eacute; poss&iacute;vel ao identificar padr&otilde;es e tend&ecirc;ncias para o   planejamento de infraestruturas; a otimiza&ccedil;&atilde;o do uso do solo; a melhora da   resili&ecirc;ncia urbana contra eventos extremos; e uma participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; mais   informada no processo. "Cidades inteligentes podem equilibrar o crescimento   econ&ocirc;mico atraindo investimentos, fomentando a inova&ccedil;&atilde;o, otimizando custos e   aumentando a produtividade. No entanto, elas podem reproduzir desigualdades   atrav&eacute;s da exclus&atilde;o digital, quest&otilde;es de privacidade e vigil&acirc;ncia, e   deslocamento de popula&ccedil;&otilde;es e concentra&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios", acrescenta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Desafios energ&eacute;ticos e impacto ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Talita Martin, o impacto ambiental inclui o alto   consumo energ&eacute;tico de infraestruturas de dados (data centers); a produ&ccedil;&atilde;o e o   descarte de hardware (extra&ccedil;&atilde;o de recursos e gera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duo eletr&ocirc;nico); e   as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa da cadeia de suprimentos da ind&uacute;stria   digital. Mas esses desafios podem ser superados com Parcerias P&uacute;blico-Privadas   (PPPs), financiamento por resultados ou modelos de assinatura, capacita&ccedil;&atilde;o de   m&atilde;o de obra local, padroniza&ccedil;&atilde;o e interoperabilidade, aproveitamento de   infraestrutura existente, foco em projetos piloto e expans&atilde;o gradual, e uso de   incentivos fiscais e subs&iacute;dios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por enquanto, num pa&iacute;s com as dimens&otilde;es do Brasil e a grande   diversidade existente entre os munic&iacute;pios, os dados dispon&iacute;veis sobre a   digitaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos mostram que h&aacute; muito por fazer. A s&eacute;tima edi&ccedil;&atilde;o da pesquisa TIC   Governo Eletr&ocirc;nico, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o   Desenvolvimento da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (Cetic.br) e lan&ccedil;ada em 2023,   revelou que 91% das prefeituras brasileiras oferecem pelo menos um servi&ccedil;o   online aos cidad&atilde;os; 92% desses munic&iacute;pios tinham site e 95% redes   sociais.&nbsp;A pesquisa acompanha a evolu&ccedil;&atilde;o da incorpora&ccedil;&atilde;o de tecnologias de   informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TIC) nos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos   brasileiros desde 2013, realizada a cada dois   anos.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"<i>Cidades inteligentes podem equilibrar o crescimento econ&ocirc;mico   atraindo investimentos, fomentando a inova&ccedil;&atilde;o, otimizando custos e aumentando a   produtividade</i>."</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; e exclus&atilde;o digital</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Manuella Maia Ribeiro, analista de informa&ccedil;&otilde;es do   Cetic.br e coordenadora de Projetos de Pesquisa TIC, a pesquisa evidenciou que,   embora tenha ocorrido um progresso significativo na oferta de servi&ccedil;os online   desde 2013, ainda existem desafios relacionados &agrave; integra&ccedil;&atilde;o e acesso a esses   servi&ccedil;os.&nbsp;Isso porque somente as prefeituras de cidades de maior porte -   com mais de meio milh&atilde;o de habitantes - oferecem de sete a oito servi&ccedil;os   digitais em seus sites enquanto apenas 56% das prefeituras de menor porte, com   at&eacute; 10 mil habitantes, oferece cinco ou mais tipos de servi&ccedil;os online.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Pela primeira vez, o levantamento apontou que mais da metade   das prefeituras disponibilizou conex&atilde;o Wi-fi gratuita em &aacute;reas p&uacute;blicas dos   munic&iacute;pios, como pra&ccedil;as e parques, passando de 48% em 2021 para 54% em 2023.   Esse tipo de iniciativa foi mais frequente nas capitais (79%) e em cidades de   100 mil at&eacute; 500 mil habitantes (66%) e mais de 500 mil moradores (80%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; a disponibilidade de centros p&uacute;blicos de acesso gratuito,   como telecentros - que no passado foram importantes espa&ccedil;os de acesso &agrave; rede -   vem apresentando queda. Em 2015, esse espa&ccedil;o era disponibilizado por 72% das   prefeituras. Em 2023, foi mencionado por menos de metade das prefeituras no   pa&iacute;s (45%).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O uso de tecnologia para gest&atilde;o urbana como o monitoramento   dos centros de opera&ccedil;&otilde;es de tr&acirc;nsito e de seguran&ccedil;a &eacute; uma realidade em 1814   prefeituras brasileiras, sendo que 100% delas usam no tr&acirc;nsito e 82% na   seguran&ccedil;a p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na opini&atilde;o de Manuella Ribeiro, a principal dificuldade na   implanta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os digitais nas prefeituras est&aacute; ligada &agrave; falta de   recursos e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um departamento de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o. Apenas 45%   das prefeituras pesquisadas contam com um departamento de TI.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar dos avan&ccedil;os registrados, os dados do levantamento   revelam que a transforma&ccedil;&atilde;o digital no setor p&uacute;blico ainda ocorre de forma   desigual no pa&iacute;s. Enquanto grandes centros urbanos consolidam estrat&eacute;gias mais   robustas de digitaliza&ccedil;&atilde;o e conectividade, muitos munic&iacute;pios de pequeno porte   enfrentam obst&aacute;culos estruturais para ampliar o acesso e a qualidade dos   servi&ccedil;os digitais. O cen&aacute;rio aponta para a import&acirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas   que promovam investimentos cont&iacute;nuos em infraestrutura tecnol&oacute;gica, capacita&ccedil;&atilde;o   de equipes e inclus&atilde;o digital &#151; elementos essenciais para garantir que a   inova&ccedil;&atilde;o alcance de forma equitativa todos os cidad&atilde;os, independentemente do   tamanho da cidade em que vivem.</font></p>      ]]></body>
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